Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Benedicto de Andrade


(foto gentilmente cedida por Chico França)

Colaboração do Acadêmico Waldemar Romano
Cadeira n° 11 - Patrono: Benedicto de Andrade


Benedicto de Andrade

No interior paulista, região essencialmente cafeicultora, símbolo da agricultura escravagista, cidade de São José do Rio Pardo, em 10 de setembro de 1913, nasceu Benedicto de Andrade, filho de Cassiano Nogueira dos Santos e D. Elisa Benedita de Andrade. Posteriormente, filho adotivo e único do Cel. Luiz Thomaz de Andrade e de D. Luiza Maria Ribeiro de Andrade.
Desde os primeiros anos de vida, demonstrou alto pendor para os estudos, destacando-se ao cursar e diplomar-se no Grupo Escolar “Dr. Candido Rodrigues”.
Sempre com indomável vontade de vencer e de ser útil à Pátria, matriculou-se e concluiu o Curso Complementar no Colégio São José, iniciando simultaneamente suas atividades jornalísticas na Gazeta do Rio Pardo.
Em sociedade com José Navarro, fundou o seminário “Zas-traz” e colaborou na “Resenha”, periódico rio pardense.
No Ginásio do Estado “Culto à Ciência”, de Campinas, obteve com todos os méritos, o certificado do curso secundário.
Aos dezenove anos, prestou concurso na Delegacia de Ensino de Casa Branca, visando exercer o magistério particular e fundou o Instituto São Paulo, para ensinamentos de repetição de matéria e admissão ao ginásio.
Voltando a Campinas, cursou o pré-jurídico no Colégio “Cesário Motta”, sendo que, para manter-se, trabalhou como revisor e redator no “Correio Popular”.
Por dificuldades pessoais, retornou a São José do Rio Pardo e com o Prof. Célio Figueiredo Ferraz fundou a Escola de Comércio “Pedro II”.
Em 1942, passou a ministrar francês no Ginásio Estadual “Euclides da Cunha”, tendo também ministrado o espanhol. Já dominava com muita facilidade o português, o francês e o espanhol,

tendo conhecimento dos idiomas inglês, grego e russo.
Por concurso público, em 1949 efetivou-se na cátedra de Português no Colégio Estadual e Escola Normal de Lins, tendo sido também professor no Colégio Americano.
Por concurso de remoção, transferiu-se para o Instituto de Educação “Sud Mennucci”, em Piracicaba. Nossa sociedade, em todos os níveis, foi altamente privilegiada com seu entusiasmo, sua oratória, sua vasta cultura e com a facilidade imensa de cativar os alunos, familiares e amigos.
Com o mesmo sucesso dos anteriores, em 1955 prestou con¬curso para a Cadeira de espanhol realizado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, tendo se preparado no Uruguai e na Argentina onde esteve por conta própria; entretanto, desistiu de sua escolha.
Admirador, adepto e praticante do teatro, sempre que possível o exercia com extrema naturalidade.
Em São José do Rio Pardo, foi um dos fundadores da Rádio Difusora; por algumas semanas, foi locutor da Rádio Tupi do Rio de Janeiro; entretanto, como filho único, não evitou a necessida¬de de voltar à terra de Euclides da Cunha, por motivos familiares. Teve oportunidade de ser o redator do jornal “ O Dia” em São Paulo e orador oficial da União Negra Brasileira, a maior agremiação do gênero no Estado.
Em Piracicaba, além do Sud Mennucci, lecionou por três anos, na Escola de Comércio “Cristovão Colombo”; no plano político, foi candidato a Deputado Federal em 1958, tendo sido suplente. Foi vereador à Câmara Municipal de Piracicaba, de 1969 a 1972, tendo sido vice-presidente, cuja atuação foi merecedora de todos os elogios, pois os verdadeiros problemas e as mais complexas questões públicas constituíam sua constante preocupação. Incentivador da criação do Banco de Olhos, foi autor de expressivos pareceres nas comissões técnicas legislativas.
Do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em 1962, recebeu a Medalha comemorativa “Imperatriz Leopoldina” e respectivo diploma.
Como professor, estimulou e orientou seus alunos a participarem de concursos e comemorações, muito especialmente na Maratona Euclidiana realizada anualmente em São José do Rio Pardo.
Foi casado com a Sra. Elmalia Silva de Andrade, pai de quatro filhos: Luiza Maria, Neuza Maria, Alita Maria e Benedito de Andrade Junior.
Faleceu em 1976, tendo sido sepultado em São José do Rio Pardo.
Com autorização do autor, Antonio Messias Galdino, expres¬siva porcentagem das informações históricas do texto foram obtidas em artigo publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, Ano III, nº 3, 1994, páginas 41 e 44.
Dr. Antonio Messias Galdino, cinqüentenário amigo, colega de bancos ginasiais, teve, em meu entendimento, roteiro de vida semelhante ao Prof. Benedicto de Andrade, embora não tenha sido nômade como este; de origem humilde, com dedicação e dignidade, também foi revisor e redator de jornal, professor, político e advogado. Na política, por ocasião da morte do Prof. Benedicto de Andrade em 1976, ocupava Galdino o honroso cargo de Presidente da Câmara Municipal de Piracicaba.
Obriguei-me a honra de pleitear ao amigo Antonio Messias Galdino, de forma resumida, sua impressão sobre o notável Prof. Benedicto de Andrade. “Memórias de um grande Mestre”; há trinta e quatro anos falecia o Prof. Benedicto de Andrade, antigo mestre de Português do Instituto de Educação “Sud Mennucci”. Tivemos a feliz ventura de ter sido seu aluno por alguns anos. Foi um período da minha juventude de que jamais esquecerei. Não apenas lições especificas de Português, que transmitia com a facilidade de um gênio, mas pelas lições de vida que procurava incutir no espírito dos seus alunos. Por duas oportunidades, tive a sorte de representar o “Sud Mennucci” na Maratona Intelectual Euclidiana, que anualmente se realizava e ainda se realiza na cidade de São José do Rio Pardo. Nesses conclaves onde compareciam estudantes de várias cidades do interior, tomamos conhecimento da vida e obra do grande escritor Euclides da Cunha, um dos primeiros a desvendar o Brasil em toda sua realidade. O Prof. Benedicto marcou a nossa geração e conseguiu fazer-nos tomar gosto pela literatura. “Portanto, nestas poucas linhas, registro mais uma vez a minha admiração e saudade.”

Helly de Campos Melges

Colaboração da Acadêmica Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme
Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges

Helly de Campos Melges

Piracicabano
Data do seu nascimento - 14 de dezembro de 1928, data de falecimento 03/agosto/1993
- acadêmico da Academia Piracicabana de Letras,
- Vice-presidente e Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba,
- lançou a Revista Nº1 desta conceituada instituição,
- grande Trovador, premiado várias vezes nesta modalidade,
- primeiro Delegado da Trova em Piracicaba pela UBT, a quem eu tenho a honra de ocupar o lugar,
- um advogado sempre atento ao cumprimento das leis,
- organizou a redação do 1º estatuto do CLIP (Centro Literário de Piracicaba),
- como Político, com P maiúsculo, exerceu mandato de Vereador e foi 1º secretário e Presidente da Câmara Municipal de Piracicaba,
- consagrado escritor e poeta,
- primeiro Príncipe dos Poetas de Piracicaba,
- na função de gestor ocupou o cargo de Presidente do Conselho Coordenador das Entidades Civis de Piracicaba.
- educador por natureza era sempre chamado de Mestre.
- como educador realizou profissionalmente como Professor de Artes e fez carreira. Dirigiu escolas sendo por longo tempo Diretor da Escola Estadual “Monsenhor Gerônimo Gallo” em Pira¬cicaba e em seguida Supervisor de Ensino na Diretoria Regional de Ensino de Piracicaba. Atuou como Membro da Fiscalização do Regime de Dedicação Exclusiva.
- Religioso, leitor assíduo da Bíblia, evangelizador ecumêni¬

co. Quando alguém lhe perguntava sobre sua religião ele respondia: - “Sou Cristão e agora estou congregando na Igreja ...”
- Suas principais obras literárias em prosa e poesias:
“Na era Atômica”,
“O Soldado”,
“São Paulo”
“Ensaio sobre a poesia de Paulo Setubal” obra que lhe propiciou o “Prêmio Paulo Setubal em 1970”.
Série de livros “O Evangelho em Versos” sendo que os primeiros livros desta série são os maravilhosos “O Sermão da Montanha” e “ Oração dos Jovens”.
- Escrevia com frequência para jornais e revistas.
- Também compôs músicas, suas canções mais conhecidas são:
“ Nada Restou” e Grande Oleiro”
- Recebeu várias homenagens como:
“Denominação do salão Nobre da Câmara Municipal de Piracicaba”,
“Incentivador do Esporte” – Piracicaba e Região,
as Medalhas “Thales Castanho de Andrade” e do “Mérito Prudente de Moraes”
Tenho grande orgulho em tê-lo como meu Patrono na Academia Piracicabana de Letras – cadeira Nº 7.
Em homenagem ao prof. Helly de Campos Melges
José de Alencar disse: “o cidadão é o poeta do direito e da justiça; o poeta é o cidadão do belo e da arte.” (se eu pudesse poria também o impactante junto a arte).
O prof. Helly de Campos Melges contempla os dois aspectos descritos por José de Alencar.
Ser poeta não é apenas escrever belos ou impactantes versos, ser poeta é ter a alma “poetal”, como diz Marcial Salaverry.
O prof. Helly de Campos Melges nunca se descuidou da forma, seus sonetos e suas trovas eram formas cuidadas, mas nunca

deixou que a forma comprometesse a espontaneidade de seus versos.
Sua prosa também tinha poesia.
O que sempre admirei era sua forma de aproximar as pessoas de Deus, da poesia, da literatura e da arte em geral, para isso ele fazia uso de linguagem técnica simples, sem perder a profundidade das ideias.
Um dia, ele me pediu:
“–Não deixe morrer a trova em nossa Piracicaba.”
Tenho feito muito pouco, mas continuo a batalhar, ele queria que a trova ocupasse lugar de destaque, porém ... deixe para lá , pelo menos ela não morrerá.

TROVA É OBRA DE ARTE, É LITERATURA

Desta forma, a seu pedido, pesquisei sobre trovas dos grandes poetas da língua portuguesa.
Trova é uma composição poética clássica de forma fixa, cons¬tante de quatro versos de sete sílabas poéticas, rigorosamente metri¬ficados e rimados. Uma estrofe, qualquer que seja constante de quatro versos, chama-se quadra (= quarteto). A trova, portanto, é uma quadra, mas nem toda quadra é uma trova. Isso por que, uma quadra para ser trova deve atender as exigências de ter sentido completo e independente, e de possuir as rimas assim esquematizadas: ABAB; ABBA; AABB; e ABCB. A trova mais cultivada é a elaborada com o esquema de rimas ABAB.
Segundo o escritor Jorge Amado:
“Não pode haver criação literária mais popular e que mais fale diretamente ao coração do povo do que a Trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e por isto mesmo a Trova e o Trovador são imortais”
A Trova é uma forma poética milenar. É originária da Península Ibérica. Eis uma das Trovas de Camões, no esquema de rima “ABBA”:

“Campos bem-aventurados
tornai-vos agora tristes,
que os dias em que me vistes
alegre, já são passados.”


- Trova Lírica:

”Saudade palavra doce
que traduz tanto amargor;
saudade é como se fosse
espinho cheirando a flor...”

BASTOS TIGRE

- Trova Filosófica:

“ Duas vidas todos temos
, muitas vezes sem saber: -
- a vida que nós vivemos,
e a que sonhamos viver...”

LUIZ OTÁVIO

- Trova Humorística:

“Eu, trabalhar desse jeito,
com a força que Deus me deu,
pra sustentar um sujeito
vagabundo que nem eu ???...”

ORLANDO BRITO

De Castro Alves (romântico):

“As nuvens ajoelhadas
nos claustros ermos e vãos
passam as contas doiradas
das estrelas pelas mãos!”

De Olavo Bilac (parnasiano):

“O amor que a teu lado levas
a que lugar te conduz,
que entras coberto de trevas
e sais coberto de luz?”

De Alphonsus de Guimaraens (simbolista):

“O cinamomo floresce
em frente do teu postigo...
Cada flor murcha que desce
morre de sonhar contigo!”

De Fernando Pessoa:


“Cantigas de portugueses
São como barcos no mar –
Vão de uma alma para outra
Com riscos de naufragar.”

Algumas trovas minhas:

Irmanados pela trova,
Bem justa é nossa alegria,
Quando a vida se renova ,
Na festa da poesia.

Envergonhada a trova,
Diante do rico soneto,
Mesmo com roupa bem nova,
Não foi com ele ao concerto.

Ao ver do soneto a emenda,
A trova alegre sorria.
Em seu vestido de renda,
Na festa da poesia.

A leveza do seu verso,
Fez-me voar até o céu ,
E de lá eu lhe arremesso,
Estrelas com troféu.

A trova é bem popular,
Sempre do gosto do povo,
Mas nunca será vulgar,
Pois tem a essência do novo.


Poeta nasce poeta,
Depois ousa ser magia.
Poeta morre poeta,
Pra se tornar poesia.

Bipartiu-se , que emoção!
Forma antiga, forma nova .
Na concha do coração ,
Bela pérola era a trova.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

José Luiz Guidotti

http://inema.com.br/mat/idmat089119.htm

Colaboração do Acadêmico Paulo Celso Bassetti
Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti

Aprendendo a Melhorar
Homenagem ao meu Patrono José Luiz Guidotti

(in memoriam)


Especialmente neste momento eu gostaria de compartilhar com vocês uma carta pessoal sobre a atitude de promover em nossa vida a melhoria contínua. Nas entrelinhas eu deixo a vocês minha visão sobre como aprender a melhorar.
“Queridos amigos e amigas,
Desculpem-me se eu deixei transparecer em minha face a preocupação e o cansaço. Eu preciso melhorar.
Desculpem-me se em algum momento deixei transparecer arrogância, tristeza, sem alegria radiante. Eu preciso melhorar.
Desculpem-me se deixei transmitir-lhes uma imagem de um ser humano fechado, quando vocês precisavam de umas palavras amigas naquele momento. Eu ainda estou aprendendo.
Não tenho motivo para regredir da forma que sou.
Desculpem-me se eu falo e sorrio muito alto; se eu falo caipira; se é o meu jeito e não posso mudar. Eu estou aprendendo.
Sou feliz desse jeito, tenho vocês como amigos desse jeito, sou filho, pai e avô desse jeito. Obrigado por me aturarem assim, eu estou aprendendo.
Quero ser um eterno aprendiz.
Quero gostar, respeitar, amar, pois sou feliz assim.
Quero ser bondoso, caridoso, voluntário do bem.
Quero ser um eterno agente de mudança.
Desculpem-me se ainda não consegui, eu estou aprendendo.
Quero ser um profissional exemplar, ÉTICO, FELIZ, ALEGRE, SEMPRE MOTIVADO.
Desculpem-me, eu ainda estou aprendendo.

Sou saudável, adoro meus amigos, tenho motivação de sobra na minha profissão, mesmo depois de 52 anos trabalhando...
Desculpem-me por qualquer coisa que eu tenha cometido sem perceber, porque sei o quanto preciso melhorar. Mas ainda estou aprendendo no dia-a-dia, com cada um de vocês, crianças, jovens, adultos.


Serei mesmo um eterno APRENDIZ.”
Queridos leitores, espero que eu possa ter passado a vocês a partir deste singelo texto, um pouco da minha experiência pessoal, da minha simplicidade natural, e que vocês possam usá-la e aprimorá-la para melhor, em busca de uma organização e de uma sociedade cada vez mais justa e fraternal, características estas do meu patrono José Luiz Guidotti.111

Francisco Lagreca

(fonte: http://memorial-piracicaba.blogspot.com/ )

Colaboração do Acadêmico Olívio N. Alleoni
Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca

Francisco Lagreca
(visão sumária do poeta)

A Origem

Pietro Paolo Francesco Lagreca, filho de Benigno Lagreca e Clorinda Campagna, nasceu em 5 de outubro de 1857 na Calábria.
Imigrou para Pernambuco com mais dois irmãos. Um permaneceu em Pernambuco, outro no Rio de Janeiro e o último em São Paulo.
Veio a casar-se em 16 de outubro de 1880 com D. Maria Leopoldina de Castro Lagreca, em Piracicaba. Deste casamento nasceu Francisco Lagreca.

A Obra

Estes versos ornam o monumento ao Soldado Constitucionalista:
“Este é o valor da terra estremecida,
É o poema à glória piracicabana!
Pela Pátria a lutar, vida por vida,
Tombaram com bravura soberana!

Dor e martírio de uma raça forte,
Que a luz e o ideal de um sentimento novo!
Sobre estas pedras não existe a morte,
Porque não morre quem defende um povo!”

“Bravio, intrépido, indomável,
Como se fossem leões na jaula impenetrável,
O rio, com as jubas crespas, vem rolando,
Vem avançando,

Numa fatal carreira,
Até cair na pedreira.
Ruge, reboa, atroa, fala, canta,
E a espumarada ferve, referve,
sobre o leito,
Que é como o peito
De um imenso gigante.”
Estas linhas foram escritas quando ele tinha apenas treze anos.

No livro do Centenário do Lar dos Velhinhos de Piracicaba, localizamos o texto abaixo:
“Há o amparo que nasce da hipocrisia e há o que nasce da sinceridade. O primeiro é fruto podre, caído de almas degeneradas; o segundo é a flor mais pura e mais formosa que todas as flores, e que só viceja no fundo dos corações verdadeiramente humanos. Neste Asilo se encontra o amparo que nasce da sinceridade. É um templo de infinito zelo e de infinita consolação, diante de cujos umbrais o meu pensamento se ajoelha reverente, e faz votos para que se prolonguem pela vida destes pobres asilados, a bondade, o carinho, as raras e imensas virtudes do seu fundador.”
Esta breve visão, juntamente com sua produção de poemas, vem a endossar o homem com visão aquilina e sagaz que se fazia presente no jovem em plena juventude na Noiva da Colina.
Sua obra poética foi publicada postumamente em 1959, “Poesias de Francisco Lagreca”, pela Editora José Aloisi Ltda.

O Homem

Nascido nesta cidade, em 11 de março de 1883, Francisco Lagreca estudou no Colégio Piracicabano. Formou-se em Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, tornando-se amigo de figuras notáveis da intelectualidade brasileira, tais como Olavo Bilac, Batista Cepelos e René Thiollier. Em 1906, bacharelou-se pelas “Arcadas” famosas e já se tornara conhecido pela beleza de seus versos. Conhecido como “O Poeta de Piracicaba”.
Já aos 13 anos de idade, Lagreca se revelara poeta de rara inspiração. Foi quando escreveu o poema “O Salto”, que foi enviado a Olavo Bilac, e despertou no também poeta Brasílio Machado admiração e respeito. Foi inspirado no espetáculo descrito por Lagreca, em “O Salto”, que Brasílio Machado escreveu o poema que se tornou um dos símbolos de “Piracicaba”, no qual fixou a imagem da “Noiva da Colina”.
Era casado com Luiza Capellari Lagreca.
Ganhou menção honrosa na Academia Brasileira de Letras com o livro “Cidade do Amor”, em 1922.
Foi um dos participantes da Semana de Arte Moderna de 1922, ao lado de Graça Aranha, Oswald e Mario de Andrade, Guilherme de Almeida e outros.
Publicou diversos livros e colaborou intensamente com os jornais “Diário da Manhã”, “Diário de São Paulo”, “A Manhã”, “Jornal do Commercio”, e as revistas “A Cigarra”, “Vida Moderna” e outras publicações.
O jornalista Losso Neto escreveu:
“Francisco Lagreca pode ser chamado o poeta de Piracicaba por excelência. Ninguém foi mais fiel, nem mais constante, em seu arrebatado amor pela cidade natal. Ninguém lhe descreveu as belezas naturais com maior paixão. (...) tudo fala gritantemente de Piracicaba, imprimindo uma veracidade tão fiel, que se sente o poeta e a terra em comovedora comunhão.”
Faleceu em Piracicaba aos 23 de agosto de 1944.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Maria Cecília Machado Bonachella

Colaboração da Acadêmica Myria Machado Botelho
Cadeira n° 24 - Patrona: Maria Cecília Machado Bonachella

Crônica de Maria Cecília

Maria Cecília Machado Bonachella − minha sobrinha, filha de meu irmão mais velho, José Luiz, e Maria Lavínia Sardinha, naturais de São Simão, SP, a quem escolhi Patrona de minha cadeira número 24, da Academia Piracicabana de Letras, nesta segunda fase de atividades − nasceu em Franca, em 16 de outubro de 1940. Seus pais tinham viajado em visita a parentes, àquela época residentes na chamada “Franca do Imperador”, bela cidade paulista, quase divisa de Minas Gerais. Ali ela veio ao mundo, embora toda sua infância tenha transcorrido em São Simão, onde fez os primeiros estudos escolares. Terceira filha de seis irmãos, a família mudou-se para Piracicaba quando ela estava com onze anos, e aqui radicou-se para sempre. Fez o ginásio e se formou para o magistério, no Colégio Assunção; a saúde delicada não lhe permitiu altos voos nos estudos. Um reumatismo articular agudo, adquirido muito cedo, trouxe-lhe em consequência uma lesão cardíaca, com a qual conviveu durante toda a vida. E foi, sem dúvida, a limitação física, o fator decisivo que levou a menina, desenganada pelos especialistas, a uma vida introspectiva mais acentuada, voltada para o sentimento do transitório, onde prevaleceu o misticismo, e à inclinação poética.
Em sua história houve sempre um fator decisivo a ligar a vida àquele arcabouço mais sutil da alma, onde se teceram as filigranas de uma sensibilidade invulgar, tocada de nostalgia, que se derramaria por toda a produção artística.
Desde cedo, o interesse pelos livros e os poetas acentuou-se, auxiliado pelos pais, cultos e amantes da boa leitura, que descobriram seu talento precoce e o estimularam, na condução dos clássicos da literatura, na redação, e no aprimoramento da língua. Uma forma inteligente de desviar a criança dos espectros de uma previsão médica, segundo a qual não chegaria aos 20 anos, o que, felizmente, não ocorreu.
Contrariando esta previsão, casou-se com Nelson Bonachella, deu à luz três filhos, duas mulheres e um homem: Maria Beatriz, Nelson e Maria Cecília, amamentou-os e os criou, condu¬zindo-os na formação e participando de suas experiências, tendo ainda convivido com o casal de netos, filhos do casamento da caçula que tem seu nome. Sob uma aparência de fragilidade, escondia-se a grande força interior que caracterizou toda a sua trajetória humana. Sua atividade física e intelectual sempre foi ininterrupta (salvo nas fases mais críticas da saúde), tanto nos afazeres domésticos e na dedicação à família, como nas várias atividades culturais, criando e presidindo dois clubes literários, Clip (Centro Literário de Piracicaba) e Golp (Grupo Oficina Literária de Piracicaba), além da coordenação da página literária “Palavras & Versos”, do Jornal de Piracicaba, durante algumas décadas, por meio da qual incentivou, conduziu e promoveu expressivo número de poetas e de escritores. De maneira natural e espontânea, ela partilhava com os colegas o conhecimento e o traquejo adquiridos, sem imposição ou arrogância, mesmo quando necessária a correção, o que também fazia na revisão de obras em prosa e verso a serem publicadas. Foram muitas essas solicitações.
Apesar do tempo consumido neste trabalho, muitas vezes espinhoso, a criatividade intensa não a abandonava, a julgar pelas inúmeras joias de real valor, deixadas em dois livros próprios, “Três Fases” e “Era uma vez um País”, além da participação em diversas coletâneas de poesias, feitas pelos vates daqui e de outras regiões, num período que se caracterizou pelo surgimento de muitos valores e pela criação do “Prêmio Escriba”, de prosa e poesia, até hoje em pleno desdobramento no país. Deixou também muitos poemas, publicados em jornais e revistas, além de inéditos.
Quando a morte a surpreendeu em 8 de fevereiro de 2007, com a idade de 66 anos e três meses, a escritora Ivana Maria França de Negri, outra batalhadora, assumiu sem interromper a coordenação do trabalho, agora com o nome de “Letras & Rimas”, uma página que já se incorporou como tradição no Jornal.
Cecília − a doce, frágil e forte poeta que já nasceu can¬tando e rimando seus versos, antes mesmo de conhecer a vida − “tingiu de ametista os seus sonhos de menina e, no seu coração, viu brotar as violetas com aros espirituais, antes das rosas”, para usar a feliz metáfora de seu professor e amigo, o escritor Mello Ayres, na apresentação de seu primeiro livro “Três Fases”, um relicário de belos versos.
Sempre senti por Cecília, desde o nascimento, uma certa maternidade espiritual, que se foi sedimentando com a convivência, ao lado da admiração pelo jeito delicado de ser e dos versos que compunha, de forma natural, brotados ao sabor do acaso, por obra e graça do Criador.
Ela me chamava “tia-mãe”, embora a diferença cronológica não fosse tão grande, mas sempre aceitei como justo esse tratamento. Eu sentia nessa criança algo maior, embasado em puro sentimento, algo diferente e mais sutil, todo feito de delicadeza, ternura e beleza. Algo que pode ser definido como Simplicidade, com maiúscula, um traço que sempre marcou sua poesia, que poderíamos caracterizar como a poesia da simplicidade. Sem rebuscamentos, sem outras in¬tenções, sem mesmo saber ainda o manejo e a exigência do verso, a poesia brotava de sua alma, do seu coração, como aquela sementinha, espalhada a esmo, produzindo flores. Flores mimosas e silvestres, flores delicadas e raras.
Flores pequenas que já ensaiavam os compassos da menina que substituía o brinquedo e a boneca, pelo caderno: “Para ler brincando”: “sou pequena, nada sinto, pouco vejo, nada entendo, Pequenina, Sou Menina!”
A menina que já era capaz de ver o céu e criar imagens como esta Sensualidade: “a lua se despiu sem que ninguém pedisse, para que o céu a visse e apressasse o passo. Foi então, que este céu suou gotas de estrelas pelo espaço…” Ou a menina capaz de im¬primir em seus versos aquela melancolia que seria sempre o traço dominante de sua personalidade, e que, numa premonição extraor¬dinária, derramaria nos versos esta joia reflexiva e profunda: “No fundo de mim mesma procuro o outro EU. Esta que ora vive é a que sofre. A outra − mais feliz − essa morreu...”
Assim, lembrando e relendo seus poemas, poderíamos caminhar com Cecília em todas as fases de sua vida que, nas mais diversas circunstâncias, extravasaria no verso a sua alma de artista, e escreveria a história de sua passagem nesse mundo, criando e esgrimando a palavra em jogos admiráveis de metáforas, de comparações e antíteses que talvez nem ela mesma distinguisse como pura criação, por um dom natural de percepção e de acuidade que já vinha sendo treinado desde cedo, por sólida formação humana e intelectual.
Nossa afinidade espiritual era grande, provinda das mesmas fontes e de raízes semelhantes em que o berço e a família interferiram na formação, na identidade e nas inclinações. Havia espaços para as confidências, os extravasamentos, as alegrias, os sonhos, as inquietações e os temores recíprocos.
Modesta, Cecília jamais supôs em vida que seu nome se projetaria na cidade que adotou como sua, e soube retribuir seu amor. Aqui estudou, casou e constituiu família; aqui viveu e sofreu, sonhou e versejou com enorme capacidade para amar com arrebatamento, e aquela ternura impregnada de tristeza, capaz de permanecer por momentos, horas, dias, meses, anos, e pela vida inteira. Aquele encantamento produzido pela verdadeira arte que ela soube valorizar como mulher e como artista, repetindo um de seus poetas de predileção, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”!

José Maria de Carvalho Ferreira

Colaboração da Acadêmica Mônica Aguiar Corazza Stefani
Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira

Meu patrono

Meu patrono, titular da cadeira nº. 9 da Academia Piracicabana de Letras, é o biólogo José Maria Ferreira, nascido em Piracicaba, a 21 de novembro de 1941, e aqui mesmo falecido, no dia 17 de fevereiro de 1991, antes mesmo de atingir os 50 anos de vida.
Seu curso universitário foi realizado em Rio Claro, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras daquela cidade. Concluiu-o em 1965. Prosseguiu estudos na Universidade de Edimburg, na Escócia, e cursou teatro na Universidade do Estado da Flórida, nos Estados Unidos, entre 1977 e 1978.
Foi, além de biólogo e professor de Biologia, escritor, poeta, jornalista, crítico de cinema.
Teve intensa participação na vida cultural e na imprensa de nossa cidade. No Jornal de Piracicaba, foi co-editor do suplemento cultural Panorama. Publicou numerosos artigos e estudos sobre cinema, teatro, sobre cultura em geral. Segundo Cecílio Elias Netto, José Maria Ferreira “foi um dos mais completos intelectuais piracicabanos nas últimas décadas do século XX”.
Foi homenageado, por iniciativa da Câmara Municipal de Piracicaba, com a adoção de seu nome
Pessoalmente, muito devo a ele. Foi ele quem descobriu, em mim, a vocação para a Fotografia. Minha primeira exposição individual de fotografias foi feita no SESC de Piracicaba, por iniciativa e convite de José Maria Ferreira. Passar pelo crivo dele foi, para mim, um grande orgulho. Na época, mesmo já tendo conquistado antes prêmios internacionais, o apoio de José Maria Ferreira foi como um passaporte para engrenar no mundo artístico da nossa cidade.
A ele dedico uns versos que escrevi em 10/12/2005:

Queria uma tempestade.
Uma chuva, já seria bom.
Um copo de água, até que mataria a sede.
Uma gota já me faria melhor.
Já que nada disso pode ser,
Deixe, então,
Apenas minha lágrima na tua mão.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Luiz de Queiroz


http://www.esalq.usp.br/instituicao/historico.html

Colaboração da Acadêmica Maria Helena Vieira AguiarCorazza
Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Este Luiz de Queiroz que eu amo

Material para falar sobre Luiz de Queiroz encontra-se nas mais diversas formas, como livros, jornais, revistas, no “Google” atualmente, em sites... É só procurar e copiar, e isso, qualquer um de nós pode fazer. Contudo, meu grande amor e respeito por ele tiveram início desde minha adolescência, quando vinha passar as férias em Piracicaba na casa dos meus avós e não me cansava de pegar o bondinho, com minhas tias, e “passear na Escola Agrícola”. Muito pelas belezas naturais (tantas árvores deslumbrantes, plantações e, também, as dezenas de prédios e casas − de funcionários, professores e diretores − uns já prontos, outros em construção para moradias, aulas, estudos e laboratórios futuros... Sempre percebi muito movimento lá...). E, então, cada vez mais crescia a minha admiração pelo homem sempre magnífico que demonstrou ser em seus sonhos e anseios de “fazer uma escola agrícola prática para ensinar a arte da agricultura valorizada pela experimentação necessária no sentido de promover uma produção agrícola sustentável para o agricultor, com respeito ao meio ambiente, com pouca teoria, mas com as pesquisas necessárias”.
Demonstrou também sua grandeza por suas obras e objetivos não só em prol de alunos, que seriam instruídos e formados em Piracicaba, daqui levando para outras plagas as bagagens de conhecimentos recebidos nesta emérita faculdade de agronomia que se transformaria numa das maiores do mundo, mas também pela potencialidade de trazer em si e levar à tona e a cabo, essa suntuosidade de bens voltados ao progresso. Sobretudo na alimentação saudável do homem que, para a sorte de nossa cidade, de nosso Estado e, principalmente, do Brasil surgiu iniciando aqui em nossa cidade um dia, pelas mãos deste jovem agrônomo e ser humano batalhador dos mais valorosos, visionário por vocação dos mais criativos e competentes, nas suas ideias incríveis de avanço, sobretudo na área agrícola de um país. Luiz de Queiroz rompeu todas as barreiras possíveis, indo mostrar em outros lugares do mundo a riqueza de compartilhar sua participação inestimável!
Por essas e por tantas outras questões amo Luiz de Queiroz! Pela sua genialidade e sagacidade, pulso firme e forte, que nada fazia desanimar ou desistir de seus sonhos. Amo esse tipo de gente! Amo a derrubada de barreiras e o desafio que parece sempre querer destruir tudo o que necessita de dedicação, carinho e afinco para se chegar lá. Por isso fiz de Luiz de Queiroz meu patrono na Academia Piracicabana de Letras, da qual hoje exerço o cargo de presidente. Com muito orgulho, principalmente por levar adiante o nome e o prestígio desta figura exuberante e bem resolvida desde tempos passados, quando os tabus eram mais ferrenhos ainda, os preconceitos e as dificuldades, grilhões a pretender derrubar ou não deixar florescer ideais, pelo simples fato da acomodação, da inércia, inanição ou indiferença (por que não dizer, por falta de capacidade e competência?). Vaidades que perderam seu lugar, em confronto com o dinamismo e perseverança de Luiz de Queiroz, que foi o grande vencedor.
Luiz de Queiroz não teve um monumento à sua altura. Não foi possível! Como diz a placa em frente ao prédio principal da Esalq: “A Luiz Vicente de Souza Queiroz, o teu Monumento é a tua Escola”. Magnífica e eficiente homenagem àquele que, levantando sua bandeira de fé em realizar um ensino maior para grandes conquistas nacionais e internacionais, traz com ele até os dias de hoje, a glória de seu desejo concretizado no seu magnífico projeto de cultura, eficiência e amor para um mundo melhor.

Elias de Mello Ayres

Colaboração da Acadêmica Maria Emilia Leitão Medeiros Redi
Cadeira n° 38 - Patrono: Elias de Mello Ayres

“Prof. Elias de Mello Ayres”

Um homem... uma história
Na bela Capivari, interior de São Paulo, aos dois de Junho de 1890, veio ao mundo o filho do farmacêutico Elias Cândido Ayres e da senhora Maria Custódia de Anhaia Mello, de tradicional família paulista, que seria um homem, um artista e cidadão à frente de seu tempo. Casou-se, em 1913, com a professora Maria Amélia de Aguiar Ayres, desta feliz união nasceram os filhos: profª Maria Aparecida de Aguiar Ayres Guimarães, casada com Guilherme Pereira Guimarães; profª Maria Benedicta de Aguiar Ayres Santoro, casada com José Santoro; profª Maria Cecília Ayres Guidetti Zagatto, casada com o dr. Alcides Guidetti Zagatto; profª Maria Stella de Aguiar Ayres (Irmã Missionária da Congregação das Missionárias de Jesus Crucificado – Irmã Maria Stella da Eucaristia); prof. Dr. Geraldo Claret de Mello Ayres (engenheiro agrônomo e professor universitário), casado com Jurema Rostom de Mello Ayres. O casal Elias e Maria Amélia teve 29 netos.
Elias de Mello Ayres iniciou seus estudos, aprendendo brilhantemente as primeiras letras, no Grupo Escolar de Rio das Pedras, São Paulo. Contemporâneo e colega de Thalles de Andrade e Sud Mennucci, efetuou sua formação acadêmica na Escola Complementar de Piracicaba; formou-se professor em 1910. Em 1920, assumiu a cátedra de Biologia Educacional na Escola Normal de Pirassununga (SP). Em 1936, foi transferido para a Escola Normal Oficial de Piracicaba, hoje “Sud Mennucci”. Aposentou-se em 1952, pela Escola Normal Oficial “Plínio Rodrigues de Moraes”, da cida¬de de Tietê (SP); em Piracicaba, lecionou até sua morte no Colégio Nossa Senhora D’Assunção, das Irmãs da Congregação de São José.
O magistério foi uma das suas paixões!

Elias de Mello Ayres era também um artista. Com apenas 14 anos de idade foi regente da Banda de Música de Rio das Pedras (SP). Grande letrista e poeta, deixou-nos centenas de composições poéticas e hinos oficiais para escolas de Piracicaba e do Estado de São Paulo. Fez parceria com os inesquecíveis Erotides de Campos, maestro Benedito Dutra Teixeira e o maestro Fabiano Losano, para quem compôs a letra do famoso hino “Rumo ao Campo”. É de sua lavra, também, a letra do hino do Colégio Assunção, da Escola Prudente de Moraes, da escola José Romão, entre tantas, bem como a letra do hino oficial da cidade de Pirassununga (SP), em parceria com Antenor de Godoy, autor da música.
Como Jornalista, foi grande colaborador do “Jornal de Piracicaba”, em variadas crônicas e artigos, enfocando principalmente a educação, o civismo e exaltando as belezas de Piracicaba. Escreveu diversos contos cívicos e deixou grande material inédito.
Este nobre cidadão norteou seus passos na honra e civismo inigualáveis, permanecendo até hoje um exemplo de honestidade, inteligência e sensibilidade moral e cívica.
Cidadão prestante, foi mesário-secretário da Mesa Adminis¬trativa da Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba, Membro do Conselho Coordenador das Entidades Civis de Piracicaba e Orador Oficial da Cultura Artística desta nossa amada Noiva da Colina.
Criou em nossa cidade a Semana da Criança, na década de 1940, realizando atos pertinentes à criança lactente, à criança que estuda, à criança que trabalha, à criança doente.
Possuidor de grande espírito humanitário, cívico e democrático, deixou filhos e esposa, partindo com o 2º Batalhão Pirassununguense de voluntários constitucionalistas para a frente de luta na Revolução Constitucionalista de 1932.
ELIAS DE MELLO AYRES, um grande homem, esposo, pai, professor, poeta, letrista, orador, jornalista, é exemplo de uma vida de Trabalho Honrado, de Encanto, de Cultura e Civismo, provando que viver e ser feliz é, acima de tudo, ser participante e construtor da História.
Hoje, mui honrada, escrevo sobre a vida deste grande homem que, além de ser o patrono da Escola Professor “Elias de Mello Ayres”, na qual me aposentei no exercício do magistério, é, também, o meu Patrono na Academia Piracicabana de Letras.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Sebastião Ferraz


Colaboração do Acadêmico Lino Vitti
Cadeira n° 37 - Patrono: Sebastião Ferraz

Um jornalista e tanto

Tinha a verve jornalística circulando-lhe pelo sangue. Tinha no cérebro peregrino a vocação para a notícia, o debate, a polêmica, a crítica, o louvor merecido, o estilo generoso. Sabia duelar nas boas causas, transmitir exatidão, aprofundar conceitos e debelar erros. Sua palavra, colocada em linhas de uma página de jornal, fulgurava como o raio em meio à tempestade, castigava, mas levava também, quando exigido, o frescor de uma brisa da tarde, a luz de um dia que desponta, a profundidade de uma sonda petrolífera, a beleza de uma noite de luar. Deitava, dormia, acordava, com alma recheada de ideias, cultura, notícias, e uma vontade irresistível de dizer, escrever, transmitir, debater, acertar, louvar e, quando necessário, dizer não aos desaforos da vida e do homem.
Conheci-o como diretor de “O Diário de Piracicaba”, em cujas páginas, diariamente, transmitia sua alma jornalística, vergastava aquilo de que discordasse, por prejudicial à cidade ou ao povo, mas tecia louvores ao bom, ao belo, ao exato, à luta do dia-a-dia da sociedade, com toda a sinceridade profissional de que era capaz. Com toda a contundência das páginas que vinham de seu trabalho, sempre ao fulgor da verdade e do brilhantismo de seu teclado, guiado por uma mentalidade ímpar de justiça, de vontade, de necessidade de vitória.
Tinha o jornalismo no sangue, disse eu acima. Por isso muitas vezes o sol nascente vinha iluminá-lo ainda na redação de seu jornal – O DIÁRIO – cuja circulação marcou época na história do jornalismo piracicabano. E tudo quanto merecesse ser digno de sua vocação, lá estava fulgurando nas páginas do matutino, para adentrar, ao raiar do dia, com hombridade, respeito e estima, o lar dos assinantes e dos leitores amigos, levando as boas e as más notícias, os belos artigos de colaboradores e o noticiário local, dos poderes públicos e do mundo inteiro. Como aliás merecem as famílias piracicabanas que amam seus diários jornalísticos, pela verdade, pela exatidão, pela beleza, pela poesia e prosa que neles se inserem.
Quem é, me perguntais, esse de que tão bem falas aqui, meu caríssimo conterrâneo? Ora não é charada nenhuma. É o meu patrono de Academia Piracicabana – o ínclito jornalista Sebastião Ferraz.

Olivia Bianco

Colaboração da Acadêmica Leda Coletti
Cadeira n° 36 - Patrona: Olívia Bianco

Olívia Bianco

Olivia era filha do italiano Francisco Bianco e de mãe mineira, Júlia Amélia de Moraes Bianco. Em Piracicaba, sua família possuía um negócio sito à Rua do Comércio, hoje Rua Governador Pedro de Toledo, esquina com a Rua São José, onde atualmente há um prédio, com seu nome. Com a morte prematura da mãe, ela, a irmã mais velha, Maria Inês Bianco e a caçula, Izaura, ficaram sob os cuidados de Benedita Soares de Mello, negra alforriada, conhecida por Dita, a qual era muito querida por todas.
Na época de seu nascimento, sete de maio de 1883, Piracicaba contava com vinte e dois mil habitantes, incluindo a população rural, que era expressiva e contava com escravos para cuidar das duas principais riquezas do local:o café e a cana. A monarquia, que era o regime do governo, estava com seus dias contados, para ceder lugar à República. Quando esta ocorreu em 1889, os moradores perencentes às classes sociais médias foram tomando consciência da importância do estudo na vida dos filhos. Seus filhos passaram a frequentar a escola. Para tal, foram criados inicialmente em Piracicaba colégios confessionais, como foi o caso do Kindergarten do Colégio Piracicabano e o curso primário dirigido pela pioneira Miss Martha Watts. Olívia foi uma dessas alunas, cursando inclusive o Inglês. Também havia na cidade o Colégio Nossa Senhora da Assunção, dirigido por freiras, o qual atendia os filhos de alunos de classes mais conservadoras.
Ao lado dessas escolas confessionais, houve a introdução de escolas públicas, para atender as crianças das diferentes famílias que escolhiam a cidade para morar, em decorrência da expansão econômica paulista. Foi assim que foi criada a Escola Complementar, para formação de futuros professores, onde Olívia, após um curso brilhante, se formou em 1900, tornando-se professora antes de completar dezoito anos, fazendo parte da primeira turma de educadores de Piracicaba.
Como gostasse muito de estudar e ensinar, buscava aprimorar-se através de novos cursos, no Brasil e exterior. Foi para a Europa no ano de 1914, onde se aprofundou no estudo de línguas estrangeiras, como o inglês, alemão, francês, tornando-se poliglota e professora polivalente. Ao lado das línguas cursou enfermagem, diplomada pela Escola da Cruz Vermelha de Piracicaba, em 1921. Este curso lhe permitiu ser enfermeira junto à Santa Casa de Misericórdia local. Colaborou nesse particular com Branca de Azevedo, por ocasião da Revolução Constitucionalista.
Exerceu os cargos de professora primária, professora do curso complementar anexo à Escola Normal de Piracicaba; lecionou Francês, Inglês, Ginástica, assistente da 1ª Secção (Educação) do Curso de Formação Profissional da Escola Normal de Piracicaba, diretora do Curso Primário deste estabelecimento de ensino e professora na então Escola de Comércio Cristovão Colombo, já extinta. Foi colaboradora da “Revista de Educação”, publicada pela Escola Normal de Piracicaba, entre 1921 e 1923. Ela e outros educadores de renome pretendiam, através dela, formar um ideário pedagógico e educacional para os futuros professores.
Consciente do seu papel na comunidade, em pleno desenvolvimento, fundou uma escola noturna para mulheres operárias. Tam¬bém ministrou aulas gratuitamente, preparando inúmeros jovens pobres para o ingresso no ensino público.
Neste ano de 2010, decorridos mais de cinquenta anos do seu falecimento, temos o depoimento de um grande educador piracicabano aposentado, Professor Cornélio T. L. Carvalho, que deu seu testemunho, o qual demonstra a preocupação e empenho da Professora Olívia Bianco, na formação de honestos cidadãos:
“De posse da informação, a decorrência dos fatos depende do indi¬víduo, de suas escolhas, de sua potencialidade e de sua coragem.
“Em 1943, devido aos contactos de minha mãe, então doméstica em casa da família Tricânico, fui apresentado às professoras Niobe Tricânico e Olívia Bianco.
“Por iniciativa dessas bondosas senhoras iniciei meus estudos no Colégio Piracicabano, onde, na qualidade de bolsista, frequentei o curso de preparação, o ginásio e o colegial entre 1943 e 1950. Sempre como bolsista.”
Ao lado do amor ao trabalho educacional, era grande apreciadora das artes, dedicando-se especialmente à música. Participou de muitos saraus artísticos, nas festas de caridade, representações teatrais, liderados por Lydia de Rezende, pertencente à família de grande proprietário rural e dignitário do Império, barão de Rezende.
Não aceitou o pedido de casamento do Dr. Paulo de Moraes Barros, ilustre representante republicano e irmão do Dr. Prudente de Moraes, mantendo-se muito ligada à família, constituída pelas irmãs e os sobrinhos Silvio, Mariquinha, Niobe, Regina e Marina. Esta última se destacou como grande escritora e poetisa.
Conclui-se que Olivia Bianco foi autêntica educadora e, como tal, desempenhou com galhardia o seu papel de promover crianças e adolescentes, sendo raros os alunos que estudaram até 1939 (data de sua aposentadoria), que não receberam seus sábios e eficientes ensinamentos.
Muito justo, portanto, a sociedade piracicabana prestar-lhe homenagem, dando-lhe o nome à Escola de Primeiro Grau, do Bairro Jaraguá.
Agradeço a valiosa colaboração da Professora Vera Alice Castro Schiavinato, da Escola Estadual Profª Olívia Bianco, e da Assistente de Direção, Profª Rosa M. Cadorim de Moraes, fornecendo dados biográficos e artigo do “Jornal de Piracicaba”, anos 1989-90, escrito pela Profª Marly Therezinha Germano Perecin, historiadora e acadêmica da APL.
Igualmente ao Professor-Orientador e Supervisor de Ensino Aposentado Cornélio T. C. Carvalho, pelo depoimento pessoal.

Prudente de Morais

Colaboração do Acadêmico João Umberto Nassif
Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros

Biografia de Prudente de Moraes

Prudente José de Moraes Barros(1) nasceu em Itu em 4 de outubro de 1841 e faleceu em Piracicaba no dia 3 de dezembro de 1902, filho de José Marcelino de Barros e Catarina Maria de Moraes. Órfão de pai aos dois anos, inicialmente frequentou o Colégio Ituano. Aos treze anos ingressou na escola do mestre Manoel Estanislau Delgado. Com o apoio da sua mãe passa estudar na capital da Província, matricula-se no Colégio de João Carlos Fonseca. Aos dezoito anos Prudente ingressa na Academia de Direito, cursando paralelamente um curso de filosofia. Teve uma vida acadêmica bastante participativa juntamente com colegas como Campos Sales, Teófilo Otoni, Rangel Pestana, Francisco Quirino dos Santos, Paulo Eiró, Bernardino de Campos.
Sua mãe contraiu casamento em segundas núpcias com Caetano José Gomes Carneiro, viúvo de Florisbela Gomes Carneiro. A família adquiriu uma propriedade agrícola em Constituição. Aos vinte e três anos, Prudente recebe seu diploma de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, montando sua banca de advogado na Rua Boa Morte. Sua competência o projeta para a vida política. No dia 28 de maio de 1866 Prudente casa-se com Benvinda da Silva Gordo, em Santos; são seus sogros Antonio José da Silva Gordo e Ana Brandina de Barros e Silva. Em 1870 passa a residir na casa situada à Rua Santo Antonio, esquina com a Rua Treze de Maio, onde hoje é o Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes. Em 1864, ainda solteiro, já aparece como mesário da Mesa da Assem
1 A grafia do sobrenome de Prudente aparece nas duas formas: “Moraes” e “Morais”. Optamos Moraes por ser esta a grafia adotada pelo Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes.
bleia Paroquial. Para o quadriênio de 1865 a 1869 foram eleitos 13 vereadores em Constituição, sendo Prudente eleito vereador com a maior votação e escolhido como Presidente da Câmara. Houve recurso de um ex-vereador contra a eleição de Prudente de Moraes, alegando-se o pouco tempo que ele residia na cidade, fato contestado pelo fato de ele estar ausente em função dos seus estudos, mas sua família aqui residia, e ele no período de férias escolares permanecia em Constituição. Nos pequenos detalhes é que se percebe o caráter e a competência de Prudente. Pareceres originais de sua autoria estão guardados no arquivo da Câmara Municipal, nos quais, além de competência e capacidade de síntese, mostra a sua característica de pessoa econômica: pareceres ou projetos de leis eram escritos em simples tiras de papel. Em uma tira de papel lê-se a indicação: “Indico que a Câmara mande abrir sarjetas calçadas na Rua Quitanda (Atual XV de Novembro), no quarteirão entre as ruas Alferes José Caetano e do Rosário, Sessão de 7 de janeiro de 1888. Prudente de Moraes”. Foi aprovada. Em maio de 1887, Prudente de Moraes apresentou, em parceria com Dr. Paulo Pinto, projeto de lei para regulamentar o funcionamento do mercado nesta cidade. O mesmo continha 32 artigos, um trabalho perfeito e completo. Seu irmão, Dr. Manoel de Moraes Barros, advogado da câmara, pediu exoneração do cargo, alegando não precisar a edilidade de seus préstimos, por ser Dr. Prudente um homem letrado. As reuniões da câmara eram feitas no inicio de cada quadrimestre, seguindo-se reuniões diárias, até o esgotamento das matérias. Como vereador Prudente produziu muito à cidade, participou na elaboração de importantes matérias que regularam a vida da comunidade, sempre com suas ca¬racterísticas pessoais, equilibrado, técnico, justo e sobretudo econômico, tratando com zelo o patrimônio público. Prudente de Morais integrava a campanha abolicionista e também a republicana. Eleito deputado pelo terceiro distrito, ao lado de Antonio Francisco de Araujo Cintra, Jorge de Miranda e Antonio Carlos de Arruda Botelho, ganhou invejável popularidade por defender os interesses do interior da província. Desiludido por não concordar com atitudes de representantes do governo imperial, deixa a Assembleia Paulista e retorna a Piracicaba. Em Itu é fundado o Partido Republicano Paulista, ao qual Prudente de Moraes se filia, deixando o Partido Liberal. Pelo novo partido volta à Assembleia Paulista, defendendo a ideia de substituir a monarquia pela república. Pouco antes da proclamação da república Prudente de Moraes recebe em sua casa telegrama solicitando sua ida urgente para São Paulo. Em 16 de novembro de 1889, juntamente com Souza Mursa e Rangel Pestana, passa a fazer parte do Governo Provisório do Estado. A 3 de dezembro é designado para Governador de São Paulo. Dois telegramas históricos:
“Ordem do Governo Provisório
Presidente da Câmara Municipal
Piracicaba
Foi hoje empossado o Governo provisório do Estado de São Paulo, composto dos Srs. Prudente de Moraes, Rangel Pestana e Coronel Mursa. Já entraram em palácio e estão dirigindo o expediente. Faça público, perfeita ordem e paz.
Agência Cidade 16-11-89”
“Palácio do Governo
Do Estado de São Paulo, 14 de dezembro de 1889.
Comunico-vos, para vosso conhecimento e devidos efei¬tos que, nesta data, tomei posse e assumi o exercício do cargo de Governador deste Estado, para o qual fui nomeado pelo governo Federal, por decreto de 3 do corrente mês.
Saúde e Fraternidade
Prudente José de Moraes Barros
“Aos cidadãos Presidente e Vereadores da Câmara Municipal de Piracicaba”
Ao deixar o governo, Prudente de Moraes elegeu-se Senador da República, presidindo a constituinte (1890-1891). Disputou numa eleição indireta, e perdeu a presidência da república para o Marechal Deodoro da Fonseca, eleito por 129 votos. Presidiu o Senado até o fim do mandato. Em 15 de novembro de 1894 assumiu como Presidente da República, eleito por voto direto, para suceder ao Marechal Floriano Vieira Peixoto. Recebeu 276.583 votos, teve como vice-presidente o médico Manuel Vitorino Pereira.
Além de ser o primeiro presidente civil da república, Prudente de Moraes foi a escolha mais acertada para administrar um país com graves conflitos internos. A passagem do cargo para Prudente de Moraes não foi aceita com muita facilidade por alguns setores. Ao chegar à estação de trem no Rio de Janeiro não encontrou qualquer comissão para recebê-lo. Teve que seguir de carro alugado até a residência oficial. No Palácio do Itamaraty, que era a sede do poder presidencial, sequer encontrou seu antecessor, o Marechal Floriano Peixoto. O que viu foi um cenário de guerra: garrafas quebradas, móveis destruídos e até estofamentos rasgados a golpes de baioneta. Dedicou todos os seus esforços à pacificação das facções, que tinham em seus extremos os defensores do governo forte de Floriano e os partidários da monarquia. Teve que se esforçar muito contra as medidas antiinflacionárias do governo e a queda do preço do café no mercado mundial. Prudente de Moraes ficou conhecido como o Pacificador. No Rio Grande do Sul encerrou a Revolução Federalista através de um tratado de paz e no sertão baiano teve que combater uma revolta liderada por Antônio Conselheiro, conhecida como Canudos, em 1897. Externamente, o presidente Prudente de Moraes precisou interferir em um incidente diplomático que envolvia o Brasil e a Inglaterra em 1896. Sem nenhum motivo, a Inglaterra invadiu e ocupou a Ilha de Trindade, mas felizmente o presidente resolveu a questão de forma favorável ao Brasil. No âmbito pessoal, Prudente de Moraes sofreu um atentado(2) no dia 5 de novembro de 1897, no qual seu Ministro da Guerra, Marechal Carlos Machado Bittencourt, foi ferido em seu lugar e acabou falecendo. Apesar de todas as dificuldades, traçou e realizou uma inteligente política econômica, negociou com os banqueiros ingleses a consolidação da dívida externa, operação financeira que ficou conhecida como funding loan (fundo de empréstimo), com seus ministros da Fazenda, Rodrigues Alves e Bernardino de Campos, base da política executada por Joaquim Murtinho no governo de Manuel Ferraz de Campos Salles. Foi capaz de firmar definitivamente a República e reatar as relações diplomáticas com Portugal. Isso fez com que Prudente de Moraes desfrutasse de grande popularidade no fim do seu mandato.
2 “Finda a Campanha de Canudos em 1897, o marechal Bitencourt voltou ao Rio de Janeiro, capital da República à época. A 5 de novembro do mesmo ano regressavam as forças que haviam lutado no sertão baiano. A tropa desembarcou do navio Espírito Santo e foi recepcionada pelo presidente da República, Prudente de Morais. Durante as honras militares, saiu das fileiras do 10º Regimento de Infantaria o anspeçada (na ocasião, uma graduação entre soldado e cabo) Marcelino Bispo de Melo, 19 anos, que sacou de um punhal e arremeteu-se contra o presidente. Bitencourt correu a salvar o chefe do Executivo e o fez com o ônus da própria vida”.

Após deixar o cargo foi sucedido por Campos Sales e retornou para Piracicaba, onde continuou exercendo trabalhos de advocacia durante alguns anos, até adoecer por conta de uma tuberculose e falecer no dia 3 de dezembro de 1902. Imediatamente após a sua morte a população saiu às ruas de Piracicaba, a chuva grossa que cobria a cidade misturava-se às lagrimas dos que pranteavam a morte de um homem justo e fiel a seus princípios, um verdadeiro estadista. http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=6179

Referências:
ARRUDA, Nélio Ferraz. Biografia de Prudente de Moraes, Serviços Gráficos Degaspari Ltda, s.d.
VITTI, Guilherme, O vereador que se tornou presidente, Serviços Gráficos Degaspari Ltda, s.d.
BIBLIOTECA NACIONAL, Revista História, pagina 84, ano 5, número 58, 2010, Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional
CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO EXÉRCITO, Marechal Bitencourt.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Adriano Nogueira

Colaboração do Acadêmico João Baptista de Souza Negreiros Athayde
Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira

A cadeira nº 34 da APL

Conheci Adriano Nogueira no ano de 1971, nos corredores da Faculdade de Direito do IEP (atual UNIMEP), quando de seu ingresso no então Curso de Ciências Jurídicas e Sociais, do qual era eu segundanista.
Coleguismo de acadêmicos, a princípio, discutindo questões ligadas ora com o andamento dos estudos, ora com a demora de reconhecimento da Faculdade pelo MEC, ora fazendo digressões sobre os chamados “anos de chumbo” e padecendo juntos da mesma asfixia de ideias, ideais e sonhos da juventude da época, imposta pela ditadura militar.
Mas, apesar disso, havia espaço também para as noites degustadas e bebericadas nas confraternizações do Diretório Acadêmico de Direito, ali na Rua Rangel Pestana, num tempo em que cada Faculdade tinha o seu próprio Diretório, e neste era possível perceber o surgimento do sentimento mais puro que identifica o universo estudantil : o espírito acadêmico, esse substrato mágico que permeia a diversidade de indivíduos, e acaba por uni-los para sempre num magma de amizade e afeição.
Algum tempo após nossas formaturas, voltamos a ombrear em novas lutas, desta vez como profissionais do Direito, participando do mesmo escritório de advocacia, convívio esse que perdurou por pouco tempo, quando Adriano decidiu-se pelo funcionalismo público, ingressando no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, e ali permaneceu até sua aposentadoria, após o que entregou-se de corpo e alma ao magnífico projeto da criação e edição do Jornal literário “Linguagem Viva”, em parceria com a poetisa Rosani Abou Adal.
Na verdade, nem foram longos meus tempos de convivência com a pessoa de Adriano Nogueira, afastados pela distância entre São Paulo e Piracicaba e pela diversidade das atividades que exercíamos. No entanto, se a convivência não foi extensa, nem por isso o liame surgido nos bancos acadêmicos deixou de se consolidar no tem¬po e com o tempo, na medida em que os raros reencontros serviam para renovar sempre a substância e identidade daquela amizade. Em 1985, convidei-o para padrinho de meu primogênito Marco Aurélio.
Estranho que, embora divergíssemos sempre em termos de ideologias políticas, tal fato não provocava nenhum distanciamento entre nós, talvez porque cultivássemos a mesma pureza de ideais e porque bem compreendíamos a infância dos nossos sonhos.
Nem mesmo a política estudantil nos abalava. Basta dizer que foi para ele que perdi, pela primeira vez, uma eleição estudantil, e justamente quando disputamos a presidência do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito. Lembro-me de que, sem nenhuma amargura, nenhuma mágoa, acompanhei-o na comemoração dessa vitória, ali no Bigeto, em noite memorável de amizade e descontração, e sobretudo, de respeito mútuo.
Adriano era, na verdade, uma grande alma, dessas almas grandes que dignificam o substrato de humanidade que existe em cada um de nós; e como convem às almas dessa natureza, era um homem simples em todos os aspectos : no modo de ser, de falar, de vestir, de conviver.
Era um literato, e conhecia a fundo o universo das letras, sem nunca dar-se ares de estudada intelectualidade. Era um poeta, e de finíssima sensibilidade; e, embora pouco se tenha dedicado a trilhar as diáfanas veredas de Parnaso, deixou-nos pérolas encantadoras, demonstrando rara criatividade e inspiração poéticas.
Piracicabano apaixonado por sua terra, não economizava ho¬menagens aos grandes valores morais e intelectuais que aqui pontificaram, culminando por publicar o seu “Registros Literários”, divulgando nomes e obras de poetas e escritores locais que, ao longo do tempo, dignificaram as letras piracicabanas. Não pode, contudo, concluir o projeto de publicar outras edições dessa obra, com que ampliaria o registro do panorama da Arte Literária de Piracicaba. Faleceu antes disso, deixando interminado o trabalho.
Tenho para mim que a escolha de seu nome para Patrono da Cadeira nº 34 da nova Academia Piracicabana de Letras resultou de ato da mais pura justiça, posto que esta se patenteia quando, mesmo no universo das paixões humanas, vislumbra-se o reconhecimento da legitimidade do verdadeiro mérito.
E a mim, a quem coube a honra de poder escolher ADRIANO NOGUEIRA por meu Patrono na Galeria de Acadêmicos da APL, resta-me o compromisso e a responsabilidade de dignificar-lhe o nome, e esforçar-me por fazer jus à sua dimensão como pessoa, como cidadão, como profissional e, também, como inesquecível literato.

José Mathias Gragion

Aracy Duarte ferrari
Cadeira nº 16





PATRONO JOSÉ MATHIAS BRAGION

José Maria Bragion que também assinara J.Maria Bragion, Nascido em Piracicaba , SP em 1926,foi professor,contador,escritor,poeta,articulista,contista e cronista. Casou-se em 1956 com Maria Dalva Pretti Bragion,professora e tiveram seis filhos. Faleceu em 1994.
Passou sua infância nas cidades de Rio claro e Bauru, retornando na adolescência para sua terra natal, onde iniciou seu envolvimento literário.
Fez seus estudos em Piracicaba na escola de comércio Cristovão Colombo curso de contabilidade. E na escola Martha Watts, formou-se no curso de magistério em 1953, cursou administração escolar em Tietê, SP, anos 1960-1961. Em Campinas na PUC, ingressou com brilhantismo no curso de Direito,1964, Mas não freqüentou porque percebeu sua aptidão para letras. Desde cedo iniciou seus escritos ( palavra usada por ele) escrevendo poesias,artigos,crônicas, contos.
Em 1953 lecionou nos municípios de Osvaldo Cruz,Ameliópolis,Igaratá e Jundiaí. Removeu-se para Piracicaba exercendo sua profissão no então grupo escolar Barão do Rio Branco de 1962 à 1984, ano de sua aposentadoria.
Dedicou-se com profissionalismo em seu trabalho didático-pedagógico (professor) e envolvimento com a literatura com a qual se identificava. Ocupou a cadeira numero 80 da Academia Piracicabana de Letras. Publicou o livro “Revoadas” em 1993, de versos, quadras, sonetos e poesias.
Seus grandes incentivadores foram os familiares e amigos. O poeta de espírito nobre, alegre, honesto e dedicado a família.
Recebeu homenagens do centro professorado Paulista, CPP Secretaria do Estado de Educação e Póstuma do prof. Sylvio Arzolla

Extraído do livro “REVOADAS”... J MATHIAS BRAGION

“... Trato de poesias,por mim escritas há algumas décadas,outras ultimamente que ora dão formação ao presente exemplar, devido a persistente exigência de diletos amigos e, quiçá, de um número de simpáticos e generosos leitores... Em se tratando de idéias e pensamentos cujos objetivos são o de alcançar um agradável espairecimento, o que aconteceu com o autor, ao escrever, espera-se, agora, resulte o mesmo a quem o lê.
Os efeitos das substâncias materiais assimiladas por uma pessoa, podem ser fracos, fortes ou indiferentes, o que nos induz a um paralelo no universo das expressões, mormente quando a composição abrange a variedade,de temas, como a diversificação da forma no processo poético. Assim tudo depende em parte do estado amímico de cada pessoa.
O que se torna indispensável, parece-nos, a quem verseja, é que haja a existência da essência da poesia, porque esta exala sempre os aflúvios do amor “...
Entre muitos outros trabalhos, não publicador estão Soneto,- Poesia, o Lobo e o Mar, -Pseudo¬-Fábula-O Passarinho Impossível, a Cobaia e o Sapo, Conto- a Gaita do Zé Pretinho Coisas do magistério ( - Um Menino chamado Braz ), Crônicas- Crônica de Natal, - Os Apelidos, - A Capa de Noé,- um bom papo, -notas Românticas;-Feliz Ano Novo,.
Enriquecendo a Biografia: 1-2-3




CONFISSÃO

Às vezes no verão dos meus desejos,
Mas, vês, meu coração, bom, sempiterno,
Liberto-me a voar virando a chama
Em ser-te fiel, assim,sofre o castigo
Azul de um fogo fátuo que se inflama,
De todas tentações do mundo hodierno.
Levando a solidão os meus lampejos.
Se penso em mais te amar, se não te vejo,
E, ponho-me a cismar...se há um mal moderno,
Confesso-me fiel, pois quem me ama,
Não devo ser modal, mas sempre antigo,
Exalta, Sem parar, o que proclama,
Porque, sem teu calor, sou gelo eterno.
Decerto, um grande Amor, em doido beijo.

(Tribuna Piracicabana, 25/10/1991)

SONETO

À cúpula celeste estrelada
E sôbre a claridade,consagrada
Aumenta-me a saudade feiticeira
Do palor,virtude altaneira,

Que sonho ver à noite minha amada
Sorri o nosso amor,estrela enamorada!
Que é da minha alma companheira.
No céu das emoções, tão adorada,

Estrela sedução!..que, na jornada
Sorri-me sua graça, tão faceira
Da vida,me ilumina a vida inteira

Que vejo-lhe mais vida,comparada
Sendo,por minha alma idolatrada.
À vida de uma estrela verdadeira.

José Mathias 18/06/1950



REVOADA

Antes que o sol apareça,
Vou soltando uns pobres versos,
Trazendo uma inovação,

Para os espaços disperços,
Antes que o bem aconteça,

Sobrevoando a emoção,
Varrendo uma inquietação,
Onde há sonhos diversos,
Antes que tudo se meça;

No crepúsculo ou clarão,
Pela escala da aflição,

matutino, sem reversos.
Antes que tudo esmoreça,
Voando longe do chão,
Entre os caos da solidão,

Os sentimentos só são,
Antes que aluz se renasça,

Lembrando cantos e ninhos,
Sob os vitrais da afeição,

Meus queridos passarinhos,
No templo,que sofre e passa,

Tão filhos do coração.
Da vida, em boa intenção,


O GATO
(Contos Liceiros)
José Mathias Bragion

Faz anos, e muitos anos... a luz elétrica não iluminava as cidades. E, consequentemente, à luz das lamparinas, as noites pareciam mais tristes, mais escuras e impressionantes.
Na baixada do Bairro da conserva extendiam-se as várzeas, os pântanos e uma geração de cobras esverdeadas, destacando-se, mais além, na pastagem, a ostentação de duas figueiras seculares, monumentos tenebrosos da escravidão, na qual, segundo os antigos, foram amarrados, açoitados e liquidados muitos escravos.
As olarias se agitavam no trabalho, porque a época era propícia, abrindo picadas ao progresso. Euzébio morava rente a uma olaria e nela trabalhava como alimentador da boca de um forno, até alta madrugada, às vezes só.
A intensa atividade do trabalho entre os oleiros e o bom relacionamento criavam durante o dia uma atmosfera despreocupada e alegre, o mesmo não ocorrendo à noite, quando o manto da escuridão envolvia aquele local, o silêncio dominava a todos e a imaginação fazia ver e ouvir coisas impossíveis.
Apesar disso, ainda, compreendia-se certos trabalhadores gostavam de conservar seus temores exagerar e desenvolver o gosto por coisas fantasiosas.
Afora as poucas casas rodeando de rancho, à distância de uns duzentos metros erguiam-se dois casarões quase tétricos de ruínas como dois fantasmas alvacentos, relíquias do passado, mas apesar disso habitados. Nas noites de luar suas sombras deitavam-se a longos metros e dos negros porões sempre alguém contava ter notado a fluição de um vulto branco, talvez como presença da alma de algum escravo.
Certa madrugada frigidíssima e de palor inenarrável , Euzébio, de bexiga cheia, necessitou saiar do rancho para o relento, e enquanto admirava a claridade,aquele banho de beleza que o firmamento costuma dar com seu “champoo” de prata à natureza inteira,e ele,se dava a prática fisiológica, ergueu o olhar para um dos casarões, notando que na cumeeira de um deles principiava a caminhar tranquilo e suave um extraordinário gato branco. Notou-lhe a alvíssima pureza do pelo e o diplomático porte, de rara espécie, talvez um persa azul...
Ia sem pressa caminhando aquela altura do telhado, mais quase ao chegar ao fim, desapareceu.
Euzébio, instintivamente, como no rápido pestanejar, baixara os olhos para a relva, mas ao reerguer o olhar focalizando o outro casarão a coisa de uns noventa metros distante, por pouco não desmaia de pavor. O chapéu de palha, como que se por um fenômeno estranho, por si se erguesse, foi o que sentira.Principiava a temer. É que o gato começava, transmudando-se numa fração de segundo, de um prédio a outro, sem ter voado pelo espaço, sem que ele, Euzébio,de olhos grudados no animal, o tivesse visto voar. Começava serenamente andar noutra cumeeira.
O medo e o sigilo do fato perdurou no silêncio de Euzébio por vários meses.
Rememorando o evento Euzébio mais se apavorava,porque recordava-se que o gato dera um terrível miado no primeiro prédio, repetindo o de igual no modo segundo.
Um dia Nhá Catarina que era uma velha pré cozinheira de um dos prédios, ao ouvir a história deu enormes risadas.
- Então...Euzébio zangou-se: “ a senhora pensa que eu não vi um gato? Que eu estou de brincando? Que não vi um gato aparecer e desaparecer?..
Ela riu de novo e acrescentou:
- O senhor não viu um gato sombração coisa alguma.
- Então me chama de mentiroso!...
- Não senhor! O senhor viu dois gatos de carne e ossos. São gêmeos! Os gatos do Doutor João raramente aparecem, mas em noite de luar gatos vão atrás de gatas, isso até axum sabe, menos o senhor!...
Depois disso de alma sossegada, Euzébio proseava sobre qualquer assunto, exceto gatos a assombrações.
José Maria Bragion, em suas produções deixou fluir sua formação de professor- educador-literato.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Fernando Ferraz de Arruda

Colaboração da Acadêmica Ivana Maria França de Negri
Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda

Fernando Ferraz de Arruda

Conheci o Fernando quando comecei a participar das reuniões do Clip − Centro Literário de Piracicaba, por volta do ano de 1997.
A primeira impressão que tive foi a de uma pessoa tímida, de poucas palavras. Mas, com o decorrer do tempo, fui me familiarizando com seu jeito educado e sempre gentil de ser, e pude conhecer um pouco mais acerca de sua personalidade.
Seus poemas sempre enalteciam a família, principalmente a esposa, as filhas queridas e os muitos amigos que amealhou ao longo da vida.
Piracicabano, nascido em 10 de novembro de 1925, foi casado com Maria Odete Bortoleto Ferraz de Arruda e teve duas filhas, Renata e Mariana Ferraz de Arruda.
Cursou odontologia na USP, em São Paulo. Formado em 1952, atuou como dentista no SESC, trabalhando depois como dentista efetivo do Serviço Dentário Escolar. Retornou a Piracicaba nos anos sessenta.
Publicou em 2004, pelo Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, o livro “A Encantada Curva do Rio”, no qual conta histórias vividas em Piracicaba. Como todo poeta piracicabano, cantou as belezas de sua cidade e do rio Piracicaba.
Era filho de Antonio Ferraz de Arruda Pinto e de Candida Doria Ferraz. Eram seus irmãos o doutor Lúcio Ferraz de Arruda e Celina Ferraz de Arruda.
Classificou-se em segundo lugar no Festival Literário da 3ª Idade, tema “Brasil 500 Anos”, promovido pela ESALQ/USP em 2000, com a poesia Ibirapitanga, sendo o prêmio um relógio de bolso que ostentava sempre com muito orgulho. Compôs até um soneto, “Reloginho de bolso”, demonstrando toda a sua felicidade por essa conquista.
Fernando aposentou-se em 1995. Participou das reuniões literárias enquanto sua saúde permitiu, sempre em companhia do primo e também poeta, Francisco de Assis Ferraz de Mello.
Faleceu em 2 de dezembro de 2007, aos 82 anos de idade.
Seguem algumas produções literárias do meu patrono:
RENATA E MARIANA, FILHAS QUERIDAS

Somente Deus nos dá riqueza tal,
Assim tão bela, como a linda flor.
A flor, em pétalas de vivo amor,
De vivo amor, sublime e maternal.

Somente Deus nos dá presente igual
À filha, ou ao filho encantador,
Um mimo assim vital, continuador,
Continuador de alguém mais especial.

A Renatinha, agora em faculdade,
Já ri melhor, em seu aniversário.
E Marianinha enfrenta o colegial.

Um colegial de ensino soberano,
São pois, de idade nova e, por bondade,
Com Deus, no coração super-humano.



ÀS MÃES
(Para Odete querida)

A mãe é, especialmente considerada
Por Deus imenso, onipotente,
Também é, em tudo, iluminada,
Pela luz do luar dos olhos de Maria.

Maria, a santificada Maria, a Mãe
De Jesus, sofreu imensamente.
Pelo sofrimento de seu Filho Santo,
Sofreu muito, merecendo o seu sagrado manto.

Em toda parte, julgo e garanto,
As mães são vistas com respeito tanto,
Ao verem o filho chegando da escola,

Onde se aprende a ser alguém,
Elas são felizes, ao verem o filho de coração sem susto
Vindo da escola, onde se aprende a ser meigo e justo.


RELOGINHO DE BOLSO
(Para Carmen Pilotto, Chico Mello e à Esalq)



Segundo por segundo o tempo passa,
Enquanto o ponteirinho se desloca
No rico reloginho que me toca:
Lembrança desta ESALQ, nesta praça.

Terceira idade, ah! Veja, é grande graça!


Um prêmio deste, não, nunca se troca!
Aqui, meu sonetinho; por lá beijoca
Da ESALQ, como prêmio, tanto engraça.

O reloginho fino ou elegante,
Até me engrandeceu demais, além.
Um prêmio é sempre um prêmio, e relevante.

Conduz o ser humano só ao bem.
Pequenino assim, mas, serve o bastante.
Igual ao tão famoso Big Ben.

Jorge Anefalos

Colaboração do Acadêmico Homero Anefalos
Cadeira n° 30 - Patrono: Jorge Anefalos

O perfil de Jorge Anefalos – Imortal

O nome de Jorge Anefalos, pela Lei Municipal n. 3.022, de 5 de maio de 1989, figura em rua desta cidade de Piracicaba, exatamente à rua 2, do Parque Orlanda I, e rua 4, do Parque Orlanda II – Rua Jorge Anefalos (cidadão prestante).
Jorge Anefalos, viúvo de Anna Anefalos, nasceu em 6 de janeiro de 1905, na Ilha de Kalinos, Grécia, filho de João Anefalos e Eufêmia Anefalos.
Faleceu em São Paulo, Capital, em 23 de julho de 1987, às 22:30hs, mas residia há alguns anos sozinho com o seu filho Dr. Homero Anefalos e família, nesta cidade, à Rua Coronel Barbosa, n. 150, bairro dos Alemães.
Desde 1961 frequentava assiduamente a cidade deste seu filho, Piracicaba, participando dos problemas da cidade, e sempre procurou ajudar as pessoas necessitadas e carentes que o procurassem, mesmo em prejuízo dos seus interesses. Era benemérito. Muitos dos trabalhos de benemerência eram realizados anonimamente.
Na colônia grega, sempre participou da integração dos recém-chegados patrícios a este país, colocando como país de seu coração o Brasil, onde viveu mais de 60 anos.
Veio ao Brasil muito jovem e casou-se aqui mesmo com Anna Sertek, em 7 de fevereiro de 1935, em São Paulo, capital, registro civil, Primeiro Subdistrito da Sé.
Desta união, nasceram dois filhos, ainda vivos:
Dr. Homero Anefalos, casado com Laila Nahas Anefalos, tem três filhos (Homero Anefalos Júnior, Lílian Cristina Anefalos e Alexandre Anefalos). Advogado militante, perito criminal e cível, jornalista e radialista profissional, membro efetivo e fundador da Academia Piracicabana de Letras, tem ainda outras atividades e reside em Piracicaba há mais de 25 anos.
Dra. Arthemis Anefalos Pereira, casada com Sérgio Viniegra Pereira, residente e domiciliada em São Paulo, Capital, tem dois filhos (Sérgio Anefalos Pereira e Rogério Anefalos Pereira).
Jorge Anefalos veio para o Brasil jovem com 18 anos, casando-se aqui no Brasil, com 28 anos.
Percorreu vários estados brasileiros, tais como Mato Grosso, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Paraná e outros mais, sempre elogiando essa grande nação.
É interessante notar, como curiosidade, que Jorge Anefalos era excelente atleta, nadador, chegando já na sua infância, desde os 10 anos de idade e adolescência, a trabalhar nos serviços submarinos, inclusive extração de esponjas do mar, permanecendo mais de 6 minutos submerso, evoluindo para escafandro, que era alimentado com ar bombeado, manualmente, por companheiros no barco, através de tubo até o capacete do mergulhador. Não havia tubos de oxigênio naquela ocasião. Caso o ar bombeado não chegasse ao mergulhador, isto poderia afetar o seu cérebro, deixando-o inválido. Felizmente, isso não lhe ocorreu. Porém, diversos companheiros seus perderam a vida e outros ficaram inválidos, com perda dos movimentos dos membros inferiores. Isso se deu em virtude de falha humana, no bombeamento do ar, provocando lesões cerebrais, daí a invalidez.
Na sociedade Jorge Anefalos era elemento muito ativo na solução de pro¬blemas de sua comunidade, onde quer que se radicasse, sempre visando melhorias. Procurava enfrentar e ajudar para que as autoridades competentes procedessem a melhorias, como pavimentação de vias públicas, de fazer chegar energia nos bairros, problemas sociais, familiares, enfim, era sempre solicitado para opinar e ajudar, em face de sua longa experiência; ajudava a todos, sem distinção de raça, sexo ou cor, mesmo em prejuízo dos seus interesses pessoais e econômicos. Era benemérito.
Na colônia grega, sempre participou da integração dos recém-chegados ao novo país.
Trabalhava, antes de se aposentar, na confecção de roupas masculinas e se dedicava às letras, com artigos publicados na imprensa de São Paulo, Capital, abordando assuntos diversos. Após a sua aposentadoria, dedicou-se integralmente aos trabalhos de benemerência.
Pertenceu à Academia Piracicabana de Letras, considerada de utilidade pública por leis federal, estadual e municipal, sendo membro efetivo e patrono do seu filho, Dr. Homero Anefalos, que é membro efetivo e fundador, ocupando a cadeira 29 na sua primeira fase de existência, e a cadeira 30 na atual fase.
Jorge Anefalos também pertenceu ao Clube dos Escritores de Piracicaba, sendo igualmente nessa entidade patrono de seu filho Dr. Homero Anefalos.
Pertenceu também à Academia Paulista de História e à Ordem Nacional dos Bandeirantes-MATER, entidade prestigiosa, que mantém estreitos laços com os escritores de Piracicaba e com os piracicabanos, através da Academia Piracicabana de Letras, cujo presidente era o saudoso Dr. João Chiarini, e que lhes prestaram sinceras homenagens, inclusive post-mortem.
Jorge Anefalos tinha tendência socialista e não militava em nenhum partido político. A Associação dos Advogados de Piracicaba homenageou-o através de sua diretoria, na Assembleia Geral Ordinária de 18 de agosto de 1989:
“…o senhor presidente tomou da palavra tecendo considerações de louvor e de pesar pelo passamento do ilustre cidadão, Sr. Jorge Anefalos, estendendo-se longamente na análise de suas qualidades pessoais, destacando tratar-se de cidadão benemérito, pública e notoriamente conhecido, defensor das causas de interesse público, sempre em prol do direito e da Justiça, num verdadeiro espírito de brasilidade. Ressaltou, ainda mais, que Jorge Anefalos estava vinculado a Piracicaba, nossa cidade, por in-ensos laços de amizade e de coração, redicando-se nela nestes últimos anos. Esclareceu, ainda mais, que Jorge Anefalos faleceu aos 82 anos, em 23/7/1987, e propôs que se tornasse pública a deferência acima, para que ficasse perpetuada nos Anais da História da associação, fazendo-se, inclusive, Edital a respeito”.
Jorge Anefalos também recebeu homenagens sinceras em prestigiosos matutinos piracicabanos, o Jornal de Piracicaba, O Diário e A Tribuna Piracicabana.
Jorge Anefalos também foi homenageado por representar, nesta cidade, a colônia grega, cultivando a sabedoria milenar dos antepassados gregos, reconhecidos por toda a humanidade.

A eterna homenagem ao patrono Jorge Anefalos
A Academia Piracicabana de Letras, em sessão magna, concedeu o diploma “Fortunato Losso Neto” ao Sr. Jorge Anefalos, devidamente registrado, no livro competente, em 18 de outubro de 1896, pelo presidente Dr. João Chiarini.
Atualmente, face à nova lei prevista no Código Civil Brasileiro, o Sr. Jorge Anéfalos é patrono da nova cadeira número 30, ocupada pelo seu filho, Dr. Homero Anefalos, instituído nessa ca¬deira em sessão magna, realizada em 2009, na sede central do Clube Cristóvão Colombo, em Piracicaba. Atualmente é presidente da Academia Piracicabana de Letras a Sra. Maria Helena Vieira Aguiar Corazza.
O Clube dos Escritores de Piracicaba conferiu diploma e láurea a Jorge Anefalos, como escritor e patrono do Dr. Homero Anefalos:
“De acordo com a Lei número 4.426/98, que instituiu no Município os seus diplomas e láureas, o Clube dos Escritores de Piracicaba lavra, de forma vitalícia, no diploma da Galeria de Honra, tornando-se dessa forma imortal, com dignidade e orgulho, como alguém que muito fez pela comunidade, pela Literatura e pela Cultura, o nome de Jorge Anefalos, como Patrono da cadeira número 34, da Área de Ciências, do Conselho Acadêmico do Clube dos Escritores de Piracicaba. Datado em Piracicaba, 20 de julho de 2001”.
A Lei número 3022, de 5 de maio de 1989, aprovada pela Câmara Municipal de Piracicaba e sancionada e promulgada pelo sr. Prefeito Municipal, Sr. José Machado, deu nome de via pública, Rua Jorge Anefalos (Cidadão Prestante), no Parque Orlanda II, bairro de Santa Teresinha.
A Família do Imortal Jorge Anefalos
Jorge Anefalos foi casado com Anna Anefalos, ambos falecidos.
Jorge Anefalos tem dois filhos, com nomes gregos (Grécia: berço da civilização. Hipócrates, o Pai da Medicina, ensinava: “Faz do teu alimento o teu medicamento”): Homero Anefalos e Arthemis Anefalos Pereira.

Pela Mitologia Grega, Homero foi o autor dos famosos livros A Ilíada e A Odisseia, e Arthemis foi a deusa da Lua e da caça.
Arthemis Anefalos Pereira, casada com Sérgio V. Pereira, tem dois filhos: Sérgio (cientista) e Rogério (advogado).
Homero Anefalos tem três filhos:
1) Dr. Homero Anefalos Júnior (Engenheiro, área Elétrica), casado com Romilda Martins Anefalos, com uma filha menor, So¬phia.
2) Dra. Lilian Cristina Anefalos (Pesquisadora científica, com mestrado e doutorado na ESALQ), casada com Ari Fortes, com duas filhas, Yasmin e Júlia, menores.
3) Dr. Alexandre Anefalos (médico especialista e escritor, membro da Academia Piracicabana de Letras na fase do Dr. João Chiarini, membro emérito na atual fase, e membro do Clube dos Escritores de Piracicaba, onde tem recebido homenagens pelos trabalhos realizados, inclusive na área da Medicina. É casado com a Dra. Miriam Ferreira de Paula Anefalos (médica especialista), tendo dois filhos gêmeos, Amanda e Rafael, de 6 anos.
Anna Anefalos é patronesse da bisneta Yasmin Anefalos (filha da Dra. Lilian Cristina Anefalos), e ocupa a cadeira n. 59, área de Letras, do Clube dos Escritores de Piracicaba, a qual será homenageada, em 26 de novembro deste ano, na Câmara Municipal de Piracicaba, recebendo o Colar Literário, pelos seus ótimos trabalhos publicados na Revista do Clube dos Escritores de Piracicaba e no jornal A Tribuna Piracicabana. Homero Anefalos também estará sendo homenageado nesse mesmo local e data, recebendo o Colar da Ciência.

Laudelina Cotrim de Castro

http://www.raizonline.com/trintaeoito/paginadesoito.htm

Colaboração do Acadêmico Gustavo Jacques Dias Alvim
Cadeira n° 29 - Patrona: Laudelina Cotrim de Castro

Laudelina Cotrim de Castro

Escolhi para patronesse da cadeira, que ora ocupo na Academia Piracicabana de Letras, a saudosa professora Laudelina Cotrim de Castro, que nasceu no dia 12 de abril de 1907 e faleceu em Piracicaba, aos 74 anos, no dia 13 de setembro de 1981. Era filha do Prof. Benedito Cotrim Dias (professor e diretor de escola primária) e de Cândida Wolf Cotrim Dias (do lar). Foi casada com Docler de Castro; não teve filhos.
Formou-se professora normalista na Escola Complementar, hoje Instituto de Educação “Sud Mennucci” e dedicou sua vida ao magistério, sua grande paixão, e, mais tarde, atuou, durante muitos anos, na antiga Escola Normal Oficial de Piracicaba, depois Escola Normal “Sud Mennucci”, instituição em que se formara, e também na Escola Normal “Miss Martha Watts” do Colégio Piracicabano, sempre na área da pedagogia, ensinando a disciplina Prática da Educação. Quando tinha seus quase 50 anos de vida, tomou uma decisão corajosa: transferiu-se para São Paulo, para fazer o vestibular para o Curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade de São Paulo, na Rua Maria Antonia, uma das mais renomadas do país, apesar de já ser titular, por concurso público, da cadeira que ocupava na Escola Normal Oficial, em Piracicaba. Licenciou-se em 1959. Depois de lecionar na própria instituição em que se formara, aposentada, voltou a residir em Piracicaba. Ela teve, também, nessa cidade, na década dos anos 40, um curso de admissão ao ginásio (que, então, exigia exame para ingresso), reconhecido pela sua qualidade e conseqüente elevado número de alunos aprovados.
A Profª Laudelina, que os íntimos chamavam de Lina, era uma pessoa eclética e multifacetada. Enquanto residiu em Piracicaba destacou-se, não só como professora, dedicada, inteligente e
culta, mas também como animadora cultural. Amante da música, era pianista, bailarina, acordeonista, violonista e cantora. Gostava de organizar shows artísticos, espetáculos teatrais e de balé (eventos que montava e acompanhava ao piano), bem como outros tipos de festas, envolvendo seus alunos e pessoas da sociedade. Um desses espetáculos, muito esperado, era o “Show Normalista”, realizado, anualmente, no antigo Teatro Santo Estevão, demolido em 1952. Nessas ocasiões ela fazia de tudo: preparava o roteiro e “scripts”, montava as cenas, fazia o esboço dos roteiros e trajes das persona-gens, ensaiava, buscava apoios e participava pessoalmente do espetáculo. Nada lhe escapava; era exigente, pois queria tudo o mais perfeito possível. Nela transbordavam a alegria e o entusiasmo. Tinha uma criatividade e dinamismo invejáveis. Em tudo punha muita beleza e arte.
Maria Aparecida Mahle, a partir de pesquisas, registrou que a Profª Laudelina levou a efeito o primeiro desfile de moda, em Piracicaba,. Sobre ela escreveu:
“Professora interessante, cheia de vivacidade e energia foi Laudelina Cotrim de Castro. Para organizar uma festa escolar, fazer a coreografia de um bailado, podiam contar sempre com seus préstimos e qualidades. Creio, também, que o primeiro desfile de modas que Piracicaba presen¬ciou foi organizado por ela, em 1946, no Teatro Santo Estevão. Tinha o mesmo a finalidade de colaborar com os formandos do ginásio, daquele ano, do “Sud Mennucci”; a renda era para pagar as despesas com a festa. Nenhuma casa de modas patrocinava o evento e desfilávamos com os vestidos confeccionados por nossas próprias costureiras. Também não havíamos feito nenhum treinamento especial; apenas quem gostava e “levava jeito” participava. Isso Laudelina resolvia... E para desfilarmos havia “música ao vivo”. O evento, seguido de uma brincadeira dançante, foi um sucesso” (Extraído de “A Província” – www.aprovincia.com.br).
Estava, também, sempre envolvida nos movimentos da vida cultural da cidade, na qual tinha presença marcante. Publicou muitos artigos, alguns polêmicos, no “Jornal de Piracicaba” e em outros periódicos, sobre assuntos variados e a respeito de temas da sua área, a Educação. Erudita, lia muito. Inveja a sua biblioteca e o seu vasto conhecimento, inclusive de idiomas estrangeiros. Quando eu tinha dúvidas ou necessidade de ajuda para algum trabalho escolar era a ela que eu recorria. E mais, falava muito bem, uma grande oradora.
Ela gostava de viajar e de organizar viagens, muitas delas para seus alunos. Aliás, numa época em que as viagens não eram tão fáceis e comuns, não perdia oportunidade de conhecer novos lugares, no Brasil e no exterior. Tinha horror a viagens aéreas, preferindo sempre a via marítima ou terrestre. Como o seu marido não apreciava muito esses périplos, ela, se articulava com colegas ou amigas, para fazê-los. Visitou a Europa, inclusive a Rússia, em tempos de “guerra fria”, e países latino-americanos.
Outra faceta de sua personalidade era o gosto pelo esporte, especificamente a natação, que praticava regularmente, para manter o seu preparo físico. Ao que me consta, foi na sua residência, imóvel que chamava a atenção pelo inusitado estilo normando de sua arquitetura, edificada em 1948 (imóvel ainda hoje existente, na Rua 15 de Novembro, esquina com a Rua José Pinto de Almeida), que se fez a primeira piscina numa casa particular em Piracicaba.
O Legislativo piracicabano homenageou essa ilustre e querida educadora, dando o seu nome a uma avenida, junto ao Bosque da Água Branca, perto do ribeirão Piracicamirim.
De um artigo de autoria do professor, escritor e jornalista Leandro Guerrini, sobre a Profª Laudelina, publicado no “Jornal de Piracicaba”, em 14 de julho de 1985, pincei as seguintes frases e expressões: “Vida consagrada à arte”. “Professora, no vero sentido da palavra”. “Alma feita de musicalidade, no genuíno sentido do vocábulo”. “Não apenas uma individualidade que interpretava os acordes alheios. Criava, movimentava inteligências, descobria talentos. Ficaram de grata recordação os recitais normalistas, a cargo dos alunos que tais. Titular da Escola Normal, movimentava talentos, ao final de cada ano, organizando espetáculos, não apenas escolares, mas de fina essência cênica”. “Elemento para qualquer parada, excelente musicista, um sentido de finura que encantava. Exemplo vivo como diretora e ensaiadora”. “Pode-se afirmar que fora acompanhadora oficial da cidade. Tudo quanto era artista des¬garrado que aparecesse cá na taba e se propunha a um concerto, lá estava Laudelina Cotrim de Castro como acompanhadora ao piano e regente da orquestra.”
A jornalista, professora e advogada Antonietta Rosalina da Cunha Losso, escrevendo para o “Jornal de Piracicaba”, na edição de 17 de setembro de 1981, sobre a Profª Laudelina, assim se ex-pressou: “Que criatura maravilhosa, vibrante, determinada era ela! Que elegância e precisão de termos tinha. Uma dicção perfeita, aliada à sempre propriedade do que expunha. De uma vivacidade de espírito tão grande que não lhe permitia se ater apenas às suas aulas de Prática, mas que a fazia organizar excursões, espetáculos de arte e até balés idealizados e acompanhados por ela ao ritmo de piano”.
NOTA - Embora tenham sido próximas as minhas relações com a Profª Laudelina Cotrim de Castro, em razão de vínculos familiares, pois era minha tia, são, infelizmente, escassas as fontes documentais e testemunhais, onde pudesse buscar informações detalhadas para compor a sua biografia. Ao pensar em pessoas que a conheceram e com ela conviveram, lembrei-me do meu amigo, Prof. Dr. Samuel Pfromm Netto, pessoa que desfrutou da amizade com a homenageada. Contatado, solícito e mui gentilmente, enviou-me, o verbete que escreveu a respeito dela, para o seu, ainda inédito, “Dicionário de Piracicabanos”, além de cópias de artigos publicados no “Jornal de Piracicaba”, de autoria de Diva de Castro Cardoso, Leandro Guerrini e Antonietta Losso Pedroso, depois do falecimento da mesma, acima referidas, dos quais me utilizei para fazer este texto.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Rocha Netto

Colaboração do Acadêmico Gregorio Marchiori Netto
Cadeira n° 28 - Patrono: Delphim Ferreira da Rocha Netto

Biografia – Delphim Ferreira da Rocha Netto

Delphim Ferreira da Rocha Netto nasceu na cidade de Itu (São Paulo), no dia 9 de junho de 1913, filho de Francisco Nazareth Rocha e Euphrosina Mello Rocha. Casou-se em 8 de janeiro de 1937 com Yara Moreira Freire da Rocha, natural de Fortaleza (CE), filha de Leopércio Almeida Freire e Adelina Moreira Freire. São seus filhos: Weimar Freire da Rocha, José Carlos Freire da Rocha, e Delfim Sérgio Freire da Rocha. Faleceu em Piracicaba, no dia 23 de agosto de 2003, aos 90 anos, dos quais mais de 80 dedicados ao trabalho como arquivista esportivo e colecionador. Delphim Ferreira da Rocha Netto cursou a Escola dos Frades Capuchinhos de 1919 a 1920; em seguida, cursou o Grupo Escolar Barão do Rio Branco, de 1921 a 1922, e finalmente, o Grupo Escolar Modelo de Piracicaba, onde completou o curso primário e médio, diplomando-se em 30 de novembro de 1926. Cursou ainda a Escola de Contabilidade “Cristóvão Colombo” (1929 a 1930), cujo diretor era o Prof. Antônio Zalunardo Zanin, e depois, a Escola Prática de Contabilidade “Moraes Barros” (1931), do Prof. Acácio do Canto Junior, também seu diretor, tendo-se diplomado contabilista. Delphim trabalhou no comércio piracicabano, na extinta Livraria Americana (1927 a 1931), que era de propriedade do seu tio, João do Amaral Mello (agrônomo da primeira turma da Esalq) e, depois do Prof. José de Assis Filho, que a transformou em misto de livraria e de materiais dentários.
Em São Paulo, onde foi residir (1933), passou a trabalhar na tradicional firma de artigos dentários e de perfumaria “Ao Boticão Universal”, como vendedor e depois como “caixeiro viajante”, na zona noroeste, até 1935, residindo em Bauru.
Em 1935, prestou concurso público e foi aprovado, passando a integrar o quadro de funcionários da Secretaria dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo. Como agente fiscal de rendas, trabalhou na capital paulista até 1937, quando foi removido para o Posto de Fiscalização Estadual de Piracicaba. Nesta cidade, exerceu as funções de agente fiscal até o ano de 1939, quando foi removido para a cidade de São Carlos.
Em 1944, retornou a Piracicaba, ainda na qualidade de fiscal. Mais tarde, em 1946, foi guindado ao cargo de chefe do Posto Fiscal local, e em 1949, ao de Inspetor de Rendas. Em 1955, foi removido para Pirassununga na qualidade de inspetor daquela cidade e região. E em 1960, foi transferido para a Inspeoria Fiscal de Rio Claro, onde ocupou durante dois anos, o cargo de delegado tributário da Delegacia Regional da Fazenda, em comissão. Aposentou-se na carreira de Inspetor de Rendas, no dia 13 de maio de 1964.
Rocha Netto iniciou os seus primeiros passos na imprensa piracicabana, como colaborador do Jornal de Piracicaba, onde começou escrever suas primeiras notícias esportivas em 1930. Em 1933, indo residir na Capital, tornou-se representante junto à imprensa de São Paulo, da Associação Atlética Acadêmica “Luiz de Queiroz”, e do EC XV de Novembro de Piracicaba, divulgando o nome de Piracicaba em todos os jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Em 1937, na sua volta para Piracicaba, ingressou no Jornal de Piracicaba, de propriedade de João Franco de Oliveira e, em 1938 – 1939, firmou-se no mesmo jornal dos Irmãos Losso (Fortunato e Eugênio), até o dia em que foi removido para São Carlos, em 1939. Delphim passou então, a chefiar a seção esportiva do Correio de São Carlos. Em 1944, de novo em Piracicaba, voltou a prestar colaboração ao “Jornal”.
Em Piracicaba, Rocha Netto exerceu ainda as funções de correspondente do “Diários Associados”, Rádio Pan-Americana e “A Gazeta Esportiva”, além de ter sido nomeado redator correspondente da revista carioca “Sport Illustrado”, que circulou de 1937 a 1956 no Brasil e no exterior.

Foi colaborador também da revista cinematográfica “A Scena Muda”, do Rio de Janeiro. Até o ano de 1997, representou em Piracicaba, onde residia, a “A Gazeta Esportiva”, cujas notícias eram sempre publicadas com destaques. Teve rápida passagem por “O Diário” local, em cuja imprensa escreveu centenas de reportagens e dois livros sobre o XV de Novembro, 1913 a 1946 (O Diário) e de 1947 a 1994 (Jornal de Piracicaba). Rocha Netto foi eleito em 1955 vereador à Câmara Mu-nicipal de Piracicaba, pelo PSP, exercendo pouco tempo a referida função em virtude de sua remoção para Pirassununga. Recebeu os títulos de Cidadão Piracicabano, Cidadão Benemérito do Esporte Pirassununguense, Benemérito do Esporte Goiano, Benemérito e Sócio Honorário do Clube Atlético Pirassununguense; Sócio Benemérito do Clube dos Sargentos e Subtenentes de Pirassununga; Sócio Remido, Grande Benemérito e Presidente de Honra do EC XV de Novembro de Piracicaba; Sócio Remido dos Veteranos Pau¬listas de Futebol, da Capital; Membro Nato do Grande Conselho de Honra da Sociedade Recreativa Palmeiras de Piracicaba, Presidente Honorário do Panathlon Clube de Piracicaba.
Foi também Presidente de Honra da Federação Paulista de Ping Pong, Presidente Honorário do Clube Flor do Bosque de Piracicaba, membro da Academia Piracicabana de Letras; do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, do Clube dos Escritores e da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo. Como sócio da ACEESP foi agraciado em 11 de janeiro de 1971, com o diploma e medalha de “Mérito Profissional”, por ocasião do 1º Congresso Nacional de Cronistas Esporti-vos, realizado em São Paulo.
O acervo esportivo Rocha Netto foi formado pelo jornalista Delphim Ferreira da Rocha Netto (1913-2003), a partir de 1919, e hoje é considerado um dos mais completos acervos sobre futebol do país e extensa fonte de pesquisa para estudantes, jornalistas, historiadores, esportistas e demais interessados. Sua formação teve como objetivos fundamentais resgatar a história do futebol e a trajetória dos grandes jogadores do passado. É composto por uma coleção de aproximadamente 50 mil fotografias sobre futebol, anotações sobre os clubes nacionais e internacionais, flâmulas, livros, fichas técnicas de jogos e dados biográficos de atletas. As coleções de jornais e revistas especializadas existentes no acervo so¬mam cerca de 30 mil textos.
O arquivo teve início quando Rocha Netto tinha apenas seis anos de idade, e passou a colecionar as figurinhas que envolviam as balas-futebol e as fotos publicadas nos jornais da época, costume que lhe garantiu preciosidades, como fotografias raras da seleção brasileira e também de times locais. Pelo seu valor histórico e organização, o acervo Rocha Netto tornou-se instrumento de pesquisa reconhecido pela imprensa esportiva nacional.
Em abril de 2002, o jornalista oficializou a doação do seu acervo ao Instituto Educacional Piracicabano (que o integrou ao Centro Cultural Martha Watts), e certificou-se de que seu trabalho seria preservado e mantido como fonte de pesquisa às novas gerações e admiradores do futebol. No ano de 2006, o acervo foi totalmente transferido ao Centro Cultural Martha Watts, local onde é preservado, e desde então permanece aberto para visitação no Espaço Memória Piracicabana. De fevereiro de 1980 a junho de 1981, Rocha Netto iniciou nas páginas de “O Diário”, de Piracicaba, um trabalho denominado “A História do XV”, no qual foi focalizada a vida do tradicional clube, compreendendo o período de 1913 (data da fundação da agremiação), até 31 de dezembro de 1946, registrando toda a sua história de clube amador. Este documentário, tamanho 28 x 38, somando 616 páginas, foi lançado em livro, na sessão solene da Câmara Municipal de Piracicaba, no dia 1.8.1981.
A partir de 19 de março de 1982, Rocha Netto passou a escrever a segunda parte de “A História do XV” no Jornal de Piracicaba, na qual foi focalizado o período de 1.1.1947 até 31.12.1991 e, contando os fatos do Clube já na sua fase profissional, completando-se assim o ciclo 1913 - 1991. Esse trabalho mereceu elogios da FIFA conforme documento encaminhado pelo Dr. João Havelange, presidente daquela entidade. O livro referente à segunda parte da “História do XV” foi posto à venda aos interessados, cuja renda foi entregue totalmente às casas de caridade de Piracicaba. Quando Rocha Netto residiu em São Carlos (1939 a 1943), fundou naquela cidade o Semanário “Correio Esportivo”, que era encartado no tradicional “Correio de São Carlos”, e fez parte ativa da vida social e esportiva daquela cidade, como atleta vinculado ao futebol local. Lá, fez parte da Comissão Central de Esportes, quando São Carlos levou a efeito os Jogos Abertos do Interior, na gestão do prefeito Carlos de Camargo Salles, fazendo ampla cobertura dos acontecimentos esportivos daquela cidade, em jornais da Capital do Estado e em revista do Rio de Janeiro.
Em Pirassununga, além de colaborador do jornal “O Movimento” e “A Voz do Arip”, foi radialista, apresentando na Rádio Difusora o programa “Pelota no Ar”; como presidente da Comissão Central de Esportes, movimentou todas as modalidades na região e implantou em Pirassununga, o futebol de salão e o tênis de mesa. Foi patrono, também, dos ginasianos de 1957, da Escola Normal “Álvaro Guião” de Pirassununga.
Em Piracicaba, ocupou por vários anos, a presidência e a tesouraria da Comissão Central de Esportes, a título relevante, pois nunca recebeu nada por seus trabalhos em favor do esporte. Promovida pela Associação Atlética Educando pelo Esporte desde 1999, a Copa Rocha Netto tem como objetivo homenagear o jornalista e promover atividades voltadas aos jovens em atividades recreativas, que visem a amizade e a integração. A partir de 2010, a Copa Rocha Netto passou a integrar o calendário esportivo de Piracicaba.
Até aqui, transcrevi quase textualmente os dados biográficos de meu patrono, que me foram fornecidos amavelmente pela Assessoria de Imprensa do Departamento de Comunicação e Marketing, da UNIMEP, por meio da jornalista Angela Rodrigues dos Santos.
Passo, a partir de agora, a transcrever um texto de minha lavra, que intitulei:


Costumes e manias de Rocha Netto
(conforme relato de seus filhos)



Rocha Netto, de vez em quando, para demonstrar o imenso amor que possuía pelo seu time de futebol – o Clube XV de Novembro – saía andando pelas ruas centrais da cidade vestido com a camisa de futebol do clube, atraindo assim a atenção dos transeuntes.
Uma de suas manias, nas horas de lazer, era em sua casa comer salaminho e tomar uma cerveja, desobedecendo às recomendações do seu médico. Mas, para assistir a seus filmes clássicos antigos, de sua notável filmeteca “cult”, tinha uma mania toda especial: comprava sanduíches das Lanchonetes Mac Donald´s, levava-os para sua casa e assistia ao filme comendo-os, muito devagar, e tomando sua cerveja predileta.
Certa vez, assistindo a um dos seus filmes antigos, sentiu que, por mais que mexesse os botões do volume, não conseguia fazer “aparecer” o som. Irritado, telefonou para seu filho Weimar, para que este viesse a sua casa e fizesse funcionar o som. Após Weimar verificar todo o sistema sonoro, concluiu e disse ao seu pai: impossível ouvir o som do filme… pois o filme é mudo!
Após a morte do Presidente da APL, João Chiarini, houve eleição para nova diretoria. Rocha Netto foi candidato à vice-presidência, na chapa encabeçada por mim, concorrendo três chapas. Fomos derrotados.

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz