Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Janeiros do poeta de Piratininga

José de Souza Martins - O Estado de S.Paulo
Guardo a poesia de Paulo Bomfim no arcaz da sacristia da memória como paramento simbólico da liturgia de renovação cíclica da identidade paulista. Nos 25 de janeiro, gosto de ler Armorial debruçado na janela de meu quarto, sussurrando seus versos ao meu silêncio, pavimentando de poesia o áspero Caminho do Mar, a triste Estrada das Lágrimas, a descida da Rua da Tabatinguera, sempre em busca do Tamanduateí ancestral, no rumo do Anhembi decisivo.

Rua que não muda de nome há 400 anos, pronunciado ainda na língua nheengatu daquela primeira missa no Pátio do Colégio, à beira da escarpa recoberta de visões e lembranças. No terreiro ainda se ouve as invocações da litania, de sotainas batidas pelo vento, de Anchieta, Nóbrega, Manuel de Paiva que balbuciam, no latim nativo e sertanejo de Tibiriçá, as palavras sagradas daquela primeira hora de todos nós. Átrio a que fomos trazidos pela vida um dia, na demora dos séculos, coração do Planalto de Piratininga.

A alma de índios de muitas nações, de ibéricos de feição muçulmana, de mamelucos de pele azeitonada e zigomas salientes, vagam pelos sertões da poesia de Paulo Bomfim nessa busca incessante, nessa conquista de si mesmos, nesse entrecruzar de gentes que nos fez o que somos, nessa espera longa de seus versos, dedicados a seus "antepassados que ainda não regressaram do sertão..." Vagam pelos rios, trilhas e veredas das terras do sem fim. Procuram, procuram-se. Busca que não é estranha aos versos épicos de Camões, escritos na contra-folha do testamento de um bandeirante morto de uma flechada nos confins do Brasil. Dores e culpas, preços da invenção da pátria: "Meus remorsos são flores esculpidas/ no muro das guaíras que queimei..."

A poesia de Paulo Bomfim entretece os fios do lirismo de nossas travessias. Desde a lonjura dos começos, marco das origens num soneto de Transfiguração: "Venho de longe, trago o pensamento/ banhado em velhos sais e maresias;/ arrasto velas rotas pelo vento/ e mastros carregados de agonias. / (...) Venho de longe a contornar a esmo,/ o cabo das tormentas de mim mesmo." Até a eternidade dos retornos, desse chegar sem partir do Pátio do Colégio do nosso encontro: "O pião do dia roda entre destinos,/ estranhamente vão se abrindo as portas/ e somos novamente esses meninos!"

Pensamos a memória histórica da cidade e da pátria paulista quase sempre na limitação física da arquitetura, na petrificação dos monumentos esculpidos em pedra ou bronze, como tantos, maltratados aliás, de nossas praças. Ou no engano de nomes de rua errados, como o que nos diz que os sofridos índios Caiuá são os Kaiówaas. Mas a nossa memória está muito mais no sensível do que no tangível, nos versos do poeta que nos lembra: "Ao longe, uma chuva fina/ molha aquilo que não fomos."

domingo, 30 de janeiro de 2011

Cabrito de Natal - Cassio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20

Patrono: Benedito Evangelista da Costa

Era uma época em que as casas ainda eram lares. Havia quintal com galinhas, galo, horta e até outros pequenos animais.
O menino tinha uns dez anos quando seu tio trouxe um cabrito bem filhote, que ainda mamava na mamadeira.
O garoto pulava de alegria ao ver o pequeno e indefeso animal que mal podia andar. Tirado que fora da mãe, ainda bebê, estava afoito para encontrá-la e berrava desesperado enquanto o menino o afagava no colo.
Os olhinhos inocentes dos dois seres se encontraram e o garoto foi adotado e adotou o pequeno animal, não sei se como pai, como mãe, ou como os dois ao mesmo tempo.
Ficou como obrigação diária dar a mamadeira ao animal, e ele foi crescendo rapidamente.
O inocente filhote de homem, todos os dias passava os dedos na gengiva careca do caprino, até que um dia, muito feliz, foi correndo e gritando avisar a mãe que os dentinhos inferiores e superiores estavam nascendo. Quando colocava o dedo para a palpação gengival, o pequeno, pensando ser o bico da mamadeira, tentava sugá-lo.
O tempo passou lentamente até que o cabrito, já maior, vinha berrar bem cedo debaixo da janela do menino, como a chamá-lo, e o menino saía pela janela e um corria atrás do outro. O cabrito saltitava feliz dando pequenas cabeçadas no garoto.
Poucos meses depois, numa das cabeçadas, o menino percebeu os dois chifrinhos começando a despontar, o que o levou a ter mais cuidado nas brincadeiras das cabeçadas.
O pequeno Bito, assim era seu nome, passou a comer de tudo e gostava muito de mascar as roupas que puxava do varal, causando desespero à Sebastiana, a empregada da família.
Assim, chegou o mês de dezembro, e lá pelo meio do mês, seu tio comunicou que era hora de abater o pequeno ser, que foi amarrado pelas pernas e imolado. Enquanto a faca penetrava o tórax do bichinho, tentando acertar o coração, este berrava com todas as forças, até que finalmente silenciou quando o órgão vital foi acertado.
Então, seus olhos se fixaram nos do menino, lágrimas correram, seus movimentos pararam e os olhos permaneceram abertos, pupilas dilatadas, como a dizer:
- Meu amigo, você me traiu...”
Desde então, o garoto, já homem, quando chega o Natal, ao olhar a manjedoura e o cabrito ao lado do Menino Jesus, sente de novo aqueles olhos suplicantes fitando os seus e repetindo “traidor!...”

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O túmulo de Nho Lica - Francisco de Assis Ferraz de Mello - Cadeira no 26

Patrono: Nelson Camponês do Brasil

Eu não conhecia o túmulo de Nho Lica. Vi-o, pela primeira vez, por ocasião da tomada das fotos aqui estampadas. É ao rés do chão, num espaço exíguo, cercado por outros maiores. Mas isso não lhe diminui a dignidade, exalta-a.
É simples, como foi Nho Lica, coberto por uma pedra de granito. Na cabeceira, perpendicularmente a esta, numa outra lê-se a inscrição:
Milionário de Ilusões,
Foi bom e amou sua terra.
Essa frase resume quem foi o grande capitão.
E assim o homem, que pela vida sonhou com brilhantes, após a morte repousa sob a maior de todas as suas pedras. E para sempre. E em paz.
Foi construído por uma ação entre amigos. O grande milionário não teria dinheiro para adquirir uma só das pedras.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Lágrimas - André Bueno Oliveira - Cadeira no 14


Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs

Se o amor de tua vida foi-se embora,
deixando-te num fogo de amargura...
Se a dor de uma saudade te tortura:
- afoga essa fogueira ardente... Chora!

Se acaso um grande amigo que te adora,
partiu sem despedir-se com ternura,
causando ao teu sonhar uma fratura:
- não teme esse pesar que passa... Chora!

Se acaso do sofrer tu és cativo,
o pranto é bom remédio, é lenitivo,
que o triste coração, anima e acalma.

As lágrimas são dádivas divinas,
são gotas preciosas,cristalinas,
são pérolas que brotam dentro da alma.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

De ciprestes solitários e suas confidências - Carmen M.S.F.Pilotto - Cadeira no 19

Patrono: Ubirajara Malagueta Lara

Ciprestes são árvores altaneiras, que habitam penhascos com os olhares voltados para o infinito e de raízes entranhadas em ínfimos pedaços de terra, retirando seus nutrientes do orvalho das madrugadas.

Naquela última árvore da Califórnia vivia Bhumi, único druida da terra em 2020. Desde os primórdios de Atlândida e Lemúria seu povo já havia previsto a destruição do planeta. Seu amigo Trhon tentara em vão na década anterior apresentar evidências, sinais que os homens simplesmente ignoravam: ciclones, tsunamis, alterações climáticas, terremotos, entre outros.

Ano a ano a terra gradativamente alinhava-se ao sol, em solstícios que alteravam o centro da galáxia em decorrência dos danos causados. Ações isoladas como as do Greenpeace ou as de alguns parcos políticos pareciam inócuas.

No início do século 21, o penúltimo druida, Gemini, insistia em incutir nas mentes, usando a voz dos ecologistas, pequenas atitudes de preservação: consumo de energia apropriado, economia de recursos naturais, descobertas pelos governos de alternativas de energias limpas. Propagava que riqueza e prosperidade sem um pensamento sustentável não teriam o melhor sentido.

Os efeitos devastadores eram observados ao olhar alienado dos humanos, que tratavam a Natureza como fonte inesgotável: o aumento do nível dos oceanos, o derretimento das calotas polares, a extinção de animais e plantas, as catástrofes climáticas e os altos níveis de dióxido de carbono. Na última década a fragmentação da Amazônia, o último reduto verde da terra, teve um efeito avassalador.

Com a partida de seus dois últimos amigos, Bhumi, entoava, para espantar a solidão, os antigos cânticos sagrados lembrando rituais e colheitas. Sua memória sensorial estava melancólica pela saudade das plantas e dos animais extintos do planeta.

Bhumi voltou o olhar para o Absoluto cismático. Sabia que tudo em breve se transformaria em poeira cósmica. Milagrosamente naquele penhasco o último cipreste resistia bravamente diante de um braço de mar com um velho e desalentado druida que carregava em seus ombros a triste derrocada do planeta dos insensatos...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Jóias do Mar - Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira no 21

Patrono: José Ferraz de Almeida Junior

Na praia nos livramos do peso das responsabilidades acumuladas, das energias negativas que nos causam tantos malefícios e relaxamos, para seguirmos, assim num dia nublado, o mesmo ritual do sol preguiçoso, que não querendo trabalhar tempo integral, aparece e desaparece a seu bel-prazer. Na praia só fazemos coisas importantes, como chutar as ondas, que chegam espumando de cansaço por terem vindo de terras distantes, respirar ou até pisar numa concha. Para mim, as conchas são um dos tesouros trazidos do fundo do mar, que as vagas lentamente, como que por acaso, lançam na areia lisa e dourada. A concha se ofereceu aos meus pés e segurá-la com as duas mãos, como se fosse um presente, porque ela veio acompanhada de um laço feito de algas, foi uma deliciosa aventura. Como conhecê-la por dentro foi prazeroso! Forçar para que se abrisse e mostrasse seus mistérios interiores; sorrir ao ver, no meio daquela geléia nacarada, uma pérola negra, que rutilante, fulgia com todo esplendor, contagiando o seu redor com tons róseos e de madrepérola. E pensar que toda essa maravilha surgiu de uma lágrima causada por um grão de areia... Como se a natureza, numa sábia decisão, conseguisse compensar a dor com uma esplendorosa obra de arte!
Esse presente inesperado, com aquela pérola tão maravilhosa, era demais para mim! Para mim, naquele momento, só a concha bastava! Aquela concha que lutara muito para se desprender do rochedo, que buscara o ápice da sobrevivência, mas que fora arrebatada pela fúria do mar bravio. Mesmo a contragosto ela veio rolando com a maré até chegar perto de mim. Como se previsse que não sobreviveria nas areias quentes da praia ela veio entregar-me seu tesouro, e eu, sem pensar naquele gesto nobre, simplesmente a matei. Comecei a questionar, mas concluí que ela morreria de qualquer jeito mesmo, quer sob o sol, ou nas areias quentes. Que maneira infantil eu inventava para encobrir a minha falta. A natureza sempre nos dá tudo e de nós nada tira. Seria tão difícil para eu entender isso? Não tem mais volta! Esse meu ato foi definitivo, infelizmente. Foi um ato do humano que ainda tem muito que aprender com as maravilhas naturais, para que se atreva a entender do seu próprio fato de existir. Restou para mim o consolo de guardar a pérola, quem sabe para fazer com ela uma jóia e entregá-la para alguém que amo muito, seria uma pérola para outra pérola da minha vida: como de graça recebi, de graça darei, a alegria que senti ao receber, seria por certo, multiplicada, quando a desse, como se num elo fraterno, o bem fosse passado de minhas mãos para outras mãos, como se algum tipo de energia fosse se renovando ao se unirem o inorgânico e orgânico numa simbiose de interioridades.
Assim deve ser a vida: com seus segredos não desvendados, com seus questionamentos ainda não resolvidos e suas dúvidas perenes e imemoriais, porque nossas mentes não evoluíram o suficiente para captar as forças inerentes da criação e saber fazer bom uso delas. Nada é por acaso... Deve haver um significado real para certos momentos, mesmo que não o saibamos ler nas entrelinhas das situações que se apresentam em nossa vida.
Essa compreensão me deixou mais aliviada... Lavei a concha e voltei para casa, colocando-a junto das outras, que serviam de enfeite para o tampo quadriculado da mesa de centro, cheio de areia, conchas, búzios, estrelas-do-mar, cobertos com um vidro, como se fosse um quadro.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O menino, o rio e o tempo - Maria Emília Leitão Medeiros Redi - Cadeira no 38

Patrono: Elias de Melo Ayres

O menino sentou-se na beira do rio e deixou o olhar perdido nas águas inquietas que levavam o tempo e todos os sonhos... E já não era mais o menino!
Era o ancião, habitante do seu âmago, martelando os pregos da canoa que o levaria à outra margem.
Lá, encontrou o filósofo perdido em sua complicada e sensível realidade. E, deslizando os passos pelas idéias que permeiam a essência do Ser, sentiu-se rico ao constatar-se imprimido na unidade.
Pensou...
- Sou um rio!!! E mergulhou nas profundas águas da eternidade...
Viu-se em todas as eras. Sentiu , em cada célula, em cada átomo, o latejar da evolução sem fim das espécies.
Percebeu outros seres sentindo as mesmas dores, as mesmas alegrias; encontrou semelhanças entre os paradoxos.
Sorriu feliz apreciando a chuva!
As campinas verdejaram e o sol inundou de calor as vidas.
As plantas floresceram, vieram os frutos... amadureceram, caíram ao chão e apodreceram.
No espelho d´água avistou a criança, o moço e o velho...
E aceitou as limitações do seu entendimento.
Estendeu o olhar pela mata em chamas; viu o homem destruindo o paraíso..
- O homem, o predador das espécies ?! - era ele mesmo! E chorou todas as lágrimas do remorso.
Outras estações vieram.
Ele cantou na voz do vento - todas as épocas...
Sentiu-se só.
A natureza destruída , os animais carbonizados!
O mormaço daquela atmosfera era escaldante!
A deusa Ganância, tão despótica e insensível, lançou-lhe um bafo quente cheirando a enxofre
- Era o caos?!
Sentiu sede. As águas já não eram potáveis. - Onde estaria o rio???
Aquele da sua infância, onde estaria?
Remexeu as cinzas do passado na tentativa de resgatar , num passe de mágica, como a Fênix mitológica - Todos os patrimônios da Natureza... Ou, então, perder-se-ia na perpétua e insana solidão.
Cerrou bem forte os olhos.

Desejou ardentemente - VERDE! VIDA!
No palco da existência, as acinzentadas cortinas de fumaça abriram-se ...
E era Azul! - muito azul o céu deste momento.
A Esperança vibrou nos olhos da Vida! O paraíso expandiu-se como miragem dos seus sonhos.
Na Terra, na Criação, na criança, no moço, no ancião um só Coração pulsando
- ESPERANÇA!!!
Não era tarde demais para o recomeço...
O verde surgia na medida certa de seu desejo.
A Vida oferecia ao mundo - Outra Chance.
Sentado na beira do rio, era novamente o menino que acreditava em um mundo melhor para a criança, o moço, o ancião e toda Criação.
Soltou das mãos as pesadas correntes do desamor e as águas as levaram embora.
Pousou os pés no chão da realidade e sentiu firmeza - Agora é um novo tempo!
As águas do rio rolaram... rolaram... O menino cresceu.
O ancião, em sua dimensão, sorriu à espera de um possível reencontro - muito mais cósmico - pós o caos...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ah! Essa difícil inspiração! Maria Helena Aguiar Corazza - Cadeira no 3

(Presidente da Academia Piracicabana de Letras)
Patrono: Luiz de Queiroz


Esta semana pensei não conseguir fazer minha crônica. Muita tristeza! Como conseguir inspiração? O mundo parecendo desmoronar no Brasil (e lá fora esses fenômenos destruidores também não andam nada fáceis, não). A chuva inclemente querendo arrasar tudo, a natureza se vingando de uma maneira cruel e devastadora, e as perguntas e explicações que não encontram respostas nem sentido se, são as desobediências dos homens perante ela, ou nas “costas viradas de Deus” parecendo estar descrente e enjoado das incoerências e agressões desses, tão desrespeitosos, desumanos e violentos... Colheita terrível de um plantio desregrado e inconseqüente. E, daí, a dor estampada em rostos e corpos mutilados em desamparo e sofrimento incalculáveis dos que perderam não somente seus bens materiais, mas, parentes, amigos e entes amados!
A estupefação toma conta de tudo, pois apenas presenciar pela tevê aquele horror, já dói demais. Apesar dos atos oferecidos de solidariedade e acolhimento comoventes, a alma da gente parece ficar pequena, não sabendo o que fazer para ajudar, a não ser orar muito elevando os olhos aos céus, insistindo e implorando Àquela misericórdia divina que não pode faltar nesses momentos principalmente, único recurso para fatos que atingem o ápice de qualquer entendimento!
Uma aberração para uma tragédia tão grande e um desafio nos sentimentos, principalmente para a “fé” tão difícil nessas horas fantasmagóricas, até!
Depois, esperar daqui a pouco, para “começar tudo de novo”! Raça, força e coragem para enxugar as lágrimas e dominar o estupor e a saudade tão dolorosos!
“Arregaçar as mangas” então, será a única maneira imprescindível, e partir para a luta, a fim de transformar os novos sonhos em novas realidades, mesmo porque a “vida caminha para frente”, sem trégua e sem parar. Muito difícil, e não são todos os que conseguem agir assim. Desistir, porém, seria alimentar o sufoco e o tamanho dessa desgraça, o que atrapalharia sobremaneira a solução para o andamento dessa situação deplorável!
Tomara haja muita cooperação e interferência urgente nos órgãos governamentais apropriados, e, que as promessas saiam dos papéis cumprindo suas obrigações para com tantos cidadãos brasileiros, tão duramente atingidos pela tragédia desses dias.
No mais é aprender e se conscientizar, que a Vida possui normas e leis a serem seguidas, cumpridas e respeitadas, pois, seu descumprimento tanto físico, como moral e espiritual demonstram ser os maiores responsáveis pelos “descontroles” que respondem dantescamente, como tem se manifestado em tantas catástrofes, e que o ser humano despreza, finge não ver, ou não quer tomar conhecimento, mas, que as conseqüências jamais deixarão de se
manifestar.
Humilde e insistentemente peçamos que Deus Pai se apiede do nosso planeta tão sofrido!

(texto publicado no Jornal de Piracicaba 19/01/2011)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Lançamento de livro em 2010

Capa do livro de crônicas de Armando Alexandre dos Santos, lançado em 27 de maio de 2010 na sede da Sociedade Beneficente Sirio Libanesa
O acadêmico Armando Alexandre dos Santos autografando seu livro
Presenças de Maria Helena Aguiar Corazza, presidente da Academia Piracicabana de Letras, as acadêmicas: Ivana Maria França de Negri, Aracy Duarte Ferrari, Monica Corazza Stefani, Leda Coletti, Carmen Pilotto, Elda Silveira , mais as escritoras Madalena Tricânico e Maria Lucia Prado Almeida
Acadêmicas Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto e Rosaly Curiacos de Almeida Leme
Acadêmicas Myria Machado Botelho e Elda Nympha Cobra Silveira
Escritora Ana Marly Jacobino, Lucila Calheiros (Diretora da Biblioteca Pública Municipal) e acadêmico Geraldo Victorino de França
Acadêmicos Carla Ceres Capeleti e esposo, João Baptista Negreiros Athayde e Andre Bueno Oliveira

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Entrevista - Professor Cocenza

(professor Cocenza com seus amigos Chico Mello e Sylvio Arzolla)

Esta entrevista , concedida à coordenadora da página Prosa e Verso da TRIBUNA PIRACICABANA, foi publicada em 2009, quando o professor Cocenza ainda presidia a APL

O entrevistado de hoje é o presidente da Academia Piracicabana de Letras, escritor, advogado e farmacêutico, professor Antonio Henrique Carvalho Cocenza, um exímio contador de causos e piadas, sempre presente nos mais diversos eventos literários. É um cronista de mão cheia, e seus textos, filosóficos e bem-humorados.

Nome: Antonio Henrique Carvalho Cocenza

Cidade em que nasceu: Paraisópolis (MG), mas passei a infância e grande parte da juventude em Cristina.

Livros que escreveu: “Deontologia e Legislação Farmacêutica”(didático) – “Antes que eu me esqueça”(contos , “causos” e crônicas) – “Baú Velho – um relicário de saudades” (contos, “causos”e crônicas).


Entidades literárias às quais pertence: Academia Piracicabana de Letras e Clube dos Escritores de Piracicaba, União Brasileira de Escritores (UBE)

Uma música: “Serra da boa Esperança”(de Lamartine Babo), com Francisco Alves.

Um livro: “Memórias Póstumas de Brás Cubas”(Machado de Assis).

Um filme: “Singin`g in the rain” (“Cantando na chuva”).

Uma alegria: O nascimento de meus dois filhos

Uma tristeza: A morte, abrupta, (por acidente) de meu pai

Um sonho: Terminar um livro que comecei há dois anos: “autobiografia não autorizada”.

Uma frase: “Deus nos fez perfeitos, e não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos” (autor desconhecido).

Prosa ou verso: Prosa, porque tenho dificuldades em versejar.

O que traz inspiração? A vida em todas as suas manifestações.

Eecrever por quê? Para tentar transmitir a um provável leitor as ideias e pensamentos que povoam minha cabeça.

domingo, 9 de janeiro de 2011

A cidade da Imperatriz

Antonio Henrique Cocenza (in memoriam)

Por que Cristina? Perguntam-me os meus escassos e fugazes leitores, quando lêem meus textos na imprensa. Agora vou explicar. Em 1774, o Pe. José Dutra da Luz, quando em viagem pelo chamado "Sertão da Pedra Branca", encantou-se com a paisagem que se apresentava ante seus olhos. Incontinenti, fez construir uma capelinha (não era padre?) e, no dia 13 de maio, celebrou ali a primeira missa.A igrejinha não fica propriamente no lugar onde atualmente fica a cidade de Cristina, mas num bairro distante, cerca de dez quilômetros, chamado Glória, que existe até hoje. Trata-se de uma região bastante montanhosa, fato que impedia o desenvolvimento de uma povoação. Um pouco mais para baixo, com um relevo mais favorável, surgiu um povoado que se chamou "Espírito Santos dos Cumquibus", palavra latina que significa ouro, riqueza. Torna-se, assim, evidente, que o Padre português ali viera à cata do cobiçadíssimo metal... O dia 13 de maio ficou, então, sendo considerado como o da fundação da cidade. Portanto, Cristina já é bi-centenária, com mais trinta e cinco aninhos de lambujem... O pequeno povoado desenvolveu-se rapidamente e ali nasceram figuras que se destacaram na política brasileira, ao tempo do Império, como o Dr. Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, advogado formado em 1824, pela "Faculdade de Direito de São Paulo", um dos líderes do Partido Conservador. Ocupou as pastas da Fazenda, da Justiça e, curiosamente, a Pasta da Guerra e da Marinha... Mais tarde, foi Presidente do Estado de Minas Gerais, então Província. Como Conselheiro do Império e amigo pessoal do Imperador D. Pedro II, fez com que ele mudasse o nome de Espírito Santo dos Cumquibus para "Vila Cristina", em homenagem à Imperatriz Tereza Cristina. Em 20 de janeiro de 1852, foi assinado o ato, recebido com grandes festas pela população. Mas o melhor ainda estava por vir. A convite do Conselheiro, em 1º de dezembro de 1868, a Princesa Izabel, filha do Imperador, acompanhada por seu marido, o Conde D'Eu, foi visitar Cristina para agradecer ao povo pela homenagem prestada à sua genitora.Coincidentemente, naquela data nascia na cidade Delfim Moreira da Costa Ribeiro, que viria a ser Presidente da República, cargo que ocupou de 15 de novembro de 1918 até 28 de julho de 1919. A chegada da Princesa Isabel a Cristina foi registrada em ata e a memória dessa visita está perpetuada em madeira, esculpida pelo artista cristinense, João Honorato (residente no Rio de Janeiro), num painel de mais de dois metros quadrados, quadro este que se encontra no prédio da Prefeitura Municipal. Maravilhoso!!!Pois é, vem daí o nome da mui amada e fidelíssima cidade de Cristina, que, pequenina, pequenina, desperta tanto amor e carinho não só daqueles que tiverama ventura de ter nascido lá, mas também de tantos quantos tenham a felicidade de conhecê-la. Daquele pequenino rincão saíram homens (além dos já citados) como Dom Marcos Barbosa - OFM, que pertenceu à Academia Brasileira de Letras, é o tradutor do "Pequeno Príncipe", de Exupèry, o Dr. José Francisco Rezeck, o mais jovem Ministro da história do Supremo Tribunal Federal, que também foi Presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Viram? Tamanho nunca foi (nem será) documento... E aqui fica uma promessa: quando eu substituir algum Presidente da República, prometo mandar um tremendo avião (dos que voam, claro!) para levar todos vocês a conhecerem Cristina, a cidade que me adotou com poucos meses de vida... Só que, primeiro, preciso construir um aeroporto...

Luto na Academia - Antonio Henrique Carvalho Cocenza


Faleceu no dia 30 passado o professor, escritor e advogado Antonio Henrique Carvalho Cocenza aos 73 anos, por problemas cardíacos. Cocenza era casado com Iaracilda de Andrade Cocenza e deixou os filhos Paulo Henrique, Isabel e a neta Luisa.

Presidiu por muitos anos a Academia Piracicabana de Letras e atualmente fazia parte do Conselho Fiscal da entidade.

Pessoa de muita cultura, tinha como marca registrada o bom-humor contagiante.

Foi enterrado em sua cidade natal, a pequena Cristina, em Minas Gerais. Adotou Piracicaba como sua terra, pois morava aqui há décadas e cultivava muitas amizades, mas jamais esqueceu Cristina e sempre a citava em suas crônicas.

Uma perda irreparável.

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz