Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Lançada em Piracicaba obra sobre Idade Média


Armando Alexandre dos Santos - Cadeira no 10
 Mais uma obra de autoria do acadêmico Armando Alexandre dos Santos, um livro histórico chamado “Dialética pró e contra as cruzadas em documentos do século XIII”,  pela editora Equilíbrio.

    


Armando Alexandre dos Santos, vice-presidente da Academia Piracicabana de Letras acaba de lançar mais um livro histórico. Em “Dialética pró e contra as Cruzadas em documentos do século XIII”, Armando analisa, com documentos da época, os debates que ocorreram na França, na segunda metade do século XIII, entre partidários e opositores da realização de Cruzadas.
“Contrariamente ao que muita gente pensa − diz o autor − havia na Idade Média uma grande margem de liberdade para debates dessa natureza. Estava-se muito longe do unanimismo e da monotonia que geralmente se costuma atribuir a essa época histórica.  A análise de dois documentos do século XIII, um memorial do Beato Humberto de Romans, geral da Ordem Domininicana, redigido para o Concílio de Lyon, em 1274, e um poema satírico de Rutebeauf, jogral muito popular no seu tempo, com argumentos contra as Cruzadas, mostra bem como se debatiam abertamente tais questões”.
Armando escolheu esses dois documentos, para sua análise, não só por manifestarem opiniões que divergiam de modo frontal quanto às Cruzadas, mas também por procederem dos dois extremos da sociedade medieval: “Humberto de Romans era, tipicamente, um homem bem integrado no stablishment político-religioso do tempo, como superior geral de uma importante Ordem religiosa, conselheiro e compadre do Rei da França, São Luís IX, e gozando de muita influência no Vaticano, a ponto de quase ter sido eleito Papa. Já Rutebeauf era um pobre trovador, desajustado e pobre, bordejando a marginalidade, mas foi um autor fecundo que teve grande influência na história da língua francesa e é considerado por Le Goff como o primeiro grande poeta lírico desse idioma”.
O livro, lançado pela Editora Equilíbrio, de Piracicaba, encontra-se à venda na Livraria Nobel, do Centro.
Para breve, será lançado pela editora da Universidad de Alicante, na Espanha, um outro trabalho em que Armando teve participação. Trata-se da tradução do catalão medieval para o português moderno do romance de cavalaria “Curial e Guelfa”, de autor anônimo do século XV, realizada pelo Prof. Ricardo da Costa, da Universidade Federal do Espírito Santo, que enriqueceu o trabalho com uma introdução metodológica e numerosas notas explicativas. Armando colaborou na revisão do texto em português e também redigiu um texto introdutório, intitulado “Típico retrato de uma época de transição”. O volume conta ainda com outro estudo sobre a obra, do Prof. Antoni Ferrando, da Universitat de València, na Espanha.
“Curial e Guelfa”, escrito cem anos antes de Cervantes ter publicado o Dom Quixote, traça um retrato da sociedade ibérico-italiana da passagem da Idade Média para a Renascença. Encontrado em manuscrito no final do século XIX, somente agora vem sendo estudado em profundidade, nos ambientes universitários europeus.
“No Brasil ainda é praticamente desconhecido, e graças à iniciativa pioneira do Prof. Ricardo da Costa poderá ser, aqui e em todo o mundo lusófono, divulgado e estudado” esclarece Armando, que também é membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Associação Brasileira de Estudos Medievais.

sábado, 14 de maio de 2011

HAICAIS

Leda Coletti- Cadeira no 36

As flores abertas
esperam os frutos, selam
as colheitas certas.


Aves na janela
pipilam baixinho, cantam
na manhã tão bela.


Lua tão dourada
bola vagarosa rola,
doura a madrugada.




segunda-feira, 9 de maio de 2011

Arbóreo


Carla Ceres - Cadeira no 17


Da terra brotam meus versos
e várias vezes bifurcam
seus sentidos rumo ao céu

Palavra, primeiro árvore,
ramagem por onde o vento
ecoa cantos diversos
que sabe de outros lugares.


Floradas chamando pássaros
e os doces frutos das chamas
que o sol espalha no ar.


Sementes, vida latente,
e as águas que me concernem
fazem brotar novos versos,
crescendo conforme caem
nas boas graças do solo.


No cerne, sempre ser árvore,
poema de vastos ramos
ou pequenino bonsai,
haicai de poucas palavras.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

E era mês de maio...(conto)


Ivana Maria França de Negri - Cadeira no 33

Aquela incumbência, certamente, seria a pior de toda a sua vida. Já atravessara períodos de muita apreensão, medo, passara por inúmeras dificuldades e tivera que tomar decisões importantes e difíceis que mudariam o rumo de sua vida. Mas nada se comparava a essa espinhosa missão. Por coincidência, era maio, mês dedicado às mães.
Nunca estivera numa situação tão melindrosa, uma das mais tristes de toda a sua vida. Parecia que haviam cravado um espinho em seu coração, e doía muito. Não sabia como fugir do encargo e desejou não estar ali naquele momento.
Em seus pensamentos, como num filme macabro, tudo ia rodando. A viagem marcada para o exterior por causa da grande oportunidade que surgiu para o marido. Promovido, ele ganharia o triplo do que ganhava no Brasil. O sonho dele de trabalhar numa das maiores instituições do mundo estava prestes a se concretizar.
Os filhos adolescentes estavam eufóricos! Iriam estudar nos Estados Unidos e praticariam seus esportes preferidos em famosas universidades.
Uma oportunidade dessa não podia ser desprezada, e os amigos incentivavam. Mas antes, ela teria que realizar o que seria a pior missão de sua vida.
Era filha única. A mãe viúva, e já bem entrada nos anos, não teria condições de acompanhá-los. Os amigos diziam: “a vida é assim mesmo, tratem de aproveitar a chance e sejam felizes. Ela vai compreender”.
Guiava o carro como um robô. Não conseguia enxergar direito por causa das lágrimas que teimavam em brotar dos olhos. Que filha desnaturada, que monstro se tornara!
Apanhou a mãe idosa e sua pequena sacola com algumas peças de roupa e o inseparável xale de lãzinha (costumava dizer que tinha muito frio nos ossos), os óculos, e a caixa de lembranças, que era a coisa de maior valia para ela.
Ao chegar ao destino, abriu a porta e a conduziu à entrada do lar de idosos. Beijou-a com a terrível impressão de que seria a última vez que o faria. Ouviu a voz trêmula da mãe dizer: “Vá com Deus, minha filha, não se preocupe, ficarei bem”. Na caixa de lembranças, as fotos do marido falecido, da filha, dos netos, de toda uma vida que agora era passado. Fotos amareladas e recordações felizes de um tempo que jamais voltaria. Daqui para a frente só a saudade como companheira constante. E as lembranças, tantas lembranças...
A última imagem que ficou em sua memória, foi a de uma velhinha curvada caminhando lentamente, com dificuldade, apoiada na bengala e envolta num xale lilás desbotado, e os dedos retorcidos pela artrose acenando de longe. Auxiliada por uma enfermeira, entrando num lugar desconhecido, no meio de pessoas estranhas, num lar que não era o dela.
Acelerou o carro como se quisesse virar rapidamente aquela página de sua vida. O serviço estava feito, não haveria volta. Doeu no íntimo de sua alma, uma dor lancinante, e sentiu uma tristeza muito grande que sufocava na garganta e apertava o coração. Mas era a vida que seguia seu rumo, e nela, não havia lugar para uma velha mãe.

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz