Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

domingo, 31 de julho de 2011

TEMPO

Carlos Morais Júnior Cadeira n° 18 - Patrona: Madalena Salatti de Almeida
Conspira o tempo para nos envelhecer e nos mostrar que a juventude se foi, para nos mostrar que não somos donos de nada, muito menos da nossa vida. A vida é uma ilusão passageira e instantânea, na qual nos apegamos para nos deliciarmos com uma falsa sucessão de momentos tênues de felicidade. Conspira o tempo para demonstrar que as mudanças são inevitáveis e muito profundas, que se refletem também na nossa materialidade. Conspira o tempo para que possamos sentir e entender a sua existência e a sua fatalidade, que nos empurra para a degenerescência e para a finitude.
Viver... Essa esperança que nos embriaga e nos envaidece, é na verdade um privilégio. Somos privilegiados, sem dúvida, porque nascemos perto da perfeição, aparelhados e destinados a nos tornarmos centenários. Mas na ansiosa e desesperada busca do prazer, no egoísmo de aproveitar cada minuto que nos foi dado, a esperança se transforma em casualidade, o viver se torna a suprema aventura humana. Viver, então... Essa loteria que nos incita a espremer o bagaço dos últimos segundos que nos restam.
Conspira o tempo para que vivamos plenamente, com toda saúde e força, o ruidoso cotidiano que nos cerca, até que os excessos, as loucuras e a dissolução nos afastem da perfeição e nos tornem inevitavelmente finitos e previsíveis. Conspira o tempo, então, para a destruição lenta de nós mesmos, desafiando nossas capacidades e o excelso discernimento. O poder de escolher que nos foi dado e que, amiúde, se vira contra nós pela falta de cautela que temos ao usá-lo. Num segundo tudo o que nos eterniza pode nos deixar e o rol daquilo que mais tememos pode se apossar de nós.
Conspira o tempo para que nossa estada neste plano seja longa, estável e feliz, mas no ato sublime de gerenciar com sabedoria o que nos foi dado, por sermos apenas humanos e falíveis, sempre erramos nas contas, vamos por caminhos proibidos e por atalhos desconhecidos. Temos consciência do engodo, mas de nada adianta arrepender-se depois que o malfeito é descoberto. A responsabilidade nos acolhe em seus braços poderosos e nos esmaga, para que jamais tais atos se repitam.
Conspira o tempo para que sejamos infantis a vida inteira, para que jamais consigamos aproveitar o que nos foi legado. Na ansiedade dos folguedos nos esquecemos de cuidar de nossas obrigações até que chega o momento em que temos que enfrentar o tempo, não como brisa que atravessa tudo sem ser percebido, mas como o carrasco que veio cobrar de nós o que deixamos de fazer. O desespero nos aflige, porque sabemos que nada pode retroceder, e não existe remédio, nem cura, para um desleixo tão grande. Mas na nossa inocência meninil, somos iludidos por falsas promessas, esperançosos de conseguir enganar o tempo que conspira contra nós.
Pobres tolos arrependidos! É isso o que somos! Possuidores de todos os dons, de toda a tecnologia, de todas as belezas e infinita inteligência, mas incapazes de vencer a inclemente força exterminadora do tempo que passa como uma brisa pelas nossas vidas. Conspira o tempo então, para que sejamos gratos e resignados com nossa sorte inglória e imprecisa. Ele é o carrasco cruel que nos tira tudo, num piscar de olhos, inadvertidamente, mas que não vai deixar de ser exato no momento de nossa partida. Quando chegar a hora ele não nos dará nem um segundo a mais!

sábado, 30 de julho de 2011

A sétima escultura

 Carla Ceres Oliveira Capeleti
Cadeira n° 17 - Patrona: Virgínia Prata Grigolin
Eu tinha apenas sete anos e estava ajudando meu pai na marmoraria quando aconteceu pela primeira vez. Foi rápido demais. Apaguei enquanto varria o chão. Correram parentes, correram clientes, correram vizinhos, correu a notícia:
− O Zizinho da marmoraria morreu!
Esse “Zizinho” era eu, mas só me chamavam assim depois de morto. Em vida, eu era “aquele moleque do Ziza”, “aprendiz de capeta”.
Foi tanta gente carinhosa vindo chorar no meu velório que desisti de morrer e voltei.
− Catalepsia − diagnosticaram os clientes mais cultos.
− Milagre − concluiu minha mãe.
− Parte com o diabo − sentenciaram os vizinhos.
A família precisou me desterrar para a casa de um tio, porque os clientes começaram a evitar nossa marmoraria. Achavam que eu não dava sorte.
Tio Olavo foi bom para mim. Generosamente aceitou minhas dez horas de trabalho diário, como aprendiz, na fundição. Assim eu não sentiria que estava “morando de favor”. Permitia-me, também, continuar esculpindo nos momentos de folga.
Ah, as esculturas, minha paixão, estiveram sempre comigo! Meu pai restaurava peças de mármore e me ensinou a esculpir usando retalhos de pedra. Na fundição, eu economizava cada centavo para imortalizar, em bronze, minhas pequenas criações.
Aos catorze anos, aconteceu de novo: morri e desmorri bem rápido. Tio Olavo se aborreceu. Era ”má publicidade”. Vendeu minhas estatuetas “pra pagar o prejuízo”. Um comprador, dono de galeria, gostou delas e me arranjou uma bolsa para estudar artes plásticas.
− Se ele vai perder tempo estudando desenho, − disse tio Olavo − é melhor arrumar um emprego de verdade pra se sustentar.
Fui trabalhar na galeria. Trabalho fácil, estudo interessante, muito tempo livre, material à vontade para esculpir, passeios a museus... era o paraíso! E o paraíso é o inferno quando aparece assim, de repente, para quem não está acostumado com a boa vida. Comecei a pensar na morte.
As esculturas vendiam bem... e eu pensando na morte. Eu ganhava prêmios... e pensava na morte. Minha exposição era um sucesso... e a morte me fazia delirar.
Delírio ou visão? Não sei.
Eu ia fazer vinte e um anos e cismei que morreria de novo e, dessa vez, poderiam me enterrar vivo. O terror foi tanto que passei mal. O mundo se transformou numa neblina brilhante. Um anjo de mármore apareceu e falou comigo. Disse que meu mal nunca mais me atacaria se, a cada sete anos, eu doasse uma escultura para um cemitério. Seriam sete esculturas, uma a cada sete anos, o anjo da visão me disse.
A primeira doação foi para meu próprio pai, que faleceu no mês seguinte. Fiz um anjo da saudade. Meu tio Olavo gostou tanto que se ofereceu para me aceitar de volta na fundição. Abri mão da oferta porque estava com exposição marcada fora do país.
O túmulo de minha mãe, morta sete anos depois, recebeu a escultura de uma pranteadora. Eu ainda estava rezando quando tio Olavo bateu no meu ombro.
− Voltou da Europa pra enterrar os parentes? Veio fazer bonito pros jornais mostrarem como o “grande artista” é generoso?
Olhei incrédulo para ele.
− Pare de me olhar com essa cara de abutre! E guarde suas esculturas pro seu enterro! Eu ainda vou viver muito.
E viveu mesmo. Doei outras esculturas para pessoas desconhecidas, a cada sete anos. Meu mal nunca mais me afligiu. Enriqueci, envelheci e esperei. Esperei, ansiosamente, a morte de tio Olavo. Preparei, com todo ódio, a escultura de seu túmulo: a escultura de um velho com olhos maus, deixando cair um livro de contabilidade.
No ano em que eu deveria entregar a sétima escultura, tio Olavo adoeceu. Obstinadamente, aguardei seu falecimento, porém meu aniversário chegou e tio Olavo melhorou.
Morri ao receber a notícia de sua saída do hospital. O velho miserável me enterrou mais que depressa e ainda mandou colocar sua escultura por cima do meu cadáver.
Agora estou enterrado, mas continuo bem vivo. Quem quiser uma prova é só visitar meu túmulo, pois, de sete em sete anos, quando faço aniversário, o livro da escultura se abre e, em vez de contabilidade, suas páginas metálicas ilustram a história da minha vida.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Proposta para um museu temático sui generis


Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Há dias, propuseram-me, em forma de desafio, que eu apresentasse um projeto de museu que, no meu modesto modo de entender, seria bom que nossa cidade tivesse.
Os eventuais leitores destas linhas talvez se surpreendam pelo inusitado da proposta que farei, mas posso assegurar que ela é fruto de um projeto no qual muito refleti. Se for utópico, paciência, parece-me que um pouco de utopia pode fazer bem ao equilíbrio geral da humanidade. E também ao nosso equilíbrio psicológico e emocional.
A ideia me veio a propósito de uma interessante conferência a que assisti, no SESC de Piracicaba, de uma professora da USP, sobre uma nova tendência da culinária mundial, chamada Comfort Food (em tradução livre, alimentação emocional).
O Comfort Food é um desdobramento, uma derivação do Slow Food, movimento que nasceu na Itália, em oposição à proliferação de MacDonalds. O Slow Food já é bem conhecido, tem numerosos seguidores aqui em Piracicaba e não me estenderei sobre ele. Já o Comfort Food é mais recente, nasceu nos Estados Unidos entre gastrônomos e psicólogos ligados ao Slow Food.
Que prega o Comfort Food? Prega que se procure, pelo menos uma ou duas vezes por semana, saborear algum alimento que, emocionalmente, pelo cheiro, pelo sabor, pelo contexto em que é saboreado, nos remeta para a infância, trazendo consigo aquela série de sensações boas, agradáveis, próprias da infância: aconchego, proteção, segurança, carinho, amor, afeto, paz etc.
Isso deve ser realizado sem preocupações dietéticas, sem pressa, sem frenesi, sem emoção. É algo mais passivo e contemplativo do que ativo e racional. O Comfort Food sustenta que, do ponto de vista emocional e psicológico, é enorme o bem que esse costume, desde que praticado duas ou três vezes por semana, pode fazer a todos.
O curioso é que varia muito de pessoa para pessoa, o alimento que mais produz esse efeito. Proust, a partir das madeleines mergulhadas no chá, remeteu seu espírito imediatamente para o ambiente da casa de sua avó, e a partir desse minúsculo episódio deu início à prodigiosa narrativa de Em busca do tempo perdido. Ele descreve o cheiro, o sabor, a fumaça que saía da xícara e, a partir dali, por associação de idéias e de imagens, se desdobra o seu maravilhoso livro...
Para algumas pessoas, o cheiro do café sendo coado desperta esse sentimento. Para outros, será o do pão ou o do bolo de fubá saindo do forno. Para outros, um suculento arroz com feijão. Para outros, será o chocolate, a espiga de milho verde cozida ou assada na brasa, o prato fumegante de canja de galinha, o lambarizinho pescado na lagoa, passado na farinha e frito, ou singelos bolinhos de arroz que a mãe fazia, ou, ou, ou... os exemplos poderiam se multiplicar ao infinito.
Conheço um ilustre acadêmico, escritor e mestre consagrado, que do alto de seus oitenta e tantos anos não hesita: quando encontra na rua um vendedor de amendoim torrado, religiosamente pára, compra e come em silêncio. Para ele, trata-se de um retorno à infância, no mais autêntico espírito de comfort food.
Conheço um advogado bem sucedido, de meia-idade, louco por aqueles cones crocantes que são vendidos na rua, levados geralmente em latas, por vendedores que chamam a atenção dos passantes com um som estridente característico. Ignoro o nome desses petiscos. Mas sei que são exatamente como eram quando eu era criança. E sei que naquele tempo já eram velhos. Pois esse meu amigo é capaz de parar o carro e sair correndo atrás do vendedor, para não perder a possibilidade de, ele também, retornar à infância. É capaz de faltar a uma audiência, de perder um prazo processual... mas não perde a oportunidade de saborear aquilo. Comfort food...
A professora da USP que fez a palestra no SESC começou pedindo aos assistentes que recordassem um cheiro e um sabor da infância. As respostas foram numerosas e muito variadas. Mas quase todos recordaram, curiosamente, algum cheiro de comida, ou alguma comida com cheiro muito característico.
De fato, trata-se de algo em que olfato e paladar atuam juntos.
Daí surgiu meu desejo de constituir um Museu dos Odores e dos Sabores. A sigla, MOS, em latim significa costume, hábito, uso constante.
Vivemos num tempo de globalização, de cosmopolitização, de padronização. É cada vez mais raro termos o gosto de cheirar e saborear algum alimento feito em casa, com carinho, com capricho, com o condão maravilhoso de nos remeter à infância.
Nas reuniões de diretoria da Academia Piracicabana de Letras, com frequência costumamos levar, de casa, para compartilhar com os colegas e amigos, alguma pequena guloseima caseira. Pode ser um despretensioso bolo de fubá, uma singela torta, uns biscoitos de araruta ou uns deliciosos docinhos sírios, receita secreta de família não revelada nem em confessionário...
Acredito que muito da união que nossa turma vem mantendo, ao longo de mais de dois anos de trabalho, se deve a esse pequeno costume, tão salutar, tão brasileiro e tão fora de moda. Hoje, ninguém mais faz isso, todos preferem comprar um “refri” e um saquinho de salgadinhos ou docinhos hidrogenados...
O desejo que eu teria seria um museu em que se procurasse, sistematicamente, restaurar os cheiros e os sabores de antigamente.
Como fazer isso? Sinceramente, não sei ao certo.
Uma possibilidade seria esse museu ter salas e ambientes montados e decorados de modos variados, que remetessem a outras eras. Um salão do século XIX, uma cozinha de fazenda ou de roça antiga, um armazém “de secos e molhados” (como ainda pegamos em nossa remota infância) com postas de bacalhau empilhadas e imensas tinas cheias de azeitonas em salmoura, um curral de onde se tira leite no contexto (e até com os odores e prosaísmos próprios de um curral), uma cozinha cheia de presuntos e linguiças penduradas (por favor, não me falem em colesterol, sim? Isso é palavrão! Nem em dietas e regimes. Isso é pecado!), um pomar em que as goiabas tenham bicho, mas também sejam saborosas, e não nasçam já pudicamente embrulhadas naqueles saquinhos de papel celofane, mas insípidas e com consistência de isopor... Enfim, são tantas as possibilidades que nem há como enunciar todas aqui.
Os visitantes poderiam, livremente, ser incentivados a se integrarem nesses ambientes, a eles mesmos acenderem o fogão de lenha, a prepararem seus alimentos, a convidarem outros a saboreá-los. Seria, portanto, um museu interativo, onde os visitantes não se limitassem a uma contemplação passiva, mas participassem do ambiente, ajudassem a produzir o ambiente, mergulhassem juntos no passado, com seus cheiros e seus sabores inconfundíveis. Seria um museu com algo de clube, algo de casa de família, algo de espaço de lazer.
Acredito que uma coisa dessas, se descer um pouco do nível dos sonhos em que a estou colocando neste artigo descompromissado e for assentada mais concretamente, sobre bases reais, poderia ser algo fabulosamente incrível.
Esse museu não precisa de acervo grande e caro, o acervo mais precioso dele são as próprias pessoas que o visitam. Local? Qualquer lugar serve. O problema não é esse. O problema é mais transportar psicologicamente as pessoas para esse ambiente, do que transportá-las fisicamente para as dependências climatizadas de um museu ISO-9000, cheio de aparelhos contra incêndio e de placas “é proibido fumar”.
Aliás, um cheirinho de cigarro de palha, nesse ambiente, até não ficaria mal... Ou uma caixinha de oloroso rapé...
Também não precisaria de custosos aparelhos de ar condicionado. Para que usá-los, se os leques e os abanos são tão mais poéticos, além de não produzirem alergias nem infecções respiratórias?
Som? Sim, pode ter som, não há dúvida, desde que ninguém pense em aparelhos estereofônicos ambientados com high fidelity. No máximo, um velho rádio, de válvulas, transmitindo um programa inesquecível como “Nos caminhos da saudade” do meu amigo Fábio Monteiro .
Como veem, o projeto está ainda muito embrionário. Se alguém quiser dar sugestões ou fazer críticas, por favor, não se omita.
Será apenas um sonho?
Talvez. Mas, como escreveu Fernando Pessoa, “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”...

domingo, 24 de julho de 2011

Homenagem ao meu Patrono *



Aracy Duarte Ferrari
Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
            José Mathias Bragion, que também assinara J. Mathias Bragion, nascido em Piracicaba-SP em 1926, foi professor, contador, escritor, poeta, articulista, contista e cronista. Casou-se em 1956 com Maria Dalva Pretti Bragion, professora, e tiveram seis filhos. Faleceu em 1994.
Passou sua infância nas cidades de Rio claro e Bauru, retornando na adolescência para sua terra natal, onde iniciou seu envolvimento literário.
Fez seus estudos em Piracicaba na escola de comércio Cristóvão Colombo, curso de contabilidade. E, na escola Martha Watts, formou-se no curso de magistério em 1953, cursou administração escolar em Tietê-SP, anos 1960-1961. Em Campinas, na PUC, ingressou com brilhantismo no curso de Direito, 1964, mas não frequentou porque percebeu sua aptidão para letras. Desde cedo iniciou seus escritos (palavra usada por ele) escrevendo poesias, artigos, crônicas, contos.
Em 1953 lecionou nos municípios de Osvaldo Cruz, Ameliópilis, Igaratá e Jundiaí. Removeu-se para Piracicaba, exercendo sua profissão no então grupo escolar Barão do Rio Branco de 1962 a 1984, ano de sua aposentadoria.
Dedicou-se com profissionalismo em seu trabalho didático-pedagógico (professor) e no envolvimento com a literatura, com a qual se identificava. Ocupou a cadeira numero 80 da Academia Piracicabana de Letras. Publicou o livro “Revoadas” em 1993, de versos, quadras, sonetos e poesias.
Seus grandes incentivadores foram os familiares e amigos. O poeta de espírito nobre, alegre, honesto e dedicado a família, recebeu homenagens do Centro do Professorado Paulista, da Secretaria do Estado de Educação e póstuma do prof. Silvio Arzolla.
Extraído do livro “REVOADAS”:
“... Trato de poesias, por mim escritas há algumas décadas, outras ultimamente que ora dão formação ao presente exemplar, devido a persistente exigência de diletos amigos e, quiçá, de um número de simpáticos e generosos leitores... Em se tratando de idéias e pensamentos cujos objetivos são o de alcançar um agradável espairecimento, o que aconteceu com o autor, ao escrever, espera-se, agora, resulte o mesmo a quem o lê.
Os efeitos das substâncias materiais assimiladas por uma pessoa podem ser fracos, fortes ou indiferentes, o que nos induz a um paralelo no universo das expressões, mormente quando a composição abrange a variedade de temas, como a diversificação da forma no processo poético. Assim tudo depende em parte do estado anímico de cada pessoa.
O que se torna indispensável, parece-nos, a quem verseja, é que haja a existência da essência da poesia, porque esta exala sempre os eflúvios do amor...”
Entre muitos outros trabalhos não publicados estão Soneto - Poesia, o Lobo e o Mar, -Pseudo­-Fábula - O passarinho impossível, a Cobaia e o Sapo,  Conto - a Gaita do Zé Pretinho, 1979 coisas do magistério (Um Menino chamado Braz), Crônicas - Crônica de Natal, - Os Apelidos, 1972 - A Capa de Noé, - um bom papo, 1978 - Notas Românticas; - Feliz Ano Novo.
José Mathias Bragion, em suas produções, deixou fluir sua formação de professor- educador-literato.

Enriquecendo a Biografia, alguns escritos do meu Patrono:

                                           
                                                    CONFISSÃO

Às vezes no verão dos meus desejos,                   Mas, vês, meu coração, bom,sempiterno,
Liberto-me a voar virando a chama                      Em ser-te fiel, assim, sofre o castigo
Azul de um fogo fátuo que se inflama,                 De todas tentações do mundo hodierno.
Levando a solidão os meus lampejos.

Se penso em mais te amar, se não te vejo,            E, ponho-me a cismar... se há um mal moderno,
Confesso-me fiel, pois quem me ama,                  Não devo ser modal, mas sempre antigo,                  
Exalta, sem parar, o que proclama,                       Porque, sem teu calor, sou gelo eterno.
Decerto, um grande Amor, em doido beijo.  
                     
(Tribuna Piracicabana, 25/10/1991)

                                                         SONETO

À cúpula celeste estrelada                                     E sobre a claridade, consagrada
Aumenta-me a saudade feiticeira                        Do palor,virtude altaneira,
Que sonho ver à noite minha amada             Sorri o nosso amor,estrela enamorada!                         
Que é da minha alma companheira.

No céu das emoções, tão adorada,                     Estrela sedução!..que, na jornada
Sorri-me sua graça, tão faceira                                Da vida, me ilumina a vida inteira,
Que vejo-lhe mais vida, comparada                    Sendo, por minha alma idolatrada.                         
À vida de uma estrela verdadeira.

                                                                                                         (18/06/1950


                                                  REVOADA

Antes que o sol apareça,                                                
Vou soltando uns pobres versos,
Trazendo uma inovação,                                     Para os espaços dispersos,                                   
Antes que o bem aconteça,                                            Sobrevoando a emoção,    
Varrendo uma inquietação,                                           Onde há sonhos diversos,
Antes que tudo se meça;                                                No crepúsculo ou clarão,
Pela escala da aflição,                                                    Matutino, sem reversos.
Antes que tudo esmoreça,                                             Voando longe do chão,
Entre o caos da solidão,                                                Os sentimentos só são,
Antes que a luz se renasça,                                           Lembrando cantos e ninhos,
Sob os vitrais da afeição,                                               Meus queridos passarinhos,
No templo, que sofre e passa,                                      Tão filhos do coração.
Da vida, em boa intenção,


* Nota do Editor: A presente homenagem deveria ter sido publicada no segundo número da nossa Revista, mas por lamentável falha nossa, deixou de sê-lo. Aqui a publicamos, com nossos pedidos de desculpas à autora e à família do homenageado.

sábado, 23 de julho de 2011

Desobstrução arterial

 Antonio Carlos Neder
Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra


Muitas vezes nossas artérias lembram canos velhos de metal, que enferrujam com o tempo e acumulam resíduos até entupirem por completo. Por analogia é mais ou menos o que ocorre nas doenças que danificam os vasos sanguíneos.
A arteriosclerose é associada a dezessete milhões de morte no mundo por ano. Marcada pela formação de placas de gordura que impedem a passagem do sangue, a arteriosclerose em geral é fatal, quando afeta as artérias do coração, ou do cérebro, órgãos que resistem apenas poucos minutos sem oxigênio.
Parece paradoxal, mas pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul descobriram que um tipo de hormônio produzido pelo organismo, com estrutura similar à das gorduras, as prostaglandinas, que pode auxiliar no tratamento e até na prevenção do problema.
Utilizando-se prostaglandinas, a equipe do bioquímico Paulo Ivo Homem de Bittencourt Júnior produziu um composto que, em experimento com camundongos, mostrou-se capaz de dissolver placas de gordura que acumulam nas artérias − os ateromas, como dizem os médicos. Essa formulação, que recebeu o nome provisório de Lipocardium, também impediu a formação de placas, consequência do consumo de alimentos gordurosos, do tabagismo e do sedentarismo.
Caso se demonstre a segurança e eficácia desse composto, nos futuros testes com coelhos, cães e seres humanos, é possível que em até dez anos chegue às farmácias um medicamento novo para evitar a formação de placas que impedem a circulação normal do sangue.
Fabricadas em pequenas quantidades no interior das células, as prostaglandinas formam uma vasta família de moléculas pequenas – cada uma delas com ações distintas nas diferentes partes do corpo, que vão desde o controle da pressão arterial até a ativação do centro cerebral da dor.
Como resultado, os lipossomos mergulhados no sangue se enroscam nas moléculas de adesão ao passarem pelo ferimento e, como o cavalo recheado de guerreiros que os gregos ofertaram aos troianos, são absorvidos pelas células avariadas. Assim, as prostaglandinas atuam apenas no ponto desejado sem gerar efeitos indesejáveis. Eis a principal diferença entre o composto desenvolvido pelos pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e os outros medicamentos usados no combate à arteriosclerose − as estatinas, por exemplo, que atuam de outra forma e reduzem o risco da arteriosclerose porque inibem a produção de colesterol, em especial no fígado. “Além de usado para tratar a arteriosclerose, o composto à base de prostaglandina talvez possa prevenir a formação de ateromas nos casos em que há histórico familiar de colesterol alto” – diz Homem de Bittencourt, que já obteve o registro da patente da nova formulação no INPI – Instituto Nacional de Patentes Industriais.
Enquanto essa nova medicação não entra no mercado, devemos nos resguardar, visitando periodicamente o consultório médico e, por certo, sairemos de lá com pedidos de exame-controle, visando o colesterol, a glicemia, os trigliceres, além do hemograma completo.
Para completar esses cuidados, haverá sempre, independente dos resultados dos exames laboratoriais, atenção especial com a alimentação gordurosa, tabagismo, alcoolismo, dieta de sal e açúcar, além de evitarmos o estresse e o sedentarismo.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

UM DIA


 Antonio Carlos Fusatto
Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda


Cansado de muito vagar,
sentei-me à beira-mar,
e me pus a ver o mundo

O sol rompendo nuvens no horizonte,
bailando sobre os montes.

O ondular das águas,
a certeza da vida,
revoada de pássaros
invadindo o espaço...

Vejo corpos procurando
corpos...
Vidas procurando
vidas...

terça-feira, 19 de julho de 2011

I Concurso de Microcontos de Humor de Piracicaba


Regulamento

1 – Tema:
A Prefeitura do Município de Piracicaba através da Secretaria Municipal da Ação Cultural/Centro Nacional de Humor de Piracicaba e a Biblioteca Pública Municipal de Piracicaba “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto” estabelece as normas para a participação no I CONCURSO DE MICROCONTOS DE HUMOR DE PIRACICABA que fará parte da programação do 38º Salão Internacional de Humor de Piracicaba/2011. Conforme Lei Municipal nº 7064 de 06 de julho de 2011.
Os participantes deverão escrever um microconto com até 140 caracteres, incluindo o título. Itens como pontuação e espaçamento também são contados como caracter. O microconto deverá ser enviado no formato: .doc (word 97/2000/2003).
Além da premiação, terá seu trabalho divulgado no:
1 - Site do Salão Internacional Humor: http://www.salaodehumor.piracicaba.sp.gov.br
2 - Blog do programa radiofônico “Educativa nas letras”: http://www.educativanas letras.blogspot.com.br
3 - Blog da Biblioteca Municipal de Piracicaba: http:// biblioteca.piracicaba.sp.gov.br
4 - Twitter: http://www.twitter.com/microcontospira

2 – Categorias:
Todas as faixas etárias podem participar do concurso, exceto a comissão julgadora.

3 – Participação:
3.1 – O microconto deverá ser enviado para o e-mail: microntos@piracicaba.sp.gov.br
3.2 – Cada participante poderá enviar somente um microconto;
3.3 – O microconto deve apresentar teor humorístico e o tema é livre;
3.4 – O microconto deverá ser enviado por e-mail em arquivo anexo nominado com o titulo do microconto, contendo também a ficha de inscrição com a identificação, constando de título, nome e endereço completos e telefone. Preencher a ficha de inscrição disponível na internet nos endereços:
http://biblioteca.piracicaba.sp.gov.br/

http://salaodehumor.piracicaba.sp.gov.br/

3.5 – Os vencedores do concurso declaram, desde já, serem de suas autorias os microcontos encaminhados ao concurso ao mesmo tempo que cedem e transferem à Biblioteca Publica Municipal , sem quaisquer ônus para esta em caráter definitivo, plena e totalmente, todos os direitos autorais sobre os referidos microcontos, para qualquer tipo de utilização, publicação ou reprodução na divulgação do resultado.

4- Prazos:
Envio dos microcontos até: 18 de julho a 14 de agosto.
Data do resultado: 12 de setembro de 2011.
Premiação: 15 de outubro de 2011, às 20 horas no Anfiteatro da Biblioteca Municipal.

5 – Comissões:
O I premio de Microcontos de humor contará com duas comissões:
1- Comissão de Organização: contará com representantes do Centro Nacional de Humor de Piracicaba, Presidente do 38º Salão Internacional do Humor, da Biblioteca Pública Municipal de Piracicaba e a (o) Secretária (o) Municipal da Ação Cultural que tem a função de organização do Concurso, da indicação dos membros da Comissão de Seleção e Premiação e da solenidade de premiação .
2-A Comissão de Seleção e Premiação se encarregará de selecionar os 100 melhores microcontos de humor para fazer parte de uma publicação e destes 100, deverá escolher os 3 melhores trabalhos classificando-os em 1º, 2º e 3º lugar para uma premiação especial.
A decisão desta comissão será soberana e irrecorrível.

6 – Composição:
A Comissão de Seleção e premiação poderá será composta de pessoas da área literária como: escritores, humoristas e jornalistas.

7 – Premiação:
1º lugar – R$ 800,00 (oitocentos reais); 2º lugar – R$ 500,00 (quinhentos reais) e 3º lugar – R$300,00 (trezentos reais).

8 - Disposições Finais:
8.1 – Serão automaticamente desclassificados os trabalhos encaminhados fora do prazo estipulado e/ou não estiverem dentro das normas estabelecidas neste regulamento;
8.2 – A participação neste concurso cultural implica na aceitação irrestrita deste regulamento;
8.3 – O participante autoriza, desde já, a utilização de seu nome e imagem para fins de divulgação/promoção do concurso literário.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

SER CIDADÃO É...

André Bueno Oliveira
Cadeira n° 14 - Patrona: Branca Motta de Toledo Sachs




“Casas entre bananeiras,
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham”.
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(Carlos Drummond de Andrade)


Missão cumprida! Dois anos de labuta e finalmente mais um Certificado nas mãos. Não sei explicar o porquê, mas sempre tive um certo receio da Pós-Graduação. Quando chegamos aqui em Wooster, a “Ohio State University” (OSU) parecia uma íngreme montanha. Intransponível! Mas com a paciência de todo e qualquer alpinista, eu a fui conquistando. Palmo a palmo, passo a passo, metro por metro. E orgulhosamente, levo meu troféu para casa. A prova da escalada! Amanhã mesmo embarcamos em Chicago, com escala em Miami e daí...Brasil à vista!!! Graças a Deus! Não aguento mais o frio desta região centro-norte. Marisa adora. Eu detesto. Ela diz que é um clima maravilhoso para degustar os bons vinhos. Eu já prefiro o calorzão do Brasil e as loiras geladas. Karina não diz nada. Também, com três aninhos apenas, ainda não está em condições de opinar. O importante é que amanhã partimos, e depois de amanhã, antevéspera do Natal, estaremos lá com nossos familiares, em minha cidade. Sim! Minha cidade grande! Digo minha, porque foi nela que passei minha infância, minha juventude. Minha, porque nela fixei residência e lá está a maioria de meus amigos. É nela que moram meus pais e os de Marisa. Me conduziu ao caminho da sabedoria, dando-me um diploma de Curso Universitário. Minha, porque me ofertou Marisa por esposa, e também por ter sido o palco de um presépio vivo, onde vi nascer nossa pequerrucha Karina! Não que eu esteja menosprezando minha cidade natal! Nada disso. Absolutamente, não! Mairinque é um docinho! De vez em quando ainda passo por lá para visitar vovó Zumira que já está velhinha. E também para rever a casa onde mamãe enterrou meu umbigo. Ela gostaria que ficássemos lá eternamente, enquanto vivêssemos. Papai trabalhava na Estrada de Ferro Sorocabana. A casa onde morávamos era grande. Tinha três quartos enormes. Vovó e vovô moravam com a gente. Aliás, a ideia de enterrar meu umbigo no quintal, segundo mamãe, foi justamente de vovô. Seo Zé Bigode! Grande José! Metido a cururueiro. Nada me lembro dele, mas papai me conta que era um bom cantador. Bom perante os concorrentes de Mairinque, lógico, pois nas redondezas, alguns nomes famosos o amedrontavam. Jamais arriscaria uma disputa com eles. Seu palco era mesmo nos botecos, nos churrascos com os amigos, na cancha de bocha e até, de vez em quando, nas quermesses da Igreja Matriz de São José. Também era apaixonado pela dupla Tonico e Tinoco. Segundo papai, ele conhecia quase todo o repertório deles. Dedilhava razoavelmente bem sua violinha caipira, e nos duetos fazia sempre a segunda voz. Qualquer um lhe servia de parceiro, desde que tivesse voz aguda para fazer a primeira. Porém, sua satisfação maior era ser acompanhado pelo violeiro Tião Canário. Esse era o melhor de todos. E o apelido Canário, não era porque cantasse, mas sim por ser passarinheiro. Melhor amigo de vovô, que também tinha uma predileção por canários-da-terra, curiós e pintassilgos. Sem resultados, vovó  que era uma defensora ferrenha da Flora e da Fauna  persistia em discutir com ele por causa disso. “Sorta os bichinho, Zé! Sorta eles lá na capoeira do corgo Tijuco. Dá liberdade pros coitadinho!” Mas que nada! Seo Zé Bigode ganhava uns bons trocados em suas negociatas. Imagina que iria soltá-los! Jamais! E sempre encontrava um bom argumento. “Larga de falá bestera, muié. Se eu sortá, os coitado morre tudo de fome! Eles não sabe mais procurá comida ”!!! Até hoje papai se empolga ao narrar as façanhas do vovô Bigode.
Quando saímos de Mairinque eu tinha apenas quatro anos. Papai recebeu uma promoção da Sorocabana, que exigia também uma transferência de cidade. Foi quando deixamos nossa “village” para encarar a “Cidade Grande”. Vovó e vovô ainda ficaram lá. No ano seguinte, porém, ele veio a falecer. Enfarte do miocárdio. Fulminante! Papai dizia que era chegado a uma gordurinha. Principalmente aquela que enfeita as picanhas. Coitado! Era daquele tipo de pessoas que só ia a médicos, caso sentisse alguma dor insuportável, ou visse muito sangue escorrendo. Como aparentemente tinha uma saúde de aço, nunca fora a médico algum. Talvez pela pouca idade que eu tinha, não consigo puxar dos arquivos de minha mente algum acontecimento, algum fato, ou algo que tivesse ressaltado o convívio dele comigo. Não consigo. Apenas o vejo em fotos, mas nada de lembranças. De vovó, sim! Depois que ficou viúva, tia Marta, tio Chico, mais as filhas Lurdinha e Miriam, (ah! que primas lindas!!! crianças inocentes, brincávamos de namorados...) foram morar com ela. E nós íamos frequentemente passear na casa de vovó. Principalmente durante a safra de milho verde. Ninguém fazia um curau ou pamonha como vovó. Ninguém! Sou suspeito para dizer isso, mas a vizinhança toda elogiava dona Zumira por esse dom especial. E o bolo de milho, então? Sem comentários! Também pudera! Ela o fazia no fogão a lenha, que ficava dentro da própria cozinha! Às vezes fazia uma fumaceira danada!
Por tudo isso, ou pelo pouco que isso represente, não posso esquecer Mairinque. É minha terra-mãe-biológica, mas não me criou, não me viu crescer, não me viu viver! Nada me deu, além de uma Certidão de Nascimento e estas saudosas reminiscências.
Mas não é para lá que vou retornar. A “village” ficou para trás. Vou voltar à minha “cidade grande”. Minha grande cidade! Onde o asfalto se prostra nas ruas e avenidas, oferecendo-se como tapetes negros àquela enorme quantidade de veículos que desfila incansavelmente, ao som das buzinas, que desafinam num descompasso insuportável com os chiados agudos das freadas bruscas. É para lá que voltarei! Onde prédios de apartamentos brotam da terra como sementes plantadas durante a noite, e no dia seguinte, como por milagre, lá estão: eretos, imponentes, coloridos, contemplando os céus e querendo apalpar as nuvens baixas. Lá, onde a busca pelo saber acorda de manhãzinha juntamente com os pássaros, e a algazarra e o vozerio agudo das crianças (também em bando) ecoam pelas praças e ruas circunvizinhas às escolas e colégios. Vou voltar e rever aquelas praças saudosas, onde os bancos dos jardins nos encaram de frente e causam a impressão que se lembram da gente! Que já fomos companheiros! Onde as flores parecem as mesmas de antigamente, plantadas nos mesmos lugares como se fossem imortais, eternas, sempre sorridentes a nos dizer bom dia quando passamos por elas. Voltar e rever a agitação da vida industrial, representada pelo barulho ensurdecedor das máquinas e pelas fumaças saindo das chaminés das fábricas, poluindo sim nossa natureza, − mal inevitável, infelizmente − mas provendo o sustento das famílias. Caminhar pelas ruas centrais e ver o comércio vivo aquecendo o sangue de toda a população, que busca cada vez mais um melhor conforto à sua vida. Voltar, enfim, e matar a saudade de tudo o que existe em minha cidade. Minha grande cidade! Matar a saudade de seu rio, maravilhoso na época das chuvas. De seu “Salto” volumoso e gigantesco visto do “Mirante”. Da Rua do Porto, com seus bares, lanchonetes e restaurantes, à margem esquerda do rio. E principalmente, da ESALQ: a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. A minha escola. Aquela que me acolheu durante os melhores cinco anos de minha vida. E quero também rever a minha árvore. Sim. A nossa frondosa árvore. A árvore de minha turma: a “Laranjeira-da-mata”. A pomposa Zollernia ilicifolia, que com minhas próprias mãos ajudei a plantar. A última vez que a vi, devia estar medindo uns oito metros de altura. Vou mostrar a ela meu novo diploma, abraçá-la carinhosamente e desejar-lhe uma saudável longevidade. Pelo menos mais uns cinquenta anos! E vou acrescentar: “quero estar vivinho da silva para celebrarmos juntos esse aniversário”. Em seguida, ao me retirar do campus da Universidade, quero vagar a esmo pelas ruas e avenidas da cidade, cantarolando baixinho aqueles versos maravilhosos que eu e Marisa entoamos com frequência aqui nos Estados Unidos, quando a saudade pega pra valer: “...ninguém compreende a grande dor que sente, o filho ausente a suspirar por ti...”
Mairinque pode te ficado com meu umbigo, mas tudo o que ainda resta em mim, deixarei lá em minha cidade. Minha linda Piracicaba! Minha “cidade grande”! Tão grande quanto o amor que por ela sinto.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Lançamento do livro de Elias Jorge



O escritor e acadêmico da APL, Elias Jorge,  ao lado de Fátima Falone, autografando seu mais novo romance,  "A janela continuava fechada" durante coquetel no salão do Clube Coronel Barbosa.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

CONVITE


O Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes

Têm a grata satisfação de convidar V.S.a para a palestra a ser proferida pelo ilustre Diretor da Pinacoteca Municipal Miguel Dutra e Presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba – CODEPAC

Dr. Lauro Jerônimo Annichino Pinotti

Tema: Patrimônio Histórico de Piracicaba.

Local: Auditório Profa. Helena R. Benetton
Museu H.P. Prudente de Moraes

Rua Santo Antonio, 641

Data: 23 de julho de 2011 – Hora: 9h30


Pedro Caldari                                             Maria  Antonieta Sachs Mendes
Presidente do IHGP                        Diretora Museu H. P. Prudente de Moraes

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Oficina de Criatividade Literária com o Prof. Armando Alexandre

Professor Armando Alexandre dos Santos - Acadêmio da APL

Oficina gratuita de Criatividade Literária
na Biblioteca Municipal

Nos dias 13, 14 e 15 de julho, das 14h às 16h, acontece na Biblioteca Pública Municipal de Piracicaba “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”, a Oficina de Criatividade Literária.
As aulas são ministradas por Armando Alexandre dos Santos, professor, jornalista e autor de 34 livros, com experiência de aproximados 30 anos na área de literatura e jornalismo, ensinando técnicas simples e acessíveis para a exploração do potencial criativo.
A oficina tem como finalidade definir a noção de criatividade destacando a importância da mesma em qualquer ramo da atividade humana. O tema da criatividade se focará na área de atuação da leitura e da escrita. 
 

Oficina de Criatividade Literária.
Data: 13, 14 e 15 de julho - Quarta, quinta e sexta-feira.
Horário: das 14h às 16h – Inscrições Gratuitas.
Local: Anfiteatro da Biblioteca Pública Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto” – Rua do Vergueiro, nº145 - Centro, Piracicaba.
Contato: (19) 3434-9032 ou (19) 3433-3674
13/07,  14/07 e 15/07

ESCOLA DO ESCRITOR

terça-feira, 5 de julho de 2011

Lançamentos, posse e entrega de Medalhas na APL

Em reunião festiva no anfiteatro da Biblioteca Municipal  "Ricardo ferraz de Arruda Pinto" a Academia Piracicabana de Letras empossou três novos membros, lançou a terceira Revista da Academia, o acadêmico Geraldo Victorino de França lançou o terceiro volume da série "Aprendendo com o Voinho" e os membros presentes receberam as medalhas

 (clique nas fotos p/ ampliar)
A Presidente da Academia Piracicabana de Letras Maria Helena Aguiar Corazza com a Secretária de Cultura Rosangela Camolesi

Vista parcial do anfiteatro da Biblioteca Municipal "Ricardo Ferraz de Arruda Pinto"

Mestre de Cerimônias Alexandre Neder

Rosangela Camolesi em seu breve discurso

Maria Helena Corazza empossando a escritora  Marisa Fillet Bueloni

A presidente empossando a escritora Valdiza Maria Caprânico

O novo acadêmico Toshio  Icizuka


Composição de parte da mesa


Maria Helena Corazza e Armando Alexandre dos Santos

Acadêmico Geraldo Victorino de França autografando o seu livro "Aprendendo com o Voinho vol 3" para o Monsenhor Jamil
Geraldo, Marisa, Ivana e João Athayde


Maria Helena e Gregorio Marchiori Neto
 
Andre Bueno e Alexandre Neder

Antonio Carlos Fusatto e Andre Bueno Oliveira

Rosangela e Antonio Carlos Neder


Aracy Duarte Ferrari e Carla Ceres

Carla Ceres e Carlos Moraes Junior


Carlos Moraes Junior e Cassio Negri

Cassio Negri e Cezario de Campos Ferrari

Cezario de Campos Ferrari e Elda Nympha Cobra Silveira

Elda Nympha Cobra Silveira e Elias Jorge
Elias Jorge e Elias Salum


Elias Salum e Evaldo Vicente
Felisbino de Almeida Leme e Geraldo Victorino de França
Geraldo Victorino de França e Gregorio Marchiori Netto
Gregorio Marchiori Netto e Gustavo Jacques Dias Alvim
Gustavo Alvim e Ivana Negri
Ivana Negri e Monsenhor Jamil Nassif Abib
Monsenhor Jamil Nassij e João Baptista de Souza Negreiros Athayde

João Baptista Athayde e João Umberto Nassif

João Nassif e Leda Coletti
Leda e Ivana
Maria Helena Corazza e Mônica Aguiar Corazza Stefani

Mônica Corazza e Marisa Bueloni

Antonio Carlos Fusatto e Valdiza Maria Caprânico
Waldemar Romano e Toshio  Icizuka
Felisbino e Rosaly de Almeida Leme
Waldemar Romano e Rosaly Curiacos de Almeida Leme

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz