Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

domingo, 29 de julho de 2012

Lançamento de livro


A presidente da Academia Piracicabana de Letras e seu esposo prestigiaram o lançamento do livro "Cruzes no Caminho" do Padre Giovanni Murazzo

sábado, 28 de julho de 2012

Medalha de Mérito Cultural 2012

Nove artistas de várias modalidades receberão medalhas de mérito cultural por destacarem-se em suas áreas e por promover a cultura piracicabana.
Ivana Negri, integrante da Academia Piracicabana de Letras, recebe a medalha "Branca Motta de Toledo Sacks" na área de Literatura.

TROFÉU “FABIANO RODRIGUES LOZANO”Jamil Maluf
DANÇA – Medalha “Iris Ast” Hélio Bejani
ARTES PLÁSTICAS – Medalha “Umberto Silveira Consentino”Eduardo Borges de Araújo
MÚSICA – Medalha “ Prof. Olênio de Arruda Veiga”André Micheletti
ARQUITETURA – Medalha “Serafino Corso”Celso Duarte 
LITERATURA Medalha “Profª Branca Motta de Toledo Sachs”Ivana Maria França de Negri
ARTES CÊNICAS – Medalha “José Maria Carvalho Ferreira”Laura Kiehl Lucci (em memória)
ARTES VISUAIS E FOTOGRAFIA – Medalha “Cícero Correa dos Santos”Willian Hussar
FOLCLORE E TRADIÇÕES POPULARES – Medalha “João Chiarini”Odete Martins Teixeira


LINGUAGEM VIVA
GAZETA PIRACICABANA
Tribuna Piracicabana

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Solidão branca

Antonio Carlos Fusatto
Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda


Lá fora,
alvo lençol de neve
cobre toda vastidão.

Na lareira,
crepitam pedaços do pinho,
na primavera abatido.

O sussurro do vento,
traz o frio, a saudade.
Uivar dos lobos ao luar,
forte nostalgia, o peito invade.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A difícil tarefa de escrever

Colaboração da Acadêmica Myria Machado Botelho
Cadeira n° 24 - Patrona: Maria Cecília Machado Bonachela

            Escrever é um ato sério. A passividade de uma folha em branco esconde armadilhas e comprometimentos. O que se fala é efêmero, mas aquilo que se imprime e se fixa exige reflexão, ponderação, cuidado, sobretudo conhecimento e apuro. O dever de informação e formação do escriba é vário em todas suas modalidades e não pode ser prejudicado pelo sectarismo – uma forma intransigente e apaixonada de dizer as coisas como se estas fossem certas e infalíveis, isto em se tratando de jornalismo. Ninguém é dono da verdade, contudo, podemos esforçar-nos para aproximar-nos quanto mais da veracidade que se constrói no repúdio a toda forma  duvidosa, em que as fontes possam ser falsas ou mentirosas.
            O trabalho de quem escreve é silencioso, sofrido e obscuro, nem sempre valorizado devidamente, tratando-se do escritor ficcionista e criador; são pequenas as consolações, exceto aquelas, parafraseando o poeta, anônimas e sem raízes, recebidas como bênçãos, “um repouso ao cansaço, um pouco de modéstia aos mais felizes, um pouco de bondade aos mais perversos.”
            Nos tempos que correm, o texto da era digital é veloz, cria cenários de comunicação planetária, uma revolução que muitos chegam a considerar como a morte da palavra escrita, e consequentemente o fim da arte literária. Em meio a esta revolução, surgem fatores desgastantes em detrimento do que se poderia considerar uma preocupação maior e mais cuidadosa para com a comunicação escrita. O descaso com a língua e a sintaxe, o estilo e a forma, uma superficialidade sustentada e revigorada pela tecnologia fácil, criou uma improvisação que ameaça desbancar o esmero, o cuidado e o esforço dos bons esgrimistas da palavra e as características indispensáveis do verdadeiro escritor. Para tudo, é necessário o preparo, o embasamento da leitura e do conhecimento e, logicamente, o talento. Acredito, contudo, que essa fase terá um fim, a bem de uma sobrevivência que, forçosamente, vai acontecer.
            Expressando suas experiências e introspecções, dentro de seu próprio mundo, o bom escritor tem uma responsabilidade social, imposta pela qualidade inata da inteligência e do engenho natural. No ambiente onde vive, dentro de sua comunidade, sua tarefa é a de entregar a realidade nas mãos dos leitores.
            Neste terceiro milênio, à sombra de todas as convulsões ocorridas no século passado, que muitos consideram o pior de todos os que o precederam no terreno da violência, das guerras, das lutas de classes e conflitos raciais, dos desregramentos morais e sexuais, sobretudo do materialismo sem Deus e contra Deus, as conquistas tecnológicas e científicas, estranho paradoxo, levaram o ser humano a regredir no terreno espiritual. Homens e mulheres desarmonizaram-se interiormente, sem saber o que fazer de si mesmos. Rompendo o próprio equilíbrio, romperam-se em consequência o equilíbrio ecológico e a estrutura da sobrevivência no planeta.
            O gosto pela boa leitura, o aprofundamento, o mergulho no vastíssimo oceano das ideias e da reflexão que tantos benefícios podem trazer ao conhecimento humano e aos relacionamentos, aprimorando o comportamento subjetivo e, consequentemente, a contribuição qualitativa exterior, vêm cedendo espaços para a superficialidade medíocre. Os bons escritores escasseiam e já integram o quadro das exceções.
           Por toda essa desordem, temos de admitir, somos responsáveis, estamos no mesmo barco e com ele afundaremos ou emergiremos.
            E o escritor? Deverá ele alienar-se e retirar-se, ou ainda restringir-se e comunicar ao mundo somente o lado amargo, cruel e triste de suas observações e experiências? Ou procurar suavizar a realidade, dourando-a com o tênue manto do sonho, da beleza e da fantasia? E no terreno mais doméstico, dentro de suas pequenas fronteiras, no restrito raio de alcance de seu trabalho inglório e de resultados tão relativos neste país tão dividido, em que o humilde escriba do interior representa tão pouco ou quase nada, sem apoio ou incentivo, deverá ele insistir ou fugir? Cremos sinceramente que não.
            Uma vez que as distâncias se encurtaram e as preocupações passaram a ser igualmente comuns; uma vez que a reciprocidade se tornou mais próxima e possível pelos meios de comunicação, é  dever continuar e contribuir com a pequenina parcela que lhe cabe.
            A literatura sempre será o instrumento mais sensível a serviço da criatura humana, além de ser um fator de unidade e ajuda recíproca. Em contato com os acontecimentos mais próximos e nessa mútua relação, a voz do escritor no seu idioma nativo deverá ser a força que agrega, une e preserva o espírito de uma comunidade, de uma nação. Partindo das próprias experiências e identificações, e devagar, se começa a trazer na própria direção o que acontece pelo mundo.
          Poetas, ficcionistas, jornalistas, historiadores e pensadores, quem senão estes, providos de sensibilidade e daquela indefinível chama de sensação intuitiva aliada à competência, poderiam ser melhores vigilantes da vida que pulsa ao redor, com toda sua pungência, seus acertos e fracassos, decepções e desencontros, com toda sua maravilhosa e doce utopia? Com toda sua memória preciosa e indispensável  para ser legada aos jovens e servir de arrimo aos mais velhos?
         O escritor é a testemunha de seu tempo. Pequeno ou grande, ousado ou tímido, na primeira frente ou na retaguarda, não importa. Com ímpeto ou doçura, carregando nas tintas ou suavizando-as, usando a palavra de forma envolvente e musical, ou tonitroando-a como imprecação, criando e dando vida eterna aos arquétipos imortais de tantas obras-primas, capazes das revoluções da alma e do mundo, plenas de um conteúdo inovador ou transformador – eis a força da palavra que nenhum computador e nenhuma revolução digital poderá substituir com igual amplitude, benefício e confiabilidade.     

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A dupla face da Igreja Católica

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado

O caso do bispo argentino fotografado há poucas semanas em circunstâncias escandalosas, impróprias a sua condição, ocupou páginas inteiras de alguns jornais, que aproveitaram a ocasião para criticar a Igreja Católica pela manutenção do celibato eclesiástico. Seu imediato pedido de renúncia, obviamente determinado pelo Vaticano, não mereceu o mesmo estardalhaço publicitário.
Criticar a Igreja é moda, em muitos ambientes. O preconceito anticatólico é o único preconceito admitido e até estimulado no mundo acadêmico, segundo afirma Thomas E. Woods Jr., professor norte-americano, na abertura do seu notável livro “Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental” (Editora Quadrante, São Paulo, 2008).
É óbvio que, infelizmente, inúmeros eclesiásticos dos vários níveis, até os mais elevados, não cumprem, como deveriam, suas obrigações. Há muita coisa na sua conduta que deveria ser diferente, para que os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo fossem seguidos. Esse é o lado humano, frágil, doente, da Igreja Católica. É a face terrível da instituição. Por mais que sejamos católicos, não podemos fechar os olhos diante dessa realidade.
Mas também não devemos jamais devemos esquecer o outro lado: a Igreja é de instituição divina e, enquanto tal, por cima das misérias humanas tem uma outra face, pura, santa, imaculada. E mesmo nas piores horas, mesmo nos momentos de crise mais intensa, como o atual, essa face se manifesta magnificamente.
Ainda recentemente recebi, por e-mail, um espetáculo de Power Point lindíssimo, sobre tratamento de aids no mundo inteiro. A única instituição internacional que desenvolve em todo o mundo um trabalho sério, eficiente e dignificante para ajudar os aidéticos é a Igreja Católica. Inúmeros estabelecimentos católicos funcionam em todo o globo  (e especialmente na África, continente mais atingido pela epidemia) para auxiliar, material e espiritualmente, os aidéticos. São estabelecimentos discretos, humildes, que não chamam a atenção sobre si, mas atuam eficazmente.
Existem milhares e milhares de ONGs coletando dinheiro e fazendo demagogia a propósito da aids, e aproveitando para criticar a Igreja porque combate, por razões morais, o uso da camisinha, mas na prática, quem trabalha mesmo, em favor dos aidéticos, é a Igreja...
Esse “outro lado” da questão, a justiça manda não omitir.
De fato,  a Igreja tem um lado divino e um lado humano. O lado divino é, insisto, puro, santo, imaculado. Sem ele seria impossível uma instituição tão contrária a todos os valores que o mundo habitualmente preza, cultua e até idolatra, sobreviver durante 2 mil anos. Como escreveu um autor francês do século XIX, “l´Eglise est une enclume qui a usé bien de marteaux” (a Igreja é uma bigorna que já gastou muitos martelos). Eles bateram, bateram, bateram, gastaram-se... e a Igreja continua de pé. Voltaire previa o fim da Igreja para o final do século XVIII... Como estava enganado!
Mas há também o lado humano, no qual há miséria, há podridão, há crimes. Não podemos fechar os olhos para essa realidade, como também não podemos esquecer o lado divino.
Creio que o que exprime bem essa dicotomia, essa aparente contradição entre o divino e o humano na instituição da Igreja Católica, é o episódio ocorrido com o historiador alemão Ludwig von Pastor (1854-1928). Ele era protestante e, certa ocasião, desafiou publicamente a Igreja Católica a abrir os seus arquivos secretos. Tinha certeza, afirmava, de que eles jamais seriam eles abertos, para não serem revelados horrores tremendos...
Na ocasião, acabava de ser eleito Papa Leão XIII, que mandou dizer a Pastor que os arquivos do Vaticano estavam inteiramente abertos para ele. No início, Pastor não acreditou, mas viajou para Roma e ali encontrou, realmente, todas as facilidades em seu trabalho de pesquisa. Nada lhe foi negado, nada lhe foi escondido. Ele passou anos trabalhando e produziu uma obra monumental, em 40 volumes, com a história dos Papas desde a Renascença até o final do século XVIII. Nessa obra, registrou todos os horrores (e foram realmente horrores, é inegável) de Papas renascentistas.
A certa altura da sua pesquisa, solicitou e obteve uma audiência com Leão XIII. Apresentou-se ao Papa, agradeceu as facilidades que obtivera na pesquisa e, para grande surpresa de Leão XIII, declarou que desejava tornar-se católico. O Papa, muito espantado, respondeu:
- Mas, Professor, antes de conhecer por dentro os horrores praticados por antecessores meus, o Sr. era contra a Igreja Católica, e agora, que conhece tudo documentadamente, quer ser católico? Não estou compreendendo sua atitude.
A resposta de Ludwig von Pastor foi muito interessante:
- Santidade, eu me convenci de que a Igreja Católica é realmente uma instituição divina. Se nem Papas conseguiram destruí-la, é porque é divina mesmo!

Armando Alexandre dos Santos escreve aos sábados na TRIBUNA PIRACICABANA

domingo, 22 de julho de 2012

A Biblioteca em todas as suas possibilidades e Eu, o Bibliófilo

 Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara

Tateio o dorso dos livros
onde há múltiplas vidas
delineadas em misteriosas palavras
e em cada prateleira nos volumes
explodem personagens inusitados
que norteiam nossos dias

Títulos pululam
autores multifacetados
em caleidoscópios de possibilidades
científicas, ficcionais, realistas
me debruço em histórias não minhas
e as absorvo vorazmente, por inteiro

Romances de povos
lendas, paixões, sabedoria
relatos de vidas pregressas, biografias
na viagem das letras
transmuto-me no outro
e incorporo suas ideias
possuo sua alma lentamente
no ritual do prazer da descoberta
da amplitude da criação humana
espelhamento da condição Divina...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Comemoração do Dia do Escritor em Piracicaba

Vários grupos literários de Piracicaba terão representantes no evento: Academia Piracicabana de Letras, Centro Literário de Piracicaba, Clube dos Escritores de Piracicaba, Grupo Oficina Literária de Piracicaba, Poesia ao Vento e Sarau Literário Piracicabano
Ana Marly, Esther Vacchi, Edson Di Piero, Carmelina Piza, Ivana Altafin, Ivana Negri, Madalena Tricânico, Leda Coletti, João Athayde, Esio Pezzato e Raquel Delvaje

Escritores piracicabanos irão comemorar seu dia com um evento na área de lazer da Rua do Porto, das 9h às11h, dia 21 de julho, sábado.
Árvore de livros
Haverá declamação de poemas, varal de textos, distribuição de livros autografados, contação de histórias, dramatizações, música a cargo do tecladista Coimbra e a presença do ônibus da biblioteca.
Evento aberto ao público e realizado pelos grupos literários de Piracicaba.

Distribuição de livros

Ana Marly, Raquel Delvaje, Ivana Negri, Leda Coletti, Carmen Pilotto e Aracy Duarte Ferrari

Blog do GOLP
                                                
Se chover, o evento será automaticamente cancelado.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Uma revelação gastronômica em Teresina

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Estou chegando de Teresina, onde tive a surpresa e a alegria de encontrar um amigo bem piracicabano.
Teresina é a única capital nordestina distante do mar. Nesse ponto, diferencia-se de todas as outras, o que lhe dá um caráter interiorano e provinciano muito peculiar, muito simpático e familiar para quem reside em Piracicaba.
As duas cidades têm, aliás, mais de um ponto em comum. Ambas gravitam, do ponto de vista cultural, em torno de rios. Lá, o núcleo primitivo que deu origem à cidade se estabeleceu próximo ao encontro dos dois grandes rios piauienses, o Poti e o Paraíba. São rios largos, piscosos e, pelo menos no trecho limitado deles que conheci, bem tranquilos, sem saltos nem corredeiras.
Indaguei o motivo de a capital do estado se ter situado longe do mar, caso único no Nordeste brasileiro. Explicaram-me que isso se deve a dois fatores. Primeiro, o ponto era, no passado, de importância estratégica e comercial muito grande. O porto de Teresina era passagem obrigatória de toda a produção de uma larga faixa do sertão. Produtos agrícolas, carne de sol, peles curtidas, minérios, tudo o que produzia o atual Piauí, assim como boa parte do oeste baiano, tinha forçosamente que chegar ao mar por via fluvial, passando por Teresina, que oferecia um porto bom e seguro.
Por outro lado, a cidade litorânea que teria vocação natural para ser a capital do Piauí, seria, segundo os piauienses, Sobral – que acabou ficando cearense, ao que parece em troca de certa região interiorana que o Ceará cedeu ao Piauí. Por isso, Teresina se impôs como a capital. Tem hoje cerca de um milhão de habitantes.
Depois de cumpridas as obrigações que me levaram até lá, na Universidade Federal do Piauí-UFPI, onde foi realizado o VI Simpósio Nacional de História Cultural, procurei conhecer algo da culinária local. Fiquei conhecendo um prato típico, chamado Maria Isabel – uma espécie de mexido de arroz branco bem durinho e seco, com carne de sol desfiada, cebola, alho, cheiro-verde e outros temperos. O Maria Isabel diferencia-se do risoto porque o arroz não é cozido junto com a carne, mas é juntado a ela depois de pronto. É, também, bem mais seco do que os risotos italianos. O sabor é ótimo, realmente vale a pena experimentar.
No último dia, quis conhecer um restaurante à beira rio, antigo e tradicional, chamado Pesqueirinho. Está há mais de 50 anos instalado no local. Lá, encontrei uma variedade muito grande de peixes de rio, e também alguns de mar. Atraiu-me a atenção um peixe chamado piratinga, oferecido no cardápio com molho de camarão, arroz branco e pirão.
De início, estranhei a mistura de camarão de mar com peixe de rio, e perguntei ao garçom se ficava bom mesmo. Ele sorriu e, com a fala calma e pausada característica do linguajar local, respondeu:  “Até hoje ninguém reclamou e todo mundo repete e pede de novo...”
Contra fatos não há argumentos. Decidi experimentar. E não me arrependi.
O peixe era oferecido em posta, para duas pessoas, ou em filé, para meia porção. Optei pela segunda opção. Alguns minutos depois, estava diante de uma fatia generosa de piratinga, bem assada, mergulhada num molho maravilhoso feito com farinha de mandioca, azeite de dendê, alguns outros temperos entre os quais se destacava o coentro (nunca ausente da comida regional), e coberta por camarões de bom tamanho. O arroz estava excelente e o pirão – que me pareceu ser o próprio molho, mais engrossado – era saborosíssimo.
O peixe, branco e tenro, de sabor muito suave e agradável, combinava perfeitamente, sem dúvida, com o molho “puxado” a camarão. Foi um almoço inesquecível. Sempre que retornar a Teresina, com certeza não deixarei de visitar o Pesqueirinho, para comer o mesmo prato.
Curiosamente, o peixe me parecia algo já conhecido. Eu sentia algo de familiar no seu sabor, na sua contextura, mas nunca tinha ouvido falar de um peixe chamado piratinga...
Retornando de viagem, tive curiosidade de procurar investigar que peixe era esse. Foi então que descobri que é precisamente o mesmo peixe que comemos aqui em Piracicaba, na Rua do Porto, com o nome científico de Brachyplatystoma filamentosum e a designação popular de filhote. Aqui, sabemos que o filhote é o piraíba até alcançar 60 ou 70 quilos. Depois desse peso, fica muito fibroso e duro, impróprio para ser consumido. Só salgado e seco, à maneira do bacalhau, pode ter alguma utilização, contudo mesmo assim poucos apreciam. Chega a alcançar mais de dois metros de comprimento, atingindo seu peso mais de 250 quilos. É considerado, a par do pirarucu, o maior peixe de água doce do Brasil e um dos maiores do mundo.
O nome piraíba designa o peixe adulto, com carne imprópria. Em tupi, pira (peixe) iwa (ruim). Piratinga já tem sentido mais favorável, significando peixe branco (tinga). Piratinga é, pois, só o filhote, antes de crescer, endurecer e ficar com a carne mais escurecida.
Confesso que foi uma alegria encontrar, em local tão distante, o filhote, um amigo proveniente da região amazônica, mas que se adaptou tão bem aos paladares piracicabanos e já é parte constitutiva da culinária da nossa Noiva da Colina.
Quem sabe se algum cozinheiro daqui, lendo estas linhas, não se anima a tentar preparar o filhote em filés, com molho e com pirão, à moda piauiense? Garanto que será um sucesso!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Sonho de Violinista

André Bueno Oliveira
Cadeira n° 14 - Patrona: Branca Motta de Toledo Sachs

Em silêncio chora meu violino,
mudo, triste e coberto de pó;
com saudade talvez de algum hino,
de uma valsa, bolero ou rondó.

Já não ouço seu  “mi-la-ré-sol”
das quatro cordas quando afinadas;
nenhum bequadro, nenhum bemol,
em suas vozes desativadas.

Saber que sonhei ser Paganini,
– estando Vivaldi junto a mim –
ensaiando as obras de Puccini,
de Gounod,  Rossini e Borodin.

Formamos nossa orquesta com:  Bach,
Beethoven, Sibelius, mais Tchaikovsky,
Mozart, Haydn, Chopin, Offenbach,
Schubert,  Schuman, Corelli e Mussorgsky.

Tocamos: “Vésperas Sicilianas”,
“A Traviata”, o “Nabucco” e “Aída”.
De Sarasate: “As Árias Ciganas”
interpretamos  com muita vida.

Depois, “Voluntário Trompetista”,
o “Largo de Xerxes” de Haendel;
em seguida, “A vida de Artista”,
por fim, “O bolero de Ravel”.

E ao findar-se meu sonho no vale
da noite, o maestro me sorriu!
O maestro, no sonho, era o “Mahle”...
Ernst Mahle... Me olhou e aplaudiu!

Aplaudiu-me por ter sido o “spalla”...(?)
(Que infeliz sonhador!... Vejam só!...
Eu que mal executo uma escala:
do, ré, mi – mi, fa, sol, lá, si, do)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

TANTAS VEZES

Alexandre Sarkis Neder
Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil

 Minhas lágrimas
vão sair dos olhos,
cair sobre o rosto,
com alegria ou desgosto

Como tantas vezes,
em que a pele rompeu,
e o espírito desceu.
Tantas vezes.

Confesso,
que chorei mais pelas tristezas
do que pelas alegrias.

Como uma brisa quente,
fiz meu sol delirante,
não como um calmante,
mas como uma neve.
Neve que em pouco tempo se derrete.

sábado, 14 de julho de 2012

Cultura e Academias Piracicabanas: raízes



 Samuel Pfromm Netto
                                                                  
Em 1988 Piracicaba pranteou o passamento de quatro notáveis intelectuais que marcaram substantivamente a história da cidade com seus escritos, empenhos e ações. Faleceram nesse ano Salvador de Toledo Piza Júnior, autêntico gigante da cultura, doutor honoris causa da Universidade de Berlim, escritor, professor e pesquisador emérito da ESALQ/USP; Benedicto Evangelista Costa, o professor Costinha, formado pela ESALQ e pela Sud e docente desta última por longo tempo, pintor e musicista dos mais talentosos; Affonso José Fioravante, igualmente formado pela Sud e pela Cristóvão Colombo, bacharel em direito no Rio de Janeiro, educador notável que exerceu altos cargos administrativos, com uma folha riquíssima de serviços relevantes prestados no Piracicabano e na área de ensino em geral. O quarto desaparecido, no início de dezembro, foi personagem das mais fulgurantes (e controversas) da inteligência noivacolinense na segunda metade do século passado: João Chiarini. Talento polimorfo, foi livreiro, escritor, jornalista, advogado, professor, autoridade das mais respeitadas entre os estudiosos do nosso folclore, político, agitador popular... A cidade deve-lhe uma biografia detalhada, bem fundamentada e inteligente, que analise tudo quanto este intelectual de sete instrumentos fez ao seu tempo e cujo acervo de milhares de livros, periódicos, folhetos e documentos foi confiado ao Centro Cultural Miss Martha Watts em 2006.
Loquaz, inquieto, controverso e corajoso, partícipe ativo em uma infinidade de movimentos e ações de caráter cultural desde meados do século vinte, Chiarini brilhava como poucos nas rodas da inteligência piracicabana, notadamente entre a gente moça, desde os anos 40. Incomodava muita gente pela franqueza e vasta cultura e gozava de merecida popularidade tanto em Pira como no país e no exterior. Seu largo círculo de amigos e correspondentes (com os quais trocava cartas facilmente identificáveis pelos envelopes com letras coloridas de imprensa, espécie de marca registrada de JC), cabe-lhe com inteira justiça o título de talento fulgurante. Tinha uma memória incrível para fatos, datas, pessoas, lugares, acontecimentos. Uma enciclopédia viva.
A João Chiarini devem os piracicabanos a sua primeira e autêntica Academia: a Academia Piracicabana de Letras, de que foi fundador e presidente vitalício até seu falecimento. Criou igualmente o Centro de Folclore de Piracicaba (não sei se sobrevive), com um prestígio que cruzou oceanos e o torna conhecido e reconhecido como inconteste autoridade nesse domínio, até então marcado por improvisações, palpites sem fundamento e superficialidade. Há um não mais acabar de nomes que com ele privaram e corresponderam: Jorge Amado, o cineasta Alberto Cavalcanti, os Camargo Guarnieri, Sérgio Milliet, os Andrade (Mário, Oswald), Mário Neme e tantos, tantos outros.
De todos os galardões que enfeitam a biografia de Chiarini, certamente a mais notável são a idealização e a efetiva fundação da nossa primeira Academia de Letras, com essa denominação oficial, há quatro dezenas de anos. Foi a Academia sui generis porque, ao contrário das demais, que geralmente têm um quadro de titulares limitado de quarenta integrantes, a de Chiarini tinha um número ilimitado (!) de acadêmicos e admitia pessoas vivas como patronos. Virtude para uns, defeito para outros, essa característica singular, a Academia era invenção e obra de João Chiarini, que se desdobrava na presidência para garantir o funcionamento da entidade. Após estas quatro dezenas de anos, está na hora de exumar (que espero não tenha sido perdida) toda a documentação referente à Academia e contar em pormenores a sua história.
O pioneirismo de Chiarini em 1972 – há quarenta anos! –, na verdade, deu prosseguimento a uma história mais ou menos obscura de um bom punhado de iniciativas no âmbito cultural da Piracicaba de antanho. Iniciativas como a criação da Sociedade Propagadora da Instrução no século dezenove e o surgimento da Universidade Popular de Piracicaba em 25 de agosto de 1910. No precioso livrinho que imprimiu na Bélgica em 1910, M. S. Ferraz aponta a Universidade Popular como “instituição respeitável e utilíssima”, que desenvolvia um programa ambicioso de palestras e cursos sobre literatura e ciências, ensino de idiomas e saraus lítero-musicais de que participavam os mais expressivos nomes da vida cultural e artística da cidade (“Piracicaba e sua Escola Agrícola”, 1912). Em 1925 surgiu a Sociedade de Cultura Artística, liderada por Fabiano Lozano e sob a presidência de Antônio dos Santos Veiga. Outros tempos... Em 1939 nasceu a Biblioteca Pública Municipal, que passou a agasalhar iniciativas, reuniões e eventos que marcaram o passado cultural piracicabano. Quando a sua sede passou a ser a área superior do Teatro Santo Estêvão, ali fundamos, com o apoio de Leandro Guerrini e a participação de um grupo de saudosos amigos e entusiastas, o Clube Piracicabano de Cinema, responsável por projeções de filmes, conferências, debates, cursos e outros eventos de caráter cultural, entre os quais palestras verdadeiramente inesquecíveis de Sérgio Milliet, Dulce Salles Cunha, Carlos Ortiz, Almeida Salles e muitos outros.
No início dos anos cinquenta, um grupo de moços unidos no entusiasmo por temas de literatura, arte e cultura em geral reunia-se na redação do “Jornal de Piracicaba”, à rua Moraes Barros, dando origem à página dominical “Literatura e Arte” no Jornal de Piracicaba, que coordenei juntamente com Oswaldo de Andrade.
Das iniciativas e realizações na Piracicaba dos anos sessenta, sob o patrocínio do Departamento de Cultura (com C maiúsculo) do município, fez parte o inesquecível Simpósio de Estudos Piracicabanos, realizado em novembro de 1967, com sessões sobre artes e literatura, folclore, lenda, história e genealogia, educação e ensino, geografia e geologia de Piracicaba, medicina e assistência social..., sendo criado nessa ocasião o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, sob a liderança de Archimedes Dutra, Jair de Toledo Veiga e Flávio Moraes Toledo Piza. Tempos saudosos...
Clubes, associações, instituições e atividades como as que são aqui mencionadas refletem inegavelmente, ao longo de mais de um século, o espírito Acadêmico-Cultural (com A e C maiúsculos!) que, num sentido lato, caracteriza as autênticas Academias, já que esta designação, nestes últimos tempos, passou a identificar entidades para práticas esportivas, escolas de samba e de capoeira e até academias de secos e molhados.
Bem haja, pois, a Academia Piracicabana de Letras que, nestes começos de novo milênio, recupera o sentido original da denominação e retoma em Piracicaba uma tradição caríssima e venerável cujas raízes estão solidamente fincadas no solo fecundo do Jardim de Academos, o solo da cultura clássica dos tempos de Platão e Aristóteles.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

ECOLÓGICO (microconto)


Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme
Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges

Fechou o livro, jogou- o no lixo, correu para a internet, procurar como reciclar ideias.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Jubileu de Carvalho da Revolução Constitucionalista de 1932


Dossiê Especial

Jubileu de Carvalho da
Revolução Constitucionalista de 1932


Associando-nos às comemorações que serão realizadas em nossa cidade e em todo o Estado de São Paulo, no próximo Nove de Julho, relembrando a gloriosa
Revolução Constitucionalista de 1932,
aqui publicamos algumas peças literárias evocativas dessa epopeia:


Oração ante a última trincheira

Guilherme de Almeida


                                                                Agora é o silêncio...
É o silêncio que faz a última chamada...
É o silêncio que responde:
— "Presente!"

Depois será a grande asa tutelar de São Paulo,
asa que é dia, e noite, e sangue, e estrela, e mapa
descendo petrificada sobre um sono que é vigília.

E aqui ficareis, Heróis-Mártires, plantados,
firmes para sempre neste santificado torrão de
chão paulista.

Para receber-vos feriu-se ele da máxima
de entre as únicas feridas na terra,
que nunca se cicatrizam,
porque delas uma imensa coisa emerge
e se impõe que as eterniza.

Só para o alicerce, a lavra, a sepultura e a trincheira
se tem o direito de ferir a terra.

E mais legítima que a ferida do alicerce,
que se eterniza na casa
a dar teto para o amor, a família, a honra, a paz.

Mais legítima que a ferida da lavra,
que se eterniza na árvore
a dar lenho para o leito, a mesa, o cabo da enxada,
a coronha do fuzil.

Mais legítima que a ferida da sepultura,
que se eterniza no mármore,
a dar imagem para a saudade, o consolo, a benção,
a inspiração.

Mais legítima que essas feridas
é a ferida da trincheira,
que se eterniza na Pátria,
a dar a pura razão de ser da casa, da árvore
e do mármore.

Este cavado trapo de terra,
corpo místico de São Paulo,
em que ora existis consubstanciados,
mais que corte de alicerce, sulco de lavra,
cova de sepultura,
é rasgão de trincheira.

E esta perene que povoais é a nossa última trincheira.

Esta é a trincheira que não se rendeu:
a que deu à terra o seu suor,
a que deu à terra a sua lágrima,
a que deu à terra o seu sangue!

Esta é a trincheira que não se rendeu:
a que é nossa bandeira gravada no chão,
pelo branco do nosso Ideal,
pelo negro do nosso Luto,
pelo vermelho do nosso Coração.

Esta é a trincheira que não se rendeu:
a que atenta nos vigia,
a que invicta nos defende,
a que eterna nos glorifica!

Esta é a trincheira que não se rendeu:
a que não transigiu,
a que não esqueceu,
a que não perdoou!

Esta é a trincheira que não se rendeu:
aqui a vossa presença, que é relíquia,
transfigura e consagra num altar
para o voo até Deus da nossa fé!

E pois, ante este altar,
alma de joelhos a vós rogamos:

— Soldados santos de 32,
sem armas em vossos ombros, velai por nós!
sem balas na cartucheira, velai por nós!
sem pão em vosso bornal, velai por nós!
sem água em vosso cantil, velai por nós!
sem galões de ouro no braço, velai por nós!
sem medalhas sobre o cáqui, velai por nós!
 sem mancha no pensamento, velai por nós!
sem medo no coração, velai por nós!
sem sangue já pelas veias, velai por nós!
sem lágrimas ainda nos olhos, velai por nós!
sem sopro mais entre os lábios, velai por nós!
sem nada a não ser vós mesmos, velai por nós!
sem nada senão São Paulo, velai por nós!

 

                           Os jovens de 32

                                                                                       Paulo Bomfim

Onde estais com vossos ponchos,
Os fuzis sem munição,
Os capacetes de aço,
Os trilhos do trem blindado,
O lema de vossas vidas
A saga de vossos passos,
Ó jovens de 32!

Em que ossário vossa audácia
Fala aos que dormem por fuga,
Em que campo vossa morte
Clama aos que morrem em vida,
Em que luta vosso luto
Amortalha os tempos novos
Ó jovens de 32!

Voltai daquelas trincheiras,
Voltai de vosso martírio,
Voltai com vossos ideais,
Voltai com os de Julho,
Voltai ao chão ocupado,
Voltai à causa esquecida,
Voltai à terra traída,
Voltai, apenas voltai,
Ó jovens de 32!


             Canção de um menino piracicabano

           Francisco de Castro Lagreca                           


Este é o valor da terra estremecida,
É o poema à glória piracicabana!
Pela Pátria a lutar, vida por vida,
Tombaram com bravura soberana!

Dor e martírio de uma raça forte,
Que a luz e o ideal de um sentimento novo!
Sobre estas pedras não existe a morte,
Porque não morre quem defende um povo!


(Estes versos, que ornam o monumento ao Soldado Constitucionalista,
na praça central de Piracicaba, foram escritos pelo poeta Francisco Lagreca aos treze anos de idade.)

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz