Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Lançamento da Revista número 6 da APL

 Alguns momentos da noite festiva do lançamento da Revista da Academia Piracicabana de Letras que teve apresentação do grupo de chorinho, esquete teatral, seguido de um delicioso coquetel aos presentes
Carmen Pilotto,Nelson Bonachella, Myria Botelho,  João e vera Athayde, Ivana e Cassio Negri
Marisa Bueloni, Maria Helena Corazza e Valdiza Caprânico
Felisbino e Rosaly de Almeida Leme
Carla Ceres, Carmen Pilotto e Ivana Negri
João Baptista Athayde, Myria Botelho, Maria Helena Corazza, Elda Nympha Silveira e Carmen Pilotto
Aracy Duarte Ferrari, Ivana e Cassio Negri
Marisa Bueloni e sua irmã
Apresentação da Ceta (Companhia Estável de Teatro Amador)


Academia Piracicabana de Letras: Um século de existência!

Academia Piracicabana de Letras: Um século de existência!: Um século de existência! (para minha sogra Dayr Plats Almeida de Negri) A aparência frágil esconde uma grande mulher Pequeni...

Um século de existência!


Um século de existência!
(para minha sogra Dayr Plats Almeida de Negri)

A aparência frágil
esconde uma grande mulher
Pequenina na estatura
mas gigante na coragem

Afinal, o que são cem anos?
Perante a eternidade, quase nada
Para a vida terrena,
marca por poucos alcançada

Árvore frondosa, frutificou:
cinco filhos, onze netos e seis bisnetos
A vida não se estanca
e segue renovada

E qual o segredo da longevidade?
Paz de espírito, paciência (muita!)
e serenidade

Quanta vida vivida,
tanta estrada palmilhada
E quantos aprenderam
com a jovem professorinha,
que , todo dia, de charrete ,
partia para a nobre função de educadora

E hoje, ao completar um centenário,
a alegria da missão cumprida,
dos muitos sonhos concretizados,
do amor multiplicado
e o exemplo por legado.

(Ivana Maria França de Negri em 30/11/2012)

Dayr Plats Almeida de Negri é genitora do acadêmico Cassio Camilo Almeida de Negri e sogra da acadêmica Ivana Maria França de Negri




Parabéns, D. Dayr, pelos cem anos, pela vida fecunda e exemplar, por sua família tão simpática e querida em Piracicaba.
Armando Alexandre dos Santos

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Seres Humanos


 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade


            Recentemente, recebi um e-mail onde se pedia que escrevêssemos algo sobre “seres humanos”. De minha parte, tenho a dizer, com grande alegria, que as pessoas são diferentes. Ponto final. E que todos devem ser respeitados do jeito que são, pois é esse mosaico humano que torna tudo tão fascinante sobre a face da Terra. Cada um traz consigo o seu solo próprio, a sua bagagem pessoal, sua história de vida.
Cada ser humano carrega em sua alma a essência de sua natureza. Ser como se é faz parte de um conjunto biopsíquico, de uma riqueza incomensurável. Uns tiveram uma infância feliz e saudável; outros sofreram e foram oprimidos ou vieram de lares desestruturados. Quem passou por um trauma duríssimo quando criança, certamente terá dificuldades de superá-lo ou então irá suportar esta dor, pelo aprendizado da sobrevivência diária.  
Cada um possui o seu histórico pessoal, o seu DNA, a sua concepção como pessoa e isso é território sagrado em cada ser humano.  Então, de repente, olhamos para alguém que nos parece transmitir uma tristeza eterna. Se tivermos bondade suficiente em nosso coração, saberemos como tratar essa pessoa. Com um pouco de tato, de cautela, não tocaremos na ferida interior, pronta a sangrar a qualquer momento.
           Do ponto de vista da pedagogia, busca-se a compreensão dos elementos formadores do caráter, da personalidade da pessoa e da forma como ela desenvolveu suas potencialidades. Até na Palavra de Deus encontramos a sabedoria necessária, quando lemos que “muitos são os dons, mas um só o Espírito”. Podemos entender que o mesmo Espírito nos anima a todos.  Daí os iluminados para a filosofia e as artes; os matemáticos; os músicos; os poetas; os cirurgiões e os que parecem possuir pendores para um pouco de tudo...
           No mundo de hoje, é cada vez mais difícil encontrar pessoas realizadas, centradas, equilibradas. Como diria Caetano Veloso, "de perto ninguém é normal".  Conhecemos alguém e, no minuto seguinte, esta pessoa já está nos contando o inferno que é a vida dela... Vemos que pouca gente está vivendo em paz, com equilíbrio e alegria.  Há muito desgosto na vida das pessoas, problemas de toda ordem, infelicidade, desacertos, e também muita luta por parte da maioria.  
          Contudo, se há uma tecla que merece ser martelada, é esta: é preciso entender as pessoas, compreender cada um em seu estilo pessoal.  Mas, se alguém deseja mudar em alguma coisa, há que ter força de vontade, respeito por si mesmo, um firme propósito de fazer de si uma pessoa melhor. Talvez mais maleável, mais flexível, mais "fácil de se conviver".
         Quem carrega máscaras irá deixá-las cair lá na frente, porque é impossível segurar a pose o tempo todo. A coisa mais bonita no ser humano é a autenticidade, ser verdadeiro, não fazer tipo. Uma pessoa interessante é sempre aquela que tem opinião própria, que construiu um caminho pessoal pelo qual trilha com segurança e autoridade. Alguém com domínio sobre a própria vida, que sabe respeitar o próximo, que transita sem preconceitos pelo universo das ideias e que também reconhece seus próprios limites.
         Seres humanos! Quanta diversidade!... Hoje, já tratamos com naturalidade até mesmo a diversidade sexual, aceitando e compreendendo pessoas com orientação sexual diferente da nossa, buscando acolher, partilhar, respeitar. As pessoas são diferentes e o convívio respeitoso entre todos resulta na paz.  A paz é fruto da justiça. Onde não há justiça, não há paz. Se todos se tratam com igualdade, fraternidade e respeito; se cada um vive de forma a não avançar nos direitos do próximo, encontraremos justiça e paz.
         Seres humanos são simples e são complexos. E é essa diversidade que faz a beleza da vida. Uns são calados e introspectivos; outros são falantes, ruidosos e alegres.  Uns conseguem chorar e desabafar as dores da vida; outros não demonstram nem que estão com dor de dente. Não perdem a pose por nada. São os chamados "duros na queda".
         Cada criança tem o seu ritmo. Umas andam com 10 meses, outras depois de um ano; umas falam cedo, outras demoram um pouco mais. E todas irão se desenvolver, à sua maneira, porque cada ser humano tem um ritmo. E esta premissa pertence a cada um, na sua evolução, na sua vida afetiva e no seu desenvolvimento biopsíquico. Um ritmo que segue o respiro interior do universo - uma árvore respira, a Terra se mexe, nada é estático e parado. Tudo possui um movimento próprio e vital.
         Seres humanos! Como cada um é especial! Mesmo os mais geniosos, difíceis e insuportáveis - mesmo estes são belos e possuem o brilho intrínseco da pessoa humana.  Toda pessoa carrega um valor em si mesma. Cada um possui uma dignidade como ser humano e deve ser respeitado como tal. Não importa se a pessoa é um prêmio Nobel ou um varredor de rua. Ambos são dignos, em sua grandeza particular.
         Temos de compreender tudo isso para vivermos em harmonia com o próximo e conosco mesmos. Entender que cada um tem um caráter, uma personalidade, um gosto pessoal. E que ninguém nasceu para viver sob o jugo do outro. Todos somos criaturas livres e fomos criados para essa maravilhosa liberdade.
         Se alguém se casa, não é para passar a existência numa redoma ou viver prisioneiro do outro. Ambos têm de crescer no amor, no relacionamento, na vida a dois. Se um sufocar o outro, há algo de errado na relação, pois amor é vida, é liberdade, é alegria!
         Que Deus nos proteja a todos, Ele que nos fez tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes!...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

In memoriam


                                 Samuel Pfromm Netto (1932-2012)

Armando Alexandre dos Santos (*)

Na última semana, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo perdeu dois de seus mais eminentes membros: no dia 17, faleceu o piracicabano Samuel Pfromm Netto (1932-2012) , e no dia 22 deixava-nos o botucatuense Hernâni Donato (1922-2012). A ausência de ambos é, literalmente, irreparável, porque homens da cultura e do descortino de Hernâni e Samuel não aparecem com frequência, ainda mais em tempos de decadência cultural como o nosso. Eram verdadeiros ícones da Cultura Paulista.
Já há poucos meses, outro destacado membro que honrava as fileiras do IHGSP havia falecido. Refiro-me a D. Antônio Maria Mucciolo, arcebispo emérito de Botucatu e diretor da Rede Vida de Televisão. Aos três sou, pessoalmente, devedor, porque cada um deles teve a gentileza de prefaciar um livro meu.
Pretendo hoje recordar alguns pontos que me ocorrem, relativos a Samuel. Conheci-o há perto de 20 anos, quando ingressei no IHGSP. Desde logo fiquei cativado por sua personalidade pujante, sua cultura, sua extrema amabilidade. Nós, os mais jovens do Instituto, tínhamos por ele enorme respeito, pois conhecíamos seu currículo brilhante, desde professor primário até livre-docente,  desde modesto jornalista na Piracicaba ainda provinciana da meados do século XX, até professor emérito de Psicologia Educacional, na USP, autor de obras de peso e referência internacional na sua especialidade.
Mas ele não nos intimidava, mostrando-se, pelo contrário, acessível. Quando conversava com os mais jovens, longe de adotar uma postura professoral (que seria, aliás, mais do que justificada), sabia adaptar-se, acamaradar-se, gostava de ouvir, estimulando os melhores lados do interlocutor. Era cultíssimo, tinha um conhecimento profundo da História e da Literatura dos vários povos, de modo que, nas conversas, com naturalidade entremeava observações argutas, comentários inteligentes, recordações de leituras ou viagens muito adequadas ao momento. Era, ao mesmo tempo, atualizado, acompanhando com interesse as novidades em todos os ramos do saber. Conversar com Samuel era aprender, era penetrar num mundo encantado de cultura e bom gosto.
Tinha, ainda, seus hobbies, seus “estudos paralelos”, conhecendo em profundidade cinema, história em quadrinhos e música popular brasileira. Tudo isso o aparelhava de modo excelente para, nas conversas ou aulas, soltar observações engraçadas, sutis, cheias de verve. Era capaz de, numa conferência, referir-se a um personagem de romance, a uma peça de teatro, citar um ditado popular, cantar um trecho de uma música, tudo isso com naturalidade, encantando os que o ouviam.
Era um grande orador, dos melhores que conheci, comunicador nato, professor até a medula dos ossos.
Mais tarde, já em 2001, tive ocasião de estreitar relações com ele e com sua esposa, D. Olga, quando o entrevistei para o jornal “São Paulo em foco”, do qual era diretor.
Falei de D. Olga. É impossível recordar Samuel sem falar dela. A fidelíssima companheira de mais de 50 anos de matrimônio, contou-me, no velório, que poucos dias antes do falecimento, com Samuel já muito doente e abatido, ela, que no quarto do hospital procurava distrair-se e distender-se um pouco fazendo palavras cruzadas, perguntou-lhe alguma coisa, referente à história de Roma Antiga. Era um nome qualquer de um imperador, com determinado número de letras, que precisava colocar no papel.
Evidentemente, D. Olga quis, com a pergunta, estimular um pouco o intelecto combalido do esposo, animando-o. Mas, gracejou:
- Samuel, quero só saber a palavra, não precisa me dar uma aula.
Mas o velho professor, estimulado, não se contentou em dar a resposta... sentiu necessidade de explicá-la. E dali brotou uma conversa que tomou a manhã inteira, percorrendo com sua memória e recordando com vivacidade toda a história da antiga Roma, desde a lendária fundação, com Rômulo e Remo, até a Antiguidade Tardia, já no despontar da Idade Média. Vendo que o marido se animara, D. Olga, jeitosamente, deu corda, foi fazendo perguntas, incentivou-o a falar. E ele falou... Tudo repassou, os reis, a república, o consulado, o principado, o império, o surgimento do Cristianismo, a crescente influência dos bárbaros que, afinal, destruíram o Império. Foram três ou quatro horas de conversação...
Por trás de todo grande homem, costuma-se dizer, existe uma grande mulher. D. Olga é a grande dama que acompanhou Samuel em sua vida. Dotada ela também de notável inteligência e cultura – especialmente na área de Letras – foi a companheira e interlocutora ideal de toda uma vida dedicada ao pensamento, ao ensino, à cultura.
Conheceram-se ambos aqui à porta do meu prédio, na Rua São José, defronte ao antigo Cinema Broadway. Samuel era, então, um jovem professor, diplomado pelo antigo Curso Normal, e trabalhava como jornalista no Jornal de Piracicaba, redigindo a crítica cinematográfica. A jovem Olga viu o jovem Samuel, gostou dele e dali nasceu um romance que se manteve por mais de meio século.
Piracicabano estabelecido em São Paulo, Samuel nunca esqueceu sua terra natal. Aqui vinha com frequência, sonhava retornar para cá. Ainda poucos meses antes de falecer, pediu-me que lhe procurasse um apartamento pequeno, aqui no centro da cidade. Queria ter um “pied-à-terre” aqui, que não ficasse longe nem da Praça José Bonifácio nem do rio Piracicaba. Queria poder ir a pé aos velhos e saudosos locais em que passara a infância...
 Para cá realmente retornou, mas infelizmente num dia muito triste para todos nós que o estimávamos e admirávamos. Veio para o sepulcro dos Pfromm, no Cemitério da Saudade. Pouco tempo antes, dissera-me que havia tomado todas as providências para seu sepultamento. Não queria ser cremado, mas sepultado, de acordo com o velho costume católico, junto dos seus, na sepultura familiar. E como católico morreu, confortado com os sacramentos da Igreja. No mesmo dia do seu enterro, na missa dominical das 19 horas, celebrada em rito oriental maronita, Mons. Jamil (que era amigo de Samuel e seu confrade no IHGSP), recordou sua figura e sufragou sua alma. Deus tenha a alma desse grande amigo, desse grande mestre, desse grande piracicabano.
Deve sair em breve, como obra póstuma de Samuel, o Dicionário de Piracicabanos Ilustres. Empenhou-se nesse livro monumental por anos a fio e queria vê-lo publicado em vida. Acompanhei-o em alguns dos lances que deu, na infrutífera tentativa de conseguir patrocínio para a publicação. Mas somente depois de sua morte virá a lume, editado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, agora sob a direção segura de nosso amigo Vitor Vencovsky. Será a primeira obra póstuma de Samuel Pfromm Netto. Acredito que, em seus papéis de estudo e pesquisa, outras obras ainda estejam esperando pela luz da publicidade. Sim, era fecundo, era fecundíssimo, meu amigo Samuel, com sua cultura polimorfa e multifacetada.

(*) Armando Alexandre dos Santos é historiador, jornalista e diretor da Revista da Academia Piracicabana de Letras.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Acadêmico e vice presidente da APL assume a reitoria da UNIMEP



Nesta quinta-feira, 22 de novembro, o acadêmico e vice presidente da APL, professor Dr. Gustavo Jacques Dias Alvim,  assumiu o cargo de Reitor da UNIMEP ( Universidade metodista de Piracicaba).
O evento teve  apresentação do Dr. Wilson Roberto Zuccherato, Diretor Geral do Instituto Educacional Piracicabano da Igreja Metodista (IEP).
A acolhida foi feita pelo reverendo Nilson da Silva Júnior; seguida de liturgia de Ação de Graças feita pelo reverendo Tavernard Júnior; oração comunitária feita pela reverenda Yone da Silva e reflexão pastoral feita pela pastora Ana Glória Prates Gris da Silva, coordenadora da Pastoral Universitária e Escolar do IEP.
Os confrades da ACADEMIA PIRACICABANA DE LETRAS parabenizam pela conquista.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Mais histórias de Ariranha

João Umberto Nassif
Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
                          
Chico Mola, nascido e batizado como Francisco José da Cruz, era o mais velho dos sete irmãos. Nega Tereza era mulher de fibra, quando o safado do Oscarlino se engraçou com a mulatinha Zuza, que lavava roupa na barranca do rio, coxas grossas, a paixão desvairada mudou a vida da família. Nega Tereza, cheia de razão colocou os dois desavergonhados para correr. Ficou a criançada, uma escadinha de sorrisos fáceis, alvos, barriga vazia, se não fosse a ajuda do padre e dos vizinhos todos estariam na cova. Nega Tereza passou a fazer de tudo, faxina, à noite ajudava na cozinha de um bar e restaurante, lá ela ganhava um pouco mais de comida para levar aos famintos bacuris. Como na vida tudo se ajeita, o tempo vai curando feridas, consertando estragos, André Maquinista arrumou um emprego para Chico Mola. Ajudante de cozinha no vagão restaurante. Com a prática de quem servia mais seis irmãos enquanto a mãe trabalhava fora, logo Chico Mola tornou-se elemento fundamental na cozinha do vagão restaurante. O que matava era o calor, o uniforme, tudo isso naquele cubículo, com fogão quente. Os passageiros queriam ser bem servidos, aproveitarem da vista que o vagão oferecia, um ou outro, tomava um chope sentado em uma das banquetas, e logo saia. Filé com fritas, feito pelo Chico Mola era o prato sem concorrência. Uma noite escaldante, o trem deslizava enquanto os passageiros sentados em uma mesinha, bebericando um vinho, lendo “O Cruzeiro”, ou discutindo a bolsa do café. Chico Mola não aguentou mais, tirou o jaleco branco e ficou de camiseta regata. Desse dia em diante era assim que ele passou a cozinhar. Com uma toalha enrolada no pescoço limpava a fronte do suor. Francisco Aragão Menezes era um jovem, filho de afamado cafeicultor. Era sujeitinho intragável. Possuía uma caderneta que levava no bolso, com endereços das mariposas de plantão, que o atendiam com muito amor ao recheio da sua carteira. Nariz arrebitado, usava uma bengala mais como adereço do que por necessidade, enlouquecia os alfaiates para dar o caimento perfeito naquele corpo franzino. Cabelos impecáveis, assentados com vaselina perfumada, era uma cópia latina de alguém que se julgava autêntico cidadão britânico, graças aos anos que lá viveu enfurnado em bordéis. Com muito custo diplomou-se, dizem até que o equivalente a muitas sacas de café foram doadas para a universidade se ver livre de tal espécime. Sentado em confortável mesa, Francisco Aragão Menezes, também conhecido, sem que soubesse, por Dr. Vaselina, pede um vinho raro, Château Margaux 1900, de que por dessas coincidências incríveis existia em estoque uma única garrafa, ninguém tinha tido coragem de pagar o seu preço. Servida a bebida, a entrada, o prato principal: Filé com fritas. Um silêncio mortal reinou no vagão quando Dr. Vaselina esbravejou: “Esse filé está mal passado, o boi está quase berrando”. Imediatamente, o chefe de cozinha levou o filé para que Chico Mola o deixasse no ponto. Alguns minutos depois, o impaciente Dr. Vaselina degustou o melhor filé com fritas da sua vida. Mal sabia que antes de se levado para a chapa, Chico Mola, tinhoso, tinha adicionado o suor que escorria do seu rosto ao filé mal passado. Ainda embolsou cinco mil réis como gratificação.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Eu erro, tu erras, ele erra...

Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33
Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
      Erros, erratas, revisores, um assunto que sempre vem à baila nas reuniões literárias. Para um escritor, constatar um erro numa publicação, quer seja de digitação, descuido ou falta de revisão, é motivo de muita angústia, já que um deslize publicado é praticamente impossível de consertar. Mesmo que erratas sejam providenciadas posteriormente, nem todos as leem, e o erro perpetua-se quando impresso em livros com centenas ou milhares de tiragens.
            Há anos coleciono recortes de jornais, revistas e outras publicações com erros de todo tipo, até em textos de autores consagrados e famosos, e dos mais conceituados jornais como o Estadão e a Folha.
Antigamente o serviço de um revisor era de primordial importância e os deslizes, imperdoáveis. Já hoje, com o corretor de texto do Word - nem sempre confiável - e com a ajuda de programas instalados para esse fim, tornou-se dispensável o trabalho do revisor.
            Nas redes sociais a rapidez da digitação faz com que as pessoas abreviem ao máximo as palavras, e surge uma nova linguagem, totalmente deturpada e indigerível para quem gosta de um texto bem elaborado.
            Para os poetas, erros em poemas são um martírio, pois podem mudar  completamente o sentido de um verso.
            Lembro-me de um poema meu que foi publicado com um erro de quem o digitou. Uma simples inversão de letras, e saiu “olhos da lama”, quando o correto seria “olhos da alma”. Foi um desastre porque mudou totalmente o sentido da poesia. Fiquei mortificada.
            Desastre maior aconteceu quando faleceu a grande poetisa piracicabana, Maria Cecília Bonachella, e a página que ela coordenava teve edição especial em sua homenagem com poemas dos inúmeros amigos poetas. Por uma falha, até hoje não sei por qual razão, todas as palavras acentuadas desapareceram. O resultado foi catastrófico. Ninguém se conformava. Um amigo poeta, que compôs um poema especialmente para a data, me ligou logo pela manhã, assim que leu o jornal, dizendo: “não sei se rio ou se choro!”. O poema dele tinha o título “Poetando no céu”. Retirem a letra acentuada para terem a real dimensão da tragédia...
Outros poemas tinham títulos como “O vôo da poetisa” e saiu publicado “O vo da poetisa”. No dia seguinte republicaram a coluna, desculpando-se com uma pequena errata, mas a tragédia já tinha se consumado e ninguém nunca se esqueceu do episódio.
Erratas à parte, sei que eu erro, tu erras, ele erra, nós erramos, vós errais e eles também erram. É claro que todo mundo tem o direito de cometer um vacilo, pois somos humanos e falíveis. Mas depois deste artigo, tenho a alma (e não a lama!) lavada.
E que atire a primeira pedra quem nunca cometeu um só deslize no manejo da nossa “última flor do Lácio inculta e bela”. E viva Bilac!









domingo, 18 de novembro de 2012

Falecimento - Prof. Samuel Pfromm Netto



Aos amigos Acadêmicos informo, com muito pesar, que faleceu ontem, em São Paulo, nosso querido amigo Prof. Samuel Pfromm Netto.
Seu corpo está sendo sendo velado aqui em Piracicaba, no Cemitério da Saudade, onde será sepultado hoje, domingo, às 17 horas.
Rezemos pelo descanso de sua alma.


Armando Alexandre dos Santos

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Homenagem aos 110 anos de Carlos Drummond de Andrade



Um rapaz sem coração e uma pedra no meio do caminho
Homenagem aos 110 anos de Carlos Drummond de Andrade
  
Olivaldo Júnior

            Era um jovem que sonhava em ter amigos e viver a vida que todos tinham. Não conseguia ter mais que o sonho de ser igual a todos que ele via pelas ruas, pelas casas, nas calçadas, em que ele mesmo era inóspito. Estrangeiro não é só ser de outra pátria em terra estranha, mas ser estranho em própria terra. A terra era a casa em que Deus o pusera. Deus era o maior poeta que ele conhecia. Soube o que era poeta, na escola em que tentava estudar. Digo tentava, porque ele fazia os seus próprios conceitos de tudo o que via e que havia no mundo. Nada era aceitável sem que assim o fizesse. - Oh, rapaz!
            Aquele homem, como todos os outros, levava um coração que vivia contando o tempo no peito, onde guardava o mágico sentimento do mundo. Mas coração, principalmente o daquele jovem, era coisa frágil, bem fácil à quebra. Um dia, honrando a quadrilha que gira em sentido oposto ao que se quer, deixou cair seus olhos no abismo insólito de outro alguém e... zás! Era uma vez a rosa do povo, o coração de um ser poético! Tristeza, mágoa e rancor, pois nem mesmo as sete faces de um texto podem dar conta de expressar o rosto de um rapaz ao chão. A chama de um verso calhava no peito que o fazia sentir. A pedra no meio do caminho estava lá. Lançou-a no rio da infância, mas ela nem tchum, e, ao tchibum!, tratou de voltar à tona e, num passe de mágica, pôs-se no meio do caminho de um homem, como todos os outros, exposto ao impossível ter. Ter é trazer nas mãos as mãos daqueles que se amam. Amar de longe é sonhar. Amava.
            O jovem, por ter quebrado o coração, ficou sem tique-taque marcando o ritmo no peito inerte. Deu para a escrita, contando o passo dos sons da vida. Poesia é assim mesmo, sublima, sublinha, subterfoge pelas rimas, sem os rumos que amarram. Marca de estilo. Assim que viu a pedra, ele, que já não tinha coração, tratou de pegá-la logo, pois não era tão grande como se pensa. Num ingênuo pedrisco, pode-se arranhar e maltratar os pés. Pesa, pesa mais que a mão de uma criança esta pedra, este mundo, ó Drummond! Ele, o rapaz de nossa história, bem sabia disso que escrevo. Foi assim que, com a pedra nas mãos, tratou de ferir o dedo indicador num dos espinhos de uma rosa aberta no quintal da mãe. O sangue, a essência rubra de uma vida em xeque, tocou e penetrou na pedra que, no meio do caminho daquele jovem, só tivera feito cinza o mundo em cores. Corada, vermelha pelo sangue azul de um escritor de estirpe, a pedra foi sorvida, engolida pelo pobre rapaz que fazia versos. Versos são restos de vida em reciclagem. A mesma que o jovem fazia da vida, sempre insossa quando fora de estrofes. Viva as metáforas! Não, não fora deglutida a pedra em rubro que ele a um canto engoliu. Quando dentro, tomou seu rumo, ficou no peito, drummondiana, em paz.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

DAMA DA NOITE

Leda Coletti- Cadeira no 36
Cadeira n° 36 - Patrona: Olívia Bianco

Suntuosa,
exclusiva,
na calada da noite
ela vela
perfumando
o sono da madrugada !


terça-feira, 13 de novembro de 2012

BRINCADEIRA DE GENTE GRANDE




(Redação Vencedora do CONCURSO DE REDAÇÃO E DESENHO, promovido pelo ROTARY na 2ª Semana da Ética, premiada na sessão solene em 15/10/12 na Câmara dos Vereadores de Piracicaba)
                                                                                                                                                                 
Suzete Brossi *

                Não precisamos de projetos grandiosos e mirabolantes, mas de ações simples e práticas, capazes de motivar, ao menos, uma pessoa a fazer o mesmo. Num mundo complexo e complicado, revestido por máscaras sociais, a seriedade se evaporou e tudo vira motivo de brincadeiras e chacotas comumente encontradas nas variadas redes sociais, um meio rápido, fácil e extremamente abrangente para a criação de correntes.
                A proposta presente no livro de Catherine Ryan Hyde, A Corrente do Bem, evoluiu para um filme e chegou à realidade, agora, como um movimento concreto;  porque não levá-lo às redes sociais? Afinal, a maioria das correntes, falsas ou verdadeiras, nasce de uma brincadeira, inocente ou não, e, neste caso, pode nascer de uma história. Uma corrente para o bem está associada às boas atitudes feitas no dia-a-dia, ligadas às gentilezas, ao senso de comunidade, à cidadania, às ações divertidas e rápidas, praticadas nas próprias redes sociais, por quaisquer grupos ou pessoas. Um movimento de todos, para todos, pois a felicidade individual aumenta quando o mundo à nossa volta está bem.
                No filme/livro, o protagonista ensina que ao fazer boas ações para três pessoas e essas replicarem para outras três, é possível gerar uma grande e firme corrente do bem. Nós também podemos fazer isso nas redes sociais, é fácil e, quando ajudamos, tudo torna-se satisfatório, além de ser uma forma de alcançar pessoas de todo o mundo em pouco tempo, sem grandes dificuldades, disseminando ideias boas em uma velocidade incrível, uma verdadeira corrente capaz de ligar desde nações opostas ou, simplesmente, vizinhos. Da mesma maneira, podemos tuitar algo benéfico e criativo para pacientes no doepalavras.com.br, apadrinhar uma criança pelo Fundo Cristão em internetsegura.apadrinhamento.org.br, ou colaborar com as decisões que estão sendo tomadas no Brasil através do votenaweb.com.br,  ampliando nossa corrente para o bem online.
Dizem alguns que “boas ações não se mantêm com apenas boas intenções”, de fato, as correntes do bem nas redes sociais também exigem planejamento,  pensar em ações a médio e longo prazos, aplicáveis e significativas, mas que podem começar conosco, pois de acordo com os versos de Gabriel, o pensador : “... quando a gente muda, o mundo muda com a gente” . Esse é o princípio das redes sociais com foco no bem coletivo: diversão e praticidade para o bem-estar social.
Então, feche os olhos e pense em três pessoas, entre nas redes sociais e faça, junto com elas, elos de uma corrente para o bem, uma brincadeira de gente grande.

 * Suzete Brossi é aluna do 2º ano EM do Colégio Salesiano Assunção de Piracicaba – aulas de redação da profª Christina A. Negro Silva

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Cent´anni...



Homenagem muito carinhosa a D. Olga Marins Marchiori, que nasceu no dia 10 de novembro de 1912 e completa hoje, felizmente, seu primeiro século de existência, gozando de boa saúde e ótima disposição.
Nossos cumprimentos a D. Olga, que é mãe do Acadêmico Gregório Marchiori Netto, titular da cadeira número 28 da Academia Piracicabana de Letras.

sábado, 10 de novembro de 2012

Acadêmico doa obras de renomados pintores ao Museu Luiz de Queiroz


Francisco de Assis Ferraz de Mello
Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Catálogo com algumas das obras que pode ser encontrado no Museu da ESalq
Abertura da exposição com algumas das obras doadas. Presença de Creuza Caixeta, Margarete Zenero, Ivana Negri e Carmen Pilotto prestigiando o evento

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CLARABOIA

 Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara

“Eu pinto o que penso, não o que vejo”
Pablo Picasso

Um mergulho no vácuo do contemporâneo
Traz uma dimensão de não-linear assustadora
E a ordem inversa dos valores
Leva o homem ao desequilíbrio da própria espécie
Neuroses
Esquizofrenias
Síndromes
Atopias
Sintomas de uma mente perturbada

Com o diagnóstico já predestinado
A alma escapa para outro quadrante
Na busca de luz própria
Que o faça sobreviver à Vida 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

8º Concurso de Contos e Crônicas - 10º UNICULT

 Carla Ceres Oliveira Capeleti
Cadeira n° 17 - Patrona: Virgínia Prata Gregolin 


 Com o conto: “Subsolo na garrafa”, a acadêmica Carla Ceres Oliveira Capeleti classificou-se em primeiro lugar no 8o Concurso de Contos e Crônicas no 10o UNICULT e também pegou o 90 lugar com o conto " Mirante dos Esquecidos". Parabéns duplamente!

domingo, 4 de novembro de 2012

Um rapaz sem coração e uma pedra no meio do caminho Homenagem aos 110 anos de Carlos Drummond de Andrade


Olivaldo Júnior

            Era um jovem que sonhava em ter amigos e viver a vida que todos tinham. Não conseguia ter mais que o sonho de ser igual a todos que ele via pelas ruas, pelas casas, nas calçadas, em que ele mesmo era inóspito. Estrangeiro não é só ser de outra pátria em terra estranha, mas ser estranho em própria terra. A terra era a casa em que Deus o pusera. Deus era o maior poeta que ele conhecia. Soube o que era poeta, na escola em que tentava estudar. Digo tentava, porque ele fazia os seus próprios conceitos de tudo o que via e que havia no mundo. Nada era aceitável sem que assim o fizesse. - Oh, rapaz!
            Aquele homem, como todos os outros, levava um coração que vivia contando o tempo no peito, onde guardava o mágico sentimento do mundo. Mas coração, principalmente o daquele jovem, era coisa frágil, bem fácil à quebra. Um dia, honrando a quadrilha que gira em sentido oposto ao que se quer, deixou cair seus olhos no abismo insólito de outro alguém e... zás! Era uma vez a rosa do povo, o coração de um ser poético! Tristeza, mágoa e rancor, pois nem mesmo as sete faces de um texto podem dar conta de expressar o rosto de um rapaz ao chão. A chama de um verso calhava no peito que o fazia sentir. A pedra no meio do caminho estava lá. Lançou-a no rio da infância, mas ela nem tchum, e, ao tchibum!, tratou de voltar à tona e, num passe de mágica, pôs-se no meio do caminho de um homem, como todos os outros, exposto ao impossível ter. Ter é trazer nas mãos as mãos daqueles que se amam. Amar de longe é sonhar. Amava.
            O jovem, por ter quebrado o coração, ficou sem tique-taque marcando o ritmo no peito inerte. Deu para a escrita, contando o passo dos sons da vida. Poesia é assim mesmo, sublima, sublinha, subterfoge pelas rimas, sem os rumos que amarram. Marca de estilo. Assim que viu a pedra, ele, que já não tinha coração, tratou de pegá-la logo, pois não era tão grande como se pensa. Num ingênuo pedrisco, pode-se arranhar e maltratar os pés. Pesa, pesa mais que a mão de uma criança esta pedra, este mundo, ó Drummond! Ele, o rapaz de nossa história, bem sabia disso que escrevo. Foi assim que, com a pedra nas mãos, tratou de ferir o dedo indicador num dos espinhos de uma rosa aberta no quintal da mãe. O sangue, a essência rubra de uma vida em xeque, tocou e penetrou na pedra que, no meio do caminho daquele jovem, só tivera feito cinza o mundo em cores. Corada, vermelha pelo sangue azul de um escritor de estirpe, a pedra foi sorvida, engolida pelo pobre rapaz que fazia versos. Versos são restos de vida em reciclagem. A mesma que o jovem fazia da vida, sempre insossa quando fora de estrofes. Viva as metáforas! Não, não fora deglutida a pedra em rubro que ele a um canto engoliu. Quando dentro, tomou seu rumo, ficou no peito, drummondiana, em paz.



sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Toque mágico


Cezário de Campos Ferrari
Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
        
As ideias são, provavelmente, como inúmeras estrelas amontoadas entre nuvens e miragens. Elas estão lá, distantes, ocupando cada uma o seu lugar no ordenamento do cosmos. Inalcançáveis algumas durante um longo tempo, até que alguém descubra o seu brilho e, tendo-a dominada em suas mãos, a exiba para conhecimento coletivo; fáceis de encontrar outras tantas, daí se tornam comuns, simples, meras. Quando, repentinas como uma aparição, elas explodem e surgem maravilhosas, o mundo as recebe eufórico e delas faz uso deixando-as expostas, à vista, e já então tais ideias tomam o nome de seus desbravadores e se tornam propriedade humana. As ideias renovam a existência e dão um novo alento, alegrando e trazendo o ardor de diferentes luzes, e o seu brilho enche o espaço, ocupa posições, apaga a escuridão da ignorância. Por que o não-conhecer é o mesmo que não ver, tal qual o ser sem saber, o estar vivo quase sem perceber. Completa cegueira, enfim. O mundo necessita, sempre, de ideias recém-brotadas, de novidades oriundas das tempestades cerebrais que trazem a lume um conjunto de benefícios para melhorar a qualidade de vida dos seres humanos. Sem isso, desprovido desse vislumbre e dos devaneios dos visionários, é perceptível uma estagnação capaz de retardar a evolução do homem, o que faz com que tudo se assemelhe, destarte, a repetitivos momentos de mesmice, a todos cotidianos niilistas e sem a menor graça. E o nada é somente escuridão, espelho do vazio, vereda tolhida por demasiados óbices, letras borradas, visão sobejamente turva. Por sua vez o aquilo de sempre, o mesmo deprimente e suas vertentes habituais tornam o dia após dia meio que nulo e descolorido, pois a revelação e a surpresa são inesperadas pérolas de mudança imprescindíveis e sempre bem-vindas. Estar vivo é não apenas aguardar a passagem do tempo, mas se possível tentar moldá-lo, fazê-lo trabalhar em nosso prol, procurar escolhas diferentes, pintar a lua de vermelho, por exemplo, cobrir o sol com a mão, pintar as nuvens com cores abstratas, torná-las multicolores, o sui generis enfim. Daí o turbilhão de ideias ser o algo mais, aquele sub-reptício toque mágico capaz de conquistar e cativar, de acender fogueira ao redor das geleiras, de sonhar voando porque  asas surgiram do além-imaginado, de andar de bicicleta no espaço como numa aeronave e tendo como moto propulsor apenas a força do pensamento e da fantasia. O horizonte é vasto, sem dúvida. Ter novas ideias é repensar a rotina, trabalhar a mente para que permaneça sempre jovem e ativa, é fazer do diferente e do estranho o igual e o interessante. Fará a sociedade sorrir e ser melhor. Sejam, então, as ideias almejadas a todo instante, procuradas como se busca inteiramente um tesouro por demais precioso. O objetivo é, conforme está explícito, o discernimento do oculto, vasculhar o escondido, avistar novos horizontes. E que venham abundantes, em cascata para nos deixar, a um só tempo, atônitos e encantados, sorridentes, felizes, também ansiosos por muitas ideias, todos os dias, na vida de cada um dos senhores formandos.
               Finalizando, quero lembrá-los de que essa vida, pela qual somos os responsáveis, não nos é dada feita, prontinha como um programa de televisão, que podemos apreciar, sem muito esforço pessoal, confortavelmente numa poltrona... Grande parte dela começa a partir de hoje, com a formatura de cada um dos senhores.
 Que Deus abençoe a todos. Boa noite...

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz