Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Confraternização de final de ano dos grupos literários de Piracicaba 2012


Aconteceu na Biblioteca Municipal de Piracicaba com representantes dos 6 grupos literários da cidade
O aniversariante

João Baptista Negreiros Athayde abre a reunião com pequeno discurso
Rosani Abul Adal, editora do Jornal Literário Linguagem Viva, veio especialmente de São Paulo para o evento.
Na foto com Ivana Negri




Silvia Oliveira e Esther Vacchi
Cassio Negri e Cornelio Carvalho
Professor Cornélio saudando os amigos

Rosani falando da sua satisfação em participar

Lucila Silvestre que foi diretora da Biblioteca por muitos anos agradecendo aos amigos




Carmen Pilotto falando um pouco dos projetos realizados em  2012 e dos  que se realizarão em 2013


Ivana e Cassio Negri
Athayde e Carmen Pilotto - amigos secretos



Eunice Zen Verdi e Marly Germano Perecin
Ruth Assunção e Lidia Sendin
Ana Marly Jacobino e Angela Reyes
Leda Coletti e Raquel Delvaje
Cornélio e Irineu Volpato
Cassio Negri e Áurea Squerro
Elda Nympha Cobra Silveira e Aracy Duarte Ferrari
Ivana Negri e Lucila Silvestre

Madalena Tricânico e Rosani Adal

Feliz 2013!!!
Ano que vem tem mais!


domingo, 23 de dezembro de 2012

Noite de Luz

Felisbino de Almeida Leme
Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Neto

Noite de luz,
Repleta de amor,
Nasceu Jesus,
O Salvador.

Os anjos cantam,
Lá nas alturas.
Hinos que encantam,
Enchem de ternuras.

Noite Santa e Feliz,
Canta o coro celestial.
Uma voz nos diz:
Jesus nasceu, é Natal !


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O Menino que mudou o Mundo

Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33
Patrono: Fernando Ferraz de Arruda

Há muitos e muitos séculos, num lugarejo que nem se sabe ao certo onde se localiza no mapa atual, um jovem casal perambulava pelas ruas pedregosas à procura de alguma hospedaria, um lugar para pernoitar e abrigar-se do frio e da chuva.
O ventre avolumado da moça anunciava que estava em adiantado estado de gestação. Ela ia na garupa de um manso burrinho que caminhava lentamente. Ao seu lado, o esposo, com os pés descalços e calejados de tanto pisar sobre seixos, empunhava um cajado a fim de proteger a quase menina e o precioso fardo que carregava.
Quanto mais batiam em portas, mais negativas recebiam. Todas as estalagens estavam lotadas, não havia lugar para ficar. A fisionomia da moça mostrava-se serena, apesar da gravidade da situação. Ela tinha fé que a providência divina jamais a abandonaria.
Os dolorosas contrações ritmadas e cada vez em intervalos menores, indicavam que o parto não demoraria. Ela colocava as mãos no ventre sentindo a força da vida querendo romper a barreira da carne.
Alguém indicou uma estrebaria onde havia muitos animais. O casal se dirigiu  para lá e a moça se aninhou como pôde entre as palhas.
Foi nesse cenário bucólico e campestre que o menino nasceu inundando de amor o coração daquela mãe de primeira viagem e do seu companheiro.
Os animais sempre sabem o que muitos humanos ignoram e o instinto os avisou  qual atitude tomar. E pressentindo que algo especial estava acontecendo, eles se reuniram em volta da criança formando uma barreira protetora resultante da união de energias e calor, pois a criança não tinha nenhum pano para a envolver.
Filha de pais humildes, rodeada de animais, sem riqueza alguma, essa criança fez a diferença para a humanidade. E por quê?
Tantos reis, faraós e governantes passaram por sobre a Terra. Todos reinaram e  governaram em busca de ouro, poder e glórias.
Alguns, mais bondosos e justos, conseguiram eternizar seus nomes na História do mundo, mas a maioria dos reis e reinados viraram pó, se dizimaram assim como as cidades que sua ganância e sede de poder destruíram em guerras fratricidas, quando milhares de irmãos morreram por ideais que não eram seus.
Mas o que aquele Menino trouxe, foi a certeza de que há vida após esta vida. Através de discursos simples e seu exemplo de humildade e amor ao próximo, Ele arrebatou corações. Trazia esperança às pessoas. Mensagens como “Amai-vos uns aos outros”, “Perdoa não sete, mas sete vezes sete o teu irmão que errou”, “Pai, perdoai-lhes pois não sabem o que fazem","O que queres que os homens façam por ti, faça igualmente por eles."
E contava parábolas que encantavam: “O reino dos céus é semelhante a um semeador que saiu espargindo sementes”, “Um pai recebe o filho pródigo com festas e braços abertos”,Olhai as aves do céu, que não semeiam, nem ajuntam em celeiros, mas o Pai as alimenta”.
E até hoje, tantos séculos decorridos daquela longínqua noite mágica, a mensagem de Amor e Paz perdura e traz esperança aos corações...

(texto publicado em 21?12/2012 na Gazeta de Piracicaba)



Poema de verão

Mônica Aguiar Corazza Stefani
Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira

No fino espaço da luz eu me estreito e passo.
Das flores tiro as cores sempre tão lindas e as pétalas tão perfumadas...

Da doçura das coisas doces divido um pouco os sonhos 
que tenho das minhas fantasias e aproveito para  tirar delas o amargor dos dias reais.

Afinal o que seria de nós sem nosso  jogo de cintura,

 sem as musicas para dançar e o mar para nos inspirar,
 sem a lua para iluminar mentes e corações...
O que seria de nós, enfim, sem o pôr do sol e o novo amanhecer?...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Natal

Lino Vitti Cadeira n° 37 - Patrono: Sebastião Ferraz                                       


       Parece incrível, mas já estamos chegando a mais um Natal, data em que a Humanidade resolve lembrar o nascimento de Cristo Salvador. Essa rapidez com que o tempo passa, para os cristãos, significa a inconsistência temporal da vida humana, a meditação da eternidade e, principalmente, a necessidade de bitolar a nossa vida na perseguição aos valores, atos e fatos que nos guiem os passos rumo ao fim último do homem, qual seja Deus.
Os bairros de minha infância – Santana e Santa Olímpia – graças a Deus, sempre souberam comemorar com toda a dignidade e espírito cristão essa importante data religiosa e, por quê não?, também civil. Lembro-me que desde pequenino meus avós, meus pais, meus tios e o tias, os irmãos mais velhos, se uniam todos em melhor comemorar a festividade santa do Natal, instalando sempre em cada lar, um presepe alusivo ao tradicional acontecimento. Esses presepes, sempre lindos para nossos olhos infantis, procuravam retratar quanto possível, o cenário de Belém, com a gruta, a manjedoura, os santos José e Maria, o Menino-Deus, o boi e o burrinho, os carneiros, os pastores, e três caminhos que vinham terminar em caminho único ao chegar próximo a manjedoura. E por que três caminhos? Ora, é que por eles viriam os Reis Magos visitar o Menino, a Criança Divina, e oferecer-lhe os presentes ouro, incenso e mirra. Esses Reis Magos, que não passavam de estatuetas, admirados pela nossa curiosidade infantil, percorriam aqueles caminhos representativos de seus reinos, durante 15 dias, mudados um pouquinho à frente, a cada dia, até o Dia de Reis, que era a 6 de Janeiro do ano seguinte. Ah! que inveja tinha eu daquela pessoa responsável pela viagem dos Magos que tinha autoridade para empurrá-los para diante! Como a gente “trabalhava” na cata do musgo quer ia servir de grama no presepe, na busca da areia branquinha para fazer os caminhozinhos, na descoberta de papelão colorido com que se fabricavam as casinhas dos pastores e os palácios dos Reis Magos, colocados em cada canto do tablado, o que para minha fantasia parecia estarem colocados a milhares de quilômetros distantes da gruta divinal, por isso levavam 15 dias (!!!) para chegarem até o Divino Infante.
Não sei se ainda aquelas comunidades montam presepes residenciais. Nota Dez (A, de hoje), para os que mantenham a tradição! Mas o mundo de nossos dias materializou aquilo que nunca pode ser materializado. Transformou o Natal em ocasião de comercialização, fazendo do Menino-Deus, um velho Papai-Noel, fazendo dos Santos Reis, uma legião de vendedores e poluidores da inocência infantil. Parece a mim e aos que me acompanharem nestas considerações, que a humanidade está se desviando para aquilo que certo filósofo do passado afirmou tristemente: “Deus não  existe”.
E  sem Deus o que é que nós iríamos fazer!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

OFERENDA DE NATAL

Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme
Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges


Menino Deus,
Tudo que conseguimos juntar,
Pra Lhe ofertar...
Um punhado de ternura,
Um ramalhete de sonhos,
Uma constelação pura
De objetivos risonhos.
 Tudo que conseguimos trilhar,
Pra Lhe encontrar
Um caminho de esperança
Banhado pelo sol da fé,
Cheio de doce confiança
No pico ou no sopé,
Desses reveses da vida,
O trabalho como lida.
 Tudo que conseguimos colecionar,
Pra lhe ofertar...
Na quietude da noite,
O silêncio como açoite
Para corrida veloz,
Amarrando o passado
Ao presente inda na foz
Do futuro esperado.
 Tudo que devemos levar,
Pra lhe ofertar...
Ao som de divinos arranjos,
Harpa dedilhada por anjos,
Sermos nós a oferenda,
Vestidos de paz na senda,
Tecidos de tolerância e alegria,
Fraternidade e harmonia
Com toda natureza,
Ideal de amor – certeza
Humanidade fraternal
Oferenda de Natal.

domingo, 16 de dezembro de 2012

INDULTO DE NATAL


André Bueno Oliveira
Cadeira n° 14 - Patrona: Branca Motta de Toledo Sachs


Natal de minha infância...que saudade!
Por que não ressuscitas do passado,
e voltas ser o sonho iluminado
do meu  alvorecer na tenra idade?

Presente?...eu pediria um restaurado
que outrora já me deu felicidade:
- a cândida Inocência... divindade
que o mundo me obrigou deixar de lado.

Quisera-te de fato mais divino,
o mesmo que eu tivera de menino
ainda sem noção do que era a Vida!

Pudesse, eu pediria o teu indulto:
liberta-me os grilhões de ser adulto,
devolve-me a criança em mim perdida!


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

NATAL

Elda Nympha Cobra Silveira
Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior

A luz, como cristal lapidado,
faísca na negritude da noite
parecendo pingos raiados
pendentes em árvores natalinas,
que, como falsas neves,
trazem o amor, a alegria
do irreal momentâneo
do falso brilhante.

Todos querem perdurar
naquele instante
a emoção da fraternidade,
que, como uma estrela cadente,
passa veloz,
coriscando o céu,
levando desejos sinceros,
mas, etéreos,
tão voláteis,
que se dispersam
até o ano vindouro,
numa nova esperança.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Verão

Antonio Carlos Fusatto
Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda

Magia universal;
Tempo parado;
apenas a sinfonia
           do vento,
no farfalhar
           das folhas.

Num momento:
Festa de luzes!

Miríade de pequeninas
            lâmpadas,
bailam no negrume da noite.

São pirilampos
            que vagueiam.
     Assim como meus
            pensamentos.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Aos amigos aposentados

 Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara

O texto abaixo foi lido no jantar de encontro com os funcionários aposentados da ESALQ em 2012, um encontro muito agradável no Restaurante Le Gourmet do Hotel Bristol, no último dia 23 de novembro, cerca de 80 amigos lá estiveram.

Aos amigos aposentados:
boa noite! Para os que não me conhecem, meu nome é Carmen Pilotto, funcionária aposentada, mas ainda em exercício na diretoria da Esalq.
É um gr
ande prazer estar aqui com vocês aprendendo um pouco mais em como encontrar paz e harmonia após a opção de finalizar a atividade profissional. Sou uma eterna observadora, e noto que se há algo que nossa geração gosta muito é de ouvir os ditados populares. Já notaram que todos eles têm uma aplicação em nossas vidas?
Assim, vou tentar usar alguns nesta pequena troca de ideias: já repararam como “a grama do vizinho é sempre mais verde?” Ou melhor, “a galinha do vizinho é sempre mais gorda que a nossa”. Acredito que esses ditados só têm sentido quando somos jovens, a partir de um determinado momento passamos a curtir tudo o que temos, não nos atrai mais o carro último tipo ou mesmo as roupas mais sofisticadas. Nossas alegrias vêm das coisas simples que observamos: o fuxico que fazemos com um lindo retalho, o carinho do netinho em um beijinho estralado, o sorriso de um estranho ao nos dizer bom dia, a pequena violeta que soltou lindas flores, a vitória naquela partida do jogo de truco no quintal e coisas do gênero.
Hoje, têm muito mais valor os ditados: “enquanto há vida, há esperança; muito alcança quem não cansa” e o “famoso devagar se vai ao longe”. Tudo porque a maturidade traz uma noção de tempo mais ponderada, sem a urgência da juventude. Nada de marcar dez compromissos no mesmo dia, é necessário curtir cada momento em seu tempo devido. Se demorar a acontecer algum fato, “antes tarde do que nunca”, afinal “a morte não escolhe idade”, mesmo porque “deus dá o frio conforme o cobertor”.
“como águas passadas não movem moinhos”, aguardamos com serenidade nossas manhãs ensolaradas ou chuvosas, mesmo porque “não há nada como um dia depois do outro”.
E vamos tocando a vida porque “não há rosas sem espinhos e o futuro a deus pertence”. Devemos encarar tudo com otimismo e fé lembrando que “a consciência tranquila é o melhor remédio contra insônia”.
Assim amigo, cultive bons hábitos: seja aberto aos novos tempos porque somente “envelhecemos quando deixamos de lutar!” Não seja radical, abra seu coração para os novos tempos, afinal “há males que vem para o bem”. E pensando bem, “não corrigir nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros”.
Seja positivo, reze, cuide de seu corpo, pondere, “ajuda-te que deus te ajudará!”

FINALIZANDO, QUERO DESEJAR UM FELIZ 2013 PARA TODOS, REMEMORANDO A MADRE TEREZA DE CALCUTÁ, EM SUAS SÁBIAS PALAVRAS:

"Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo.
Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo.
Não viva de fotografias amareladas...
Continue, quando todos esperam que desistas.
Não deixe que enferruje o ferro que existe em você.
Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você.
Quando não conseguir correr através dos anos, trote.
Quando não conseguir trotar, caminhe.
Quando não conseguir caminhar, use uma bengala.”

Carmen Pilotto, 23/11/12
Obs: Todas as frase entre aspas (“”) são ditados populares e o último verso é da admirável Madre Teresa de Calcutá.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Hernâni Donato (1922-2012)

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado

                   In memoriam


No meu último artigo, tive ocasião de comentar, com os leitores da Tribuna Piracicabana, o falecimento de Samuel Pfromm Netto, falecido no dia 17 de novembro. Cinco dias depois, outro grande intelectual paulista nos deixou: Hernâni Donato.
Laconicamente, assim rezava a notícia divulgada pela imprensa:
Morreu na manhã desta quinta-feira (22), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o escritor, historiador, jornalista, tradutor e roteirista Hernâni Donato. O autor será enterrado nesta sexta-feira, às 10h, no cemitério Gethsemani, no Morumbi. Ele tinha 90 anos e ocupava a cadeira nº 20 da Academia Paulista de Letras.”
Soube de mais pormenores por D. Nelly Donato – dama de cultura excepcional, esposa dedicada e cooperadora intelectual da obra de Hernâni. Três ou quatro dias antes do falecimento, Hernâni recebera, na UTI do Hospital, a visita de seu amigo D. Fernando Figueiredo, Bispo de Santo Amaro. D. Fernando estava saindo de viagem para Roma, mas quis visitar Hernâni, ao qual ministrou a Unção dos Enfermos.
Hernâni era desses homens que nos habituamos a supor que nunca morrem, não apenas no sentido metafórico e simbólico de ser um “imortal” membro da Academia Paulista de Letras, mas porque sua vitalidade extraordinária, sua vivacidade de espírito, seu incansável trabalho, sua energia e seu entusiasmo contagiantes, davam-nos a ilusão de que aquele jovem de 90 anos ainda teria um longo percurso pela frente.
Lutou durante 20 anos contra um câncer, mas isso não o impediu de prosseguir suas atividades. Trabalhou até o fim, nunca esmoreceu. No hospital, contou-me D. Nelly, ainda estava empenhado na redação de três livros e comentava com seu médico que não podia morrer sem tê-los concluído.
Iniciou a vida em Botucatu, a cidade dos bons ares, pela qual conservou sempre um carinho e um amor muito assinalados. Em Botucatu, aliás, é considerado a justo título uma glória da cidade, é respeitadíssimo, assim como seu antigo condiscípulo Francisco Marins, igualmente membro da Academia Paulista de Letras. Aos 11 anos de idade, escreveram os dois um romance infantil a quatro mãos. Cada um escrevia um capítulo, alternadamente, e a obra chegou a ser publicada em capítulos, no clássico sistema de folhetim, por um suplemento literário do grupo Diários Associados. Seu título: “O Tesouro”.
Essas foram as primícias do talento dos dois juveníssimos escritores, que tanto haveriam de brilhar nas letras paulistas. Mais tarde, aos 19 anos, Hernâni empreendeu uma tradução da Divina Comédia, considerada até hoje das melhores existentes para nosso idioma.
A partir daí, as produções literárias foram se sucedendo ininterruptamente, chegando à casa dos 80 volumes publicados, nos mais diversos gêneros: livros históricos, obras de referência, biografias, livros infantis, novelas, romances etc.
Historiador consciencioso e bem documentado, sabia escrever do mesmo modo atraente e cativante com que falava. Os leitores sorviam, literalmente, seus livros, todos escritos de modo a prender a atenção do começo ao fim. Quando vejo historiadores de formação criticarem jornalistas, como Hernâni, que escrevem sobre temas históricos e alcançam grandes tiragens, não posso deixar de me perguntar: por que tantos historiadores de formação não escrevem também de modo interessante e adequado ao grande público, mas fazem questão de produzir textos acadêmicos... que só outros acadêmicos conseguem ler e entender?
Hernâni escrevia livros históricos e biografias que, sem embargo do forte embasamento documental, pareciam novelas, roteiros de cinema. Mais de um livro seu foi, aliás, objeto de adaptações para o cinema. Profundamente brasileiro e paulista, Hernâni produziu obra de interesse universal, o que pode ser atestado pelas inúmeras traduções que vários de seus livros tiveram, até mesmo para idiomas pouco afins com o nosso.
Sua erudição era espantosa e de grande precisão. Recordo certa ocasião que lhe perguntei como eram iluminadas as casas paulistas no século XVII. “Depende – respondeu com segurança. Até certa altura desse período, mais usada era a cera de abelha, transformada em velas. Depois, generalizou-se o uso do óleo de baleia, também utilizado na argamassa para construção”. E explicou que pelo exame da documentação antiga conservada no Arquivo do Estado de São Paulo conseguira situar, de modo bastante aproximado, quando o óleo de baleia tinha começado a servir nos candeeiros paulistas.  
Outra vez, perguntei-lhe acerca da realização de touradas, na São Paulo antiga, já que minha avó – nascida em Portugal em 1880 e vinda para o Brasil em 1886 – se lembrava de corridas de touros no Largo dos Curros, que depois foi transformado em Praça da República. Sem qualquer consulta a apontamentos, Hernâni não somente falou das touradas na capital paulista, realizadas até cerca de 1910, mas citou nominalmente várias cidades do interior de São Paulo que mantiveram touradas até bem depois disso, nas quais se exibiam toureiros nacionais e estrangeiros, e até me falou de uma toureira muito famosa, que causou sensação em várias cidades paulistas pelo seu desempenho corajoso. Revelou ainda que tinha apontamentos completos sobre o assunto, mas nunca tivera tempo de redigir algo mais profundo a respeito.
Hernâni teve vida profissional muito intensa, chegando aos mais altos postos do Grupo Abril e da Companhia Melhoramentos. Trabalhou também na imprensa e em vários canais de televisão. Associativamente, atém de membro da Academia Paulista de Letras (cuja revista dirigiu por muitos anos, nela promovendo uma salutar atualização, com excelente projeto gráfico), foi também duas vezes Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Recebeu merecidamente, desta última instituição, o título de Presidente Perpétuo de honra.
Sua solicitude pelo Instituto era enorme. Praticamente todas as manhãs tinha longas conversações com sua Presidente, Dra. Nelly Martins Ferreira Candeias, pois gostava de se manter atualizado sobre os assuntos do Instituto. Nas horas difíceis, que não foram poucas, Hernâni sempre esteve ao lado da nossa valorosa e ativa Presidente, trocando ideias, dando sugestões, aconselhando. Era um interlocutor ideal que Dra. Nelly sempre apreciou e cuja colaboração soube utilizar a bem do Instituto.
Foi, ainda, um amigo muito dileto, ao qual devo, inclusive o prefácio de meu livro de crônicas  “A porto-riquenha dentuça e horrorosa”. Todos nós sentiremos imensamente a falta de Hernâni.

 (*) Armando Alexandre dos Santos é historiador,  jornalista e diretor da Revista da Academia Piracicabana de Letras.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

TROVAS DE NATAL

Leda Coletti- Cadeira no 36
Cadeira n° 36 - Patrona: Olívia Bianco

Sendo os dias, só  Natal,
diverso seria o mundo,
não mais haveria o mal
reinaria o amor profundo.

Esperanças renovadas
para um Natal de luz e paz,
esquecer águas passadas,
perdoar só bem nos faz.

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz