Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A MAQUIAGEM

Toshio Icizuca
Patrono: Elias de Melo Ayres
Cadeira no 38

Antigamente, quando se falava em maquiagem entendia-se por maquiagem facial, um dos artifícios que as mulheres usavam para melhorar o visual, não somente para realçar as belezas naturais como também para esconder as imperfeições que lhes incomodam, e podem ser minimizadas através de produtos especialmente criados para essa finalidade.
Passaram-se os tempos, os costumes mudaram, surgiram-se novos problemas, mas com o avanço da tecnologia e a evolução da humanidade a criatividade do homem nos surpreende a cada dia, e muitas vezes  merecem os nossos aplausos, porém às vezes ela nos decepciona, causa mal estar, deixa-nos descrente em relação ao uso da inteligência para o bem da comunidade. Até palavra consagrada ao longo do tempo por embelezar as mulheres, é distorcida, usada indevidamente para esconder as falcatruas e resultados decepcionantes que não podem ser mostrados publicamente, pois assim fazendo a “cara” do autor ou responsável pela má condução da gestão ficará manchada.
Evidentemente, estamos falando da palavra maquiagem. O uso da maquiagem de resultados para esconder erros e índices decepcionantes se tornaram comuns ultimamente, principalmente na área federal. Todos os artifícios para maquiar os números indesejáveis são válidos, desde a mudança de parâmetros, alteração de leis, mudança de amplitude na compilação de resultados, relocação de verbas, enfim, não se medem “esforços” para apresentar números satisfatórios aos olhos do povo. Às vezes, mesmo com toda dedicação e “esforços” dos maquiadores, os números ficam escancarados, como os “pibinhos” de 2011 e 2012.
Enquanto o uso do artifício da maquiagem fica restrito ao noticiário interno, embora a prática seja condenável, a imagem do país perante o mundo não fica tão arranhada, porém, ao ser divulgado por um respeitável órgão de economia do mundo, a posição do País se tornará desconfortável e a sua credibilidade diante de outras nações ficará manchada. Infelizmente é  esta a situação atual do Brasil.
Vale lembrar também que o uso da maquiagem fez com que “aumentassem” consideravelmente a população de classe média brasileira. Convenhamos, não se pode dizer que uma família com renda de três salários mínimos pode ser considerada de classe média! Só se for no Haiti, um dos países mais pobres do mundo!
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 Texto publicado na Gazeta de Piracicaba

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Santa Maria do Sul

Felisbino de Almeida Leme
Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Neto

Santa Maria,
Dor e sofrimento.
Na noite de alegria,
Surge o tormento.

Jovens na balada,
Unindo suas vidas.
Junto à madrugada,
Tristes despedidas.

Prece e louvor,
A todos os falecidos.
Deus olhe com amor,
Seus entes queridos . 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Tragédia anunciada

 Acadêmica Myria Machado Botelho
Cadeira n° 24 - Patrona: Maria Cecília Machado Bonachella
            A ocorrência trágica deste fim de semana em Santa Maria, sábado,26/01, distante 300km de Porto Alegre, uma cidade universitária povoada  por jovens estudantes, levou o país a uma comoção geral e estupefata, atestando mais uma vez uma irresponsabilidade imperdoável. Nosso poder público, incluindo o prefeito e autoridades ligadas à segurança, os proprietários de estabelecimentos de diversão pública, é realmente deficitário em relação a uma cultura de segurança e de prevenção contra acidentes previsíveis como o ocorrido. Uma casa de diversões com uma única e estreita porta, abrigando perto de duas mil pessoas não deveria jamais ter o alvará necessário para funcionar.E, lamentavelmente , em todo o país, esta situação deficitária é comum. Não há fiscalização, não há prevenção, não há exigência quanto à programação a ser apresentada.
            Revoltante, inadmissível e doloroso constatar tanta ignorância, tanta ausência de bom senso, tanta frieza, tanto interesse e ganância, em face do que seria perfeitamente previsível de acontecer. Em se tratando de vidas humanas, vidas preciosas, o que aconteceu em Santa Maria deveria suscitar uma reação coletiva de nossas comunidades,em favor de novos direcionamentos e decisões drásticas e urgentes no sentido de prevenir que acontecimentos como este se repitam.De longe, assistindo aos noticiários, foi difícil acompanhar tanta dor, respaldada sempre pela solidariedade absoluta da população da cidade. E os depoimentos  gerais de quem logrou sair foi o da absoluta estupidez dos responsáveis pela boate. Havia barras de ferro, obstruindo a passagem em direção à bilheteria e, rapidamente a fumaça do recinto, fechado completamente, também impediu a visibilidade, provocando o desespero geral.
            Aconteceu e pronto. O irremediável não vai restituir tantas vidas em flor que, em busca de uma distração, estão mortas, brutal e inexoravelmente. Uma tragédia que vai demandar muito tempo para ser esquecida. Embora se deva ressaltar como fator bastante positivo, esta mobilização solidária que constitui a matéria prima da formação brasileira.  Só falta agora, unir a esta solidariedade, uma ação definida tendo em vista uma revisão na legalização, na emissão de alvarás e nas condições de funcionamento dos locais  de diversão pública, inclusive  os da pirotecnia em ambientes fechados, afim de que tragédias como esta não se repitam.  

2º “Concurso de Poesias Carlos Cezar” – 2013




Casa do Escritor, UBT – Seção de Moji Guaçu, SP*
e Academia Guaçuana de Letras
apresentam
2º “Concurso de Poesias Carlos Cezar” – 2013

Regulamento

1. O Concurso de Poesias Carlos Cezar é uma iniciativa da Casa do Escritor (CaEs) e da União Brasileira de Trovadores (UBT) – Seção de Moji Guaçu, com o apoio da Academia Guaçuana de Letras (AGL).
2. Carlos Cezar (1942-2002), cantor e compositor, membro da Academia Guaçuana de Letras, é nosso homenageado, emprestando o nome ao título de nosso concurso.
3. A idade mínima exigida para a participação é de 16 anos.
4. O tema é LIVRE. Aceita-se apenas uma obra de cada concorrente. A poesia pode ser em forma clássica, ou moderna. Não há limite de laudas (páginas). Contudo, para maior fixação, recomenda-se que não se ultrapassem duas laudas, digitadas em espaço de 1,5, fonte 12, Arial ou Times, em três vias. Há duas categoriasLocal e Outras Cidades. Por favor, identifique-as logo abaixo do título do poema e, também, por fora do envelope de envio.
5. O modo de remessa é o conhecido sistema de envelopes. A poesia inscrita deve ser assinada com pseudônimo e posta num envelope grande. Os dados pessoais, inclusive nome da obra inscrita e pseudônimo, devem ser postos num envelope menor lacrado e igualmente colocado no envelope maior, devidamente fechado, sem identificação.
6. O prazo de inscrição encerra-se dia 22/03/2013, valendo a data do carimbo dos Correios. A poesia deve ser enviada para o seguinte endereço: Rua Rio Claro, 86, Jardim Itacolomy, CEP 13843-196 – Mogi Guaçu, SP, A/C Maria Ignez Pereira.
7. Os trabalhos inscritos serão julgados por membros da Casa do Escritor, UBT – Seção de Moji Guaçu e Academia Guaçuana de Letras (AGL), ficando expressamente vedada a participação de autores dessas três entidades literárias guaçuanas.
8. A premiação deve acontecer no mês de abril deste ano, em data a ser confirmada pelos responsáveis da Casa do Escritor e UBT – Seção Moji Guaçu.
9. Os prêmios serão de valor simbólico, enfatizando o caráter de partilha da poesia, assim como o reconhecimento de quem se dedica a expressar e repartir suas palavras.
10. A decisão do júri será irrevogável. Os trabalhos concorrentes não serão devolvidos.

Olivaldo Júnior
Presidente da Casa do Escritor
e da UBT – Seção Moji Guaçu

* Acompanhe o Blog da CaEs e UBT – Seção de Moji Guaçu, SP: http://caeseubt.blogspot.com.br/

sábado, 26 de janeiro de 2013

Curiosidade histórica



Professor Zilmar Ziller Marcos

As palavras abaixo compõem a letra de um hino dedicado à 1ª. Turma do Curso de Zootecnia da Faculdade de Veterinária e Zootecnía da USP em 1982. Foi Composto a pedido dos formandos e apresentado na sessão solene de Colação de grau pelo coral da USP. 
O arranjo (décor) para piano e vozes foi preparado pelo Maestro Egildo Rizzi. Ficou até o presente esquecido.
Poderá ter a oportunidade de ressurgir (?) pois os Profs. Luiz Gustavo Nuccio e Wilson Mattos, da ESALQ, membros da diretoria da Sociedade Brasileira de Zootecnia mostraram interesse. Dei a eles uma cópia da partitura.
O motivo de lhe enviar esse relato que vai acompanhado da letra é, por saber de suas convicções, pensar na sua reação ao ler a letra, propositalmente contendo ambiguidades.
O duplo sentido mais destacado é o estribilho.
Um abraço.
Zilmar

Do Reino Animal

Nos bosques, nos prados, nos campos em flor,
nos lares, cidades e onde há labor,
está nossa lida com todo o fervor:

                                Estribilho      
        Criar, bem cuidar, e com trato zelar
        do reino animal para o homem ganhar!

Dos gados e aves e peixes vou ter:
comida, trabalho, esporte ou lazer,
e amigos diários ou só para ver.

Se vão para os campos é para pastar,
se vivem nas águas é para nadar,
se estão pelos ares é para voar.

Sou homem do campo que vivo a sorrir:
tangendo a boiada para onde há de ir
ao som do berrante tão bom de se ouvir.
                   
                                  Estribilho
         Criar, bem cuidar, e com trato zelar
         Do reino animal para o homem ganhar!




NADA

João Baptista de Souza Negreiros Athayde 
Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira

Horas vazias, preenchendo a alma
Horas vazias, que não dizem nada
Horas que passam em estranha calma
Horas parando numa branca estrada

Pálidas luzes, de futuro incerto
Frágeis visões, que esmaecem tontas
Águias feridas já sem rumo certo
Rosário escuro desfiando as contas.

Horas sozinhas, abismando o vácuo
Horas pesadas, vagarosas, mortas
Horas de cismas, mudas, frias, nuas
Singrando inúteis pelas ruas tortas.

Depois... o nada, como se algo houvesse
Depois... o frio, sem haver calor
Horas exaustas no quadrante etéreo
Versos morrendo, sem achar amor.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Akhenaton e a historicidade dos relatos bíblicos

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
O caso de Akhenaton, faraó egípcio que viveu no século XIV a.C. e tentou introduzir, em seu reino, o culto a um único Deus, costuma ser apresentado, por certos críticos modernos que preferem ignorar os relatos bíblicos, como a primeira manifestação monoteísta da história da humanidade. Por não aceitarem os relatos bíblicos e negarem total caráter histórico a eles, apontam Akhenaton como estando na raiz e na origem de todos os monoteísmos conhecidos, incluindo, em ordem cronológica de aparecimento, o judaísmo, o cristianismo e o maometismo, e ignorando crenças monoteístas difusas em numerosas partes do mundo, inclusive entre tribos indígenas da América do Sul. 
A Bíblia, entretanto, é reconhecida como fonte histórica por inúmeros cientistas de primeira linha, ainda nos nossos tempos. Desde obras clássicas como a célebre coletânea “La Bible, Livre d´Histoire”, do Prof. Daniel Rops, da Academia Francesa e do Instituto de França,  “The Bible is true”, do arqueólogo britânico Sir Charles Marston, “Histoire d´Israël”, de F. Ricciotti, da Universidade Lateranense, outro livro homônimo de Martin Noth, da Universidade de Bonn, até obras de divulgação respeitáveis, como “E a Bíblia tinha razão”, de Werner Keller, ou “La vie quotidienne des hommes de la Bible”, de André Chouraqui, sustentam o valor histórico dos livros bíblicos. Inúmeras descobertas arqueológicas igualmente confirmam afirmações históricas contidas na Bíblia.
Bem sei que uma objeção de peso pode ser feita a isto que estou afirmando: sendo muito difícil (para não dizer impossível) precisar, historicamente, a época em que foram escritos os numerosos livros sagrados que compõem a Bíblia, e até mesmo precisar a autoria individual de cada um deles, é também muito difícil negar que tenham eles sofrido influência cultural de outros povos anteriores, que também têm, em suas tradições orais ou mesmo escritas, referências a um pecado original, a um lost paradise, a um dilúvio, à promessa de um grande libertador futuro, a uma torre mítica que estaria na origem da divisão das línguas etc. Na ótica desses objetantes, o fato de se encontrarem documentos escritos anteriores, documentando que também em outros locais se cultivava análoga crença, basta para provar que a Bíblia não pode ter sido origem delas, sendo, pelo contrário, originada por elas. Nisso incorrem no famoso paralogismo do “post hoc ergo propter hoc” (em tradução livre: se veio depois de algo, é porque foi causado por esse algo). Esse raciocínio é errôneo, pois não basta algo ser anterior para ser causa de algo posterior.
A crítica literária moderna, dos livros bíblicos, tende a acreditar que o que se conhece da Bíblia, na sua composição atual (ignorando, para não complicar a exposição, a vexata quaestio das divergências entre católicos e protestantes acerca da canonicidade ou não de alguns livros, assim como polêmicas acerca de textos apócrifos que foram, por vezes, tomados como canônicos por alguns autores de peso e até utilizados na Liturgia), nem sempre corresponde a uma primeira versão escrita por um único autor, mas é muitas vezes o resultado de inúmeras gerações de copistas/redatores que fizeram acréscimos, interpolações, censuras etc. Essa suposição, mesmo que verdadeira, de si não desclassificaria a Bíblia como fonte histórica. Por análogo processo de múltipla autoria e gradual composição passaram, como é reconhecido por todos os estudiosos, obras como a Ilíada e a Odisseia, assim como o curiosíssimo Gilgamesh (a mais antiga referência escrita, conhecida até hoje, a um dilúvio universal), e nem por isso são sumariamente descartadas ou deixam de ser tratadas com respeito por historiadores de todas as tendências.
Também me parece apriorístico e preconceituoso querer excluir um autor, como anticientífico, apenas porque tem fé e é religioso. Lembro, de passagem, a figura do Abbé Théophile Moreux (1867-1954), sábio egiptólogo, astrônomo e meteorologista, diretor do observatório astronômico de Bourges, tão respeitado no meio científico que até foi dado, oficialmente, seu nome a uma cratera da Lua. Já vi esse autor – que tem muitas dezenas de obras científicas de incontestável valor, que escreveu, ademais, o clássico “La science mystérieuse des Pharaons”, que era membro destacado da Sociedade Astronômica de Paris e, no fim da vida, foi preso pela polícia nazista por ser opositor de Hitler – ser sumariamente descartado num debate, por um professor universitário brasileiro de cultura geral, aliás, bastante duvidosa, sob alegação de que um padre, ao escrever sobre tema científico, é sempre suspeito e não deve ser tomado em consideração... Se isso não é preconceito, não sei o que é preconceito! Então deveriam ser igualmente descartados os cientistas ateus que escrevem sobre temas religiosos? Também eles não são suspeitos? Aonde iríamos parar? Somente poderiam ser tomados em consideração como cientistas confiáveis, então, os relativistas “anti-metafísicos”, que professam não haver verdades definitivas de espécie alguma. Mas, ainda aí caberia a pergunta: essa profissão de fé na inexistência de verdades definitivas, ela própria não é uma “verdade definitiva” que deva, na lógica do sistema, ser banida?
Parece-me, data venia, muito mais equilibrada e razoável a posição de quem prefere supor, como consta da Bíblia e de mitologias presentes em culturas de todos os continentes, uma origem comum para toda a humanidade e vê, nas variações dessas mitologias, distorções explicáveis de um patrimônio cultural que foi comum a todos e a certa altura se perdeu. Voltarei ao tema no próximo artigo.

Artigo publicado na TRIBUNA PIRACICABANA

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

FORMIGAS HUMANAS

Toshio Icizuca
Patrono: Elias de Melo Ayres
Cadeira no 38

Um dia desses, na manhã quente de verão, estava eu malhando na “Academia da Terceira Idade” do Parque da Rua do Porto. Aliás, uma das grandes realizações da  administração Barjas Negri que encerrou o mandato no final de dezembro. Espero que a próxima não me deixe com a saudade da anterior.
Então, estava no aparelho que é chamado de “remador” e, ao invés de olhar para frente, que seria a posição normal da cabeça, olhava o solo. Não havia motivo para isso, mas estava. Quem me visse assim poderia pensar que estava procurando algo que deixei cair durante o movimento dos braços, pernas e o tronco. Na verdade estava completamente absorto, desligado de tudo, como se estivesse sozinho no imenso parque.
De fato, no início era isso mesmo, porque costumo me relaxar dessa forma, embora o corpo esteja em movimento. Porém, a partir de certo momento a minha atenção se fixou em uma formiga que parecia estar perdida, andando sem rumo, mudando de direção sem nenhum motivo aparente. Instantes depois já eram duas formigas, com as mesmas atitudes. Ao aumentar o meu campo de visão percebi que eram perto de dez formiguinhas, perdidas ou desgarradas a procura de alimentos para a sua sobrevivência. Assim imaginei naquele momento, mas poderia ser por outros motivos, como rejeição da “família”, “desempregadas”, ou até ociosas por falta de “habilidade” para o trabalho.
Ao imaginar essa situação, o meu pensamento foi mais longe, em vez de formigas, essas pequenas criaturas podiam ser seres humanos, gentes como moradores de rua que dormem ao relento e ficam perambulando pelas ruas à procura de alimentos para saciar a fome. Para fazer uma ligação entre as duas situações não foi preciso relembrar histórias da civilização humana, os fatos reais ocorriam bem próximos um do outro, pois há mais de meses um grupo de moradores de rua fizeram da cobertura da nova Rua do Porto a sua moradia. Todas as manhãs, ao deixarem a cobertura eles se dirigem ao sanitário do Parque para fazerem a higiene pessoal. Depois se dispersam e cada um toma o seu rumo para “ganhar o pão de cada dia”.
Não tenho nada contra os moradores de rua, eles vivem à sua maneira dentro da sociedade, talvez injusta para alguns, mas justa para outros... A solução do problema é da alçada dos governos, municipal, estadual e federal.
Talvez tenha sido infeliz em fazer comparações entre os dois fatos, uma vez que as formigas trabalham, enquanto no outro grupo nem os jovens fazem isso. Falta de emprego? Culpa da sociedade? Tenho as minhas dúvidas...

Texto publicado na Gazeta de Piracicaba

domingo, 20 de janeiro de 2013

COM A MORTE DE MINHA MÃE...

Maria Helena Vieira Aguiar Corazza
Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz      
          Com a morte de minha mãe, uma porção de lembranças veio à minha mente. E, não eram apenas as da infância, nem os do tumulto da adolescência, da escola ou da vida de mais tarde quando já casada, ela e o papai vinham em fins de semana, ou quando ficavam com os netinhos para que a gente pudesse viajar... Eram momentos os mais diversos, das minhas crises de bronquite e ela no pé da minha cama, ou muito enérgica em seus conceitos de moral e exigência nas lições de casa, enfim, de emoções longínquas ou até esquecidas já, que se mantém vivas agora, se não machucando trazendo doces recordações no relacionamento comum que filhos e pais costumam realizar até com atritos e discussões. Todo mundo aprendendo... Musicas que me lembram agora não só épocas divertidas, mas outras que mexem com o coração sempre que surgem dando-nos a certeza que, se este tempo passou, agora é preciso continuar, sem esmorecer, quem sabe com novas musicas letras de canções e novos sentimentos...
            Engraçado é que, com a morte de minha mãe me vejo mais forte e mais corajosa, mais consciente e mais responsável nos passos a dar nesta vida com tantos compromissos com a família que precisa de mim, e que cresce no dia a dia sem me dar tempo marcado para ficar, ou hora para ir embora daqui, mais firme e mais madura, como se esta fosse a forma definitiva de ver as coisas, sem ela mais por perto, lembrando, porém,  que, minha mãe teve uma vida longa de ausência de enfermidades, acidentes e doenças, com todos os filhos, netos e bisnetos vivos e saudáveis (e olhem que somos bastantes!). Isto foi uma super benção, sim, que é preciso louvar e saudar a Deus todos os instantes que estamos passando e os que teremos ainda que passar. Uma, por assim dizer, homenagem a essa mulher, esse ser humano muito digno pela longevidade de tantos dias (foram 99 anos!), horas e segundos vividos por ela, bastantes calmos até, e, por que não dizer, independentes? Trabalho, minha mãe nunca deu! Era auto-suficiente, e, se precisou de respeito, atenção e amor normal e natural que as mães merecem ter, ela teve enquanto esteve ao meu lado.
            Consciência de “dever cumprido” é uma graça que precisa ser colocada à frente de qualquer sentimento honesto, livre e limpo, tanto para as mães, como para os filhos. No entanto chega um momento em que elas precisam descansar, infelizmente. Precisam partir ao encontro de Deus, de Seus novos caminhos e da “Vida Eterna” que não nos é possível conhecer aqui. Por isso, ela foi embora. Era sua hora única, decisiva e definitiva. Sua falta, lágrimas e orações não são possíveis ignorar ou cancelar. Elas existem e vão ficar através dos dias enquanto estivermos nesta vida. Fé, porém, no encontro de um dia que acontecerá, também. Até lá, mamãe querida. Descanse em paz! 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Indagações

Elias Salum
Cadeira n° 5 - Patrono: Leandro Guerrini

Como Presidente fundador da AAAP, (Associação de Amadores de Astronomia de Piracicaba), na década de 1980, iniciamos, também, uma luta juntamente com um grupo de aficionados sobre a matéria, para a criação de um Observatório Astronômico Municipal, que se deu em novembro de 1992, na Administração do ex-Prefeito Dr. José Machado e com apoio da ESALQ, que cedeu uma área, localizada no inicio da rodovia Piracicaba–Rio Claro.  O Observatório hoje recebe centenas de alunos, visitantes e turistas da cidade e região, para aulas e observações astronômicas, ministradas pelo insigne astrônomo Nelson Travnik, aplaudido pelas suas atuações, profundo conhecimento sobre a matéria e detentor de inúmeras condecorações nacionais e internacionais.
Indagado por mim sobre os tópicos abaixo, ele relatou e nos prestou as seguintes explicações, que levamos ao conhecimento dos nossos leitores.

DE ONDE VIEMOS?

Essa pergunta que há milênios aguça o espírito humano, sempre encontrou uma resposta fácil para as mais variadas crenças. Para a  ciência, contudo, o assunto foi sempre de extrema complexidade.
Apesar de haver teorias correntes, a formação do Big Bang, expressão inglesa usada pela primeira vez pelo astrônomo inglês Fred Hoyle (1915 – 2001), é a mais aceita pelos astrônomos. É o modelo mais simples e preditivo que conhecemos, muito embora envolva cálculos extremamente complexos. A radiação de fundo e a expansão do universo são uma das razões para aceitar a grande explosão. Contudo alguns estudiosos aventam a possibilidade de existirem outros universos. O nosso nasceu há 13,7 bilhões de anos. Antes disso, segundo a Teoria da Relatividade do alemão Albert Einstein (1879-1955), o espaço e o tempo não existiam e surgiram com o Big Bang. Segundo os astrofísicos, não faria sentido pensar em um momento anterior a esse evento. Viemos, portanto, de um ovo primordial cuja expansão deu origem as nuvens moleculares, as estrelas, destas aos planetas e destes ao surgimento de vida como conhecemos.

O QUE SOMOS?

Enquanto a Filosofia e a Teologia se debruçam sobre questões que não têm necessariamente uma resposta, é a ciência (notadamente a Biologia e a Química), que tenta responder o surgimento da vida nesse planeta que parece ter se originado nos oceanos. As primeiras vidas eram de bactérias anaeróbicas que viviam nas regiões de atividades vulcânicas no fundo dos oceanos. Após vários eventos cataclísmicos locais e vindos do espaço exterior, esses organismos quase se extinguiram, mas conseguiram sobreviver até os dias atuais, usufruindo da energia dos vulcões e por meio da evolução. Por conseguinte, todos os seres vivos de hoje são descendentes dos sobreviventes desses eventos. A química que criou a vida na Terra surgiu espontaneamente da interação durante bilhões de anos de moléculas cada vez mais complexas. Contudo a Complexidade de produzir vida inteligente é incomensuravelmente maior do que a de gerar bactérias e outras formas de vida primitivas de vida. O fenômeno vida, contudo, é universal e acontece quando em ambiente favorável, as moléculas, principalmente dos átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, vão se combinando aleatoriamente, formando complexos orgânicos até gerar ácidos nucleicos (DNA, RNA). Segundo Carl Sagan (1934-1996), “a química que criou a vida na Terra é reproduzida facilmente por todo o cosmo”. Os átomos que formam nosso corpo foram criados há muitos bilhões de anos, sintetizados no núcleo do sol e recombinados extraordinariamente de maneira a constituir a vida. Somos, por conseguinte, filhos do Sol e nossa origem remonta o âmago dessa estrela.

ESTAMOS SÓS NO UNIVERSO?

Pelo acima exposto é obvio concluir que seria muita pretensão achar que na imensidão cósmica somente um planeta abriga a vida, inclusive inteligente. Seria raciocinar como os crustáceos, para os quais nada existe além da superfície dos oceanos. Por isso alguns astrônomos já arriscaram a dizer que nos próximos 25 anos quando o projeto ALMA, o mais poderoso radiotelescópio da humanidade, estiver concluído em 2012 no deserto do Atacama, região de Chajnantor, Andes chilenos, estaremos recebendo a primeira resposta aos nossos sinais: “também estamos aqui”! Quando isto acontecer todos irão lembrar-se de Giordano Bruno (1550-1600) em seu livro “Del Infinito Universo e Mondi”: “Há incontáveis terras orbitando em volta de seus sóis da mesma maneira que os seis planetas do nosso sistema... Os incontáveis mundos no universo não são piores nem menos habitados que a nossa Terra”. Também irão lembrar de Camille Flammarion (1842-1925), que em 1862 publicou o livro “A pluralidade dos Mundos Habitados”. O primeiro foi queimado vivo pela inquisição por tamanha heresia e o segundo foi demitido por U. Leverrier, diretor do Observatório de Paris por publicar uma idéia medíocre e fantasiosa. A confirmação de mortal na crença de que o homem é o centro da criação e que nada é mais perfeito que o planeta em que vive. Quem viver verá.

ONDE ESTAMOS E PARA ONDE VAMOS?

A introdução do telescópio, dos radiotelescópios, sondas espaciais e os progressos das teorias físicas, permitiram aos astrônomos traçar um quadro fiel do lugar que ocupamos na imensidão cósmica. Somos o planeta Três preso a atração gravitacional de uma estrela amarela que nos faz percorrer 29,5 Km/s ao seu redor. Por sua vez, o Sol com seu séquito de planetas, satélites, asteróides, meteoritos e cometas, avança célere a 280km/s para um ponto na esfera celeste a 10ºSW da estrela Vega da constelação da Lira. Por sua vez, o sistema solar está situado num dos braços da galáxia, espiral, Via Láctea, distante 30 mil anos-luz do seu centro. Para completar uma volta na galáxia, o sistema solar necessita pouco mais de 200 milhões de anos. Mas a coisa não termina aí. Os astrônomos chegaram à conclusão de que a nossa galáxia está em rota de colisão com a de Andrômeda, algo que irá ocorrer daqui a 5 bilhões de anos. Ambas irão se interagir a exemplo desses eventos flagrados pelos grandes telescópios. Esses são, pois, resumidamente, os parâmetros ditados pela Astronomia. Ela é única ciência que possibilita isso.




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Gaspacho caseiro, para o verão

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
                                                                                      
O gaspacho é uma sopa tradicional do sul de Portugal, que se serve gelada, no verão, no Alentejo e no Algarve. Existem variantes do gaspacho em algumas partes da Espanha (especialmente na Andaluzia) e em outras regiões de vários países da costa mediterrânea. Parece ser de origem árabe.
É muito saborosa. Eu costumo fazer e deixar na geladeira, tomando nos dias de calor. Às vezes fica mais de uma semana na geladeira, sem estragar nem perder o gosto. Pode ser mais grossa ou mais rala, dependendo do gosto. Também a dosagem do vinagre pode ser variada, fazendo-se algo mais ácido ou mais suave. Alguns acrescentam um pouco de creme de leite ou açúcar, para quebrar a acidez, mas não é necessário.
Todos os ingredientes são crus, nada é cozido. Antigamente, fazia-se no almofariz, socando tudo. Hoje, com mais praticidade, faz-se no liquidificador e fica ótimo.
Alguns o servem em prato, para ser tomado com colher, enfeitando com um raminho de salsa e acrescentando uns cubinhos de pão torrado. Outros preferem servir em copo, como se fosse uma espécie de “vitamina” salgada, ou em canecas de louça. Depende de gosto.
Por experiência, sei que, no começo, ao experimentarem, algumas pessoas estranham o gosto. Isso de deve ao fato de, na cultura brasileira, ser inusual uma sopa salgada gelada, assim como também estranhariam se alguém lhes servisse sorvete salgado...
Mas depois de experimentarem, sobretudo num dia de muito calor, todos ficam gostando. É uma sopa leve e super-nutritiva, excelente para repor os sais minerais de quem fez exercício físico e suou muito. É pouco calórica e só tem, de gordura, o azeite de oliva, que é saudável e não faz mal.
Aqui vai a receita:
Ingredientes:                          
 - 1 kg de tomate bem vermelho - 1/2 cebola grande, ou uma cebola média inteira - 1 pimentão vermelho, sem as sementes - 1 pepino de tamanho médio, sem a casca - 1 dente de alho - 1 copo pequeno de azeite de oliva português - 2 colheres de sopa de vinagre - cerca de 200gr de miolo de pão amanhecido - sal, pimenta e outros temperos, a gosto
Modo de preparo:
Bater os tomates sem as sementes (para não deixar gosto amargo) e todos os demais ingredientes crus, no liquidificador Ajustar o gosto, com tempero e sal. Depois, levar à geladeira e deixar descansar algum tempo, antes de servir. Serve-se gelado, no início da refeição. Ou pode-se tomar a qualquer hora do dia, especialmente no verão.

               Experimentem. Tenho certeza de que gostarão.



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Férias: tempo de leitura e reflexão*

 Acadêmica Myria Machado Botelho
Cadeira n° 24 - Patrona: Maria Cecília Machado Bonachella

           Milton Hatoum, escritor e cronista brasileiro, em sua inspirada crônica, Livros de verão e literatura de verdade ( 6ª feira/4/01/2013/ Caderno 2/Estadão),veio ao meu encontro na reflexão de nossos tempos, tão pobres e precários de  boas leituras, aquelas que ensinam a pensar com espírito crítico e levam o leitor a imaginar, sonhar, sobretudo elevar-se a patamares  mais elevados do espírito.
      Referindo-se à Feira do Livro, realizada há poucos meses em Guadalajara, em que um escritor espanhol, desolado, perguntava a uma mulher onde estavam os leitores, ela apontou para uma fila de leitores que queriam comprar a edição espanhola do best-seller Cinquenta tons de cinza. O cronista acentua que, provavelmente, os leitores dessas historinhas de sexo e violência não se aventuram a leituras mais profundas que mergulham na condição humana e psicológica, no jogo social e político, nas contradições e misérias do nosso tempo, menos ainda na linguagem em sua forma de narrativa. No Brasil, estas baboseiras são ainda mais graves, em virtude da enorme precariedade estrutural de nosso ensino público. Milhões de jovens se ressentem de uma formação educacional consistente.
            No meu tempo de estudante, aprendíamos com os mestres a valorizar o vernáculo e o conhecimento dos bons autores, tanto nacionais quanto estrangeiros, isto desde cedo. Castro Alves, o poeta predileto de meu primeiro professor de português, era decorado para apresentação de jograis, isto depois de preleções que estimulavam e criavam o interesse. A poesia não era a arte de uma imensa minoria, mas constituía um entretenimento saudável, e as redações, bem como o manejo correto do vernáculo, uma exigência nas provas de outras disciplinas, sem o qual as notas eram rebaixadas.
       Mais tarde, quando me aventurei na difícil arte da escrita, um professor de literatura, escritor autodidata, redator principal do Jornal de Piracicaba por muitos anos, apaixonado por literatura e excelente crítico literário, conduziu-me pelos caminhos da arte que considerava a mais espinhosa de todas.Após a leitura dos textos, passávamos  para a análise gramatical e sintática, desdobrando- os e descobrindo o porquê da excelência ou das falhas.Tenho comigo uma lista das 10 obras-primas imprescindíveis numa biblioteca  particular: Dom Casmurro (Machado de Assis), Vidas Secas (Graciliano Ramos), Grande Sertão, Veredas( Guimarães Rosa), Guerra e Paz (L. Tolstoi), A Cartuxa de Parma ou O Vermelho e o  Negro (Stendhal ), Crime e Castigo (F. Dostoievski), O velho e o Mar (E. Hemingway), Ilusões Perdidas (H. de Balzac),Lord Jim (J.  Conrad ).
            Nestas férias, num lugar de paraíso, no alto da Serra de S.Pedro, descansei com a releitura ( hábito freqüente) de meu autor preferido na infância, Monteiro Lobato. Desta vez, deliciei – me com  A história do mundo para crianças. Transportei-me para aquele mundo encantado, aquela forma sutil e maravilhosa de ensinar, conduzindo e trabalhando a imaginação e a curiosidade através do conhecimento. Sua obra é imortal.
            Repetindo o grande cronista, mencionado no início, Lobato permanece, após quase um século, enquanto o tempo se incumbe de apagar os tons de cinza, os crepúsculos, as cabanas e a xaropada que finge literatura para ressaltar ainda mais o valor dos grandes imortais.

* Texto publicado na GAZETA DE PIRACICABA

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Amor na tarde

Maria Helena Vieira Aguiar Corazza
Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz      

            Apesar de escondida num canto qualquer da vida, havia ali sem duvida nenhuma, um soluço reprimido e uma solidão doída que gritava baixinho e, talvez por isso não conseguisse ser ouvida.
            No entanto, num lindo dia, mais precisamente um fim de tarde do ultimo dia de um quente janeiro houve um grito para chamar a atenção de alguém do outro lado da rua. Alguém que requisitava um encontro profissional, já que essa parecia ser a intenção de um ente solitário a procura quem sabe, de uma orientação, ou apenas um olhar dirigido ou um ombro amigo cujos braços pudessem agasalhar aquela solidão sofrida, que já se fazia aparecer para enfraquecer e atormentar.
            Encontro marcado, medo de chegar o momento... Novo encontro, confusão dela para explicar o que queria, e a inquietude do interlocutor que apenas ouvia... Após, doçura em suas palavras e uma interrogação no seu olhar penetrante que, ela soube depois ambicionava beijar sua boca ou tomá-la nos braços, talvez para sempre... Encontro de “almas gêmeas” desse “amor na tarde” que nenhum dos dois soube até hoje explicar.
            Aconteceu a primeira caminhada juntos, cuja surpresa ao final foi um longo beijo inesperado e não premeditado que até hoje, não há como saber quem tomou a iniciativa nesta linda história de amor: se ele que estaria se apaixonando por ela, ou ela que, de alguma forma, não entendia ainda aquela necessidade de vê-lo, encontrá-lo e estar enfim com ele para abrir o coração, encontrar um apoio, um amigo, ou querer ser amada de novo... Ela não sabia explicar... Ele queria saber... Importou o beijo colado e demorado, que aconteceu revestido já de grande estremecimento, ternura e sentimento. Foram duas bocas que se encontraram numa magia e doçura inexplicáveis.
            Logo depois, quando uma linda lua cheia apareceu no céu houve o primeiro encontro, agora, já de namorados. Pedro não mais resistiu e tomou-a em um abraço louco de expectativa e emoção incontrolável! Os braços que a seguravam eram fortes e as palavras sussurradas eram belas, suaves e apaixonadas, ansiosas, o que fez Marília perceber e sorrir: naquele momento ela esquecera completamente da lua que era linda e cheia, pois apenas seus olhos se encontraram e não mais queriam deixar de se olhar...
            Havia acontecido um amor verdadeiro que não teria mais condição de permanecer ignorado.... Havia despertado naquele instante, um “amor adormecido”... E, um “novo amor” havia começado ali... Um “amor na tarde” de dois seres maduros, cabelos já prateados pelo tempo, caminhantes antigos das agruras da vida e conhecedores de tantas dores, perdas irreparáveis e penas tão dolorosas, mas que não caberiam jamais nos sonhos dos mais jovens e inexperientes... Um “amor forte e grandioso”, porém, como seus próprios protagonistas não imaginavam poder conhecer, nem muito menos sentir e usufruir. Um “amor perfeito” poder-se-ia concluir, ou uma “obra prima” como defenderia Padre Charbonneau em um de seus belos trabalhos numa de suas frases profetizadas a fim de enfatizar o valor incomensurável desse sentimento, onde nada mais caberia a não ser uma miraculosa perfeição.
            E assim, de mãos dadas em suas vidas, dois seres apaixonados vão caminhando em busca do sol de cada dia, valorizando cada respirar e cada passo, olhos, ouvidos e palavras que se tornam encantadas na colheita do “amanhecer e do anoitecer”, na certeza de que, somente aquele que muito amou e foi amado, poderia conhecer um “grande amor novamente”. Sobretudo agora para eles, quando a “tarde” da vida, lhes dá a certeza da grandiosidade do milagre de mais um dia juntos, ao encontro do paraíso perfeito.    

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Feliz ano velho?


 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

     Não. Não há feliz ano velho e parece não haver nem mesmo feliz ano novo. Ano vai, ano vem, e as mesmas coisas estão aí. Há encanto no mundo, sim, existe a música e toda forma de arte eleva nosso espírito; mas há o perigo dos conflitos entre países, a crise mundial, violência e muita corrupção. Além de atiradores enlouquecidos que matam vidas ainda florescendo.
     Feliz ano novo. Mas há nações em guerra civil, vide Síria, Egito e outras onde as insurreições não cessam. Israelenses e palestinos continuam em luta; refugiados pelo mundo todo, gente procurando um lugar para viver; catástrofes naturais que não dão trégua, deixando um rastro de desolação e milhares de desabrigados.
     Como se faz para um ano ficar novo? Dar um belo polimento em 2013 e esfregar bem para ver se ele brilha? Passar lustra-móveis, aplicar gliter, purpurina, colar estrelinhas cintilantes?
     É que o tal de “ano novo” está dentro de nós, começa lá no fundo do nosso coração. Não se faz um ano novo só com um cartão de palavras bonitas e poesia, estouro de champanhe, abraços e fogos de artifício. O ano novo que brota das nossas mãos tem de ser a aurora benfazeja de um novo dia, construído com a luta e a força do bem.
     Nada será novo se o coração for velho. É preciso uma renovação profunda em muitas áreas de nossas vidas e de nosso ambiente exterior, nos relacionamentos e nos afetos, para se construir um ano novo, quiçá um mundo novo.
     Se alguém muda, o mundo muda. Se uma pessoa consegue estender sua mão para o próximo que caminha ao seu lado, ah, tal gesto será causa de grande transformação! Que mudança formidável, quando, acostumados com a rotina, conseguimos enxergar o outro, sua dor, seu sofrimento, suas necessidades.
     Se alguém pensou em começar o ano novo partilhando, esse ganhou o céu. Olhar nos olhos das pessoas quando se fala com elas, acolher, entender e aceitar o outro como ele é, como ele pensa e como ele vive. Ó, que ano novo!
     A paz nasce de gestos pequeninos, porém concretos, significativos, poderosos. A paz de um ano novo, ou de um mundo novo, não vem de graça. Ela tem de ser engendrada, conquistada, passo a passo, pois não há outro caminho senão aquele das mãos dadas, do respeito, da solidariedade e do amor.
     Sem amor, nunca teremos nada novo. Um ano será sempre velho, diante da miopia de líderes mundiais que almejam apenas o poder pelo poder. Ainda que todos os homens falassem a língua dos anjos, sem amor, nada seríamos. Sem amor, não se põe tijolo sobre tijolo, e nada se constrói de físico para morar, ensinar, educar, cuidar, sarar, gerir.
     Como se faz a gestão do amor? Será preciso primeiro educar uma geração de pessoas capazes de se doar, de se permitir ser bom e humano. Estamos num deserto de vida. Ao nosso redor, há medo, violência, cidadãos trancados em suas grades e torres eletrificadas. E pensar que, um dia, em algum tempo, brincamos na rua, pulamos corda, andamos de bicicleta, jogamos bola e fomos livres como as florzinhas que vicejam e suspiram na relva dos campos.
     Um ano novo com cara de velho, que graça tem? Não há nada mais triste. Um ano novo com gosto de “ano passado”, com “gosto de nada”, como se expressou a moça que experimentou o bolo ganho da vizinha, o mesmo que causou a morte de uma criança e intoxicou a outros tantos.
     Quem começou o ano novo comendo bolo estragado? Quem pode conter as mesmices, as trágicas filas dos enlutados pela morte de entes queridos sem socorro médico? Quem consegue interceptar as balas perdidas para não chorar o enterro dos jovens? Quem tem alguma boa ideia para deter uma guerra onde o ponto alto é a declaração de que “eu não gosto de você e por isso vou matá-lo”? Sobretudo, com a permissão do secretário oficial para a carnificina.
     Não é este o ano novo que esperávamos. Não é este mundo novo com que andamos sonhando. Hoje, usa-se muito a palavra “atitude”. Ótimo. Vamos adotá-la também para nossas militâncias gerais, para a ousadia de nossas ações. Ou o ano será velho, decrépito, carcomido, terminal, vencido, caindo aos pedaços. Derrotado. E acabou de nascer...
     Não há “show da virada” que sustente a garantia de um ano novo. Eu não me iludo. Nunca me iludi. Corações e mentes precisam estar abertos para uma nova produção de sonhos, de ideais, de programas políticos com força para nos levar ao sonhado ano novo. Não há Olimpíadas, Taça Libertadores ou Copa do Mundo capazes de resgatar o respeito de um povo por si mesmo, seu orgulho, sua esperança, sua fé.
     Não há glória sem justiça, sem paz. Ah, caro leitor, me perdoe o desabafo. Não me ache pessimista. Não sou. Ninguém, mais do que eu, desejaria finalizar este texto desejando um “feliz ano novo!”.

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz