Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
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Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


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sábado, 30 de março de 2013

PÁSCOA, PAPA FRANCISCO E CHOCOLATE

                          Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira no3 - Patrono: Luiz de Queiroz

         
            Mais uma Páscoa se aproxima, e além das solenidades da Igreja com os ofícios religiosos que se fazem no tempo da Quaresma atingindo seu ápice nesta Semana Santa a fim de chamar e acolher os cristãos nas rezas e lembranças da Paixão, Morte e Ressurreição Daquele que, enviado pelo Pai e sendo a segunda pessoa da Santíssima Trindade, se entregou na Cruz para salvar a Humanidade do pecado. Jesus Cristo que, após ser desprezado, humilhado e tão judiado foi crucificado, morto e sepultado por amor aos homens, mas, sobrepujou a morte, e “ressuscitou” deixando como herança, com seu exemplo de sofrimento e sacrifício, nosso maior prêmio, a “Vida Eterna”. Esse tempo de contrição, jejum, esmola e abstinência, revisões e reflexões existe, para que a fé seja relembrada, revigorada e fortalecida. Mais esperança nesta vida tão aturdida e repleta de defeitos, erros e contradições, como também maior consciência no tratamento decente e solidário nas famílias e ao próximo, sobretudo em suas maiores necessidades. Caridade, recolhimento e despojamento, apoio e dedicação, sempre serão imprescindíveis para o melhor andamento e a melhor organização da convivência fraternal mais justa neste mundo.
            Excepcionalmente, este ano surgiu Francisco (nascido Jorge Mario Bergóglio, o novo Papa eleito após a renúncia de Bento XVI), homem integro, um jesuíta honrado, reto de caráter, formação religiosa vigorosa, convicto de suas decisões, cultíssimo, cujas ideias e ideais atingem seu clímax na sua “naturalidade”. Homem antes de tudo, que elege em sua honesta simplicidade, a moderação dos seus hábitos e o amor aos fiéis e, sobretudo aos pobres, à paz, a alegria e a ternura como fatores primordiais para as grandes reformas e mudanças que precisam ser feitas na Igreja, principalmente naqueles membros que, “botando os pés pelas mãos” andavam “bagunçando tudo” tirando muita coisa do seu devido lugar (convenhamos que a nossa Igreja, infelizmente tinha “ranço” demais, uma das causas que forçaram a saída do Papa anterior que não apoiava barbaridades que estavam acontecendo e que precisavam de um “basta” para isso...), mas Papa Francisco, um homem correto a, sem aceitar tanta leviandade, comodidade e conforto exagerados, traz consigo, sobretudo, a “esperança”, e, não vai “deixar barato, não”! Vai sair por aí, se Deus quiser, em busca de seu rebanho, naturalmente, sem ostentação, pose ou empáfia, colocando os valores da Igreja onde eles devem estar conscientes, sorriso no rosto e mãos sempre estendidas ao povo esperançoso que o proclama, trazendo com seu trabalho e presença nesta vida, a verdade e os dogmas sérios que ele aprendeu, defende e ensina, no melhor estilo que se poderia almejar.
            Bem-vindo seja Papa Francisco, confrade de Padre Anchieta e Manuel da Nóbrega da Ordem dos jesuítas criada por Santo Inácio de Loyola, que traz por acréscimo, o nome do Santo italiano (Francisco de Assis), fundador da Ordem Franciscana. Com isso, inúmeros frades vieram através dos tempos, com as mesmas características de humildade, simplicidade, cultura e crença inabalável em Deus, a fim de cumprir sua sagrada missão aqui na Terra, aos quais  o mundo só tem a agradecer!
            Uma feliz Páscoa de Jesus Cristo a todos!
(E, agora, vamos aos “chocolates”...).

quinta-feira, 28 de março de 2013

A PÁSCOA DA VIDA

 Acadêmica Myria Machado Botelho
Cadeira n° 24 - Patrona: Maria Cecília Machado Bonachella
       
            Há dois mil anos o sol acordou cedo em Jerusalém e havia um movimento desusado,uma sensação esquisita de algo incompleto que carregava as expressões de uns e de outros.  Os acontecimentos terríveis da semana saíram do usual, e cercados de fatos reais e sobrenaturais trouxeram para todos que os  presenciaram, ou souberam do drama pungente, um misto de perplexidade, uma sensação de que algo muito grande ainda estava por vir, e a tragédia ainda não fora arrematada. 
            Muitos se recordavam do homem humilde, montado num jumento que há poucos dias fora aclamado por uma multidão em Jerusalém e recebido como Rei e Filho de Davi. Não foram poucos os que traziam, cravado nas retinas e nos corações, aquele olhar profundo e inesquecível provindo de um nazareno extremamente belo, de túnica muito branca... Seu olhar devassador mais parecia enxergar lá dentro da própria alma e descobrir anseios, sofrimentos e traições!
            Fatos incomuns acompanhavam aquele peregrino de toda a Judéia, a Samaria e a Galiléia:curas e feitos maravilhosos, e  palavras sábias e iluminadas   provindas do céu! Eram histórias e parábolas belíssimas que continham o fogo da verdade e da confiança, palavras que consolavam, remediavam, perdoavam, e asseguravam um mundo melhor e uma vida mais além... onde  não havia sofrimentos...Palavras que traziam para os corações o sentido da vida, a dignidade e o respeito merecidos por todos, filhos de um mesmo Deus e irmãos entre si mesmos.      
            Naquela manhã, o aspecto da cidade se transformara: os gritos dos almocreves repercutiam mais brandos e as bestas vindas das fontes, carregadas de odres, batiam seus cascos nas pedras, mais compassadas dentro do cenário natural. Os pássaros e as borboletas caprichavam em seus trinados e revoluteios, confundindo-se com as flores que se abriam exalando aromas suaves... os rebanhos uniformes  espargiam seus balidos pelos ares em intensa harmonia...  As crianças, de cabelos dourados e olhos tranqüilos, brincavam mais alegres e serenas... todos estes sabiam, com certeza deviam saber!..
            Entre os adultos e os mais esclarecidos, porém, quanta confusão e quanta dor! Um homem bom e justo fora crucificado de forma brutal! Um homem que pelo amor se doara havia morrido... O mundo se esvaziara, perdera seu motivo, e a sensação de orfandade prevalecia ...
            Por toda parte, dentro e fora dos muros de Jerusalém, uma estupefação,misto de inconformismo, remorso e descontentamento da parte dos protagonistas daquele drama;os mais numerosos,porém,  os pobres, os doentes, os operários, as viúvas, as mulheres pecadoras e as virtuosas, choravam a ausência daquele Jesus das bênçãos, das consolações, das promessas, das bem-aventuranças, do pão que saciava a fome, do peito que abrigava, do perdão que aliviava, dos mortos que voltaram à vida- Lázaro, o filho da viúva,e a filha do centurião!  Suas lágrimas e seus gemidos misturavam-se à saudade e à lamentação!
            Outros, contudo, ainda o temiam.  Ele prometera voltar. E completavam a comédia de seus atos, guardando seu túmulo com escoltas. Tinham medo de um cadáver!
            Mas o sol viera mais cedo naquele domingo e no jardim de José de Arimatéia havia prelúdios de hosanas. Tudo ali era mais belo, rodeado pelos sons orquestrados da natureza em festa, das flores e das árvores farfalhantes, e do firmamento esbanjando pelas frestas da vegetação tonalidades de ouro, de azul e de rosa- iluminuras cintilantes incidindo sobre aquele sepulcro envolvido de paz e de silêncio!..
 Súbito, em meio a esta harmonia, ouviu-se um estrondo que repercutiu muito longe, ecoando pelas quebradas dos montes... Uma grande pedra fora removida...
            Um acontecimento extraordinário fechava aquele ciclo que já não era o da desesperança e do desespero... Aquela semana de tantos acontecimentos extraordinários resgatava uma inominável injustiça e selava o compromisso de um Deus! Ele prometera voltar ressuscitado após o terceiro dia e cumpria sua promessa. Uma promessa que trouxe aos cristãos- de ontem, de hoje e de amanhã- a certeza de que não estamos sós; a grande esperança de que um dia , nós também, na Páscoa da Vida, O veremos face a face, na morada prometida aos justos e bons, todos aqueles que, guardando sua Palavra e seguindo seus ensinamentos, mantiverem acesa a centelha de seu divino Amor!

terça-feira, 26 de março de 2013

A sombra no chão *

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

     Aqui vai uma tímida e pálida teoria humanística para o tempo, este nosso amigo tão bom quanto implacável e invencível. O tempo vai passar, queiramos ou não. Quer façamos o curso, ou tranquemos a matrícula. Mudemos de país ou fiquemos por aqui. Vai passar. Até o horário de verão já passou. E o outono vem aí.
     Quem nunca leu sobre a virtualidade do tempo? Na verdade, nós é que passamos e envelhecemos. Tal a dialética do nascer do sol: a essência e a aparência. Nós dizemos: “o sol nasce a leste e se põe ao oeste”, ou ainda, “tão certo como o sol vai nascer amanhã”. E a ciência destes fenômenos reside no fato de que existe o movimento de rotação da Terra em torno de seu próprio eixo, o que resulta no dia e na noite. No seu giro, ora uma face do planeta está voltada para a luz do sol, ora está no escuro. Na passagem da noite para o dia, dizemos que “o sol nasceu”.
     Bom, mas e o tempo? Se ele passa para nós e para os super-heróis da tevê, para a moda, para os costumes e o comportamento, passa para a Terra também. Tenho algumas teorias que vou construindo ao sabor de humildes reflexões. Não pretendo ter seguidores, como no twitter da vida; apenas ouso apresentar ao leitor a temporal temática do que é real e irreal: o tempo.
     Para uns o tempo é mera questão de lógica. Além do senso comum que, em geral, poucos questionam. Levantam quando o despertador toca, tomam café, vão para o trabalho, almoçam, retornam ao trabalho e no fim do dia voltam para suas casas. Para outros, o tempo é uma realidade palpável, demonstrável, uma equação bem resolvida. E há os que conseguem a superação da rotina diária.
Mas, certamente, para todos nós, o tempo é um elemento vital. Basta ver a linha da sombra no chão. Ela vai avançando, à medida que as horas passam, enquanto a luz solar vai mudando de tom e de posição. Mas há uma outra inspiração acerca deste tempo que vai além da projeção da parte sombreada.
     Estamos imersos na temporalidade de todas as coisas e isso é irreversível. Tente lutar contra. É impossível. Ontem, éramos jovens, nossa pele era firme, a coluna uma fortaleza e a vida uma valsa eterna. Hoje, conhecemos melhor o ferrão da finitude. Sentimos algumas dores pelo corpo, precisamos de uma ajuda cosmética e nossa energia baixou um pouco. O que houve com o tempo e a linha do sol?
     Estamos em órbita. E há tanto a fazer antes que o tempo passe. Uma amiga querida me diz que nós, as viúvas, não podemos perder uma só oportunidade (a parte bela da vida, sabe?). Pois, argumenta ela, “o tempo está passando”.
     Sim, minha doce amiga, o tempo está passando. E não há nada a fazer. Para os viúvos, idosos, casados, solteiros, jovens e crianças. Para todos os que trilham a sua estrada neste planeta, virá um dia após o outro, na imensidão da nossa galáxia, no brilho da estrela Vega. E lá vai o astro-rei, e lá vamos nós e assim será. Ninguém pode perder nenhuma “oportunidade”. Cada um agarre a sua, aperte bem contra o peito e, à noite, antes de dormir, agradeça a Deus, faça uma prece, porque isso é o que conta na vida. Sobretudo, a oportunidade de amar.
     Ah, que o tempo não passe, sem que tenhamos amado o necessário e o suficiente. Que a inexorável marcha dos ponteiros não nos encontre apáticos e insensíveis, quando ainda há tempo para dar e receber amor, todo tipo de amor. Amar pode deter a passagem do tempo: esta é a minha teoria. Abraçar o outro, saber expressar o amor, beijar a barriga da filha que espera um menino, dizer “pai, eu te amo”, “mãe, você é maravilhosa”, fazer um elogio, tudo isso faz parar o tempo.
     Amar não deixa ninguém envelhecer. O amor é o antídoto para a suposta velhice, o elixir milagroso da juventude eterna. O amor é o remédio ideal que combate todas as dores, as do corpo e as da alma. É a grande descoberta para os seres “que passam”. E estamos todos de passagem.
     Na contagem do tempo, o passado de cada um é algo bem íntimo, enraizado nos fundamentos do coração. Quanto eu amei? Quanto me doei? Quanto abracei, beijei e disse “eu amo você”? Quantas vezes eu soube expressar meu amor, minha fé, minha esperança, não apenas para mim, mas principalmente para o outro?
     É este o tempo precioso, inestimável, digno. O tempo que passamos amando, o tempo gasto no amor. A sombra no chão jamais concorrerá com as horas vividas na plenitude do amor.
     As pessoas dizem que vivemos num mundo sem amor. É porque já não vemos mais o amor como ele era antes. E porque a caridade esfriou em muitos corações. Deus Pai, o que faz o amor! Do que ele é capaz! Poucos conhecem sua têmpera, seu domínio, sua soberania! Cuidado quando forem amar. Prudência com os arroubos do afeto. Cuidado com a força do amor...

* texto publicado no Jornal de Piracicaba

segunda-feira, 25 de março de 2013

O ESCREVER E O LER

Elda Nympha Cobra Silveira
Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior

Quem lê abre lugares vagos em sua mente e se deslumbra em juntar letrinhas, formar frases e textos dos mais diversos. Mas o que o escritor deseja a interligação dos pensamentos com as suas emoções e conceitos de vida com o espírito ávido do leitor, para que eles pactuem e aflorem na leitura.
Os escritores nos levam a singrar mares “nunca dantes navegados,” e nos descrevem cenários que jamais teríamos oportunidade de imaginar. O romancista nos leva ao delírio com suas pungentes histórias, que nos dão um parâmetro sobre usos e costumes de países  muito distantes e diferentes do nosso. Com sua pena somos levados pela imaginação para lugares orientais e situações próprias dos lugares e épocas retratados, e da mesma forma, concretizamos os cenários, porque no nosso imaginário está plasmada a idéia do escritor ao nos transmitir seu pensamento. O que um escritor almeja é a cumplicidade com os seus pensamentos, para que o leitor entre no seu mundo fictício, através de um compartilhamento sutil nas entrelinhas. Nas poesias, o sentimento mais delicado, mais etéreo aflora toda sensibilidade de tão pouco valor e camuflada pela violência da realidade nua e crua dos tempos modernos, quem sabe por que é uma transição evolutiva da humanidade.
Sempre queremos usar um termo mais benevolente para tanto abuso da violência que grassa por toda humanidade, por sentir vergonha em fazer parte dessa humanidade!
Um povo sem leitura é manipulado e dependente da informação, correta ou não. Um povo que lê não se deixa levar por idéias que enveredam para a tirania, porque ele sabe ser crítico, inquieto, tem maior tirocínio, porque aprendeu a pensar é engajado, não alienado, vivendo à mercê de manipulações literárias com o intuito de liderar, mistificando conceitos e impondo ideias que sabotam a liberdade do individuo.
Quem é instruído, tem uso da leitura de jornais e livros e por saber, tem o poder de decisão, não é facilmente enganado.
 Durante séculos muitas idéias foram impostas como verídicas, mas às vezes são simples teorias ditadas pela falta de informação e pela religião dominante da época. Muitas vezes nos sentimos solitários, abrindo uma porta para a entrada de pensamentos negativos e depressivos e nos esquecemos de que basta começar a ler um livro para nos sentirmos acompanhados. Como diz Mario Quintana: “Dupla delicia: o livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado”.
Às vezes o que falta para quem não gosta de ler, é falta da alma em sintonia. Às vezes imaginam que estão perdendo tempo. Quando o tempo é questão de preferência.
A leitura vai descortinando um mundo que com a leitura chega aos nossos olhos e vai direto ao coração. Quem lê se emociona ou se instrui porque a leitura é como um fogo lento que vai abrasando e aquecendo nosso interesse a cada página virada e nos frustra quando chegamos ao fim do livro, fazendo-nos sentir órfãos daquela empatia que tivemos no relacionamento com seus personagens, naquele espaço de tempo trocado com seus protagonistas. Saudosos daquela companhia, muitas vezes relemos o livro para continuar aqueles momentos de compartilhamento.
O livro nos dá o ensejo de participar de outro mundo paralelo provocado pela simbiose da mente do escritor para o do leitor. Quem não lê perde a oportunidade de ter momentos de felicidade.

sábado, 23 de março de 2013

Lançamento da Revista do IHGP

Numa noite agradável, nas dependências da Biblioteca Municipal, o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba lançou a revista de número 19, servindo em seguida delicioso coquetel aos presentes
Composição da mesa: Orlando Guimaro Júnior, Luiz Antonio Balaminut, o presidente do IHGP Vitor Pires Vencovsky  e a diretora da biblioteca Rosana Oriani 
Toshio Icizuca apresentando o livro
Newman Ribeiro Simões, Rubens Braga,  Rodrigo Reis, Cassio Negri
Integrantes do IHGP e convidados

Vitor Pires Vencovsky, Elias Salum, Luiz Antonio Balaminut e Geraldo Claret de Mello Ayres

Valdiza Maria Caprânico e Ivana Maria França de Negri





domingo, 17 de março de 2013

A GRANDE MISSÃO DA MULHER

                          Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira no3 - Patrono: Luiz de Queiroz

            Mesmo passado o Dia da Mulher que é comemorado todo ano em oito de março, não passa despercebida toda a importância deste ser gerador da vida, criatura de Deus a espalhar pela terra seu amor irrestrito, incondicional e incalculável. Mulher que é Mãe por natureza, acima de todas as qualidades e dos defeitos, que é força, doação, benefício e benquerença, coragem e perseverança inabalável na continuidade das gerações que caminharão até o fim dos séculos. Daí, sua grande missão de assumir suas obrigações e deveres com respeito e responsabilidade, delicadeza, dedicação e dignidade sem esforços vãos ou imposições, com a ternura e naturalidade de quem já conhece os caminhos e lutas, e se empenha com alegria e satisfação vendo os dias passarem, tantas vezes com as preocupações e sofrimentos que a vida impõe, tendo sua fé e sua esperança como únicas armas para ultrapassar dificuldades e ansiedades trazidas no cotidiano. No entanto, sua missão não é desanimar ou se deixar abater! Sua missão é ser útil nobre e altruísta. Sua missão é quebrar barreiras, superar desafios, e seguir adiante, a fim de encontrar lá na frente, a colheita de um futuro que ela crê está nas mãos de uma força maior do que ela, que cuida e que não desampara. Sua missão está em “deixar rastros”! Quantas vezes acontecem que ela também titubeia e tenta duvidar das “coisas do alto”, cujas respostas parecem demorar tanto! Isso é humano sem ser insano, porém, e ela retorna apesar de seu cansaço e suas desilusões, ao seu ponto de firmeza e crença no que sabe que realmente vale a pena eleger, cultivar e cultuar. Não vamos falar aqui da mulher desrespeitada ou mal amada (assunto tão extenso e tão abordado com soluções tanto a desejar...), nem das necessidades de atenção, carinho e amor de que tantas vezes necessita e padece. Melhor lembrar-se de Cora Coralina quando escreveu: “Eu sou aquela que passou a vida “escalando montanhas removendo pedras e plantando flores”, ou como a doce Cecília Meireles que “aprendeu com as primaveras a se deixar cortar para depois voltar inteira...” ou ser muito eficiente como Margareth Thatcher, a grande estadista, quando afirmou: “Quando precisar que algo seja dito chame um homem, mas quando precisar que algo seja feito, chame uma mulher”. Mulheres que cumpriram sua missão aqui na Terra e deixaram exemplos que perpetuarão além dos anos, sendo vencedoras em sua missão. Foram fortes e guerreiras! Não viveram em vão valorizaram seu tempo, mesmo porque viver é uma arte que pode engrandecer enobrecer ou amesquinhar e o mundo está aí repleto de esforços, descobrimentos e trabalhos para o aperfeiçoamento do amanhã, e, a Mulher, possui um cabedal de virtudes e talentos incrivelmente maravilhosos!
            Santa Terezinha quando notava tristeza em alguém dizia: “Vamos! Corra a fazer alguma obra de caridade!” Em muitos casos não é essa uma grande oportunidade de, fazendo algo pelo outro estar fazendo algo muito melhor para si mesmo?  Helen Keller que nasceu cega, surda e muda, uma capacidade em superação, notável inteligência, educadora, advogada e escritora afirmou: “Quando uma porta da felicidade se fecha, outra se abre”. “Muitas vezes ficamos tanto tempo olhando para a porta fechada que não vemos a outra que se abriu”. Tudo está em nossas escolhas e em nosso ânimo, para cumprir com galhardia nossa “Missão”.
            Que saibamos cumpri-la!

sábado, 16 de março de 2013

O CENTRO DA ALMA

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

            Peço licença ao leitor, pois gostaria de tratar um pouco de espiritualidade. Das nossas vivências. Do acervo humano que cada um possui dentro de si. Das nossas aventuras pessoais e da grandeza que é viver.
            Penso num assunto fascinante. O centro da alma e a periferia da alma. As contradições vividas no dia-a-dia. Como é difícil lutar contra os fatores externos! Creio que o núcleo da nossa alma será sempre aquele que se inclina para o Criador. É ali, no cerne da nossa espiritualidade que Deus repousa.
            E quando não colocamos Deus no centro de tudo, nossa vida desanda. Entendo sempre que Deus deve estar em primeiro lugar. Quando o Espírito atua em nós, é maravilhoso! Tenho feito uma experiência mística fascinante: viver com pouco. Passar com o que tenho e comprar somente o necessário. Experimentar uma vida verdadeiramente franciscana.
            Busco uma espécie de "pobreza temporal" e também espiritual, pois é como melhor me adapto a este mundo. Nunca me deslumbrei com nada, nunca senti inveja dos ricos e famosos, nunca desejei mais do que tenho. Sempre me contentei com o que possuo e já enfrentei, como muitos de nós, fases difíceis na vida.
            Há alguns anos, passamos (meu marido ainda era vivo) nossos apertos, e foi nessa época que mais vi o Espírito agir em mim. Assaltou-me uma força colossal. Da aparente fragilidade brotava um vigor inesperado. Eu construíra a casa sobre a rocha. Veio o vento, veio a chuva e minha casa permaneceu de fé. Meu coração foi valente.
            Nos momentos mais duros, rezei com fervor. Nas noites mais fundas e dolorosas, peguei o meu terço. E era ali, no centro da minha alma, que as forças se juntavam. Podia reconhecer meu lugar no universo, no mundo contemporâneo onde tenho de circular, conviver, me relacionar e comer o meu pão diário.
            O bom Deus sempre me ouviu. Tenho de reconhecer o afeto d´Ele por mim. Mas não fiquei esperando nada cair do céu... Fiz a minha parte, não tive medo nem vergonha. Trabalhei, fora e dentro de casa. E isso não mata ninguém, só nos fortalece. Olho para trás, vejo o que passei, e me espanto por ter sido tão corajosa e tão forte. Sinto orgulho de mim.
            O centro da alma. Imagino que o leitor esperasse algo mais intimista. Algo a respeito da fé, da espiritualidade mais profunda. Do encontro com o divino. No meu caso, o espiritual se fundiu com o sofrimento do cotidiano, com a luta pela sobrevivência digna, o enfrentamento com o desconhecido - e o divino se revelou para mim.
            Não sei de onde tirei tanta energia e entendimento. Agora, viúva, sozinha (por opção), quieta no meu canto, e com a vida razoavelmente estável, sinto os eflúvios do Espírito à minha volta. Olho para trás e Ele me diz: “Você chegou. Você chegou até aqui. Você ainda esta de pé. Eu te ponho de pé todos os dias”.
            Do centro da minha alma vejo a chama divina agir em toda parte. Esta luz que age em nós, quando nos deixamos domar. "Solte os remos!", diz sempre padre Edvaldo. “Solte os remos!”, repito com ele. Deixemos Deus comandar o barco da nossa vida. Deixemos o Espírito agir e atuar em nós. A Providência Divina existe e comprovei isso com meus próprios olhos.
            Fico feliz quando encontro alguém em quem presencio esta clareza espiritual que anima e eleva! Sempre digo que andar nos santos caminhos não significa renunciar à alegria, ao amor, à felicidade, às coisas lindas da vida.
            A felicidade completa é uma utopia. No decorrer da existência, há perdas, doenças, luto, dor, sofrimento. Nada dura para sempre. Nós mesmos vamos envelhecendo e vem a decrepitude... Nada é fácil. Não existe uma fórmula mágica para a vida. Filhos não vêm com bula. Casamentos se desfazem.  As separações são sofridas. E é preciso aprender tudo. Uma aprendizagem que jamais termina, pois há novas lições todos os dias. Feliz de quem as aprende com a beleza bíblica da Sabedoria!
            Lá, no centro da minha alma, faço conjecturas. Inferências. Busco o discernimento necessário para algumas questões relevantes. O centro da minha alma está à espera. Algo grandioso deverá vir até nós, num momento fatal. E será belo, sobretudo para os que esperam em Deus.
            Os tempos são trepidantes. Vemos a glória do mundo e vemos sua decadência todos os dias.  Por vezes, somos pegos de surpresa. O santo padre renunciou e haverá um conclave para eleger um novo papa. No ar, rumores do fim dos tempos. Será?
            Que o centro de nossa alma nos traga o justo equilíbrio, a lucidez necessária para atravessarmos com serenidade o que possa vir à frente. Nada nos perturbe ou nos tire a paz, nada nos assuste, como dizia Santa Tereza d´Avila. Sabemos que “a paciência tudo alcança” e que nossa alma precisa desta bela lição de amor.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Dia da Poesia

Leda Coletti- Cadeira no 36
Cadeira n° 36 - Patrona: Olívia Bianco


Há comemoração para muitos eventos. Nada mais justo que haja também uma para exaltarmos a poesia.
Nós poetas sabemos o bem que ela nos proporciona. Nos momentos poéticos vivemos novos mundos. Mesmo quando o conteúdo da mensagem exprime dor, ela tem seu valor, pois nesse caso tem efeito catártico.
Há ainda certo preconceito por parte de algumas pessoas em relação à poesia. Criticam a sensibilidade do poeta, que externa por meio de palavras escritas com melodia e ritmo, os seus sentimentos pessoais e interpreta os comportamentos dos seres vivos da natureza, inspirando-se nas suas manifestações de vida, como o prazer, sofrimento, alegria, tristeza, etc.. Até os seres inanimados não são esquecidos.
Por esta razão, nós poetas nos confraternizamos no dia 14 de Março - dia da Poesia – e para demonstrar o quanto a amamos, queremos desfrutá-la com um número grande de pessoas da cidade. Portanto se você ganhar uma poesia nesse dia, saiba que cada escritor-poeta está levando para você com muito carinho, uma mensagem de Amor, Amizade e muita Paz!     

domingo, 10 de março de 2013

SONETO

Lino Vitti Cadeira n° 37 - Patrono: Sebastião Ferraz                                       

Dois quartetos rimados a capricho,
dois tercetos de aprimorada rima,
e está pronto o famoso e grande “bicho”
do soneto que o mundo tanto estima.

Da montanha brutal ao carrapicho,
do verme ao astro que o infinito encima;
do ouro da mina ao caminhão do lixo,
tudo o que ao mundo anima e desanima,

é trançado um quarteto a outro quarteto,
em tudo o que de unido e de disperso,
na pequenina jóia de um terceto.

E na corrente azul do último verso,
há o momento supremo do soneto,
há a síntese a abarcar todo o universo.


sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulheres jovens e jovens Mulheres

 Acadêmica Myria Machado Botelho
Cadeira n° 24 - Patrona: Maria Cecília Machado Bonachella


            “O corpo é um templo sagrado. A mente, o altar. Então devemos cuidá-los com o maior zelo. Corpo e mente são o reflexo de nossa alma, a forma como nos apresentamos ao mundo e um cartão de visitas para nosso encontro com Deus.”     Convido vocês, companheiras de jornada, a uma pequena reflexão. O título é meio ambíguo para um dia que deveria ser somente o do laudatório, aquele que acaricia o ego sem aprofundar a realidade. A experiência e a observação, contudo, para quem já atravessou o tempo e procura situar-se no mundo, mantendo a juventude do espírito,  peça fundamental da caminhada, é preciso sempre uma avaliação nos conceitos.
            Com 15 ou 16 anos, desabrochando para a vida, com aquele ímpeto, a beleza e a força muito próprios da juventude, trazemos a ousadia, uma certa contestação  contra as coisas pré-estabelecidas e um senso crítico aguçado que nos impede, na maioria das vezes, de enxergar nos outros e nos mais próximos os valores que deveriam pautar a conduta, ensinando  a  errar quanto menos.Esta ousadia é natural, não sendo exagerada, e pode até favorecer a criatividade e a deliciosa autenticidade, hoje  bastante ofuscada.Caracterizam-nos uma certa insegurança, inconfessável, um certo desconhecimento de todo o potencial que trazemos, ao lado de um exagerado rigor em torno de pequeninas imperfeições exteriores ou físicas que poderiam ser perfeitamente contornáveis se as substituímos pelos melhores” cosméticos” do mundo que são os da mente ativa e ocupada, e do aprimoramento interior.
            Neste tempo, contudo, de tão vertiginosas transformações com o avanço tecnológico, os jovens vêm sofrendo uma perigosa inversão que poderá sim, alterar suas vidas e comprometer o desenvolvimento emocional, o inegável potencial imaginativo e criativo do intelecto de que é naturalmente dotado. Embora reconheça os enormes benefícios dos recursos técnicos que nos levam a viver a realidade no momento em que acontecem, não creio que a Internet, as vantagens dos aplicativos e dos acessos instantâneos, dos celulares à mão nos mais diversos lugares e a qualquer hora, dos iPods, dos instagrans, das informações e contactos via face- books e twitters, sejam assim tão benéficos e indispensáveis.
            Mulheres jovens, não me atirem pedras, nem me chamem retrógrada ou jurássica!Até certo ponto podemos fazer uso dos benefícios, sem exagerar na dose! Em tudo a moderação, o limite; não precisamos ser prisioneiros e escravos das redes sociais, do excesso de informações e das notícias, das tolices e futilidades que se travam na comunicação virtual, ao ponto de cairmos no isolamento e no condicionamento. Não podemos prescindir das boas coisas da vida, dos contactos pessoais, da escuta e do “olho no olho”, do interesse pelas artes, pela cultura, pela música e a boa leitura.Nada pode substituir o amor e a amizade que provém do conhecimento do outro; nenhum contacto virtual substitui  a contemplação da natureza e da criação e este, a meu ver,  é o lado humano e sensível, seriamente ameaçado. Não somos robôs, nem máquinas teleguiadas, somos feitos de coração e sentimentos.
Sem querer e sentir,corremos o risco da instrumentalização e nos tornamos pessoas insípidas, desinteressantes, sem assunto, incapazes de manter uma conversa e o pior,abdicamos da feminilidade, do encanto e da sutileza., da arte da sedução. Baseio-me nisto na observação de meus netos jovens que desejam casar e constituir família. O desencanto sobrevém depressa nos relacionamentos relâmpagos e vazios. O excessivo cuidado com o corpo exterior relegou o principal: o aprimoramento interior. No Brasil, o índice recordista de cirurgias plásticas, aplicações de botox e de silicone é assustador entre as mulheres,indicando uma preocupação , na maioria das vezes desnecessária.
O que se vê, como neste último Carnaval, é uma exibição do nu feminino, dos seios siliconados que mais parecem aberrações e aleijões da natureza, indicando uma triste mediocridade. Os estímulos negativos, provindos especialmente da Mídia,  contribuem muito para a exacerbação do ego e a sujeição da mulher à condição de mera peça de consumo.  Basta citar apenas o espetáculo execrável e imbecil do BBB.
Por outro lado, quantos exemplos valorosos, infelizmente pouco vistos e obscuros, de jovens mulheres fortes e batalhadoras que não têm idade para lançar-se à luta, empenhando-se e fazendo a diferença! Em casa, na condução da família e na habilidade em coordenar o seu dia a dia de maneira harmoniosa, nos mais diversos caminhos da atividade humana, nos altos e exigentes postos do trabalho superior que requer conhecimento e capacidade, no voluntariado desinteressado, na dedicação integral ao filho especial, no magistério que toca o futuro, nas artes e no amor àquilo que se faz, provando que tudo é possível quando a meta a alcançar está amparada no ideal e na fé.
A mensagem que endereço à Mulher no dia de hoje, enunciada no belo pensamento de Irmã Dulce, pode resumir  que a felicidade é um bem que se constrói no dia a dia, num entrelaçamento do antigo e do novo, sobretudo no exercício constante do interesse e do aprimoramento interior, amparados nas lições  de Deus!

quarta-feira, 6 de março de 2013

MULHER


Mulher
Lino Vitti
(à minha esposa Dorayrthes)


Consorte, companheira, esposa, com que termos
Melhor pincelaria o teu vivo retrato?
Somos tolos, eu sei, somos uns estafermos,
Somos homens banais, estúpidos de fato!

Bastaria dizer: mulher, para sabermos
O que é virtude, amor, sonho e recato.
Sem ela a vida é escura, andamos pelos ermos,
Somos pobre viajor perdido em ínvio mato.

Mulher, mulher da gente, a gente diz que é minha,
É palavra que a exprime em toda a plenitude
E a põe no coração feita única rainha.

Mulher é o que diz tudo: encantos e virtude,
Dizer: “minha mulher” então nos avizinha
Do êxtase divinal da excelsa beatitude.

terça-feira, 5 de março de 2013

Sobre a eleição do próximo Papa

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


Escrevo o presente artigo na noite de 28 de fevereiro, poucos minutos depois de a Igreja Católica ter entrado em vacância de Sé Apostólica, devido à renúncia do Papa Bento XVI, que foi anunciada no dia 11 do corrente mês, mas somente hoje, às 20 horas (horário de Roma), se tornou efetiva.
Nos últimos 17 dias, os meios de comunicação social divulgaram fartíssima quantidade de notícias e comentários sobre essa inusual e inesperada renúncia de um pontífice romano. Com raríssimas exceções, na sua imensa maioria as matérias divulgadas primaram pelo sensacionalismo e demonstraram, por parte dos seus redatores, monumental ignorância sobre teologia, sobre Direito Canônico, sobre usos e costumes da Igreja, sobre o modus operandi interno do Vaticano. O primarismo, a falta de respeito e até mesmo de elegância foram as notas dominantes do noticiário.
Ignorando completamente o fato de ser a Igreja uma instituição absolutamente sui generis - cuja sobrevivência ao longo de dois milênios pontilhados por crises e períodos persecutórios somente é explicável por quem tome em consideração o elemento sobrenatural e divino que a anima - os comentaristas em geral se estenderam largamente sobre os aspectos humanos da instituição. A eleição de um papa vem sendo, o mais das vezes, apresentada à maneira de uma eleição republicana, com candidatos, partidos, promessas de favorecimento, compra de votos etc. etc. Pouco faltou para que se falasse em mensalões...
Dir-se-ia que tudo aquilo que caracteriza a política moderna, com suas baixarias, vilezas e torpezas, se projetou para o Colégio Cardinalício, como se a eleição de um papa em nada diferisse da eleição de um presidente de república.
No entanto, o sistema de eleição de um papa é o que há de mais diferente do processo de eleição de um presidente de república. Na eleição do presidente, o voto é quantitativo, não qualitativo: votam todos, sábios e ignorantes, em pé de igualdade, ficando todos, obviamente, sujeitos a pressões, influências, visões distorcidas da realidade, simpatias e antipatias mais ou menos apaixonadas, irracionais e subjetivistas.
Por outro lado, o posto de presidente é desejado pelos concorrentes, que precisamente por isso se candidatam. E esse desejo nem sempre é movido por intenções das mais puras e nobres. Tudo isso são fatores que viciam o resultado do processo eleitoral republicano.
Na eleição do papa esses fatores desfavoráveis são muitíssimo reduzidos. Com efeito, seria impossível, em termos humanos, conceber teoricamente um eleitorado mais seleto e menos sujeito a paixões baixas do que o de um papa.
De fato, dentre os católicos, só uma pequena elite é chamada para o estado sacerdotal, e chamada por vocação divina: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi", disse Nosso Senhor aos Apóstolos (Jo. 15,16), em palavras que bem se aplicam a todos os sacerdotes.
Dentre essa elite que é o clero, uma pequeníssima parcela é chamada à plenitude do sacerdócio, ou seja, ao episcopado. Note-se: "é chamada". Não se trata de candidatura, de eleição, de disputa por um posto vantajoso, mas é o papa que designa os bispos.
Dentre os bispos, só uma pequeníssima minoria atinge o cardinalato. E o atinge, igualmente, sem eleições e candidaturas, mas por designação pessoal do papa, que faz na terra as vezes de Nosso Senhor (daí ser chamado o Vigário de Jesus Cristo, de vicarius, palavra latina que significa substituto).
Os cardeais com direito de voto no conclave, pouco mais de cem em toda a terra, são presumivelmente, do ponto de vista humano - não estamos falando ainda do aspecto sobrenatural - o que se poderia reunir de mais seleto e categorizado para bem conhecer os problemas da Igreja e indicar, entre eles mesmos, aquele que mais parece indicado para suceder a São Pedro.
Todos eles foram selecionados dentre os melhores, todos eles foram designados para os postos sucessivamente mais elevados da carreira eclesiástica por determinação superior, todos eles desempenharam funções de alta responsabilidade na Igreja.
Reunidos em conclave, para a eleição do papa, os cardeais ficam encerrados em dependências do Vaticano, sem qualquer comunicação com o mundo exterior, devendo também manter segredo das tratativas e confabulações que internamente façam entre si para a designação do novo pontífice.
Cada cardeal é moralmente obrigado a sufragar o nome que, em consciência, considera mais indicado para o cargo, e com o fim de mais significar essa gravíssima obrigação de consciência, os votos que cada um formula são, segundo o costume tradicional, depositados num cálice que serve para o santo sacrifício da Missa.
Tudo isso, evidentemente, para reduzir ao mínimo o fator humano e falível. Tal fator existe, sem dúvida, mas é naturalmente reduzido ao mínimo. Esse não é, porém, o aspecto principal. Há ainda o lado sobrenatural, de si mais elevado e importante.
A Igreja é de instituição divina, e é assistida de modo especialíssimo pelo Divino Espírito Santo. Jesus Cristo disse aos Apóstolos: "Estarei convosco até a consumação dos séculos"  (Mt. 28,20), o que indicava, sem a menor dúvida, uma promessa de assistência - e mais do que isso, de presença - de ordem absolutamente superior.
O mesmo Senhor declarou formalmente a São Pedro: "Tu es Pedro, e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela"  (Mt. 16,18) - o que contém claramente uma promessa divina de imortalidade e indestrutibilidade da Santa Igreja.
Por todas essas razões, o processo eleitoral de um papa é atípico, e não pode nem de longe ser comparado ao das eleições normalmente realizadas nas modernas repúblicas.
Rezemos para que o Divino Espírito Santo ilumine os membros do Sacro Colégio e para que tenhamos, na sucessão de Bento XVI, um Papa adequado às necessidades prementes da Igreja Católica, que a faça emergir da crise terrível na qual, há décadas, se vê mergulhada.


Armando Alexandre dos Santos é historiador, jornalista e diretor da Revista da Academia Piracicabana de Letras.

segunda-feira, 4 de março de 2013

PERTINÁCIA

Elda Nympha Cobra Silveira
Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior

Meu coração
Bate sem demora
E fico sem saber
Qual é a razão e o porquê.
Lembranças chegam de mansinho,
São como martelo na bigorna
Ritmado e constante,
Dilapidando minha vida.
Há...já se foi a sensatez!
O real já nem existe,
 Os sonhos tem primazia
Alegram ou dão agonia,
Numa alternância pertinaz.
Você sempre foi meu eixo,
Minha guarida,
 Não se dilua essa ilusão
Que só você me traz.

sábado, 2 de março de 2013

“EIS-ME AQUI, ENVIA-ME”

                          Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira no3 - Patrono: Luiz de Queiroz


         
            Esta é a citação do trecho de Isaias 6,8 para o Lema da Campanha da Fraternidade 2013, cujo Tema é, “Fraternidade e Juventude”, Campanha essa, como sói acontecer todos os anos pela CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que este ano aborda o “Jovem” tanto na Economia como na Sociedade, na Cultura, na Política e na Religião. A Campanha deste ano quer compreender a juventude não somente como “qualidade de uma idade cronológica”, mas juventude a partir da jovialidade, pois admite que “é jovem não aquele que tem idade nova, mas aquele que tem o vigor de Deus, do Deus que alegra a nossa juventude e que é a vitalidade do nosso ser. Jovialidade que é o modo de ser do próprio Deus. É jovem a pessoa que se deixou tomar por este modo de Deus, pela força de Deus, pelo vigor de Deus: o amar sem medida, desmedidamente!”. No entanto é mais do que tudo, um chamado aos jovens para que, nesses tempos de mudança de época incitando-os a refletir, rezarem uns com os outros, converterem-se e se deixarem “ser encontrados” por Jesus Cristo que é “Caminho, Verdade e Vida (Jo, 14,6), tendo o Evangelho como espelho, e sentido de tudo, nas reuniões, nas comemorações e festividades, encontros e eventos sócio- econômico-culturais, em tudo enfim que se possa extrair de uma convivência sadia,  amorosa, generosa e compartilhada, em todos os assuntos e temas que surgirem. Aproveitar bem o tempo, para trabalhar nas palavras e nas parábolas, virtudes e atitudes, boas leituras, estudos, pesquisas e histórias de vidas exemplares, copiadas e valorizadas, colocando limites que engrandecem, e valores corretos no seu devido lugar, e assim contribuir espontaneamente com mais alegria e esperança nesse mundo que qualquer hora dessa, vai melhorar, se Deus quiser!
            Sem querer copiar ou plagiar, mas se torna impossível querer apresentar fatos que fujam a essa realidade, nesse tempo da Quaresma quando a Santa Madre Igreja deseja que os jovens participem, sendo missionários e missionárias, evangelizando-se entre si, sobretudo com os meios de comunicação             disponíveis atualmente, que podem atingi-los e entrelaçá-los em questão de segundos em qualquer parte desse planeta que acabou ficando pequeno, quando as distâncias se dissolvem num clicar de “sites” ou de “links” no arrojo dos mais diversos tipos de aparelhos que, dia após dia se aperfeiçoam e entram no mercado revelando que todos estão muito mais perto um do outro do que se pode imaginar.
            Que este chamado da Campanha da Fraternidade de 2013 aos “jovens”, abençoado por Nossa Senhora Mãe de Deus e nossa, consiga o resultado do clamor a que se pretende, envolvendo no entusiasmo, no amor e na fé, milhões de jovens da Terra, que, colaboradores impulsionados pelo “vigor de Deus” acabarão mostrando com seu exemplo realizando os progressos e milagres tão esperados. E, que com essa força bendita que eles têm, inundem a vida em sua totalidade com muitas ideias novas, empreendimentos honestos, limpos e puros, contatos responsáveis para colheitas pródigas, e tantas maravilhas mais que hão de vir, para que estejam prontos a responder na sua maior coragem e eloquência com todo desprendimento, este chamado da Campanha da Fraternidade deste ano: “Eis-me aqui, Senhor, envia-me”!

sexta-feira, 1 de março de 2013

JOSEPH ALOIS RATZINGER

Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33
Patrono: Fernando Ferraz de Arruda

O Papa pulou fora.
Posto à prova
pediu aos pares
a pausa no pontificado
Por não ser político
por não ser partidário
por não ser peleador
Preocupado com o povo
pináculo com o dom do perdão
um  grande pensador

Que o próximo pontífice
ponderado seja
paciente, perseverante
e principalmente,
Papa da Paz


Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz