Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

segunda-feira, 29 de abril de 2013

As três matrizes do pensamento ocidental

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado



Sócrates, com a maiêutica, ensinou o parto das ideias, ensinou a pensar, estabeleceu as regras básicas do pensamento lógico. Seu discípulo Platão aplicou e desenvolveu as ideias do mestre, teorizando acerca de um mundo ideal que deve servir de baliza e modelo ideal para a realidade humana. Seu pensamento é dedutivo, parte do geral e se aplica ao particular, mantendo-se sempre ambos em perfeito equilíbrio.
Já Aristóteles, discípulo de Platão, desenvolveu e aperfeiçoou os ensinamentos socráticos e platônicos de um ponto de vista diverso. Aristóteles era cientista, filho de médico e ele próprio estudou medicina. Seu método era o estudo dos casos concretos e particulares para, a partir deles, chegar ao conhecimento e formulação das regras gerais. Seu pensamento era indutivo, ao contrário de Platão. Mas ambos se completam admiravelmente. Em ambos se nota o mesmo equilíbrio fundamental da natureza humana, o geral com o particular, o todo com as partes, a teoria com a prática.
Um exemplo mostra bem as diferenças dos dois. Na República, Platão concebeu um regime político ideal, se bem que, no sentido original do termo, utópico, ou seja, não existente em lugar algum. Já Aristóteles escreveu a Política seguindo o caminho inverso. Possuindo um generoso e rico Mecenas, Filipe da Macedônia, dispunha de verbas abundantes para seus estudos. Pôde, assim, enviar emissários a todos os povos então conhecidos,  coligindo mais de duzentos relatos de como se governavam em concreto os povos. Foi a partir desse rico material de pesquisa que teorizou e elaborou sua obra. Ambos, Platão e Aristóteles, por caminhos diferentes influenciaram profundamente o pensamento político do Ocidente, sendo ambos considerados ainda hoje, a justo título, luminares da Ciência Política.
O pensamento grego, assimilado e adaptado pelo gênio romano, recebeu ainda um terceiro componente, de importância fundamental: a influência hebreia, que nos chegou por intermédio do Cristianismo, trazendo o elemento religioso da revelação divina. Essas são as matrizes do pensamento original do Ocidente, profundamente lógico, coerente e completo.
Já na Era Cristã, o pensamento de Platão teve numerosos seguidores, dos quais, talvez, o maior e mais brilhante tenha sido Santo Agostinho, Bispo de Hipona e profundo pensador e intelectual fecundíssimo. De conhecimentos enciclopédicos, escreveu com profundidade e espírito criativo sobre todos os ramos do conhecimento humano - sempre sem perder de vista a unidade fundamental desse conhecimento.
Aristóteles teve, na Idade Média, um discípulo igualmente genial, São Tomás de Aquino, que cristianizou, renovou, desenvolveu e aperfeiçoou o aristotelismo, num conjunto de mais de cem obras, igualmente abarcativas de todos os ramos do conhecimento. O pensamento aristotélico-tomista também privilegia a visão global do conhecimento humano, especialmente na Summa Contra Gentiles (que é  exclusivamente filosófica e faz abstração da Revelação) e na Summa Theologiae (a qual, como o próprio nome indica,  focaliza temática religiosa e teológica, sem embargo de incorporar poderosamente o arcabouço filosófico).

sexta-feira, 26 de abril de 2013

VOLUNTARIADO COM ESPIRITUALIDADE

                          Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira no3 - Patrono: Luiz de Queiroz

            A emergência atual, consciente, adulta, generosa e sem limites, com certeza está não somente em oferecer ajuda no momento da tristeza que continua a se manifestar neste vale de lágrimas em que sobrevivemos como nos “sensibilizar” ante o problema do próximo e semear a “organização da vida” dele, quando está no limite de sua carência física, material, moral ou espiritual. Como conseguir isso? Sem ser repetitiva, mas muitas vezes repetindo para chamar a atenção ante o despropósito de tamanha diferença social, pela ganância de mentes mesquinhas, desumanas, acomodadas e inconsequentes, que saem pisoteando em tudo, só admitindo seu próprio umbigo e conforto. 
            O Papa Francisco em boa hora anda alertando sobre a atuação definitiva do ser humano em direção aos “pobres”. Mario Vargas Llosa, escritor peruano e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura assinou dia desses um belíssimo artigo onde cita um sacerdote italiano, padre Ugo de Censi que chegou a Chacas em 1976 “uma das cidades mais pobres do Peru e a transformou (apenas com voluntários), em um mundo de paz e trabalho, de solidariedade humana e criatividade artística”. O artigo é lindo e longo e não daria para ser publicado dentro desta crônica infelizmente, mas suas ideias deixariam até os superiores de sua ordem salesiana, os hierarcas da Igreja, os economistas e sociólogos, muito nervosos... Padre Censi detesta a cobiça, o egoísmo e o lucro, e prega que a “pobreza deve ser combatida a partir dela, vivendo-a junto com os pobres e atraindo os jovens para a religião e para Deus, propondo-lhes a viver a “espiritualidade como uma aventura” (as quais o mundo atual tende a separá-los), entregando seu tempo, seus conhecimentos e braços a fim de lutar contra o sofrimento e as grandes injustiças de que são vítimas tantos milhões de seres humanos”. E, entre suas ideias miraculosas sem vaidade alguma, este padre, um homem de ação e de uma força incrível realizou sem ajuda de um centavo do Estado ou do governo (apenas com “voluntários”, repetimos), uma verdadeira revolução econômica e social com tudo imaginável, como centrais elétricas, luz, água, vários colégios, clinicas, incentivos à arte, muitos “eteceteras”, mais uma Universidade que estará sendo inaugurada também. 
           Como foi possível tudo isso e muito mais que não dá para detalhar aqui? “Apenas olhando para o lado dos que precisam e não desviando o olhar para o outro lado...” afirmou o sacerdote. “Caridade” é sua a palavra chave e a “ação”, não só do padre Censi como de todos os voluntários. Citando como exemplo aqui em nossa cidade, a atuação de voluntários da Campanha do Agasalho, do empenho de diretores e funcionários entre outras dezenas de instituições nossas, da Casa do Bom Menino, do livro em Braille (entre outros), dessas mulheres maravilhosas, Ivana, Leda e Carmen (e, essa Marly, nossa linda historiadora, com Valdiza “preservando” nossa terra, e as outras e outros que escrevem...), Aracy, sempre prestativa em tudo, o Lions sempre atento a boas causas, e o Rotary irmanado em extirpar a “poliomielite” no mundo, e, querendo ser justa, a uma gama de senhoras e homens beneméritos de todas as idades, que se envolvem e sofrem por não conseguir ajudar ainda mais!  
                O “Projeto Ilumina”, a criar luz em tantos corações amargurados, os Chás beneficentes da cidade e os do Clube da Lady, com Marlene e outras queridas, as reuniões e jantares, as “pizzas” e as rifas, as “Ongs”, a Festa das Nações que vem vindo aí!!! Ufa, meu Deus, tudo isso é “espiritualidade no voluntariado”, que é feita com continuidade, conhecimento de causa, perseverança, alma e coração, a desejar “arrumar” um pouco que seja este mundo desarrumado, mas, cujas mentes crescem no dia a dia e se aperfeiçoam a cada gesto doado, trabalhando com suas próprias forças, a mostrar que existe neste mundo ainda, muito mais gente querendo fazer o bem por si, elegendo a “caridade e o amor” como aliados, conseguindo com isso, a autoafirmação e realização de suas próprias vidas!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Convite p/ palestra

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


                         No próximo sábado, às 10 horas da manhã, no Colégio Poli-Brasil (esquina da Rua Alferes José Caetano com Rua Moraes Barros- Piracicaba /SP), o acadêmico Armando Alexandre dos Santos proferirá a palestra “Criatividade: todos nós temos”. 
Será uma “aula-aberta”, promovida conjuntamente pelo Colégio Poli-Brasil e pela Academia Piracicabana de Letras.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Veteranos de 32/ MMDC entrega medalhas



HOMENAGEADOS CONVIDADOS POR PIRACICABA NA SOLENIDADE ENTREGA MEDALHA MMDC EM 11/O5  

Local: Armazen da Cultura Maria Dirce de Camargo, na Estação da Paulista, situado à avenida doutor Paulo de Moraes, 1682 - Paulista- Piracicaba SP



CERIMÔNIA CONJUNTA PIRACICABA/SÃO PEDRO - AO DIA DA JUVENTUDE CONSTITUCIONALISTA: M.M.D.C.

DATA : 11 de maio de 2013, sábado

HORÁRIOS : Piracicaba às 10 horas / São Pedro às 15:30 horas

LOCAIS :
Piracicaba – Armazém da Cultura "Maria Dirce de Camargo" na Estação da Paulista (avenida Dr. Paulo de Moraes, nº 1682 - Paulista - Piracicaba/SP)
São Pedro – Museu Gustavo Teixeira (rua Joaquim Teixeira de Toledo, n° 524 - Centro - São Pedro/SP)


Solenidade em Piracicaba

10 horas – recepção e concentração no Auditório
10h20 – abertura da solenidade pelo presidente Edson Rontani Júnior / palavra aberta do coronel Mário Ventura / palavra aberta destinada às personalidades / entrega da Medalha M.M.D.C. / Palavra de representante dos homenageados / Palavra aberta aos presentes / Outras manifestações protocolares
Encerramento – entre 11h30 e 12 horas
Visita espontânea ao Monumento do Soldado Constitucionalista situado à praça José Bonifácio (a 200 metros do Museu)

Viagem a São Pedro

Almoço livre por adesão, sendo opções
- Churrascaria Gaúcha – serviços de R$ 18,00 a R$ 35,00
- Nova Iguaçu Churrascaria – 18,00 buffet de saladas e pratos quentes / R$ 25,00 o mini rodízio e buffet de saladas

Solenidade em São Pedro

15h30 – recepção e concentração
15h50 – abertura da solenidade tendo como cerimonialista Aldo Nunes / palavra do presidente do Núcleo João Francisco de Aguiar / palavra de Maria do Carmo Mendes de A. Souza (“Revolucionário José Augusto Frota Escobar”, falecido em combate) / palavra aberta do coronel Mário Ventura / palavra aberta destinada às personalidades / entrega   da Medalha M.M.D.C. / Homenagem a 09/071932/ Palavra aberta aos presentes / Outras manifestações protocolares
Encerramento – entre 17h30 e 18 horas



Homenageados convidados por Piracicaba


* ADRIANA CRISTINA SPRIGNEIRO NUNES – Major da PM
* ANNA THEREZA PRADO DE ALMEIDA CARVALHO – vice-presidente do Núcleo MMDC Piracicaba
* ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CIRURGIÕES-DENTISTAS (APCD-Regional Piracicaba) – a receber através de sua presidente drª. Sandra Aparecida Barroso Furlan
* CESÁRIO DE CAMPOS FERRARI – historiador
* CLAYTON LOTAR ANTICO BÜRGER – Coordenador e professor da Microcamp Piracicaba
* EGYDIO JOÃO TISIANI – 2°. Tenente da PM, fundador e primeiro presidente do Núcleo MMDC de Piracicaba
* FÁBIO FERREIRA COELHO BRAGANÇA – Historiador do Departamento de História da Câmara de Vereadores
* ISCAR ANTONIO BRESSAN – Ex-combatente da Revolução de 1932
* IVANA MARIA DE FRANÇA NEGRI – Escritora
* JOÃO FRANCISCO DE AGUIAR – Presidente do Núcleo MMDC de São Pedro
* JOÃO MANOEL DOS SANTOS – Presidente da Câmara de Vereadores de Piracicaba
* JORNAL DE PIRACICABA – a receber através de seu diretor Marcelo Batuíra da Cunha Losso Pedroso
* JULIANA DE PINHO ROJAS – 1°. Tenente da Polícia Militar
* KAREN ROBERTA MORIGGI – Coordenadora do curso de pedagogia da Faculdade Anhanguera de Piracicaba
* KARINA GARDIN AMARAL – Coordenadora em Rio das Pedras da área de educação especial
* MARCELO CACHIONE – Historiador e Diretor do Departamento Histórico do IPPLAP (Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba)
* MARCELO OLIVEIRA – Presidente da Comissão Municipal de Eventos Cívicos de Piracicaba
* MARIA ANTONIETA SACHS MENDES – Diretora do Museu Prudente de Moraes
* MARIA DA GLÓRIA SILVEIRA MELLO – Presidente da Associação Amigos do Museu Prudente de Moraes
* MARIA HELENA TOLEDO SILVEIRA MELO – Presidente do Núcleo MMDC de Jaguariúna
* MÍRIS CRISTINA PARAZZI FOLSTER – Professora da Faculdade Anhanguera de Piracicaba
* PAULO JOSÉ PALOTA – Tenente Coronel da Polícia Militar
* PEDRO CRUZ – Vereador e Secretário Municipal do Desenvolvimento Econômico na gestão do prefeito Barjas Negri
* RODOLPHO HOFF JÚNIOR - Major da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo
* ROMEU GOMES DE OLIVEIRA – Ex-combatente da Revolução de 1932
* SILAS ROMUALDO – Capitão do Exército e Comandante da Guarda Civil Municipal de Piracicaba
* SOLANGE ZAPAROLI BARBOSA DE OLIVEIRA – Professora da Faculdade Anhanguera de Piracicaba
* TARCISIO ANGELO MASCARIM – Presidente do SIMESPI (Sindicato Patronal das Indústrias Metalúrgicas de Piracicaba) e Secretário Municipal do Desenvolvimento Econômico
* VITOR PIRES VENCOVSKY – Presidente do IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba)
* WILLIANS DE CERQUEIRA LEITE MARTINS – Capitão da Polícia Militar



Homenageados convidados por São Pedro

* PADRE ANTONIO CARLOS (Paróquia São José)
* EDSON RONTANI JÚNIOR (presidente do Núcleo MMDC Piracicaba)
* HÉLIO DONIZETE ZANATA (prefeito de São Pedro)
* JOSÉ MARIO DE BARROS – vereador de São Pedro
* JOSÉ SEPÚLVEDA
* MARCELO LUIZ AMENT CARON – Capitão da Polícia Militar São Pedro
* WALMY MODESTO – (ex-prefeito de São Pedro)

domingo, 21 de abril de 2013

TRIBUTO A MADALENA SALATI

                          Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira no3 - Patrono: Luiz de Queiroz

           
 Já faz tanto tempo, mas lembro-me de Dona Madalena Salati, uma mulher simples, muito culta, que escrevia muito bem, muito viva e inteligente, esposa de um dos grandes poetas piracicabanos, Benedito de Almeida Junior, de uma vontade ferrenha em ajudar o próximo, e, naquela época que tento voltar ao passado, “assistir aquele montão de crianças”, não só as carentes de família, como as abandonadas pela vida, e ela com aquele sorriso precisando de tudo, desde o aluguel da casa (quando várias senhoras da cidade se reuniam para resolver esse problema), como as necessidades de móveis, utensílios domésticos, mantimentos e roupas, que não cansava de solicitar, no que era graças a Deus atendida pelos comerciantes e pessoas de bem de nossa cidade. E, lá ia Dona Madalena, mulher de fé, otimista pelos duros caminhos que a vida lhe proporcionava em seus intentos. Daí, pela grande admiração que tive e tenho por ela querer organizar detalhes e informações aos leitores para que, os que não a conheceram a conheçam um pouco, e os que a conheceram, se lembrem desta pessoa de tanta beleza interior, e assim, reverenciem esta mulher guerreira, despojada de si, que apenas almejava uma vida melhor, mais justa e mais decente aos seus pupilos carentes, criaturas de seu Deus que ela fazia conhecer em cada ato generoso seu. Lembro-me de tantos problemas que lhe eram imputados em sua caminhada, injustiças de muitas maneiras, como também recordo aquelas crianças sofridas, agarradas às suas pernas ou querendo ficar aconchegadas em seu colo, naquele seu corpo cansado que jamais desistia do seu amor, que começava muito cedo todas as manhãs, e que não tinha hora da noite para terminar... E, quando ficavam doentes então? A corrida aos médicos que geralmente a socorriam (eles não eram tão estressados como nos dias de hoje e eram encontrados com mais facilidade...), e atendiam seu chamado, sempre repletos de atenção, carinho e admiração pela sua coragem, e lá iam eles ajudar com sua presença e remédios necessários, aquela senhora que não tinha nem “tempo para se arrumar ou pensar em si”, mas que era tão decente terna e incansável!
Dona Madalena nunca desistia dos seus compromissos para com aquela “Casa”, que já era conhecida como “Casa do Bom Menino”. Tinha um fôlego de muitas vidas e devia ter algumas pessoas que a ajudavam, voluntários generosos, mas esses nomes, já não me lembro mais, apenas recordo que ela estava sempre pronta, ao lado de quem aparecia e precisava, e, “espiritualizada” como era, orando e orando, quem sabe, único recurso fácil naquela enorme necessidade pela qual passavam as crianças e ela também. E, agora quando fico sabendo que a “A Casa do Bom Menino” completa 50 anos de vida voltei ao passado a fim de homenagear Dona Madalena Salati, desejando que esta instituição (que sei, ainda luta muito e sofre até hoje pela concretização de seus objetivos), continue perseverando firme e forte e muito solidária entre si, no exemplo dessa Mulher pioneira que muito bem fez ao próximo, sobretudo, às crianças, e nada jamais a desanimou! Possam vocês profissionais que tomam conta desta “Obra de Caridade”, com novos incentivos e métodos modernos que a vida proporciona (e quem sabe, com ajuda mais “compreensiva e significativa” de autoridades, políticos e benfeitores...), levar sempre avante esse projeto, que começou com grande penúria, incontáveis sacrifícios, mas com uma enorme responsabilidade, garra e “amor ilimitado” em primeiro lugar!
Parabéns à diretoria atualmente presidida pelo Dr. Guilherme M. de Melo, orientadores e funcionários da Casa do Bom Menino, tão importante tanto para “seus residentes”, como também para nossa tão querida terra de Piracicaba!
 Parabéns, abraços, e que Deus proteja e abençoe a todos!

sábado, 20 de abril de 2013

Ainda somos seis

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade
     
     Estou atendendo ao pedido de um amigo, que adora ler  “as coisas de antigamente”. Ia começar este título com “Éramos seis”. Ainda somos seis irmãos, todos vivos, na graça de Deus. Todos já passamos de meio século e cada um já viveu sua parte de alegria e de dor nesta vida. Somos seis irmãos e guardamos o legado lindo deixado pelos nossos pais.
     Então, “éramos” seis, cinco mulheres e um homem. Minha mãe, impecável na sua função de administrar a casa, reinava como a perfeita rainha do lar, à medida que crescíamos. De manhã cedo, a mesa posta, o cheiro de pão fresco, o leite fervido, o café coado recendia pela casa. Cedinho, meu pai já havia saído para o trabalho e minha mãe começava a lidar com os afazeres domésticos.
     De suas mãos brotaram as mais belas refeições de que tenho lembrança. O pernil assado com batatas; o frango com polenta; o nhoque e o bife à milanesa; o bacalhau com molho; a macarronada maravilhosa, tudo feito em casa, com carinho e capricho. E os bolos e doces? Ninguém fazia um doce de abóbora em pedaços igual ao dela.
     Mamãe foi do tempo do ferro de passar com brasas e do fogão a lenha. Dignamente rachava a madeira no quintal, acendia o fogo para a comida de cada dia. Ficava com as mãos tão grossas, mas usava um pé de mamão que tínhamos num terreno ao lado de nossa casa e, com um facão, dava um talho no tronco. Dele escorria um leite branco que ela passava nas mãos, pois dizia que amaciava bem a pele.
Sabia destroncar o pescoço do frango, depois o punha numa grande caçarola com água fervendo para amolecer a pele e tirar as penas uma por uma. Aí, cortava a ave em pedaços e a temperava. Para fazer a sua famosa polenta com frango, que nunca existiu igual no mundo!
 A roupa lavada e passada pelas mãos da minha mãe tinham um perfume único. Sabia fazer um pouco de tudo, costurava, bordava. Lembro da alegria dela com o primeiro fogão a gás, a geladeira, o telefone, a televisão. Eram presentes maravilhosos para ela! Acho que nunca a ouvi se queixar de nada. Parecia ser imensamente feliz, mesmo com tantos afazeres diários. E a gente só vivia brincando, estudando, passeando, indo ao cinema...
     Que tempo maravilhoso foi aquele, minha mãe e minha avó italiana disputando espaço na cozinha, na pia, no fogão, uma mexendo a polenta, outra lavando a louça... Meu pai trazendo carne de porco do sítio e minha mãe lidando com ela, fervendo as tripas, usadas para encher de linguiça caseira. Vinham as laranjas, mangas e goiabas. A goiabada era feita no tacho de cobre. Levávamos pão com goiabada de lanche durante semanas na escola e ninguém enjoava de nada.
            Para mim, como já afirmei, a felicidade reside nas coisas simples. Sobretudo quando se tem estas lembranças acesas no coração! Minha avó italiana e sua tigela branca para o café com leite, onde ela molhava o miolo do pão. Meus irmãos e eu, meu pai e minha mãe. Os dois ajoelhados rezando o terço, diante dos quadros lindos dos Sagrados Corações de Jesus e Maria.
Ainda somos seis e, quando nos reunimos, vem o abraço mudo desta felicidade pequenina e as lágrimas de saudades enchem nossos olhos e nossos corações!...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Poesia ao Vento nesta sexta-feira no SESC

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


Armando Alexandre dos Santos vai discorrer sobre a vida e obra 
de Brasílio Machado, nesta sexta-feira, às 18h30 no SESC Piracicaba                   a convite de Irineu Volpato.
Entrada franca e aberta aos interessados.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

AMOR SEM FRONTEIRAS

Elda Nympha Cobra Silveira
Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior

Jesus Menino nos ama sem limites
Desde o inicio da criação.
Veio para brincar conosco,
Quer ser nosso amigo,
Espera ter um abrigo
Em nosso coração.

Tem a certeza que vale a pena
Espera nossa aceitação
Quer tornar- nos seus herdeiros
De tudo que é dele
Dentro dos seus reinos.
Vem esperando nossa aceitação.

sábado, 13 de abril de 2013

Busca pela felicidade


Tony Corazza

A busca pela felicidade é a satisfação de um desejo que se extingue rápido como uma faísca; um momento no espaço/tempo.  É como um hamster na roda infinita da morte. Nos movemos todos os dias para alcançá-la e quando alcançamos sofremos de um desprazer e tédio quase imediatos. Forçando-nos a procurá-la novamente. 
Buscar e atingir a felicidade é um ciclo louco e vicioso, é uma raiz sem fim para o sofrimento. 


sexta-feira, 12 de abril de 2013

A felicidade reside nas coisas simples

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade
É verdade. Para mim, juro por Deus, a felicidade reside nas coisas simples da vida. Café, pão e manteiga, bolo de fubá, banana prata amassada com aveia... Um cheiro bom de chuva, de terra molhada, o vento das manhãs para secar o cabelo ao sol!... Uma toalha felpuda, perfumada. Um bom livro. Ficar deitadinha, com um cobertor, vendo tevê num dia frio. A vitória do meu tricolor, seja lá onde for...
Enfim, uma casa limpinha, cheirosa, a gente quietinha, rezando o terço. Saúde no corpo e na alma! Ah, Deus Pai!... A vida é tão bonita. Sentimos alegria no coração, quando há paz, harmonia e saúde à nossa volta.
No entanto, nem sempre é assim. Lutamos com problemas, dissabores, e o imponderável da vida. Amamos, sofremos, choramos. Minha mãe sempre dizia: “ninguém vive num mar de rosas”, e eu adorava essa frase repetida a cada nova dificuldade que tínhamos pela frente.
Contudo, na sabedoria simples e maravilhosa de minha mãe, ela também sabia consolar e orientar, alertando que olhássemos para trás, para baixo, pois sempre haveria quem estivesse passando por lutas bem maiores que as nossas.
Este reconhecimento saudável faz de nós pessoas bem resolvidas, capazes de lidar com os problemas de forma que eles nos façam crescer para sermos melhores, mais solidários, mais participativos da vida em comunidade, ajudando-nos uns aos outros.
Às vezes, a felicidade está nas tarefas triviais do dia-a-dia. Comecei uma faxina de lascar na casa! Organizei tudo de novo. Até bijuterias velhas e feias joguei fora. E doei o que já não usava mais.
     Vem uma sensação apaziguadora dentro do coração, depois de tudo isso feito. A casa fica maior, porque o móvel desocupou lugar. O armário “respira” melhor, porque as roupas ficam mais arrumadas dentro dele. Enfim, uma coisa puxa a outra e vamos vendo que é bom repartir, partilhar e dar um destino adequado àquilo que já foi muito útil para nós.
     Sempre sabemos de alguém passando dificuldades, e que aceita roupa, sapato, bolsa, cobertores e até móveis. Quando me mudei da chácara para a cidade, dei tapetes,  louças, as cadeiras de piscina, mesa de churrasqueira, vasos com plantas, tanta coisa!
Vim embora para a casa nova com o mínimo necessário. Sou fã do "menos é mais" e quero ter pouca coisa. Fujo feito o diabo da cruz dessas geringonças que fazem o vinagrete num piscar de olhos e vêm com 10 lâminas diferentes.
     Outro dia, notei duas meias de lã (que eu adoro) com alguns furos. Já costurei. Não uso com o furo, entende? Costuro, pelo menos. Prezo minhas coisas e uso tudo com tanto cuidado, que duram uma eternidade. Opto por estilos clássicos, que sobrevivem a cada novo modismo e assim vou tocando o barco.
     Creio que este é o segredo. Saber que a felicidade reside nas coisas simples da vida. Viver com o necessário. Se tenho dois e está bom assim, por que comprar mais um? E calar aquele apelo consumista sem sentido, que não leva a nada. Vez ou outra, claro, fazer aquele passeio socrático por aí e ver que há muita coisa no mundo da qual, absolutamente, não temos a menor necessidade..

domingo, 7 de abril de 2013

Lançamento do livro infantil em Braille "Quatro Contos em Quatro Cantos"

As autoras integram a Academia Piracicaba de Letras 
Leda Coletti, Ivana Negri e Carmen Pilotto

O livro infantil Quatro Contos em Quatro Cantos, que tem como autoras as escritoras Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto, Ivana Maria França de Negri, Leda Coletti e Maria Emília Leitão Medeiros Redi (in memoriam) teve sua primeira edição patrocinada pela empresa MANETONI e foram distribuídos 2000 exemplares.
As ilustrações das histórias foram criadas por Erasmo Spadotto.
Na segunda edição foram impressos mil exemplares com o apoio da  SEMAC ( Secretaria Municipal de Ação  Cultural) e foram distribuídos durante a inauguração da nova Biblioteca Municipal em 2011.
Esta terceira edição, em Braille, editada pelo Instituto Pró-Visão com transcrição teve revisão para o Braille por Carlos Peres e Fabiano Matos da Gráfica PRÓ-BRAILLE - PRÓ-VISÃO (Av. Andromeda, 3061, Bosque dos Eucaliptos São José dos Campos SP), e foi patrocinada pela FEALQ (Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz) .
A diagramação e a editoração eletrônica foram feitas por Rodrigo Roveri, Gráfica Copcentro - São José dos Campos SP
  
                                           http://fealq.org.br/
  

O lançamento da obra em Braille será no dia 12 de abril, no Museu da ESALQ, às 18h. Haverá também uma exposição denominada "Jardim Sensorial"  projetada pelo Acadêmico  João Paulo Sucupira Neves, aluno do sexto ano do curso de agronomia, e contará com a colaboração do Grupo de Paisagismos GEP e do Professor Lindolpho Capellari Jr.
O Jardim Sensorial é composto de ervas aromáticas, sementes, fontes e descritivos em Braille para os convidados.
Também o grupo vocal da ESALQ, regido pela maestrina Cíntia Pinotti, vai se apresentar no evento .

Dorinha Vitti Kennedy, professora de Origami, vai expor alguns trabalhos relacionados  aos personagens do livro para que possam integrar o caminho sensorial.


O livro não será vendido e sim doado às instituições, associações, bibliotecas e afins, que trabalhem com deficientes visuais.
Os interessados em obter um exemplar podem entrar em contato com as autoras.


Ilustrador Erasmo Spadotto


Autoras: Maria Emília Redi (in memoriam), Leda Coletti, Carmen Pilotto e Ivana Negri

Realizando um sonho
Ivana Maria França de Negri

            Todo escritor compara o lançamento de um livro ao nascimento de um filho. E de fato, os dois acontecimentos têm muitas semelhanças.
            Primeiro, vem o desejo de ter um livro publicado. Em seguida, acontece o casamento entre as ideias e as palavras. Tem o tempo da gestação, que é o período  entre o escrever e a publicação. E quando o exemplar está prontinho, vem o ápice da felicidade, que é sentir a textura da capa, o cheiro de papel novo, o prazer de folheá-lo, sorver cada palavra impressa, e a alegria de saber que se pode, enfim, compartilhá-lo com o mundo.
            É assim que me sinto ao ver nosso livro transcrito para o Braille, pronto para que crianças ávidas por conhecimento e portadoras de alguma deficiência visual, possam se encantar com nossas histórias e se emocionar.
            Eu e mais três amigas escritoras: Carmen Pilotto, Leda Coletti e Maria Emília Redi, tivemos há alguns anos, a ideia de escrever um livro de histórias infantis que fosse voltado à conscientização no trato com a natureza, com os animais, que falasse de ecologia, amizade, família,  e trouxesse mensagens positivas, além de figuras para pintar e  quebra-cabeças para as crianças recortarem e montarem.
            Nascia então o Quatro Contos em Quatro Cantos, bancado em sua primeira edição, pela empresa Manetoni e os dois mil exemplares foram distribuído às crianças de várias escolas. O ilustrador das histórias é o artista gráfico Erasmo Spadotto.
A segunda edição teve o apoio da Secretaria Municipal de Ação Cultural, através do Fundo de Apoio à Cultura, e mais mil exemplares foram editados e distribuídos durante a inauguração da nova Biblioteca de Piracicaba.
As quatro historinhas, para crianças de todas as idades, têm como temática a poluição do ar e dos rios, devastamento das florestas e uma delas ainda conta a história de um dragão moderno que fala internetês e convoca, através do Facebook, dragões do mundo inteiro para uma conferência para salvar o planeta.
Agora o nosso sonho de ver esse livro transcrito para o Braille acaba de se realizar, patrocinado pela FEALQ – Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz.
Maria Emília Redi partiu precocemente para outro plano, mas certamente, de onde estiver, deve estar muito feliz com essa edição e por saber que sua historinha continua viva e vai alegrar muitas crianças com necessidades especiais.
O lançamento do livro, no próximo dia 12 de abril no Museu Luiz de Queiroz, contará com a apresentação do Coral Luiz de Queiroz, regido pela maestrina Cíntia Pinotti, sendo o repertório, o mesmo que foi tocado recentemente em Coimbra, Portugal.
Um Jardim Sensorial será montado para que as pessoas sintam texturas e aromas, projeto idealizado pelo acadêmico de agronomia  João Paulo Sucupira Neves. E também Dorinha Vitti Kennedy, professora de Origami, preparou uma bela exposição  com personagens das histórias
O livro não será vendido e sim doado às instituições, bibliotecas, entidades e pessoas que trabalhem com deficientes visuais.  E para obter um exemplar, é só entrar em contato com as autoras.

Notícias do Campus da ESALQ

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O papa Francisco

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade
     Na 3ª feira passada, o mundo parou pela segunda vez, para assistir à entronização do papa Francisco, no Vaticano. A primeira vez foi no dia 11 de fevereiro, quando o papa Bento 16 renunciou e o mundo foi pego de surpresa. Embora o então pontífice já tivesse aludido a sua possível renúncia, o fato assombrou a todos.
     Na presente história, a renúncia de um papa é uma notícia bombástica. Para a mídia foi um “prato cheio”. Contudo, ficou no ar a dúvida: mero cansaço e incapacidade física para continuar no cargo?
     Não deverá jamais ser esquecida a sua maravilhosa contribuição à Igreja, a beleza dos documentos pontifícios, sua erudição, cultura e sabedoria. Creio que o papa Bento é dos maiores intelectuais do nosso tempo.
     Rapidamente, um novo conclave foi organizado e a fumaça branca apareceu na chaminé da Capela Sistina. Eis que o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito papa e, desde então, mais um “prato cheio”...
     Jesuíta, o santo padre adota o nome de Francisco, um claro recado de como será sua passagem pelo trono de Roma. Trata-se de um homem de muita personalidade, com estilo próprio, que nos emociona a todos e encanta mesmo aos não católicos. Em Buenos Aires, deixou a casa paroquial e foi morar num pequeno apartamento, onde cozinhava a própria comida. Andava de ônibus, visitava as favelas, sempre ao lado dos pequeninos do Reino.
     Eleito papa, recusou as honrarias de praxe e preferiu manter seu feitio despojado e simples, buscando aproximar-se do povo que lota a praça São Pedro. Nas vestes, nos gestos, nas atitudes, o papa Francisco vem se fazendo notar.
     Contudo, um membro do clero com essa projeção e estilo é sempre alvo de críticas. E o papa Francisco não está imune a elas. Fala-se de tudo, escreve-se de tudo e é preciso lucidez, discernimento para compreender o momento presente, o papel da Igreja no governo de seus fiéis, a preservação da doutrina, dos dogmas, da moral e das tradições cristãs, numa sociedade que, há muito tempo, perdeu o senso do sagrado.
     Não será fácil comandar mais de um bilhão de fiéis e conquistar almas para o rebanho de Cristo. Quão pesado é o cajado deste pastor. Trata-se de um desafio colossal. Defender a moral católica num mundo que zomba dela.
     Há um clamor por “reformas”, para que a Santa Sé reveja sua posição na sociedade de hoje. Sim, os católicos autênticos anseiam por um papa “reformista” no Vaticano. Uma reforma espiritual, trazendo de volta uma Igreja bela, humilde e santa. Que a doutrina seja um farol a brilhar e o santo padre, guiado pelo Espírito Santo, aja com firmeza e sabedoria frente a possíveis escândalos.  
De fato, a Igreja precisa de algumas mudanças, mas não as que demandam do modernismo, das questões políticas e humanas. Sem jamais fechar seus olhos para as injustiças, cabe à Igreja o papel profético, o sustento da moral cristã que, se é rígida, tem sido bela e viva há mais de dois mil anos. Um jugo suave, um fardo leve.



segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sobre Newton de Mello (1905-1965)* *


Newton de Mello

que, segundo dizem, foi professor na cidade, cidadão pacato (me perdoem os que acrescentaram que Newton tinha algo de boêmio), homem de família, poeta e músico.  Daqueles não tão incomuns no iniciar do século passado, que com seus dotes musicais (ah os pianos e flautas, que casas de famílias de medianas poses não os tinham e sempre alguém que tocasse ?) para tirar as gentes do ramerrão sem cinema, difícil teatro e outras diversões que não havia como de dias atuais – poetas e músicos como Juvenal Galeno, Catulo da Paixão Cearense e, por aqui Erotides de Campos e nosso Newton, sempre chamados para alegrar noites e tardes das boas famílias da cidade ou acordar gente serenando madrugadas.
Conheci Newton numa tarde de setembro de 1955 à porta da livraria do Jornal de Piracicaba, apresentado pelo Dr. Losso.  Eu com 22 anos, revisor do Jornal, e que mantinha uma página literária dominical nesse Jornal.  Newton acabava de safar-se duma situação escabrosa, de vida em que o meteram circunstâncias e gentes ruins.  Mal estava tornando para sua cidade.  Esticamos a conversa por mais de hora, e evitando falar de corda em casa de enforcado, mas do momento e gente literária da cidade – tempos de David Antunes, do professor Demóstenes, do professor Salvador de Toledo Pizza, de Frei Marcelino de Angatuba e gente nova.  Nem falamos de seu poema e música que se tornaram hino da cidade.  Dele recebi dias depois um soneto me dedicando (e que foi publicado em seguida no Jornal).  Despedimo-nos.  Ele tornou pelas Morais Barros ate a Praça José Bonifácio, derrubado dentro de seu jaquetão escuro e contra o sol, passos marcados.  Eu fui completar o que trouxera à redação do Jornal.
Fim de ano mudei-me para são Paulo, estudar.  Porém por algum tempo ainda mantivemos correspondência, ele mandando-me seus poemas que avulsos os editava, eu devolvendo-lhe aqueles que eu remendava.
Um dia chegou-me Carrilhões, volume onde somava sua obra até ali.  Fiz-lhe à época um esticado comentário, que não consegui que se publicasse no Jornal, por motivos e humores do Dr. Losso.
Daí perdemos contato e só soube de sua desistência daqui, anos mais tarde, via David Antunes, que se trocara por Campinas.
Isso de minha parte.
Irineu Volpato




REPORTAGEM*
(a Irineu Volpato)
Newton de A. Mello

Vem perto o dia. Salve a madrugada!
A passarada, em festa pelos ninhos,
com semifusas, vuotas e fermatas,
sacode matas, bosques, caminhos.

O rio, beijando da colina a fralda,
é uma esmeralda líquida a rolar
por entre as pedras de ouro e de berilo,
calmo, tranquilo, procurado o mar.

Vem perto o dia! Mais altura ganha
a alta montanha, cuja silhueta,
qual uma enorme faixa de safira,
ao céu atira chispas de cometa.

Findou-se a noite! Pássaros bonitos,
brindai com gritos o acontecimento!
surgiu o sol no píncaro da serra,
saudando a terra lá do firmamento!

*Este poema foi escrito por Newton de A. Mello para Irineu Volpato e foi publicado na coluna Crônica Social do Jornal de Piracicaba em 1º de maio de 1956


* *Irineu Volpato discorreu sobre vida e obra de Newton de Mello no Poesia ao Vento - SESC Piracicaba


Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz