Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A condição da mulher na Idade Média

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


Durante boa parte do século XIII, reinou na França São Luís IX, que foi objeto de uma volumosa biografia, publicada há cerca de 20 anos, escrita por Jacques Le Goff, historiador francês de grande nomeada, que se insere na chamada “terceira geração dos Annales”.
O reinado de São Luís é, paradoxalmente, o mais documentado e o menos conhecido dos reinados da França medieval. Por quê? Porque o bom rei teve uma iniciativa única na história. Ele mandou emissários percorrerem todas as cidades, vilas e aldeias do seu reino, de casa em casa, conversando com cada um dos moradores, perguntando sobre a administração da justiça, sobre as queixas, as sugestões, as comunicações que desejavam fazer ao rei. Tudo foi escrito e registrado em relatórios que ainda hoje estão perfeitamente preservados, apesar do tempo decorrido, apesar de todas as guerras e revoluções.
É uma documentação volumosíssima, tão volumosa que ninguém até hoje se atreveu a explorá-la por inteiro. Está quase toda em francês arcaico, com letra da época, mas isso não é o que mais dificulta o aproveitamento. Com um pouco de prática e alguns conhecimentos de Paleografia, qualquer medievalista supera essas barreiras. A dificuldade principal vem do volume imenso do material, que ocupa muitos metros cúbicos de espaço. É por isso que se diz que o reinado de São Luís é o menos conhecido. O material está disponível a qualquer pesquisador, nos Archives Nationales de France, mas somente têm aparecido interessados que trabalham por amostragem, nunca nenhuma pessoa, nem mesmo uma equipe de pessoas, foi capaz de absorver toda a imensa massa de informações ali registradas.
A medievalista francesa Régine Pernoud, que estudou em numerosas obras a condição feminina na Idade Média, coligiu nessa documentação numerosos dados que permitem aferir que, no século XIII, a condição da mulher era de muito maior destaque do que se tornaria a partir do século seguinte, quando a mulher passou a ser relegada a um papel secundário na família, no lar e na vida social.
Pernoud, nas pesquisas que efetuou por amostragem, registrou muitos exemplos de mulheres, solteiras ou casadas, que trabalhavam com economia própria, independente de seus pais ou maridos. Encontrou também muitas casas nas quais os emissários do rei eram recebidos pelo casal, mas registravam que tinha sido a mulher, e não o marido, que tinha respondido ao questionário apresentado pelos emissários reais. Estavam ali os dois, marido e mulher, mas era esta, mais dinâmica e extrovertida, quem respondia ao questionário apresentado.
Pernoud registrou o grande número de mulheres que exerciam a profissão de “miresses”, ou seja, médicas. “Miresse” é a forma feminina de “mire”. Quando São Luís partiu para a VII Cruzada, no Egito, em 1248, levou consigo a esposa e os filhos. Seguiu também a “doctoresse Hersent”, a médica oficial do rei e da família real. Pernoud observa que era tão considerável o número de mulheres que exerciam livremente a profissão de médicas, que até existia no francês medieval uma palavra feminina para designá-las, diferentemente de hoje, quando uma única palavra, “medécin”, de forma masculina, designa indistintamente os médicos e as médicas. Foi somente no século XIV que as mulheres passaram a ser excluídas da prática médica, porque foi tornada ilegal tal prática por quem não fosse formado pela Universidade de Paris, que não admitia alunas. A partir daí, mulheres que curassem passaram a ser mal vistas, a ser vistas com suspeição, como bruxas etc.
No livro “Pour en finir avec le Moyen Âge” (Éditions du Seuil, Paris, 1977), Pernoud dedica um capítulo ao tema da condição feminina na Idade Média francesa, no qual mostra, com base documental, no seu dia-a-dia, a mulher tinha, naquele tempo, margem de autonomia muito maior do que algum tempo depois - quando passaram a prevalecer os critérios do Direito Romano, inspirado na Antiguidade Clássica, muito mais patriarcalista e restritivo em relação às mulheres.
Pernoud fala ainda, nessa obra, na documentação primária abundante e pouco explorada, sobre as mulheres que, naquele século XIII, “não eram nem altas damas, nem abadessas, nem sequer monjas, mas eram camponesas ou citadinas, mães de família ou exerciam uma profissão”. Ela está se referindo precisamente aos registros escritos dos agentes enviados pelo rei São Luís IX a todos os lares do seu reino, com a missão de interrogarem, de casa em casa, todos os seus habitantes, para registrarem as queixas e corrigirem os abusos que estivessem sendo praticados. Nessa documentação primária, comenta a autora, é possível encontrar mil pequenos detalhes da vida cotidiana “que mostram homens e mulheres nos menores fatos da sua vida: aqui, é a queixa de uma cabeleireira, ali, a de uma vendedora de sal, acolá, a de uma proprietária de moinho, de uma viúva de agricultor, de uma castelã, de uma mulher de cruzado etc.” (p. 95-96).
“É por documentos como esses - comenta mais adiante a autora - que se pode, peça por peça, reconstituir, à maneira de um mosaico, a história real, que nos aparece, então, muito diferente das canções de gesta e das novelas de cavalaria.” (p. 96).
Esse é um bom exemplo de aplicação dos princípios e da metodologia da História Social, num tema cultural de grande alcance, qual seja, a posição da mulher na sociedade. A promoção efetiva da mulher, na sociedade medieval cristã, foi também sinalizada por uma substituição simbólica de grande alcance: nos tabuleiros de xadrez, a peça mais poderosa e importante, depois do rei, deixou de ser o vizir, o ministro-chefe dos califas e sultões árabes. Nos tabuleiros de xadrez da Cristandade Medieval, esse papel passou a se ocupado por uma mulher, a Dama, ou a Rainha. E assim permanece, até hoje.                                      

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

ROSA INSATISFEITA

Elda Nympha Cobra Silveira
Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior


A manhã despontou clara e reluzente e o sol a todo vapor foi irradiando seus raios luminosos por sobre a roseira, que toda feliz, desabrochava seus botões mesclados de branco, rosa e vermelho, numa nuance que poucos pintores teriam capacidade de reproduzir com talento.
Então, o astro rei admirando a beleza da rosa e vendo-a sorrir foi lhe perguntando:
-- Você gostaria de ser outra coisa e não uma flor?
-- Certamente... -- foi a resposta imediata!
-- O que, por exemplo?
-- Nem penso duas vezes: gostaria de ser uma mulher!
-- Mas você é tão perfumada e tão bonita. Por que essa escolha?
-- Ah! Você como sol, que tudo vê, que consegue entrar nos escaninhos mais ocultos, já abrangeu com seu discernimento as diferenças nos nascimentos entre meninos e meninas?
-- Qual é a divergência entre eles?
-- A começar pelo enxoval, os das meninas, são todos cor de rosa, lençóis recamados com florzinhas cor de rosa com fitilhos debruados ou festonês nas ourelas, e rendas rebordadas por todo o pano fino e macio. O quarto então é de uma delicadeza sem par, cheio de enfeitinhos, vasinhos nas janelas, papel de parede delicado, bercinho com cobertura de filó rosado e tudo enfim.
-- Sim, mas essa criança também vai crescer, não é?
-- Indubitavelmente, mas a mãe, as avós, as tias estarão em uníssono só pensando nas roupas da moda para vestir essa mocinha, e os seus quinze anos serão  comemorados com  todo requinte possível e ela valsará nos braços orgulhosos do seu papai pelo salão florido e iluminado.
-- Já pensou então como será seu casamento? Ela terá toda atenção com o seu vestido, a festa, na escolha e carinho do noivo, dos parentes e amigos. Ela, a mulher, será sempre o alvo das atenções.
O sol fica pensativo, fazendo uma expressão de dúvida e diz-lhe:
-- Tudo bem... Mas essa ilusão termina por aí!
-- Nem pense assim! Quem é que terá todas as atenções quando engravidar? A mãe será sempre enaltecida e querida por todos os seus e amada por seus descendentes até seus dias se findarem.
-- Tem razão. -- responde o sol. -- Mas já pensou como ela fica feliz e linda quando colocam o ramalhete de rosas em seus braços?  Enfeitando seus cabelos, seus vestidos, sua casa e a igreja do seu casamento e do batizado da sua prole?
-- Sabe que a mulher gosta quando é comparada com uma rosa? Para ela esse é um grande elogio porque toda mulher sabe que uma rosa vermelha é a expressão de beleza, perfume, feminilidade e paixão. A rosa é a personificação da mulher, e estará enfeitando-a quando partir para outra vida, para junto do Pai eterno.
Duas lagrimas de orvalho pontificaram em suas pétalas e escorreram por seus pés desnudos fincados em terra firme. Não eram de dor, mas de alegria, por descobrir que ela sempre seria o adereço da mulher, que não prescindiam uma da outra, que se completavam.

A primavera sempre será eterna quando estivermos satisfeitos com o que somos.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

ILUMINA(NDO) A “CURA”!

             

Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira no3 - Patrono: Luiz de Queiroz

É Isso mesmo que o Projeto Ilumina faz: Ilumina a Vida, colorindo de rosa e azul suas atividades enfeitando as preocupações e aparências, não só as físicas das pessoas, como as mentais também! Conclusão: O Projeto Ilumina vem para atender, ensinar, cuidar, proporcionar tratamentos, amenizar as ansiedades que maltratam e pioram a doença mostrando aos atingidos por essa enfermidade terrível que é o câncer, que a cura acontece com um atendimento sério, atualizado e organizado muito humano e eficiente e, com as pesquisas atuais, técnicas, experiências comprovadas e metas aplicadas e precisas que sugerem o “diagnóstico precoce mais rápido possível, para a ação urgente”, sem esperas angustiantes e demoras torturantes! Tudo o mais rápido possível, repetimos! O “Projeto ILUMINA” vem para CURAR!
Para isso é preciso fazer a prevenção! É preciso ter a coragem de “agir e lutar para se livrar dele e sarar”! Não só as mulheres nas suas mamografias anuais e seus exames ginecológicos após os quarenta anos, mas os “homens também!” Um deles me disse outro dia; “Eu não, eu sou macho, por isso não faço o exame de próstata, nem quero pensar nisso!” Ao que eu lhe respondi: “Homem que é macho é aquele que destrói seus preconceitos infantis e fora de moda, se atualiza, aprimora sua “cultura”, e, parte para ter uma vida mais longa, sábia, saudável e feliz! Este homem sim é macho!”.
A verdade é que o “câncer não pode esperar” e não espera, mesmo! O câncer precisa de medidas imediatas para ser extirpado, para o sucesso de a saúde poder voltar! E, então, agindo, ele enfraquecerá e definhará, trazendo a vida de volta, numa batalha corajosa e madura, porém.
Os programas para os diversos exames das modalidades da doença e os locais são transmitidos em muitos veículos de comunicação diariamente, principalmente nessa época de implantação de Campanhas, divulgação e chamamento, onde juntos, profissionais, voluntários, colaboradores, amigos e admiradores desta obra magnânima com a atuação honesta e decente encabeçada pelos doutores Adriana Brasil e Rodrigo Reis, baluartes de competência, fraternidade e fé no que sabem fazer tão bem, se dão as mãos a fim de acabar com este mal que desassossega e assusta o ser humano do mundo inteiro.
Então é enfrentar os obstáculos! Ficar firme e perseverante nos propósitos de atuar na realidade dos fatos e encarar com determinação vivendo um dia de cada vez, na esperança determinada nos cuidados, medicações e tratamentos específicos afins.
Que o Espírito Santo Luz divina “Ilumine proficuamente esse Projeto de Cura que o ILUMINA trás”, para que todos possam dar o “salto para a Vida”, crendo piamente em dias repletos de novas auroras, novos sóis, muitos amanhãs repletos de sorrisos e encantos a nos surpreender em muitos momentos encantadores que teremos ainda para usufruir!

(Para maiores informações, a sede do ILUMINA fica na Avenida Independência, 171 em Piracicaba).

terça-feira, 22 de outubro de 2013

A saga do diamante

Cássio Camilo Almeida de Negri
Cadeira n° 20 - Patrono: Benedicto Evangelista da Costa

 O diamante nascera do fogo, ungido em meio às lavas rubras e quentes, gerado no magma do útero da mãe terra e ejaculadas pelo vulcão em erupção.
Após esfriar, tornara-se apenas uma rocha sem brilho, cheia de arestas irregulares, incrustada na encosta da íngreme montanha.
 Com o passar dos séculos, fustigado pelos ventos gelados e solapado pelas chuvas torrenciais, foi ficando cada vez mais escurecido pelo cascão de sujeira que incorporava.
 Alcançou o rio e, no seu leito, foi durante milênios rolando, rolando, em direção ao oceano.
Nunca o alcançou, mas rolou muito pelos riachos, afluentes e rios.
Quanto rolou, quanto perdeu as arestas, até que se tornou igual a tantos outros bilhões de pedregulhos a rolar, sem saber para onde ia, somente sabia rolar, como todos, sem saber o porquê, de onde vinha, nem para onde ia.
Um dia, porém, resolveu parar e ficou preso à beira do rio.
Muitos anos se passaram, e ele ali, estático, embalado pela água fria, algumas vezes suja, algumas vezes limpa, até que um dia foi içado do lodo e sentiu-se rodando num torvelinho estonteante na bateia de um garimpeiro.
Fora achado, escolhido para terrível e bela missão .
Quanto sofrimento passou. Sentiu tirarem lascas de seu corpo, e a cada lasca que perdia, após uma dor lancinante, percebia que uma luz brilhante o penetrava.
Após o calvário da lapidação, toda sua casca suja, adquirida nos milênios de contacto com a terra, fora retirada.
Polido, pelas mãos do ourives, podia agora apreciar seu próprio brilho, refletindo a luz solar.
Tornara-se um diamante lapidado, um belo brilhante de muitos quilates.
Assim também é nossa alma, que vinda do Todo se turva na experiência terrestre para, lapidada pelas mãos do Criador, poder refletir a Luz Divina.

sábado, 19 de outubro de 2013

Etiqueta e netiqueta

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado



A internet é uma realidade que, gostemos ou não, entrou em nossas vidas, modificando profundamente as relações sociais, impondo novos padrões de conduta e exigindo de nós, que nascemos muito antes de ela surgir no panorama mundial, um indispensável esforço de adaptação. Os jovens, já formados (ou formatados, como preferem alguns críticos? ou deformados, como preferem outros?) não necessitam dessa adaptação, porque para eles já lhes parece natural.
                    Já vi, na internet, vários sites compilando normas de “netiqueta”, ou seja, um conjunto de regras que deve observar o internauta bem educado. Analisei com cuidado o conteúdo desses sites e me dei conta de que, se comparadas as normas da netiqueta com as boas normas de educação convencional, basicamente os princípios são os mesmos, apenas aplicados a realidades e contextos diferentes.
                   Assim como não se deve gritar numa conversa cordial, tampouco se deve abusar do uso de maiúsculas e destaques gráficos em e-mails. Assim como é de mau tom falar demais de si mesmo e usar demais o pronome EU (o egotismo é quase sempre sintoma de egoísmo), assim também se deve proceder nas mensagens da internet. Assim como pessoas educadas não falam palavrões ou cometem erros atentatórios da linguagem culta, o mesmo vale para as mensagens. Assim como as boas relações na conversação humana requerem clareza e ausência de ironias excessivas, o mesmo se dá com as mensagens eletrônicas, e assim por diante.
Em última análise, parece-me que qualquer pessoa bem educada na vida social corrente, quando colocada diante de um teclado de computador e de um mouse, saberá se portar educadamente no relacionamento com os demais internautas.
                   Exemplos de sites que violam essas regras são muitos e frequentíssimos. São tantos, que até é difícil exemplificar. Dou alguns exemplos.
                   Parece-me irritante quando se escreve pormenorizadamente a uma empresa, solicitando uma providência, explicando um problema ou fazendo uma reclamação, e se recebe uma resposta padrão que mostra que a mensagem nem foi lida atentamente. Se eu fosse deputado federal proporia uma lei que, complementando o Código de Defesa do Consumidor, estabelecesse que a empresa, quando dá respostas genéricas e automáticas, também automaticamente reconhece como verdadeiras as declarações feitas pelo consumidor queixoso, em todos os seus pormenores.
                   Outra coisa irritante são os spans, oferecendo produtos não solicitados, muitas vezes até insultantes. Também os pedidos de contribuição para entidades caridosas ou beneficentes, frequentemente se tornam inconvenientes pelo tom agressivo adotado. Por mais nobre que seja a causa, nunca pode o solicitante esquecer que está pedindo um favor, que não tem o direito de exigir nada, menos ainda de tentar provocar no destinatário da mensagem um problema de consciência, do gênero “se você não der sua contribuição, morrerão tantas pessoas de tal doença e você será o responsável por isso”...
                   Enfim, o princípio geral é o que acima foi enunciado: quem é bem educado na vida corrente, também o será na Internet. E quem é malcriado socialmente, jamais será um zeloso respeitador da Netiqueta.



terça-feira, 15 de outubro de 2013

Comentando um soneto de Florbela

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


“Gosto de ti apaixonadamente, / De ti, que és a vitória, a salvação, / De ti, que me trouxeste pela mão / Até ao brilho desta chama quente.
“A tua linda voz de água corrente / Ensinou-me a cantar... e essa canção / Foi ritmo nos meus versos de paixão, / Foi graça no meu peito de descrente.
“Bordão a amparar minha cegueira, / Da noite negra o mágico farol, / Cravos rubros a arder numa fogueira!
“E eu, que era neste mundo uma vencida, / Ergo a cabeça ao alto, encaro o sol! / - Águia real, apontas-me a subida!”

Esse é um bem conhecido soneto de Florbela Espanca, tragicamente falecida em Portugal, em 1930. Os Espanca são uma antiga família do Alentejo português. Quase contemporâneo de Florbela foi seu tio, Padre Joaquim José da Rocha Espanca, um dos homens mais cultos de Portugal no século XIX, historiador, arqueólogo, músico e tipógrafo, além de sacerdote e autor de uma monumental “História de Vila Viçosa”... em 36 volumes! Tive que ler e “fichar” inteirinhos os 36 volumes, para um livro que publiquei em 1996.
Enquanto efetuava pesquisas em Vila Viçosa, passei numerosas vezes diante do túmulo da poetisa. Eu costumava passear pelo cemitério, anexo ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Padroeira de Portugal, situado dentro das muralhas medievais da vila e cercado de casas antiquíssimas. Ali, num cemitério religioso, mesmo tendo sido Florbela suicida, foi ela sepultada.
O soneto apresenta elementos coesivos muito claros e bem articulados. Sua correção gramatical é perfeita.
Não fica, entretanto, claro quem é o personagem, ou entidade, a quem a poetisa se dirige. Como simbolista que era, Florbela compõe seus versos de modo um tanto obscuro e indefinido. Deixa meio nebulosa a destinação do soneto.
Pode ser dirigido a algum homem em especial - talvez um dos numerosos e passageiros amores que teve em sua curta e atribulada vida - que a ergueu um pouco da depressão e do desespero em que vivia mergulhada, dando-lhe alguma esperança no futuro. Pode, também, ser dirigido a algum homem ou amor ideal, platônico, idealizado. Pode, em rigor, dirigir-se também a algo que não seria um homem, mas um fato, uma ideia, um projeto, um vago anseio, ou, talvez, ao Amor, entendido metafisicamente, como valor absoluto e quase identificado com uma vaga divindade panteísta, muito ao gosto da infeliz Florbela.
Tudo é nebuloso, nesse poema. Se devidamente situado no tempo e contextualizado, talvez pudesse ser mais claramente interpretado. Mas, o que realça do conjunto, no meu modo de entender, é a figura da poetisa, amargurada, desesperada, sem rumo e sem esperança na vida, que de repente toma contato com alguém, ou com alguma coisa, que lhe desperta o amortecido sentimento de esperança, de desejo de superação, de ascensão.
As metáforas que se sucedem realçam essa ideia: essa pessoa ou coisa é como a graça para um peito descrente, como um bordão que ampara um cego, como um farol que orienta em meio à escuridão da noite, como uma água real que fita de frente o sol e voa pelas alturas em direção a ele.

Nota-se a referência à “linda voz de água corrente” que ensinou a poetisa a cantar. De quem seria essa voz? Seria a de um cantor, talvez um fadista, o seu amor de ocasião? Seria a de uma criança, com voz cristalina, que despertou na mente perturbada da poetisa sentimentos de saudades de uma inocência perdida muito tempo atrás?

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Fantasmas

Aracy Duarte Ferrari
Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion

 Nos filmes de terror os fantasmas são verdadeiros protagonistas, e sua permanência entre nós é tão normal, que os londrinos inventaram fantasmas notáveis, nos castelos tidos como assombrados, que perturbam e instigam a imaginação fértil de milhares de pessoas de todo o mundo. Apesar disso, tais castelos faturam fortunas todos os anos, por causa dos seus fantasmas e das histórias que contam sobre eles.
Não deixa de ser uma curiosidade, afinal, o viver seria insosso se não estivesse salpicado de fatos pitorescos e intrigantes. É bom deixar a seriedade dos compromissos e dar uma relaxada abrindo espaço para falar sobre duendes, fantasias e fantasmas. Há alguns causos bem divertidos e envolventes que nos fazem rir à vontade, mas alguns são tão verossímeis que chegam a amedrontar.
Eu nunca tive o prazer, ou o desprazer, de ver um fantasma, mas algumas pessoas, a maioria delas já de idade avançada e pouca escolaridade, são convictas e afirmam ter visto almas penadas que se encontram em outro plano e vêm para o nosso mundo para terminarem o que devem fazer: alguma coisa que foi interrompida por causa da morte da pessoa. Eu não acredito, mas respeito e acho interessante o pensamento dessas pessoas.
Na verdade, desde crianças todos nós temos lembranças de vários causos sobre fantasmas. Para mim um deles ficou gravado em minha memória e relembro com frequência. Dois estudantes gaiatos corriam e dançavam por entre as lápides de um cemitério, até que encontraram um coqueiro, bem perto do muro, e com uma vara tentavam apanhar os coquinhos amarelinhos, quando alguns frutos caíram na rua bem em cima de dois bêbados que cochilavam na calçada… Um dos rapazes gritou: “Pega, pega, os que estão lá fora”.

Nesse momento noturno, intenso e escuro, sem lua e estrelas, os dois bêbados ouviram a conversa. Sem perceber a presença física de alguém, apenas ouvindo o som forte de vozes, entenderam, de súbito, que alguém viria pegá-los, já que eles estavam do lado de fora. Assustados, precipitaram uma corrida intensa sem destino, perdendo o retorno às suas casas e deixando de fazer aquele trajeto por muito tempo. 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Cultura popular e culinária

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
                                      
A maior parte das melhores criações de comidas, em todo o mundo, se deve a simples donas de casa, modestas, anônimas, esquecidas, empenhadas em fazer, com muito amor e dedicação, menos sacrificadas as vidas de seus maridos, de seus filhos. E, com recursos limitados, conseguiram, de geração em geração, forjar essa maravilha que é a culinária popular típica.
O que é a pizza, senão pão e queijo, a mais simples e barata das combinações alimentares da velha Itália? A esfiha, que é senão a mistura de pão e restos de carne de carneiros? E a feijoada, verdadeira maravilha feita da mais barata das leguminosas e das menos nobres partes do mais sujo dos animais domésticos?
Lembro que certa vez estava em Madri, numa Semana Santa, hospedado num hotel baratinho. Como nessa época do ano a cidade fica vazia, pois todos os turistas acorrem a Sevilha, um grande hotel de 5 estrelas fez uma promoção incrível. As diárias ficaram mais baratas do que o meu modesto hoteleco... Fui, então, passar uns dias no Five Stars... Tinham um restaurante internacional, com cozinheiros super-premiados. Fui comer um cozido à madrilenha, o prato mais típico da capital espanhola. Não tinha gosto de nada, parecia comida de hospital, sem tempero, sem cheiro, sem graça.
Na semana seguinte, estava de novo na minha modesta hospedaria e fui a um botequim ordinário, desses bem baratinhos. Atendeu-me a dona, uma espanhola baixinha, gordíssima, parecia uma barrica... Perguntei qual era o prato do dia. Ela respondeu que tinha feito cozido à madrilenha. Perguntei, um pouquinho para provocá-la, se estava bom, porque na semana anterior tinha comido um que era uma droga. A espanhola ficou meio ofendida e me respondeu em tom de desafio: “Pués, cómalo, señor, y si no le gusta no hay que pagarlo!”.
Comi o prato e nunca mais esqueci dele. Estava maravilhoso, cheiroso, saboroso, charmoso, delicioso, fabuloso etc. etc. etc. Ela serviu com uma garrafinha de vinho barato, da casa, igualmente sublime e com aquele pão típico de Madri, que lembra o pão italiano, com casca muito grossa e dura e um sabor incomparável, e bastante azeite...
Em outras partes do mundo, considera-se falta de educação limpar o prato, no fim da refeição, com pão molhado no molho ou azeite que sobrou. Na Espanha, não. Lá é até sinal de que gostou da comida. Pois foi o que fiz com aquele cozido sublime, comi-o inteiro e, no final, limpei cuidadosamente o prato com aquele pão não menos sublime.
A mulher me observava enquanto eu comia. Vendo que eu tinha feito as honras do prato, veio me dizer em tom de desafio que, se eu não tivesse gostado, não precisaria pagar e podia ir embora, mas nunca mais voltasse. Respondi a ela que estava ótima a comida e só não pagava duas vezes porque estava com meu dinheiro muito contadinho, mas que ela bem mereceria. E prometi voltar outras vezes...
Outra vez, em São Francisco da Barra, às margens do Velho Chico (o rio São Francisco), estava com um amigo num restaurantezinho muito simples, muito popular. Pedimos um prato comum do local, muqueca de surubim. Estava deliciosa, realmente era um prato inesquecível. Comentamos, meu amigo e eu, que se a rainha da Inglaterra comesse aquele prato, por certo lamberia os beiços e repetiria... No fim, elogiamos o prato ao garçom, um meninote de seus 17 anos, e dissemos a ele que o cozinheiro estava de parabéns.
– Querem conhecer o cozinheiro – perguntou-nos ele. – Claro! – respondemos. Ele se afastou e retornou, após alguns instantes, com a irmãzinha dele, menina de 14 para 15 anos. Ela é quem tinha feito aquela maravilha! Nós, evidentemente, elogiamos e incentivamos a menina, deixamos uma boa gorjeta para ela...

Isso é cultura popular, da autêntica!.

Galeria dos imortais da APL


sábado, 5 de outubro de 2013

Convite especial de Carmen Pilotto


Gostaria muito de convidá-los e a todos os Membros para o evento abaixo. Será inaugura uma exibição externa que pode até ser publicada futuramente pelo Instituto Histórico:
ESALQ apresenta palestra e exposição sobre a vida de Luiz de Queiroz


  
Com o intuito de apresentar a biografia do idealizador da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ), serão realizadas, em 7 de outubro, palestra e exposição sobre a vida e legado de Luiz de Queiroz.A palestra intitulada “Os pioneiros e seu tempo: o legado de Luiz e Ermelinda de Souza Queiroz” será ministrada por Jacques Marcovitch, professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, autor de livros sobre os grandes empreendedores e pioneiros do Brasil, dentre eles Luiz de Queiroz. A palestra dará sequência à inauguração da exposição “Luiz de Queiroz – vida e obra, uma percepção humanística”, que apresentará, por meio de dez painéis bilíngues (português e inglês), sua genealogia, educação e convívio familiar, a personalidade notável e a busca pela inovação e visão empresarial. A exposição, que trará fotos e textos, também contará com uma linha do tempo de 1849 até os dias atuais.Os dois eventos integram a programação da 56ª Semana “Luiz de Queiroz” que, neste ano, com o tema “Empreendedorismo Inovador”, pretende estimular o intercâmbio técnico e científico entre universidade e empresas por meio do debate de temas relacionados à ambiente de inovação, financiamento e inovação aberta, bem como casos de sucesso de empresas que surgiram no ambiente acadêmico. A exposição será inaugurada às 18h, no Espelho de Água ao lado do Edifício Central e a palestra acontecerá no Salão Nobre, no 1º andar do Edifício Central, às 18h30. A participação é gratuita.O palestrante - Jacques Marcovitch, professor da Universidade de São Paulo (USP), dedica-se ao estudo do pioneirismo empresarial, estratégia e inovação com foco no crescimento econômico, na distribuição de renda e na sustentabilidade ambiental. Desde 2002, tem pesquisado as políticas de implantação da Convenção do Clima com ênfase na redução dos gases de efeito estufa na atmosfera. Master of Management pela Vanderbilt University (EUA), Doutor em Administração pela FEA/USP, e pós-doutorado pelo International Management Institute (Suíça).Foi Reitor da USP de 1997 a 2001, Pró-Reitor de Cultura e Extensão Universitária da USP de 1994 a 1997, Diretor do Instituto de Estudos Avançados e da FEA/USP, Presidente das Empresas de Energia do Estado de São Paulo (CESP, CPFL, Eletropaulo e Comgás) e Secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo. Atualmente, além das atividades acadêmicas, é membro do Conselho Superior do Graduate Institute of International and Development Studies(IHEID), em Genebra na Suíça. Recebeu vários reconhecimentos, entre eles: l´Ordre Nationale de la Legion D´Honneur (França), Prêmio Jabuti, Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco e Grã Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.
Cordialmente
Carmen Pilotto
Assistente Técnico de Direção - Cerimonial
ESALQ/USP
fone: 3429.4110

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O MUNDO FICOU MAIS POBRE...

             

Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira no3 - Patrono: Luiz de Queiroz

        
            Um pouco antes de a primavera chegar, mais precisamente dia 12 de setembro passado, o mundo ficou mais pobre. A alegria se escondeu perplexa, medrosa, e devagarzinho os sorrisos esmaecidos se contiveram nas lágrimas que rolaram amargas e silenciosamente, sem acreditar repetindo muitas vezes: “Que pena”! E, a sensação de que a vida tinha ficado menor e mais triste, se instalou. É sabido que a morte acontece para qualquer um sem restrições, mas Isa, que tão cedo perdeu seu amado companheiro e continuou com total dignidade sua jornada com a família, a grande mãe, a grande avó, a grande amiga, acolhedora, boa, decente e corajosa, um grande ser humano a amparar (geralmente anonimamente), muitas vidas em nossa terra que ela tanto amou e respeitou... Tudo é pouco para se falar dessa mulher forte! Nada a derrubava, ela aceitava a vida como era. Era firme e “pé no chão”, e, gostava de viver!
Existem pessoas e pessoas na vida, gente boa a se estender por esta cidade e por este mundo a todo instante com suas lutas justas, seus desejos de serem uteis e ajudar com sua dedicação e trabalhos sem aparecer, e, muitas vezes para não receber elogios ou agradecimentos dos atos tão humanos que sabem fazer. Isa foi uma delas! Era especial! Despojada e benemérita por vocação, ela fazia por fazer, como respirar, porque gostava de ser atenciosa a muitos. O amor ao próximo era inerente à sua vida, atendia a todos, sem hora, simples e normalmente. Uma figura bonita e alegre, muito prática e elegante, emotiva quando recebia seus amigos proporcionando a todos, momentos e encontros todos iluminados, floridos e musicados, acrescidos de gentilezas e amizade sinceras, daí, todos aguardassem chegar logo, para estarem com ela.  Respeitosa e agradável nos seus gestos e ações positivas (às vezes até engraçada nos seus conselhos e comentários...), era muito capacitada sempre que requisitada, verbal e materialmente falando. Nunca dizia “não”, contudo sabia conduzir com firmeza filhos, família e amigos que a ouviam atenciosamente quando se fazia necessário. Era muito justa! Tinha atenção, delicadeza, carinho e compaixão pelas pessoas! Dicas e conselhos encontravam nela alívios e ensinamentos honestos e sóbrios, nada que fosse espalhafatoso e, tudo o que fosse coerência ou sensatez, acima de tudo. Piracicaba muito deve à Isaltina Ometto Silveira Melo pela sua participação sempre presente e generosa. Daí essa homenagem saudosa que nossa cidade lhe presta agora com muito carinho, mas, muita tristeza por sua partida deste mundo. Ela deixará muitas saudades!
 Sensível, tinha muita admiração por esse poema de Amado Nervo escritor mexicano (nascido em 1870 e morto em Montevidéu em 1919), sob o título “Em Paz”, e, que por uma incrível coincidência, retrata sua atuação na Terra, e que diz:
“No ocaso dos meus anos, eu te bendigo, Vida, porque nunca me deste nenhuma esperança falida, nem trabalhos injustos, ou luta imerecida. Vejo ao final deste duro caminho, que eu fui o arquiteto do meu próprio destino. Se das coisas extraí o mel ou o fel, foi por ter posto nelas, o fel ou as doçuras do mel. Quando cultivei os rosais, sempre colhi as rosas! É certo, à minha plenitude há de se seguir o inverno. Conheci sim, as longas noites das minhas penas, mas, tu não me prometeste somente noites serenas. Amei, fui amado, o sol acariciou minha face. Vida: nada me deves. Vida: estamos em Paz.”

Sem duvida alguma, o mundo ficou mais vazio e mais pobre de belezas, sem Isa aqui!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Pro dia nascer feliz

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade
   
     Há algum tempo, li num anúncio de revista a seguinte pergunta: “O que é mais importante: aquilo que você já fez ou o que ainda vai fazer?”. Pensei nas coisas feitas ao longo da vida, em tudo o que conseguimos construir, apesar das barreiras, das lutas e dos fracassos. Pensei em tudo o que já refletimos, escrevemos e publicamos; na sorte que tentamos um dia, nos sonhos, nas esperanças e nos nossos sentimentos.
     Os dois conceitos têm cada um o seu peso próprio: o que já fizemos e o que ainda faremos. Ambos possuem um valor intrínseco. Talvez, o passado possa servir de lição e de experiência para futuras realizações. Nossos atos futuros, embora planejados, podem ser desconhecidos até para nós mesmos, pois, quase sempre, nossos caminhos não são os de Deus. E Ele costuma nos surpreender.
     Num mundo envolvo em densas trevas, é difícil enxergar a réstia de luz que chega até nós pelos desvãos da perplexidade. A Palavra diz que devemos rir com os que riem e chorar com os que choram. Levo meu abraço solidário e mudo aos que sofrem pelas constantes catástrofes naturais, as inundações, incêndios, secas, tormentas, as mudanças climáticas que obrigam muitos a deixar suas terras, em busca de um lugar melhor para viver.
     Tenho também uma palavra de pesar para a impunidade que deixa livres os homens públicos “neste país”, aqueles que teriam de pagar pelos seus crimes, cumprir sua pena perante a Justiça e, livres, riem do povo que continua elegendo-os. Meus sentimentos, senhores. É uma indignação geral.
Meus sentimentos, pátria humilhada, pelos que conseguem se safar, depois de tantas falcatruas, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, recebimento de propinas, corrupção ativa e passiva, evasão de divisas, peculato e desvio de dinheiro público, gestões fraudulentas a perder de vista.
     Entretanto, não basta expressar e bufar a exaustão, o cansaço nacional. O país precisa de ação. Cansamos da inércia, da incompetência, dos discursos vazios e das falácias. Das comparações chinfrins, como se o Brasil fosse um eterno estádio de futebol e os brasileiros formassem um grande time, buscando vencer a partida a todo custo. Nas preleções dos palanques, a “técnica” acredita que já ganhou o próximo campeonato.
     Aplaudimos os protestos nas ruas. Algo se acendeu no coração do povo, por um momento. Um rumor se fez ouvir por toda a nação e parecia mesmo o início de um grande debate. No entanto, estamos à espera dos resultados concretos, pelas justas reivindicações escritas nos cartazes. Foi bom demais para ser verdade?
     O que houve no passado, na história política de nosso país, repete-se agora, num outro contexto, mas com os mesmos anseios de um povo que luta por justiça, por dignidade e melhores condições de vida.
     Cazuza pensava num dia que ia “nascer feliz”. O povo brasileiro guarda a esperança no peito, levanta cedo e vai trabalhar. Se é que haverá um dia muito feliz, raiando no horizonte, que Deus nos traga logo.

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz