Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

sábado, 30 de novembro de 2013

Lançamento da Revista número 8 da Academia Piracicabana de Letras e posse de novos membros

(fotos do acervo de Ivana Negri p/ Academia Piracicabana de Letras)
 Composição da mesa no auditório da Casa do Médico (APM)
 Silvia Regina Oliveira sendo empossada pela Presidente Maria Helena Corazza
 Acadêmicas Elda Nympha Cobra Silveira e Marly Therezinha Germano Perecin
 Leroy e Carla Ceres Capeleti
Irineu Volpato e Silvia Oliveira

Acadêmico João Baptista Athayde, Irineu Volpato e Silvia Oliveira


 Acadêmicos Felisbino e Rosaly de Almeida Leme
 Walter Naime sendo empossado como novo membro da APL pela presidente Maria Helena Corazza
 Silvia Oliveira e Ivana Maria França de Negri
 Acadêmica Aracy Duarte Ferrari homenageando o Príncipe dos Poetas Lino Vitti
 Parte dos convidados e acadêmicos presentes
Acadêmicos Cassio Camilo e Ivana de Negri

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Guerra de Canudos

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


Assisti mais uma vez, pela terceira ou quarta vez, o filme Guerra de Canudos - uma produção de Mariza Leão, sob a direção de Sérgio Rezende, com a participação de Cláudia Abreu, Paulo Betti, Marieta Severo e José Wilker no corpo de atores.
Trata-se de um épico, filmado no Ceará, em local que lembra realmente a região baiana de Canudos, onde realmente ocorreu a guerra. Conheço bem a região de Canudos, pois lá estive em duas ocasiões, e realmente posso atestar que a região do filme se lhe assemelhava.
Do ponto de vista dos recursos técnicos, é uma produção muito acima da média do cinema brasileiro. São mais de cinco mil os figurantes, o que, para um filme brasileiro, é muito. Naturalmente, nem de longe pode comparar-se a similares produções norte-americanas, mas, sinceramente, desse ponto de vista Guerra de Canudos não desempenha papel feio. Os artistas são, de modo geral, bons, merecendo destaque, a meu ver, Marieta Severo, uma quase perfeita "jagunça". Só não convencia pelas sobrancelhas bem delineadas, que denunciavam a mulher moderna...
O pior ator, a meu ver, foi José Wilker, que contrariando a verdade histórica representou um Antônio Conselheiro louco e alumbrado. Hoje, com os manuscritos do Conselheiro publicados em fac-símile por Ataliba Nogueira, sabe-se que o Conselheiro, na realidade, era um homem cultivado, de muita leitura, com redação elegante, com conhecimentos de francês e de latim, arquiteto prático com muitas obras realizadas, rábula de sucesso. Sua figura caricatural, debuxada por Euclides da Cunha e representada de modo excessivamente forçado e até grotesco por Wilker, não corresponde em nada à verdade histórica.
Do ponto de vista dos trajes e do armamento, confesso que não encontrei anacronismos, embora os tenha procurado com muito cuidado. Já na linguagem dos figurantes, anacronismos e anatopismos havia, e não poucos.
Na minha primeira viagem a Canudos, em janeiro/fevereiro de 2001, visitei o museu histórico da Nova Canudos, cidade erigida em 1969, quando a primitiva Canudos, cujas ruínas tive ocasião de explorar, ficou submersa pelas águas do rio Vasa-Barris, represadas no gigantesco Açude de Cocorobó. No museu, assisti a um longo documentário que, infelizmente, não mais consegui encontrar, com os bastidores da filmagem de Guerra de Canudos. Esse documentário, a meu ver, deveria ser incluído no DVD do filme, pois contém informações da maior utilidade para o estudioso.
Cheguei a conversar longamente, num Congresso de História da Bahia, realizado em Salvador, com o famoso Prof. José Calazans, o maior e mais profundo conhecedor do assunto Canudos, o primeiro pesquisador que foi, pessoalmente, entrevistar remanescentes da luta e interpretou a realidade canudense como ela era, não a pintando com as cores das sucessivas ideologias da moda. Não caiu no erro de Euclides, que analisou a guerra numa ótica positivista e de fanatismo republicano, como tampouco caiu no erro de alguns intérpretes modernos, que querem atribuir ao Arraial de Canudos uma ideologia de esquerda, gênero MST... Nada disso! Canudos deve ser entendida, acima de tudo, como um movimento cultural único, sem paralelos conhecidos para servirem de pontos de referência. A ameaça monarquista de Canudos, pretensamente armado e municiado pela Princesa Isabel e pelo Conde d'Eu (sic!) também não tinha a menor realidade. Foi um espantalho erguido pelo governo republicano para assegurar apoio da opinião pública. Tão orquestrada e unânime foi a grita da imprensa contra Canudos, que até o monarquista Afonso Celso, filho do Visconde de Ouro Preto (último Presidente do Conselho de Ministros do Império) afirmou que, se em vez de república o Brasil fosse monarquia, seria preciso extirpar o câncer de Canudos. "Estivéssemos nós no poder, disse ele, procederíamos exatamente do mesmo modo como agiu o governo republicano".
Na minha segunda viagem a Canudos, em novembro/dezembro de 2001, fui numa equipe da Universidade do Estado da Bahia, dirigida pelo Prof. Dr. Edivaldo Boaventura, fundador dessa universidade e criador do Parque Nacional de Canudos. Conosco estavam também o historiador português D. Marcus de Noronha da Costa, da Academia Portuguesa da História, e sua esposa D. Beatriz. Da equipe da UEB fazia parte o historiador Luiz Paulo de Almeida Neiva, que juntamente com o arqueólogo Paulo Zarattini estava fazendo escavações arqueológicas. A meta de Neiva era encontrar a ossada de Antônio Conselheiro e, depois de autenticada pelo exame de DNA (comparado com o de parentes seus que, segundo Neiva informou, já tinham sido localizados em Quixeramobim, no Ceará), colocá-la numa herma em sua homenagem, em Canudos. Seria uma reparação condigna a sua figura ilustre e injustiçada.
Infelizmente, isso não chegou a ser feito. Depois de mais de 5 anos de seca, no início de 2002 choveu torrencialmente na região durante um mês inteiro. O rio Vasa-Barris, que no tempo da Guerra tinha 100m de largura, e que eu atravessei várias vezes, na minha segunda viagem, a pés enxutos, voltou a encher. A represa de Cocorobó, que a prolongada seca reduzira a algumas poças de água barrenta, voltou rapidamente a suas dimensões normais. E as ruínas de Canudos voltaram a ficar 23 metros abaixo do nível da água... 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Convite - Lançamento da Revista da APL




A Academia Piracicabana  de Letras convida para o lançamento da Revista no 8.

Local: Associação Paulista de Medicina - Casa do Médico - av. Centenário, 546, dia 29 de novembro às 19h30.


Presidente: Maria Helena Corazza

Editor da Revista: Armando Alexandre dos Santos

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Micro(ou mico)contos

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


Improvisação 

O discurso improvisado fez o maior sucesso. Valeu a pena a preparação de 3 meses.


Nulidade 

Depois de 28 anos, o diretor da firma finalmente se aposentou. Como era insubstituível, seu lugar ficou vago. Mas ninguém notou.


Na floresta amazônica

Os índios avançaram para cima de mim com arcos, flechas e tacapes. Estavam decididos a tudo. Tentei escapar, mas eles me cercaram de todos os lados. Eram muitos. Não havia como escapar deles. Fiquei desesperado, procurando um meio de me ver livre deles, mas não houve jeito. Tive que comprar o tapetinho que queriam a todo custo me vender. Ainda bem que aceitaram cartão de crédito.


Mensagem urgentí$$ima

Querido papai,
E$ta men$agem urgentí$$ima é $ó para lhe dar lhe notícia$. E$tou bem, com boa $aúde. A$ nota$ da e$cola e$tão ótima$. Não e$tou preci$ando de nada, ou melhor, de qua$e nada. Amo muito você e todo$ aí. Com muita$ $audade$ de ca$a, o $eu filho
Jo$é.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Lançamento do livro de Samuel Pfromm Netto pelo IHGP


Livros prontos para serem distribuídos

 Mesa de honra formada pelo representante da Oji papéis, secretária de cultura Rosangela Camolesi, reitor da UNIMEP Gustavo Jacques Alvim, presidente do IHGP Vitor PiresVencovsky, viúva do homenageado Olga Pfromm, jornalista Cecilio Elias Netto
 Pedro Caldari, Olga Pfromm, Rosangela Camolesi, Almir de Souza Maia
 Pedro Caldari, Valdiza Maria Caprânico e João Nassif
Jairo Mattos e Cecílio Elias Netto
( fotos Ivana Negri)

domingo, 17 de novembro de 2013

Travessuras

Leda Coletti- Cadeira no 36
Cadeira n° 36 - Patrona: Olívia Bianco

Menina moleca,
traquinas, sapeca,
quebrou a caneca,
também a boneca.
Batendo peteca,
trincou a vidraça
onde a chuva passa.
Foi atrás da bola,
que pula, rebola
cortando caminho,
passando rentinho
de peludo bicho
e, sempre a rolar
foi cair no lixo.
Menina moleca,
 levada da breca
ficou sem  brinquedo,
mas tem alegria,
também energia,
nem sombra de medo
pra recomeçar

travessa, a folia.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Premiação


O acadêmico Cassio Camilo Almeida de Negri teve seu conto "O velho médico" selecionado em terceiro lugar no concurso literário do departamento cultural da Associação Médica Brasileira - AMB

O VELHO MÉDICO
Cássio Camilo Almeida de Negri

O médico aposentado estava sentado na cadeira da cozinha, braços apoiados na mesa, e a sua frente, uma caneca de café com leite, que bebericava vagarosamente e na qual amolecia as torradas que comia.
Enquanto mastigava sem pressa, os pensamentos borboleteavam na mente do velho doutor.
Lembrou-se que no início da carreira ainda dava toda atenção ao paciente, conversando bastante, colhendo informações valiosas para o tratamento, palpando, tocando com as mãos, toque este que parecia fazer parte da cura, como as mãos divinas do Cristo a curar o lázaro.
O tempo foi passando, a tecnologia crescendo, veio a ultrassonografia, a tomografia computadorizada, a era digital e o paciente foi transformado em um numero:
- É o paciente do leito trinta da pediatria do pavilhão dois, diziam no hospital, não era mais o Joãozinho.
Não que a tecnologia tenha sido má, pois descobriu muitas doenças quando ainda tratáveis. O problema é que a tecnologia é mal usada, devassou os meandros do corpo e encobriu as belezas da alma.
Lembrou-se também da pressa. Quanta pressa tivera na correria do dia-a-dia indo do consultório ao hospital, aos plantões e aos vários empregos. Nem tivera tempo para si e para sua família.
Tinha tanta pressa que o tempo também acelerara. Os filhos cresceram tão rápido, nem pôde levá-los no primeiro dia de aulas, nem na primeira comunhão, quantas vezes prometera ensinar a andar de bicicleta...tantas que acabaram aprendendo sozinhos. E a casa de bonecas no quintal, que nunca construiu?
Vieram os netos e tudo se repetiu.Cresceram e ele nem percebeu.
Até o gato, quando vinha se aconchegar ronronando ao seu lado, era espantado,pois o doutor não queria pegar toxoplasmose e muito menos ser atrapalhado em seus estudos quando estava de “folga” em casa.
Agora em seus noventa anos, estava ali sozinho, pois a esposa já falecera, os filhos e netos há muito haviam voado para fora do ninho e assim como ele nunca sentira suas faltas, também não sentiam a falta de um velho esculápio tomando café com leite e torradas. Por sua mente vieram versos mal lembrados de Drummond:
- E agora, doutor
A festa acabou,
O povo sumiu,
A noite esfriou,
E agora, doutor
Pra onde?
Comeu mais um pedaço de torrada e café com leite.
Agora, sem pressa, tinha todo o tempo do mundo, mas não tinha mais o mundo para preencher o seu tempo.
Pensou que tudo o que aprendera em medicina, também não significava mais nada, tudo estava ultrapassado, o novo conhecimento substituíra o antigo.
Empurrou a caneca de café com leite para o lado, colocou a testa sobre os braços cruzados em cima da mesa e assim ficou até que duas lágrimas rolaram pela sua face.
A vida fora em vão...
Sob a forma de uma borboleta azul, um pensamento aos poucos veio se aproximando, titubeante, mas foi crescendo, até iluminar sua mente como um clarão multicolorido. A borboleta se transformou naquela pacientezinha de quatro anos que há mais de sessenta anos não pudera salvar, e que em seus últimos momentos beijara-lhe a face e derramara algumas lágrimas, tocado que fora pela compaixão.
Sorriu, montou nas asas da borboleta, deixou seu casulo e voou, voou até desaparecer no horizonte da vida.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Mauá - O Imperador e o Rei

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado

Trata-se de um filme dirigido por Sérgio Rezende, figurando como atores principais Paulo Betti e Malu Mader. É interessante porque reconstitui uma época geralmente pouco focalizada pelo cinema brasileiro, mas é muito questionável do ponto de vista da fidelidade histórica.
Irineu Evangelista de Souza, Barão e mais tarde Visconde de Mauá, é, no filme, apresentado como herói, enquanto o Imperador D. Pedro II é mostrado como indolente, moleirão e até ridículo. Na realidade objetiva dos fatos, nem Mauá foi tão bonzinho, nem D. Pedro II merece essas críticas.
No Velho como no Novo Mundo, era bastante elevado o prestígio de que se revestia a figura de nosso monarca. Em consequência, era também muito alto o conceito do Brasil. Repetidas vezes o Imperador foi chamado a arbitrar pendências entre grandes potências mundiais.
Mauá era um empresário de larga visão e grande capacidade de trabalho, e a ele o Brasil muito deve, mas agia, de fato, como testa-de-ferro de interesses comerciais ingleses. Quando houve a famosa Questão Christie, isso ficou muito patente. Naquela contenda desencadeada em 1862 pela falta de tacto e pela imprudência do ministro inglês no Rio de Janeiro, William Dougal Christie, o Brasil saiu prestigiado e engrandecido.
O diplomata britânico, insatisfeito por não serem punidos, conforme desejava, policiais brasileiros que haviam prendido oficiais ingleses à paisana que, embriagados, faziam desordens nas ruas do Rio de Janeiro, enviou ao nosso governo violento ultimatum. Não sendo este atendido, ordenou que navios ingleses apresassem cinco embarcações mercantes brasileiras.
O Império não teria condições de sustentar uma guerra contra o Reino Unido. Mas venceu-o no campo diplomático. Sobretudo venceu-o moralmente.
A atitude do Imperador foi de firmeza total. Disse que preferia perder a coroa a mantê-la sem honra na cabeça. E recusou terminantemente qualquer negociação sob ameaça da esquadra inimiga, e enquanto não fossem devolvidos os barcos apreendidos.
Nessa hora, no Brasil inteiro houve uma explosão de indignação contra a Inglaterra.  Machado de Assis compôs uma poesia, desafiando os ingleses. Recordo uma das quadras: "Podes, vir, nação guerreira, / Nesta suprema aflição, / Cada peito é uma trincheira, /  Cada bravo é um Cipião".
Essa poesia, transformada em hino, foi cantada, num teatro do Rio de Janeiro, pela famosa atriz Eugênia Câmara, pela qual se apaixonara o poeta Castro Alves, e foi divulgada no Brasil inteiro.
Nesse momento, Mauá teve uma atitude pouco patriótica, que D. Pedro II jamais perdoou. Alarmado com a perspectiva dos prejuízos econômicos que ele e seus patrões ingleses teriam com o rompimento do comércio, logo procurou atuar como intermediário para restabelecer as negociações diplomáticas - sem ter sido para isso convidado por ninguém. No contexto em que tomou essa atitude ficava claro que seu interesse era favorecer mais os seus negócios do que o Brasil, e D. Pedro o rejeitou, respondendo: "Cuide o Sr. Mauá dos seus negócios, que do Brasil sei eu cuidar".
Christie achou mais prudente recuar. Os navios brasileiros foram logo devolvidos. O caso, confiou-se ao juízo de um árbitro imparcial - o Rei Leopoldo I, da Bélgica, tio da Rainha Vitória. E Christie foi chamado de volta a Londres, sendo substituído por outro diplomata mais sensato, e até simpático ao Brasil, Mr. Cornwallis Eliot.
Mas D. Pedro II não considerou encerrado o caso. O decoro nacional exigia uma satisfação condigna pela ofensa recebida. Como Londres não quisesse apresentar essa satisfação, seguiu-se o inevitável rompimento de relações. O ministro do Brasil em Londres, Carvalho Moreira (futuro Barão de Penedo), pediu seus passaportes e retirou-se da Ilha com toda a legação. E Mr. Eliot, por sua vez, foi convidado a retirar-se do Brasil, em junho de 1863.
D. Pedro foi absolutamente inflexível e determinou que, enquanto não fosse resolvida satisfatoriamente a questão, o Brasil não somente interromperia relações diplomáticas com o Império Britânico, mas também suspenderia todas as relações comerciais, ficando congelados todos os capitais ingleses aplicados no Brasil.
No mês seguinte, Leopoldo I proferia sentença favorável ao Brasil. A Inglaterra ainda relutou longamente em reconhecer que seu representante havia agido mal, e tentou restabelecer relações diplomáticas e, sobretudo, comerciais, sem pedir desculpas. Do ponto de vista econômico, é preciso dizer, não foram pequenos os prejuízos que sofreu o comércio inglês nos dois anos em que estiveram interrompidas as relações.
Afinal, ante a inflexibilidade de D. Pedro II, a Inglaterra acabou por ceder, e um emissário especial, Edward Thornton, foi enviado ao Imperador, para manifestar o quanto a Rainha Vitória lamentava todo o ocorrido e apresentar formalmente as desculpas do governo inglês.
Para cumprir sua missão, o emissário precisou deslocar-se até a tenda de campanha de D. Pedro II, no Extremo Sul do País, diante da cidade de Uruguaiana que as tropas brasileiras haviam acabado de reconquistar aos paraguaios.
Foi como vitorioso, e acompanhado de seus aliados argentinos e uruguaios, que o Imperador quis receber o pedido de desculpas da poderosa Grã-Bretanha.
Essa a origem do desentendimento entre Mauá e o Imperador. Quando, mais tarde, Mauá chegou à beira da falência, o Governo do Império teria podido socorrê-lo, mas não o fez. D. Pedro II considerou imoral usar dinheiro público para socorrer um investidor privado. E Mauá faliu.
Esses acontecimentos são escamoteados pelo filme, que apresenta Mauá como um idealista desinteressado e patriota, e D. Pedro II como um homem medíocre, invejoso e injusto. A verdade histórica é bem outra.

Há, para os conhecedores de História do Império, ainda outras impropriedades e anacronismos no filme, além de personagens inexistentes (como o Visconde de Feitosa), que o filme apresenta como se históricos fossem. Mas, no total, não deixa de ser um filme interessante. Dentre os atores, não destacaria nenhum como particularmente bem sucedido, a não ser, talvez, um ator secundário, que fez papel coadjuvante, que representou Mr. Carruthers, o patrão e depois sócio de Mauá. Era, talvez, o único que, a meu ver, parecia realmente um homem do século XIX. Quanto a Paulo Betti, sinceramente, ele me convenceu mais no papel de jagunço baiano, em Guerra de Canudos, do que no papel de Mauá.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A SAÚDE QUE VEM DO SOL

             

Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira no3 - Patrono: Luiz de Queiroz

         Muitas vezes o alerta aos problemas da vida, tanto os comuns ou corriqueiros, como os da saúde principalmente, o benefício de uma informação generosa e saudável que chega por jornais, revistas, tevê, pesquisas e, atualmente por intermédio da internet, passam na frente de outros artigos do autor, uma vez que, transferir o que ele sabe o que leu ou aprendeu, o que a vida lhe ensinou ou sua experiência comprovou, serem de grande utilidade a uma tranquilidade maior a quem o lê, nesse tumulto de assuntos e sugestões que assolam o cotidiano de todos.  
Há algum tempo já, tenho em mente, a necessidade premente em comentar sobre a “luz do sol” e à sua exposição em nossa pele e nosso corpo, a fim de evitar doenças ou não contraí-las, ou ainda, não piorar as que já estão instaladas chegando à conclusão que, a luz solar age como um milagre gratuito, sobretudo também na sua prevenção, pois, a “vitamina D” que os antigos atletas gregos haviam descoberto ao se exercitarem “nus” sob o sol, pôde comprovar e responder a autoridades esportivas, que o desempenho atlético atinge o “pico no verão e piora no inverno, devido esta vitamina em questão estimular o crescimento das fibras musculares e melhorar os níveis mais elevados no sangue”.
Daí então, mostrar, a necessidade desta vitamina que “só é liberada pela pele, em resposta à exposição e radiação ultravioleta da luz solar natural” (repetimos). E, o melhor é que, ela não precisa ser comprada em farmácias! A Vitamina “D” nos pertence simplesmente, pela natureza!
Uma maravilha que temos em mãos! Um “nutriente” que evita a depressão, osteoporose, raquitismo, câncer, os efeitos do diabetes e obesidade, além de reconstruir os ossos e o sistema nervoso, sendo essencial para a absorção de cálcio no intestino” e, isso, só ao contato com essa luz quente e incrível do “astro rei”, mais um presente de Deus, a favorecer nossa saúde, nossa alegria, nossos dias e nossa vida enfim!
Importante saber para lembrar sempre (e “ir atrás dessa informação”, que quer dizer: saber tempo certo de exposição, horários melhores, histórico e explicação sobre ela, que não dá para contar nesse pequeno espaço, mas, que seria de grande valia entender e aproveitar), pois, “a Vitamina D é um poderoso remédio que o nosso próprio corpo produz sem necessidade até, de prescrição médica”! ”E, porque não aproveitar hoje em dia onde tudo custa tão caro, daquilo que é natural e comprovadamente agradável e salutar? Porque não saborear a “saúde que vem do sol”?”. Pelo menos, vai valer a pena experimentar!
Então fica aqui essa sugestão de saúde e dias mais bonitos, preocupação maior dessa cronista que tanto bem quer e deseja a seus queridos leitores.
 Abraços!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

BIOGRAFIA SEM AUTORIZAÇÃO


André Bueno Oliveira
Cadeira n° 14 - Patrona: Branca Motta de Toledo Sachs


É um assunto polêmico.
Por um lado, temos a  Constituição Federal, em seu artigo 220 que proíbe qualquer restrição à manifestação do pensamento, à criação, à expressão e informação. No entanto , o enunciado do parágrafo 6º do referido artigo,  no meu entender, acaba causando certa dúvida na própria interpretação deste assunto. Que diz tal parágrafo?  
-  § 6º A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade.
Daí eu pergunto: uma Biografia (livro propriamente dito)  pode ser classificada como um veículo de comunicação? E quando diz “ licença de autoridade” pergunto:  a pessoa biografada  -no caso- seria uma autoridade citada nesse § 6º do art.220?
À primeira pergunta eu responderia: SIM.
À segunda pergunta responderia: NÃO.
A pessoa biografada tem seu direito de privacidade bem como o de protestar que sejam revelados detalhes de sua vida íntima.  Não é uma “autoridade” para proibir, mas acaba sendo o próprio protagonista do livro a ser publicado,  podendo até se tornar uma vítima do biógrafo, correndo o risco de ver sua honra difamada.  A pessoa física que está sendo biografada, portanto poderia autorizar ou não, pois o parágrafo fala da “autoridade”.  O biografado não é uma terceira pessoa (autoridade),mas sim o próprio personagem principal do livro: o protagonista da história. Ele seria diretamente prejudicado em caso de ter uma publicação distorcida de sua vida. Por que não outorgar a ele o direito de tomar um conhecimento prévio daquilo que será divulgado a seu respeito? 
Daí surge o jurista que diz:  “mas se houver algum falso testemunho, alguma difamação, ofensa ou mentira, a pessoa biografada, que se sentir ofendida, poderá entrar na justiça contra o ofensor”.
Daí surge um humilde e ignorante caipira que diz: “ é...mas depois que a boiada escapou, não adianta mais fechar a porteira...”
E por fim, uma última pergunta:  ao protagonista da Biografia é pago algum valor referente a Direitos Autorais? Por que não destinar também um percentual ao biografado (se vivo)  ou a seus descendentes ?

Tomara que o Supremo Tribunal Federal saiba descascar com Sabedoria esse abacaxi espinhoso. 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Biografias : Quantas contradições!

 Acadêmica Myria Machado Botelho
Cadeira n° 24 - Patrona: Maria Cecília Machado Bonachella
 
       Não deixou de ser impactante  a atitude de alguns de nossos artistas, os músicos e compositores Caetano Veloso, Chico Buarque, Roberto e Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Djavan, alguns deles ligados e conhecidos por seus pronunciamentos públicos em favor da liberdade e da livre manifestação do pensamento.  O grupo, autodenominado Procure Saber, além de exigir autorização prévia para qualquer biografia, ainda sugere o pagamento de royalties aos biografados ou seus herdeiros. Embora mais recentemente, após a saraivada de protestos, de cobranças, de gozações e de argumentações incisivas e certeiras provindas das redes sociais,da imprensa falada e escrita, de entrevistas de escritores e biógrafos conceituados, eles tenham tentado atenuar o impacto com declarações que não convenceram, a fogueira cruzada já crepitava bem alto.
            Roberto Carlos, numa entrevista concedida ao programa Fantástico de domingo passado, disse e não disse em sua fala plena de ambigüidades e de evasivas que não convenceram, acabou por declarar que é a favor das publicações sem autorização prévia; no dia seguinte, entretanto, segunda-feira , no programa Roda Viva da TV Cultura, seu biógrafo, Paulo Cesar Araujo, cuja excelente biografia ( Roberto Carlos em Detalhes)  foi retirada  da circulação em todo o território nacional, explicou também em detalhes a maneira apressada e injusta  de como ocorreu esta proibição que lhe custou muito trabalho, algumas décadas de pesquisas e de finalizações. Se o artista mereceu todo esse empenho, este seria mais um motivo para que ele se sentisse honrado e agradecido ao escritor que se interessou por ele.
            Contradições à parte, é preciso acentuar que um artista, à luz da história, é uma figura pública; ele não se pertence e sua privacidade é relativa pois  é através do público que ele se torna conhecido. A liberdade de expressão não pode aceitar uma ditadura de biografias “chapa branca”, desde que sejam verazes e sem danos morais à imagem dos biografados. Creio que está faltando no caso um debate mais amplo entre as partes, no sentido de que se estabeleça esta importância na formação cultural, moral e intelectual dos povos.
            É através dessa formação que se aprende a história e a vida de homens e mulheres que conquistaram a fama por suas vitórias e seus feitos, também por suas atrocidades e seus desvios. As revoluções e as guerras, as descobertas e os inventos, as criações múltiplas da beleza da arte em suas mais variadas formas,  permeadas por fracassos e superações, por  atos heróicos e  pusilânimes, desde que somos todos feitos da mesma massa e somos humanos não chegariam até nós e nosso conhecimento, não fora o empenho  dos artesãos da palavra e da escrita....
            Quero crer que nossos queridos artistas reconsiderem sua atitude absurda, ditada talvez por um excesso de vaidade ou por uma convicção muito radical de si mesmos, quando na realidade  sua trajetória de vida e seu protagonismo se misturam com os nossos e também pertencem a cada um de nós.

               

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O CASULO - Homenagem aos parentes e amigos que partiram para um Mundo Novo

Leda Coletti- Cadeira no 36
Cadeira n° 36 - Patrona: Olívia Bianco
Observando um casulo, comparei sua existência com a nossa. Sua aparência é feia, exibindo uma pseudomembrana grossa, que serve de cobertura para a lagarta, que nele se aloja. Impressiona mal e até assusta. Isso já aconteceu comigo em outros tempos.
Como nunca presenciei a metamorfose ocorrida no seu interior, demorei para acreditar que, aquela borboleta azul com contornos pretos contrastantes, a qual tanto me fascina, havia saído desse invólucro. A capa que a protegia deve ter se decomposto no solo árido.
Vacilei muito até assimilar essa realidade, associada à nossa existência. Fiquei feliz por entendê-la. Aliás, generalizo esse sentimento para todos os homens, somente com uma ressalva: ainda estamos em gestação e dependerá de uma série de fatores, esta ser mais rápida para uns do que para outros. Contudo, essa gravidez é diferente da primeira, daquela que nos trouxe para o Planeta Terra, pois nela dependíamos do útero materno para nos acolher e propiciar vida, num curto período de nove meses. Já nesta, nós próprios estamos trabalhando o nosso parto e não sabemos quando irá ocorrer.
Romperemos a casca do casulo, no dia de nossa morte-vida e ficaremos libertos da escuridão, que às vezes nos confunde. Então poderemos voar livremente, como a linda borboleta azul!
Morte: sinônimo de Vida se aceitamos o Mistério do Amor!




        Borboleta Azul
                                     
                     No exterior, capa grossa, deformada
Revela inércia, pouca agitação,
Tal qual uma redoma, alicerçada
Por sólido respaldo da estação.

No interior  vive plácida e amparada
Feliz lagarta em plena formação,
Que espera calma curta caminhada,
Prevê momentos bons de gestação.

            Ação de Deus, real apoteose,
Milagre sem igual: metamorfose,
Do casulo a lagarta se desliga.

Devagar, linda borboleta azul
Levanta voo e segue rumo ao sul.

                              Um novo ser agora o mundo abriga.

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz