Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

domingo, 30 de março de 2014

A Poeta Adélia Prado no “Roda Viva”

 Acadêmica Myria Machado Botelho
Cadeira n° 24 - Patrona: Maria Cecília Machado Bonachella
  
            Não foi bem uma entrevista, mas uma conversa, como salientou  Augusto Nunes, o condutor do programa “Roda Viva”, nesta última segunda feira, dia 24, durante a apresentação da poeta  Adélia Prado, pela TV Cultura .No relativo pouco tempo que o competente  jornalista  vem comandando um dos mais interessantes programas da TV, trazendo  para o interior de nossos lares um pouco da vida, do conhecimento e da experiência  de nomes famosos no campo da cultura, da economia, das artes e da política (ou  alvos da contradição e do julgamento popular), esta programação se distingue, em meio à mediocridade  reinante de nossa Mídia, com raras exceções.
 Uma conversa, sim , saborosa, rica e imprevisível com a autora de tantos títulos em prosa e verso, foi o que assistimos, magnetizados espectadores, entre a autora e os entrevistadores(as), capazes e sensíveis, juntamente com o notável chargista   e cartunista Paulo Caruso, eles(as) próprios encantados com a simplicidade e a franqueza da grande mulher. Ela própria, a personagem central de uma obra que já está inscrita na verdadeira literatura brasileira. Sem modismos, sem retoques, num estilo claro e direto na forma e na sintaxe,  livre dos obscurantismos e dos hermetismos tão em moda  na poesia e na prosa de pseudos escritores atuais, os temas cotidianos, aparentemente corriqueiros, com os quais o leitor se identifica facilmente, destacam-se pelo talento e pela graça, aliados a um original ineditismo na arte da boa escrita, num enfoque em que esta simplicidade se transforma em profundidade.
Adélia diz e escreve o que gostaríamos de ouvir e de escrever.Com precisão e objetividade ela  contou um pouco de sua infância na cidade mineira de Divinópolis, da vida familiar, do pai, seu incentivador indireto que se apaixonava pelos textos de livros, ao ponto de  lê-los em alta voz andando pela casa; da escola e dos primeiros escritos, composições e quadrinhas que já delineavam seu futuro;  do encontro emblemático com Clarice Lispector e Drummond  com os quais se correspondia e que, de certa forma, definiriam sua vocação.Falou também de suas leituras e da profunda identidade que sente com os escritores russos, sem deixar contudo de mencionar o execrável Putin,  ora em foco com a anexação da Criméia.
A escritora, entre vários assuntos, como o momento crucial que vivemos na política, a vassalagem e o apoio aos regimes totalitários de Cuba e Venezuela, a Copa, a Petrobrás e os desmandos dos corruptos, a ausência de lideranças e de uma oposição pra valer e, mais lamentável, o silêncio e a passividade, uma quase anuência dos intelectuais brasileiros que não se manifestam contra uma situação quase insustentável.
A pedidos dos entrevistadores, ela declamou com expressão, dois belíssimos poemas de seu último livro, Miserere, de forte conotação mística.Uma observação suscitada por Augusto Nunes, a respeito de suas crônicas, muitas delas  quase poemas,  quando Adélia disse, com ~ênfase , que prosa é prosa, e poesia é poesia”,  levou-me a concordar com o apresentador. Meu professor de literatura  afirmava sempre  que a prosa , para ser bela, deve ser musical  para os ouvidos, o que, realmente se encontra nos textos da poeta.

Muito se poderia dizer de  Adélia Prado, cuja sensibilidade e talento , a situam entre os grandes escritores brasileiros e que, ao terminar sua prosa, bem mineira, deixou em todos aquela sensação  de bem estar e de fé no ser humano, como aquela música  que se lamenta quando termina...

quinta-feira, 27 de março de 2014

Monteiro Lobato por Aracy Duarte Ferrari

Neste sábado, 29 de março, a escritora e acadêmica da APL (Academia Piracicabana de Letras) Aracy Duarte Ferrari vai falar no CLIP (Centro Literário de Piracicaba) sobre Vida e Obra de Monteiro Lobato, às 15h na Biblioteca Municipal.
Evento gratuito e aberto aos interessados

terça-feira, 25 de março de 2014

Não linear

 Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara

Universo bizarro
de corpos transgressores
repentinamente objetos
em desacordo com o espaço
metalinguagem do avesso
em desconexa relação com a Vida

Rumos desencontrados
indefinidos
irreversíveis
irredutíveis
irregulares
irrefutáveis

Assim não caminha a humanidade
para lugar algum
para destino nenhum
ao aleatório
ao viés
ao revés 
do próprio descaminho...

sexta-feira, 21 de março de 2014

Comunicado aos Acadêmicos

Última chamada para participar da Revista número 9 da APL.
Enviar os textos diretamente para a editora  através do e-mail  audaxia1@gmail.com até 24/03/2014



terça-feira, 18 de março de 2014

O BOM COMBATE

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

     A vida é um poema. E não fui eu que inventei isso. Vejo em toda parte uma poesia que se exibe e se expõe. O mapa da noite é um só e desenha mais que continentes e litorais. A luz do dia maravilhoso me permite ver ainda melhor. Vejo poesia nos objetos que toco pela casa, no guardanapo que enxuga a louça, nas roupas que visto, no teclado do meu computador.
            Trata-se de uma poesia que permeia cada passo e cada momento, deixando gravada suas digitais no zelo com que se reconstitui a vida, em sua exata definição.
     Não sei definir a vida, claro, e tampouco ousaria. Contudo, a cada instante, um novo sopro vital infla-me o peito e sinto um inenarrável amor pelo que me cerca, um vivo interesse por todas as coisas criadas, cada qual cumprindo sua função no universo.
     Ah, o arqueológico trabalho de escavar lembranças, buscando suas origens e razões. Nossa alma, entre gratificada e atônita, recorre ao expediente da saudade, num súbito instinto de autopreservação. Nada escapa ao trágico e belo olho da memória.
     Eis que este senso primoroso faz de nós especialistas em nós mesmos. Está tudo na palma da mão, tudo aquilo que é espelho da nossa própria imagem. Narciso atualmente construído por meio de “selfies” e demais recursos que incensam e endeusam as faces em movimento.
     Há força e fragilidade em todos nós. Eis o poema em toda a sua glória e plenitude. Literário ou não, ele repousa entre a luta pelo pão de cada dia e a riqueza dos que constroem Dubai, sobrevivendo à crise, no luxo do Burj Al Arab.
     Na contramão do previsível, há um poema pequenino, que mais se esconde do que se mostra, porque prefere o apagamento, o anonimato e a solidão. Na nudez de toda intimidade, há o reconhecimento de nossa ambivalência e de uma latente inclinação para extremos. Então, todo cuidado é pouco.
     Sidarta descobriu o chamado “Caminho do Meio”. Mais ou menos assim: “Se esticar demais, a corda arrebenta; se ficar frouxa, não produz som”. Desta premissa, nasceu a sabedoria do necessário equilíbrio, a mesma harmonia cósmica que rege todas as coisas, todos os planetas em suas respectivas órbitas, denso mistério para as criaturas humanas.
     São tantos os prodígios de hoje. Os dedos digitam números e por eles uma voz é ouvida. Sonoro poema, lírico fonema. Quilômetros são vencidos em paz, ao toque de um teclado silencioso. Quero enumerar algumas doçuras essenciais: a textura do lençol que se acabou de trocar; o canto estridente da cigarra (elas sumiram?) anunciando o verão; um canteiro onde se plantou amor além de flores; a música de um rádio ligado; o lápis e a borracha; a bênção de um copo de água; a caixa de fósforos e uma vela acesa com fé.
     Esta fé que faz da crônica semanal um poema de amor e de esperança. Escrever é vocação irreprimível e pedimos todas as licenças poéticas de plantão, para levarmos adiante este canto que não cessa. Nada pode cooptar a força do alfabeto sem que este o permita. E que toda a palavra nos conduza ao bom combate.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Dia da Poesia - 2014

Como acontece há 9 anos, por iniciativa do Centro Literário de Piracicaba, em conjunto com outros grupos da cidade, a distribuição de poesias teve acalorada aceitação.
Suely, Ivana, André, Leda e Aracy
Ruth, Aracy, Ivana, João Athayde e Leda
Lurdinha e Marina, que coincidentemente aniversariam no dia da Poesia
Uma profusão de poesias!!!!
Cestas recheadas de emoções


       Parabéns para a professora Olga Martins pelo trabalho realizado no CLQ no Dia da Poesia

Trabalho dos alunos do CLQ/Piracicaba

Alunos da professora Olga Martins do CLQ/Piracicaba em atividades sobre o Dia da Poesia
Alunos do CLQ/Piracicaba
Crianças da Escola Catharina Casale Padovani enviaram centenas de poesias para serem distribuídas
Aluna da Escola Catharina Casale Padovani
Pesquisaram, e escreveram de próprio punho as poesias que mais gostaram

 De parabéns os professores e a diretora Christina Negro Silva por incentivarem os alunos a apreciar essa arte



EU E A POESIA


                               Lino Vitti Cadeira n° 37 - Patrono: Sebastião Ferraz                                       

Meus primeiros versos, escritos a medo, pois o seminário religioso não admitia alunos poetas porque a poesia de nada servia para a vida sacerdotal, foram de cunho religioso e dedicados a Nossa Senhora. Não os guardei, mas lembro perfeitamente que agradaram a um clérigo poeta vindo de outra congregação de religiosos para a dos Padres Estigmatinos, e que vaticinou-me: o senhor vai ser um poeta de verdade.
Profecia cumprida. Há mais de 60 anos assumi o grato dever de poetar, publicando meus sonetos e poemas nos jornais, revistas e semanários da terra piracicabana, cuja conseqüência foi a edição de 7 livros de poesia e contos, distribuídos aos milheiros ao povo de Piracicaba e, ao que sei, aprovados por ele, tanto que a Academia Piracicabana de Letras me honrou com o significativo título de “Príncipe dos Poetas Piracicabanos”. Guardo-o com carinho, com alegria, como troféu e prêmio maravilhoso aos meus longos e felizes anos dedicados à arte escrita e rimada dos Bilacs, dos Raimundos Correia, dos Guilhermes de Almeida, dos Gustavos Teixeira, dos Franciscos Lagreca, das Marinas Tricânicos e de outros mais que dignificam a poesia desta, chamada que foi, de Atenas Paulista.
O professor universitário de literatura de São Paulo, Hildebrando de André, meu companheiro de seminário no Colégio Santa Cruz de Rio Claro, em correspondência trocada entre nós, afirmou sempre que Piracicaba era uma terra privilegiada, uma terra de poetas verdadeiros, um santuário de poesia – dizia ele – que tem a graça de contar com a cooperação feliz dos seus jornais matutinos, semanários, ou revistas, aqueles oferecendo semanalmente uma página de sua edição à poesia dos seus poetas, como podemos ver na sexta-feira, em A Tribuna e aos sábados no Jornal de Piracicaba, a cargo dos escritores Ivana Maria F. de Negri e Ludovico Silva.
Poucos têm a felicidade de ver seus poemas e ou sonetos publicados durante seis décadas para mais, por isso me julgo honrado pelos nossos jornais, dignificado pelos leitores da minha terra, realizado na arte dos versos, estrofes e rimas, graças à compreensão dos diretores, editores, paginadores, distribuidores, leitores e todos quantos trabalham para nos entregar a cada manhã, um nobre jornal como o Jornal de Piracicaba, a Tribuna de Piracicaba e o semanário Folha Cidade, todos acolhedores incontestes de minhas elucubrações poéticas de mais de 60 anos.
E diante de tão flagrante acolhida, diante do respeito que em Piracicaba a Poesia merece, diante da proliferação da arte que dignificou poetas como Dante, Shakespeare, Victor Hugo, Olavo Bilac, Gustavo Teixeira, Vicente de Carvalho, Guilherme de Almeida, Camões, e uma infinidade de nomes gloriosos e reais poetas, eu me curvo em dar graças a Deus, Poeta Criador do Universo, do Homem e do Amor, por haver premiado o mundo de Poesia e Poetas, e agradecer igualmente aos poetas do mundo e do universo por terem aprendido a Poesia de Deus, e por lhe darem continuidade até a consumação dos séculos, com tanta dedicação e tanto carinho como merece essa graça de Deus.
A Poesia é a história dos povos, escrita em estrofes, em versos, em baladas, em sonetos, em poemas, em rimas. Numa linguagem sublimada, figurada, sintetizada, onde falam mais a alma e o coração do que as datas, os fatos, as personalidades, a ciência. Ser poeta é ser beija-flor: sugar o mel da vida, ao librar das asas sempre no espaço e sem tocar o desencanto do solo. É sonhar que se é angelical e não ser nunca envolvido pelo pó. Ser beija-flor, cujos beijos pousam sobre qualquer tipo de flor, sem olhar para a cor, sem olhar para as alturas em que ela bebe a luz do sol, buscando sempre o dulçor melífluo que se esconde no âmago de cada uma delas. Ser poeta é isso: buscar sempre o que é belo, cantar sempre as harmonias das coisas e da vida, ter os pés na terra, mas o olhar nas alturas do infinito. Poesia há de ser alegre, pois se for triste não será poesia, será dor.
São mais de 60 anos que poetizo. São mais de 60 anos que me sinto feliz, pois a minha poesia rendeu frutos, foi lida, foi julgada, foi amada. Haja vista que se tempos atrás os poetas eram raros como os diamantes, hoje eles florescem como seara e a poesia deles espalha um perfume de beleza, de sonhos, de encantamento.
Graças a Deus, a picada que tentei abrir está transformada em caminho florido.

segunda-feira, 10 de março de 2014

DIA NACIONAL DA POESIA

POESIA
Lino Vitti
(Príncipe dos Poetas Piracicabanos)


De onde vens, Poesia, e para onde tu vais?
Que caminhos de luz são esses em que trilhas?
Acaso és dona tu de tantas maravilhas,
Acaso amas, também, os míseros mortais?

As virtudes do amor são todas tuas filhas?
Sois todos filhos dela oh! vós que tanto amais?
Onde moras , Poesia, em que céus abissais?
Por que és tão bela assim e por que tanto brilhas?

O mundo te pertence, a vida é tua amiga,
O poeta te encontra, o poeta te adora,
Falas linguagem nova e linguagem antiga.

Muita gente contigo, em sonhos, canta e chora...
Muitos chamam-te Amor...Que o mundo te bendiga,
Neste dia feliz,em que te comemora.


Lino Vitti Cadeira n° 37 - Patrono: Sebastião Ferraz                                       

sábado, 8 de março de 2014

A MULHER E A FAMÍLIA

 Acadêmica Myria Machado Botelho
Cadeira n° 24 - Patrona: Maria Cecília Machado Bonachella
            “As famílias de trinta ou quarenta anos atrás eram mais sólidas e equilibradas.” Qual seria a interferência da mulher nesse equilíbrio? Por que razão, hoje, o casamento atravessa uma crise tão grave, de tão grandes proporções?
            No mês em que se comemora o dia da mulher,meio discriminatório, convenhamos,o tema proposto acima, vale uma abordagem.
            Há trinta ou quarenta anos atrás, o machismo dominava em toda linha. O homem era senhor absoluto. Sua palavra, sua vontade e sua conduta, nem sempre louváveis, eram , quando pouco, respeitadas. Ele podia dar suas “escapadas”, e o adultério masculino não era considerado um crime. Os próprios filhos e a família o desculpavam.A mulher devia ser submissa e aceitar, mesmo que tal atitude lhe custasse o sacrifício da própria identidade. Ou quando ela se insurgia, gerando um relacionamento apenas social, para salvar as aparências e evitar o rompimento do vínculo, estabelecia-se um acordo, tendo em vista a segurança dos filhos e seu desenvolvimento harmonioso e sem traumas. Havia porém, um sentimento de revolta latente, de frustração que explodiu.
            A mulher insurgiu-se contra uma situação de hipocrisia e de castração. E foi mais além, com muitos excessos. Não se pode, contudo, responsabilizá-la sozinha, pela crise que sobreveio. Das mais graves, nos dias de hoje.
            Tentando reagir à dominação machista, a mulher quis ocupar espaços maiores do que os que lhe cabiam, em termos fisiológicos e psicológicos. A igualdade com dignidade- uma justa pretensão- extrapolou. Ela passou a ser competidora do homem, quase uma adversária. Nesta competição hostil, o casamento perdeu sua posição de união e perenidade. Esvaziou-se do sentido de complementação por excelência. E os filhos vêm assistindo, perplexos, ao desmoronamento de uma união que julgavam sólida, transformada em desrespeito mútuo e no desamor, atitude que a criança, inconscientemente, rejeita.
            Os fatores históricos e sociais apressaram as transformações e estas atingiram, sobretudo, a mulher. Suas funções específicas e intransferíveis, que não podem ser substituídas pela governante, pela cozinheira ou babá, sofreram conseqüências desastrosas. Sua presença como mulher e mãe é e será sempre necessária, embora não se peça a ela que permaneça no lar como simples espectadora das transformações sociais.
            Ocorreu, entretanto que, em busca do reconhecimento que faltava e, realmente como uma fuga,a mulher apostou tudo, fora de casa. As atividades domésticas passaram a ser menosprezadas; mesmo não saindo para trabalhar fora, sua posição é diminuída, dentro da mentalidade consumista. O desejo de adquirir também aumentou, em função desta mesma mentalidade. O fato é que, hoje,pela superficialidade de ter quanto mais, ou pela necessidade premente, a mulher ajuda nas despesas. Diga-se, com justiça, que seu desempenho no campo profissional é ótimo, superando a concepção quase mítica de sua incapacidade.
            Por outro lado, esta realização complicou-lhe grandemente a vida. Ao voltar para casa,suas tarefas são maiores, depois de um dia cansativo.O trabalho cotidiano a espera, os filhos requerem sua atenção, desde que, no lar, a família não precisa da funcionária, da economista, da pesquisadora ou da catedrática.O cansaço, contudo, lhe abate o ânimo: ela deixou de ser a companheira,a conselheira, a orientadora, a formadora. Já não é aquela  figura ideal e feminina, capaz de compartilhar com o marido daqueles momentos a dois, tão necessários ao casamento. E para os filhos, sua ausência na vida de crianças e jovens se reflete no quadro triste da sociedade atual. É visível a diferença entre os filhos que recebem os cuidados maternos daqueles que foram terceirizados e entregues à responsabilidade de outros.
            Nada impede, salvo em casos de necessidade extrema, que a mulher, buscando sua realização pessoal e seu aprimoramento, se dedique, com prioridade, à formação dos filhos, à manutenção harmoniosa da família, no sentido de uma convivência saudável e bem aproveitada em qualidade. Será preciso, contudo que o homem também colabore e redimensione sua atuação, deteriorada pelo machismo e o egoísmo inconsequente.
            Algumas vezes, é preferível a separação a uma convivência prejudicada por brigas e discussões constantes, pela desvalorização, pela concorrência e o desamor. Não é bom para os filhos o convívio de inimigos em potencial a lhes oferecer uma realidade deturpada pela hipocrisia e o duelo recíproco. Este exemplo pernicioso vai refletir mais tarde na própria conduta dos filhos adultos.

            A união é uma necessidade para as duas partes, pois não é bom estar só, desde que homem e mulher estejam devidamente preparados para um compromisso sério que exige maturidade, vocação e respeito. Acima de tudo, o amor , capaz de enfrentar as dificuldades inevitáveis. Só assim se constituirá a família verdadeira, capaz de contribuir para a formação de um salutar organismo social.

Origem do Dia da Mulher


No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova York, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Objetivo da Data

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.

Conquistas das Mulheres Brasileiras

Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

Marcos das Conquistas das Mulheres na História:

1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.

1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.

1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.

1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.

1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.

1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas

1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres

1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.

1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças

1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina

1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres

Fonte Mensagens e Poemas

quinta-feira, 6 de março de 2014

Balanços


André Bueno Oliveira
Cadeira n° 14 - Patrona: Branca Motta de Toledo Sachs

Linda mangueira de infância!
Nascida em zona rural,
– na colônia da Fazenda –
compartilhava comigo
um saudoso caipirismo
de uma vida campesina.

Além de mangas maduras,
me dava um rude balanço
feito em cordas de sisal.
Com a aragem moderada,
seu perfume, na florada,
atraía beija-flores,
bem como orquestra de abelhas
e o matiz das borboletas.

A mangueira envelheceu...
Quando morta, foi cortada!
A colônia demolida,
deu lugar aos canaviais!

Hoje vivo na cidade,
numa casa pequenina,
com quintal menor ainda,
onde tenho um pé de fruta
de sabor bem agridoce...
Se assemelha, sim, à manga, (?)
tão somente pela rima.

Minha linda pitangueira
 que sombreia meu quintal,
oferta rubras pitangas
aos sabiás, bem-te-vis,
aos sanhaços, aos puvis,
e traz de volta as abelhas,
as mesmas de minha infância,
que orquestravam sinfonias,
com o aval das borboletas,
sob o olhar dos colibris.

Só não traz o meu balanço,
aquele em corda-sisal
que ainda embala saudades.

Mas...o destino sapeca
que sutilmente ironiza,
se não resolve, contorna.
Ganhei no “bingo da Igreja”
uma prenda benfazeja,
que estimula meu astral:
um balanço de madeira,
muito chique, por sinal,
feito em cedro e cerejeira.
Uma pomposa cadeira:
a Cadeira de Balanço!

Debaixo da pitangueira,
balançando na cadeira
com pensamento na infância,
mentalizo outro Balanço:
checando Ativo e Passivo,
ceifando Lucros e Perdas,
tenho um Saldo Positivo.

Olhos fechados, eu vejo,
que apesar do velho corpo
já cansado e sem pujança,
meu espírito é criança.




Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz