Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
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Conselho editorial

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Ivana Maria França de Negri
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sábado, 28 de maio de 2016

Dona Maria I – o caso de Tiradentes

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


Recordei, no meu último artigo, alguns traços muito sumários do reinado de D. Maria I, que reinou efetivamente de 1777 até 1792 e, depois de adoecer, permaneceu como rainha titular até falecer no Rio de Janeiro, em 1816. A memória dessa soberana foi recordada em lindíssima Missa, celebrada em São Paulo, no último dia 8 de abril, na Igreja de Nossa Senhora do Brasil.
Citei, nesse artigo, a obra clássica de Caetano Beirão, D. Maria I – Subsídios para a revisão da história do seu reinado (4ª. ed., Lisboa, 1944). É, como disse, obra solidíssima, baseada em documentação exaustiva. Transcrevo um parágrafo do capítulo em que o autor, após ter analisado minuciosamente todos os aspectos do reinado de D. Maria, resume quanto acabara de expor:
Era excecionalmente favorável, se não brilhante, a situação de Portugal, ao atingir seu termo [em 1792] o reinado efetivo de D. Maria I. Enquanto convulsões internas, ameaças de guerra, dificuldades econômicas e políticas flagelavam outros países, aqui, na pequena casa lusitana, a vida decorria suavemente, alegremente, como numa grande família, em que todos, desde o chefe ao último dos filhos, trabalhassem para o bem comum. País nenhum precisava menos do que o nosso dos solavancos perigosos duma revolução. Progredia-se em todos os ramos da atividade coletiva. Lançavam-se os fundamentos das grandes escolas modernas, empreendiam-se múltiplas viagens de exploração e de estudo aos nossos domínios ultramarinos e ao estrangeiro, procurava-se disseminar o ensino e levá-lo às classes humildes da sociedade, abriam-se estradas, melhorava-se o serviço dos correios, protegiam-se as indústrias nacionais, inauguravam-se fábricas, aperfeiçoavam-se os serviços hospitalares e, justamente no ano em que a Rainha deixou de governar dava-se começo às obras do teatro de S. Carlos, belo monumento a atestar o grau de cultura de uma época... A par destes progressos de vária ordem, procurava o governo de D. Maria I facilitar o viver das camadas populares, não se limitando a ir ao encontro das suas necessidades materiais, mas elevando-as e dignificando-as no campo propriamente social” (op. cit., pp. 399-400).
Cabe agora esclarecer um ponto, particularmente sensível no Brasil: o caso de Tiradentes.
D. Maria respeitava, sempre, a autonomia dos juízes, que deviam julgar de acordo com a legislação vigente. Essa era a obrigação deles. Não existia, na época, esse verdadeiro delírio de “ativismo judiciário” que existe hoje, até no STF, de julgadores pretenderem alterar e corrigir, a seu talante, o que está escrito de modo muito claro na lei.
O que a Rainha quase sempre fazia era, no caso de execuções capitais, exercer seu direito de suspender a aplicação das penas. Era o chamado “direito de graça”. A vida do condenado era salva, sendo-lhe aplicada a pena (geralmente de degredo) imediatamente seguinte, na ordem das penalidades previstas nas Ordenações Filipinas que continuavam em pleno vigor, em tudo quanto não haviam sido alteradas pela “legislação extravagante”. A pena de degredo era bastante branda, pois no local para o qual havia sido designado o degredado não ficava preso, mas vivia solto, podendo exercer livremente sua profissão. Só não podia afastar-se do local, durante o tempo do degredo. “Degredado em África” significava poder transitar livremente pelos imensos domínios da África Portuguesa”.
Era bem conhecido o costume da rainha. Preso condenado à morte era, quase sempre, indultado. No caso concreto da Inconfidência Mineira, a rainha, pouco informada das particularidades da administração colonial, preferiu se antecipar ao juízo e, antes mesmo de exarada a sentença, já fez saber aos julgadores qual era o seu desejo: que nem mesmo os chefes da conjura fossem mortos. Mas deixou o caso, como de praxe, a critério dos julgadores. Estes, influenciados pela manifestação da bondade de D. Maria, condenaram 11 réus à morte e já indultaram a 10; Tiradentes somente foi executado, por decisão dos julgadores, que diante da situação concreta do Brasil, julgaram indispensável que houvesse, para prevenir futuras sedições, pelo menos uma execução.
“Constituiu-se a alçada para os julgar, no Rio de Janeiro. Por acórdão de 18 de abril de 1792, onze dos conspiradores foram condenados a pena capital, Mas, com data de 15 de outubro de 1790, havia a bondosa Maria I expedido uma carta régia dirigida ao chanceler, juiz da alçada, na qual  se ordenava que aos próprios chefes da conjura a pena fosse reduzida a degredo, exceto quando tal se tornasse absolutamente impossível. Em face do que, só o Tiradentes padeceu morte na forca; os outros culpados foram degredados para África”. (op. cit., p. 352).

Costuma-se dizer, aqui, que Tiradentes foi executado “por ordem de D. Maria I”. A realidade é um pouco diferente. Ele foi executado “em nome da D. Maria I”, mas contrariamente à vontade e ao desejo dela.

domingo, 15 de maio de 2016

Pausa necessária

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade


Por alguns momentos, a vida exige a parada necessária. Estrelas conspiram à vista de um noivo cíclico que fecunda os céus com seu brilho de cometa. Paro para procurar na noite o astro luminoso. Paro para rezar o Pai-Nosso e a Ave-Maria. Quantas vezes paramos para ouvir nosso próprio coração? 

    Paramos para descansar nossas costas depois de um trabalho estafante, detemo-nos nas subidas mais íngremes. E as paradas forçadas, o repouso por recomendação médica? Ninguém gosta de observá-los, sobretudo quando se é dinâmico, com muitos sonhos fervilhando na alma. Pedimos ao corpo para estar de pé todos os dias, selamos um pacto com o Criador e fazemos a nossa parte, religiosamente, esperando que Ele cumpra a Sua.

    Às vezes, vamos até a porta para receber a graça que não veio e também para agradecer a que chegou sem que esperássemos. Não queiramos jamais decifrar os desígnios divinos. São caminhos muito diferentes dos nossos e haveremos de aceitar tais situações, pois Deus trabalha com o conhecimento pleno de nossas vidas. Sem passado ou futuro, num eterno presente.

    Aqui e ali, paramos. Para acolher a manhã que desponta suave, prenunciando tons invernais. Ela vem carregada de bons frutos, outono de graças. A abundância e a riqueza da vida nos obrigam a parar. Louvor à glória de toda coisa criada sobre a Terra, à beleza das noites estreladas, dos rios e mares, da natureza e dos bichos, do trabalho e do pão.

    Parar para comer um pedaço de pão. Eu paro. Não perco, por nada, este “agora” abençoado. O pão que mata a nossa fome acaba, mas há o outro Pão, aquele que alimenta, dá vida e nos ensina a amar. Amar e perdoar. Não se conhece atitude mais bela, mais generosa e mais humana.

    Parar para a contemplação pura e simples, deixando-se tocar pelo invisível aos olhos, profetizando em silêncio, e guardando para si o que o espírito captou nas paradas concedidas às almas que buscam a Deus sem cessar.

    Há o momento certo da paragem, creio eu, para a profunda reflexão. Não podemos nos entregar ao turbilhão que se alastra à nossa volta, sem raciocinar sobre o que está acontecendo de momento a momento. Tudo é importante, tudo tem seu peso e seu valor. Um pensamento, um abraço, um gesto decidido, o desfecho do que pôde ser bem realizado. Tudo está na tela eterna do universo.

    Nas muitas esquinas e cruzamentos do nosso coração há faróis apontando o caminho. Um deles está sempre na cor verde, a passagem é livre, o acesso é de graça. Talvez seja necessário pagar um pedágio que é refletir profundamente para seguir adiante.

    Prosseguir ou parar. Eis a questão. Até onde posso ir, quando há sinais avisando o perigo à frente? De onde virá a sabedoria mais bela para o devido discernimento? Se a ousadia da coragem pode nos oferecer o céu na terra, é decisão nossa continuar, mesmo sabendo dos riscos.

    Que saibamos compreender a gênese desta pausa que cura e salva. Este momento abençoado de erguer nossos olhos para o alto e receber o entendimento pleno da vida.

    No momento, estou parada, esperando o amor!...

terça-feira, 10 de maio de 2016

Método lúdico para o ensino da Gramática

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


A Gramática, queira-se ou não se queira, é sempre um osso duro de roer. É sempre desagradável o seu ensino e, ainda mais, o seu aprendizado. Deve-se, pois, proceder da forma clássica como se faz tudo o que é difícil na vida: disfarçando sua dureza.
Disfarçar a dureza, no caso, não se trata de enganar o aluno ou o próprio sistema de ensino, adotando artifícios fraudulentos ou mentirosos. Mas trata-se de, chãmente, fazer envolver a pílula de amargo remédio numa fina camada de açúcar, que a torne, aos olhos do paciente, como similar ou análoga a uma bala, a um confeito apetecível. Tanto quanto possível, pois, o professor deve fazer o processo de ensino/aprendizado se aproximar do modelo lúdico, adotado em jogos e brincadeiras. Quanto mais ele consiga isso, tanto mais seus alunos poderão se entusiasmar pelo processo e, assim, aprenderem a rebarbativa e assustadora Gramática.
A experiência demonstra que é sempre útil trabalhar com textos, para, a partir deles, serem abordados os temas gramaticais. Se é assim, procurem-se textos interessantes, atraentes. Procurem-se coisas da vida concreta, que apresentem problemas que façam os discentes se sentirem concernidos e envolvidos de imediato. Letras de música, crônicas ligeiras, textos humorísticos, cartas, notícias de imprensa, tudo isso são coisas que, para um professor hábil, fornecem matéria útil para a abordagem em sala de aula de temas gramaticais.
Além do texto em si, também o modo de abordá-lo pode, muitas vezes, fazer a diferença. Há que abordá-lo de modo inteligente e atrativo, tanto quanto possível dando aparência lúdica, de entretenimento, de desafio, à matéria explanada. É aí que a criatividade, a inventividade, a capacidade de improvisação de um docente se coloca à prova.
Lembro que certa vez eu estava, na Escola do Escritor, de S. Paulo, ministrando um curso de criatividade literária, e eu recomendava que os exercícios de criatividade, quando realizados em grupo, tomassem o aspecto de animadas brincadeiras. De repente uma das alunas − no caso concreto, uma senhora de mais de 70 anos − me interrompeu e contou um caso de sua adolescência, o qual, segundo ela, tinha marcado toda a sua vida. E relembrou um acampamento de meninas bandeirantes (escoteiras), de que participara aos 12 anos de idade. Chovia torrencialmente, de modo que as meninas não podiam sair das barracas. Como estavam tristonhas e deprimidas, a monitora, muito experiente e jeitosa, propôs uma brincadeira especial para ser feita dentro da barraca, que seria, garantia, muito mais interessante do que brincar como sempre faziam. Diante da curiosidade das meninas, a monitora declarou que tinha um romance inteirinho pensado, na sua cabeça, e que desafiava todas a descobri-lo. Podiam todas fazer as perguntas que quisessem, e ela apenas responderia sim ou não. Nada mais.
As meninas se animaram e puseram-se logo a fazer perguntas. E a mestra ia respondendo sim ou não. E assim, durante três ou quatro horas, entregaram-se todas aquelas cabecinhas, febrilmente, ao exercício conjunto de criarem um romance, acreditando piamente que estavam apenas descobrindo algo que a professora já tinha pensado. Atuou, sem dúvida, uma forte dinâmica de grupo e a brincadeira deu certo. Articulou-se pouco a pouco um enredo maravilhoso, cheio de pormenores interessantes, de problemas até profundos, de suspenses fascinantes. Só no final, quando todas as meninas estavam encantadas com aquela brincadeira nova, a monitora lhes revelou a verdade: não existia romance algum na sua mente, as meninas é que tinham  criado aquela história encantadora...
A senhora recordava, seis décadas depois, até meio emocionada, esse fato que a marcara profundamente. Parece-me um ótimo exemplo de como se pode, com inteligência e jeito, transformar um exercício penoso em algo agradável. Se a monitora tivesse proposto diretamente que compusessem um romance, é claro que todas se teriam desinteressado ou desviado do foco adequado.
Monteiro Lobato tem um livro, “Emília no país da Gramática”, em que tenta aplicar o método lúdico para o ensino da Gramática. Eu apenas ressalvaria que esse livro é um tanto iconoclasta, um tanto irreverente em relação às normas gramaticais, apresentadas como ridículas e meras convenções sem razão de ser. Mas, enquanto método, é ótimo.
Também Malba Tahan, o genial escritor fluminense, conseguia prodígios ensinando Matemática com método lúdico. Seu livro mais famoso é o clássico “O homem que calculava”, grande sucesso editorial ainda em nossos dias. O mesmo autor publicou dezenas de outras obras menos conhecidas, muitas das quais destinadas ao ensino prazeroso e lúdico da Matemática. Por que os professores de Gramática não tentam transpor, para sua área específica, a genialidade pedagógica que Malba Tahan usou na Matemática?

domingo, 8 de maio de 2016

Conto para o Dia das Mães

Antonio Carlos Fusatto
Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
                

Tudo começou com uma visita a um lugar que abriga pessoas idosas. Em nossa normal curiosidade, começamos a questionar, tentando entender porque tantos idosos ali concentrados!
Não teriam família, filhos, netos? Ou qualquer pessoa que pudesse compartilhar com eles um pouco do aconchego e carinho de um lar?
Foi quando chamou-nos a atenção a figura enigmática de uma senhora; idosa como os demais, mas com um magnetismo diferente dos outros; forçando-nos constantemente a voltar o olhar para aquela misteriosa mulher. Devido a nossa indisfarçável curiosidade, alguém nos confidenciou: “Está meio gagá...” “É o tempo...”, outras diziam. E outras, ainda: “De há muito foi deixada aqui... Ela é bastante velha apesar de não aparentar tanto. Dizem que foi muito rica e poderosa, estudou até no exterior”.
Passamos então, a observá-la melhor: ora olhava as pessoas como se não existissem; outras vezes, seu olhar triste, cansado, perdia-se na contemplação do vazio. Parecia até que lembranças de um passado distante convulsionavam-se em sua mente, como se coisas proibidas pudessem desnudar segredos pelos quais devaneava sua alma sofrida.
            Aproximamo-nos dela e não pudemos conter a curiosidade em saber-lhe o nome... Um leve rubor deixou transparecer, na face mutilada pelo tempo, mas cujos traços deixavam nítida uma beleza de outrora; um par de olhos azuis parecendo águas-marinhas, incrustadas num rosto macilento, à sombra de vário bucres brancos que adornavam-lhes a cabeça, emoldurando a alva tez.
            Muitos a tinham visto sorrindo demoradamente ao pôr-do-sol, até adormecer por algum tempo, recostada ao tronco de sua árvore preferida, deixando transparecer em seus lábios um sorriso quase infantil.
            “É a saudade!” diziam os que a conheceram anteriormente. Talvez saudade de uma infância perdida no tempo... Ela, mulher, mãe e avó, também fora criança, jovem e tivera uma mãe.
            Várias vezes visitamos aquela senhora, agora atraído mais pelo estranho magnetismo que pela curiosidade.
            Aos poucos ganhamos sua amizade e tornamo-nos confidentes dela. Seu nome? Não importa, passamos a chamá-la carinhosamente de vovó.
            Contou-nos fatos de sua infância e adolescência, passadas numa fazenda a região, de suas viagens para estudar, de seu casamento até a viuvez, dos trabalhos sem esmorecimento para criar e educar os filhos, hoje todos com família constituída. Enquanto tivera algum capital para distribuir aos filhos e disposição para cuidar dos netos, fora tolerada, mas, na medida que os anos foram se acumulando, e doenças minando-lhes as forças, foi por eles abandonada, e a família resolveu interná-la naquele local. A princípio, amiúde a visitavam, mas com o passar do tempo esqueceram-na completamente.
            Em minha cabeça, naquele momento, um turbilhão impedia-me de entender tanta desventura.
            Quantas noites a pobre anciã chorou e gemeu em sua solidão?...
            Num certo domingo de maio, voltamos a visitá-la para levar algumas guloseimas, e a encontramos em seu leito bastante debilitada.
            Brancas madeixas emolduravam um rosto ainda altivo, apesar da doença, deixando transparecer que, aquela mulher fora realmente uma figura bela, cheia de vida e energia.
            Olhou com espanto e emoção para os pacotes depositados sobre a cama e, de repente em lágrimas, balbuciou algumas frases quase sussurrando; beijou as mãos deste visitante, os embrulhos e todos os que estavam a sua volta.
            Com certa dificuldade, voltou a balbuciar quase monologando: “Neste dia, a maioria das mães ganham presentes e carinhos redobrados dos filhos, outras só decepções, algumas choram de saudade porque também são filhas, outras escondem o pranto no sorriso”.
            Confidenciou que durante o sono, havia sonhado o regresso junto aos seus filhos e, que na casa havia grandes preparativos para recebê-la e comemorarem o DIA DAS MÃES. Sorria envaidecida com os carinhos recebidos dos netos, que dia maravilhoso estava passando, os preparativos se intensificavam, o aroma da comida caseira tomava conta do ar, fitas multicores, papéis para embrulhar presentes, risos e algazarras dos netos enchiam o casarão do sonho...
            Estava cada vez mais fraca, mas teimava em descrever o sonho minuciosamente. Coisa incrível! Ante a evidência do que se descortinava, ela se mostrava agora com uma felicidade transcendente, como se pressentisse a aventura que estava para começar...repentinamente tudo acabou... junto com o vento que entrava pela janela, foram-se os últimos suspiros da querida “Vovó”.
            De não muito longe, chegavam os acordes do sino do campanário, chamando os fiéis para a missa e a meditação.
            Exceto eu, somente as nuvens choravam neste momento; uma chuva fina e persistente lambia os vidros das janelas, enquanto o vento, seu companheiro de todos os dias, insistia em entrar novamente, querendo talvez dar um último passeio pelo quarto.
            Um anônimo abriu uma cova no Solo Santo, que serviu-lhe de morada final, enquanto a chuvinha fria fustigava as poucas pessoas que, qual sombra no ocaso, deixavam o local silenciosamente.
             E hoje, quantas mães ainda continuam sozinhas e abandonadas pelos filhos? Quantos ainda choram e se revolvem na solidão? Quantas sonham em abraçar os filhos e dizer-lhes: ‘Valeu meus queridos, eu vos amo muito... muito..., muito!...  

sábado, 7 de maio de 2016

MÃE


                               Lino Vitti Cadeira n° 37 - Patrono: Sebastião Ferraz                                       




Quase um século, mãe, a andar de trilho em trilho,

de trabalho em trabalho e de espinho em espinho.
Pela vida a lutar, deixando a cada filho
um pedaço de amor, um sonho de carinho.

Abriste a cada qual esplêndido caminho,
deixaste-me uma luz na estrada que palmilho.
Foste rever Geraldo, o querido irmãozinho
que tão cedo se foi, como um astro sem brilho.

Se vais gozar no céu a presença divina
como prêmio final ao que com Deus convive,
vais abrir-nos a senda eterna e peregrina.

Os teu filhos estão agora, na orfandade,
mas a tua figura excelsa ainda vive
entre nós a esperar que chegue a Eternidade.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

MINHA MÂE

Elda Nympha Cobra Silveira
Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior  

Mamãe,
como a vida retira de mim
Sua presença?
Agradeço-lhe a minha nascença.
Nossos  anos juntaram-se!
Os meus junto aos seus,
Mas o tempo os truncou e...
Você partiu e foi para o etéreo,
O infinito...
Lá deve ser mais bonito!
Ultrapassei sua idade finita.
Hoje prossigo sem você,
mas com sua descendência
Vejo você nos filhos, netos e bisneto.
Eles são meus amores prediletos.
Vejo você nos abraços que recebo,
nas palavras de amor e carinho,

com que todos me presenteiam...

domingo, 1 de maio de 2016

Campos do Jordão – Amor e Paz

Aracy Duarte Ferrari
Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion

Os majestosos pinheirais
Resquícios da Mata Atlântica,
As esculturas de Letícia Leirner
Numa visão ecológica,

A Serra da Mantiqueira e seus ais
Contorna a cidade e o coração.
Nos convidam alegres a adentrar
O Auditório Cláudio Santoro.

Músico, maestro, compositor amazonense,
Fundador de importantes orquestras,
De renome nacional,
E reconhecimento internacional.

Seu nome lembrado será,
Na cidade turística Campos de Jordão.
Conhecida, visitada, apreciada,
Cultura contagiante...

A produção deste poema
Culmina com a apresentação,
Da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo.

Emocionou turistas de todo o Brasil.

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz