Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

domingo, 31 de julho de 2016

Pirada por Pira

Ipê florido na área de Lazer da Rua do Porto / foto Ivana Negri

Ivana Maria França de Negri

Piracicaba dos ipês róseos e amarelos
Da Esalq e do Engenho, tão belos
Das cascatas formosas
E das pamonhas famosas
Terra da boa gente
E da pinga ardente
Do engraçado linguajar caipira
Carinhosamente chamada de “Pira”!

domingo, 24 de julho de 2016

Dia do Escritor - Homenagens

(fotos João Nassif e Ivana Negri) 

Evento realizado no RECANTO dos LIVROS, que fica no Lar dos Velhinhos de Piracicaba

 Mural de poesias e textos dos homenageados já falecidos
Geraldo Victorino de França- escritor homenageado - aos 90 anos publicou seu quarto livro
 Escritora e poetisa Leda Coletti lendo a homenagem
 Antonio Vitti, irmão do Príncipe dos Poetas Lino Vitti, lendo um poema do irmão falecido recentemente
 Andrea, Ediana, Ivana e Ana Clara

 Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba Valdiza Capranico e Noedi Monteiro
 Professor, jornalista e historiador Noedi Monteiro durante palestra
                  Lia Carvalho,  Lourdinha Piedade Sodero Martins, Leda Coletti e Dulce Ana Fernandez
 Geraldo Victorino de França e duas das filhas: Ivana e Graziela
Paparazzi João Nassif
 Cyonea, presidente do Lar dos Velhinhos de Piracicaba
 Leda Coletti e Dulce Ana Fernandez

 Daniel, ao centro, atendendo visitantes do Recanto

 Dorinha Vitti com seu tio Antonio Vitti
 Voinho e bisneta Ana Clara

 Cida Gregolin Abe homenageando sua mãe, poetisa Virginia Pratta Gregolin
 Professor Noedi e Carmen Pilotto
 João Baptista Athayde falando em nome do CLIP (Centro Literário de Piracicaba)

Noedi e Valdiza
 Isadora, Agnes e Ana Clara
 Ana Clara e Graziela Helene
 Dançarinos interpretando a Umbigada, dança africana
 Graziela Helene e Vera Nassif
 Cida Abe e irmã e professor Cornélio
 Giovana Cassab lendo um poema de sua mãe, Marlene Abbas Cassab
 Vera e João Athayde, Noedi e Pedro Caldari
 Madalena Tricanico e Elda Cobra Silveira

Crianças amigas da leitura
 Cyonea e Ediana 
 Filhas da poetisa  Virgina Pratta Gregolin
Ediana Raetano e João Nassif
 Valdiza, Ivana, Athayde, Carmen e Madalena
Noedi e Valdiza











terça-feira, 19 de julho de 2016

Comemorações do Dia do Escritor

Comemora-se o Dia Nacional do Escritor em 25 de Julho.
Como em anos anteriores, as entidades literárias unem-se para comemorar a data: o Centro Literário de Piracicaba, o Grupo Oficina Literária de Piracicaba, a Academia Piracicabana de Letras e o Clube dos Escritores.
Neste ano serão homenageados alguns escritores piracicabanos falecidos neste século, os mais ligados aos grupos literários ou que escreviam amiúde na imprensa, como uma forma de eternizar e divulgar seus nomes e suas obras.
Também um escritor piracicabano, na ativa, será foco de homenagens, o engenheiro agrônomo aposentado e membro da Academia Piracicabana de Letras, Geraldo Victorino de França, que aos 90 anos lançou recentemente mais um livro, o quarto da série "Aprendendo com o Voinho".
O evento será no Recanto dos Livros, que fica nas dependências do Lar dos Velhinhos de Piracicaba, a partir das 9h quando o professor e historiador Noedi Monteiro fará uma palestra abordando o tema Origem e Evolução das Palavras, seguida de apresentação de dança africana.
Convidamos os familiares e amigos dos escritores homenageados para esta celebração.
Geraldo Victorino de França (Voinho)
Noedi Monteiro


Escritores piracicabanos falecidos neste século
serão homenageados no Dia do Escritor

Almir de Souza Maia
Antonieta Rosalina da Cunha Losso Pedroso
Adriano Nogueira
Antonio Henrique Carvalho Cocenza
Elias Salum
Ercilio Antonio Denny
Erasmo Prestes de Souza
Erasto da Fonseca
Euripedes Malavolta
Fernando Ferraz de Arruda
Flavio Toledo Piza
Guilherme Vitti
Haldumont Nobre Ferraz
Hugo Pedro Carradore
Homero Anefalos
Ilze Munia Correa
Lino Vitti
Ludovico da Silva
Marcos Salvador de Toledo Piza
Maria Cecília Machado Bonachella
Maria Emília Leitão M. Redi
Maria Helena Gaspar Bueloni
Marina Rolim
Mario Evangelista
Marlene Abas Cassab
Miguel Gonzales
Olênio Sacconi
Samuel Pfromm Netto
Virgínia Pratta Gregolin

terça-feira, 12 de julho de 2016

Os Voluntários da Pátria

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


Os Corpos de Voluntários da Pátria atuaram entre 1865 e 1870, durante quase toda a Guerra Paraguai (que a historiografia contemporânea tende a designar como Guerra da Tríplice Aliança), desde o início do conflito até o seu término, quando ocorreu a morte de Solano López. Contar a história de sua atuação confunde-se com contar a história do próprio conflito.
Para se entender o que foi essa guerra, há que considerar, desde logo, que o Brasil não estava preparado militarmente para enfrentar o Paraguai. Com exceção de nossa Marinha de Guerra, que era excelente, tudo o mais foi improvisado e ajustado às necessidades de momento.
O Paraguai, sim, preparou-se para a guerra. Possuía entre 75 e 80 mil homens bem equipados, com moderno armamento europeu. Era uma gigantesca máquina de guerra, preparada para tomar a ofensiva contra a Argentina (que parece ter sido a primeira ambição de López) e, se preciso fosse, contra o Brasil.
O nosso Império possuía cerca de 17 mil homens no seu Exército, dispersos por todo o território. Havia, ainda, corpos de milicianos, da chamada Guarda Nacional, teoricamente mobilizáveis, mas sem formação militar mais adequada.
O Brasil nunca se preocupara seriamente com uma guerra externa das proporções da que foi a Guerra da Tríplice Aliança. Não era provável um conflito desses. O máximo que se imaginava como possíveis seriam conflitos menores, como o de Rosas e o de Uribe. Mas, atacado por López, o Império teve as províncias de Mato Grosso e Rio Grande invadidas. A tomada de Uruguaiana pelas tropas paraguaias chefiadas por Estigarríbia acordou o gigante... e o Brasil resolveu lutar. Como fazê-lo? Recorrendo ao voluntariado.
No dia 7 de janeiro de 1865, D. Pedro II firmou o Decreto nº 3.371, pelo qual apelava para os sentimentos patrióticos do povo brasileiro e instituía novos corpos militares constituídos por “Voluntários da Pàtria”, para atender à gravíssima emergência em que se encontrava a nação.
O Governo Imperial prometeu vantagens aos voluntários: quando terminasse a guerra, receberiam um prêmio de 300 mil réis (quantia considerável, na época, pois equivalia ao maior salário mensal de funcionário público do país, ou seja, o de um Senador do Império); receberiam lotes de terra; teriam preferência nos empregos públicos; as viúvas, os órfãos e os mutilados de guerra receberiam assistência do Estado; seriam concedidas patentes de oficiais honorários aos ex-combatentes. Os escravos incorporados à luta seriam, imediatamente, manumitidos.
O próprio Imperador se inscreveu, para dar exemplo, como voluntário e foi com farda de Voluntário da Pátria que partiu para Uruguaiana, acompanhado de seu genro, o Marechal Conde d´Eu, como este narra em seu interessante livro Viagem Militar ao Rio Grande do Sul.
O Brasil todo acolheu com entusiasmo a convocação feita pelo seu Imperador. Num primeiro momento, foi grande o número de voluntários, muitos deles provenientes das famílias mais bem estabelecidas no Império. O fervor popular era enorme. Em todas as Províncias, as municipalidades promoviam o recrutamento, organizavam desfiles e paradas militares, ao som de música marcial, os poetas e literatos glosavam o feito. Em todo o Império, os jornais estavam cheios de proclamações patrióticas, como esta:
“Pela Pátria! Por Deus! Pelo Mundo! / Rugem feras no negro covil... / Fiquem mudas à voz da Bombarda! / Rolem mortas aos pés do Brasil!
“No deserto, bandeira à frente, / Respirando vingança marchai! / Ninguém saiba quem foi mais valente... / Arda em chamas o vil Paraguai.
“...Treme o solo ao tropel dos guerreiros, / Treme o céu ao troar dos canhões, / Mas não sabem tremer brasileiros,  Nem seus braços, nem seus corações.” (apud CAMPOS, Pedro Dias de. O espírito militar paulista. In: “Revista do Instituto Historico e Geographico de São Paulo”, vol. XXII, 1923).

         A guerra foi longa. Foi cruel. O entusiasmo inicial foi posto à prova. À medida que o tempo foi passando, o entusiasmo tendeu a arrefecer, de modo se tornou difícil suprir as baixas e atender às necessidades do conflito. Foram, então, adotadas algumas medidas mais severas, de modo que o que inicialmente era voluntariado passou a ser, mais efetivamente, uma conscrição obrigatória. Dessa conscrição se livravam pessoas de posses, pagando outras menos abastadas, para lutarem em seu lugar, ou até libertando escravos que fossem lutar. Foram episódios tristes, projetando sombras num quadro em que havia muita luz. 

        O recrutamento dos Voluntários paulistas



Entre os Voluntários da Pátria da primeira hora, arregimentados para enfrentar o ataque proveniente do Paraguai, foram incorporados numerosos elementos da Guarda Nacional, força paramilitar constituída por civis, instituída em 1831 e convocável em caso de conflito, quando passaria a ser corpo auxiliar do Exército nacional. Também elementos da polícia e de outros corpos arregimentados auxiliares (equivalentes, em termos atuais, às nossas Polícias Militares) contribuíram efetivamente para a constituição dos corpos de Voluntários da Pátria.
Cada corpo de voluntários era composto, regulamentarmente, por oito companhias. O número de corpos de Voluntários se elevou a várias dezenas, em linhas gerais correspondendo às províncias do Império, mas havendo diversas províncias, mais populosas, que contavam com vários corpos de voluntários. Foram esses corpos que suportaram o maior rigor da guerra, nela perdendo muitos homens.
Ao final da guerra, os sobreviventes, reincorporados à vida civil, nem sempre obtiveram tudo quanto o Governo havia inicialmente prometido. Foram injustiçados. São beneméritos patriotas que contribuíram com seu suor e seu sangue para a vitória sobre o Paraguai. Escreveram páginas das mais belas do heroísmo nacional, merecendo figurar na História do Brasil em lugar de destaque, com honra muito especial. Todos os brasileiros dignos desse nome se orgulham deles.
Como disse no meu artigo anterior, a história dos Voluntários da Pátria se confunde com a própria história da Guerra da Tríplice Aliança. Não seria possível relatar, aqui, as atividades de todos os numerosos corpos de Voluntários. Vou me concentrar no caso dos Voluntários da Pátria de São Paulo, que constituíram, inicialmente, o 7º CVP. Embora mais tarde, com as reformulações, esse corpo tenha recebido reforços de outro CVP paulista, o 42º, e mais tarde do 45º CVP, foi “o Sétimo” que marcou a História de São Paulo e nela ficou para sempre consignado.
Na “Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo”, publicação mais que centenária da qual tenho a honra de ser, no momento presente, diretor e editor-responsável, encontra-se, no vol. XXII, referente ao ano de 1923, um estudo de 180 páginas, escrito pelo então Tenente-Coronel Pedro Dias de Campos, intitulado “O Espírito Militar Paulista”. É desse estudo que extraio as informações a seguir, sobre “o Sétimo”.
Logo no início de 1865, em atenção ao Decreto Imperial de 7 de janeiro daquele ano, foi constituída em São Paulo, com sede no Largo da Sé, uma “Associação Promotora de Voluntários da Pátria”, que rapidamente recrutou um grande contingente de soldados voluntários. Esta mesma associação também fardou, armou e transportou os voluntários que formaram o 7º Corpo de Voluntários da Pátria. Esse batalhão era composto de oito companhias, tendo cada uma um capitão, um tenente e dois alferes. Como comandante, o Tenente-Coronel Francisco Joaquim Pinto Pacca, major reformado do Exército.
A nominata dos oficiais do 7º CVP, integralmente reproduzida pelo autor do estudo publicado na “Revista do IHGSP”, permite facilmente identificar numerosos elementos das principais famílias do establishment paulista (inclusive de Piracicaba), o que demonstra como a rica e poderosa aristocracia cafeeira de São Paulo deu efetiva colaboração para a formação do 7º CVP.
Eram membros de famílias de posses, eram pessoas que não precisavam de promessas de recompensas financeiras ou em terras para acorrerem ao combate. Fizeram-no por verdadeiro patriotismo. Isso ocorreu no Brasil inteiro.
Contrariamente ao que diz o jornalista Júlio Chiavenato, os Voluntários da Pátria, tal como os conservou a grata memória coletiva brasileira, não foram “um mito”, mas foram uma realidade. Houve, sem dúvida, episódios tristes e dolorosos de “voluntários” forçados e de escravos aliciados: nem tudo foi luz no quadro, houve nele também sombras. Mas destruir a memória nacional como tentou forçadamente fazer Chiavenato no seu livro Os voluntários da pátria (e outros mitos) é um erro insustentável.
Registra Pedro Dias de Campos, no citado estudo “O Espírito Militar Paulista”: “Era o 7º um corpo luzido, formado com a flor da mocidade paulistana, estuante de brio, de entusiasmo patriota e de desejos de marchar para o teatro de luta, que se feria em toda vasta fronteira do Sul. Ansiavam os voluntários pela ordem de marcha, que aguardavam, havia já seis longos meses”. 

Atuação dos Voluntários da Pátria paulistas

Falemos agora, para concluir esta série de artigos sobre os Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai, da atuação do 7º Corpo de VP, constituído em São Paulo, e do qual participaram membros de famílias piracicabanas. Durante sua formação, os 759 homens que compunham o efetivo do 7º se aquartelaram nos arredores da Capital, no atual bairro do Ipiranga. A 1º de agosto de 1865 embarcaram com destino ao Sul. Na capital da Província do Rio Grande permaneceram perto de dois meses, recebendo instrução e treinamento. Um oficial e 33 praças ali morreram, antes de entrarem em operações, devido a uma epidemia de varíola. A 7 de outubro o 7º embarcou para Corrientes, onde se juntou com o 42º, também constituído por paulistas. Ali foram passados em revista pelo General Osório, “o Centauro dos Pampas”, que deles afirmou uma frase que motivou extraordinariamente seu moral:  “Esses são soldados! E devem sê-lo, pois os paulistas, seus antepassados, foram bravos, como certifica a história”.
A 10 de abril de 1866 o 7º CVP recebeu a missão de tomar, de ocupar e manter a Ilha do Ataio – que era um ponto estratégico importante, fortemente defendido pelos paraguaios. Os nossos desembarcaram em chatas, durante a noite, e montaram rapidamente um sistema de trincheiras, com 6 peças de bateria, diante da fortaleza paraguaia de Itapiru. Foi um desafio que custou caro, pois os paraguaios, durante quatro dias, bombardearam incessantemente nosso entrincheiramento. Depois, investiram sobre os nossos, com 1200 homens bem armados e divididos em três batalhões. Os nossos resistiram até os últimos cartuchos e, faltando munição, lançaram-se sobre os paraguaios à baioneta, tendo à frente o Comandante Pinto Pacca. Morreram 153 paulistas do 7º. Ficaram estendidos no solo mais de 600 paraguaios.
Na batalha de Tuiuti, a 24 de maio de 1866, o 7º CVP "bateu-se por longo espaço de tempo com uma força de infantaria superior em número, com a cavalaria e foguetes a congreve, tendo fora de combate seis oficiais e cento e dezenove praças. A bandeira findo o combate, apresentava três orifícios produzidos por balas".
Até o fim do conflito, o 7º CVP portou-se com brio e galhardia. Seus principais combates, depois de Tuiuti, foram, ainda em 1866, os de Punta Nãró (16 e 17 de julho), Isla Carapá (18 de julho, ocasião em que morreram 40 homens do 7º) e Tujucué (a 20 de setembro). Em 1868, o combate de Estabelecimento (19 de fevereiro), Perecué/Assunção (8 de agosto), Villeta (13 de dezembro) e Angustura (30 de dezembro). Em 1869, o combate de Tupiram (30 de maio) e, depois de agosto, a campanha das Cordilheiras.
O 7º CVP permaneceu no Paraguai, em luta, até março de 1870, quando, após quase 5 anos de campanha, retornou ao Brasil.  A chegada em São Paulo, no dia 25 de abril, foi gloriosa: "A população de São Paulo recebeu cheia de jubilo e entusiasmo os valentes chegados do 7º de Voluntários naquele dia".
O 7º partira para a guerra com cerca de 800 homens. Retornava com 350, sendo que apenas 84 deles faziam parte desde o início do conflito. Durante as operações, muitas reposições haviam sido feitas, para suprir os que caíam. Cerca de 6 mil homens, que haviam integrado o 7º em alguma fase de sua atuação tombaram na guerra.
          Após o combate da Ilha do Ataio, em que se portou com extrema bravura, o 7º CVP foi condecorado pelo Governo Imperial com a Ordem do Cruzeiro do Sul. Essa insígnia se encontra, hoje, no Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, oferecida pelos heroicos combatentes paulistas. A Virgem da Conceição, Padroeira do Exército brasileiro, era também venerada de modo especial pelos paulistas do 7º., que tinham mandado bordar sua efígie na sua bandeira, a qual se encontra atualmente no Museu de Arte Sacra da Capital paulista.


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Relendo Taunay

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


É sempre garantido o prazer que experimentamos quando retornamos a um bom livro, lido décadas atrás. A perspectiva do tempo geralmente nos faz considerar com outros olhos os fragmentos que retivemos do que foi lido no passado e que, pouco a pouco, fomos filtrando e insensivelmente até modificando, pelos mecanismos misteriosos da nossa memória. Algumas ideias se confirmam, com a releitura, outras se modificam ou se esclarecem melhor. Reler um bom livro é uma forma de reviver o passado, de retornar à juventude.
Estou relendo o clássico livro de Memórias de Alfredo d´Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay (1843-1899), na edição de 1946, da Melhoramentos. Foi essa, precisamente, a mesma edição lida na minha já distante juventude.
Um fato narrado nessa obra que muito me marcou, quando o li, e que diversas vezes tive ocasião de relatar a amigos ou a alunos, desejo aqui deixar registrado. Nos tempos atuais, em que a corrupção parece tão endêmica e tão entranhada no Brasil republicano, é oportuno fazê-lo.
Conta o autor que, sendo ainda bem jovem, certo dia se aproximou dele um amigo de família, político influente e membro do governo, e lhe disse:
- Se você quiser ganhar bastante dinheiro, aplique todas as suas economias comprando ações de tal Companhia (e citou o nome de uma bem conhecida companhia de transportes coletivos no Rio de Janeiro). Ouça o que eu lhe digo: dentro de poucos dias as ações dessa Companhia vão subir como um rojão. Não me pergunte por quê... mas siga meu conselho e não se arrependerá.
Taunay não seguiu o conselho. Ainda era jovem demais, explicou ele, para se interessar por esse tipo de especulações. Mas teve a curiosidade de, pelos jornais, acompanhar a cotação das ações da tal companhia, para ver se se confirmava o prognóstico do bem informado ministro.
Mas deu tudo para trás...
As ações não apenas não dispararam para cima, mas começaram a cair, e os possuidores de tais ações tiveram consideráveis prejuízos.
Algumas semanas depois, Taunay encontrou o amigo numa das ruas centrais do Rio, e não perdeu a ocasião para o interpelar:
- Ainda bem que não segui seu conselho! Se tivesse feito essa bobagem, teria perdido dinheiro. Como é que o Sr. me deu um conselho desastrado desses?
- O que que você quer? - respondeu o ministro - deu tudo para trás por causa do Imperador...
E aí explicou tudo. A tal Companhia, que não estava muito sólida financeiramente, tinha uma concessão de serviço público. Faltavam ainda uns poucos anos para vencer o prazo da concessão. Os membros do Governo, que eram amigos dos donos da companhia, queriam salvá-la, e haviam deliberado prolongar o prazo da concessão por um período bem longo, sem que a companhia oferecesse nada em troca desse favorecimento. Era de se prever que, uma vez divulgada pela imprensa essa extensão do prazo, imediatamente as ações da companhia teriam uma valorização muito grande. Acorreriam novos acionistas com capitais e a companhia “emproblemada” sairia das dificuldades.
Os ministros, jeitosamente, lavraram um decreto redigido de modo a disfarçar o favoritismo, dando a impressão de que a prorrogação do prazo correspondia ao interesse público. O decreto ficou pronto e foi assinado pelo Ministro da pasta correspondente. Estava tudo certo... Faltava apenas a mera rubrica do Imperador.
Pois foi na hora da rubrica do Imperador que tudo deu para trás!
O Imperador estranhou que se pretendesse prolongar o prazo de uma concessão anos antes de terminar o prazo vigente. E sobretudo estranhou que se pretendesse fazer aquilo por meio de decreto governamental, sem licitação pública que apurasse se alguma outra empresa não poderia prestar os mesmos serviços em condições mais convenientes para os cofres públicos e para a população.
- E ele nos olhou tão seriamente que nem ousamos insistir - concluiu o ministro.
Bons tempos aqueles, em que a moralidade administrativa tinha um vigilante como D. Pedro II...

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Imbuzeiro, a árvore sagrada do sertão

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


De tempos em tempos, geralmente nos dois primeiros meses do ano, encontra-se à venda em São Paulo o imbu, uma fruta deliciosa proveniente do chamado Polígono das Secas, vasta região que começa no Norte de Minas Gerais, atravessa uma larga faixa da Bahia e se estende pelos Estados do Nordeste.
Conheci o imbu em 1999, quando participei de expedições de estudos, nas ruínas de Canudos. É uma frutinha verde, carnuda, com sabor acidulado e ao mesmo tempo adocicado, extremamente agradável ao paladar. Comi a fruta ao natural e, também, transformada num sorvete maravilhoso.
O imbuzeiro é uma árvore singular, que consegue o prodígio de se manter verde mesmo em períodos de seca, quando toda a vegetação em volta seca por inteiro. Suas raízes são profundas, enterram-se muitos metros abaixo do nível do solo, sorvendo, avidamente, a escassa umidade que o interior da terra consegue ocultar aos raios devoradores do insaciável Sol. Ano a ano, como em um passe de mágica, floresce e, no mês de janeiro, entrega à luz esfuziante do astro-rei centenas de saborosos frutos, que fazem as delícias dos que os saboreiam. É então a hora das tachadas de imbuzada, quando, em leite de cabra e com bastante rapadura, as mulheres cozinham os imbus e todos os sertanejos se deliciam com aquele pitéu dos deuses...
Nas épocas de seca braba, que na região por vezes se prolonga por quatro, cinco ou seis anos, o imbuzeiro beneficia a população. Suas raízes, desenterradas, possuem uma espécie de tubérculos, as “batatas de imbu”, que conservam água e podem ser sorvidas por lábios sequiosos. Depois, secas e raladas, fornecem farinha que não é muito nutritiva, mas ajuda a disfarçar a fome nas horas de aperto, Acredita-se que tenha, também, propriedades medicinais. Euclides da Cunha chamou o imbuzeiro, da espécie Spondias tuberosa, de “árvore sagrada do sertão”.
De fato, ele assume naquelas regiões um papel que simboliza a própria Providência Divina. É a árvore benfazeja que ampara os pobres e alivia seus sofrimentos.
O imbuzeiro, na sua dura luta para sobreviver em clima hostil, também é símbolo do próprio sertanejo, que é antes de tudo um forte, como escreveu o mesmo Euclides da Cunha. O sertanejo luta diariamente para sobreviver, é obrigado a extrair seu sustento pelos modos mais incríveis, é-lhe difícil e até heroico o que para outros nada custa. Mas, assim como o imbuzeiro, sabe alegrar-se com o pouco que tem e é capaz de festejar, com verdadeira alegria de alma, qualquer pequeno agrado que, inesperadamente, lhe proporcione a mãe-natureza.

Quem vê o imbuzeiro revestido de vitalidade, quando florido ou carregado de frutos, não pode imaginar quanto esforço lhe custou aquela produção. Precisou, como um camelo que atravessa desertos, conservar dentro de si, nos seus tubérculos, as reservas de umidade que lhe garantiram a sobrevivência. E se alegra por poder dispor dessas reservas, quando muitos outros seres vivos perecem à míngua de água. Assim também, quem vê o sertanejo conversando, rindo e cantando ao som de uma velha viola, esfuziante de júbilo porque caíram algumas gotas de água do céu, não pode ter ideia de quanto lutou para poder adquirir o direito de, vez por outra, iluminar o rosto com um sorriso.

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz