Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria 2025/2028

Presidente: Raquel Araujo Delvaje Vice-presidente: Vitor Pires Vencovsky Diretora de Acervo: Christina Aparecida Negro Silva 1a secretária: Elisabete Jurema Bortolin 2a secretária: Ivana Maria França de Negri 1o tesoureiro: Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto 2o tesoureiro: Edson Rontani Junior Conselho fiscal: Antonio Carlos Fusatto Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal Cássio Camilo Almeida de Negri Jornalista responsável: Evaldo Vicente Responsável pela edição da Revista: Ivana Maria França de Negri Conselho editorial: Aracy Duarte Ferrari Eliete de Fatima Guarnieri Leda Coletti Lídia Sendin Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins

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sexta-feira, 17 de julho de 2026

As rendas de minha avó


(Memórias afetivas) 

 Ivana Maria França de Negri

 

Não tive muito contato com minha avó materna, que faleceu quando eu contava apenas cinco anos de idade. Mas através de minha mãe, eu e meus irmãos, ouvíamos atentos as sagas familiares que ela ouvira desde criança.

Minha avó aportou no Brasil, recém-casada, vinda da Itália, aos dezoito anos. Nunca mais retornou ao seu país de origem que ficou guardado na memória e nas lembranças de infância.

Uma mulher muito bonita e determinada que enfrentou inúmeras dificuldades num país estranho, costumes e língua bem diferentes, e a saudade que teve de amargar pelo resto da vida da sua terra natal.

Os filhos foram chegando. Treze ao todo, mas vingaram dez.

Quanto trabalho, peças para cozer, tachos de doces, compotas, roupas para lavar, engomar, num tempo de dinheiro escasso. Mesmo com tantas crianças para cuidar, ainda sobrava-lhe tempo para bordar, tricotar e fazer crochê

Naquela época não havia empregadas, nem eletrodomésticos. Tudo era feito manualmente e em casa. As frutas e verduras vinham diretamente da horta do quintal, orgulho do meu avô.

Na última gestação, que foi gemelar, teve um parto complicado, sendo que naquela época os partos eram feitos em casa por parteiras e sem recurso algum que não fosse a experiência delas. Devido a complicações, por causa de uma hemorragia, ficou com as pernas fracas. E por conta desse problema, minha avó ficava sentada a maior parte do tempo enquanto as filhas mais velhas ajudavam a cuidar dos mais novos.

Começou a fazer rendas de crochê. Tecia metros e metros de delicadas peças, utilizando agulhas e linhas bem fininhas.

Eram trabalhos lindíssimos que ela produzia sem parar. Fios entrelaçados habilmente e as rendas prontas eram enroladas em pedaços de papelão. Entre os muitos metros de rendas brancas, havia também as azuis, cor de rosas, amarelinhas, verdes, algumas mesclando mais de uma cor, num arco-íris de encher os olhos.

Repartia os rolos de renda entre as filhas prestes a se casar para que aplicassem nas peças do enxoval, toalhas de mesa, de banho, panos de pratos. E mais tarde, para enfeitar os cueiros e mantas dos bebês que iam chegando.

Outro dia, entre os guardados de minha mãe já falecida, encontrei uma caixa repleta de rendas que para ela, eram verdadeiros tesouros.

As de cor branca estavam amarelecidas pela ação do tempo e as coloridas, um tanto desbotadas. Coloquei as brancas de molho ao sol e voltaram à brancura original, e as de cor, tiveram seus tons reavivados.

Ainda não decidi onde vou aplicá-las. Penso que ficarão lindas nos vestidinhos das minhas netas, a quinta geração da família.

Enquanto admiro o trabalho perfeito, fico imaginando no que pensava minha avó enquanto tecia as rendas. Numa época em que não existiam distrações e nem televisão, as mãos se ocupavam enquanto os pensamentos voavam. No que pensaria minha avó?

A cada laçada, um suspiro, e o coração cheio de amor, apesar das dificuldades. 

Momentos de dor, de felicidade, de saudade, todas as emoções afloradas e impregnadas nas tramas de cada peça, uma diferente da outra.

E eu revejo minha avó ora sorrindo, ora chorando, em seus metros e metros de sonhos tecidos à mão...

 


 

 

Herdei parte dessas rendas e costurei vestidinhos enfeitados com elas para minha filha. Ela cresceu, se casou, teve suas filhas, e pude ver minhas netas gêmeas usarem os mesmos vestidinhos, quinta geração de mulheres da família.  

Gratas memórias que guardo como um tesouro no meu coração.

 

 

Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz

 

                                                                                                                         (foto Arquivo Nacional)


 

Memórias que permanecem: Ermelinda Ottoni e o sonho que atravessou gerações

por Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto

Algumas memórias vivem em fotografias antigas, em cartas amareladas ou em objetos guardados ao longo dos anos. Outras continuam vivas porque permanecem transformando pessoas. Caminham pelos corredores de escolas, atravessam gerações e seguem produzindo futuros. A história de Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz é uma dessas memórias.

Ermelinda nasceu no Rio de Janeiro, em 1856, em uma família culta e influente. Desde muito jovem conheceu diferentes lugares do mundo, viajando pela Europa, Estados Unidos e Ásia. Aprendeu idiomas, observou culturas e descobriu que o mundo podia ser muito maior do que os limites que a sociedade de seu tempo costumava impor às mulheres.

Em 1880, casou-se com Luiz Vicente de Souza Queiroz. Mais do que marido e esposa, os dois tornaram-se companheiros de sonhos. Em uma época em que muitas mulheres permaneciam em silêncio diante das decisões dos homens, Ermelinda caminhava ao lado de Luiz. Participava das viagens, acompanhava projetos, compartilhava ideias e ajudava a construir objetivos que os dois acreditavam em poder transformar a realidade ao redor.

O casal desejava uma cidade mais desenvolvida, humana e preparada para o futuro. Participaram de iniciativas importantes para Piracicaba, contribuindo para melhorias que mudariam a vida das pessoas. Mas existia um sonho ainda maior: criar uma escola que ensinasse muito mais do que técnicas agrícolas. Queriam formar pessoas, criar oportunidades e abrir caminhos para gerações que ainda nem haviam nascido.

Movidos por esse ideal, viajaram em busca de referências, estudaram modelos educacionais e adquiriram a Fazenda São João da Montanha, local escolhido para o projeto da futura escola agrícola. Em 1892, fizeram algo extraordinário: doaram a propriedade ao governo com a condição de que ali surgisse uma escola dedicada ao conhecimento e ao desenvolvimento do país.

Mas a vida nem sempre acompanha os planos no tempo que desejamos. Em 1898, Luiz de Queiroz faleceu antes de ver o sonho realizado. Poderia ter sido o fim daquela história. Poderia ter sido apenas mais um projeto interrompido pelo destino.

Mas Ermelinda escolheu continuar...

Entre a saudade e a promessa feita ao companheiro de uma vida inteira, ela manteve acesa a chama daquele propósito. Seguiu em frente levando consigo não apenas a memória de Luiz, mas também a responsabilidade de proteger algo que pertencia aos dois.

Em 3 de junho de 1901, ela assistiu à inauguração da Escola Agrícola Luiz de Queiroz. Naquele momento, não se inaugurava apenas uma instituição. Materializava-se um sonho construído por duas pessoas que acreditaram que a educação poderia mudar vidas. Ermelinda assinou o livro de inauguração da escola, sendo a única mulher.

Hoje a Esalq é uma referência internacional, como centro de excelência em ensino, pesquisa e extensão universitária.

Quem atravessa os caminhos da Escola talvez veja árvores, prédios e estudantes. Mas existe algo que não aparece imediatamente aos olhos. Em cada espaço permanece a memória silenciosa de uma mulher que recusou ocupar apenas o lugar que sua época lhe reservava. Ermelinda compreendeu algo que continua verdadeiro: sonhos podem sobreviver às pessoas e, quando cultivados com coragem e generosidade, tornam-se heranças capazes de atravessar o tempo.

O legado do casal Queiroz se transformou em um sonho compartilhado que sobrevive por mais de cem anos!

Ermelinda, uma mulher especial que fez a diferença como protagonista de nossa história!

                                            (imagem de IA)


Ermelinda, uma mulher especial que fez a diferença como protagonista de nossa história!

Ermelinda apresenta a seu esposo o resultado de seu sonho

POETISAS QUE SE DESTACARAM EM PIRACICABA (In Memoriam)

 

      POETISAS QUE SE DESTACARAM EM PIRACICABA (In Memoriam)

Raquel Delvaje

 

              Piracicaba recebeu o apelido de "Florença Brasileira" e também "Ateneu Paulista", devido à sua rica herança artística, efervescência cultural e por ter sido o berço e refúgio de grandes nomes das artes. O título faz referência à cidade italiana de Florença, um dos maiores berços culturais do mundo. O principal motivo dessa comparação é o grande número de artistas plásticos, escritores, poetas, pensadores, desenhistas, cartunistas, músicos, cantores, atores, contadores de histórias que emergem nessa terra. O apelido foi eternizado no livro Piracicaba, a Florença Brasileira do jornalista e escritor Cecílio Elias Netto, que documenta a riqueza das artes piracicabanas.

              A cidade destacou-se no cenário nacional desde cedo. O renomado pintor Almeida Júnior, um dos maiores nomes da pintura brasileira, viveu e produziu obras marcantes no município. Outros artistas locais, como Alfredo Volpi e também as poetisas:

Marina Tricânico , Maria Cecília Machado Bonachella, Dulce Ana da Silva Fernandez e Virginia Pratta Gregolin, todas “in memoriam”.  Vou citar um poema de cada, que dentre tantos outros, fizeram delas grandes poetisas. Elas nasceram e/ou se destacaram em Piracicaba com suas obras, reforçando o título de berço das artes, que muito honra nossa cidade.

                                                                                (foto álbum de formatura Sud Mennucci colorizada por Ivana Negri)

MARINA TRICÂNICO

AQUELA MESA...

Aquela escrivaninha onde eu sonhava,
Aquela mesa amada e pequenina.
Era só nela em que me refugiava
Para compor meus versos de menina.

 

E, debruçada sobre ela, eu ficava
Envolta pela noite peregrina.
Cheia de sonho, ingênua, acreditava
Na cigana que lera a minha sina...

 

Ah! Se eu pudesse achar aquela mesa,
— Minha ternura— tenho bem certeza,
Ao começo da vida voltaria...

E chorando qual tímida criança,
Eu dela cobraria uma esperança,
E a volta dos meus sonhos, pediria...

 

 

MARIA CECÍLIA MACHADO BONACHELLA


DECISÃO

 

Não vou mais escrever, é minha escolha.

Hei de deixar os meus papéis em branco.

- tirem da minha frente – agora! – a folha

Ou eu mesma a rasgo, ou então, a arranco.

 

Qual garrafa ao mar tendo presa a rolha

Ou caramujo enrolado, eu me tranco.

Esta mágoa não mais meu peito molha

Estou sendo sincera, o gesto é franco.

 

Já nem mais quero rimas, ser poetisa;

O verso se despede e agoniza

Sem remorso. É o que a alma determina.

 

Não tem lugar no peito, nada inspira.

Não, nada existe: amor, ódio ou ira.

Apenas se extinguiu, secou a mina.

 

DULCE ANA DA SILVA FERNANDEZ

 

Quando?

 

Já não sei

Quando sou:

A mulher vaidosa,

Mãe carinhosa,

Vovó coruja,

Esposa-amante,

Ou uma simples poetisa.

 

Já não me importa saber

Qual delas eu sou,

As vantagens de ter mais

De oitenta anos de idade,

É poder ser todas

Ao mesmo tempo.

 

É não ter medo

De num triste dia nublado,

Ouvir cantos gregorianos,

Olhar ao espelho

E não enxergar mais,

Nenhuma delas.

 

VIRGINIA PRATTA GREGOLIN

 

PREMEDITAÇÃO

 

Se tudo fosse premeditação,

Nada aconteceria por acaso,

Nós não teríamos tanta intuição

Para elaborar o nosso próprio vaso.

 

Fazer valer nossa predileção

No cultivo da flor, se for o caso.

Quem premedita terá o seu quinhão,

Felicidade sem nenhum atraso!

 

Vai longe o pensamento comandando,

Do coração a rédea, já sem freios,

Como as ondas do mar se vão rolando.

 

Se tantas causas justificam os meios,

A premeditação vai é somando

Fatos e atos nos seus entremeios.

ORIGENS DA FESTA DO DIVINO


Elisabete Jurema Bortolin

Minha Experiência Vivida na 197ª Festa do Divino Espirito Santo de Piracicaba

 O significado deste encontro é o de relembrar que no começo da povoação de Vila Nova da Constituição, nos idos de 1700, depois Piracicaba, eram constantes as enchentes e as maleitas. Por isso, os devotos do Divino nos séculos passados, invocavam a sua proteção contra esses males. Em certa ocasião, os Devotos pediram ao Divino Espírito Santo que naquele ano não houvesse nem enchente, nem maleita na cidade. E em função disso, passariam a pedir esmolas, comida, remédios aos moradores da pequena povoação de Vila Nova da Constituição, para enviar aos moradores mais distantes da cidade, cujo acesso a esses benefícios era muito mais difícil. Então os “irmãos do Rio de Cima”, atual rua do Porto, faziam fogueiras grandes, para avisar os “irmãos do Rio de Baixo”, que iriam levar comidas e remédios aos mais necessitados. Daí a origem deste encontro que dura muitos anos. E os fogos de artificio que fazem parte da sua história.

Os fogos de hoje, mesmo que sem estampidos, são para lembrar as fogueiras do passado. Lembrando que foi o então prefeito Viegas Muniz que instituiu o encontro dos barcos no Rio Piracicaba, pela primeira vez, na festa de 1826.

Quando a Bandeira escolhe seus guardiões

Ao lado do professor Adolpho Queiroz, passamos a ser festeiros do Divino. E, sem que eu pudesse imaginar, iniciava-se uma das mais profundas peregrinações da minha própria vida.

Foi a Bandeira quem me ensinou.

Levamos a bandeira a 70 lugares que conduziu meus passos por ruas antigas, bairros, igrejas, casas simples, estabelecimentos comerciais e lugares onde a fé permanecia silenciosa, mas viva. Em cada porta aberta, um olhar emocionado. Em cada abraço, uma história. Em cada oração, a certeza de que o Espírito Santo continua encontrando morada onde existe esperança.

Neste ano, a grande atração do leilão foi uma Imagem de Nossa Senhora Aparecida, doada pelo cantor Daniel, aliás José Daniel Camilo, que saiu de Brotas para encantar o Brasil, que foi o maior arremate já conhecido na história da festa. Superando, em muito, os lances dados para a compra das leitoas e outras prendas ofertadas.

O encontro dos barcos

A experiência de ter ido no Barco dos Irmãos do Rio de Cima, para encontrarmo-nos com os barcos dos remadores, representando os Irmãos de Baixo, foi inesquecível.

Quando embarquei levando a Bandeira-Mãe, compreendi que algumas experiências não cabem nas palavras.

O Rio Piracicaba parecia guardar, em suas águas, a memória de quase duzentos anos de fé. Das pontes, das margens e das embarcações surgiam aplausos, orações, lágrimas e sorrisos. A cidade inteira parecia respirar no mesmo compasso.

No barco seguiam três bandeiras. A tradição dizia que apenas a Bandeira-Mãe deveria navegar. Naquele dia, porém, duas outras a acompanhavam.

Enquanto as observava balançando ao vento, uma compreensão silenciosa tomou conta de mim. Não procurei explicações. Apenas senti.

Ali estavam, para meu coração, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

A Trindade navegava sobre as águas do velho Piracicaba, restando apenas uma paz profunda.

No ritmo da Congada

Após a missa da passagem da bandeira para o próximo casal festeiro, acontece a Congada. Ver as senhorinhas e senhorzinhos vestidos com traje oficial da festa. Roupa Branca, com fitas vermelhas, gravatas cheias de medalhinhas, boina branca com o símbolo da Irmandade, sapatos brancos e meias brancas. Um cuidado nas vestes que demonstram o carinho, o amor pela festa de fé e tradição.

Nos passos compassados dos congadeiros, nos bastões marcando o ritmo e, sobretudo, na alegria serena estampada no rosto de homens e mulheres que mantêm viva uma tradição secular.

Participei junto com o pessoal quando foi aberta a roda para todos participarem. Ritmo suave, gostoso, batida forte e firme.

Ser festeira do Divino foi, para mim, muito mais do que uma honra. Foi uma convocação da própria história de Piracicaba para que eu pudesse compreender, enfim, que a fé também se escreve também se canta e também se navega.







Desde então, a Festa do Divino deixou de ser um acontecimento do calendário.

Passou a habitar, definitivamente, a memória e o coração.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Palacete Luiz de Queiroz - Piracicaba

 


Ivana Maria França de Negri

 

Sempre tive curiosidade de conhecer esse casarão imponente que desperta o fascínio das coisas antigas, da história da nossa cidade

Às vezes passava em frente, quando fazia caminhadas, e pelas frestas do portão, sempre fechado, visualizava a imponente fachada em tons de rosa e branco, o pórtico rendilhado das janelas e as paredes entremeadas de musgos.

O chafariz de dois andares compunha o cenário de contos de fadas. E a verdejante  floresta emoldurando a paisagem.

Mas eis que surge a oportunidade de visitar esse casarão e eu não poderia perder por nada! Antiga Vila Aretusina, o palacete foi construído para ser moradia de Luiz Vicente de Souza Queiroz e sua esposa Ermelinda, mais tarde conhecido por "Seio de Abraão" por sua beleza histórica, e por fim, mudaram para Palacete Boyes quando foi vendido para  a família Boyes, que utilizou a mansão até o fechamento da fábrica, quando o imóvel ficou abandonado por muito tempo, até que o empresário Arnold Fioravante o arrematou num leilão e o restaurou. Recentemente foi tombado pelo CODEPAC.

Construído no século XIX, na década de 1870, guarda a imponência do estilo neoclássico.  Um casarão que se integra com a paisagem ribeirinha e tem até uma cachoeira cantante em seu quintal, cercado de vegetação nativa que abriga árvores centenárias gigantescas.

Graças ao projeto Village Art Decor, do empresário Bruno Chamochumbi, que congrega um pool de arquitetos, paisagistas, designers e decoradores, os portões se abriram para a população, mas corram comprar seus ingressos porque é por tempo limitado!

O passeio inicia-se pelos jardins. A cada passo, uma surpresa... Além da exuberante floresta e da cascata, um pequeno cemitério com lápides aguça a curiosidade. São tumbas dos inúmeros animais de estimação que por ali viveram.

Fecho os olhos e imagino Ermelinda Ottoni e seu amado Luiz de Queiroz, de braços dados passeando pelos jardins num final de tarde, o sol se pondo no horizonte, o perfume das flores invadindo o ambiente, o canto dos pássaros e o borbulhar da cachoeira. Tudo natural, sem carros passando, sem interferências, naquele paraíso particular.

Olhando para o chão, os belíssimos mosaicos, levantando o olhar, os lustres de cristal. Ao pé da escadaria, a adega, onde dá pra sentir a umidade geladinha ao colocar as mãos nas paredes pétreas. Quanta magia!

Lá fora, centenas de carros por conta da Festa do Divino, rojões ensurdecedores. Mas lá dentro, o sagrado se perpetuando na imagem da santa numa redoma, paredes guardando segredos, degraus que foram guardiões de histórias, de alegrias e tristezas, de emoções que nunca ninguém saberá, só quem viveu naquele refúgio.

Muitos detalhes como o elevador de alimentos, que levava a comida quentinha direto da cozinha para a sala de jantar. Cristaleiras antigas que guardam louças inglesas e copos de cristais da Alemanha.

Fico imaginando os saraus que aconteciam, regados a vinhos importados, e as vestes elegantes das damas, de sedas, cetins e rendas, ostentando lindas joias. E os trajes sóbrios dos cavalheiros, casacas de tweed inglês, coletes e abotoaduras de ouro.

A mansão histórica teve a honra de receber como hóspedes, Dom Pedro II, o presidente Washington Luís e o famoso escritor e poeta britânico Rudyard Kipling, criador de Mogli, o Menino Lobo, ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1990.

O sol começava a bocejar no horizonte e a escuridão da noite desbotava as cores. Viemos embora. Mas a magia permaneceu em mim...





































Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2- Maria Madalena t Tricanico de Carvalho Silveira- Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Marcelo Batuíra da Cunha Losso Pedroso - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Christina Aparecida Negro Silva - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11- Antonio Filogênio de Paula Junior-Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz de Arruda Pinto
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Lídia Varela Sendin - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Shirley Brunelli Crestana- Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Marcelo Pereira da Silva - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Carmelina de Toledo Piza - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Angela Maria Furlan – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35- Elisabete Jurema Bortolin - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Eliete de Fatima Guarnieri - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Capranico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz