Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras 2018/2021

Presidente– Vitor Pires Vencovsky
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeira Secretária – Ivana Maria França de Negri
Segunda Secretária – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Primeiro Tesoureiro – Edson Rontani Junior
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal
Andre Bueno Oliveira
Alexandre Neder
Walter Naime

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Evaldo Vicente
Edson Rontani Junior
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto



Seguidores

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

É PRIMAVERA AQUI!

 




Elda Nympha Cobras Silveira

 

A Primavera se apresenta em tudo

Nos ares, nas matas e...

Também no meu jardim

Quando desponta no vaso,

Distraidamente e  por acaso.

Uma linda flor.

 

Passarinhos trazem sementes,

Muitas vezes por sobre o gradil.

Vêm buscar água fresca e...

Pagam meigamente,

Com flores de varias cores,

Podem trazer até mil!

 

 Penso ser uma delas.

Em  vidas paralelas.

Linda, cheirosa...   seria  eu  uma rosa?

Uma açucena, ou um jasmim?

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Um presente na semana de Thales

Nesta semana em que se comemora os 130 anos do nascimento do escritor Thales Castanho de Andrade, a Academia Piracicabana de Letras recebe um presente precioso: uma coleção de livros originais e autografados pelo próprio Thales.
A generosa doação de Theresa de Jesus dos Santos Bonsi vem enriquecer o acervo da APL.












quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Thales Castanho de Andrade: 130 anos de nascimento




Thales Castanho de Andrade: 130 anos de nascimento

Vitor Pires Vencovsky
Presidente da APL


No próximo dia 15 de setembro serão comemorados os 130 anos de nascimento do piracicabano Thales Castanho de Andrade. É uma data importante que merece ser relembrada e comemorada pela grande contribuição que esse educador representou para o desenvolvimento da literatura brasileira.
Foi um dos pioneiros da literatura infantil, principalmente à relacionada ao tema ecologia. Estava muito adiantado para a sua época, pois priorizava em suas publicações a importância do uso adequado dos recursos da natureza para evitar o desequilíbrio dos ecossistemas.
Sua obra literária, composta por quase 50 publicações, foi desenvolvida numa época em que o país era uma sociedade agrícola ou agroexportadora, portanto, o ensino rural era fundamental para atender os filhos dos agricultores. Suas publicações destacavam que a preservação do Meio Ambiente era condição fundamental para a manutenção da produção agrícola. Seu livro O Fim do Mundo é o único que não tem um final feliz, pois o mundo chega ao seu final justamente pela não manutenção do equilíbrio da natureza.
Thales Castanho de Andrade atuou por 31 anos como educador, 4 anos e meio como assistente técnico do ensino rural e 7 anos e meio na Diretoria Geral de Educação do Estado de São Paulo, sendo um de seus diretores. O trabalho de sua vida reforça como é importante realizar uma educação básica fundamentada e de qualidade, cujos investimentos nessa fase das crianças são os mais acertados para garantir futuros cidadãos.
Saudade, escrito em 1917, foi seu livro mais famoso, utilizado amplamente nas escolas na formação do ensino fundamental até os dias atuais. O sucesso dessa publicação rendeu inúmeros elogias à época: “Saudade fica sendo, de agora em diante, indiscutivelmente o padrão da nossa literatura didática” (Sud Mennucci); “No Brasil, país essencialmente agrícola, o Saudade é o livro ideal”; “No Estado de São Paulo, terra da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, o Saudade é o livro obrigatório”; “Em um programa de ruralização do ensino, Saudade é o livro dos livros”.
A data natalícia de Thales, considerado a maior criança-grande do Brasil, será comemorada no mês de setembro com diversos eventos organizados pela Academia Piracicabana de Letras e Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba. No dia 15 será feito o relançamento do site www.thalesdeandrade.com.br, que contém grande acervo de documentos, fotos e publicações. De Piracicaba para todos os cantos do Brasil, Thales Castanho de Andrade continua sendo uma referência na literatura infantil e ecológica. 

 A filha da floresta 
                 Carmen Pilotto

Descobrindo Thales de Andrade

No peito de um sonhador cabem florestas
Ora fechadas em arbóreos pesados,
Ora explicitas em clareiras rasgadas
E de verde-vivo alimentam almas

Andando, andando, rumo a oeste
Thales atravessou cidades, vilas e povoados
Deparando-se com a mata devastada
E seus olhos se evaporaram em pranto

Uma velha árvore permaneceu altaneira
Amparando a deusa protetora da selva
Resquício do saudoso recanto tranquilo
Última aragem de uma esperança revitalizada...

Lembrando Thales
Ivana Maria França de Negri

A literatura infantil, quer escrita, quer contada, é fascinante. Crianças adoram ouvir, ler e também contar histórias. Seu imaginário é fértil e elas vivenciam as histórias lidas ou que lhes são contadas.
O escritor piracicabano Thales Castanho de Andrade, está sendo homenageado pelos 130 anos de seu nascimento, em Setembro de 1890.
Autor de cerca de 50 obras, foi precursor da preservação da Natureza numa época em que nem se pensava em ecologia. Seus quatro livros da coleção “Encanto e Verdade” são verdadeiras jóias que toda criança deveria ler. São eles: A Filha da Floresta, El Rei Dom Sapo, Bem-te-vi Feiticeiro e O Fim do Mundo.
Sua obra A Filha da Floresta fala sobre a devastação das florestas. El Rei Dom Sapo conta a história do Agapito, menino rejeitado e de má índole, mas que depois de vários acontecimentos, muda suas atitudes e passa a ser um defensor ferrenho da natureza. São obras belissimamente ilustradas pelo artista Alípio Dutra e publicadas pela Editora Melhoramentos, dignas de serem adotadas por escolas de todo o país, e divulgadas mais amplamente.
Minha neta Ana Clara, quando tinha apenas 4 anos, adorava as histórias do escritor Thales Castanho de Andrade, principalmente El Rei Dom Sapo. Meu marido contou certa vez a historinha e ela gostou tanto que pedia a ele que a recontasse todos os dias. O personagem Agapito era o seu preferido.
Certa vez, passeando pelo Shopping, entramos numa livraria, e duas moças, contadoras de histórias, entretinham um pequeno grupo de crianças. Com roupas coloridas, trejeitos e gestos espalhafatosos para dar ênfase a cada frase, as contadoras pareciam mesmo encantadoras de crianças.
Ana Clara se interessou pelas histórias e sentou-se no tapetinho com as outras crianças para ouvir também. Quando as moças terminaram, pediu: - “Conta agora a história do Agapito!”. As duas contadoras de histórias se entreolharam. E ela continuou: -“meu avô sabe!” Ao esclarecermos que era um personagem do livro de Thales Castanho de Andrade, elas confessaram desconhecer a história e o autor.
Como duas piracicabanas que contavam histórias não sabiam quem foi Thales Castanho de Andrade?  Ele é considerado o fundador do gênero infanto-juvenil, que antes era atribuído a Monteiro Lobato. Constatou-se que Thales publicou o livro “A Filha da Floresta” em 1919 e Lobato editou “Reinações de Narizinho” três anos depois, em 1922. Lobato foi destituído do título que passou a ser de Thales.
O garoto Tiago, que foi alvo de matéria na Gazeta, é uma criança que ama ler! E já “devorou” os livros da coleção do Thales, sempre incentivado pela mãe Alessandra. E qual o presente que ele gosta de ganhar? Livros! O amor pela leitura que se forma na infância, perdurará pelo resto da vida.

A Associação Amigos de Thales, com muito empenho e união,  conseguiu a impressão de três mil exemplares desses livrinhos que foram distribuídos nas bibliotecas e escolas. E é preciso dar continuidade a esse louvável trabalho para que a memória de Thales se perpetue e seu rico legado seja conhecido pelas novas gerações.

Thales Castanho de Andrade
1891 – 1983

Ésio Antonio Pezzato

Se Thales não cresceu e sempre foi criança,
Por que tivemos nós de nos tornar adultos,
Perder do coração a efêmera esperança
E dos sonhos pueris esmagar nossos cultos?

Hoje dias sem sol nublam nossa lembrança
E fantasmas de dor arrastam os seus vultos.
A ciranda morreu e sepultou a dança,
Nossos sonhos azuis hoje seguem ocultos.

Se Thales mesmo adulto era um simples menino
E de cores povoou nossos sonhos dourados,
Em qual atalho foi que erramos o destino,

E crescemos sem fé, entre dores e miasmas,
Sem sorrisos de sol e sem sonhos alados,
E colamos em nós, máscaras de fantasmas?



O Encantador de Crianças
Elisabete Bortolin

Thales Castanho de Andrade, piracicabano da gema, fomos privilegiadas com tal presença em nossa cidade. Oh! Thales, Saudade suas entre nós que vivemos um momento de isolamento dentro de nossas casas impedidas de sair às ruas por conta da pandemia. Quais novas histórias você nos contaria sobre esses dias?
Você nos brindou com maravilhosas histórias contadas com muita emoção. As crianças ficavam embevecidas ouvindo o que acontecia com cada personagem dos seus livros.  Que legado você nos deixou.
A Filha da Floresta se você vivesse em 2020, veria as queimadas e incêndios volumosos acabando com nossa Amazônia, dilapidando as árvores por conta da ganância de madeireiros. Oh! Thales ainda bem que você não está presente para ver isso.
El Rei Dom Sapo, o que ele nos diria das águas poluídas dos nossos rios Piracicaba e Tietê?
Bem Te Vi Feiticeiro, precisamos de seu encantamento e feitiçaria para acabar com quem faz tráfico de animais em nosso país. Os setores governamentais responsáveis, não tem dado conta de vencer mais esse tipo de corrupção.
Bela, A Verdureira, se você soubesse quantos tipos de agrotóxicos estão contaminando nossos legumes, verduras e plantações, ficaria decepcionada.
Árvores Milagrosas, poderosas que nos dão sombras, renovam o ar que respiramos, nos oferecem seus frutos e nos encantam com suas flores. Ainda nos resta a esperança de replantar árvores ao redor do mundo. As sementes da vida sempre se renovam.
Vida na Roça e Fim de Mundo, voltar a viver na roça, saindo dos centros urbanos, muitas famílias tem feito essa opção. Fugir desse concreto armado, quente, que sufoca e nos distancia da natureza. Esse será o Fim do Mundo se a população não voltar a reconhecer o valor da Vida na Roça.
Campo e Cidade, O Sono do Monstro que quer devorar a vida de quem está submerso em sonhos de devastação. Assistindo em redes sociais devaneios que se transformam numa realidade cruel.
Rainha dos Reis, Praga e Feitiço, traz para nossas crianças a volta das brincadeiras de pura alegria como pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, cabra-cega, vividas ao ar livre sem a contaminação das telas do universo digital de hoje, com gosto de sorvete de isopor.
O Capitão Feliz, A Fonte Maravilhosa, seria a água o elixir da vida, capitaneada finalmente por pessoas que sabem cuidar da saúde da população?
Itaí, o Menino das Selvas, O Mistério das Cores, Estamos num mundo onde o progresso quer derrubar todas as Selvas que encontrar onde aprendemos que vida é cor, vibração e energia.

Flor do Ipê, O Melhor Presente, que árvore magnífica é o ipê, um dos símbolos de nossa querida Piracicaba. Realmente o melhor presente que recebemos foram todos esses livros como um legado para nossa cidade através da Maior Criança Grande do Brasil de seu venerável e honrado Professor Thales Castanho de Andrade. 

COMO SEU THALES SABIA?
Elda Nympha Cobra Silveira

 Deitada no tapete
Apoiada em meus braçinhos
Lia avidamente “A filha da Floresta” e...
De repente...
Tudo se tornou confuso!
Como que o “seu”Thales “ Castanho de Andrade
Conseguiu  escrever daquele jeito?
Ele não era mais criança!
Será que ele entrou no túnel do tempo?
Só nós entendemos os  animais,
Claro são nossos amigos!
Só quem morou em fazenda
Conhece esse jeito gostoso de viver.
Ah! Para mim, e vou dizer para meus amiguinhos.
Ele ainda deve ser criança.


UMA HISTÓRIA VERDADEIRA
Aracy Duarte Ferrari

“...Cívicas lições de amor a vida rural
respeito ao homem do campo e orgulho pela nacionalidade...” (Senado...1990)

O professor Thales Castanho de Andrade, piracicabano, ruralista número um, realizador de seus sonhos, foi professor e deu aulas na rede pública de ensino,durante parte de sua vida. Foi pioneiro da leitura infantil, conforme registro e elogio do escritor e amigo Monteiro Lobato e notabilizou-se com romance juvenil, infanto-juvenil, chamado “Saudade”, escrito em 1918.
            Em suas obras, Thales deixou explícitas regras precisas para a proteção do meio ambiente, alertando sobre as prováveis conseqüências, caso o ecossistema não fosse respeitado e tratado corretamente. Era um intencionalista ecológico.
            Ao perceber, naquela época, a chegada rápida do desequilíbrio ecológico, iniciou um trabalho direto com as escolas, propondo soluções viáveis para muitos problemas, e toda a teoria e a prática desenvolvidas, estão inseridas nos seus livros “Filhas da Floresta”, “Bem-te-vi”, “Feiticeira”, “Bela”, “A verdureira”, “Árvores Milagrosas”, “A Fonte Maravilhosa” e “Flor do Ipê”,  deixando bem claro o seu objetivo prioritário de proteger o meio-ambiente.
            Thales soube, como ninguém, utilizar a habilidade de contador de histórias para despertar a imaginação infantil, incessante e modificadora, preparando os jovens para serem futuros defensores ecológicos em sua própria casa, local de trabalho e na comunidade.
            O trabalho incessante do educador teve bons resultados mas poucos recursos foram destinados, naquela época, para a ecologia, ou para alicerçar os seus projetos pioneiros. Mesmo atualmente, quando a sociedade está muito mais preocupada com os altos riscos que representam o desequilíbrio das forças da natureza, e acha importante investir em projetos e dar suporte operacional a tudo que possa proteger e recuperar o meio-ambiente, a obra de Thales de Andrade continua relegada à segundo plano.



Brincando com textos de Thales
Ivana Maria França de Negri

(Saudade
Fim do Mundo
A  Filha da Floresta
El Rei Dom Sapo
Bem-te-vi Feiticeiro)

Explorar o Universo infantil
É tarefa mais que sutil

Mesclar sonhos  com diversão
Encantamento e paixão

A magia da natureza
Envolve  muita beleza

Há também bichos falantes
Em  sagas mirabolantes

Vive-se muita aventura
Alegria na forma mais pura!

E o Bem-te-vi feiticeiro
Não passa de um simples  mateiro...

No reino da fantasia
Um Rei Sapo é só alegria

E o garoto Agapito
Faz na história todo agito

Luta a Filha da Floresta
Contra a devastação funesta

E as Histórias do Fim do Mundo
Momento de reflexão profundo

Mas o  mais belo, na verdade
É o seu livro Saudade...


Thales Andrade, criança grande...
                  Leda Coletti

Todos somos crianças grandes. Quem não tem sonhos?
Quando menos esperamos, estamos a construir castelos na areia, como as quando estão nas praias .Mas., a maré  vem e eles se desfazem....
Thales Castanho de Andrade foi um sonhador. Seus sonhos eram ricos de idealismo e como tais, não poderiam diluir como os castelos construídos em terreno arenoso e por demais movediços. Para isso buscou um solo fértil - o da Educação-, conhecedor que era das almas infantis e juvenis. Era autêntico educador.
Com histórias, envolvendo personagens humanos, animais e vegetais, ele ensinou ecologia a escolares, desde as primeiras décadas do século passado e continua a fazê-lo  nos dias atuais, através de suas ricas obras literárias.. Associa a essas lições ecológicas, civismo e fraternidade, passando-nos a mensagem da harmonia de se viver num mundo em que todos se entendem e se juntam para preservar o que é bom: na natureza, no  ambiente em que se vive  e para o que lhe faz bem, sobretudo ao coração.

Nós piracicabanos rendemos um preito de gratidão àquele que semeando palavras a granel, conseguiu produzir frutos que se multiplicarão pelas gerações futuras.



Lufa-lufa de Dom Sapo
                                           Carmen Pilotto

                                   Brincando com os títulos biográficos
                                   de Thales de Andrade

Saudade
Do campo ou da cidade?
De ler brincando o Campo Feliz
E enxergar a estrela mágica
Como o melhor presente
Ou a caminho do céu

Sapos coaxam entre árvores milagrosas
Visões de encanto ou de realidade?

Saudade
Da praga da cidade
Ou do feitiço do campo?
Do feitiço do campo?
Do campo?

Saudade, saudade
De uma história de verdade...


Thales Castanho de Andrade e eu
Cássio Camilo Almeida de Negri

            Revolvendo os escaninhos de minha mente, nos meus profundos “sankaras” desta encarnação, procurei pela primeira história que eu me lembrasse de ter ouvido na vida.
            Meus pensamentos foram progredindo até a idade de quatro anos.
            Me vi sentado no chão forrado com um pano de algodão branco, parecendo um saco de açúcar alvejado. Pernas cruzadas, e ao meu lado, uma jovem negra de uns vinte anos, também sentada na minha frente, contando-me uma história.
            Ela era semi analfabeta, mas conhecia muitas narrativas e lendas, e eu adorava ouvi-la.
            Vi essa moça negra, de riso fácil envelhecer, tornar-se uma idosa e falecer aos 82 anos. Foi minha segunda mãe e me acompanhou em toda trajetória de vida.
            Mas voltando aos quatro anos, sentado no saco branco alvejado, que ela dizia que era para eu não tomar a friagem do chão de cimento vermelho, ela me contava a história do Agapito. Eu conhecia a história de Thales Castanho de Andrade intitulada El Rei Dom Sapo, como a história do Agapito.
            Sempre que meus pais saíam para dar aulas, eu ficava com ela, sentávamos nos panos e eu pedia:
            -“Bá (o nome dela era Sebastiana), você me conta a história do Agapito?”
            Quando ela terminava, ainda me contava as fábulas de Esopo, Branca de Neve, A raposa e as uvas, e também contava as lendas de Piracicaba como a da Inhala Seca e do Capitão Nhô Lica. Mas a que eu mais gostava mesmo era a história do Agapito.
            Meus pais eram professores, e como mamãe tinha sido aluna do professor Thales, tínhamos em casa o livro Saudade e os pequenos livros ilustrados de histórias infantis. Eu observava as figuras, como a do capítulo I e do capítulo XI, onde existe uma casinha, uma mulher dando milho para as galinhas e um mastro de festa de São João no terreiro.
            Eu me imaginava brincando feliz nesse pátio poeirento de terra, esperando que a porta da casinha se abrisse e de lá saísse o Agapito para brincar comigo.
            Já um pouco maior, minha mãe contava sobre Thales, seu professor, e até quando nos deliciávamos com a Cotubaína, ela dizia que a fábrica era da família Andrade e ficava defronte à Escola Moraes Barros.
            Já adulto e avô, tenho saudades da minha netinha Ana Clara pequena (agora adolescente) me pedindo:
            “Vovô, conta a história do Agapito para eu dormir?” E sempre, logo após Nhô Fidelis e Nhá Vicência terem encontrado o bebê negrinho abandonado na porta de sua casa, ela já estava dormindo...

Obs: Quem ficou curioso para saber de toda história, leia El Rei Dom Sapo e todas as outras histórias desse escritor pioneiro, e deguste as lições de ecologia em cada narração, na minha opinião, maior que Monteiro Lobato. Só que este, teve muito mais propaganda e divulgação de suas obras.

FLOR DE IPÊ   
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins

Entre ricas paisagens campestres
Nasce  disputa de amor!
Dócil e gentil donzela
é cortejada por dois:
um jovem, sensato rapaz
e um senhor “cobiçador”!
Ambos, aos fins de semana,
visitam a família feliz:
o  sincero apaixonado
e o velho galanteador!
De  olhos na bela  garota
O “duo” não se contém.
Cada qual  à sua maneira
na  luta por conquistá-la
exibe, naturalmente,
o que lhe passa na alma!
As imagens, gestos mostrados
revelam  os sentimentos...
Final da história, só lendo!
À custa de aposta sutil,
e “pacto” bem humorado
vence o amor, a felicidade
ao abraço das flores douradas
do cupido Ipê Amarelo!


Um encontro inusitado no presente/passado
Christina Aparecida Negro Silva

Jamais me esquecerei daquela tarde de verão...
Descia desanimado a rua que ladeia o rio Piracicaba, observando o triste fio d’água a tentar encobrir as pedras do Véu da Noiva, cachoeira sem água, ossatura de pedras brancas, consequência do excesso de produtos químicos nas águas do rio, quando, perto do Museu da Água, ouvi um farfalhar de folhas nas poucas árvores dali. Sem nem eu mesmo entender o porquê, desci o barranco e me encaminhei para onde o som do canto de um sabiá me indicava.
Momento estranho, as poucas árvores tornaram-se frondosas, o mormaço da tarde foi trocado por um frescor verdejante e vi, a poucos metros de mim, um menino que parecia procurar algo no chão, coberto de folhas secas e flores. Flores? Mesmo o rio, há pouco tímido em volume d’água, estava caudaloso e a linda cachoeira vertia feliz suas águas borbulhantes. O barulho de carros foi substituído por gorjeios de pássaros e aplausos de folhas à fresca brisa.
O menino parecia saído de um álbum antigo, trajava um uniforme escolar azul marinho com camisa branca. Camisa? Muito esquisito aquilo tudo, sem camiseta, tênis ou boné, o menino olhou-me chegando e disse – Ah, pensei que fosse ela. Ela? Quem seria?  Uma namoradinha, talvez. Com a curiosidade aguçada, perguntei: -- Quem? Ele pousou seus olhos vívidos em mim, respondendo: -- A FILHA DA FLORESTA! Eu a encontrei aqui, certa tarde, atraído pelo canto de um sabiá. Eu estava enlevado, quando senti a presença de alguém que me observava, assim como você fez há pouco. Então, eu me virei e a vi: uma linda moça de olhos claros, cabelos cor de mel, vestida de verde e sorrindo para mim. Antes que pudesse perguntar qualquer coisa, ela me disse:
Sou a FILHA DA FLORESTA, não te assustes! Minha mãe me protege, é ela quem me alimenta, pelas folhas de seu arvoredo se evapora tanta água, tanta, até que o ar se umedece e assim atrai as nuvens e as deixa tão pesadas que os ventos não as podem arrastar...Depois sob a copa protetora das árvores, esconde e guarda toda água que as nuvens derramaram e quando o sol vem, não as pode beber. Eis porque as fontes não param de jorrar...
Eu estava boquiaberto. Um menino vestido à antiga, saído de um tempo passado, contava uma história fantástica, com precisão descritiva de adulto. Não notando minha admiração, ele continuou sua narrativa. – Ela pediu minha ajuda! Como eu, um menino de dez anos, posso ajudá-la? Eu vim aqui hoje para que ela me esclareça isso...será que você pode me auxiliar a encontrar essa resposta? A FILHA DA FLORESTA ainda continuou me dizendo:
Eu sou a fonte – passo a vida inteira dando de beber a todos: aos homens, ao gado, aos passarinhos, às flores perfumosas, às hortaliças e às árvores boas que dão frutos. Sei que tu és amigo das plantas e agora que te desvendei meu segredo, que pedir-te que me ajudes, pois já sabes que a destruição das matas é a minha sentença de morte. Ora, a minha morte será a morte dos animais, das plantas, a desgraça do Homem. Ajude-me!
O menino continuou falando –Aproximei-me, mas antes que conseguisse tocá-la, ela sumiu, assim, por encanto. Apenas uma borbulhinha de água vi saindo debaixo da terra, bem aí onde você está, do seu lado direito – apontou ele para uma fontezinha que eu nem havia percebido antes. Sem saber o que pensar (nem sabia onde estava) naquele clima surreal, ouvi-me dizendo: a FILHA DA FLORESTA deu-lhe uma missão, você vai crescer, desenvolver seu conhecimento sobre Ecologia e deverá deixar registrado na História tudo que aprendeu como legado às futuras gerações. Tenho a convicção de que ela quis dizer-lhe isso ao pedir a sua ajuda, para que você oriente as pessoas para preservarem os mananciais, visando salvar o planeta da destruição que o próprio homem, por ignorância, está praticando. Quem sabe, um dia, você vai escrever sobre isso para ensinar as crianças sobre a importância da água, da floresta, da Natureza e ...O menino sorria e, olhando para mim com real satisfação, disse: -- Muito bem, Sílvio, agora você começou a entender.
Como ele sabia meu nome? Epa, que estranha sensação! Uma onda de calor, cheiro de poluição do rio, uma sonoridade moderna invadia agora aquele RECANTO TRANQUILO de segundos atrás. O menino sumira, onde estariam as flores perfumosas, o frescor do arvoredo, a fonte tímida a jorrar suas águas cristalinas? Em seu lugar, notei um pequeno e antigo livrinho. Ao ler o seu título na capa, realmente, entendi tudo!
A partir daquele encontro inusitado, minha vida mudou literariamente. Busquei ajuda com amigos para reimprimir o livrinho- A FILHA DA FLORESTA, do escritor Thales Castanho de Andrade, meu amigo, por quem tenho uma eterna gratidão, pois despertou-me o desejo de expandir seus ideais de preservação à natureza para as crianças e jovens, através de suas narrativas fantásticas e tão ricas em ensinamentos sobre ecologia, ciência que usou com desenvoltura nos enredos de seus livros:  EL REI DOM SAPO, COLIBRI FEITICEIRO, A FILHA DA FLORESTA e SAUDADES.

A Thales, meu reconhecimento e gratidão.

A RUA DA MINHA SAUDADE

Carmelina de Toledo Piza

Na rua em que vivi
De terra batida e pisada
De pé no chão
Jogava amarelinha e rodava pião.

Tinha:
Polenta da Dona Helena,
A jabuticaba da Vó Glória,
A manga da Dora e da Dona Adelaide.

Na rua em que vivi
Com cheiro de terra molhada
Soltava pipa e brincava com boneca de pano,
Mãe da rua e queimada.
De pega-pega e esconde-esconde.

A saudade bate no coração
Na leitura do livro de Thales Castanho de Andrade
Vem na memória uma infância rica de pé no chão.
Saudade!

Na rua em que vivi
Saudade marcada
No corpo, nas histórias que ouvia
Nas cantorias dos cururueiros.
Saudade! Saudade! Saudade!

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Tempo e Saudade



Aracy Duarte Ferrari

Outrora o tempo era colorido, harmonioso, irradiava bons fluídos. As famílias eram grandes e os seus membros continuavam a tecer o futuro, com o mesmo fio da meada utilizado no início das gerações precedentes. Os padrões de comportamento já estavam cristalizados, de acordo com sólidas diretrizes.
Os adultos moldavam de maneira exemplar os imaturos, preparando-os para conviver em sociedade. O simples olhar de uma pessoa mais velha era tão forte que disciplinava os mais novos aprovando ou rejeitando alguma atitude praticada sem a necessidade de palavra alguma. Era utilizado também o assovio ou uma expressão gestual.
Assim os jovens aprendiam a ser honrados, honestos e produtivos. E essas expressões não eram apenas palavras no dicionário, mas valores importantes no procedimento das pessoas. Mas tudo apoiado na base do amor.

Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2-André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra (in memoriam)
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11- Luciano Martins Verdade-Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz de Arruda Pinto
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Lídia Varela Sendin - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior (in memoriam)
18-Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Carmelina de Toledo Piza - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35- Elisabete Jurema Bortolin - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz