Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras 2018/2021

Presidente– Vitor Pires Vencovsky
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeira Secretária – Ivana Maria França de Negri
Segunda Secretária – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Primeiro Tesoureiro – Edson Rontani Junior
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal
Andre Bueno Oliveira
Alexandre Neder
Walter Naime

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Evaldo Vicente
Edson Rontani Junior
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto



Seguidores

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Fiado só amanhã

Lídia Sendin

 

     Bem pequena era eu, ainda nem havia sido apresentada às tão amadas letras desta língua, e minha mãe me levava ao armazém do “seu” Lídio, perdido numa poeirenta estrada de terra num subúrbio de São Paulo, hoje próspera cidade de Poá.

     Morávamos lá perto de um sítio onde meu pai cultivava cenouras e alfaces entre outras coisas que já me fugiram da lembrança.

     Enfim, numa década sem supermercados ou similares, restava-nos aquele simples armazém e, é claro, o “seu” Lídio, que por seu meu xará me presenteava com doces da vendinha e por isso minhas lembranças se deleitam em tão açucaradas recordações.

     O fato é que, não sabendo ler, me atraíam as letras no amarelado papel grudado na descascada parede do boteco.

     Um dia criei coragem e perguntei o que estava escrito lá. Com grande e sacodido sorriso que lhe balançava a pança “seu” Lídio me disse, meio em segredo: Fiado só amanhã!

     Como nos minguados tempos de outrora já ouvira algumas vezes a palavra fiado, puxei timidamente a saia da minha mãe: Por que não voltamos amanhã? Ela, rindo ainda mais que do que “seu” Lídio, sussurrou: Porque amanhã estará escrito a mesma coisa e ele nunca precisará vender fiado. Aquilo me pareceu tremendamente injusto, ora, dar esperanças e não honrar a palavra! Não estava certo!

     O que me fez lembrar de tão insólita passagem da infância foi uma frase que ouvi de alguém que, cobrado pelos insucessos de sua vida política, dizia: Calma, o Brasil é um país do futuro! Como o futuro é sempre amanhã, a promessa não se tornará nunca mentirosa e tal qual o dono do pequeno armazém de beira de estrada, não precisará cumpri-la e poderá sacudir sua imensa pança enquanto ri de nós, crédulos brasileiros.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Retrospectiva da Literatura 2020

 


 O ano de 2020 foi um ano diferente. Com a quarentena e o “fique em casa”, muitos lançamentos, reuniões e comemorações tradicionais, foram cancelados ou adiados  para depois da pandemia.

Mas mesmo assim, o segmento  Literatura esteve ativo com muitos lançamentos virtuais.

26 de Janeiro

Lançamento do livro de Jairo Ribeiro de Mattos " Anos de Minha Vida e Cidade Geriátrica'.

Jairo veio a falecer em julho deste mesmo ano.




Fevereiro 

Falece o escritor Olivio Alleoni

 O vereador Pedro Kawai concede Moção de Aplausos para a página Prosa & Verso, pelas mil edições, Organizada pelas escritoras Carmen Maria Fernandez Pilotto e Ivana Maria França de Negri. E também concedeu homenagem póstuma a Ludovico da Silva, um dos idealizadores do projeto. A Tribuna, através do seu editor Evaldo Vicente, também recebeu a Moção de Aplausos.

1 de março

Lançamento do livro infantil bilíngue “Edmundo o Gafanhoto Arteiro e Serafina a Baratinha Assanhada” de Carmen Pilotto e Ivana Negri no Espaço Pipa do Engenho. Tradução de Fernanda Bacellar e ilustrações de Renato Fabregat. Parte da renda foi revertida ao Espaço Pipa que trabalha em projetos de inclusão e capacitação de crianças e adolescentes com Síndrome de Down.

 


14 de março

Lançamento do livro “De Tudo Um Pouco” de Toshio Icizuca no Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

 Inauguração da Sala Thales Castanho de Andrade no Instituto Beatriz Algodoal onde ficará o acervo da Academia Piracicabana de Letras.


 Abril, Maio, Junho e Julho 

Foram meses em que não tivemos reuniões, encontros  festivos e  lançamentos de livros por conta da pandemia que isolou as pessoas em casa para não propagar o vírus. Nesse período foram apresentadas muitas lives culturais com entrevistas, música e outras apresentações virtuais.

Carmen Pilotto participou como jurada para seleção de projetos que serão apoiados pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC).

1º de Agosto

Lançamento virtual do livro infantil “Lenda da Noiva da Colina de autoria de Ivana Maria França de Negri e ilustrações da Ana Clara de Negri Kantovitz. O livro que integra a coleção “Lendas de Piracicaba” tem prefácio de Valdiza Capranico e teve o apoio do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

 


Carmen Pilotto inaugura uma Exposição Virtual de fotos de poemas de sua autoria

 Lançamento virtual do livro de poesias da poetisa  Maristela Negri “A Rosa Selvagem não é uma Miragem”

Lançamento virtual do livro “A Sapucaia da Paz” que conta a saga da sapucaia para crianças, da escritora e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, Valdiza Maria Capranico.

 


Lançamento do livro virtual de Barjas Negri: “Piracicaba Políticas Públicas e Sustentabilidade”


Carmelina Toledo Piza retoma o seu programa semanal Balaio Trançado de Histórias e o primeiro entrevistado é o presidente da Academia Piracicabana de Letras, Vitor Vencovsky,  que falou sobre a vida e obra de Thales Castanho de Andrade,  pelos 130 anos de seu nascimento no mês de Setembro.

 


As acadêmicas Ivana Maria França de Negri e Carmelina de Toledo Piza foram juradas do Concurso de Microcontos de Humor realizado pela Semactur.

 

Os acadêmicos Carmen Pilotto, Ivana Negri, Andre Bueno Oliveira ,Vitor Vencovsky e Valdiza Capranico foram jurados do I Concurso Literário da Rede Birdwatching, Cantos e Encantos das Aves de Piracicaba.


Leda Coletti classificou-se em primeiro lugar com a poesia: “ A noite vai...O dia vem...”

Ésio Antonio Pezzato ficou em segundo lugar com a poesia: “ Coral das Aves”

 

Setembro

A Academia Piracicabana de Letras realiza um evento no Instituto Beatriz Algodoal conferindo o Diploma Thales Castanho de Andrade a três jovens que se destacaram na literatura e ilustração de livros: Ana Clara de Negri Kantovitz, Tiago Betti e Heitor Barbosa Previtalli.

É inaugurado o busto e o site de Thales Castanho de Andrade (www.thalesdeandrade.com.br).

Carmen Pilotto teve sua crônica: De como almas se encontraram e se fundiram num dueto de uma bizarra crônica poética”, feita a partir do Poema Sujo de Ferreira Gullar, selecionada para publicação na Revista Toró em homenagem ao poeta na Semana Ferreira Gullar.

O jornalista Edilson Rodrigues de Morais lançou o livro “Tu és Sacerdote para sempre” sobre a vida do Monsenhor Jorge Simão Miguel

Outubro

Ivana Negri e Carmen Pilotto lançam  o seu livro infantil bilíngue “Serafina e Edmundo” na Amazon, plataforma digital de livros.

 Fran Camargo publicou o livro “Paixão pela Fotografia”, onde expõe 170 fotos que tirou dos últimos cinco anos. São belíssimas  imagens de lugares icônicos do mundo.

A escritora Valdiza Maria Capranico recebeu no dia 22 de outubro, do Rotary Club de Piracicaba Engenho, o Prêmio Geiss  pelos feitos em prol da Cultura e Meio ambiente do município de Piracicaba, sendo o idealizador deste prêmio, Luís Fernando Rebel Machado.

 

Um vídeo com a fala da professora, historiadora e acadêmica Marly Therezinha Germano Perecin, sobre os 250 anos de Piracicaba, circulou nas redes sociais.

 



Novembro

Lançamento do livro “A Passagem da Cidade – Uma Piracicaba que poderia ter sido”, de Francisco Ferreira, autor também do livro “Noites de Pira – O sonho da Boemia Piracicabana”.

Dezembro

O escritor Rafael Gonzaga lança o livro infanto juvenil A jornada de Pablo, uma história de amizade, ficção inspirada em Pablo Picasso.

O historiador Armando Alexandre dos Santos apresenta seu livro em lançamento virtual “Dom Luis na Grande Guerra”, com prefácio do Príncipe Dom Rafael de Orleans e Bragança

 


Cecílio Elias Netto lança o livro “Rua do Porto – Pia Batismal de um Povo”, aos 80 anos, um canto de amor à sua cidade natal.



Otacílio Monteiro, poeta e escritor, através de uma live, com poesia e música, apresentou seu novo livro, “Arapuca”.

A escritora e poetisa Dulce Ana da Silva Fernandez lança seu livro “ Folhas de Outono” com contos, poesias e ilustrações da própria autora.


terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Natal de Sonho

 



Natal de sonho

Marisa Bueloni

            Todos nós temos um Natal que foi um sonho em nossas vidas.       Havia um gosto de Natal dentro do coração, na mangueira do quintal,  no amor dos meus tios cujas casas eram no mesmo quarteirão que a nossa,  nas árvores das ruas, na lua branca, na harpa de Luis Bourdon tocando no rádio, na janela do meu quarto por onde se viam os pés de frutas do vizinho – lá, onde todo balão caía, toda maçã nascia – , e a dona do quintal nem via. Creio que na nossa tenra meninice, o dia de Natal era o mais esperado de todos os dias. Ah, Natal querido, Natal singelo e simples, do presente prometido pelos pais amados, o coração pulando de alegria pela boneca, pela casinha, pelo brinquedo, o vestido pedido o ano inteiro, com o qual se ia à missa de Natal. Uma sandália encantada, um sapato de Cinderela, uma caixa de lápis de cor, daquelas bem grandes, que amávamos e usávamos até que a última cor se apagasse na folha branca da nossa felicidade. Ali, no terraço sombreado, colorido pelas florzinhas rosas, um grupo de primos da minha idade, vestidos com roupas novas, se reunia para jogar e passávamos horas, debruçados sobre o monte de palitos coloridos,  cada um jogando a sua vez, tentando tirar um por um, sem mexer, sem derrubar a formação inicial. Era uma festa que não tinha fim. Nós éramos os donos do tempo e a vida tinha a cor daquelas varetas preciosas.

            Ah, Natal do Menino Jesus! Natal dos presépios. Natal dos anjos, dos pastores e das ovelhinhas, dos reis magos montados em seus camelos, seguindo a estrela de Belém. Nós sabíamos que era Natal, por causa do Menino Jesus. Nós só poderíamos entender aquele espírito de fé, porque víamos nossos pais falando com amor do nascimento do Menino. Havia as novenas, os terços, as celebrações que antecediam a festa máxima da cristandade, e minha mãe ficava com os olhos cheios d´água quando dizia: “Estamos entrando na semana do Natal”.

            Mas hoje, onde está o Menino Jesus? Se perguntarmos a uma criança o que é o Natal, é provável que nos responda: “É a festa do Papai Noel, é o dia de ganhar presentes”. Nas últimas décadas, notamos que toda a propaganda natalina tem girado em torno do consumo, do materialismo desregrado, sem uma única referência ao verdadeiro sentido desta celebração. O grande Aniversariante é esquecido. Em muitos cartões de mensagens, já não há nenhuma referência ao natalício de Jesus. Li que na Europa estão abolindo os dizeres de "Feliz Natal", para não constranger os de outras confissões religiosas. Escrevem-se apenas "Boas Festas" ou "Feliz Ano Novo" – nada sobre o Natal, nada sobre Jesus Cristo. Jesus se tornou um nome quase proibido. E assim, sem nenhuma referência ao Menino,  a mídia contribui para que a fé católica do povo brasileiro  esfrie cada vez mais. As crianças crescem sem o conhecimento do  verdadeiro significado do Natal. Em breve, apenas um pequeno resto saberá quem é Jesus e, cada vez mais, o Natal será o dia de Papai Noel, uma festa como outra qualquer, onde se come, se bebe e se presenteia,  não se sabe por quê.

            Em algum Natal de sonho de nossas vidas, a beleza do presépio ainda está viva na memória do tempo, trazendo amor e paz à nossa alma pequenina. Um Natal de sonho será aquele que guardamos intacto em nosso coração.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

É Natal!

 


    

                                           Valdiza Maria Capranico

 

      Um Natal bem diferente!

      Sem grandes reuniões, sem abraços, sem troca de presentes...

      Aprendemos, com dificuldades, a nos comunicarmos virtualmente... E, mesmo assim, com muita saudade dos encontros, das comemorações. Aprendemos, também, a valorizar mais nossas famílias, nosso lar...

       E, muitos de nós, tivemos que aceitar a perda de entes queridos sem a oportunidade de lhes dizer um último adeus!

       Mas, há um lado positivo nisso tudo que estamos vivendo: tivemos a oportunidade de nos aproximar muito mais de Deus, de seu filho Jesus! Que, aliás, é o aniversariante do dia!

       Temos muito a agradecer! Estamos vivos, fortes, prontos a encarar o novo ano!

        E, isso é o grande presente que Jesus nos dá! O aniversariante é Ele – os presenteados somos nós!

         Você já parou pra pensar que, num ano tão difícil como este, o planeta todo com tragédias, você recebeu a graça de sobreviver? Quer maior e melhor presente que esse?!?

         É tempo de agradecer a ELE! ELE não precisa de festas, presentes. Ele só quer e merece nosso AMOR, nossa GRATIDÃO!

         Feliz aniversário Jesus! Feliz 2.020 anos!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Faremos as festas de fim de ano?



Elda Nympha Cobra Silveira.

Papai Noel  bem que  podia bater  um papo com o vírus Corona Virus e até dar uns presentinhos para ele e convence- lo à ir embora antes do Natal para assim passarmos as festas  sossegados junto com nossos amigos e familiares.

Esse problema está na cabeça de muitos adeptos das festanças familiares, pelo menos no Natal, pois estamos  reclusos em prisões domiciliares e familiares pelo infame Corona Virus que já ceifou milhares de vidas do nosso planeta. Muitos nomes de famosos constam no Google em processo de internações dramáticas ou luto e muita falta farão, deixando grande lacuna na ciência, arte, medicina, musica, igrejas, escolas, e famílias.

Será que conseguiremos ficar em  nossas casas isolados das pessoas que amamos por  essa contingência imposta pelo Corona Virus se quisermos continuar isentos desse vírus? Eis a questão que assola nossas cabecinhas!

Estamos necessitados de amor, encontros afetivos, ver nossas crianças com expectativas da chegada do Papai Noel, mesa farta com iguarias que não costumamos fazer durante o ano, seja por economia,  falta de tempo ou como iguarias que tem seus significados nessas datas de fim de ano principalmente.

Poucos podem assar uma leitoa para uma pequena família ou fazer um salpicão, um cabrito, pelo tamanho que representam para poucas pessoas, principalmente se moram em um apartamento, é uma tarefa difícil!

Mesmo pratos veganos perdem a graça fazê-los para comer desacompanhados e sozinhos, longe dos que amamos nessa data.

Vem-me á lembrança outras festas que tivemos desde tenra idade, acreditando no Papai Noel, com todas as crendices ilusórias dessa data e do presépio montado com animais, anjos,  reis magos, envolta de Jesus Menino, Maria e José, encimada por uma estrela feita de papel dourado na mangedoura. Às vezes púnhamos até um laguinho representado por um espelho com patinhos nadando que não tinha nada à ver com a paisagem, cercado de serragem ou areia aproveitadas de uma construção.

Tudo era tão bucólico e para nós era o máximo, feitos por uma irmã mais velha ou pais que se esmeravam com carinho para comemorar a data natalina.

Mas, sempre há um, mas não é possível  mais manter os mesmos hábitos, fazer o que fazíamos antes do maldito vírus, da mesma maneira. ´

E triste, cansativo, estamos cansados de não poder fazer nada, mas é a única forma de ainda nos manter com a vida que temos direito nesse pais e planeta degradado é abandonar o mesmo estilo de vida que estamos habituados…

Se quisermos sobreviver, mesmo com a vacina, não podemos manter o mesmo estilo de vida, os mesmos hábitos de consumo. O planeta não aguenta mais! Estamos precisando muito do Natal, mais do que nunca, e hoje dou mais valor por àqueles que comemorávamos, daqueles abraços, porque  queremos ver nossa família toda junta, rindo e cantando”Noite Feliz,” mas parece que isso é  o que o mal está tramando!

Afastar a família e o amor entre nós! Porque o amor familiar é o grande trunfo, a arma para combater o Mal! Vamos orar e orar muito, porque o Bem será a nossa vitória, e a de Jesus Cristo, para isso precisamos concentrar esforços para nos mantermos vivos, unidos e nos amando!

Está havendo uma batalha espiritual entre o Bem e o Mal.. As forças negativas estão assolando e disseminando tudo que for deletério para abater nossas forças espirituais, mas  nós seremos mais fortes com certeza! Jesus está conosco!

“ Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda, porque aos teus anjos dará ordem ao teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos”

domingo, 13 de dezembro de 2020

NOITE DE NATAL

 

 

 


            

                              Leda Coletti

 

O som de distante clarim

faz sinfonia com o vento.

Na noite serena,

aquela estrela luzente

 atrai pastores dos campos,

reis-magos do Oriente.

No capim, Jesuzinho

entreabre os olhinhos

rodeado de anjos- crianças,

que fazem alvoroço

saudando seu despertar.

O céu ali mesmo acontece,

a terra inteira emudece.

Ao menos por instantes

os homens esquecem tristezas,

absorvem o doce mistério,

plenos de êxtase e graça,

acreditando mais uma vez

que é hora de recomeçar!

sábado, 5 de dezembro de 2020

Quando o Vento vira Ventania





                                              
Leda Coletti

Gosto do vento suave
quando roça meu corpo,
deixando-me leve como pluma.
Mas, fico com medo,
ao vê-lo bravio, agressivo.
Então, temo sua presença 
E reprovo todo  mal que faz:
derrubando árvores indefesas,
apagando luzes e sinais de trânsito,
fazendo telhados voarem pelos ares.
Sua dança frenética e macabra
acompanhada de coros uivantes,
exibe ventanias com redemoinhos,
causando  tanta destruição.
Por que faz isso?
Será um alerta a nós homens
Por nem sempre preservarmos o meio ambiente?
Seria muito bom tê-lo sempre como amigo,
Ouvindo seu canto mansinho nas nossas janelas
refrescando-nos com sua doce brisa ,
que só traz alegria e nos tranquiliza.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Vagando nas Procelas



Lídia Sendin

 

O vírus que o mundo atinge,

Como as tormentas no mar,

Aos navegantes aflige

Sem um farol pra orientar.

 

Os tempos de pandemia

Envolvem qual tempestade.

Não importa a etnia,

Raça, cor, gênero ou idade.

 

Mas alguns têm caravelas

E singram talvez seguros,

Escapando das procelas

Rumo a um azul mais puro.

 

Diante de um mau presságio

Que assusta qualquer pessoa

Está iminente um naufrágio

Que afunda iate ou canoa.

 

Mas neste oceano imenso,

Se o mal parece comum,

Muitos, na roda dos ventos,

Vagam sem barco nenhum.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Concurso Literário “Canto e Encantos das Aves de Piracicaba” coordenado pela rede “Birdwatching de Piracicaba”

 

“Canto e Encantos das Aves de Piracicaba” coordenado pela rede “Birdwatching de Piracicaba”

1º lugar   



 

O dia vai... a noite vem...

Leda Coletti

 

As aves são ornamentos

da nossa mãe natureza,

encantam, são acalentos,

no mundo espalham beleza.

 

Anunciando o alvorecer

todas desejam bom dia,

demonstrando bem querer

almejando só alegria.

 

O sanhaço tece o ninho

sabiá canta, gorjeia,

pica-pau rei pica o pinho,

marreca n’água é sereia.

 

Canário está na paineira,

pombo do mato a chorar

por causa da companheira

que partiu sem avisar.

 

Tico-tico mui bondoso

choca os ovos do chupim,

que folgado e preguiçoso

age errado, sempre assim.

 

Pássaro preto habita

o oco dos coqueirais

e, com a brisa se agita

emite sons celestiais,

 

Num galho lá da figueira

João de barro fez morada,

toma conta da parceira

teme que seja roubada.

 

Há perigo na campina

o bem-te-vi anuncia

o gavião belo, o rapina

oculto, lá do alto espia.

 

Tuiuiú, mais colhereiro

são aves do Pantanal,

no Tanquã hospitaleiro

revivem berço natal.

 

Junto ao rio Piracicaba

há garças brancas nas margens

e essa migração só acaba

quando as cheias são miragens.

 

“Noiva da Colina” abriga

verdadeiro relicário,

é refúgio, amparo, amiga

das aves, um santuário.

 

As araras e tucanos

colorem nossos torrões,

estão ficando urbanos

visitando os quarteirões.

 

Barulhentas maritacas,

aves com sons estridentes

parecidos com matracas,

se fazem sempre presentes.

 

À tarde tem revoada

das andorinhas, pardais,

que aos bandos em disparada

pousam em áreas centrais.

 

No canto lá da porteira

a coruja é sentinela

da madrugada altaneira

com luar, que a faz tão bela!

 

No silêncio repousante

a natureza adormece.

Na pausa gratificante

o mundo inteiro emudece.


2º lugar  


 

Coral das aves

Ésio Antonio Pezzato

 

Papa-capím faz seu ninho, no galho da pitangueira.

E a sabiá-laranjeira

Toda cheia de carinho constrói nesse mesmo galho;

E ambos no mesmo trabalho cantam à tardinha inteira.


Na alegria eu me completo a ouvir dueto tão lindo.

Minha alma fica sorrindo

Que até componho um soneto. O canto na tarde imensa

Parece sentida crença de um bem-te-vi indiscreto.


Essas aves tagarelas acordam as outras aves,

E em sinfonias suaves

                                 Com suas vozes tão belas cada canto é sinfonia,                                  

E é ritmo nesta poesia em modulações singelas...


Da terra chega o canário que estala com seu trinado.

Pintassilgo apaixonado

Canta odes de seu hinário. Azulão em paz solfeja,

O avinhado rumoreja num dobrado extraordinário!


Até parece mentira, mas um belo joão-de-barro

Junto à bica busca o barro

E com seu canto de lira numa paixão que me abrasa,

Vai construindo sua casa para o espanto da corruíra!


A saíra de sete cores brinca com um coleirinho

Nesse abraço de carinho

Flamboyant explode em flores! Mas num voo refratário

Beija-flor extraordinário voa arisco em mil amores!


Andorinha veloz voa e enche o espaço de rabiscos...

Salpica com asteriscos

A mansidão da lagoa. Mas logo fico escutando

Bicos-de-lacre num bando, pousados sobre a taboa.


Tanta paixão e alegria sinto por esta Cidade.

E tão lindo amor me invade

Que a inspiração é magia. Por isso meu peito canta.

Tanta beleza me encanta que rimo a minha poesia.


Tantas aves na beleza de cores mil e variadas...

São almas apaixonadas

Que cantam pela devesa. E ouvindo tão lindos cantos,

Minha alma sente os quebrantos no esplendor da natureza!


Uma garça em sua graça passeia pela lagoa.

E um pica-pau esbordoa

Um velho tronco com raça. Mas em balés esquisitos

Um bando de periquitos revoa por sobre a praça.


Mas alegre, saltitante qual belo malabarista,

Tiziu se julga um artista

E pula, e pula, confiante. Mas logo do azul sanhaço

Recebe amoroso abraço nesse dia delirante!


Escuto... e o canto não erro...Esse canto apaixonado

Que vem da paineira ao lado,

É de um belo trinca-ferro. E em meio a imensa alegria,

Louvo a Deus por esse dia, e minhas rimas encerro.

Minha alma na tarde trina, e imita tais passaredos.

E juntos nesses folguedos

O meu coração se inclina e queda-se ajoelhado.

E sente-se apaixonado pela Noiva da Colina.


Mas que o canto não se cale pois minha Piracicaba

Tem o som que não se acaba

E vai da colina ao vale. E em meio a essa imensa festa,

Para reger essa orquestra, que chamem o Ernst Mahle!



Cerimonial de premiação do I Concurso de Poesia, Conto e Crônica "Canto e Encantos das Aves de Piracicaba".
Realização:
Rede Birdwatching
Idealização:
Maria Cristina Arzolla
Apoio :
Academia Piracicabana de Letras/ Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.
Jurados:
Carmen Pilotto
Vitor Pires Vencovsky
Ivana Maria França de Negri
André Bueno Oliveira
Valdiza Capranico

Jurados Ivana Negri, Carmen Pilotto, Valdiza Capranico e Vitor Vencovisky, faltando o jurado Andre Bueno Oliveira que não pôde comparecer
Jurados, premiados e organizadores
Maria Cristina Arzolla, presidente da Rede BirdWatching de Piracicaba e organizadora do evento
Primeira colocada, a escritora e poetisa Leda Coletti recebendo o prêmio das mãos de Carmen Pilotto
Valdiza Capranico proferindo algumas palavras representando o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba

Debora Razze, uma das selecionadas com Vitor Vencovsky e Valdiza Capranico

Ivana M. Negri e Pedro Zagato, um dos selecionados

Alessandra Guiarnieri Betti, selecionada, recebendo livros
                            Vitor Vencovisky e Juan José Mattos
                   Debora Razze e Ivana Negri

 


Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2-André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra (in memoriam)
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11- Luciano Martins Verdade-Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz de Arruda Pinto
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Lídia Varela Sendin - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior (in memoriam)
18-Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Carmelina de Toledo Piza - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35- Elisabete Jurema Bortolin - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz