Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

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Presidente: Raquel Araujo Delvaje Vice-presidente: Vitor Pires Vencovsky Diretora de Acervo: Christina Aparecida Negro Silva 1a secretária: Elisabete Jurema Bortolin 2a secretária: Ivana Maria França de Negri 1o tesoureiro: Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto 2o tesoureiro: Edson Rontani Junior Conselho fiscal: Antonio Carlos Fusatto Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal Cássio Camilo Almeida de Negri Jornalista responsável: Evaldo Vicente Responsável pela edição da Revista: Ivana Maria França de Negri Conselho editorial: Aracy Duarte Ferrari Eliete de Fatima Guarnieri Leda Coletti Lídia Sendin Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins

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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A BUSCA DA CIDADANIA PERDIDA

Carlos Morais Júnior Cadeira n° 18
Patrona: Madalena Salatti de Almeida

Devíamos avermelhar a cara quando nos lembramos que os períodos de seca representam, para os brasileiros, uma vergonha inquestionável. O Nordeste completou tempos atrás duzentos anos de martírio! O pior é que neste tempo,  pouco ou quase nada se fez pelo sertanejo, que é o maior prejudicado, a maior vítima da estiagem. Os políticos prometem açudes, poços e irrigação, mas os anos passam e o sertanejo continua comprando água dos poderosos, que investiram e criaram a indústria da seca. Por causa desse estado de coisas não se vislumbra nenhuma melhoria para o agricultor que morre e pena nas sítios do interior, que não tem nada mais a fazer do que alimentar sua família com cardo, calango e água suja, que divide com o gado.
Ao contrário do sertanejo, na contramão do problema, os apaniguados  dos coronéis e dos políticos têm em suas fazendas água farta e irrigação, e a mais alta tecnologia, e como se pode imaginar, nem sentem as agruras da seca, pois é para estes que é reservado o dinheiro que se aplica em seca no Nordeste. Haja vista a prosperidade sem par dos grandes produtores de frutas, como a uva e o figo, ou outras mais delicadas, como o pêssego e o morango. Estes aparecem semanalmente nos programas da Globo, exportam para o mundo inteiro e são os verdadeiros representantes da agricultura, desde o Vale do São Francisco, até os confins do Maranhão! O resto é o resto! Mula! Mão-de-obra escrava! Estes são estes, o resto é brasileiro no duro! Ah! Como diria o genial e injustiçado Euclides da Cunha:  “O sertanejo é antes de tudo um forte”!
Ou, como diria o Boris Casoy,  “isto é uma vergonha”! Mas, apesar de ser uma vergonha, o sofrimento do sertanejo é motivo de glória para os governantes e políticos, que usam a seca como plataforma e sempre se elegem! E nós, cidadãos, que não podemos nos envolver diretamente, quedamo-nos a olhar diariamente, até vomitar as tripas, a vergonha que grassa nesse país, em forma de corrupção, maracutaias e marajaladas de toda sorte a esperar alguma solução. Mas acho que já está na hora do povo parar com esse negócio de ficar esperando tudo cair do céu!. É hora da sociedade se organizar, não para procurar chifre na cabeça de cavalo, em protestos de alguma greve tonta, ou de alguma passeata de cunho político para ser massa de manobra de espertalhões; mas, para buscar a cidadania que está faltando neste país.
Vamos nos organizar e ajudar aqueles que estão em desespero, vamos nos organizar e proporcionar ao próximo um pouco de conforto e de alegria. Não deve ser somente nos momentos de anomia e de convulsão social, de catástrofes e de calamidade pública, que o povo tem que mostrar a sua solidariedade e ver que existe aquele que precisa de ajuda; mas sim, no dia a dia, no nosso trabalho, na vizinhança, na fábrica.

Se o povo se organizar diminui a violência, melhora a escola, a saúde volta ao rumo certo, porque, organizado, o povo terá forças para lutar pelos seus direitos e para cobrar dos governantes uma solução. A Internet e as redes sociais estão aí, à disposição, não para promover bate-papo aleatório, mas para solidificar cidadania. E os jovens que transitam pela rede devem olhar para essa utilidade que está ao alcance de seus dedos. Basta colocar a cabeça para funcionar e ter um pouco de boa vontade. Afinal, é preciso resgatar a cidadania perdida, e ir à luta, sem esperar que soluções mágicas apareçam do nada para nos deslumbrar. Afinal, os governantes somente irão trazer melhorias para o seu bairro, ou para a sua rua, se eles souberem que o seu bairro e a sua rua existem!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O passo à direita

Carlos Morais Júnior Cadeira n° 18
Patrona: Madalena Salatti de Almeida

O toque das marchas militares
ecoa, enche as ruas e as casas
como um troar de trovoada,
como uma voz possante e inflamada
pelo orgulho dos mortos
e pelos feitos dos heróis.
A multidão frenética, histérica,
vê a massa fardada que passa
no seu passo de gigante,
batendo os pés, sacolejando os braços,
como se a rudeza daqueles gestos
deixasse transparecer
a ânsia varonil
que seus peitos tanto aspiram.
E a multidão delira! A multidão geme,
sentindo o orgasmo febril
das paixões políticas e sociais,
sentindo a satisfação voluptuosa
de ver a força bruta,
a demonstração do poder das armas,
a desfilar garbosa e masculina
ante seus olhos chispantes,
ante seus olhos de lava,
que escondem atrás de si
a revolta, o ódio e a sede maligna
de ver aquele mesmo exército
lutar até a morte,
num clímax de violência, sangue e dor!

Depois passam homens herméticos, frios,
escondidos em tanques,
manejando imensos canhões,
dirigindo poderosos carros de combate...
Parecem monstros amorfos
saídos de algum conto de fada,
ou quem sabe, de um terrível pesadelo!
E a multidão aplaude, urra, baba,
ao ver aquele espetáculo magnífico
de poder bélico, de poder mortal.
E passam os generais engalanados
trazendo o sinete de sua força,
e no estômago, a úlcera, a má digestão
da insatisfação política e social do povo!
Aviões cruzam em algazarra
pelo cimo dos edifícios
marchetado de cabeças,
pontilhado de sorrisos obscenos,
parecendo antes pássaros gigantescos
vomitando, de quando em quando,
a poluição dos confetes coloridos.
Um padre abençoa as armas
fazendo delas instrumento sagrado,
para que jamais disparem menos
que papel colorido e bolhas de sabão.

E marcha o orgulho verde da nação
emproando o peito altivo,
empunhando o fuzil amigo
tal qual feras de anilina
de panos e de metal.
Os tambores rufam mais alto
mostrando a todos
os acordes da liberdade:
– Passo à direita. Um... Dois...
– Passo à direita. Um... Dois...
Meu filho assiste à tudo
eufórico, alegre, vibrante,
no seu entusiasmo infantil.
E levado pela febre magnífica
sacode os bracinhos finos,
levanta as perninhas frágeis,
e bate no chão os pezinhos fracos,
enquanto a boquinha pura
entoa na sua ingenuidade angelical:
– Passo à dileita. Um... Dois...
– Passo à dileita. Um... Dois...

segunda-feira, 16 de abril de 2012

DEGRADAÇÃO

Carlos Morais Júnior Cadeira n° 18
Patrona: Madalena Salatti de Almeida

Andante, ia pelos verdes campos
buscando na linha do horiznnte
os olhos verdes que perdera
naquela jura de amor inacabada...
Havia naquelas pernas
uma força de labareda, nos braços
a vivaz mocidade decadente um dia
e nos lábios o murmúrio seco
de um beijo, a vontade da carícia negada.
Andante de deserto por fora e por dentro,
carente do contorno facial do vento,
ou da alegre imagem querida
apagada na ardente brasa do turbulento coração.
Andante, tristonho, inexistente de virtudes,
e antes de tudo, saudoso de um lar, da mulher.
E um dia houve a companheira.
E houve um dia uma paixão,
como poucas tinham havido.
Mas o tempo veio, e com ele a desgraça
e o que era amor em amor se desfez.
Infelicidade que a vida dá em troca
do sofrimento, das rugas e do desespero.
Brincadeira maldosa do extrovertido destino, só isso...
Andante sozinho, de alma bem ferida,
sem saber voltar ao si mesmo, humilhado e quieto.
Daí para o passo, por força daquelas opções bem grandes,
foi apenas mais uma pisada em falso.
Depois a decadência, o nada, e poderia ser apenas tudo.
Andante, caminhante de quilômetros sem fim,
de estradas poeirentas e toalhas de asfalto.
Tristeza vai com ele para amargar-lhe os últimos dias.
Andante de pés no chão e coração vazio.
Apenas andante, sem destino e sem fé, cético de tudo,
porque ele próprio era um ato de ceticismo,
descrente de tudo, talvez porque, para ele, a vida
fosse um símbolo de descrença.
Andante de desatino na alma e nos pés,
palmilhando pelas milhas buscando um espelho,
para poder recolher o sangue das feridas abertas
e se pintar com ele para representar no palco da vida
o último ato da sua comédia existencial.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Intelectuais do novo século

Carlos Morais Júnior Cadeira n° 18 - Patrona: Madalena Salatti de Almeida
Os intelectuais devem estar mudando! A cultura deve estar mudando e se tornando algo mais imediatista e rápida, alguma coisa em pílulas, como mandam os ventos do novo século; afinal, quem dispõe de tempo para ouvir coisas intermináveis, sonambúlicas e detalhadas a respeito do que quer que seja? Até os políticos têm abreviado os seus discursos! Aqueles que ainda teimam em alongamentos desnecessários, intermináveis e hipnotizantes, estão condenados a falarem para as cadeiras, ou para uma plateia sonolenta, que não para quieta, pois se levanta amiúde para esticar as pernas, fumar um cigarro e se distanciar daquela coisa maçante. Resumindo: conversa, palestra, piada, discurso, aula, seminário, solenidade, leitura de currículo, apresentação de motivos, toda essa fauna deve ser abreviada ao máximo! E não se deve esquecer o imprescindível coquetel, já que, sem ele, vai ser muito difícil ter público.
Os novos sábios já não se apresentam como velhos empertigados, de óculos grossíssimos, porte principesco, vestindo ternos de seda a tecerem considerações a respeito de tudo o que existe no mundo, em conferências ou palestras intermináveis, sem o pejo de serem interrompidos ou contestados, como se fossem os donos da verdade e os deuses das elucubrações luminosas! É impossível saber tudo a respeito de tudo, quiçá saber um pouco a respeito de tudo! Quedamo-nos, embasbacados, frente à realidade que se nos apresenta: a intelectualidade deste século, que pode ser contada nos dedos, representa apenas 3% da população brasileira! Sim, apenas alguns loucos de meia-idade, mal-vestidos para os padrões de elegância, de cabelos emaranhados, barba por fazer, com óculos escuros e porte malhado, versados infinitamente em informática, que se metem a tergiversar a respeito de pinceladas disto e daquilo. Mas não conhecem tudo sobre tudo, pelo contrário, são eternos estudiosos sobre o vastíssimo e interminável mundo do saber. A verdade é essa e ponto final. Daqui para a frente o sábio será representado por um grupo de pessoas, cada uma especialista numa área, e todos eles alavancados por um banco de dados infinito e um supercomputador.
Parece um dado pessimista, mas nos últimos três séculos subimos bastante o nosso ranking. De 0,8% no século dezoito para os ditos 3%, o que representa um número próximo das 180 milhões de pessoas! Mas, será que vale a pena estar entre estes verdadeiros escolhidos? Será que vale a pena gastar a vida na leitura, cultuando valores altíssimos, e deixar o profano, o prosaico e as banalidades para trás? Onde quer que se vá o fio das conversas é sempre o jocoso, a fofoca e a maledicência. De que adianta, por exemplo, saber que o nome científico do abacate é Persea americana, que o nome científico do leão é Panthera leo, de que adianta saber o nome de todos os elementos químicos de cor ou ter milhares de informações a respeito de Geografia, História, Economia, Biologia, Medicina, Ecologia e os cambaus, se a maioria das pessoas com quem temos contato nem consegue entender as palavras mais simples que dizemos!?
Isso me faz lembrar o curto espaço de tempo em que fui responsável por um jornal semanal de uma cidade pequena. Escrevia meus editoriais sem me preocupar com o purismo da língua, usando termos bem conhecidos, justamente por estar escrevendo para um público leigo. Mesmo assim, fui advertido pela direção do semanário de que deveria escrever mais fácil, pois os meus artigos causavam muita polêmica porque todo mundo era obrigado a recorrer ao dicionário para saber o significado de palavras complicadas como: discorrer, melancólico, celeuma, perspicaz e muitas outras. Não pensei duas vezes e pedi demissão do jornal!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

QUE LA NAVE VÁ

Carlos Morais Júnior Cadeira n° 18 - Patrona: Madalena Salatti de Almeida
A arte poética não é uma coisa estática, engessada, dentro de regras cheias de teias de aranha e de papel amarelecido pelos séculos. A arte poética é uma coisa cíclica, fervilhante, que espouca seus versos em qualquer mídia. Quanta poesia a gente encontra e sente por ai em fora através dessa ferramenta incrível que é a Internet, quanta coisa maravilhosa a gente vê, que existe, nessa miscelânea de milhões de poetas jovens, criativos e absolutamente maravilhosos. E quanto de tudo isso ninguém sabe entender, porque é difícil captar o que um y está dizendo, porque ele não se perde em palavras e idéias inúteis, pelo contrário: é conciso, direto e pronto. Precisa de mais alguma coisa para se fazer uma poesia de qualidade? Muitas pessoas implicam com a forma que se escreve na Internet. Os versos são grandes, porque não existem os limites da folha de papel. Quem escreve no ciberespaço não precisa ficar preocupado com medidas. E por causa de um saudosismo tolo e anacrônico, entendem pelo avesso, ou simplesmente ignoram tudo o que tantos jovens têm para contar; ainda por cima, condenam sem mais nem menos. Como se fosse licito condenar, sem conhecimento de causa, uma obra de arte. Mas talvez, não tenham o necessário preparo para admirar uma arte avançada no espaço e no tempo. Por isso a rejeição!
Todo mundo esquece também que a arte é por si só. Não tem cor, nem forma fixa e nem nacionalidade. Ela existe, se manifesta, se impõe e transmite calada uma mensagem que procura diretamente aquele que a recebe. É o sentimento que passa de uma pessoa para outra, sem que seja preciso regras para isso. Passar sentimento é somente isso. Quem consegue tudo bem, quem não consegue, jamais vai aprender como se faz.
Quem passa o sentimento faz isso por necessidade, por desespero, angustia, porque tem que tirar aquela coisa que arrebenta que nem um foguetório dentro do peito, mas é preciso, pois, saber decodificar essa mensagem para entender o que é que o artista tenta transmitir, e reinterpretar isso para o seu universo. E ao invés de haver essa interpretação, o mais corrente por aí é o que dizem sempre: “estão bagunçando com a arte de escrever poesia”. Essa juventude comete um pecado mortal profanando o tradicionalismo artístico? Por quê? Porque não faz poesia rimada que tem quatorze versos? E daí? Depois da Semana de Arte Moderna de 1922 o modernismo se instalou e depois disso, várias outras formas de transmitir o sentimento, pois o século é outro e quem viveu aquele movimento de 1922 deve estar com mais de oitenta anos!
Tenha paciência! No ano que vem o Modernismo, nos moldes em que foi concebido, completa 90 anos! O modernismo como nós, os mais velhos conhecemos, já era, já se tornou bisavô. E não adianta ficar martelando na mesma tecla! Não se pode fazer arte hoje nos moldes do passado e ponto final!. Se existe uma evolução em todos os setores da cultura, porque também não deve existir uma evolução na arte poética? E é de suma importância que haja essa evolução. Então, dada essa importância, por que taxar de inaproveitável, de ininteligível, de abusiva a arte de nossa juventude? Por que rejeitar e não aceitar algo tão belo e tão puro como isso que temos visto em forma de poesia nos últimos vinte anos?
E, comumente, não se aceita o novo porque ele põe por terra a mesmice, o marasmo que imperou até agora e admitir isso não é dizer que o tradicional. perdeu o seu valor. Aos conservadores, que acham a nova poesia imoral, esdrúxula, inaceitável, com o tempo, vão ter que engolir tudo o que disseram de qualquer jeito. Então, meus amigos. “Que la nave vá”.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A LUZ

Carlos Morais Júnior Cadeira n° 18 - Patrona: Madalena Salatti de Almeida
Saber enxergar a luz quando a escuridão toma conta de todo o redor, eis o que se precisa. Saber ver as coisas, não como elas são, mas como elas realmente são, eis o que se precisa. E a luz que se enxerga, não deve ser a mesma luz que aparece. Deve ser, sim. uma luz que vem de dentro, e da qual o brilho aquece, torna tudo o que era frio mais quente, tudo o que era desesperança em esperança; e tudo o que era descrença em fé.
É essa a luz que deve ser vista... Mas como? Cada pessoa a verá com a força que tiver em seu coração. Verá diferentemente, porque é diferente a maneira de sentir. Mas todos a verão como uma pequena coisa que brilha, lá na curva do horizonte. Quase se apagando, quase se apagando, quase se apagando... Saber enxergar. Poder ver a luz que os outros não conseguem ver, poder sentir-lhe o calor, quando os outros estão esfregando as mãos para se aquecer no meio do rígido inverno, eis o que se precisa...
Mesmo porque a luz está em todas as partes, mas bri¬lha somente àqueles que tem os olhos próprios para enxergá-la, àqueles que tem o coração propício para re¬cebê-la. Que luz é esta? Que re¬presenta? E por que brilha? Essas perguntas quem pode responder? Talvez, com mais propriedade, aqueles que já tiveram a oportunidade de ver a luz, pairando sobre o horizonte, dentro do seu próprio quarto, no es¬pelho do banheiro ou mesmo numa madrugada bem fria. Estes poderão dizer que a aparição fê-los felizes! E o sentimento que a luz tem o poder de transmitir é a feli¬cidade...
Sou louco? Devo ser... Mas não quero morrer an¬tes de enxergar a luz. Essa luz que todos dizem ter visto, mas que é tão difícil de descobrir no meio da treva. Não quero morrer an¬tes de dizer que eu sou um daqueles que tem os olhos preparados e o co¬ração aberto, antes de dizer que eu tive o poder de ver a luz... Não querer morrer sem enxergar a luz, eis o que é preciso. Não fechar os olhos sem ver esse sinaleiro, que no meio do oceano pisca in¬termitente, como um farol que indica o caminho que deve ser seguido.
E como nos parece pe¬quena, um foco luminoso no meio do oceano! Mas, as¬sim mesmo, vamos! Assim mesmo vamos ao encalço dela. Sabemos que o tur¬bilhão das ondas fará com que ela se afaste de nós. Mas temos denodo, temos força para chegar mais perto, cada vez mais perto.
Neste ponto, gritamos pragas ao vento, quando vemos que ela se afasta de novo. E quantas vezes não peguei o leme, e gritei pragas para o vento esperando que o espírito dos temporais fizes¬se a luz chegar mais perto, mais perto, mais perto... Brincamos de pegador com ela. Quando nos chega¬mos ela se afasta, quando nos afastamos ela se achega... E a vida passa para nós, nessa brincadeira in¬cessante. E somos meninos da vida, porque ela se apre¬senta para nós, também co-mo criança.
E como criança, a vida toma de nós, todas as vezes, aquilo que, como crianças que também somos, ardente¬mente desejamos! A vida nos toma a luz que parece estar, ao mesmo tempo, tão perto de nossas mãos, e tão longe delas... Sou louco? Devo ser... Mas não quero morrer an¬tes de pegar a luz...

sábado, 26 de novembro de 2011

A REALIDADE DAS CAVERNAS

Carlos Morais Júnior Cadeira n° 18 - Patrona: Madalena Salatti de Almeida

E no começo da história Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. Ficamos uma beleza com forma humana, muito próximos do modelo da divindade. Pena que nos tornamos somente invólucro. Por dentro, não somos deuses, mas criaturas que sonham com coisas impossíveis. Na verdade, a impossibilidade já faz parte do nosso cotidiano. Nem nos causa mais aquela impressão desagradável! Virou coisa corriqueira, como a droga, a poluição, os tiroteios, os homens-bomba e a corrupção. É a impossibilidade de viver que nos faz todos loucos, alquimistas, seguidores de alguma religião esquisita, ou de alguma filosofia própria de folhetim; é a impossibilidade de ser, que nos torna pragmáticos, mais voltados para a sobrevivência do que para as luzes da razão, e nos empurra para o abismo escuro de uma nova Idade das Trevas. É a impossibilidade de amar que nos torna animais esquisitos, seres quase irracionais, a sorverem de uma avançada tecnologia, sem no entanto, ter a exata consciência de sua utilidade ou de seu limite! Manipular genes, fabricar vida, duplicar animais e plantas, sonhando com um mundo melhor é tudo o que se precisa, e é tudo o que não se tem. Um clone humano, até o momento, ainda é ficção, não menos ficção que a tão sonhada paz nossa de cada dia, não menos idealização do que visões de um mundo tecnológico.
A vida perfeita, sonhada pelos autores iconoclastas e românticos da década de 60 continua somente nos compêndios envelhecidos de modernidade. Passam as décadas e o mundo fica esperando aquela sociedade utópica e justa, onde todos desfrutam dos mesmos direitos e têm as mesmas chances. O que grassa e já acostumamos a ver, é justamente o contrário: o mundo se torna cada vez pior, e está mais perto da anomia e da catástrofe, do que da perfeição. Nesta sociedade tecnológica, e ao mesmo tempo, neolítica, a busca do sagrado ganha cada vez mais espaço na mídia, nas nossas vidas, no subconsciente dos humanos, a provar que não existe nada mais importante do que ganhar o céu, nestes dias conturbados, sem esperança e sem luz. Já que não se pode ser feliz aqui, hoje, quem sabe num Jardim do Éden, numa outra vida, num outro plano, ou numa outra dimensão, menos terrível, menos enlouquecedora!
As religiões proliferam, mas não conseguem resolver os problemas de sempre: miséria, violência, desumanização. Segunda década de um século novo, vida nova, idéias avançadas, porém calcadas nas mesmices que infernizam o espírito humano há milênios. Queremos alcançar a qualquer custo, a divinização, ou melhor, desejamos ardentemente voltar aos tempos corriqueiros do paraíso, e sorver novamente da sua paz, da sua prosperidade e da sua imortalidade. Tudo o que sonhamos é deixar de ser apenas o invólucro que esconde um monstro inusitado, para nos tornarmos a imagem e semelhança verdadeira da divindade. Porém, a cada dia que passa, mesmo com todas as religiões do mundo, com toda a boa-vontade, mais nos afastamos da luz e buscamos a escuridão.
A tecnologia é perfeita, mas não consegue sobrepujar a ignorância, a Ciência é ilimitada, mas não consegue domesticar a fera que em nós habita. Um milésimo do paraíso prometido, com alguns exageros, pode ser desfrutado por uma elite sobre-humana e privilegiada, que detém o poder, restando ao homem comum, apenas a realidade própria das feras e da mais escura das cavernas!

domingo, 31 de julho de 2011

TEMPO

Carlos Morais Júnior Cadeira n° 18 - Patrona: Madalena Salatti de Almeida
Conspira o tempo para nos envelhecer e nos mostrar que a juventude se foi, para nos mostrar que não somos donos de nada, muito menos da nossa vida. A vida é uma ilusão passageira e instantânea, na qual nos apegamos para nos deliciarmos com uma falsa sucessão de momentos tênues de felicidade. Conspira o tempo para demonstrar que as mudanças são inevitáveis e muito profundas, que se refletem também na nossa materialidade. Conspira o tempo para que possamos sentir e entender a sua existência e a sua fatalidade, que nos empurra para a degenerescência e para a finitude.
Viver... Essa esperança que nos embriaga e nos envaidece, é na verdade um privilégio. Somos privilegiados, sem dúvida, porque nascemos perto da perfeição, aparelhados e destinados a nos tornarmos centenários. Mas na ansiosa e desesperada busca do prazer, no egoísmo de aproveitar cada minuto que nos foi dado, a esperança se transforma em casualidade, o viver se torna a suprema aventura humana. Viver, então... Essa loteria que nos incita a espremer o bagaço dos últimos segundos que nos restam.
Conspira o tempo para que vivamos plenamente, com toda saúde e força, o ruidoso cotidiano que nos cerca, até que os excessos, as loucuras e a dissolução nos afastem da perfeição e nos tornem inevitavelmente finitos e previsíveis. Conspira o tempo, então, para a destruição lenta de nós mesmos, desafiando nossas capacidades e o excelso discernimento. O poder de escolher que nos foi dado e que, amiúde, se vira contra nós pela falta de cautela que temos ao usá-lo. Num segundo tudo o que nos eterniza pode nos deixar e o rol daquilo que mais tememos pode se apossar de nós.
Conspira o tempo para que nossa estada neste plano seja longa, estável e feliz, mas no ato sublime de gerenciar com sabedoria o que nos foi dado, por sermos apenas humanos e falíveis, sempre erramos nas contas, vamos por caminhos proibidos e por atalhos desconhecidos. Temos consciência do engodo, mas de nada adianta arrepender-se depois que o malfeito é descoberto. A responsabilidade nos acolhe em seus braços poderosos e nos esmaga, para que jamais tais atos se repitam.
Conspira o tempo para que sejamos infantis a vida inteira, para que jamais consigamos aproveitar o que nos foi legado. Na ansiedade dos folguedos nos esquecemos de cuidar de nossas obrigações até que chega o momento em que temos que enfrentar o tempo, não como brisa que atravessa tudo sem ser percebido, mas como o carrasco que veio cobrar de nós o que deixamos de fazer. O desespero nos aflige, porque sabemos que nada pode retroceder, e não existe remédio, nem cura, para um desleixo tão grande. Mas na nossa inocência meninil, somos iludidos por falsas promessas, esperançosos de conseguir enganar o tempo que conspira contra nós.
Pobres tolos arrependidos! É isso o que somos! Possuidores de todos os dons, de toda a tecnologia, de todas as belezas e infinita inteligência, mas incapazes de vencer a inclemente força exterminadora do tempo que passa como uma brisa pelas nossas vidas. Conspira o tempo então, para que sejamos gratos e resignados com nossa sorte inglória e imprecisa. Ele é o carrasco cruel que nos tira tudo, num piscar de olhos, inadvertidamente, mas que não vai deixar de ser exato no momento de nossa partida. Quando chegar a hora ele não nos dará nem um segundo a mais!

sábado, 11 de junho de 2011

Ô do Gibi!

Carlos Moraes Júnior - Cadeira no 18
Escrever é fácil. O difícil é comunicar alguma coisa, profunda ou não, a partir daquilo que se escreve.
Muita gente tem vontade! Daí para as barbáries grafadas em letras de forma é um pequeno passo de falta de vergonha.
Sejamos sinceros...Escrever é fácil. Emenda, corta, cola, apaga...Finalmente! Uma crônica! Uma poesia...A primeira, a costumeira, a obrigatória...A derradeira! Fácil, sim, todavia, obra de poucos iluminados, menestréis de prosa e verso, construtores de ideias. Disse poucos? Algumas centenas de milhares, nascidos nos mais distantes rincões, matutos, advogados, radialistas, políticos, escritores...Escritores. Ser escritor é uma paixão? Sofrimento? Utopia num país que não lê, e coloca o torpe e o grotesco como literatura e alija a literatura a um lugar de destaque na prateleira dos esquecidos!
Grita alguém: "Melhoramos muito em 20 anos!" Ainda bem! Senão estaríamos na contramão do tempo. Festejos a parte, temos longo caminho a trilhar:longe dos auto-ajudistas, religiosistas, sexistas...E longe da literatura de regime: da luz, da água, da laranja com abacaxi, dos sete kiwis!
Existem os nascidos para algo e os não nascidos.
Uma coisa é verdade: quem não nasceu para ser poeta ou escritor não deve enveredar-se por caminhos desconhecidos e pretender sê-lo! Falar a linguagem da poesia e da crônica, principalmente, é muito difícil, ainda mais difícil para quem não entende nada de poesia e de crônica e se mete a escrever em tudo o que é lugar, com ares de varredor de rua que leu um pedaço do Almanaque do Biotônico e se deu ares de botar as manguinhas de fora para os incautos.
Quem não entende, engole o fio de cabelo no meio da massa do pão, mas quem entende, acha o fio de cabelo e vai de esporas em cima do padeiro!

CLUBE DOS ESCRITORES (site)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O homem cúbico

Carlos Moraes Júnior. Cadeira no 18


Eis que se fez a versão zoomórfica do homem cúbico, ordenado em colunas iguais, frias e prosaicas. Edifícios aleatórios que formam um verdadeiro caudal de prisões individuais, gaiolas personalizadas, nas quais se quedam, impiedosamente, os prisioneiros da mesmice do cotidiano. Uma prisão regular, entremeada de laivos de liberdade vigiada, pelos olhos famélicos da violência, pelos sussurros soturnos dos dizeres misteriosos, que sempre seguem o prisioneiro falsamente liberto, em horas estudadas, legalmente estruturadas para que seu penar seja longinquamente suportável.
E tudo, para que, depois do anoitecer, ele se sinta aliviado e seguro, novamente, dentro de sua gaiola de ferro e vidro. Gaiolas que encerram seres tão diversos, sentimentos tão desconexos e comportamentos estranhos e mesmerizados. Gaiolas de prazer, que levam seus ocupantes às torrentes apaixonadas e mecânicas do sexo, da televisão, da pipoca e do chocolate. Prazeres ocultos no fast-food, na pizza e no catchup! Gaiolas de ilusão, que levam milhares e se debaterem dentro dos carros ensangüentados, nas praias emporcalhadas e no interior de outras gaiolas luminescentes, coloridas e perfumadas. Gaiolas das baladas ou gaiolas das loucas madrugadas, das estonteantes noitadas regadas à uísque, ecxtasy, mulheres seminuas e risos falsos da alegria reprimida. São gaiolas de loucura, que levam a planetas desconhecidos e inóspitos, numa viagem sem volta que convida ao grito e à taquicardia!
Gaiolas do saber, nas quais, enclausurados e atentos, os pequenos autômatos repetem as palavras e conceitos, que devem servir para diminuir o desgaste e o pavor impostos pelo meio, e mais, para tentar definir, interpretar e inventar resposta para o vazio gerado pelo cotidiano. Gaiolas de escravidão, com turnos severos e iguais de oito horas, revezadas entre dias e noites sempre intermináveis. Trabalho intenso que não leva a lugar nenhum, não traz prazer e nem riqueza. Somente a certeza de que um autômato nasceu para ser desta forma e morrerá ouvindo as mesma surradas e idiossincrásicas verdades, herdadas de outros iguais, que repetiram, sem questionar, o mesmo modus vivendi.
Gaiolas de castas, amontoadas como coisa inservível, penduradas acima das gaiolas onde sorriem os ricos cada vez mais ricos. Gaiolas da maioria cor de quase noite, massacrada pelo ódio social, acossada por mazelas de toda sorte, a provar que não existe lugar neste mundo para aqueles que pertencem à casta dos pobres, a não ser, quem sabe, num trabalho insalubre e desumano, com carimbo de escravidão, que levará ao desespero e à certeza de continuar cada vez mais miserável.
Gaiolas de incerteza, de dúvidas sem respostas. Cubículos de dois metros quadrados onde dormem, fedem e agonizam centenas de maltrapilhos, chaga que todos querem esquecer, estatística resultante de outra estatística maior, egocêntrica e insolúvel. Gaiolas de solidão, de falta de humanidade. Gestos de repulsa, de neurose e de estertor. Gestos que levam a comportamentos inusitados, que fazem, de vez em quando, um autômato com um parafuso a menos, talvez, resolver experimentar a distância até o chão. A falta de lógica para tal ato tresloucado, faz dele o próprio sentido da existência, na busca da morte para encontrar a vida. A parecença desse vôo será porventura a fuga da ave cativa de sua gaiola, na esperança de experimentar, ilusoriamente, em outro plano, a tão sonhada liberdade.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Colaboração do Acadêmico Carlos Morais Júnior - Cadeira no 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida


Construtor de Imagens


Acho que todo poeta sabe, bem lá no fundo, da importância da imagem para a sua poesia, da linha tênue que existe entre o material e o imaterial, unindo estes dois mundos de forma coesa e própria, como se o sonhar pudesse, repentinamente, tornar-se realidade, e a realidade, por sua vez, pudesse passar do real para o sonho, completando a mágica da metáfora e da impossibilidade, da insensatez, da fantasia e do imponderável. Mas qual a técnica de um construtor de imagens? Sem dúvida, a simplicidade de seus versos quase universais, tendendo para o coloquial, sem rebuscamentos possíveis ou palavras forçadas para dar ênfase.
Talvez mais antiga, mais universal e mais afeita ao povo, a poesia que traz sua base do grito, do primordial que existe dentro do ser humano, desenvolveu seu universo através dos séculos e aporta nos nossos dias ilesa, livre de impurezas, incólume e inteiriça, como a arte de transformar a imagem em sentimento, e o sentimento em palavras. Derivada da arte de representar, impregnada com os bafejos e as cores do teatro primitivo, de forma tão intrínseca, a arte da poesia interpretativa e que retrata o imaterial que emana da reali-dade é tão importante, hoje, como captar imagens imediatas de um vídeo ou de um filme.
E como deve ser o ritmo de um poeta moderno? Sem dúvida, ele deve ser o ritmo ágil das máquinas, dos barulhos e ruídos da modernidade, da memória e do palavreado dos passeantes que passam apressados, parecendo jamais chegar a lugar algum, deve ter o ritmo lento e alucinante das danças, das músicas, o poder belicoso da gíria, da vida que é vivida nas periferias, das melodias entoadas pelos instrumentos rancorosos de hoje: metralhadoras, escopetas e fuzis R-15; melodias que contam a história de vidas que se perderam no meio do caminho, de pessoas que foram e vieram, de pessoas que deram a vida para que o sentimento pudesse fluir e transformar-se na matéria-prima do cotidiano do poeta.
Se é verdade que a poesia é uma arte nobre, uma ponte entre o lacônico ritmo enjaulado entre as quatro paredes de uma cela de segurança máxima e o ritmo largo e cabal dos tiroteios, dos gritos desafinados de horror daquelas vítimas que clamam por justiça, procurando na religião o que esta nunca vai poder dar; afirmamos ser o ritmo do poeta alguma coisa que também se encontre nas quadras desertas de uma favela, nos corredores dos hospitais e nas lajes frias e despidas das morgues; pois aí, o poeta constrói seus versos e suas histórias parelhas, uma dependente da outra, para terminar seu mister em um bordão de arrancar gritos de histeria, que incorpora a chave de ouro desta poesia tão popular e, ao mesmo tempo, a mais erudita de todas!
Certamente, sem envergonhar-se, sem buscar meias palavras ou coisas fantasmagóricas e surpreendentes, o poeta demonstra sua capacidade como autor, como compositor e construtor de imagens, adestrando de maneira exata as várias facetas de seu mundo poético, a nos ensinar que, mesmo nos dias de hoje, cabe assunto para fantasiar e tergiversar sobre realidades tão palpitantes e de tanta sinceridade, como o amor, a violência, as coisas da cidade, o mar, as forças da natureza e o íntimo de todos nós, que deve saber tão bem desvendar e decodificar.

Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2- Maria Madalena t Tricanico de Carvalho Silveira- Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Marcelo Batuíra da Cunha Losso Pedroso - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Christina Aparecida Negro Silva - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11- Antonio Filogênio de Paula Junior-Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz de Arruda Pinto
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Lídia Varela Sendin - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Shirley Brunelli Crestana- Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Marcelo Pereira da Silva - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Carmelina de Toledo Piza - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Angela Maria Furlan – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35- Elisabete Jurema Bortolin - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Eliete de Fatima Guarnieri - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Capranico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz