
Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
A cadeira nº 34 da APL
Conheci Adriano Nogueira no ano de 1971, nos corredores da Faculdade de Direito do IEP (atual UNIMEP), quando de seu ingresso no então Curso de Ciências Jurídicas e Sociais, do qual era eu segundanista.
Coleguismo de acadêmicos, a princípio, discutindo questões ligadas ora com o andamento dos estudos, ora com a demora de reconhecimento da Faculdade pelo MEC, ora fazendo digressões sobre os chamados “anos de chumbo” e padecendo juntos da mesma asfixia de ideias, ideais e sonhos da juventude da época, imposta pela ditadura militar.
Mas, apesar disso, havia espaço também para as noites degustadas e bebericadas nas confraternizações do Diretório Acadêmico de Direito, ali na Rua Rangel Pestana, num tempo em que cada Faculdade tinha o seu próprio Diretório, e neste era possível perceber o surgimento do sentimento mais puro que identifica o universo estudantil : o espírito acadêmico, esse substrato mágico que permeia a diversidade de indivíduos, e acaba por uni-los para sempre num magma de amizade e afeição.
Algum tempo após nossas formaturas, voltamos a ombrear em novas lutas, desta vez como profissionais do Direito, participando do mesmo escritório de advocacia, convívio esse que perdurou por pouco tempo, quando Adriano decidiu-se pelo funcionalismo público, ingressando no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, e ali permaneceu até sua aposentadoria, após o que entregou-se de corpo e alma ao magnífico projeto da criação e edição do Jornal literário “Linguagem Viva”, em parceria com a poetisa Rosani Abou Adal.
Na verdade, nem foram longos meus tempos de convivência com a pessoa de Adriano Nogueira, afastados pela distância entre São Paulo e Piracicaba e pela diversidade das atividades que exercíamos. No entanto, se a convivência não foi extensa, nem por isso o liame surgido nos bancos acadêmicos deixou de se consolidar no tem¬po e com o tempo, na medida em que os raros reencontros serviam para renovar sempre a substância e identidade daquela amizade. Em 1985, convidei-o para padrinho de meu primogênito Marco Aurélio.
Estranho que, embora divergíssemos sempre em termos de ideologias políticas, tal fato não provocava nenhum distanciamento entre nós, talvez porque cultivássemos a mesma pureza de ideais e porque bem compreendíamos a infância dos nossos sonhos.
Nem mesmo a política estudantil nos abalava. Basta dizer que foi para ele que perdi, pela primeira vez, uma eleição estudantil, e justamente quando disputamos a presidência do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito. Lembro-me de que, sem nenhuma amargura, nenhuma mágoa, acompanhei-o na comemoração dessa vitória, ali no Bigeto, em noite memorável de amizade e descontração, e sobretudo, de respeito mútuo.
Adriano era, na verdade, uma grande alma, dessas almas grandes que dignificam o substrato de humanidade que existe em cada um de nós; e como convem às almas dessa natureza, era um homem simples em todos os aspectos : no modo de ser, de falar, de vestir, de conviver.
Era um literato, e conhecia a fundo o universo das letras, sem nunca dar-se ares de estudada intelectualidade. Era um poeta, e de finíssima sensibilidade; e, embora pouco se tenha dedicado a trilhar as diáfanas veredas de Parnaso, deixou-nos pérolas encantadoras, demonstrando rara criatividade e inspiração poéticas.
Piracicabano apaixonado por sua terra, não economizava ho¬menagens aos grandes valores morais e intelectuais que aqui pontificaram, culminando por publicar o seu “Registros Literários”, divulgando nomes e obras de poetas e escritores locais que, ao longo do tempo, dignificaram as letras piracicabanas. Não pode, contudo, concluir o projeto de publicar outras edições dessa obra, com que ampliaria o registro do panorama da Arte Literária de Piracicaba. Faleceu antes disso, deixando interminado o trabalho.
Tenho para mim que a escolha de seu nome para Patrono da Cadeira nº 34 da nova Academia Piracicabana de Letras resultou de ato da mais pura justiça, posto que esta se patenteia quando, mesmo no universo das paixões humanas, vislumbra-se o reconhecimento da legitimidade do verdadeiro mérito.
E a mim, a quem coube a honra de poder escolher ADRIANO NOGUEIRA por meu Patrono na Galeria de Acadêmicos da APL, resta-me o compromisso e a responsabilidade de dignificar-lhe o nome, e esforçar-me por fazer jus à sua dimensão como pessoa, como cidadão, como profissional e, também, como inesquecível literato.
Coleguismo de acadêmicos, a princípio, discutindo questões ligadas ora com o andamento dos estudos, ora com a demora de reconhecimento da Faculdade pelo MEC, ora fazendo digressões sobre os chamados “anos de chumbo” e padecendo juntos da mesma asfixia de ideias, ideais e sonhos da juventude da época, imposta pela ditadura militar.
Mas, apesar disso, havia espaço também para as noites degustadas e bebericadas nas confraternizações do Diretório Acadêmico de Direito, ali na Rua Rangel Pestana, num tempo em que cada Faculdade tinha o seu próprio Diretório, e neste era possível perceber o surgimento do sentimento mais puro que identifica o universo estudantil : o espírito acadêmico, esse substrato mágico que permeia a diversidade de indivíduos, e acaba por uni-los para sempre num magma de amizade e afeição.
Algum tempo após nossas formaturas, voltamos a ombrear em novas lutas, desta vez como profissionais do Direito, participando do mesmo escritório de advocacia, convívio esse que perdurou por pouco tempo, quando Adriano decidiu-se pelo funcionalismo público, ingressando no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, e ali permaneceu até sua aposentadoria, após o que entregou-se de corpo e alma ao magnífico projeto da criação e edição do Jornal literário “Linguagem Viva”, em parceria com a poetisa Rosani Abou Adal.
Na verdade, nem foram longos meus tempos de convivência com a pessoa de Adriano Nogueira, afastados pela distância entre São Paulo e Piracicaba e pela diversidade das atividades que exercíamos. No entanto, se a convivência não foi extensa, nem por isso o liame surgido nos bancos acadêmicos deixou de se consolidar no tem¬po e com o tempo, na medida em que os raros reencontros serviam para renovar sempre a substância e identidade daquela amizade. Em 1985, convidei-o para padrinho de meu primogênito Marco Aurélio.
Estranho que, embora divergíssemos sempre em termos de ideologias políticas, tal fato não provocava nenhum distanciamento entre nós, talvez porque cultivássemos a mesma pureza de ideais e porque bem compreendíamos a infância dos nossos sonhos.
Nem mesmo a política estudantil nos abalava. Basta dizer que foi para ele que perdi, pela primeira vez, uma eleição estudantil, e justamente quando disputamos a presidência do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito. Lembro-me de que, sem nenhuma amargura, nenhuma mágoa, acompanhei-o na comemoração dessa vitória, ali no Bigeto, em noite memorável de amizade e descontração, e sobretudo, de respeito mútuo.
Adriano era, na verdade, uma grande alma, dessas almas grandes que dignificam o substrato de humanidade que existe em cada um de nós; e como convem às almas dessa natureza, era um homem simples em todos os aspectos : no modo de ser, de falar, de vestir, de conviver.
Era um literato, e conhecia a fundo o universo das letras, sem nunca dar-se ares de estudada intelectualidade. Era um poeta, e de finíssima sensibilidade; e, embora pouco se tenha dedicado a trilhar as diáfanas veredas de Parnaso, deixou-nos pérolas encantadoras, demonstrando rara criatividade e inspiração poéticas.
Piracicabano apaixonado por sua terra, não economizava ho¬menagens aos grandes valores morais e intelectuais que aqui pontificaram, culminando por publicar o seu “Registros Literários”, divulgando nomes e obras de poetas e escritores locais que, ao longo do tempo, dignificaram as letras piracicabanas. Não pode, contudo, concluir o projeto de publicar outras edições dessa obra, com que ampliaria o registro do panorama da Arte Literária de Piracicaba. Faleceu antes disso, deixando interminado o trabalho.
Tenho para mim que a escolha de seu nome para Patrono da Cadeira nº 34 da nova Academia Piracicabana de Letras resultou de ato da mais pura justiça, posto que esta se patenteia quando, mesmo no universo das paixões humanas, vislumbra-se o reconhecimento da legitimidade do verdadeiro mérito.
E a mim, a quem coube a honra de poder escolher ADRIANO NOGUEIRA por meu Patrono na Galeria de Acadêmicos da APL, resta-me o compromisso e a responsabilidade de dignificar-lhe o nome, e esforçar-me por fazer jus à sua dimensão como pessoa, como cidadão, como profissional e, também, como inesquecível literato.
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