
Colaboração do Acadêmico Gustavo Jacques Dias Alvim
Cadeira n° 29 - Patrona: Laudelina Cotrim de Castro
Laudelina Cotrim de Castro
Escolhi para patronesse da cadeira, que ora ocupo na Academia Piracicabana de Letras, a saudosa professora Laudelina Cotrim de Castro, que nasceu no dia 12 de abril de 1907 e faleceu em Piracicaba, aos 74 anos, no dia 13 de setembro de 1981. Era filha do Prof. Benedito Cotrim Dias (professor e diretor de escola primária) e de Cândida Wolf Cotrim Dias (do lar). Foi casada com Docler de Castro; não teve filhos.
Formou-se professora normalista na Escola Complementar, hoje Instituto de Educação “Sud Mennucci” e dedicou sua vida ao magistério, sua grande paixão, e, mais tarde, atuou, durante muitos anos, na antiga Escola Normal Oficial de Piracicaba, depois Escola Normal “Sud Mennucci”, instituição em que se formara, e também na Escola Normal “Miss Martha Watts” do Colégio Piracicabano, sempre na área da pedagogia, ensinando a disciplina Prática da Educação. Quando tinha seus quase 50 anos de vida, tomou uma decisão corajosa: transferiu-se para São Paulo, para fazer o vestibular para o Curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade de São Paulo, na Rua Maria Antonia, uma das mais renomadas do país, apesar de já ser titular, por concurso público, da cadeira que ocupava na Escola Normal Oficial, em Piracicaba. Licenciou-se em 1959. Depois de lecionar na própria instituição em que se formara, aposentada, voltou a residir em Piracicaba. Ela teve, também, nessa cidade, na década dos anos 40, um curso de admissão ao ginásio (que, então, exigia exame para ingresso), reconhecido pela sua qualidade e conseqüente elevado número de alunos aprovados.
A Profª Laudelina, que os íntimos chamavam de Lina, era uma pessoa eclética e multifacetada. Enquanto residiu em Piracicaba destacou-se, não só como professora, dedicada, inteligente e
culta, mas também como animadora cultural. Amante da música, era pianista, bailarina, acordeonista, violonista e cantora. Gostava de organizar shows artísticos, espetáculos teatrais e de balé (eventos que montava e acompanhava ao piano), bem como outros tipos de festas, envolvendo seus alunos e pessoas da sociedade. Um desses espetáculos, muito esperado, era o “Show Normalista”, realizado, anualmente, no antigo Teatro Santo Estevão, demolido em 1952. Nessas ocasiões ela fazia de tudo: preparava o roteiro e “scripts”, montava as cenas, fazia o esboço dos roteiros e trajes das persona-gens, ensaiava, buscava apoios e participava pessoalmente do espetáculo. Nada lhe escapava; era exigente, pois queria tudo o mais perfeito possível. Nela transbordavam a alegria e o entusiasmo. Tinha uma criatividade e dinamismo invejáveis. Em tudo punha muita beleza e arte.
Maria Aparecida Mahle, a partir de pesquisas, registrou que a Profª Laudelina levou a efeito o primeiro desfile de moda, em Piracicaba,. Sobre ela escreveu:
“Professora interessante, cheia de vivacidade e energia foi Laudelina Cotrim de Castro. Para organizar uma festa escolar, fazer a coreografia de um bailado, podiam contar sempre com seus préstimos e qualidades. Creio, também, que o primeiro desfile de modas que Piracicaba presen¬ciou foi organizado por ela, em 1946, no Teatro Santo Estevão. Tinha o mesmo a finalidade de colaborar com os formandos do ginásio, daquele ano, do “Sud Mennucci”; a renda era para pagar as despesas com a festa. Nenhuma casa de modas patrocinava o evento e desfilávamos com os vestidos confeccionados por nossas próprias costureiras. Também não havíamos feito nenhum treinamento especial; apenas quem gostava e “levava jeito” participava. Isso Laudelina resolvia... E para desfilarmos havia “música ao vivo”. O evento, seguido de uma brincadeira dançante, foi um sucesso” (Extraído de “A Província” – www.aprovincia.com.br).
Estava, também, sempre envolvida nos movimentos da vida cultural da cidade, na qual tinha presença marcante. Publicou muitos artigos, alguns polêmicos, no “Jornal de Piracicaba” e em outros periódicos, sobre assuntos variados e a respeito de temas da sua área, a Educação. Erudita, lia muito. Inveja a sua biblioteca e o seu vasto conhecimento, inclusive de idiomas estrangeiros. Quando eu tinha dúvidas ou necessidade de ajuda para algum trabalho escolar era a ela que eu recorria. E mais, falava muito bem, uma grande oradora.
Ela gostava de viajar e de organizar viagens, muitas delas para seus alunos. Aliás, numa época em que as viagens não eram tão fáceis e comuns, não perdia oportunidade de conhecer novos lugares, no Brasil e no exterior. Tinha horror a viagens aéreas, preferindo sempre a via marítima ou terrestre. Como o seu marido não apreciava muito esses périplos, ela, se articulava com colegas ou amigas, para fazê-los. Visitou a Europa, inclusive a Rússia, em tempos de “guerra fria”, e países latino-americanos.
Outra faceta de sua personalidade era o gosto pelo esporte, especificamente a natação, que praticava regularmente, para manter o seu preparo físico. Ao que me consta, foi na sua residência, imóvel que chamava a atenção pelo inusitado estilo normando de sua arquitetura, edificada em 1948 (imóvel ainda hoje existente, na Rua 15 de Novembro, esquina com a Rua José Pinto de Almeida), que se fez a primeira piscina numa casa particular em Piracicaba.
O Legislativo piracicabano homenageou essa ilustre e querida educadora, dando o seu nome a uma avenida, junto ao Bosque da Água Branca, perto do ribeirão Piracicamirim.
De um artigo de autoria do professor, escritor e jornalista Leandro Guerrini, sobre a Profª Laudelina, publicado no “Jornal de Piracicaba”, em 14 de julho de 1985, pincei as seguintes frases e expressões: “Vida consagrada à arte”. “Professora, no vero sentido da palavra”. “Alma feita de musicalidade, no genuíno sentido do vocábulo”. “Não apenas uma individualidade que interpretava os acordes alheios. Criava, movimentava inteligências, descobria talentos. Ficaram de grata recordação os recitais normalistas, a cargo dos alunos que tais. Titular da Escola Normal, movimentava talentos, ao final de cada ano, organizando espetáculos, não apenas escolares, mas de fina essência cênica”. “Elemento para qualquer parada, excelente musicista, um sentido de finura que encantava. Exemplo vivo como diretora e ensaiadora”. “Pode-se afirmar que fora acompanhadora oficial da cidade. Tudo quanto era artista des¬garrado que aparecesse cá na taba e se propunha a um concerto, lá estava Laudelina Cotrim de Castro como acompanhadora ao piano e regente da orquestra.”
A jornalista, professora e advogada Antonietta Rosalina da Cunha Losso, escrevendo para o “Jornal de Piracicaba”, na edição de 17 de setembro de 1981, sobre a Profª Laudelina, assim se ex-pressou: “Que criatura maravilhosa, vibrante, determinada era ela! Que elegância e precisão de termos tinha. Uma dicção perfeita, aliada à sempre propriedade do que expunha. De uma vivacidade de espírito tão grande que não lhe permitia se ater apenas às suas aulas de Prática, mas que a fazia organizar excursões, espetáculos de arte e até balés idealizados e acompanhados por ela ao ritmo de piano”.
NOTA - Embora tenham sido próximas as minhas relações com a Profª Laudelina Cotrim de Castro, em razão de vínculos familiares, pois era minha tia, são, infelizmente, escassas as fontes documentais e testemunhais, onde pudesse buscar informações detalhadas para compor a sua biografia. Ao pensar em pessoas que a conheceram e com ela conviveram, lembrei-me do meu amigo, Prof. Dr. Samuel Pfromm Netto, pessoa que desfrutou da amizade com a homenageada. Contatado, solícito e mui gentilmente, enviou-me, o verbete que escreveu a respeito dela, para o seu, ainda inédito, “Dicionário de Piracicabanos”, além de cópias de artigos publicados no “Jornal de Piracicaba”, de autoria de Diva de Castro Cardoso, Leandro Guerrini e Antonietta Losso Pedroso, depois do falecimento da mesma, acima referidas, dos quais me utilizei para fazer este texto.
Formou-se professora normalista na Escola Complementar, hoje Instituto de Educação “Sud Mennucci” e dedicou sua vida ao magistério, sua grande paixão, e, mais tarde, atuou, durante muitos anos, na antiga Escola Normal Oficial de Piracicaba, depois Escola Normal “Sud Mennucci”, instituição em que se formara, e também na Escola Normal “Miss Martha Watts” do Colégio Piracicabano, sempre na área da pedagogia, ensinando a disciplina Prática da Educação. Quando tinha seus quase 50 anos de vida, tomou uma decisão corajosa: transferiu-se para São Paulo, para fazer o vestibular para o Curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade de São Paulo, na Rua Maria Antonia, uma das mais renomadas do país, apesar de já ser titular, por concurso público, da cadeira que ocupava na Escola Normal Oficial, em Piracicaba. Licenciou-se em 1959. Depois de lecionar na própria instituição em que se formara, aposentada, voltou a residir em Piracicaba. Ela teve, também, nessa cidade, na década dos anos 40, um curso de admissão ao ginásio (que, então, exigia exame para ingresso), reconhecido pela sua qualidade e conseqüente elevado número de alunos aprovados.
A Profª Laudelina, que os íntimos chamavam de Lina, era uma pessoa eclética e multifacetada. Enquanto residiu em Piracicaba destacou-se, não só como professora, dedicada, inteligente e
culta, mas também como animadora cultural. Amante da música, era pianista, bailarina, acordeonista, violonista e cantora. Gostava de organizar shows artísticos, espetáculos teatrais e de balé (eventos que montava e acompanhava ao piano), bem como outros tipos de festas, envolvendo seus alunos e pessoas da sociedade. Um desses espetáculos, muito esperado, era o “Show Normalista”, realizado, anualmente, no antigo Teatro Santo Estevão, demolido em 1952. Nessas ocasiões ela fazia de tudo: preparava o roteiro e “scripts”, montava as cenas, fazia o esboço dos roteiros e trajes das persona-gens, ensaiava, buscava apoios e participava pessoalmente do espetáculo. Nada lhe escapava; era exigente, pois queria tudo o mais perfeito possível. Nela transbordavam a alegria e o entusiasmo. Tinha uma criatividade e dinamismo invejáveis. Em tudo punha muita beleza e arte.
Maria Aparecida Mahle, a partir de pesquisas, registrou que a Profª Laudelina levou a efeito o primeiro desfile de moda, em Piracicaba,. Sobre ela escreveu:
“Professora interessante, cheia de vivacidade e energia foi Laudelina Cotrim de Castro. Para organizar uma festa escolar, fazer a coreografia de um bailado, podiam contar sempre com seus préstimos e qualidades. Creio, também, que o primeiro desfile de modas que Piracicaba presen¬ciou foi organizado por ela, em 1946, no Teatro Santo Estevão. Tinha o mesmo a finalidade de colaborar com os formandos do ginásio, daquele ano, do “Sud Mennucci”; a renda era para pagar as despesas com a festa. Nenhuma casa de modas patrocinava o evento e desfilávamos com os vestidos confeccionados por nossas próprias costureiras. Também não havíamos feito nenhum treinamento especial; apenas quem gostava e “levava jeito” participava. Isso Laudelina resolvia... E para desfilarmos havia “música ao vivo”. O evento, seguido de uma brincadeira dançante, foi um sucesso” (Extraído de “A Província” – www.aprovincia.com.br).
Estava, também, sempre envolvida nos movimentos da vida cultural da cidade, na qual tinha presença marcante. Publicou muitos artigos, alguns polêmicos, no “Jornal de Piracicaba” e em outros periódicos, sobre assuntos variados e a respeito de temas da sua área, a Educação. Erudita, lia muito. Inveja a sua biblioteca e o seu vasto conhecimento, inclusive de idiomas estrangeiros. Quando eu tinha dúvidas ou necessidade de ajuda para algum trabalho escolar era a ela que eu recorria. E mais, falava muito bem, uma grande oradora.
Ela gostava de viajar e de organizar viagens, muitas delas para seus alunos. Aliás, numa época em que as viagens não eram tão fáceis e comuns, não perdia oportunidade de conhecer novos lugares, no Brasil e no exterior. Tinha horror a viagens aéreas, preferindo sempre a via marítima ou terrestre. Como o seu marido não apreciava muito esses périplos, ela, se articulava com colegas ou amigas, para fazê-los. Visitou a Europa, inclusive a Rússia, em tempos de “guerra fria”, e países latino-americanos.
Outra faceta de sua personalidade era o gosto pelo esporte, especificamente a natação, que praticava regularmente, para manter o seu preparo físico. Ao que me consta, foi na sua residência, imóvel que chamava a atenção pelo inusitado estilo normando de sua arquitetura, edificada em 1948 (imóvel ainda hoje existente, na Rua 15 de Novembro, esquina com a Rua José Pinto de Almeida), que se fez a primeira piscina numa casa particular em Piracicaba.
O Legislativo piracicabano homenageou essa ilustre e querida educadora, dando o seu nome a uma avenida, junto ao Bosque da Água Branca, perto do ribeirão Piracicamirim.
De um artigo de autoria do professor, escritor e jornalista Leandro Guerrini, sobre a Profª Laudelina, publicado no “Jornal de Piracicaba”, em 14 de julho de 1985, pincei as seguintes frases e expressões: “Vida consagrada à arte”. “Professora, no vero sentido da palavra”. “Alma feita de musicalidade, no genuíno sentido do vocábulo”. “Não apenas uma individualidade que interpretava os acordes alheios. Criava, movimentava inteligências, descobria talentos. Ficaram de grata recordação os recitais normalistas, a cargo dos alunos que tais. Titular da Escola Normal, movimentava talentos, ao final de cada ano, organizando espetáculos, não apenas escolares, mas de fina essência cênica”. “Elemento para qualquer parada, excelente musicista, um sentido de finura que encantava. Exemplo vivo como diretora e ensaiadora”. “Pode-se afirmar que fora acompanhadora oficial da cidade. Tudo quanto era artista des¬garrado que aparecesse cá na taba e se propunha a um concerto, lá estava Laudelina Cotrim de Castro como acompanhadora ao piano e regente da orquestra.”
A jornalista, professora e advogada Antonietta Rosalina da Cunha Losso, escrevendo para o “Jornal de Piracicaba”, na edição de 17 de setembro de 1981, sobre a Profª Laudelina, assim se ex-pressou: “Que criatura maravilhosa, vibrante, determinada era ela! Que elegância e precisão de termos tinha. Uma dicção perfeita, aliada à sempre propriedade do que expunha. De uma vivacidade de espírito tão grande que não lhe permitia se ater apenas às suas aulas de Prática, mas que a fazia organizar excursões, espetáculos de arte e até balés idealizados e acompanhados por ela ao ritmo de piano”.
NOTA - Embora tenham sido próximas as minhas relações com a Profª Laudelina Cotrim de Castro, em razão de vínculos familiares, pois era minha tia, são, infelizmente, escassas as fontes documentais e testemunhais, onde pudesse buscar informações detalhadas para compor a sua biografia. Ao pensar em pessoas que a conheceram e com ela conviveram, lembrei-me do meu amigo, Prof. Dr. Samuel Pfromm Netto, pessoa que desfrutou da amizade com a homenageada. Contatado, solícito e mui gentilmente, enviou-me, o verbete que escreveu a respeito dela, para o seu, ainda inédito, “Dicionário de Piracicabanos”, além de cópias de artigos publicados no “Jornal de Piracicaba”, de autoria de Diva de Castro Cardoso, Leandro Guerrini e Antonietta Losso Pedroso, depois do falecimento da mesma, acima referidas, dos quais me utilizei para fazer este texto.
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