(foto do Google, não sei a autoria)
Lídia Sendin
Hoje o tempo amanheceu com um pé na noite. A
preguiça do sol envergonhava as nuvens. Blocos negros e fofos rondavam o céu
procurando o melhor lugar para despencar. Olhares preocupados voltavam-se para
cima e mãos afobadas trancavam as janelas rapidamente na espera ansiosa pelas
águas aguardadas e temidas a um só tempo.
As pequenas folhas da roseira e a grama do jardim
se unem às copas das árvores e se agitam humildemente na antessala do
espetáculo que está por vir. A música veemente dos trovões é antecedida pelas
luzes que riscam os céus.
Os primeiros
e tímidos pingos não devem ser desprezados, são prenúncios de águas que cairão
tempestuosas.
O rio
agradece. A vida se renova. Respire, o ar está limpo.

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