Usar a
imagem de uma pomba branca para representar a paz, pode. Usar o pombo para
representar a terceira pessoa da Santíssima Trindade, pode. Usar pombo para a
Festa do Divino, pode. Usar pombinhos para convites de casamento, pode. Usar a
ave como pombo correio, pode. Matar pombos para comer, pode. Mas dar milho ou farelo
de pão para eles, não pode, e gera multa de 500 reais. Assim como também é
proibido alimentar gatos abandonados e moradores de rua. Alegam os legisladores
que é um problema de saúde pública. Como se as farmácias populares não estivessem
sempre em falta com medicamentos, como se as filas para atendimentos não fossem
imensas, além da falta de profissionais, etc...
De
tempos em tempos retornam as discussões polêmicas sobre a presença dos pombos
na cidade. Muita gente se incomoda com a sujeira e cobra ações da prefeitura. Dão
até sugestões absurdas, como reduzir o número de árvores.
Medidas drásticas ou cruéis, tipo
extermínio, de nada adiantam. Ações hitlerianas só denotam ignorância a
respeito do assunto e nunca foram solução para questão alguma.
Segundo pesquisas, menos de 30%
das fezes encontradas são de pombos, os restantes 70% são de outras aves. Não
se pode esquecer que na região de Piracicaba existem seis espécies da família
dos pombos que são nativas. Por isso as rações anticoncepcionais são
condenadas, porque além de serem inviáveis devido ao custo e pela dificuldade
de fazer com que se alimentem com a dose correta, podem afetar outras espécies
de aves que também comeriam essa ração, comprometendo outros ecossistemas.
A população deve ser orientada a
seguir condutas de higiene e saber sobre o contágio das principais doenças e
como agir caso ocorram sintomas que prenunciem algumas dessas zoonozes.
Há muitas maneiras não agressivas
de evitar que vivam no telhado das casas. Pombas não gostam de material
brilhante como papel laminado. E nem do odor do cravo-da-india. Também o uso de
fios de naylon a dez centímetros de onde elas costumam pousar, faz com que se
afastem do local. Providenciar vedação de vãos nos forros e telhados e outros
locais onde possam criar ninhos, colocando telas ou tapumes, conforme o caso.
Colocar festões brilhantes ou manequins de predadores, tipo espantalho de
corujas, falcões, também costuma dar bons resultados afastando-as do local.
As medidas têm que ser de acordo
com a legislação para não causar danos às aves, nem ao meio ambiente, e devem
ser aprovadas pelas sociedades protetoras de animais.
A presença de pombos em praças
não é algo exclusivo de Piracicaba. São encontrados
no mundo todo, exceto nas regiões polares. Chegaram ao Brasil trazidos por imigrantes europeus no
século XVI como aves domésticas, adaptando- se muito bem aos grandes centros
urbanos, devido a facilidade de encontrar alimento e abrigo. A diferença
é que nos países desenvolvidos fazem a limpeza e desinfecção regularmente das
praças, mantendo tudo higienizado.
Na Turquia há milhares de pombais, pequenas aberturas pintadas de branco ou decoradas com
arabescos coloridos para atrair os pássaros, projetados para permitir a entrada
dos pombos e protegê-los contra predadores, mantendo os ninhos seguros.
Na Capadócia existe o Vale dos Pombos, um local pitoresco
perto da cidade de Uchisar, onde numerosos pombais foram escavados desde os
tempos antigos. O vale, cujo nome deriva dos pombos, é um ponto turístico
bastante visitado e protegido pelo governo, sendo o local patrimônio Mundial da
UNESCO.
E aqui, quem é cruel, mata e maltrata animais, raramente é
punido, mas quem tem compaixão e alimenta pombos e animais de rua, é condenado.
E que não sejam punidas pessoas de bom coração!




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