
Patrono: Leo Vaz
Agradecer e desculpar-me por possíveis falhas me garantem a consciência tranqüila de ter lutado para fazer o correto. Sinto-me à vontade para falar da história de A Tribuna Piracicabana, nestes seus 36 anos, agora com a segunda geração tornando-se fato real e fraterno ao mesmo tempo. Eu e Astir temos três filhos, Erika, Evaldo Filho e Erich, que sempre foram bônus em nossa vida de lutas e sacrifícios e jamais representaram ônus fortuitos, quer material ou espiritualmente. Nunca indicamos que deveriam seguir jornal, mas temos fé ter sido a divina providência.
Ao citar a história de A Tribuna, jornal lançado em 1º de agosto de 1974, passando por baixos e altos, altos e baixos, porque a luta continua, retomo a lembrança da luta da geração anterior – meu pai faleceu e minha mãe, Aparecida, alegra-me aqui – quando acompanharam o êxodo rural e deixaram, como grava a infância, a paisagem das colinas de Laranjal Paulista.
Também luta quando viemos para Piracicaba e, no dia-a-dia de pensão de estudantes, cada um procurando seus caminhos, e eu me encontrei, adolescente, na redação do extinto O Diário, depois A Folha de São Carlos e depois a instalação de A Tribuna, eu com 20 anos. Companheiro de trabalho, no ideal de jornal, meu irmão mais novo, Américo Jr., em cujo nome, permita-me saudar carinhosamente a todos colaboradores e amigos presentes.
Luta de começar no chumbo, máquinas planas, antigas; luta para ocupar o espaço que eu tinha certeza existir para um terceiro jornal em Piracicaba, no mais puro jornalismo comunitário, sem sensacionalismo, mas em defesa da cidade e do seu povo. Simples, sim, mas com determinação e paciência, disposição ao trabalho, que fizeram chegar, sempre com lutas, a este momento.
Luta para mudar do sistema convencional para o off-set, depois mais luta para a importação de máquinas impressoras rotativas modernas; luta e desacertos para tentar ampliar e, agora, luta para continuar. Muitas vezes, luta para evitar falência e luta para recuperar o tempo perdido. Permita-me Deus que eu continue nessa luta, que continuem na luta minha mulher e meus filhos, e em Piracicaba seja A Tribuna o que foi o Correio Braziliense para o Brasil em 1808: “Mostrar, com evidência, os acontecimentos do presente, e desenvolver as sombras do futuro”.
Recorro-me a Gonçalves Dias, na Canção dos Tamoios, entre os mais belos versos da poesia brasileira, para alertar as gerações futuras:
“Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.”
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