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Toshio Icizuca Patrono: Elias de Melo Ayres Cadeira no 38 |
Um dia desses,
na manhã quente de verão, estava eu malhando na “Academia da Terceira Idade” do
Parque da Rua do Porto. Aliás, uma das grandes realizações da administração Barjas Negri que encerrou o
mandato no final de dezembro. Espero que a próxima não me deixe com a saudade
da anterior.
Então, estava no
aparelho que é chamado de “remador” e, ao invés de olhar para frente, que seria
a posição normal da cabeça, olhava o solo. Não havia motivo para isso, mas
estava. Quem me visse assim poderia pensar que estava procurando algo que
deixei cair durante o movimento dos braços, pernas e o tronco. Na verdade
estava completamente absorto, desligado de tudo, como se estivesse sozinho no imenso parque.
De fato, no
início era isso mesmo, porque costumo me relaxar dessa forma, embora o corpo
esteja em movimento. Porém, a partir de certo momento a minha atenção se fixou
em uma formiga que parecia estar perdida, andando sem rumo, mudando de direção
sem nenhum motivo aparente. Instantes depois já eram duas formigas, com as
mesmas atitudes. Ao aumentar o meu campo de visão percebi que eram perto de dez
formiguinhas, perdidas ou desgarradas a procura de alimentos para a sua
sobrevivência. Assim imaginei naquele momento, mas poderia ser por outros
motivos, como rejeição da “família”, “desempregadas”, ou até ociosas por falta
de “habilidade” para o trabalho.
Ao imaginar essa
situação, o meu pensamento foi mais longe, em vez de formigas, essas pequenas criaturas
podiam ser seres humanos, gentes como moradores de rua que dormem ao relento e
ficam perambulando pelas ruas à procura de alimentos para saciar a fome. Para
fazer uma ligação entre as duas situações não foi preciso relembrar histórias
da civilização humana, os fatos reais ocorriam bem próximos um do outro, pois
há mais de meses um grupo de moradores de rua fizeram da cobertura da nova Rua
do Porto a sua moradia. Todas as manhãs, ao deixarem a cobertura eles se
dirigem ao sanitário do Parque para fazerem a higiene pessoal. Depois se dispersam
e cada um toma o seu rumo para “ganhar o pão de cada dia”.
Não tenho nada
contra os moradores de rua, eles vivem à sua maneira dentro da sociedade,
talvez injusta para alguns, mas justa para outros... A solução do problema é da
alçada dos governos, municipal, estadual e federal.
Talvez tenha
sido infeliz em fazer comparações entre os dois fatos, uma vez que as formigas
trabalham, enquanto no outro grupo nem os jovens fazem isso. Falta de emprego? Culpa
da sociedade? Tenho as minhas dúvidas...
Texto publicado na Gazeta de Piracicaba
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