João Baptista de Souza Negreiros Athayde
Se eu fosse poeta,
até ergueria
Um canto sublime
em versos sentidos
Contando a
história da longa jornada
E os frios temores
ao longo da estrada
De um jovem
buscando seus sonhos ungidos
Se eu fosse poeta
eu bem saberia
Da angústia e das
dores da alma contrita
Do jovem sozinho
em meio à cidade
Vazio de amores. E
a dura saudade
Ferindo seus
sonhos na insana desdita
O tempo que passa,
também é remédio.
As dores se
acalmam, nas lides dos dias
O sol de repente
ressurge no espaço
Também a cidade se
abre em abraço
Enchendo de vida
as noites vazias
E a mesma cidade
dos braços abertos
Que o moço
acolhera, na sua tristeza
Abriu-lhe um
sorriso sensível, materno
E o povo da terra,
de sangue fraterno
A vida ensinou-lhe
a olhar com leveza
São novos
caminhos. O ideal altanado
É luz que alumia!
Divino fanal!
Os passos à
frente, pisando os escolhos
São passos levando
o brilho dos olhos
Trazido das eras –
herança ancestral
É duro o trabalho,
o estudo também!
Adiante o futuro
com seus desafios
Convida ao combate,
cobrando coragem
E o jovem se
entrega àquela voragem
Sem medo, sem
pejo, coberto de brios
E passam-se os
dias. A estrada é comprida!
Preciso é
vestir-se de longo preparo
Nas lides do foro
a paz é buscada
Por isso que a lei
deve ser sustentada
Trazendo às pessoas
justiça e amparo
E quanto é preciso
maduro bom senso
Que mágoas desfaça e a paz alevante!
Mister tão
sublime do advogado
Também para isso é
sempre chamado
Sua mera presença
por vez é bastante
Se eu fosse poeta,
eu bem que cantara
A saga do jovem
que aqui aportou
Nos longes do século
há tanto passado
Chegara tão triste,
de tudo cismado
E aqui seu lugar,
no entanto, encontrou
E tanta alegria
compôs seu caminho
E tantas vitórias
marcaram seus dias
Família e os
amigos que foram chegando
Profundos afetos a
alma marcando
Deixando ao
passado as noites vazias
Em rápidos traços,
foi esta a história
A saga do jovem –
tão simples paisano
Chegado de longe,
sonhando o futuro
Aqui encontrando
um porto seguro
Fazendo-se enfim CAIPIRACICABANO!

Nenhum comentário:
Postar um comentário