Antonio Carlos Fusatto
Aquele homem andara pelo mundo
Procurando uma tal felicidade
De que ouvira falar, em tenra idade,
Mas nunca vira nem por um segundo.
Percorrera cidade por cidade.
Foi do palácio – o luxo mais profundo –
Ao lupanar – a escoria do submundo –
Sem encontrá-la. Era uma irrealidade.
Certa noite avistou, num lar paupérrimo,
A mãe feliz a dar o seio ubérrimo
À criancinha loira, rosicler.
Aí o velho achou o seu tesouro
Muito maior que a pedra, a prata, o ouro –
Naqueles olhos ternos de mulher.

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