Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria 2025/2028

Presidente: Raquel Araujo Delvaje Vice-presidente: Vitor Pires Vencovsky Diretora de Acervo: Christina Aparecida Negro Silva 1a secretária: Elisabete Jurema Bortolin 2a secretária: Ivana Maria França de Negri 1o tesoureiro: Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto 2o tesoureiro: Edson Rontani Junior Conselho fiscal: Antonio Carlos Fusatto Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal Cássio Camilo Almeida de Negri Jornalista responsável: Evaldo Vicente Responsável pela edição da Revista: Ivana Maria França de Negri Conselho editorial: Aracy Duarte Ferrari Eliete de Fatima Guarnieri Leda Coletti Lídia Sendin Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Mensagem de NATAL

Isadora, neta da Lurdinha, Talita, Ana Clara e Mariana, netas do Cassio e da Ivana



Rosaly Curiacos de Almeida Leme


Deus se faz criança. E no mundo, renasce a esperança...
Na nossa família literária, também acontecem momentos felizes em que as crianças se fazem presentes..
Há 30 anos, nós, Bino e eu, levávamos Alexandre em cestinho de bebê para as nossas reuniões literárias.
Hoje, esporadicamente, Lurdinha traz a neta, mas Ivana e Cássio trazem uma ou mais netas, felizmente.
Ana Clara já é modelo oficial da Academia.
Não há festa natalina que seja alegre e que retrate a esperança sem a presença real de crianças.
E, se algum dia não houver presença real de crianças, que os literatos tragam no coração as alegrias encontradas nas coisas simples, a renovação constante das esperanças que as crianças carregam.
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme
Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mensagem Natalina

Leda Coletti- Cadeira no 36
Mais do que nunca precisamos de NATAIS:
Natal da ESTRELA-GUIA a nos indicar os caminhos na escuridão.
Natal de aconchego para sobreviver à frieza do mundo egoísta.
Natal, sobretudo de AMOR, para de coração aberto aceitarmos os nossos irmãos - diferentes na raça, cultura e religião.
Natal que será FESTA de verdade, se nos deixarmos tornar crianças e nos sentirmos felizes não só em receber, mas, sobretudo em dar presentes, principalmente se estes forem do jardim de nossos dons e talentos pessoais.
Natal pleno de JESUS que rima com LUZ e que nos dá o exemplo e coragem para amar e perdoar.
É esse NATAL que almejo para você e seus familiares.

( Meu) Menino Jesus
Leda Coletti

Tão bom falar do Menino Jesus
                                    imaginá-lo vestindo túnica comprida,
                                   bastos cabelos cheios de cachos,
                                   olhos vivos, tez colorida.
                                                             
                                   Imagino Jesus Menino
                                   à frente da casa de Nazaré,
brincando com outras crianças
                                   velados com carinho por Maria e José.

Do que ele brincaria?
pular corda, jogar bola,
 pega-pega, esconde-esconde
ou o que lhe vinha na cachola?

                                   Como teria sido gostoso
                                   ter Jesus como companheiro
                                   na minha infância, na roça
tornando-se meu fiel parceiro.

                                   Ele usaria calças curtas, 
                                   correria na campina, pantanal,
                                   iria procurar ninhos de galinhas
                                   no meio do verde canavial.

                                   Será que disputaria meus livros,
                                   ajudaria na tarefa semanal?
                                   com certeza ele seria meu par
                                   na dança de quadrilha do arraial.

Saudade da imagem na capela,
onde Jesuzinho dizia sim
quando a moeda no cofrinho
estalava e fazia dim...dim...

Outra imagem sua tocou-me.
De joelhos, bumbum erguido
trouxe-a de Fátima, Portugal
meu enfeite tão querido.
   
Fique sempre ao meu lado
meu querido Jesus Menino,
vamos brincar, espalhar alegria.
extrair da vida o mais belo hino.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Confraternização de final de ano da APL, lançamento do livro de Aracy Duarte Ferrari, da revista no 4 da Academia Piracicabana de Letras e outorga de medalhas

(fotos de Ivana Negri)
Ana Clara mostra  medalha da APL e a revista no 4 recém lançada

A presidente Maria Helena Corazza e a nova escritora Isadora César Pacello que lançou seu primeiro livro
Composição da mesa: escritora Aracy Duarte Ferrari, diretora da Biblioteca Municipal Lucila Silvestre, presidente Maria Helena Corazza e o vice Armando Alexandre dos Santos.

Aracy Duarte Ferrari autografando seu mais novo livro "Mergulho Interior"
Participações literárias da escritora Aracy
Rosaly e Felisbino de Almeida Leme
Premiadíssima escritora Carla Ceres e Leroy Capeletti

Fátima e Elias Jorge
Luzia Stocco, Leda Coletti, Carmen Pilotto, Myria Botelho e Aracy Ferrari

Acadêmicos André Bueno Oliveira e Carmen Pilotto

Acadêmicos Ivana e Cassio Negri e a netinha Ana Clara

Acadêmico e presidente do Centro Literário João Baptista Athayde e Vera

Acadêmica Marisa Bueloni, Leda e a presidente Maria Helena Corazza

Neta da Aracy, Leda Coletti e Gisele Silva

Aracy discursando


Aracy autografando

Maria Lucia Aguiar Paccini e esposo e a acadêmica Myria Botelho

Acadêmicos Evaldo Vicente, Armando dos Santos, Gilberto Marchiori e amigos
Aracy, genro e filha

Vista parcial do anfitetaro

Acadêmico Geraldo Victorino de França ( Voinho), a filha Ivana Negri e a bisneta

Acadêmicos Waldemar Romano e Armando Alexandre

Myria Botelho e Ivana Negri
Carmen Pilotto recebendo a medalha da presidente Maria Helena
Maria Helena e Homero Anefalos
Maria Helena e Myria Botelho
Marisa Bueloni, Ivana Negri, Carmen Pilotto e Ana Clara

João Baptista Athayde discursando
Maria Helena e Olivio Alleoni
Cassio Negri e Geraldo França
A elegante e famosa gravata do Armando

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

SONETO DE NATAL

André Bueno Oliveira
Cadeira n° 14 - Patrona: Branca Motta de Toledo Sachs

Raríssimo perfume do Sudeste:
- alecrim debandando o matagal.
Cigarras em corais... que canto é este?
- Cantiga mais antiga de Natal!

Campina a se enfeitar de flor agreste,
nascida sem pecado original.
Que céu é este céu azul-celeste?
- É céu de Sol-Verão! Céu de Natal!

Vitrines-luzes-vivas coloridas,
barzinhos agitando as avenidas
fulgentes, a brilhar num mar de luz.

Brindemos o Natal todas as raças!
Ergamos, efusivos, nossas taças,
saudando o nascimento de Jesus!

DE OSTENSÍLIO A TECNOFÓSSIL VIVO *

 Carla Ceres Oliveira Capeleti
Cadeira n° 17 - Patrona: Virgínia Prata Gregolin 
A tecnologia envelhece mais rápido do que nós ganhamos dinheiro para substituir nossos ostensílios (utensílios de ostentação) eletrônicos por modelos último tipo. Produtos de ostentação pública, como celulares, ficam no topo da cadeia de renovações periódicas. Alguém ainda sai carregando um celular antigo, tipo tijolão? As TVs, como ostensílios domésticos, nos quais vemos o mundo e sonhamos ser vistos por ele, também são trocadas com frequência. Passam por achatamentos, esticamentos e fazem jus a uma infinidade de novos painéis e suportes decorativos para mostrar pras visitas.
No meio dessa gastança, alguns aparelhos permanecem essencialmente inalterados e sobrevivem desde períodos tecnológicos muito antigos. São tecnofósseis vivos. Claro que, em termos de tecnoconsumismo, a expressão “muito antigo” significa uns dez anos.
Antes visto como um ostensílio de primeira necessidade, o videocassete chegou à categoria de tecnofóssil vivo, ao sobreviver ao meteoro publicitário que anunciou a chegada do DVD. “Vídeo” ou “VCR”, para os íntimos, ele segue pacificamente ruminando suas fitas ao lado de novas tecnologias e deixou saudade nos que o trocaram por seu lerdo concorrente.
Nos primórdios da videolatria, a sofisticação e o preço do aparelho intimidavam os seres humanos adultos. As crianças, no entanto, aprendiam logo a abrir e fechar o compartimento da fita, que se erguia como um elevador, na parte superior do equipamento. Bastava os pais saírem, para os meninos colocarem seus carrinhos de brinquedo dentro do vídeo. O barulho das engrenagens emperrando precedia o grito e o chororô de “Pai, o videocassete engoliu meu carrinho!” E tocava levar o vídeo pro conserto!
Cães e gatos tampouco se intimidavam com a importância do VCR. Sem cerimônia, roíam o fio de seu controle remoto. Sim, o controle remoto era com fio. Acho até que só evoluiu para sem fio, por causa dos animais de estimação famintos. Por falar em fome... Quando a entrada da fita passou a ser feita por uma abertura frontal, o aparelho ganhou uma aparência mais amistosa para as crianças menores. Aos olhos delas, aquela grande boca retangular precisava ser alimentada com balas, chocolates e poderia (por que não?) aceitar chupetas.
Quando encontravam bolachinhas entre as engrenagens, as formigas se alegravam, mas seria injusto culpar as crianças pelo fato de alguns vídeos se tornarem verdadeiros formigueiros. O aparelho atrai formigas porque é quentinho e tem uma graxa doce, de cheiro apetitoso. Enquanto passeiam entre os componentes eletrônicos, as formigas são inofensivas, mas, quando morrem, liberam um ácido que danifica o aparelho. Pro conserto, outra vez!
Como um monstro mitológico, o VCR foi ganhando cabeças ao longo de sua evolução. Começou com uma de áudio e duas de vídeo. Terminou com sete, entre áudio, vídeo e apagamento. A cabeça, ou cabeçote, era o componente mais caro e frágil ao alcance do usuário metido a técnico. Quando a cabeça ficava suja, era comum haver quem se aventurasse a abrir o aparelho para limpá-la como se fazia com os cabeçotes dos velhos gravadores de fita K7, ou seja, usando álcool e um cotonete. Resultado? As fibras do algodão se enroscavam no cabeçote e o quebravam. Depois de desembolsar um bom dinheiro, os proprietários aprendiam como limpar direito ou deixavam a missão com os profissionais.
Por sorte, esses profissionais não se extinguiram. Foram apenas obrigados a evoluir, o que garante aos tecnofósseis atuais e futuros uma vida saudável enquanto existirem peças de reposição.

* Crônica classificada em primeiro lugar no Mapa Cultural Paulista - fase Regional

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A LUZ

Carlos Morais Júnior Cadeira n° 18 - Patrona: Madalena Salatti de Almeida
Saber enxergar a luz quando a escuridão toma conta de todo o redor, eis o que se precisa. Saber ver as coisas, não como elas são, mas como elas realmente são, eis o que se precisa. E a luz que se enxerga, não deve ser a mesma luz que aparece. Deve ser, sim. uma luz que vem de dentro, e da qual o brilho aquece, torna tudo o que era frio mais quente, tudo o que era desesperança em esperança; e tudo o que era descrença em fé.
É essa a luz que deve ser vista... Mas como? Cada pessoa a verá com a força que tiver em seu coração. Verá diferentemente, porque é diferente a maneira de sentir. Mas todos a verão como uma pequena coisa que brilha, lá na curva do horizonte. Quase se apagando, quase se apagando, quase se apagando... Saber enxergar. Poder ver a luz que os outros não conseguem ver, poder sentir-lhe o calor, quando os outros estão esfregando as mãos para se aquecer no meio do rígido inverno, eis o que se precisa...
Mesmo porque a luz está em todas as partes, mas bri¬lha somente àqueles que tem os olhos próprios para enxergá-la, àqueles que tem o coração propício para re¬cebê-la. Que luz é esta? Que re¬presenta? E por que brilha? Essas perguntas quem pode responder? Talvez, com mais propriedade, aqueles que já tiveram a oportunidade de ver a luz, pairando sobre o horizonte, dentro do seu próprio quarto, no es¬pelho do banheiro ou mesmo numa madrugada bem fria. Estes poderão dizer que a aparição fê-los felizes! E o sentimento que a luz tem o poder de transmitir é a feli¬cidade...
Sou louco? Devo ser... Mas não quero morrer an¬tes de enxergar a luz. Essa luz que todos dizem ter visto, mas que é tão difícil de descobrir no meio da treva. Não quero morrer an¬tes de dizer que eu sou um daqueles que tem os olhos preparados e o co¬ração aberto, antes de dizer que eu tive o poder de ver a luz... Não querer morrer sem enxergar a luz, eis o que é preciso. Não fechar os olhos sem ver esse sinaleiro, que no meio do oceano pisca in¬termitente, como um farol que indica o caminho que deve ser seguido.
E como nos parece pe¬quena, um foco luminoso no meio do oceano! Mas, as¬sim mesmo, vamos! Assim mesmo vamos ao encalço dela. Sabemos que o tur¬bilhão das ondas fará com que ela se afaste de nós. Mas temos denodo, temos força para chegar mais perto, cada vez mais perto.
Neste ponto, gritamos pragas ao vento, quando vemos que ela se afasta de novo. E quantas vezes não peguei o leme, e gritei pragas para o vento esperando que o espírito dos temporais fizes¬se a luz chegar mais perto, mais perto, mais perto... Brincamos de pegador com ela. Quando nos chega¬mos ela se afasta, quando nos afastamos ela se achega... E a vida passa para nós, nessa brincadeira in¬cessante. E somos meninos da vida, porque ela se apre¬senta para nós, também co-mo criança.
E como criança, a vida toma de nós, todas as vezes, aquilo que, como crianças que também somos, ardente¬mente desejamos! A vida nos toma a luz que parece estar, ao mesmo tempo, tão perto de nossas mãos, e tão longe delas... Sou louco? Devo ser... Mas não quero morrer an¬tes de pegar a luz...

domingo, 4 de dezembro de 2011

Convite - Lançamento da Revista no 4 da APL



A acadêmica Aracy Duarte Ferrari lança na mesma noite seu livro "Mergulho Interior".
Aracy Duarte Ferrari

Aracy Duarte Ferrari lançará seu livro "MERGULHO INTERIOR", coletânea de contos, crônicas e poesias, no dia 14 de dezembro na Biblioteca Municipal de Piracicaba, às 19h30, durante o evento da APL


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

RECICLAGEM DE NATAL

 Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Amigos criam artesanatos
no carinho de lares perfeitos
afagam com especiais lembranças
os quatro cantos da cidade:
bordados em cores vibrantes
biscoitos elaborados em afeto
poemas-calendário inspirados
cartões multicores de vida.

Nas vitrines do consumo
os presentes perdem o efeito
diante da humanidade revitalizada
na fraternidade cristã do advento.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

PIRACICABA - MINHA TERRA

Lino Vitti Cadeira n° 37 - Patrono: Sebastião Ferraz



O RIO

Convocando do norte arroios corredeiros,
chamando para si ribeirões e ribeiros,
numa orgia sem par,
Piracicaba - o rio - adentra as nossas plagas;
cobrindo com amor em meio a suas vagas
os peixes a brilhar.
Vem de longe, sereno, amansando a paisagem,
entre colinas vem refletindo à passagem
roças, campos, painéis, cidades a sorrir.
É um rio social, decerto, o que nos banha,
tem pintado, mandi, curimbatá, piranha,
tem dourado e pacu para o povo servir.
Extensos canaviais, frondosas capoeiras,
Capinzais em tropel descendo as ribanceiras,
Pescadores aos mil...
Rio Piracicaba, outrora fértil, rico,
Hoje exangue, a morrer, contigo triste fico,
Humilhado e servil.
Quantas bocas, meu Deus, rio, dessedentaste,
Quantas terras em flor, meu amigo, regaste,
Quanto céu refletiste e nuvens a passar!
Quantas aves talvez às tuas margens lindas
Afofaram seu ninho em criações infindas,
Levando o teu frescor em cada pobre lar!
Rio Piracicaba a retratar o azul,
Correndo sem cessar em demanda do Sul
Onde o espera o Tietê.
Quem outrora te viu transbordante de vida
Ao contemplar-te, agora, água desmilingüida
De certo não o crê.
E, súbito, na marcha, a corcova de pedra
em cujos socavões a casculada medra,
precípite se atira aos trancos e aos cachões.
Ecoa em derredor a paisagem da terra
não se sabe se é a pedra ou se a água que berra,
guaiando em convulsão, remoinhando em bulcões.

A catadupa é bela, a catadupa encanta,
a espumarada ferve e a pedraria canta,
num coro universal.
As árvores estão com cara de assustadas,
as folhas, a tremer, batem descompassadas
qual fora um vendaval.
Trepida a ponte, acima, ao baque da cascata
e as guardas em roldões às vezes desacata,
desembestando em fúria os firmes pedestais.
É a força da corrente a nos fazer surpresas,
é o choque colossal das águas indefesas,
contra as pedras, quiçá, como eternas rivais.
O arvoredo adjacente estranha a catapulta
do salto que devora as águas e as sepulta
no seio do poção.
Por isso as vê amansar abaixo calmamente
tal e qual como ocorre às vezes com a gente
e com o coração.
E o rio, logo abaixo, ainda meio tonto,
mas um tanto feliz, parece, entrega o ponto
e deita em mansidão qual gigante a dormir.
Recebe-o com carinho a barranca do Porto
mais calmo e mais tranqüilo assim como um rei morto
após deixar atrás as pedras a mugir.
E lá vai, sonhador, murmurando uma prece
até que em curva além ele desaparece
resmungando quiçá.
Deixando para trás sua Piracicaba
que num gesto lhe diz: saudades desta taba,
um dia voltarás.
Mas é um sonho, Senhor, um sonho de poeta,
é força de expressão da pena de um esteta
quando pincela um rio assim forte e leal,
pois ontem era um rio, um rio de verdade,
sua excelsa figura hoje virou saudade,
é sombra a agonizar, pira sem pedestal.
Todos querem saber de sugar-lhe as entranhas
e com enganos vis, com tétricas patranhas
a fonte assassinar, o belo conspurcar.
E o rio vai morrendo, aos poucos vai morrendo,
agonia de dor, doloroso “crescendo”...
Onde estão os heróis para o rio salvar?!

Era a água cristalina, era límpida e isenta,
o lábio do mortal nela se dessedenta
bebendo-lhe o cristal, de bruços, sem temor.
Que delícia, que gosto e que grande prazer!
Tudo porém findou e é ousadia beber
dessa fonte que foi uma fonte de amor.
Quantas vezes regou as paragens agrícolas
onde mora o caboclo em líricas edículas
- força oculta do brio altivo do porvir!
Quantas vezes também beijado de luar
carregaste no seio em ânsias a remar
o barco de um casal em vias de fugir!
Quantas vezes à beira escondida das margens,
depois de atravessar mainéis e largas vargens
encontraste, à barranca, o calmo pescador!
Davas-lhe o lambari, a piava e o lindo bagre,
para ele, rio meu, tu eras o milagre,
a ceia, o mata fome, o prato salvador!
Como te invejo, rio, a rebrilhar em poças,
refletindo o arvoredo, as pastagens, as choças,
as nuvens lá de cima em fantástico andar!
Recolhes, muita vez, em teu seio tranqüilo
o exuberante azul como se fora um Nilo
dado por Deus a nós que aqui temos o lar.
Foi abaixo do salto, onde a dengosa onda
se espreguiça na areia e em curvas se arredonda
que o Povoador chegou e disse: é mesmo aqui...
Apoitou a barcaça e ouviu bem perto o salto,
viu as margens a prumo em direção ao alto...
Chasqueava numa fronde alegre bem-te-vi.
Passos lestos subiu ao pico da colina...
Verdejava à distância a mais bela campina
cercada pelo muro azul da serra além.
Era fértil a terra; e beijando-lhe as fraldas
o rio; multidão de copas-esmeraldas
se alastrava sem fim qual infinito bem.
Foi o rio o caminho a trazê-lo a esta plaga,
a este “porto-feliz” depois de longa saga
enfrentando a torrente e todo o meio hostil.
Capitão-Povoador que no rio encontraste
o destino de um povo a cuja vida ataste
o progresso, a aventura, a coragem viril.

E a cidade espraiou cumprindo a própria sina,
galgando, sem cessar, a encosta da colina
até que, da Colina, a Noiva ela ficou.
O salto lhe emprestou um véu branco e espumante
uma aliança de sol esplendida e brilhante
e a noiva - a gente diz – co’o salto se casou.
Foi à beira do rio, ao lado da cascata,
que esta Piracicaba, em sonhos, já desata
a vontade de ser metrópole também.
É o que o seu Fundador lhe desejou outrora:
Vai, vai, Piracicaba, altiva, vida em fora,
sê modelo de amor, de glórias e de Bem.
Cumpriu-se o seu desejo; a cidade deslancha
cresce, cresce, imitando o rolar da avalancha
de metrópole imensa imitando o porvir.
Que grandeza me tens, minha Piracicaba,
quando te vejo vir dos primórdios da taba
para os arranha-céus que vejo ora subir!
A Vila cresce, a Paulicéia também cresce,
Piracicamirim que jamais esmorece,
Cidade Alta a que o nome a grandeza já diz;
Paulista, Agronomia, Areião e Jupiá...
É sem conta o rosário de bairros que já
deixam Piracicaba orgulhosa e feliz!
Bairros chiques, Jardins, gente granfina,
Bem demonstram o quanto a Noiva da Colina
Investiu no trabalho e os filhos concitou.
Outros, melhor, eu sei, cantaram tua glória,
Cantaram com valor a tua bela história,
Diante deles eu calo e digo nada sou.
Vamos deixar porém a urbe gloriosa e grande
e ir à zona rural que além verde se expande,
exuberante e rica, esplendente e louçã.
A fauna aqui prospera a vida aqui transborda,
o roceiro e o trator, mal a manhã acorda,
metem-se a trabalhar com gáudio e com afã.
De manhãzinha o sol as colinas redoura
e, com o ouro da luz, a cabeleira loura
da cabrocha que vai ao campo a seu dever.
E bandos infantis de uniforme e sacola
em gritos, a correr, demandam sua escola
- aves em revoada em busca do saber.

Farfalham canaviais extensos (que verdume!),
entre as folhas a brisa ensaia almo queixume,
enquanto vai a enxada arrasando o capim.
Às vezes, negro e feio, a perseguir o “tico”,
- esse pai carinhoso e bom que não é rico -
se ouve o agudo esgüelar do malvado chupim.
Se a cana está madura o fogo alto esbraveja
destruindo sem dó o canavial, que arqueja,
semeando cinza e fumo em doida confusão.
As máquinas (que força!) empilham negras canas,
roncando os caminhões sob cargas insanas
levam para uma usina a imensa lotação.
Rio Piracicaba ( foto Ivana )

Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2- Maria Madalena t Tricanico de Carvalho Silveira- Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Marcelo Batuíra da Cunha Losso Pedroso - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Christina Aparecida Negro Silva - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11- Antonio Filogênio de Paula Junior-Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz de Arruda Pinto
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Lídia Varela Sendin - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Shirley Brunelli Crestana- Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Marcelo Pereira da Silva - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Carmelina de Toledo Piza - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Angela Maria Furlan – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35- Elisabete Jurema Bortolin - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Eliete de Fatima Guarnieri - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Capranico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz