POETISAS QUE SE DESTACARAM EM PIRACICABA (In
Memoriam)
Piracicaba recebeu o apelido de "Florença Brasileira" e também "Ateneu Paulista", devido à sua rica herança artística, efervescência cultural e por ter sido o berço e refúgio de grandes nomes das artes. O título faz referência à cidade italiana de Florença, um dos maiores berços culturais do mundo. O principal motivo dessa comparação é o grande número de artistas plásticos, escritores, poetas, pensadores, desenhistas, cartunistas, músicos, cantores, atores, contadores de histórias que emergem nessa terra. O apelido foi eternizado no livro Piracicaba, a Florença Brasileira do jornalista e escritor Cecílio Elias Netto, que documenta a riqueza das artes piracicabanas.
A cidade destacou-se no cenário nacional desde cedo. O renomado pintor Almeida
Júnior, um dos maiores nomes da pintura brasileira, viveu e produziu obras
marcantes no município. Outros artistas locais, como Alfredo Volpi e também as
poetisas:
Marina Tricânico , Maria Cecília Machado Bonachella, Dulce Ana da Silva
Fernandez e Virginia Pratta Gregolin, todas “in memoriam”. Vou citar um poema de cada, que dentre tantos
outros, fizeram delas grandes poetisas. Elas nasceram e/ou se destacaram em
Piracicaba com suas obras, reforçando o título de berço das artes, que muito
honra nossa cidade.
(foto álbum de formatura Sud Mennucci colorizada por Ivana Negri)
MARINA TRICÂNICO
AQUELA MESA...
Aquela escrivaninha onde eu
sonhava,
Aquela mesa amada e pequenina.
Era só nela em que me refugiava
Para compor meus versos de menina.
E, debruçada sobre ela, eu ficava
Envolta pela noite peregrina.
Cheia de sonho, ingênua, acreditava
Na cigana que lera a minha sina...
Ah! Se eu pudesse achar aquela
mesa,
— Minha ternura— tenho bem certeza,
Ao começo da vida voltaria...
E chorando qual tímida criança,
Eu dela cobraria uma esperança,
E a volta dos meus sonhos, pediria...
MARIA CECÍLIA MACHADO BONACHELLA
DECISÃO
Não vou mais escrever, é minha
escolha.
Hei de deixar os meus papéis em
branco.
- tirem da minha frente – agora!
– a folha
Ou eu mesma a rasgo, ou então, a
arranco.
Qual garrafa ao mar tendo presa a
rolha
Ou caramujo enrolado, eu me
tranco.
Esta mágoa não mais meu peito
molha
Estou sendo sincera, o gesto é
franco.
Já nem mais quero rimas, ser
poetisa;
O verso se despede e agoniza
Sem remorso. É o que a alma
determina.
Não tem lugar no peito, nada
inspira.
Não, nada existe: amor, ódio ou
ira.
Apenas se extinguiu, secou a mina.
DULCE ANA DA SILVA FERNANDEZ
Quando?
Já não sei
Quando sou:
A mulher vaidosa,
Mãe carinhosa,
Vovó coruja,
Esposa-amante,
Ou uma simples poetisa.
Já não me importa saber
Qual delas eu sou,
As vantagens de ter mais
De oitenta anos de idade,
É poder ser todas
Ao mesmo tempo.
É não ter medo
De num triste dia nublado,
Ouvir cantos gregorianos,
Olhar ao espelho
E não enxergar mais,
Nenhuma delas.
VIRGINIA PRATTA GREGOLIN
PREMEDITAÇÃO
Se tudo fosse
premeditação,
Nada aconteceria por
acaso,
Nós não teríamos tanta
intuição
Para elaborar o nosso
próprio vaso.
Fazer valer nossa
predileção
No cultivo da flor, se
for o caso.
Quem premedita terá o seu
quinhão,
Felicidade sem nenhum
atraso!
Vai longe o pensamento
comandando,
Do coração a rédea, já
sem freios,
Como as ondas do mar se
vão rolando.
Se tantas causas
justificam os meios,
A premeditação vai é
somando
Fatos e atos nos seus
entremeios.




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