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Elias Salum
Cadeira n° 5 - Patrono: Leandro Guerrini |
Como Presidente fundador da AAAP, (Associação de Amadores de Astronomia
de Piracicaba), na década de 1980, iniciamos, também, uma luta juntamente com
um grupo de aficionados sobre a matéria, para a criação de um Observatório
Astronômico Municipal, que se deu em novembro de 1992, na Administração do
ex-Prefeito Dr. José Machado e com apoio da ESALQ, que cedeu uma área,
localizada no inicio da rodovia Piracicaba–Rio Claro. O Observatório hoje recebe centenas de alunos,
visitantes e turistas da cidade e região, para aulas e observações
astronômicas, ministradas pelo insigne astrônomo Nelson Travnik, aplaudido
pelas suas atuações, profundo conhecimento sobre a matéria e detentor de
inúmeras condecorações nacionais e internacionais.
Indagado por mim sobre os tópicos abaixo, ele relatou e nos prestou as
seguintes explicações, que levamos ao conhecimento dos nossos leitores.
DE ONDE VIEMOS?
Essa pergunta que há milênios aguça o espírito humano, sempre encontrou
uma resposta fácil para as mais variadas crenças. Para a ciência, contudo, o assunto foi sempre de
extrema complexidade.
Apesar de haver teorias correntes, a formação do Big Bang, expressão
inglesa usada pela primeira vez pelo astrônomo inglês Fred Hoyle (1915 – 2001),
é a mais aceita pelos astrônomos. É o modelo mais simples e preditivo que
conhecemos, muito embora envolva cálculos extremamente complexos. A radiação de
fundo e a expansão do universo são uma das razões para aceitar a grande
explosão. Contudo alguns estudiosos aventam a possibilidade de existirem outros
universos. O nosso nasceu há 13,7 bilhões de anos. Antes disso, segundo a
Teoria da Relatividade do alemão Albert Einstein (1879-1955), o espaço e o
tempo não existiam e surgiram com o Big Bang. Segundo os astrofísicos, não
faria sentido pensar em um momento anterior a esse evento. Viemos, portanto, de
um ovo primordial cuja expansão deu origem as nuvens moleculares, as estrelas,
destas aos planetas e destes ao surgimento de vida como conhecemos.
O QUE SOMOS?
Enquanto a Filosofia e a Teologia se debruçam sobre questões que não têm
necessariamente uma resposta, é a ciência (notadamente a Biologia e a Química),
que tenta responder o surgimento da vida nesse planeta que parece ter se
originado nos oceanos. As primeiras vidas eram de bactérias anaeróbicas que
viviam nas regiões de atividades vulcânicas no fundo dos oceanos. Após vários
eventos cataclísmicos locais e vindos do espaço exterior, esses organismos
quase se extinguiram, mas conseguiram sobreviver até os dias atuais, usufruindo
da energia dos vulcões e por meio da evolução. Por conseguinte, todos os seres
vivos de hoje são descendentes dos sobreviventes desses eventos. A química que
criou a vida na Terra surgiu espontaneamente da interação durante bilhões de
anos de moléculas cada vez mais complexas. Contudo a Complexidade de produzir
vida inteligente é incomensuravelmente maior do que a de gerar bactérias e
outras formas de vida primitivas de vida. O fenômeno vida, contudo, é universal
e acontece quando em ambiente favorável, as moléculas, principalmente dos átomos
de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, vão se combinando
aleatoriamente, formando complexos orgânicos até gerar ácidos nucleicos (DNA,
RNA). Segundo Carl Sagan (1934-1996), “a química que criou a vida na Terra é
reproduzida facilmente por todo o cosmo”. Os átomos que formam nosso corpo
foram criados há muitos bilhões de anos, sintetizados no núcleo do sol e
recombinados extraordinariamente de maneira a constituir a vida. Somos, por
conseguinte, filhos do Sol e nossa origem remonta o âmago dessa estrela.
ESTAMOS SÓS NO UNIVERSO?
Pelo acima exposto é obvio concluir que seria muita pretensão achar que
na imensidão cósmica somente um planeta abriga a vida, inclusive inteligente.
Seria raciocinar como os crustáceos, para os quais nada existe além da
superfície dos oceanos. Por isso alguns astrônomos já arriscaram a dizer que
nos próximos 25 anos quando o projeto ALMA, o mais poderoso radiotelescópio da
humanidade, estiver concluído em 2012 no deserto do Atacama, região de
Chajnantor, Andes chilenos, estaremos recebendo a primeira resposta aos nossos
sinais: “também estamos aqui”! Quando isto acontecer todos irão lembrar-se de
Giordano Bruno (1550-1600) em seu livro “Del Infinito Universo e Mondi”: “Há
incontáveis terras orbitando em volta de seus sóis da mesma maneira que os seis
planetas do nosso sistema... Os incontáveis mundos no universo não são piores
nem menos habitados que a nossa Terra”. Também irão lembrar de Camille
Flammarion (1842-1925), que em 1862 publicou o livro “A pluralidade dos Mundos
Habitados”. O primeiro foi queimado vivo pela inquisição por tamanha heresia e
o segundo foi demitido por U. Leverrier, diretor do Observatório de Paris por
publicar uma idéia medíocre e fantasiosa. A confirmação de mortal na crença de
que o homem é o centro da criação e que nada é mais perfeito que o planeta em
que vive. Quem viver verá.
ONDE ESTAMOS E PARA ONDE VAMOS?
A introdução do telescópio, dos radiotelescópios, sondas espaciais e os
progressos das teorias físicas, permitiram aos astrônomos traçar um quadro fiel
do lugar que ocupamos na imensidão cósmica. Somos o planeta Três preso a
atração gravitacional de uma estrela amarela que nos faz percorrer 29,5 Km/s ao
seu redor. Por sua vez, o Sol com seu séquito de planetas, satélites,
asteróides, meteoritos e cometas, avança célere a 280km/s para um ponto na
esfera celeste a 10ºSW da estrela Vega da constelação da Lira. Por sua vez, o
sistema solar está situado num dos braços da galáxia, espiral, Via Láctea,
distante 30 mil anos-luz do seu centro. Para completar uma volta na galáxia, o
sistema solar necessita pouco mais de 200 milhões de anos. Mas a coisa não
termina aí. Os astrônomos chegaram à conclusão de que a nossa galáxia está em
rota de colisão com a de Andrômeda, algo que irá ocorrer daqui a 5 bilhões de
anos. Ambas irão se interagir a exemplo desses eventos flagrados pelos grandes
telescópios. Esses são, pois, resumidamente, os parâmetros ditados pela
Astronomia. Ela é única ciência que possibilita isso.