Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

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Presidente: Raquel Araujo Delvaje Vice-presidente: Vitor Pires Vencovsky Diretora de Acervo: Christina Aparecida Negro Silva 1a secretária: Elisabete Jurema Bortolin 2a secretária: Ivana Maria França de Negri 1o tesoureiro: Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto 2o tesoureiro: Edson Rontani Junior Conselho fiscal: Antonio Carlos Fusatto Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal Cássio Camilo Almeida de Negri Jornalista responsável: Evaldo Vicente Responsável pela edição da Revista: Ivana Maria França de Negri Conselho editorial: Aracy Duarte Ferrari Eliete de Fatima Guarnieri Leda Coletti Lídia Sendin Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins

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terça-feira, 27 de maio de 2025

Terei Notado?

 


Marisa Bueloni

 

Terei notado que a saudade aumenta

Nas tardes frias do meu luto triste?

Nas longas noites, quando a noite venta

E não importa o que de mais existe?

 

Terei notado que a roseira vinga

Sem que a ela atenção lhe dê?

A chuva pródiga que nela pinga

Faz o milagre que nunca se vê

 

A água basta e uma roseira cresce

O vento e a chuva lhe são benefícios

Não há saudade produzindo dores

 

Terei notado que a rosa fenece

Embora a chuva, em seus sacrifícios

Encharque a rosa toda de amores?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Terei Notado?

 





Marisa Bueloni

 

Terei notado que a saudade aumenta
Nas tardes frias do meu luto triste?
Nas longas noites, quando a noite venta
E não importa o que mais existe?

 

Terei notado que a roseira vinga
Sem que a ela atenção lhe dê?
A chuva pródiga que nela pinga
Faz o milagre que nunca se vê

 

A água basta e uma roseira cresce
O vento e a chuva lhe são benefícios
Não há saudade produzindo dores

 

Terei notado que a rosa fenece
Embora a chuva, em seus sacrifícios
Encharque a rosa toda de amores?

 

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Terei notado?

 



Marisa Bueloni

 

Terei notado que a saudade aumenta

Nas tardes frias do meu luto triste?

Nas longas noites, quando a noite venta

E não importa o que de mais existe?

 

Terei notado que a roseira vinga

Sem que a ela atenção lhe dê?

A chuva pródiga que nela pinga

Faz o milagre que nunca se vê

 

A água basta e uma roseira cresce

O vento e a chuva lhe são benefícios

Não há saudade produzindo dores

 

Terei notado que a rosa fenece

Embora a chuva, em seus sacrifícios

Encharque a rosa toda de amores?

quarta-feira, 12 de julho de 2023

INFÂNCIA



 Marisa Bueloni

 

Minha mangueira e um viveiro de pombas

A horta verde, verde a minha idade

A minha mãe - ó tempo, como tombas

No coração o tombo da saudade

 

E de São Paulo chegava a madrinha

No trem de ferro apitando a hora

Toda a saudade que de mim provinha

Era a saudade que abraça e devora

 

A escola era um lugar tão amado

Os livros eram um sonho dourado

E a fé na vida crença verdadeira

 

O amor que vi quando eu era criança

Encheu-me assim desta vasta esperança

Com que vivi por minha vida inteira

segunda-feira, 8 de maio de 2023

SAUDADE

Marisa Bueloni

 

A fria aragem que percorre a rua

Num mês de junho, de friagem certa

Traz para a noite uma longínqua lua

Enquanto estou de alma tão desperta

 

A mesma alma que mantenho nua

De anseios vagos, faz a descoberta:

Não ser distante feito a triste lua

Estar presente, atenta e alerta

 

Soubesse o astro que no céu insiste

A noite insone a que assisto triste

Quanta tristeza no meu peito cabe

 

Talvez levasse longe esta ânsia

E reduzisse a dor desta distância

Talvez esta saudade, enfim, acabe...

quarta-feira, 29 de março de 2023

Nada é muito importante

Marisa Bueloni

 

    Num de seus programas, comentando a fala de um entrevistado, Marília Gabriela disse: “Na verdade, com o tempo, vemos que nada tem muita importância”.

   Ah, que alívio ouvir tal pronunciamento! Pois naquela hora, assistindo à entrevista, uma determinada agonia pesava como chumbo em minha alma. Ouvir a afirmativa foi uma redenção. Refletindo no fato de que nada tem muita importância nesta vida, ficamos mais leves, menos tensos, menos ansiosos.

   Nada é muito importante. Nada é tão importante assim. A roupa, a unha feita, o sucesso, o carro, o dinheiro. É preciso tão pouco para viver! Se algo der errado conosco, paciência. Tentemos de novo, aprendendo com nossos insucessos. Cada lição será preciosa, há de nos fazer crescer e aprimorar nossa visão de vida e de mundo. Vasto mundo!

            Ao longo da vida, temos experiências que nos dão a base para um próximo passo, uma atitude decisiva, com um pouco mais de segurança e confiança, na quase certeza de que não erraremos tanto. Talvez, com o passar do tempo, uma pessoa adquira a serenidade necessária para tomar decisões importantes, sem o medo do fracasso.

   O empenho constante de perseguir a perfeição em tudo, de estar a postos em todas as horas do dia, nos cansa e nos abate. O efeito é contrário. A ânsia de apresentar uma face animada e solidária 24 horas acaba se tornando um exercício de repetido esgotamento.

   Podemos prestar solidariedade, sim, mas quando solicitada, quando necessária. Antecipar o abraço do auxílio, demonstrando atenção ininterrupta, é algo que irá nos exaurir todas as forças.

   Nada é muito importante. Gravemos esta afirmação lúcida e transformadora. Busquemos o equilíbrio entre erros e acertos, balança vital para nossa paz de espírito. Importante é perdoar a si mesmo, dar um desconto próprio para os destemperos em certas situações e justificar-se com boa autoestima perante as derrotas e perdas.

   Ah! Os ganhos! As conquistas, as ações bem sucedidas! São elas o nosso alento maior, a nossa pura e clara esperança. Bom guardar seus nomes e datas, suas características maravilhosas, como belas efemérides.

   Nada é muito importante. Aprendamos isso, senhores. Uma só coisa é necessária. Ao crente religioso, será a salvação da sua alma. Não haverá algo de maior importância neste mundo. Cada um possui sua escala de valores e se pauta por eles, confiante em seu tirocínio, em seus anos de experiência, em sua plena convicção de certo e de errado.

   Num mundo precário de bons valores, onde escasseiam os exemplos de respeito, generosidade, gentileza e afeto, é alentador pensar que ainda se pode encontrar aqui e ali a abençoada chama que acenda a luz da sabedoria, da inteligência, do prodígio e da bondade.

   Não nos falte jamais a fé, este farol luminoso, lâmpada para os nossos pés. Ela poderá, sem nenhuma hesitação, nos apontar o que de fato é importante. A fé nos sustenta quando tudo o mais naufraga; a fé nos alimenta quando nossa alma morre de fome e de sede; a fé nos faz levantar da cama, sair da depressão, buscar a fonte da nossa essência.

   Nada é muito importante, lembre-se. Não se aflija por pouco. Ou por nada. Sim, todos nós, em algum momento, já nos desesperamos. Avançando na estrada, vemos que não valeu a pena. Fiquemos com esta prece libertadora: nada é muito importante.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Casas & Visitas




 


Marisa Bueloni

 

 

Quero escrever sobre o saudoso tempo das visitas, ocasiões em que era servido um bolo, um cafezinho, um doce de compota feito em casa, essas delicadezas de antigamente, entremeadas de risos cúmplices, barulhinho da xícara no pires, janelas abertas e toalhinhas bordadas.

 

Mas as visitas se perderam no tempo. Estão ter-mi-nan-te-men-te proibidas. Imagine chegar à casa de alguém na hora da novela. É crime inafiançável. Bem feito, porque é de bom tom avisar quando se vai à casa de alguém. Dar uma ligadinha antes, combinar um horário, pra você não pegar as pessoas de surpresa.

 

Danuza Leão define com elegância e educação: não se visita ninguém sem avisar antes e não se telefona para ninguém antes das 10 horas da manhã. Salvo aviso de falecimento. Acho isso de um refinamento elogiável.

 

Li numa revista  que já não se usa mais  ter aquela sala separada do resto da casa, aquele espaço todo arrumadinho, decoradíssimo, onde ninguém põe o pé. Tem casa com sala de visita onde não entra nem o papa. É proibido pisar no tapete persa, os quadros são caríssimos, o sofá é de couro legítimo, mas ninguém senta.

 

Hoje, a moderna decoração pede que se integrem todos os espaços da casa, todos os ambientes devem ser usados, partilhados. Então, que bom, aboliu-se aquela sala intocável, mera vitrine para os olhos. Mas, de nada adianta abrir os cômodos de uma residência, se há poucas visitas, se falta justamente o aconchego, a presença humana. Perdeu-se o hábito de visitar os amigos e parentes. Além do que, muitas casas viraram prisões, fortalezas de muros, grades e cercas elétricas, fortificações protegidas ao extremo, onde não se sabe se mora gente ali.

 

Ah, que saudade da minha doce casa, no tempo da infância. O portão da rua, o jardinzinho na frente, a trepadeira de florzinhas cor-de-rosa fazendo sombra no terraço adorado, os bancos de ripas de madeira com pés de cavalos de ferro. Esta fachada era um convite irrecusável para que a visita entrasse. E um tapetinho rústico na soleira da porta trazia a inscrição: Bem-vindo.

 

Hoje, estamos presos em nossos temores, acuados em nossas desconfianças. Numa rua deserta, cruzar com alguém dá arrepios. Sair de carro à noite, parar no farol, tudo tão arriscado e perigoso. Da rua, para casa. Correndo. Nosso doce lar não é mais aquele ali, pintadinho de ocre, no meio do quarteirão, com garagem e jardineiras na mureta. Quem pode está se mudando para os condomínios fechados.

 

Mas temos de vencer a paranoia do medo, pelo prazer de sair, de visitar, de viver. De abraçar a quem não vemos faz tempo e dizer aquelas palavras de antigamente, quando as pessoas em mútua bem-querença se cumprimentavam. Havia uma beleza natural nesse encontro. As casas possuíam alma, tinham cheiro de pão fresco, de café, de doce de leite borbulhando na panela, de bolo de fubá saindo do forno lá na cozinha. Tinham gosto de beijo, de abraço, de gente. Gosto de amor. À menção de um “vou indo, já é tarde”, o dono da casa dizia: “É cedo, fica mais um pouco”. E na saída, o visitante ainda ganhava de quebra o tradicional “vê se aparece mais vezes, hein?”. E era sincero.

 

Ali, no portão da rua, de saída, a visita se demorava um pouco mais, a conversa se estendia e, quase sempre, uma confidência se revelava. “Por favor, fica entre nós!”. Sim, ficava entre eles o segredo até então guardado a sete chaves.          A visita confiava, o dono da casa ouvia de bom grado o que nem gostaria de saber. Mas, enfim, estava feito.

 

Hoje, nos visitamos digitalmente, as mensagens abreviadas num vocabulário novo, mais rápido e mais ágil, e as visitas de antigamente, o café com bolo, os docinhos, as conversas tão boas e a porta da rua sempre aberta ficaram num passado que não volta mais.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Uma noite destas...



Marisa Bueloni

 

            Uma noite destas será Natal. Para mim, para você, para os que sonham. Para os construtores da aurora, para os autores da luz.           

            Uma noite destas pode ser a hora, pode ser agora, me dê a sua mão. Numa noite destas, haverá festas sem fim. Faço parte da cena, a mais bela que já vi. Eu estive nela e nunca mais saí.

            A verdade é que, numa noite destas, cravarei no meu peito mais um poema de saudade, aquela dos anos sessenta, a juventude saindo pelos poros, a vida e seu futuro.

             Então, envolta em névoas, penetro mansamente no sonho do passado, a calça boca de sino e o colar de couro. Ainda hoje, uso e abuso das saias indianas, pulseiras, brincos, uma releitura riponga que me renova o corpo e a alma.

            A alma precisa de tempo, tempo de dizer que você me inspira a lua mais bela, a noite sem medos e a canção infinita. O mundo trepidava. Do you wanna dance? E num baile cuba-libre, éramos livres para praticar a esperança.

            Você me tomou em seus braços e éramos feitos da mesma matéria dos sonhos. Matéria frágil. Este lado virado para cima. Cuidado! Soltei a sua mão e me perdi pelo salão. Eu queria plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho. A árvore não vingou, meu livro encalhou por aí. Só as filhas brilham. Envelheci na cidade. Feliz aniversário para mim que já não tenho idade.

            Dá para ver que se trata de uma poesia recorrente, mística e arrebatadora? É que meu coração pequenino, num átimo de temor, ouve o badalo de um sino. Um sino ou um tambor? Seria o rufar do destino, a luta, o desatino, o som confuso da dor? Tambor ou sino, sino ou tambor? Que som é esse, Senhor? Badala o sino grandioso, troa o tambor furioso, são anjos justiceiros, suponho, em terror. Trazem as taças divinas, abrem os livros lacrados, vestem-se de dourados, que terrível, que esplendor!

            Que dias, que dias! Ao som destas melodias, batidas no bronze e no surdo das algaravias. Desperta minha alma curiosa, desperta uma rosa. Dorme, flor jardineira, que a Hora não é chegada. Não é dia ainda, é madrugada. Dorme, rosa do tempo, e deixa que rufem tambores, que sonhem os sonhadores, que badalem os sinos, eloquentes. Cuida, rosa querida, que despertem as gentes.

            Meu coração pequenino, às vezes, ouve um sino que badala nas alturas, que se ouve nas lonjuras, pentagrama de ternuras. Ah, que sino, Senhor! Meu coração pequenino, às vezes, ouve um tambor, que soa como um estrondo, que bate um bumbo redondo e para ele respondo: Eis, vem chegado o Amor!

            Numa noite destas, será Natal. Buscarei seu olhar cúmplice, a beleza do que existe agora, do que nasce a cada instante. Nossas mãos se tocarão à meia-noite, na distância que também fala e diz as afetuosas e benditas palavras. Já não são frases de praxe, mas de um significado novo.

            Eu sonho o Natal, canto o Natal de Jesus, quero anunciar do alto dos telhados a boa nova do Salvador. Faço isso todos os anos, querido leitor. E para você, um santo e feliz Natal. Cheio de amor.

 

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Natal de Sonho

 


Marisa Bueloni

            Todos nós temos um Natal que foi um sonho em nossas vidas.       Havia um gosto de Natal dentro do coração, na mangueira do quintal, no amor dos meus tios cujas casas eram no mesmo quarteirão que a nossa,  nas árvores das ruas, na lua branca, na harpa de Luis Bourdon tocando no rádio, na janela do meu quarto por onde se viam os pés de frutas do vizinho – lá, onde todo balão caía, toda maçã nascia – , e a dona do quintal nem via.

            Creio que na nossa tenra meninice, o dia de Natal era o mais esperado de todos os dias. Ah, Natal querido, Natal singelo e simples, do presente prometido pelos pais amados, o coração pulando de alegria pela boneca, pela casinha, pelo brinquedo, o vestido pedido o ano inteiro, com o qual se ia à missa de Natal. Uma sandália encantada, um sapato de Cinderela, uma caixa de lápis de cor, daquelas bem grandes, que amávamos e usávamos até que a última cor se apagasse na folha branca da nossa felicidade.

             Ali, no terraço sombreado, colorido pelas florinhas rosas, um grupo de primos da minha idade, vestidos com roupas novas, se reunia para jogar e passávamos horas, debruçados sobre o monte de palitos coloridos,  cada um jogando a sua vez, tentando tirar um por um, sem mexer, sem derrubar a formação inicial. Era uma festa que não tinha fim. Nós éramos os donos do tempo e a vida tinha a cor daquelas varetas preciosas.

            Ah, Natal do Menino Jesus! Natal dos presépios. Natal dos anjos, dos pastores e das ovelhinhas, dos reis magos montados em seus camelos, seguindo a estrela de Belém. Nós sabíamos que era Natal, por causa do Menino Jesus. Nós só poderíamos entender aquele espírito de fé, porque víamos nossos pais falando com amor do nascimento do Menino. Havia as novenas, aos terços, as celebrações que antecediam a festa máxima da cristandade, e minha mãe ficava com os olhos cheios d´água quando dizia: “Estamos entrando na semana do Natal”.

            Mas hoje, onde está o Menino Jesus? Se perguntarmos a uma criança o que é o Natal, é provável que nos responda: “É a festa do Papai Noel, é o dia de ganhar presentes”. Nas últimas décadas, notamos que toda a propaganda natalina tem girado em torno do consumo, do materialismo desregrado, sem uma única referência ao verdadeiro sentido desta celebração. O grande Aniversariante é esquecido.

            Em muitos cartões de mensagens, já não há nenhuma referência ao natalício de Jesus. Li que na Europa estão abolindo os dizeres de "Feliz Natal", para não constranger os de outras confissões religiosas. Escrevem-se apenas "Boas Festas" ou "Feliz Ano Novo" – nada sobre o Natal, nada sobre Jesus Cristo. Jesus se tornou um nome quase proibido. E assim, sem nenhuma referência ao Menino,  a mídia contribui para que a fé católica do povo brasileiro  esfrie cada vez mais. As crianças crescem sem o conhecimento do  verdadeiro significado do Natal. Em breve, apenas um pequeno resto saberá quem é Jesus e, cada vez mais, o Natal será o dia de Papai Noel, uma festa como outra qualquer, onde se come, se bebe e se presenteia,  não se sabe por quê.

            Em algum Natal de sonho de nossas vidas, a beleza do presépio ainda está viva na memória do tempo, trazendo amor e paz à nossa alma pequenina. Um Natal de sonho será aquele que guardamos intacto em nosso coração.

 

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Natal de Sonho

 



Natal de sonho

Marisa Bueloni

            Todos nós temos um Natal que foi um sonho em nossas vidas.       Havia um gosto de Natal dentro do coração, na mangueira do quintal,  no amor dos meus tios cujas casas eram no mesmo quarteirão que a nossa,  nas árvores das ruas, na lua branca, na harpa de Luis Bourdon tocando no rádio, na janela do meu quarto por onde se viam os pés de frutas do vizinho – lá, onde todo balão caía, toda maçã nascia – , e a dona do quintal nem via. Creio que na nossa tenra meninice, o dia de Natal era o mais esperado de todos os dias. Ah, Natal querido, Natal singelo e simples, do presente prometido pelos pais amados, o coração pulando de alegria pela boneca, pela casinha, pelo brinquedo, o vestido pedido o ano inteiro, com o qual se ia à missa de Natal. Uma sandália encantada, um sapato de Cinderela, uma caixa de lápis de cor, daquelas bem grandes, que amávamos e usávamos até que a última cor se apagasse na folha branca da nossa felicidade. Ali, no terraço sombreado, colorido pelas florzinhas rosas, um grupo de primos da minha idade, vestidos com roupas novas, se reunia para jogar e passávamos horas, debruçados sobre o monte de palitos coloridos,  cada um jogando a sua vez, tentando tirar um por um, sem mexer, sem derrubar a formação inicial. Era uma festa que não tinha fim. Nós éramos os donos do tempo e a vida tinha a cor daquelas varetas preciosas.

            Ah, Natal do Menino Jesus! Natal dos presépios. Natal dos anjos, dos pastores e das ovelhinhas, dos reis magos montados em seus camelos, seguindo a estrela de Belém. Nós sabíamos que era Natal, por causa do Menino Jesus. Nós só poderíamos entender aquele espírito de fé, porque víamos nossos pais falando com amor do nascimento do Menino. Havia as novenas, os terços, as celebrações que antecediam a festa máxima da cristandade, e minha mãe ficava com os olhos cheios d´água quando dizia: “Estamos entrando na semana do Natal”.

            Mas hoje, onde está o Menino Jesus? Se perguntarmos a uma criança o que é o Natal, é provável que nos responda: “É a festa do Papai Noel, é o dia de ganhar presentes”. Nas últimas décadas, notamos que toda a propaganda natalina tem girado em torno do consumo, do materialismo desregrado, sem uma única referência ao verdadeiro sentido desta celebração. O grande Aniversariante é esquecido. Em muitos cartões de mensagens, já não há nenhuma referência ao natalício de Jesus. Li que na Europa estão abolindo os dizeres de "Feliz Natal", para não constranger os de outras confissões religiosas. Escrevem-se apenas "Boas Festas" ou "Feliz Ano Novo" – nada sobre o Natal, nada sobre Jesus Cristo. Jesus se tornou um nome quase proibido. E assim, sem nenhuma referência ao Menino,  a mídia contribui para que a fé católica do povo brasileiro  esfrie cada vez mais. As crianças crescem sem o conhecimento do  verdadeiro significado do Natal. Em breve, apenas um pequeno resto saberá quem é Jesus e, cada vez mais, o Natal será o dia de Papai Noel, uma festa como outra qualquer, onde se come, se bebe e se presenteia,  não se sabe por quê.

            Em algum Natal de sonho de nossas vidas, a beleza do presépio ainda está viva na memória do tempo, trazendo amor e paz à nossa alma pequenina. Um Natal de sonho será aquele que guardamos intacto em nosso coração.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Não é nada

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

Não é nada,
meu amor
só um pouco
de dor
Não é nada,
vai passar
quando eu for
me deitar
Não é nada,
por favor
só um leve
tremor
Não é nada,
um mau jeito
e um aperto
no peito
Não é nada,
amanhã
eu levanto
boa e sã
Mas se o dia
raiar
e eu não
acordar
Seja lá
como for
não foi nada,
meu amor

sábado, 9 de março de 2019

Terei notado?


Marisa Bueloni

Terei notado que a saudade aumenta
Nas tardes frias do meu luto triste?
Nas longas noites, quando a noite venta
E não importa o que mais existe?

Terei notado que a roseira vinga
Sem que a ela atenção lhe dê?
A chuva pródiga que nela pinga
Faz o milagre que nunca se vê
A água basta e uma roseira cresce
O vento e a chuva lhe são benefícios
Não há saudade produzindo dores
Terei notado que a rosa fenece
Embora a chuva, em seus sacrifícios
Encharque a rosa toda de amores?

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

INFÂNCIA


Marisa Bueloni

Minha mangueira e um viveiro de pombas
A horta verde, verde a minha idade
A minha mãe - ó tempo, como tombas
No coração o tombo da saudade

E de São Paulo chegava a madrinha
No trem de ferro apitando a hora
Toda a saudade que de mim provinha
Era a saudade que abraça e devora

A escola era um lugar tão amado
Os livros eram um sonho dourado
E a fé na vida crença verdadeira

O amor que vi quando eu era criança
Encheu-me assim desta vasta esperança
Com que vivi por minha vida inteira

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Sinfônica



Marisa Bueloni

O maestro é um anjo
De costas
Gesticulando as duas asas.

Vibra o corpo retumbante
Seu cabelo em desalinho
Dá-lhe um ar estupefacto.

Domina a música e o ar à sua volta:
- o maestro conversa com o sonoro
e rege os ventos! 
Da ponta dos seus dedos sai um quase psiu
E ele faz um aqui ó
Para o músico do fagote.

Gosto quando ele imita um bailado com as mãos
Concentra-se e fala com Deus.

A orquestra toca suave:           
O maestro está rezando.





terça-feira, 3 de julho de 2018

FRIO


Marisa Bueloni

A fria aragem que percorre a rua
Num mês de junho, de friagem certa,
Traz para a noite uma longínqua lua,
Enquanto estou de alma tão desperta.
A mesma alma que mantenho nua
De anseios vagos, faz a descoberta:
Não ser distante feito a triste lua,
Estar presente, atenta e alerta.
Soubesse o astro que no céu insiste
A noite insone a que assisto triste
Quanta tristeza no meu peito cabe,
Talvez levasse longe esta ânsia
E reduzisse a dor desta distância,
Talvez esta saudade, enfim, acabe.
..

domingo, 8 de abril de 2018

Um brinde àqueles que sonham


Marisa Bueloni

Haverá Deus de se orgulhar por ter criado o sonho. O sonho para o coração do homem. Penso que tudo é criação divina e o sonho faz parte de um plano perfeito, onde a terra, o fogo, a água e o ar se encaixam e se completam maravilhosamente. Ter um sonho é ter o melhor desta vida.
Deus não desenharia o homem apenas de barro. Nem lhe daria a mulher por companheira, para apenas habitarem um paraíso irretocável. O primeiro casal teria sonhado com algo mais. Sabiam-se criaturas terrenas e existiam para si mesmos. O que sonhavam enquanto se descobriam?
Ao longo dos séculos, o homem sonha. E ao sonhar, construiu cidades, ergueu catedrais, fez jardins de esplendor. Criou a história do sonho. Aposto, leitor, que seu espírito se inquieta enquanto lê estas linhas, com seu coração cheio de sonhos.
Um brinde aos que sonham. Sim, um brinde aos que sofrem, aos corações partidos. De fato, eles causam muita desordem, desculpem. Os sonhadores subvertem a ordem natural das coisas e não podem ser penalizados por isso. Estão encantados demais, isentos de qualquer culpa.
Os sonhadores são logo reconhecidos. Nem frágeis demais, nem fortalezas invencíveis. Sabem chorar na hora extrema e fatal, convertendo as lágrimas em alívio para o cansaço e a dor. Não desistem por nada. E esperam. Quem sonha espera.
São notórios os intrépidos, os construtores, os empreendedores. Sofrem a espera, porém se adiantam, confiando na sorte, no destino, na fé. Audaciosos, saem na frente. Comem de suas próprias mãos e bebem de suas próprias águas. Matam a sede de amor e de beleza no sonho realizado.
Belo é estar junto de um sonhador. Não vê passar as horas aquele que caminha ao lado de quem sonha. Não são apenas palavras, palavras, palavras. Não. A concretude começa a tomar corpo e o sonho vai ganhando forma. Até surgir aquilo que germinou no mais fundo da alma.
Que fundura tem nossa alma? Talvez seja igual à densidade do sonho. Com peso, massa, volume. Quanto mais fundo está dentro de nós, mais profunda é sua essência, sua gênese, sua admirável identidade.
Ah, um brinde aos que sonham. Um brinde aos sofredores. Sem sofrimento não se chega a lugar algum. A dor é a coroa do sonho. É a luta, o empenho, as noites em claro que trazem o brilho nos olhos, a febre, o anseio e a esperança.
Um brinde a todos os sonhadores. O mundo seria menos belo sem eles. Nenhuma partitura musical, nenhum poema, nenhuma dança, nenhuma obra para contemplar e permitir o êxtase dos sentidos. Nenhuma casa para morar dentro do sonho.
Felizes os construtores, os realizadores. Há de haver uma estrada só para eles, um lugar de partida e de chegada. Há de haver abraços para o derramamento do desejo e da lucidez, da competência e do acerto. Há de haver reconhecimento, aplauso e glória.
Compreendo o sonho na sua grandeza e na sua pequenez. Há sonhos pequeninos e aparentemente fáceis de serem realizados. No entanto, quanta insônia, ansiedade e incertezas.
Feliz de quem parte para o sonho, seja qual for, seguro de si, confiante e capaz. Ainda que o persiga a vida inteira, ainda que o persiga a vida inteira...

domingo, 13 de agosto de 2017

ATCHIM!

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

Meu pai enrolava entre os dedos
Um cigarro de palha caprichoso
Moviam-se ali tantos segredos
Daquele fumo sempre bem cheiroso

Meu pai me oferecia um pedacinho
Do fumo preto para que eu cheirasse
- Faz espirrar! - dizia com carinho,
Para que, em seguida, eu espirasse

Mas num  espirro, a saudade bate
Meu coração mais uma vez se abate
E na saudade, triste, me retiro...


Fumo de rolo e uma mangueira
Lembrança linda e tão verdadeira
Quero espirrar... e só suspiro!...

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Mística hora

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade


    Quantas vezes, durante o dia, dirijo meu olhar  para o céu! Paro tudo que estou fazendo e contemplo o azul infinito.  Na vigência de todas as coisas, vislumbro um lugar, um plácido riacho correndo por entre o arvoredo da paz. Haverá a campina verdejante e as fontes de águas puras.
    Posso ver o cajado que me sustenta se eu passar pelo vale tenebroso. Também a mesa posta diante do meu inimigo, a unção com óleo sobre minha cabeça e a taça transbordando. Não sei se sou digna da bondade e da misericórdia que hão de me acompanhar em todos os dias da minha vida. E se habitarei os átrios do Senhor para sempre.
    Repito que o mundo carece de gentilezas e de delicadezas, de pequenos gestos como “bom dia”, “com licença”, “por favor” e “muito obrigado”. Ah, a doçura de certas palavras. Ah, a doçura de certas pessoas, incapazes de uma grosseria.
    Sempre me aproximo dos doces. Estas pessoas me atraem como abelhas no mel. É como se pudesse adivinhar a ternura angelical de suas almas. Abrem os braços de tal forma para nos acolher que levitamos de tanto amor.
    Encontro tanta felicidade em certos momentos e o mais intenso deles é como a comunhão de almas. O mesmo sentimento de entrega, de solicitude, de afeto. Abraçar certas pessoas nos eleva espiritualmente. Subimos muito alto, até este céu que contemplo várias vezes ao dia, rezando sem cessar.
    Em meio à aridez destes tempos funéreos, ouso cantar esta alegria de encontrar amizades. “A alegria não pode ser tamanha que encontrar gente vizinha em terra estranha”. O dito é benfazejo, é verdadeiro e milagroso. Em situações de dificuldade, se vemos vir ao nosso encontro um rosto amigo, é festa no coração.
    Bendito céu azul do qual me farto! Bendito vento da manhã em que aproveito para secar os cabelos, tomar sol e rezar o terço. Nas contas do rosário, toda a minha devoção, fé e esperança.
    O que esperar? Deixa a vida nos levar, ou tomamos as rédeas, pegamos nos remos e decidimos por nós mesmos? Fico onde estou ou mudo de casa? Troco de carro ou espero um pouco mais? Seu Marcos da Alfia diz que ainda está novo e bom, dá para mais alguns anos. Foi do meu lindo, tenho dó de trocar. Sou adepta de consumir com consciência, compro o necessário. Se algo tem vida útil, vou usando até acabar. Também isso foi ensinado por minha mãe.
    A vida precisa desta dignidade, deste apreço. A vida merece este respeito de nossa parte, a valorização do que temos e do que nos servimos tão bem. Não jogar fora algo que ainda tem sua utilidade e tomar de tudo a parte que nos cabe, sem grandes excessos ou extravagâncias.
    Há tanta beatitude em cada momento do dia. Feliz de quem deles tira proveito, conseguindo penetrar no âmago de toda imagem ou pensamento. Que nada passe despercebido por nós, nem mesmo a beleza invisível aos olhos, dona de nossos mais íntimos sentimentos.
    O céu que nos protege me fascina. Tão banal, está ali sobre nossas cabeças, simples e natural. Não para os que sonham, esperam e conhecem profecias. Não para a visão das nuvens chovendo justiça. Mística é a hora do amor.

domingo, 15 de maio de 2016

Pausa necessária

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade


Por alguns momentos, a vida exige a parada necessária. Estrelas conspiram à vista de um noivo cíclico que fecunda os céus com seu brilho de cometa. Paro para procurar na noite o astro luminoso. Paro para rezar o Pai-Nosso e a Ave-Maria. Quantas vezes paramos para ouvir nosso próprio coração? 

    Paramos para descansar nossas costas depois de um trabalho estafante, detemo-nos nas subidas mais íngremes. E as paradas forçadas, o repouso por recomendação médica? Ninguém gosta de observá-los, sobretudo quando se é dinâmico, com muitos sonhos fervilhando na alma. Pedimos ao corpo para estar de pé todos os dias, selamos um pacto com o Criador e fazemos a nossa parte, religiosamente, esperando que Ele cumpra a Sua.

    Às vezes, vamos até a porta para receber a graça que não veio e também para agradecer a que chegou sem que esperássemos. Não queiramos jamais decifrar os desígnios divinos. São caminhos muito diferentes dos nossos e haveremos de aceitar tais situações, pois Deus trabalha com o conhecimento pleno de nossas vidas. Sem passado ou futuro, num eterno presente.

    Aqui e ali, paramos. Para acolher a manhã que desponta suave, prenunciando tons invernais. Ela vem carregada de bons frutos, outono de graças. A abundância e a riqueza da vida nos obrigam a parar. Louvor à glória de toda coisa criada sobre a Terra, à beleza das noites estreladas, dos rios e mares, da natureza e dos bichos, do trabalho e do pão.

    Parar para comer um pedaço de pão. Eu paro. Não perco, por nada, este “agora” abençoado. O pão que mata a nossa fome acaba, mas há o outro Pão, aquele que alimenta, dá vida e nos ensina a amar. Amar e perdoar. Não se conhece atitude mais bela, mais generosa e mais humana.

    Parar para a contemplação pura e simples, deixando-se tocar pelo invisível aos olhos, profetizando em silêncio, e guardando para si o que o espírito captou nas paradas concedidas às almas que buscam a Deus sem cessar.

    Há o momento certo da paragem, creio eu, para a profunda reflexão. Não podemos nos entregar ao turbilhão que se alastra à nossa volta, sem raciocinar sobre o que está acontecendo de momento a momento. Tudo é importante, tudo tem seu peso e seu valor. Um pensamento, um abraço, um gesto decidido, o desfecho do que pôde ser bem realizado. Tudo está na tela eterna do universo.

    Nas muitas esquinas e cruzamentos do nosso coração há faróis apontando o caminho. Um deles está sempre na cor verde, a passagem é livre, o acesso é de graça. Talvez seja necessário pagar um pedágio que é refletir profundamente para seguir adiante.

    Prosseguir ou parar. Eis a questão. Até onde posso ir, quando há sinais avisando o perigo à frente? De onde virá a sabedoria mais bela para o devido discernimento? Se a ousadia da coragem pode nos oferecer o céu na terra, é decisão nossa continuar, mesmo sabendo dos riscos.

    Que saibamos compreender a gênese desta pausa que cura e salva. Este momento abençoado de erguer nossos olhos para o alto e receber o entendimento pleno da vida.

    No momento, estou parada, esperando o amor!...

Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2- Maria Madalena t Tricanico de Carvalho Silveira- Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Marcelo Batuíra da Cunha Losso Pedroso - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Christina Aparecida Negro Silva - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11- Antonio Filogênio de Paula Junior-Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz de Arruda Pinto
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Lídia Varela Sendin - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Shirley Brunelli Crestana- Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Marcelo Pereira da Silva - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Carmelina de Toledo Piza - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Angela Maria Furlan – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35- Elisabete Jurema Bortolin - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Eliete de Fatima Guarnieri - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Capranico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz