Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

sábado, 26 de março de 2011

Jornal livre e independente

Pedro Caldari - Cadeira no 40
Creio que este artigo não será publicado por não “atender aos interesses da imprensa jornalística”, ou seja, “contraria a opinião do jornal”, e ponto final! Comprova-se, portanto, a triste realidade atual de Piracicaba – a cidade perdeu a sua tradicional identidade jornalística combativa, baluarte do espírito democrático da imprensa piracicabana, sempre vigilante e pronta para sair na defesa dos direitos e anseios do povo, especialmente dos menos favorecidos e dos indefesos.

A cidade é a grande perdedora quando isso ocorre, sem se falar do retrocesso que a democracia registra e projeta no seio da sociedade. Ao examinar-se os editoriais e as matérias na página nobre dos jornais diários desta província, verifica-se essa afirmativa, constatando-se a realidade que nos entristece e nos empobrece tanto, da absoluta falta de combatividade jornalística. Não cito nome algum, para não cometer a falha da omissão, mas são vivos na memória do piracicabano nato e também daquele que adotou a cidadania da Noiva da Colina, as figuras ilustres dos equilibrados articulistas que, sem receio algum, armavam-se de suas penas e iam à luta ao se depararem com um fato de alto interesse público não devidamente cuidado ou então, de flagrante desrespeito à lei e à ordem, com total imparcialidade. E defendiam assim, a liberdade de expressão, sem medo e conscientes do cumprimento de seus deveres de cidadão.

O jornal exerce importante função social ao manter-se fiel aos princípios de independência, de soberania e de imparcialidade, dentre outras linhas de conduta que deve ater-se, como o de propagar a paz e a ordem social. Deve, por conseguinte, fazer-se respeitado pelos detentores dos poderes públicos, eletivos e de carreiras, não como antagônico inimigo, mas sim como órgão de neutra oposição democrática, muito diferente daquele opositor de cunho partidário ou corporativista.

Piracicaba teve, no passado, vários jornais independentes e outros de propriedade de capitalista e de bem sucedidos empresários. Apenas um sobreviveu e circula nos dias de hoje, por sorte. Há, portanto, uma enorme carência no setor, faltando-nos a presença de reais formadores de opinião pública, capazes de ir além da expressão dos acontecimentos testemunhados como principalmente o de pugnar por medidas benéficas à sociedade, tanto econômicas e sociais como também culturais e de ordem política suprapartidária. O Legislativo e o Executivo, sempre, devam sentir-se sob os olhares atentos da comunidade, não de fiscais ou de policiais, mas de cidadãos capazes de exercerem suas cidadanias a todo o momento. O mesmo aplica-se ao Judiciário e às instituições que devem zelar pela manutenção da segurança e dos direitos patrimoniais e humanos da sociedade.

O conflito de interesses é um dos mandamentos da ciência da administração. O galinheiro não pode ficar sob a guarda da raposa, segundo a filosofia cabocla, logo, deduz-se que a condução da coisa pública deve ser compartilhada sabiamente e a execução das atividades deve passar por adequada auditoria independente com capacidade não só de detectar como um especial de coibir possíveis falhas e desvios com a devida antecedência. O administrador e seus prepostos, como seres humanos, podem incorrer em erros ou imprecisões executivas involuntárias.

Há ainda o valor da critica quando ponderada e construtiva, além da própria necessidade de opiniões divergentes para o aprimoramento dos fatos ou temas de interesse coletivo. As contestações operam milagres, como por exemplo, aquela do menino que ousou, inocentemente, de denunciar a nudez do rei! A ótica pode ser iludida ou confundida através de artifício e a tecnologia da mídia opera milagres na formação de opinião pública, graças à massificação da eletrônica. O olho puro e inocente do menino, em meio à multidão, exemplifica o papel do jornalista como guardião da sociedade.

Piracicaba, recentemente, deu um grande salto no plano urbanístico e tudo indica que irá progredir muito como cidade industrial sem prejuízo da tradicional agricultura. Todavia, falta-lhe a competitividade nos meios de comunicação, fator indispensável à garantia da independência da expressão do pensamento, no caso, de opinar sobre assuntos de relevância pública, política e socialmente.

Nem tudo que reluz é ouro e nem tudo que soa agradável é a verdade. É preciso, sempre discernir entre o útil e o supérfluo, bem como entre as prioridades quais são realmente demandadas pela comunidade .
Texto publicado no jornal "A TRIBUNA PIRACICABANA" em 26/03/2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

Asas do Amor...

Maria Emília M. Redi - Cadeira no 38

Era uma linda manhã de sol! O mar deslizava suavemente seus encantos por toda orla.
Da janela, semi aberta, daquele apartamento do sexto andar, Luca, um rapazinho de uns sete anos, preso em uma cadeira de rodas, observava tudo lá fora e vibrava com a euforia das crianças brincando, mesmo sabendo que não podia compartilhar daqueles folguedos infantis, nada alterava o seu ânimo e alegria de viver.
O céu escureceu de repente. Lá para os lados da serra, as nuvens, que há pouco tempo estavam espalhadas como flocos de algodão, concentraram-se em um manto negro. A tempestade não tardaria!
Luca chamou a mãe para ajudá-lo a fechar a janela escancarada pela ventania que, além de fazer esvoaçarem nervosamente as cortinas, ia derrubando tudo o que encontrava em seu caminho. Tudo foi tão rápido. Mas, a espera pela mãe parecia uma eternidade.
O menino, desesperadamente, tentava com todas suas forças fechar a janela, mas não conseguia. De repente, um objeto foi atirado em seu colo com uma fúria indescritível. Neste exato momento chegaram a mãe e a empregada.
No colo de Luca o objeto trazido do céu movimentava-se indelével.
Era um pequenino pássaro, caído do ninho, ainda com a penugem rala e com o coraçãozinho disparado pelo susto.
Luca o abrigou com carinho. Voltou para a mãe um olhar suplicante - pedindo para ficar com o pequenino ser alado até que ele pudesse voar. A mãe consentiu.
O menino, muito feliz, passou a cuidar diariamente deste seu novo amiguinho enquanto ele crescia transbordando vitalidade e encanto. O tempo voou... até que chegou o dia de soltá-lo em seu habitat.
Toda a família acompanhou Luca na entrega do pássaro às suas origens.
Abrindo as mãos que seguravam carinhosamente o seu protegido, deu um suspiro, e lançou-o ao ar - Voa livre pelos ares meu amigo! Um dia nos reencontraremos...
O menino voltou para casa e todas as manhãs observava de sua janela a vida vibrando lá fora. Às vezes, seu olhar perdia-se no infinito, viajando nos sonhos de criança ou esperando ver o amiguinho alado. - Só mais uma vez...
Numa manhã ensolarada, destas que nos trazem bons fluídos, Luca encontrou uma bela surpresa no parapeito da janela - não só era o seu amiguinho que ali encontrava-se, mas, também, sua companheira para mostrá-la ao grande amigo, que, um dia, tinha-lhe restituído a cha
nce de voar.

quarta-feira, 23 de março de 2011

UTOPIA?

Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira no 21

Sonho com um mundo de paz.
Muitos dirão: Que utopia!

Uma terra onde irá jorrar
Leite e mel.
O bem seria a granel.
Brisas perfumadas embalariam
Pensamentos com laços de fita.
Seriam cândidos e românticos.

O mal estaria tão longe...
Num horizonte perdido,
Ninguém ele alcançaria.
Se todos pensassem nisso!

Pois é o que acredito.

terça-feira, 22 de março de 2011

A água nossa de cada dia

Ivana Maria França de Negri - Cadeira no 33

 
PAI DO CÉU, DA ÁGUA E DA TERRA,
A ÁGUA NOSSA DE CADA DIA
NOS DAI HOJE
E PERDOAI OS NOSSOS DESPERDÍCIOS
DE AGORA E DE SEMPRE
DESDE O RAIAR DOS SÉCULOS.

SANTIFICADAS SEJAM AS LÍMPIDAS FONTES,
AS CORREDEIRAS E AS NASCENTES
E BENDITOS OS RIOS, OS LAGOS E OS MARES.

VENHAM A NÓS AS ABENÇOADAS CHUVAS
SEJA FEITA A VOSSA VONTADE
ASSIM NA TERRA, COMO NAS ÁGUAS E NOS CÉUS
NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM PROSTRAÇÃO
E LIVRAI-NOS DA SECA, DA SEDE
DOS ÁRIDOS DESERTOS,
E DA GANÂNCIA DO BICHO-HOMEM,
PARA QUE RIOS DE LÁGRIMAS DE ARREPENDIMENTO
NÃO VENHAM CORRER EM NOSSOS OLHOS

AMÉM

terça-feira, 15 de março de 2011

Microcontos - Armando Alexandre dos Santos - cadeira no 10

(ao amigo Jaime Leitão, que me revelou o universo maravilhoso dos microcontos)

CÃO QUE LADRA NÃO MORDE?
Au! Au! Nhact! Aaaaaaai!...

MINHOCA FILÓSOFA DIANTE DE UM ANZOL
Curva fatal...

BODAS DE OURO
Conheceram-se e logo se casaram. Conheceram-se melhor e há 50 anos esperam uma viuvez que não chega.

HIPOCONDRÍACO NA FARMÁCIA
Chegou alguma novidade?

domingo, 13 de março de 2011

Sessenta anos de Poesia


Lino Vitti

Caros súditos, poetas e poetisas, caros leitores e leitoras dos jornais matutinos e ou semanários, amigos e intelectuais de Piracicaba, são sessenta anos ou mais que me coloquei a serviço da cultura lítero-poética desta terra, quer escrevendo meus poemas e sonetos nas suas páginas acolhedoras e divulgadoras da arte escrita, quer reunindo sonetos e poemas em 7 livros, graciosamente distribuídos aos que apreciam ainda rimas e estrofes, tropos e cadências, metáforas e sínteses, métrica e versos brancos, quer ainda locupletando gavetas cúmplices ou pastas sonolentas, onde soem repousar papéis inéditos ou esquecidos . São mais de sessenta anos, repito, ou seja uma quase vida inteira brigando com os sonhos, com as esperanças, com o impulso de repassar aos outros aquela coceira incurável da alma dos poetas.
Ser poeta é fácil. Umas pitadas de sentimentos, umas migalhas de observação, umas moedas de estudo, umas gotas de vontade, umas toneladas de amor à vida, aos semelhantes, à natureza, tudo misturado como se faz na cozinha da vida, e pronto, o saboroso bola da Poesia aí está, para ser distribuído em homeopáticas fatias a quem quer que seja, a maioria degustando-o com prazer e conhecimento, outros poucos lançando-se à aventura infeliz de não gostar dele e criticar os míseros amigos e amigas das musas, como pura perda de tempo, de papel, de tinta,agora, de teclas e cliques. Só que o bolo da Poesia é imortal, E quanto mais fatias os seus trabalhadores (poetas) distribuem, mais aumenta o bolo, mais saboroso fica, pois o fermento que o expande vem das profundezas do espírito humano, onde moram o Belo, os Sonhos, o Encanto, o Amor, a Deus e aos semelhantes.
Mais de sessenta anos!!! Teria valido a pena? Teria compensado o afã incessante do poeta na busca de transmitir a imortalidade da Poesia? Tantos versos, tantas rimas, tantas estrofes, tantos sonetos, tantas baladas, tantos poemas enfim, teriam deixado para traz alguma luz de encanto, algum aplauso, algum seguidor, algum substituto, algum guerreiro da pena e do teclado disposto a dar continuidade ao feliz manejar dessa Arte cujos primeiros luzores se perdem na voragem dos tempos, cujo ocaso é imprevisível e impossível, porque, repetimos, a Poesia é imortal como a alma de onde brota e se expande no turbilhão da vida.
Estou convencido de que valeu a pena, sim. O povo não diz, mas lê jornais, lê livros, lê revistas, lê, lê sempre. E sei que lê poesia, lê crônicas, lê artigos, lê editoriais, lê notícias... Em minha vida de redator de jornais, fui testemunha de um fato curioso que comprova a afirmativa acima. Mantive eu por muito tempo uma coluna chamada “Prato do Dia”, num dos jornais piracicabanos. Durou bastante tempo. Um dia foi extinta. Entretanto, depois de decorridos mais de 15 anos, era surpreendido por velhos leitores com a pergunta: “Seu Vitti, por que não tem mais Prato do Dia?”. Ou “Como eu gostava daquela coluna Prato do Dia”.
Valeu a pena, pois tenho certeza de que milhares de leitores, leram meus poemas e lerão os poemas de todos aqueles que se entregam ao feliz metier de poetar. E recebi, como prêmio de meus tantos e longos anos de Poesia, o honroso e significativo título de “Príncipe dos Poetas Piracicabanos”, fazendo companhia ao imenso Olavo Bilac, príncipe da Poesia do Brasil, e Guilherme de Almeida , Príncipe dos Poetas Paulistas.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Miniconto - Carmen Pilotto - cadeira no 19

Quarto minguante

Dizem que as energias lunares trazem algo de malévolo. Observo o meio círculo no céu que banha a cidade de luz indireta ao som de um luzidio gato preto miando longamente. Ao fundo, uma sirene faz dueto insistindo em revelar qualquer delito. Ruídos e imagens de uma rotina urbana, cujos personagens constam histórias de desacertos. Um raio espreita pela janela mais um insone perdido em meio a uma triste madrugada de abril...

domingo, 6 de março de 2011

À procura de Tructesindo

*Por que tanta gente hoje em dia pesquisa as próprias raízes?
Armando Alexandre dos Santos - Cadeira no 10 Patrono: Brasílio Machado

“Sem temor, erguido sobre o travesseiro, Gonçalo não duvidava da realidade maravilhosa! Sim! Eram os seus avós Ramires, os seus formidáveis avós históricos, que, das suas tumbas dispersas corriam, se juntavam na velha casa de Santa Irinéia nove vezes secular – e
formavam em torno do seu leito, do leito em que ele nascera, como a assembléia majestosa da sua raça ressurgida... Gonçalo sentiu que a sua ascendência toda o amava, e da escuridão das tumbas dispersas acudira para o velar e socorrer na sua fraqueza.”


(Eça de Queirós, A Ilustre Casa de Ramires)

O tema do presente artigo é um curioso fenômeno que nas últimas décadas se vem manifestando, com crescente intensidade e cada vez mais generalizado, no Brasil, como também na Europa, nos Estados Unidos, em toda a América: o fenômeno da “Neo- Genealogia”.
Procuraremos inicialmente delimitar esse fenômeno, e para delimitá-lo tentaremos descrever suas numerosas manifestações. Na segunda parte, tentaremos explicá-lo: quais as razões psicológicas, sociológicas, psico-sociológicas, culturais, filosóficas, até mesmo de cunho religioso, que o motivam e produzem.
Cabe esclarecer, desde já, que procuramos redigir este trabalho evitando propositadamente dar a ele a amplitude, a extensão e o estilo de um tratado ou de uma tese acadêmica. Não visamos produzir uma exposição exaustiva, completa e acabada dos temas tratados, e menos ainda procuramos impingir à mente do leitor nossas próprias convicções pessoais; simplesmente quisemos sugerir ao seu espírito problemas e indagações que ele saberá, melhor do que ninguém, conferir com a realidade que tem diante de seus olhos e elaborar pouco a pouco, de acordo com suas próprias ideias, impressões e feitio psicológico. Os temas são, aqui, expostos e abordados de modo tanto quanto possível informal, em estilo vivo e corrente.
Antes de entrarmos na primeira parte da exposição, convém falar de um livro que, de certa forma, está na raiz desse curioso e intrigante fenômeno.

O livro de Alex Haley

Em 1976, o escritor norte-americano Alex Haley, de raça negra, publicou uma obra que se tornou rapidamente best-seller: Roots – Raízes.
Alex Haley foi militar, serviu na Marinha Norte-Americana, e quando passou para a reserva, aos 37 anos de idade, estabeleceu-se como jornalista e como escritor razoavelmente bem-sucedido.
A história de Raízes é interessante. Haley recordava-se de toda uma tradição
oral existente na sua família materna, a ele transmitida por algumas tias velhas, que se lembravam de terem ouvido contar que um ancestral da família fora capturado na África, quando se afastara da sua aldeia para cortar um tronco de árvore e fabricar um tambor. A tradição oral da família conservava o nome africano desse ancestral – Kunta Kinte –, o seu nome adotado nos Estados Unidos – Toby –, os nomes dos primeiros senhores que o escravo Kunta Kinte-Toby teve na América, algumas palavras e expressões do idioma africano, passados de geração em geração, e uma série de episódios da vida desse escravo.
A partir desses dados fragmentários e incompletos, Haley, graças a uma bolsa que recebeu da editora das Seleções do Reader’s Digest, pôde se dedicar à busca de suas raízes. Fez viagens à África, à Inglaterra, a diversos pontos dos Estados Unidos, consultou especialistas, arquivos, jornais da época em que os vários fatos se passaram. No total, pesquisou em 57 arquivos ou bibliotecas de três continentes, e levou, na pesquisa e na redação do livro, nada menos que 12 anos.
Inicialmente, graças a especialistas em idiomas africanos, ele conseguiu localizar o grupo linguístico a que correspondiam as palavras e expressões africanas de que se lembrava; conseguiu depois situar aproximativamente a região de onde deveria provir seu ancestral – as margens do rio Gâmbia – e, viajando para a Gâmbia, soube que Kinte era um nome muito freqüente em duas aldeias do interior do país, as quais, segundo a tradição oral, haviam sido fundadas séculos atrás por dois irmãos, membros de um mesmo clã.
Haley procurou essas aldeias, e numa delas teve uma longa conversação – naturalmente por meio de um intérprete – com um griot. Os griots são cantadores que, de memória e por tradição oral, cantam a história das aldeias, dos clãs negros, das sucessivas gerações de seus moradores. Cada griot tem discípulos que ouvem a cantoria do mestre, aprendem-na de cor, e passam para a frente aquele precioso repositório de tradição não escrita.
O griot consultado por Haley, após duas horas rememorando toda a história dos Kintes de passadas eras, chegou a um ponto em que, “quando os soldados do rei branco chegaram”, um jovem, chamado Kunta, tendo saído para derrubar uma árvore a fim de fazer um tambor, desaparecera. Haley, emocionado – é assim que ele conta no livro – somente então abriu seu caderninho de notas cuidadosamente catalogadas, e mostrou que aquilo coincidia exatamente com o ponto inicial de sua pesquisa, ou seja o que ouvira das velhas tias. Quando traduziram
para o griot o que dizia o norte-americano, o bardo sorriu, houve uma espécie de cerimônia, com danças tradicionais, batuques e atabaques, e o distante membro do clã Kinte foi solenemente reintroduzido naquela sociedade tribal.
Posteriormente, com base em registros da marinha inglesa e dos censos norte- americanos, Haley conseguiu documentar de modo bastante completo – a julgar pelo seu livro, repita-se – o histórico de sete gerações de sua família, desde Kunta Kinte até ele próprio, e escreveu um livro um tanto romanceado sobre as aventuras de seu pentavô.
Esse livro fez um sucesso extraordinário dos Estados Unidos, e a partir dali no mundo todo. Teve inúmeras edições. No Brasil, foi publicado pela Editora Record com o título de Negras Raízes. Já em 1977 foi transformado em filme e depois em seriado de televisão. Na TV norte-americana, imediatamente se tornou recordista absoluto de audiência, conseguindo 130 milhões de telespectadores.
Tanto o livro quanto o filme receberam diversos prêmios.Embora haja quem pense que em Raízes o elemento ficção prepondere bastante sobre o elemento pesquisa genealógica, o fato é que foi sobretudo a partir da publicação desse livro que tomou corpo e se fez notar mais sensivelmente, o fenômeno que, neste estudo, chamamos de “Neo-Genealogia”.

*Fragmento de texto da revista da Academia Brasileira de Letras que pode ser lido na íntegra no site da ABL: http://www.academia.org.br/abl/media/prosa44c.pdf

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sua excelência, a Mulher!

Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira no3 - Patrono: Luiz de Queiroz

A ela que varre as ruas ou dirige hoje em dia o ônibus escolar e o de passageiros (tarefas pesadas e de tanta responsabilidade...). A ela que leva o filho para a creche cedinho saindo correndo todas as manhãs após deixar tudo numa ordem possível para os que ficam em casa e que também irão para o trabalho ou à escola mais tarde. Estes mais do que estudar, em busca talvez, da “merenda” que lhes darão lá, “por lei...”
A ela abandonada pelo marido, após ficar em casa cuidando dele á sua espera anos e anos enquanto fazia “faculdade”, e que agora depois de formado vai embora com outra, lhe negando tudo o que pode (e negaria mais se pudesse...). A ela que vai fazer o supletivo á noite, já super cansada, para melhorar sua “renda no futuro” precisando dar um pouco mais de conforto aos filhos...
A ela já em idade avançada e saúde precária que carrega seu neto órfão adolescente e deficiente físico descendo e subindo escadas diariamente para levá-lo de ônibus e em cadeira de rodas à escola especial, suor escorrendo pelo corpo, coração disparado, lagrima nos olhos, mas sempre um sorriso de amor em seu rosto agradecendo a Deus a felicidade de te-lo com ela...
A ela que cuida da casa, que lava e passa cozinha e costura penteia os cabelos dos menores, que luta para conseguir uma consulta médica (e os remédios então?), que marca os exames para tão mais longe, o que a deixa tão apreensiva e nervosa como qualquer mãe de mais recursos ficaria... A ela que precisa providenciar o material escolar tão caro mesmo com alguns “projetos governamentais” ou “bolsas” e profissionais generosos, bem intencionados e atuantes, mas que geralmente não conseguem suprir todas as necessidades do “sistema”... E uniformes então, geralmente um problema sério, muitas vezes ao custo de trabalhos diários adicionados, na qual ela se consome dia por dia no serviço pesado, que com toda certeza abalará sua saúde mais depressa com o tempo...
A ela cuja vida é uma doação de dedicação e abnegação, esquecida de si, do seu trato, sua beleza que vai esvaecendo com o tempo (quem falou em dentista, cabelos, filtro solar, cremes, cuidados com seu corpo?), só importando mesmo, a família que tem e da qual precisa tanto cuidar...
A ela que acredita com tamanha simplicidade na força que receberá de Deus, levando os filhos, e acreditando que, “quem leva os filhos à Igreja dificilmente a vida os levará para a cadeia...” Comportamentos assim, deixando quem tudo tem na vida, até envergonhado e sem graça, pela sua fé inabalável e incansável na esperança da conquista do amanhã que para ela sempre “irá melhorar”!
Ela principalmente, essa “Mulher por excelência” que precisa sobremaneira ser lembrada e reverenciada no Dia em que as “mulheres” são lembradas e homenageadas pelo valor inestimável e participação inigualável que demonstram, a começar dando à luz igualmente, vidas valiosas para a Terra!
A essas Mulheres, sobretudo, o respeito e admiração de tantas outras também competentes, responsáveis, valorosas e detentoras de aplausos, contribuintes de vários outros valores imensuráveis, progressistas e inestimáveis!
Por tudo o que representam então, cada qual em suas vidas: “Parabéns Mulheres” de todo mundo!

terça-feira, 1 de março de 2011

O Enigma de Vida - Elias Jorge

Cadeira n° 22 - Patrono: Erotides de Campos

Quanta ânsia,
no adeus da tarde, que declina,
ao baixar o manto azul do céu,
e a lua projeta sua tíbia luz
no espaço de negro véu.

Nada é mais cativante,
na quietude do luar,
quando o vento afaga as flores,
com seus leves sopros,
que espargem os místicos olores.

Oh apaixonante momento
na brisa ungida
pelo silêncio, que diz tudo
- encantamento da alma! -,
no enigma da vida.

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz