Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

terça-feira, 30 de julho de 2013

Comemoração do Dia do Escritor 2013

Os grupos literários de Piracicaba reunidos comemoraram o Dia Nacional do Escritor
Com representantes do Centro Literário de Piracicaba, Grupo Oficina Literária de Piracicaba, Sarau Literário Piracicabano, Poesia ao Vento, Clube dos Escritores e Academia Piracicabana de Letras
Na área de lazer da Rua do Porto, num domingo de sol
Varal de Poesias ao Vento...
Um cafezinho para aquecer na manhã fria
Livros grátis, era só escolher e levar
Ivana Negri e a diretora da Biblioteca Rosana Oriani

Pegue um livro - livros grátis
Material de pintura para crianças e jornais do dia para os adultos
Raquel Delvaje lendo um poema
Coimbra e o fundo musical
João Athayde e Irineu Volpato

Silvia de Oliveira
Ruth Assunção
Silvia Oliveira e Irineu Volpato
Passeio de pedalinho
Ruth Assunção, Silvia Oliveira e Carmen Pilotto
Carmen Pilotto
Ruth Assunção, Leda Coletti, Ana Marly Jacobino, Raquel Delvaje e Carmen Pilotto
João Athayde, Irineu Volpato e Ésio Pezzato
O vice-prefeito de Piracicaba João Chadad cantando várias canções

Henrique Borlina de Oliveira, esposa e filho
Irineu Volpato
Ésio Pezzato declamando um poema
Irineu Volpato lendo um poema de seu livro recentemente lançado
Leda Coletti
Athayde
Ana Clara
Aracy Duarte Ferrari e Leda Coletti
Ésio Pezzato

domingo, 28 de julho de 2013

As mulheres no mundo árabe

Elias Salum
Cadeira n° 5 - Patrono: Leandro Guerrini

         Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os árabes intensificaram as emigrações, as quais haviam tido início em 1880, pelo mundo, sendo o Brasil o destino mais visado. Nessa época iniciou-se a vinda dos imigrantes árabes para Piracicaba, ocasião em que se deu a fundação da Sociedade Beneficente Síria, em 16 de novembro de 1902, com sua primeira sede na rua 13 de Maio, próxima à rua do Rosário. Em 1955, a Sociedade transformou-se, passando a ter a denominação Sírio-Libanesa. Em 1926, instalou-se na rua do Comércio, hoje Governador Pedro de Toledo, nº 1045, onde até hoje ocorrem as reuniões e atividades culturais, filantrópicas e sociais.
            A referida imigração trouxe ao nosso país os usos e costumes árabes, que até hoje são recebidos e assimilados positivamente pela comunidade piracicabana. No passado, os imigrantes se instalavam como comerciantes, com lojas de tecidos e armarinhos, além dos mascates que levavam as mercadorias para a zona rural. Nessa tarefa, os mascates eram verdadeiros mensageiros, na divulgação dos acontecimentos da zona urbana que transmitiam aos moradores rurais.
            Nesse contexto, as mulheres também desempenhavam papéis importantes nas comunidades em que viviam. Um desses aspectos eram as revoltas populares do mundo árabe, conforme informativos enviados pelo Instituto da Cultura Árabe de São Paulo (ICA), e divulgados na revista árabe “Chams” (nome que significa Sol). Para Soraya, do ICA, é importante que se ressalte a participação ativa das mulheres em diversos processos sociais, por se tratar de um momento histórico fundamental da luta pelos direitos para todos os cidadãos, homens e mulheres, dos países árabes.
            Nesse processo de engajamento, as mulheres árabes continuam atuando nas mais diversas frentes. Recentemente, devido aos movimentos sociais em diversos países árabes elas participam ativamente na mobilização social e sua divulgação, via internet e nas redes sociais, como Facebook e Twitter, o que vem atraindo a atenção da mídia ocidental. Isso tem ocorrido, entre outros países, no Egito e na Tunísia, onde a participação feminina tem se destacado tanto quanto a dos homens.
            Ainda é comum achar que todas as mulheres do Oriente Médio são oprimidas. Não podemos deixar de mencionar que, em diversas áreas e aspectos, as mulheres brasileiras também lutam por direitos igualitários e por ocupar sua posição na sociedade, que lhes cabe e que merecem.
                                                                        *   *   *
            Um dos aspectos pelos quais se aborda a temática das mulheres é o religioso. Nesse ponto pode haver uma tendência de considerar as mulheres árabes pelo nosso referencial do Ocidente. Daí o uso do véu causar tanta polêmica. Como relata Soraya, do ICA, as mulheres árabes têm os seus rituais e suas vestimentas próprias e, em alguns países, o véu virou um item de identidade cultural e de resistência. Em outros países, é tido como um adereço de moda, não uma obrigação. A peça possui um valor simbólico que vai além do aspecto religioso; é uma afirmação da identidade feminina. "O véu, em muitos casos, diz respeito ao que essa mulher preza e à educação que recebeu. Se ela foi criada naquele ambiente em que as pessoas utilizam o véu e têm respeito por isso, muito mais que pela religião, ela usará o véu em respeito ao costume social e como afirmação de sua identidade muçulmana".
            Sobre os casos em que as mulheres são obrigadas a usar a burca (vestimenta que cobre todo o corpo), ou o nikab (véu que cobre todo o rosto, deixando apenas os olhos à mostra), é importante ressaltar que essas práticas não dizem respeito à religião muçulmana e não são obrigatórias.
            "Não há lei muçulmana que obrigue as mulheres a usar estas vestimentas, apenas o uso do véu". São usos e costumes locais. Por exemplo: a burca é usada por tribos no Afeganistão, o qual não é um país árabe; o nikab é usado em países como Arábia Saudita e Jordânia.

            Além disso, o costume de cobrir os cabelos não é exclusivamente muçulmano. No sul da Itália, senhoras mais velhas utilizam lenços. Em diversas congregações católicas, as freiras cobrem os cabelos, e as judias e ortodoxas usam peruca.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Convite - Dia Nacional do Escritor 2013



            Você está convidado(a) a participar do nosso encontro para comemorar o Dia do Escritor, no dia 28 de Julho/2013, às 9 horas, na Área de Lazer da Rua do Porto.(entrada pelo portão do meio, perto do lago). Se tiver contos, crônicas, poesias todos curtos, pode levar para colocar nos varais e oferecermos aos presentes. Também poderão levar livros para vender e outros antigos para trocar ou mesmo doar. Não se esqueça de trazer o seu trabalho para ler, declamar, contar histórias.
            Desde já agradecemos sua presença.
P.S. Se chover o encontro será adiado para o domingo seguinte.

                                   Integrantes das várias entidades literárias de Piracicaba
                                                                                             Leda Coletti

terça-feira, 23 de julho de 2013

In memoriam de Samuel Pfromm Netto (1932-2012)

                 



Com muita saudade, aqui homenageamos a memória querida do
Acadêmico Emérito Samuel Pfromm Netto,
membro do Conselho Editorial desta Revista, publicando
uma poesia inédita de sua lavra – que nos foi enviada por D. Olga C. Pfromm –
e reproduzindo o texto de entrevista que concedeu em março de 2002
ao jornal paulistano “São Paulo em foco”:

As quatro estações
(ouvindo Vivaldi – 1993)


A primavera termina.
Flores murchas pelos campos.
Há paz e recolhimento.
As aves silenciaram.
Mas no pensamento
E no coração
É sempre primavera!

Verão. Calor intenso.
Ar pesado. Abafadiço,
Me sufoca. Não há brisa.
Mas no pensamento
E no coração
É sempre primavera!

Outono. Folhas secas
Espalhadas pelo chão.
Cai a chuva. Ensopa a terra.
Mas no pensamento
E no coração
É sempre primavera!

Inverno. Noite densa.
O frio gela nas pernas.
Lá fora, gemidos do vento.
Mas no pensamento
E no coração
É sempre primavera!



Criança, TV e violência – a influência
da televisão no psiquismo infantil
(entrevista)


O Prof. Dr. Samuel Pfromm Netto é psicólogo e pedagogo, professor titular de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Licenciado e doutor pela Universidade de São Paulo, onde lecionou por muitos anos, realizou estudos e estágios de pós-doutorado em universidades do País e do Exterior. Presidiu o Conselho Regional de Psicologia de São Paulo e é membro titular de várias entidades, como a Academia Paulista de Psicologia, a Academia Paulista de Educação, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, o Pen Centre de São Paulo, o Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, a Société de Médecine de Paris e outras.
É autor de mais de uma centena de pesquisas, estudos teóricos e conferências publicadas em revistas especializadas do País e do Exterior, e dirige a revista “Estudos de Psicologia”. Tem mais de 25 livros publicados nas áreas de psicologia, comunicação de massa, mídia educativa, tecnologia do ensino e pedagogia.
A seguir, o texto da entrevista exclusiva que concedeu ao jornalista Armando Alexandre dos Santos, de “São Paulo em foco”:


São Paulo em foco - Há quanto tempo o Sr. estuda a influência da televisão e dos meios de comunicação social sobre as crianças?
Samuel Pfromm Netto - Em 2003, completarei 50 anos de atividade como pesquisador. Um pesquisador sempre voltado, desde aqueles longínquos meados do século passado, para o trinômio criança, mídia e agressão. Minha primeira contribuição à literatura científica intitulou-se “A criança e o cinema” e mesclava psicologia, pedagogia e comunicação de massa.

SPEF - Nesses 50 anos houve mudanças nessa área, ou no fundo tudo ficou na mesma?
SPN - Durante estas quase cinco décadas, muita coisa aconteceu nesse domínio, alternando substancialmente o quadro que nos era familiar naqueles anos em que o ex-ditador Vargas retornava ao poder pelo voto popular, era criada a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, surgia em São Paulo a Cia. Cinematográfica Vera Cruz, a revista “O Cruzeiro” era a leitura semanal obrigatória dos brasileiros mais cultos, o Brasil sagrava-se campeão de futebol na Copa América, Victor Civita fundava a editora Abril e lançava “O Pato Donald” como revista em quadrinhos, e em 1950 ia ao ar a TV Tupi de São Paulo, primeira estação brasileira de televisão, captada apenas por algumas dezenas de receptores existentes na capital paulista. Quanta, quanta coisa mudou, meu Deus, para melhor ou para pior, nesse meio século!

SPEF - E como o Sr. via, naquele tempo, o problema?
SPN - O pesquisador neófito que eu era no início dos anos 50 já se preocupava com os possíveis efeitos dos filmes cinematográficos na mente e no comportamento das crianças, seguindo, assim, o caminho iniciado entre nós por Lourenço Filho na década de 1920, com uma pesquisa empírica de psicologia denominada “A moral no teatro, principalmente no cinematógrafo” (1928). Mal podíamos imaginar que as apreensões de Lourenço Filho e as minhas, quanto à influência do cinema mostrado às crianças, ganhariam tintas muito mais sombrias com o que veio depois: a televisão que se expandia extraordinariamente nas décadas seguintes, o surgimento e a expansão do videocassete, os videogames, a Internet no computador, os videodiscos digitais...

SPEF - Mas sem dúvida essas invenções podem ser muito úteis para a cultura das massas...
SPN - É claro que esses prodígios tecnológicos em larga medida podem (e devem) contribuir para a difusão de conhecimentos e notícias confiáveis, entretenimento sadio, formação responsável de opinião, educação de gosto e estímulo aos comportamentos construtivos, positivos ou altruístas. Mas, se conduzidos com inconsciência, irresponsabilidade, inépcia e avidez de lucros a qualquer preço, à semelhança daqueles que mercadejam tóxicos, prostituição, jogatina e outras formas de câncer social, podem ser postos a serviço do que possa haver de pior na natureza humana. Pior ainda: como certos gazes mortíferos que, no entanto, são inodoros e dificilmente detectáveis, podem envenenar nossos filhos pouco a pouco, no recesso dos nossos lares.

SPEF - O Sr. não receia que o achem um pouco pessimista nesses prognósticos?
SPN - Sei que corro o risco de ser tachado de apocalíptico, ao reiterar aqui o que venho afirmando ao longo do meio século de estudos, palestras, artigos, livros, pronunciamentos e congressos e na mídia em geral. Costumo responder aos que assim me acusam que há dois tipos de discursos a respeito dos efeitos da mídia, e, particularmente, da televisão nas pessoas. O primeiro tipo de discurso, que eu respeito mas não adoto, é o de caráter opinativo, que resulta de elucubrações de caráter moralista, filosófico, religioso ou de qualquer outra natureza, que argumenta com lógica e convicção sobre os males que poderão resultar da exposição das crianças a influências malsãs, mascarada ou disfarçadamente lesivas aos seus sentimentos, à sua personalidade, ao seu desenvolvimento moral, à formação do seu caráter, à cidadania responsável e ao bem-estar comum. Alguns dos mais notáveis pensadores de todos os tempos manifestaram preocupação nesse sentido, desde a Antiguidade Clássica até nossos dias.
Reitero que se trata de um discurso pelo qual nutro a maior simpatia, mas não é o tipo de discurso que nestes cinquenta anos venho usando, a respeito dos efeitos da comunicação de massa nas pessoas.

SPEF - Qual é, então, especificamente o tipo de discurso que o Sr. adota na análise do problema?
SPN ­- Meu tipo preferido de discurso é outro, como psicólogo e pedagogo, ou cientista por formação e convicção, que prefere o arrazoado fundamentado em evidências de pesquisas científicas escorreitas, em fatos empiricamente constatados, nos experimentos, nas investigações em laboratório, em levantamentos rigorosos, em estudos correlacionais, em experimentos de campo, em laboriosas pesquisas longitudinais como as de Lefkowitz, Eron, Walder e Huesmann desde os anos 60, em trabalho de meta-análise etc. É, pois, com base nessa grande massa de evidência acumuladas nos últimos quarenta anos que acredito que devamos argumentar a respeito da nocividade de exposição da criança à má televisão.

SPEF - Existe literatura específica sobre isso, a nível de divulgação ao grande público?
SPN - Existe, felizmente, em nosso idioma um livro magnífico, que tive a honra de prefaciar e que reúne a mais cerrada e sólida argumentação de base científica sobre os efeitos da televisão. Seu autor é Guilherme Maurício Acosta-Orjuela e seu título é “15 motivos para ‘ficar de olho’ na televisão”, editado em Campinas pela Alínea em fins de 1999. São 182 páginas densas, escritas com objetividade e rigor científico exemplares, cuja leitura aconselho com a maior urgência aos pais, aos professores, às autoridades governamentais, aos políticos, para que abram os olhos. Para que enxerguem o que a maioria não vê ou finge não ver...
Eu próprio estou finalizando um livro para ser publicado em 2002, igualmente pela editora Alínea, e que se intitula “A caixa eletrônica de Pandora”. Nele, tal como Acosta-Orjuela, com apoio nas minhas próprias pesquisas e na fundamentação empírica acumulada no exterior desde os tempos em que o cinema e depois a TV deram seus primeiros vagidos até os dias atuais, procuro não só mostrar que o rei chamado TV está nu, como pior ainda: está envenenando em escala planetária a nossa espécie, e – o que é mais grave – envenenando em especial as mentes infantis.
Há um aspecto que desejo ressaltar aqui, quanto ao conjunto de influências comprovadamente deletérias que a televisão pode ter na vida da criança, tanto mais preocupante quanto maior é o número de horas durante as quais ela assiste à TV, quanto mais violenta, cínica e boçal é a programação a que se expõe, quanto menor é a carga de ideias, sentimentos, valores, carinho, cuidados e atenção que ela recebe de adultos que têm importância para ela, quanto mais pobres são os modelos de pensamento, ação e convivência adultas a que ela está exposta no dia-a-dia da sua vida. O aspecto que se impõe como extremamente sério, em relação à análise dos efeitos da má TV na criança, é o da violência.

SPEF - Esse tema é muito estudado, no Brasil e no Exterior?
SPN - Agressão e violência são palavras que ganharam, nas últimas décadas, espaço cada vez maior no âmbito das pesquisas dos psicólogos. Pena que isto não tenha ocorrido no Brasil. Contam-se nos dedos, e nem sempre têm conta tudo quanto se sabe a respeito desta problemática não com base em palpitologia, mas em pesquisa séria, as contribuições brasileiras neste domínio. Venho estudando a agressão humana desde os anos 60 e creio que fui o primeiro a ministrar uma disciplina, “Psicologia da agressão”, em nível de pós-graduação em Psicologia. Isto aconteceu no Instituto de Psicologia da USP, em que lecionei, orientei teses e dissertações e fiz pesquisas neste âmbito, nas décadas de 1970 e 80. Algumas dessas teses e dissertações tratam especificamente dos efeitos da televisão nas pessoas, como, por exemplo, as de Lurdes Ferreira Coutinho (1972), Sílvia Cristina Grunauer (1990), Carla Witter e outras. Ao longo desse tempo, elaborei um modelo psicológico a respeito da agressão, que foi objeto de várias publicações, entre as quais “Psicologia da agressão” (1981) e, há quatro anos, “Frankenstein no laboratório mental: a psicologia da violência” (1997). Não pretendo, nem os limites desta entrevista o permitem, fazer aqui uma análise do vasto conjunto de conhecimentos seguros acumulados até agora a respeito deste tema; valer-me-ei, no entanto, de uma imagem familiar a todos, a do monstro criado pelo doutor Frankenstein, que está nas páginas da obra de Mary Shelley. A autora faleceu há mais de150 anos, em 1851, mas a ficção magistral que criou permanece conosco mais viva que nunca.

SPEF - Como o Sr. relaciona Frankenstein com o caso concreto da influência da televisão sobre as crianças?
SPN - Lá chegaremos. Vali-me da figura sinistra do monstro criado pelo dr. Frankenstein como um modelo ou paradigma útil para concatenar uma extraordinária e complexa massa de resultados de teorização e pesquisa psicológicas que, em sua maioria, datam da segunda metade do século vinte, a propósito de comportamentos violentos e agressivos, desde manifestações sutis, disfarçadas, relativamente inofensivas, até atos de extrema crueldade e brutalidade. Desde, portanto, a agressão verbal, o beliscão, o tapinha de reprimenda, até o assassínio mais monstruoso – individual, em série ou em massa.
Violência, em termos psicológicos, tem a ver com as áreas de psicopatia, patologia social, psicologia do crime, delinquência juvenil, distúrbios de personalidade, cuidados no desenvolvimento infantil e influência de modelos no comportamento humano. Tem a ver particularmente com a psicologia do desenvolvimento moral, da resistência à tentação e da transgressão de normas. Como já disse antes, não vou sequer esboçar aqui esse meu modelo ou paradigma da violência que é fundamentado, além de outros fatores, no processamento inadequado ou defeituoso de informação na mente humana por desarranjo na “função executiva”, de autorregulação ou autocontrole, de que somos todos providos, envolvido na auto-inibição do comportamento para o qual as regiões pré-frontais do cérebro humano parecem ser especializadas. O descontrole dessa função executiva, em que a inibição deixa de ocorrer ou se dá qualquer outro tipo de alteração, é como se o monstro de Frankenstein assumisse o comando do laboratório mental do indivíduo.

SPEF - Quer dizer, então, que estamos criando monstrinhos e não nos damos conta disso?
SPF - É precisamente isso. Indo mais além no uso dessa metáfora, estou mais e mais inclinado a crer que, nestas últimas décadas, a sociedade acabou por engendrar influências, condições e situações que estão criando à larga pequenos Frankensteins. Já em 1961 Daniel Boorstin, em “The image”, advertia que, se a TV continuasse a trilhar o descaminho que se esboçava naqueles anos 60 iniciais, em breve o botequim imundo, com sua boçalidade, suas brigas violentas e sua desfaçatez, e o prostíbulo, com o sexo aviltado e seu cortejo de misérias e indecências, estariam dentro da sala de estar das nossas casas perante os olhos da família. Não é preciso mais do que percorrer alguns dos canais de TV nos dias de hoje, nos chamados “horários nobres”, para concluir, como previa Boorstin, que a tasca nauseabunda e o bordel passaram a fazer parte do dia-a-dia dos lares brasileiros. A verdade é que estamos fabricando, assim, os Frankensteins de amanhã, em meio à indiferença, à inconsciência, à irresponsabilidade e à amoralidade de boa parcela de anunciantes, dirigentes e pessoal da mídia, cegos e surdos à escalada da insensatez, violência e indecência na TV.

SPEF - Que recomendações concretas o Sr. dá aos pais e aos educadores?
SPN - Há um bom número de recomendações sensatas e praticáveis a esse respeito, no livro de Acosta-Orjuela. Lembro aqui, para finalizar, algumas medidas capazes de atenuar o problema das crianças que são vítimas da “babá-eletrônica”:
1. Reduzir sensivelmente o tempo de exposição das crianças (e dos adultos) à TV e itens associados (videocassete, videogame etc), após reconsiderar em família o modo pelo qual as pessoas usam a TV em casa.
2. Proporcionar alternativas de atividades dentro e fora de casa, que afastem a criança da TV.
3. Estar atento à programação assistida pelos filhos e monitorar tanto o tempo de TV como o conteúdo do que a criança vê.
4. Trocar experiências e discutir o problema da influência da TV no lar, na escola, junto aos amigos.
5. Discutir os programas vistos com os filhos.
6. Modificar seus próprios hábitos de ver TV, sendo mais seletivo, refinado, moderado e consciente.
7. Fazer com que as crianças vejam os pais lendo livros, jornais e revistas de boa qualidade, ao invés de ver TV.
8. Conversar mais com os filhos, ouvi-los, orientá-los, dar-lhes atenção, carinho e apoio.
Essas e outras medidas apontam conjuntamente para o reconhecimento de que precisamos fortalecer, orientar e prestigiar a instituição familiar – opondo-nos vigorosamente à atual corrosão da unidade familiar e aos efeitos perversos que decorrem do enfraquecimento da família no desenvolvimento de seus filhos.

SPEF - É um fato geralmente reconhecido que a TV mudou muito, no Brasil, durante este meio século. Mudou para melhor ou para pior? Acha que isto tem alguma relação com a temática da violência nos nossos dias?
SPN - Mudou, sim, mudou demais. Os avanços tecnológicos, os bons programas, o refinamento em matéria de imagem e som, a busca de novos caminhos fazem parte do lado positivo. O que alarma é o lado sombrio – a multiplicação de baixaria, a escalada da brutalidade, a hipertrofia da licenciosidade e do deboche, a tônica do “quanto pior, melhor”, para garantir mais pontos (e, portanto, aumentar os lucros) em pesquisa de audiência. Peço licença para sublinhar que sempre estive ligado profissionalmente à mídia: primeiro no jornalismo, no rádio, no cinema, e depois na TV e no vídeo. Fui responsável por muitos programas educativos da TV Cultura nos anos 70, participei com Nydia Lícia e Wilson Aguiar da coordenação do inesquecível Vila Sésamo, presidi a Funtevê do MEC no Rio, fui, no passado, conselheiro da Fundação Padre Anchieta... Sinto-me, pois, à vontade para dizer que conheço muito bem a TV no Brasil e no mundo, no passado e no presente. E não escondo a minha desolação e o meu repúdio a essa TV de achincalhe, de pornoviolência, de sensacionalismo primário, a funcionar como uma escola que ensina o que possa haver de mais degradante e destrutivo – uma escola de desrespeito à vida, ao próximo, a nós mesmos. Compare o que se via na programação típica da TV nos anos 50 ou 60, com o que se vê agora. E atente, como repetidamente tenho dito e escrito, para os resultados de pesquisas científicas sérias, sobre os efeitos deletérios da violência, exibida às catadupas na TV, sobre a personalidade e o comportamento, principalmente no caso das crianças e dos jovens. Será que as emissoras e seus anunciantes (que financiam, com a publicidade, essas TVs) ignoram isto?



                         [Transcrição de “São Paulo em foco”, ano II, n° 15, março de 2002]


sexta-feira, 19 de julho de 2013

A JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

               


Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira no3 - Patrono: Luiz de Queiroz
  
            A Jornada Mundial da Juventude, que desta feita acontecerá no Brasil de 23 a 28 próximo no Rio de Janeiro contará com a presença do nosso novo Papa católico Francisco, jesuíta, da Ordem de Santo Inácio de Loyola, que traz como característica principal sua grande preocupação de aproximar-se da pobreza, isto é, das “periferias pobres e carentes” que tem marcado em muito e sempre, a sua conduta de vida. Papa Francisco em sua simplicidade e descontração e mais do que tudo, pela sua “improvisação e espontaneidade” tem convencido e aliviado os fiéis de uma antiga “rigidez” que a Igreja impôs por muito tempo de sua existência entre eles. “A compreensão da realidade da vida” de cada um é tão nítida e respeitada pelo Pontífice que, com toda a certeza conseguirá atrair cada vez mais crentes, que haviam se afastado da sua fé, por esta mesma “realidade” aos quais não podiam se esquivar.
Há que se levar em consideração a responsabilidade nesses diálogos da “Jornada” de acolher uma gama de jovens de muitas raças, crenças e nacionalidades, cristãos, judeus, protestantes, muçulmanos, por exemplo, que desejam ardentemente comunicarem-se entrelaçados, a fim de grandes reflexões tanto para uma maior tolerância em seus pensamentos e costumes, como para tirar não só suas dúvidas, como chegar a conclusões primordiais, onde todos possam se inter-relacionar mais lógica, amigável e normalmente, de uma maneira clara, sem vaidades ou competições tão maléficas e improdutivas, vislumbrando sobremaneira a paz e o amor entre os homens conhecendo, sobretudo o “outro”, como prioridade total. Um desafio muito grande, cuja base se fixa nas palavras de Francisco, que esclarece: “Todos nós temos o dever de fazer o bem, e, este mandamento para que todos possam fazer, eu acho, é um belo caminho para a paz”. E continua, com essas suas próprias palavras que dizem: ”Se nós, cada um fazemos o bem para os outros, pouco a pouco faremos “a cultura do encontro”. “Precisamos muito disso”, afirma! E bate sempre na mesma tecla: “Devemos conhecer um ao outro fazendo o bem”. E, com certeza, esta será a tônica de base da Jornada Mundial da Juventude, que resumindo será o “Amor ao próximo”, porque somente este Amor conseguirá redimir a Humanidade, e ela nestes dias estará nas mãos dos jovens que são as mais certas e produtivas.
Papa Francisco afirma que todas as pessoas podem ser santas, basta ajudar com boa bondade, repartir com generosidade e fazer sempre justiça de todo coração. Daí concluirmos que nestes dias de muita emoção, oração, união e congraçamento já se vislumbram muito interesse, sensatez, seriedade e fraternidade para nosso planeta tão desnorteado e carente, mas, abençoado pelo Cristo Redentor que, de braços abertos acolherá tantos jovens do mundo inteiro.
Torçamos e rezemos muito para o grande sucesso dessa empreitada de fé, espiritualidade concretizada e esperança imprescindíveis, que levarão ao encontro de um mundo melhor, meta primordial dessa Campanha iluminada por Deus!


            

domingo, 14 de julho de 2013

O vício

Elda Nympha Cobra Silveira
Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Percebi um vulto esquadrinhado no meio da rua coberta pelo molhado da chuva fina, que naquela noite parecia penetrar até nos ossos. Mas aquele moço, alheio até das intempéries, curtido de bebida, olhava algum lugar distante, com os olhos embaçados, como a garrafa de vodka, esquecida na mão direita. Que triste cena! Moço bonito, tão jovem e já dominado pela bebida, a vagar com passos trôpegos, sem se dar conta da vida negativa em que se encontrava, nem que era uma negação de si próprio, como se estivesse sendo atormentado por algum fantasma, que o possuía para tirar proveito e usufruir desse vício.
Mas para minha tristeza, fui reconhecendo o rosto que se escondia por debaixo daquela barba, parecendo estar estranhamente emoldurado pelos cabelos em desalinho. Como se olhasse uma imagem em negativo, a luz esvaída dos postes fez que se revelasse diante dos meus olhos o filho de uma pessoa conhecida. Emocionada, levei as mãos ao rosto, fazendo um esforço para conter as lágrimas. No meu espanto emudecido passava um turbilhão de imagens fugidias dentro de mim. E meus lábios, escolhendo alguma palavra compreensível, balbuciaram aquele nome, que ecoou quase como um gemido difícil de escapar: “Renatinho! O que aconteceu com você, menino? Por que está bebendo desse jeito? E os seus pais? Sabem disso? Meu Deus! Olhe como você está...”
Sem perceber o meu desespero, ele passou por mim, andando de forma brusca e com gestos estudados. Eu ainda limpava as lágrimas do rosto, quando ele virou a esquina e desapareceu como se fosse uma sombra.
Dei partida no carro e no retorno para minha casa fui enumerando vários motivos para que aquele rapaz tão alegre e tão meigo, de repente se transformasse num verdadeiro farrapo humano, alguma razão que pudesse ter motivado aquele mergulho na decadência e na miséria moral mais absoluta.
A razão parecia clara: ele não suportava enfrentar a realidade e por isso usava qualquer subterfúgio para fugir. Seria por comparação o leão do mágico de Oz.

Todos temos força suficiente para seguir um novo rumo na vida. Basta amar a nós mesmos! Toda pessoa tem a responsabilidade de cultivar suas qualidades. Elas são como flores. É só ir regando que elas florescem.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Férias de julho

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

Sofro de recordações maravilhosas. Uma delas é a figura da minha madrinha, uma fada risonha, na aurora da minha vida. Tia Anita foi o anjo que Deus designou para assoprar nas minhas inevitáveis feridas. O seu abraço tinha gosto de bolacha recheada e o perfume em suas roupas era o único que nunca me deu dor de cabeça.
     Ah, o abraço apertado da minha madrinha, o sobrado amado no bairro da Mooca, as luzes que se viam do terraço no andar de cima, a cidade luzindo ao longe, piscando e dizendo para mim: esta cidade é sua. São Paulo era só minha durante as férias de julho.
O sobrado da tia Anita. O almoço maravilhoso que brotava de suas mãos, o seu riso aberto, a sua alegria, as piadas e brincadeiras, as histórias que faziam nos reunir em roda à sua volta, todos prontos para o impagável desfecho de tudo o que ela contava.
Posso ouvir ainda as gargalhadas estrepitosas, gente tossindo e se engasgando de tanto rir, os comentários de quem queria atestar a veracidade de tudo o que ela havia contado, sem conseguir terminar a frase, por falta de fôlego... Tia Anita fez meu coração pequenino conhecer este mel adorado e sou grata pela lembrança daqueles risos que me transportavam ao céu!
     Minha madrinha foi o fato mais belo da minha infância, da minha juventude, da minha vida adulta, da minha existência. Foi nas férias de julho que o mundo se desenhou mais fascinante para mim. Ir de trem para a capital, junto com Neusa, minha melhor amiga de infância e minha melhor amiga até hoje, era um sonho, igualzinho aos dos livros que devorávamos naquele tempo memorável.
     A viagem significava uma aventura sem palavras. Viajar de trem era um acontecimento naquele tempo. Disputávamos a janela e tínhamos um acordo tácito: cada uma tinha a sua vez de contemplar a beleza, o sonho. Antegozávamos em silêncio tudo o que iríamos viver. Os trilhos da ferrovia penetravam fundo em nossa alma pequenina.
Sabíamos de cor a delícia de estar com tia Anita, com os primos e os demais tios que lá moravam e que nos recebiam para almoçar e jantar. “E como vai Piracicaba?”, perguntavam meio superiores por morarem na capital. Nós duas, caipiras envergonhadas, mal sabíamos o que responder.
     As doçuras da vida também acabam. O apito do trem na Estação da Luz era o som da partida, fazendo meu peito explodir de dor, numa agonia insuportável. Eu evitava olhar para a janela e ver tia Anita acenando o adeus mais sofrido do mundo. Ela abria os braços, ria, acenava, enxugava o canto dos olhos, jogava beijos. E a volta para casa era uma viagem muda e sem paisagem, cheia de sombras e saudades.
     O banco duro de madeira do trem era a certeza de que as férias haviam acabado e que o sonho ficara para trás. Adeus terraço do sobrado, livros, brincadeiras, a comida incrível de tia Anita, a sua bondade, seu riso escancarado, um coração que se derramava para todos, os braços sempre abertos, a voz alta, os olhos faiscando uma luz que só eu captava. Ela era só minha, a minha madrinha adorada das inesquecíveis férias de julho.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

“Brava gente Brasileira”!

 Acadêmica Myria Machado Botelho
Cadeira n° 24 - Patrona: Maria Cecília Machado Bonachella
     
            De norte a sul, de leste a oeste, nas grandes capitais e nas cidades pequeninas, nos centros e nas periferias, nos mais escondidos recantos, entre os índios,os sem teto e sem terra, nas corporações profissionais, nas escolas e universidades, de dentro de todos os corações, aparentemente tão silenciosos, a voz é uma só e o brado soa unânime,ecoando bem forte para ser ouvido aqui e lá fora, e partindo de um mar ondulante e vibrante que ocupou todos os rincões de nossa imensa Pátria!  E as lideranças são várias: elas surgiram das elites universitárias, dos profissionais liberais, dos trabalhadores e dos operários, desde os mais graduados aos mais humildes, todos eles com suas diferenças, porém unidos em suas pretensões e, mais ainda em sua indignação.  “Basta ! São milhares a dizer. Não queremos mais! Não suportamos mais! Queremos mudanças! Queremos restituídos nossos valores! Queremos uma nova vida, um outro futuro para as novas gerações! Queremos restituídos nossos ideais e nossas esperanças! A taça transbordou, não pelos míseros 20 centavos dos transportes coletivos, porque nosso clamor é outro, mais urgente e inadiável, contra  um  (des)governo mesquinho,  desacreditado, anacrônico e corrupto! Completamente indiferente aos problemas  e às mazelas  que tanto nos infelicitam!”

            Em junho de 2013, estamos virando uma página de nossa história! Em junho de 2013, estamos levantando uma gigantesca bandeira que há de tremular sobre cada recanto da Pátria, a dizer  que esta é a hora da Renovação e da Verdade!

domingo, 7 de julho de 2013

UM JUNHO ABENÇOADO!

               

Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira no3 - Patrono: Luiz de Queiroz

            No mês de junho passado houve temas profundos a se comentar. Primeiro por ser o mês do meu Santo predileto, que é o Antonio, lá daquela linda terra italiana de Pádua a distribuir graças e milagres aos fiéis ávidos de favores e benesses, sem desprezar os outros, lindos também, São João, São Pedro e São Paulo, milagreiros idem, cada um com suas “rezas fortes e novenas” em suas igrejas tão procuradas e requisitadas pelo mundo. Pena não haver espaço suficiente para explorar as maravilhas de suas vidas, hoje aqui.
            Continuando os assuntos, com a vinda do Papa Francisco logo mais para a Jornada Mundial da Juventude 2013, que será realizada no Rio de Janeiro, e com tantos autores divulgando, sobretudo, com temática jovem “pop” como eles dizem, (pois um deles é até um sacerdote “sertanejo”!), e vários padres lançando suas obras que dizem muito a respeito do Santo Padre, e, têm invadido cabeças, na esperança de que, além da escrita, “a musica também pode ser uma aliada para se chegar mais aos jovens”, como afirmou nosso Papa atual. Nesse clima, iria indicar o livro “Sobre o céu e a Terra” um diálogo de dois homens simples e eruditos que acreditam que “as igrejas precisam “sujar os pés” para ajudar quem precisa de ajuda”. Antes ainda do seu pontificado, o arcebispo de Buenos Aires Jorge Mario Bergóglio e o rabino Abraham Skorka compartilham a fé de suas religiões para fazer “pessoas melhores”. Os temas e as reflexões são profundas como a fé, religião, morte, política, educação, pobreza, ciência, aborto, eutanásia e casamento de duas pessoas do mesmo sexo, por exemplo. E, nós teríamos muito a “conversar” sobre isso. Quem sabe na próxima vez...
No entanto, um clamor por justiça, responsabilidade e moralidade abalou nosso país esses dias, e gritou mais alto no mês de junho passado prometendo continuar neste mês de julho que acaba de entrar, exigindo revisão de atos e de ideias, povo brasileiro, de tantos Estados, e inúmeras cidades, contando de sua impaciência extrapolada, de seu desespero e descrença, do seu cansaço e suas necessidades mais do que justas e de suas “fatalidades”, fazendo de suas reivindicações pacíficas a ânsia de melhoria de um futuro que terá que trazer de volta sua dignidade esquecida e há tanto esperada.
Assim, o povo foi para as ruas, com o intuito de “mudar o Brasil”, em marcha, pedindo por Saúde, Educação, Segurança, e condições de vida e de trabalho, mais justas e mais decentes dizendo basta à corrupção de políticos inescrupulosos e de sua ganância desenfreada e insanidade de querer, e agir para comandar somente em benefício próprio, tão incoerente e desumano, enquanto o povo morre de fome, ou nas ruas, nos hospitais e nas drogas, na violência que aumenta dia a dia, ignorado, humilhado e mal tratado além do que se pode imaginar na sua racionalidade!
Acontece que o “gigante gritou e se levantou” graças a Deus, e está requerendo seus direitos de volta, apoiado antes que fosse tarde demais, sobretudo por uma juventude sensata e lúcida (já que poucos adultos há tanto tempo, nada conseguiram, desgraçadamente para o país...), maioria a sufocar os “baderneiros” que insistem em macular a integridade, a honestidade e o bem comum! Com qual propósito? Como isso ainda é possível? Aonde iríamos parar? Não bastaram anos e anos de injustiças e inconsequências, ladroagem, imoralidades e usurpações? Estava tudo no limite! Não dava mais para continuar! Bendita hora em que o Brasil acordou neste “junho abençoado”!
Os grandes desejos são para que todos os brasileiros continuem unidos neste momento de reflexão e conscientização, a fim de que, sejam alcançados dias mais promissores e decentes, de mais humanidade, e principalmente de fraternidade, solidariedade e justiça social.

 “Prá frente Brasil”!

sábado, 6 de julho de 2013

A voz das ruas

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade
    Peço licença para expressar uma palavra a respeito do que o país está vivendo nestes últimos dias. Organizaram-se os protestos também aqui em nossa cidade e as pessoas saíram às ruas, para marchar e pedir mudanças. Lamentamos os atos de vandalismo, uma vez que as manifestações são legítimas e justas. Infelizmente, oportunistas e vândalos se infiltram no movimento e agem de modo reprovável.
     Sim, entendemos que o país precisa mudar. É preciso uma nova mentalidade para governar. Trocar o velho pelo novo. Buscar caminhos pelos quais a social-democracia se faça de modo a atender os anseios da população.
     É justa e honrosa esta mobilização reivindicando melhores condições de saúde, educação, moradia, transporte. De repente, como se diz em toda parte, o povo “acordou”. A nação passou a ter uma só voz e, em uníssono, cantou o canto político mais belo e mais comovente. Entendeu-se que se há dinheiro de sobra para construir faraônicos estádios de futebol, há de haver para melhorar as condições de vida do nosso povo.
     Esta consciência ilumina os corações, arde nas palavras de ordem, nos cartazes de frases inflamadas, pontuando aqui e ali fatos da vida brasileira, num pleno exercício de cidadania e de civismo.
     É bonito ver a juventude reagindo. Desculpe, não acreditávamos nessa nova geração, grudada demais nos eletrônicos da vida, “criando” um português suspeito, parecendo não prestar atenção a sua volta. Pois foi por meio das redes sociais que tudo começou. Uma tecnologia inesperadamente a serviço da luta pela ética, pelos direitos do cidadão? É promissor.
     Vejo com entusiasmo esse mar de cabeças e cartazes, onde se lê: “Queremos hospitais no padrão FIFA”. De fato, não são apenas os famosos vinte centavos. Ainda que Galvão Bueno atribua os protestos apenas ao aumento da tarifa. Não, meu amigo da Rede Globo. São os bilhões de dinheiro público desviado do seu verdadeiro destino: hospitais, escolas, moradia, transporte decente, segurança.
     A nação acordou e o povo não é bobo, deixou de ser a “massa de manobra” inocente e ignorante. Não é preciso muita escolaridade para enxergar o óbvio. E as obviedades se tornaram dolorosamente claras, num rompante que levou milhões às ruas, em todo o país.
     Em meio aos fatos, a poderosa Rede Globo é posta em cheque. No movimento das “Diretas Já”, os funcionários da emissora a obrigaram a revelar a verdade das ruas. Os cinegrafistas filmavam, gravavam e ela se recusava a divulgar. Até que se rebelaram e exigiram que as imagens fossem ao ar. Eles venceram.
Ronaldo teve a infelicidade de dizer que “uma copa não se faz com hospitais e sim com estádios”... Pelé, que segundo Romário, “de boca fechada é um poeta”, quer colocar a bola em primeiro plano... Galvão Bueno tenta minimizar a situação. Mas o povo sabe o que se passa, porque está presente nas ruas. A população antipatiza com a emissora, porque vê a informação sendo manipulada. Na verdade, aquele "padrão de qualidade" acaba pasteurizando até as notícias.
     Aguardemos o desfecho desta bela cena nacional. Seja digno e escrito com honra e paz nas cores da nossa bandeira verde-amarela tão amada!  

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz