Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O FUTURO DA ÁGUA


                               Lino Vitti Cadeira n° 37 - Patrono: Sebastião Ferraz                                      

Estando eu a debicar pelos sites da internet, detive-me naquele que responde pelo http://www.indekx.com/ onde você poderá ver, saber e ler sobre a edição, na íntegra, dos jornais das maiores cidades e capitais do mundo inteiro, e no respectivo idioma. É uma das maravilhas da informática, da computação, da internet, da eletrônica, das comunicações, da ciência, das descobertas humanas, uma das maravilhas que está instalada em todas as casas bancárias, comerciais, industriais, educativas, leigas e religiosas, na cidade e no campo, ricas, normais, remediadas e até pobres. Crianças (sim, gente, crianças!!!), adolescentes, jovens, adultos, idosos, macróbios, estudantes, operários, analfabetos até, chefes e subordinados, a parafernália de usuários da internet é universal, arrasadora, incontrolável.
Não é esse que aí fica, entretanto, o assunto de minha incursão às colunas deste centenário e vitorioso matutino piracicabano, ao qual contribuo com minha humilde redação articulística há mais de 50 anos. Não. Estas linhas mal servem de ingresso ao principal, entrevisto no título acima: O FUTURO DA ÁGUA.
É verdade que pouco ou nada entendo dessa preciosidade universal e que existe desde o início da Criação e sem a qual a humanidade estaria fadada à morte há muitos séculos, mas a teimosia de escrever que adquiri nos meus muitos anos de JP, sempre insiste, me tenta : vamos lá, Lino, escreva. E o tolo escrevinhador lá vai ao teclado moderno e téque-téque-téque. Alguma coisa brota do velho bestunto e corre a clicar no “enviar” para que chegue logo a sua já barbuda colaboração , para o aprovado ou não da nobilíssima editoria.
Ora,desculpem,amigos. Estou de novo a digredir e esquecer do principal , do motivo que me convenceu a aparecer por estas paragens jornalísticas.
Estava eu falando de minha invasão internética quando o http://www.indekx.com/ me mostra umas linhas de um artigo do jornal francês Liberation.fr, poucas mas de um significado trágico para um futuro próximo. Nada mais nada menos do que o delicado e perigoso desaparecimento da água da face da Terra. Dizem as linhas da notícia: “O acesso à água potável é um dos maiores motivos dos próximos conflitos . Onde e como o acesso, onde e qual o modelo econômico, onde as soluções alternativas?”
São poucas, mas contundentes palavras. Fazem lembrar que o homem está insistindo em acabar com as florestas, com o verde sadio das capoeiras e das matas, em cujo seio se formam as nascentes que vão formar os rios, que vão dessedentar as populações citadinas e rurais. O homem está cavando o solo, em proporções inimagináveis, sugando as águas que lá se escondem há milênios. O homem está secando os rios e as fontes, ajudado pela trágica diminuição das chuvas e o desparecimento das nuvens nimbus de onde as chuvas emanam , raramente vistas hoje nos céus brasileiros. O homem desta metade do planeta especialmente devastou o solo e o está transformando em deserto, onde as águas não moram, nem vivem. O homem inventou os agrotóxicos que acabam com as ervas conservadoras da umidade do solo, de onde surdiam os vapores para a formação das nuvens pluviais , portadoras de chuvas para regar os campos e as matas. Diante de tudo isso o céu faz carranca, as nuvens fogem, os ventos ressecam ainda mais . E as fontes, os rios, os lagos, os poços, os regatos, os nevoeiros da terra e do céu , dizem adeus e entregam a sorte da vida humana e animal e vegetal às ordens do rei- sol causticante e dominador.
Esse estado terrível está em andamento inarredável, através dos séculos, pois todos querem sugar a água, beber, industrializar, jogar fora, usar mal dessa riqueza, enfim contribuir para que ela se reduza e desapareça paulatinamente. E terá o homem algum substituto ao preciosíssimo líquido? Terá a ciência como inventar algo semelhante para salvar o fim da era aquífera? Haverá um novo Criador que diga “Fiat aqua” e a água se fará como disse um dia “Fiat lux” e a luz se fez?
A advertência do jornal francês é válida em todos os sentidos. A menos que queiramos continuar nossa condenabilíssima tarefa de abusar e liquidar com o que ainda resta de água no mundo.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O MEU ROMANCE


                               Lino Vitti Cadeira n° 37 - Patrono: Sebastião Ferraz                                       




O meu romance. Abri o meu romance.
Capítulo primeiro: a minha infância.
Reli tudo, reli lance por lance,
Cena por cena, na ânsia
De quem tenta agarrar uma coisa à distância
Que já ficou atrás fora do seu alcance.

Cromos de sol, painéis enluarados,
Minúcia de paisagem infantil!
Abril, abril,
Com voos cruzados
De andorinhas nas tardes borradas de anil.

O meu romance. Capítulo segundo:
Mocidade!
Sinto nessa leitura um sabor profundo,
Um gosto amargo, e, parece que me afundo
Num vácuo delicioso de ansiedade...
Capítulo segundo... Começo... Não releio.
Tenho receio...
É reler, devagar, toda minha saudade!

O meu romance. Capítulo terceiro:
Velhice. Estão as páginas em branco.
Ainda nada escrito. Será cedo!?

Sairá este capítulo mais triste que o segundo
E que o primeiro?
E eu novamente tenho medo...
Tenho medo de principiar.
Cismo... Enraiveço-me... Depois, arranco,
Uma por uma, num grandioso gesto fútil,

Todas as folhas desse meu romance inútil.         

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O boia-fria

Leda Coletti- Cadeira no 36
Cadeira n° 36 - Patrona: Olívia Bianco


Ainda é madrugada, com cerração fechada. Na velha jardineira os boias-frias sentados nas poltronas estragadas, aproveitam o trajeto até o sítio  de cana arrendado pela usina de açúcar, para continuarem o sono interrompido.
José, itinerante, chegou do estado de Minas Gerais, para a nova safra de cana. Fica alojado numa das casas grandes de fazenda de uma usina de Piracicaba.
Sente medo e ao mesmo tempo alívio, quando recebe o eito de cana pelo fiscal. Imediatamente derruba-as uma a uma com o facão que recebeu bem afiado, as quais serão içadas nos treminhões por aquele enorme garfo da carregadeira.
Já é hora do almoço. Pega sua marmita e come a comida que já está fria.  Estava terminando sua refeição, quando viu aquela boia- fria chegando.  Vestia em cima da calça comprida de brim desbotada, uma camisa xadrez e saia de algodão. Ouviu quando seu vizinho chamou-a pelo nome. Atendeu pelo de Antonia. José teve um sobressalto, pois era o mesmo de sua mulher. Não pôde deixar de enxugar uma lágrima. A saudade está aumentando cada vez mais, principalmente dos filhos menores. Não sabia como iria se comunicar com eles, pois moravam em local retirado da cidade. Também por carta é impossível, pois não sabe ler e muito menos escrever. Foi interrompido nos seus pensamentos pela chegada de Antonia:
- Aceita água fresca ? Fui buscar na mina que nasce no capão do mato próximo daqui. Aceitou, pois a que trouxera  já estava quente. Conversaram um pouco, o suficiente para deixar José  reconfortado. Soube que ela chegara do estado do Paraná e morava com os tios num Conjunto Habitacional, construído em forma de mutirão pelos interessados, nos finais de semana. Também cursava o Curso Supletivo e contava com orgulho que já redigia suas cartas, aos pais distantes. Ao saber da dificuldade de José para entrar em contacto com a família, se prontificou em escrevê-las, “isso até você aprender “, dissera ela, tentando incentivá-lo para também estudar.
Naquela noite José sonhou com sua Antonia e as crianças. Viu-os bonitos, com roupas muito limpas, dentro de uma casa de tijolos, com um jardim florido na frente e uma horta repleta de  verduras no quintal, todos estudando, inclusive ele.
Seu sonho foi interrompido pela sirene próxima do alojamento, chamando a todos para mais um dia de trabalho. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O PORTAL

Cássio Camilo Almeida de Negri
Cadeira n° 20 - Patrono: Benedicto Evangelista da Costa

            Deitado no leito branco do hospital estava o mendigo recém atropelado. Fora encontrado um dia antes, na madrugada, estendido na estrada deserta em meio a uma poça de sangue já coagulado parcialmente.
            Barba por fazer há anos, com piolhos, cheirando sebo e suor acrescentado dos fétidos dejetos expelidos pós acidente pelo esfíncter relaxado devido a lesão neurológica decorrente do trauma craniano.
            Não podia movimentar-se, mas conseguia ver e raciocinar, quando os faróis dos carros se aproximavam do seu corpo inerte, desviando-se a um instante de novos atropelamentos.
             Assim ficou por toda a madrugada, pois quem iria socorrê-lo àquelas horas na estrada deserta?
 Os minutos se transformaram em horas, a madrugada foi longa e ali, sentia-se realmente o ser sem nada poder.
  Com o corpo em decúbito ventral, vistas para o leste, percebeu o sol nascer através dos olhos vidrados, que nem podia piscar. Percebeu a ambulância chegando, e agora ali, já barbeado e limpo no leito branco do hospital estava aprisionado no corpo pela lesão cerebral.
    O rosto virado para o teto com os olhos semi-ocluídos pelos dedos ternos da enfermeira.
            Pelos vãos das pálpebras via o teto. Lá em cima, num pequeno orifício junto ao lustre, um entra e sai de formiguinhas pretas. Suas lembranças reportam à infância quando a mente borboleteante em mil pensamentos se assenta no cimento vermelho da cozinha materna onde também havia um formigueiro. Brincava desenhando com o dedo um pequeno filete circular da água que escorria da pia, ao redor das formigas, que não podiam passar, ficando alvoroçadas, sem saber o que fazer.
           Lembra-se bem que um dia, uma delas resolveu ultrapassar a marca de água no vermelhão.                     Atravessou com facilidade e ganhou corajosamente a liberdade do outro lado do círculo.
Nesse dia pensou que todas tiveram medo e ficaram apavoradas, somente aquela, teve a visão de que no outro lado estava a liberdade.
Não sorriu, porque a lesão cerebral não permitiu. Pensou em sorrir, fechou o pouco do vão dos olhos que ainda restava, perdeu o medo, e atravessou o portal da vida, ganhando também  a liberdade.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Nota de falecimento - acadêmico Homero Anéfalos

Faleceu no dia 30 de Janeiro de 2015 o Acadêmico Homero Anéfalos - Cadeira n° 30 - Patrono: Jorge Anéfalos
Receba a família as condolências dos membros da Academia Piracicabana de Letras

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

DECLARAÇÃO

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

Alguns dizem "eu te amo"
assim a esmo
comendo salame, queijo, torresmo
e virando um copo de cerveja
Alguns dizem "eu te amo"
de qualquer jeito
como se arrotassem
como se não guardassem
o menor respeito
Alguns dizem "eu te amo"
lendo jornal
fazendo bolo, consertando o varal
como se o amor fosse uma pedra bruta
da qual se extrai uma rima fajuta
sem brilho e sem valor
Mas eu não, meu amor
Eu não sei dizer "eu te amo"
assim a esmo
- é que eu te amo
eu te amo mesmo
E ainda não pude dizê-lo
ao infinito
- a única forma digna e bela
de ser dito
E nesta infinitude
fiz o que pude
mas não disse "eu te amo"
diariamente?
Peço perdão, há uma razão
e é forte o apelo:
(devo dizê-lo?)
- é que eu te amo,
te amo desesperadamente

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz