Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A IDADE

Elda Nympha Cobra Silveira
Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior  

A idade é a somatória dos anos vividos,  simples definição e lógica, mas cada ano acrescentado  se torna mais satisfatório e gratificante. Na época infantil toda criança tem sua graça. É a fase dos por quês, uma fase lúdica onde a imaginação é a tônica para despertar sonhos, muitas vezes pelo faz-de-conta,  que despertam as marionetes e os fantoches  que aparecem na TV. Assim a “Galinha Pintadinha” é cada vez mais, trocada por fatos reais. Mais para frente chegam histórias de príncipes e princesas e o lado romântico é despertado ocupando os sonhos românticos das adolescentes.
O sonho de namorar, casar e ter filhos ainda  permanece nos ideais de qualquer jovem, embora não com a mesma dinâmica de anos atrás, porque hoje o anseio de ter uma carreira de sucesso representa a realização e é a meta de qualquer jovem.
As fases vão sendo ajustadas na idade madura, pois bem ou mal, já se passaram muitas experiências e pode “se dar ao luxo” de devanear sobre o passado. Reciclar  nas recordações os anseios trabalhados ao longo da vida. E parece que o tempo é curto para isso, que esse contar dos anos, não passou.  As lembranças são vívidas e ainda pode-se recordar os amigos do tempo escolar, da época do namoro no portão e de todo romance nele envolvido, até com detalhes, estes configurados como exclusivos, vivenciados com tanta intensidade. Os problemas se diluem com essa volta ao passado e até fantasiam certos momentos de má recordação, mas tudo é desconsiderado, minimizado, pelos efeitos benéficos que emanam das recordações. Chegamos á conclusão que foi benéfico para a energização da realidade e para nosso crescimento espiritual. Sabemos e temos capacidade para fazer um balanço dos prós e contras que se degladiaram em nossa vida.
Cada filho já adulto, com suas características de personalidade, é lembrado. E facilmente misturamos os tempos para que os meninos ou as meninas voltem de nossa lembrança, com tanta facilidade que, mesmo com o tempo vivido,  misturamos numa só realidade filhos, netos e bisnetos como se fossem iguais.
Como é bom perceber características dos parentes se revelando nos mais novos, pela madeira de andar, pelo temperamento, as feições fisionômicas, tendências e preferências. È tão prazeroso deixar sua marca nos seus herdeiros!
Como é prazeroso rir de manias, jeitos de ser, que representavam problemas na época vivida com marido, pais, avós, parentes, porque tudo isso ficou marcado como coisa inesquecível. A tal ponto, que na hora de pegar no pé, o trejeito ou maneirismo é identificado pelo nome daquele que os tinha.
Ao assistirmos um filme de décadas atrás, cheio de romantismo,  vem-nos à mente essa fase de  ilusão onde o sexo não era tão imediato como agora. Os jovens estão perdendo esse envolvimento, que era mais sutil mais refinado. Havia mais respeito pela mulher.
Os filhos por sua vez, pediam a benção dos pais ao irem dormir. Tenho um sobrinho, hoje de cabelos brancos, que ainda pede-me a benção beijando minha mão.
 Educação de berço! Estamos caminhando para o lado permissivo, em nome da evolução de novos costumes, novos valores, dando entrada para condutas perniciosas e problemáticas. A falta de respeito grassa por toda mídia e se estende no nosso cotidiano.

Enfim, a idade nos traz pensamentos envolventes e memórias gratas de um passado. “Recordar é viver.”

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Livros que me encantaram

João Umberto Nassif
Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
                     
Não sei afirmar ao certo qual obra ou obras me marcaram, apenas descobri no mundo dos livros um universo pelo qual me encanto até hoje. Fiz uma pequena descrição de como foram meus primeiros contatos com livros. Lembro-me que ainda muito pequeno gostava de folhear a revista Cruzeiro.
As primeiras obras que me atraíram foram as adotadas pelo professor Hermann do Colégio Piracicabano, que nos fazia ler a cada dois meses uma obra de José Bento Renato Monteiro Lobato.  E resumi-las!  A principio li algumas que me lembro no momento:

Gostei tanto que acabei lendo as demais obras do autor.
De José Mauro de Vasconcelos li e me emocionei muito com “Meu Pé de Laranja Lima”. Barro Blanco.Vazante. Rosinha, Minha Canoa. Doidão As Confissões de Frei Abóbora. Rua Descalça
Li "2455-Cela da Morte" de  Caryl Whittier Chessman ou Caryl Chessman  que morreu em uma câmara de gás em 1960. Sua luta fez o Estado da Califórnia, assim como o resto do mundo, refletir sobre a pena de morte.
Wuthering Heights (traduzido para português como O Morro dos Ventos Uivantes) da escritora britânica Emily Brontë.
Um fato bastante curioso, eu já tinha lido muita coisa, Jorge Amado estava em voga, a Biblioteca Municipal funcionava na esquina da Rua Voluntários de Piracicaba com Rua Alferes José Caetano, em um prédio recém-demolido. Logo deois ela mudou para a Rua Prudente de Moraes entre as Ruas Governador Pedro  de Toledo, onde atualmente funciona o Sindicato dos Metalurgicos, no centro. Logo depois ela transferiu-se novamente para a Rua Moraes Barros entre as Rua do Rosário e Rua Tiradentes.
Eu queria ler as obras de Jorge Amado. Isso foi na decada de 60 a 70. Só que havia um grande problema: obras de Jorge Amado só eram emprestadas pela Biblioteca Municipal para maiores de 18 anos. Eu deveria ter entre 12 a 16 anos. Havia uma senhora, se não me engano Dona Jurema, que atendia aos consulentes durante o dia. Tentei tirar emprestado livro de Jorge Amado e ela zeloza pelos bons costumes me negou.  Condoido pela minha vontade de ler, lembro-me de um funcionário que trabalhava a noite, um grande camarada, o Pompeu. Passei a retirar e devolver os livros no período noturno. Asim pude ler as fantástiscas obras de Jorge Amado. Tais como:

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Coisas que desaparecerão?

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

     Circula na internet um texto referindo-se a “nove coisas que desaparecerão” em pouco tempo. É de tremer.
     Em primeiro lugar, é apontado o correio. Os correios começam a passar por problemas financeiros e as novas tecnologias, incluindo o próprio e-mail, ameaçam desintegrar esta tradicional organização. Ah, que figura romântica a do carteiro! E pensar que, um dia, ele existiu.
A seguir, o cheque. O cheque vai desaparecer. Já vemos que o cartão de plástico substitui o dinheiro em espécie e o cheque. E ganhou credibilidade.
     O jornal. Acredita-se que o jornal terá o mesmo fim que o leiteiro e o tintureiro. A geração mais nova não lê jornal e prefere dar uma olhada nos noticiários on-line. De minha parte, penso que nada substitui o prazer de tocar nas páginas de um jornal impresso. Não consigo ler um texto no monitor por muito tempo, fico com a vista muito cansada.
     Claro, depois do jornal, vem o livro. Pressinto que jamais irei desistir do livro físico, a leitura prazerosa, virando página por página. Mas os futurólogos afirmam que se poderá navegar numa livraria on-line, ler um capítulo de uma obra antes de comprá-la e o preço sairá pela metade de um livro real. Por favor, editores sobreviventes, não deixem de editar livros, livros de papel!
     O telefone fixo. Pergunta-se para que ter um telefone fixo, se hoje o celular resolve tudo? Se você não tem uma família grande e não faz muitas chamadas locais, pode abolir o telefone fixo.
     Em sexto lugar, está a música. Já se prenunciou que a indústria da música está morrendo (hoje, “baixa-se” qualquer música no computador) e que “as gravadoras e os conglomerados de rádio estão se autodestruindo”. Tudo isso se deve à ganância e à corrupção. Falta oportunidade para que a nova música chegue até as pessoas que gostariam de ouvi-la.
     A televisão também vai desaparecer? As pessoas estariam assistindo à tevê e a filmes em seus computadores. Segundo o texto, os programas de tevê degeneraram demais, deixaram de ser atrativos, o público prefere jogar ou fazer outras coisas; e as rendas das tevês estariam caindo drasticamente.
     Em oitavo lugar, as coisas que você possui. Elas vão desaparecer também, fique alerta! Já ouviu ou leu a expressão “na nuvem”? Sim, é lá, “na nuvem” que certas coisas que usamos hoje irão “residir”, existir. A internet estará presente em todo sistema operacional. E assim, no mundo virtual, você poderá ouvir música ou ler um livro a partir de qualquer dispositivo portátil. O que fazer com o álbum de fotos, com os livros da nossa biblioteca particular e nossos CDs?
     E por fim, a privacidade. Sorria, você está sendo filmado. Hoje, as câmeras estão por toda parte, nas ruas, nos edifícios, e todos estão sendo vigiados durante 24 horas. Até mesmo seus hábitos e suas compras serão monitorados e “eles” conhecerão o seu perfil. Você será levado a comprar mais. O mundo virtual não dá ponto sem nó.
     Vou colocar aqui o meu número dez. Ó Deus, que sobreviva o amor. Fiquei com medo que o amor também fosse desaparecer...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Tragédia anunciada

 Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara

Um leito cinza tétrico
clama pela vazão negada
das chuvas que não vieram
de uma Natureza agonizante

Dejetos urbanos somam mortes
povoam margens ressecadas
olhos esbugalhados delatam o Homem
que destrói o próprio ambiente

E a pergunta que não quer calar:
- O que nos restará nos próximos tempos?
Reage Humano e revitaliza seu Planeta
ou certamente a Terra fenecerá!



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

“Pulverizar”, sim, Antonietta

Evaldo Vicente
 Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz

     A morte da diretora do Jornal de Piracicaba, Antonietta Rosalina da Cunha Losso Pedroso, impõe-me, num momento de profunda emoção, uma rápida análise do que foi o seu trabalho em defesa e para incentivo dos jornais impressos no Interior do Brasil. Fomos, desde 1980/82, companheiros de ideais na Associação de Jornais do Interior do Estado de São Paulo (Adjori-SP) e no Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais do Estado de São Paulo (Sindjori-SP), entidades que reúnem a maioria absoluta dos diários, bi, tri e semanários, assim como quinzenários e mensários que circulam nos mais de 600 municípios paulistas. Foi secretária, tesoureira e presidente de ambas e deixou um legado que, hoje, as empresas jornalísticas do Interior reconhecem como realidade.
Seu trabalho como advogada, visão de uma jurista formada nas Arcadas (Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo – USP), somando-se à experiência de filha, sobrinha e mãe de donos de jornal, traçou para os jornais locais caminhos que servem como bússola de tantos idealistas que sonham com a construção de uma sociedade cada vez mais justa e humana. Dizia a então presidente Antonietta Rosalina, no discurso de posse, que os jornais do Interior assustam governos porque eles "pulverizam" as ideias, mostram caminhos diferentes e não ficam somente nas mãos de poucos "tubarões" que tentam agrupar seus interesses e se esquecem dos interesses dos leitores, do público como um todo. Jornal local é o que mantém o contato direto com o leitor, que vive os problemas e as glórias do cidadão e enriquecem a comunidade quando aplaudem ou quando cobram das autoridades locais decisões em favor da sociedade.
Isso fizemos – muitas vezes, eu como secretário e depois presidente da Adjori-SP – como verdadeiros pregadores, ocupando espaços pequenos, mas que recebiam essa mensagem da importância e necessidade do veículo local de comunicação impresso. Fomos de Ilha Solteira a Taquarivaí, do Guarujá a Votuporanga, de Ubatuba a Valparaíso, cruzamos o Estado de São Paulo (e outros Estados também) nessa prédica, exatamente na virada das décadas de 80 para 90, quando os jornais, especialmente os que possuíam oficina impressora, mudavam definitivamente do processo quente para o frio, isto é, deixando as linotipos com chumbo e impressão plana, para a composição fria (offset) com impressão rotativa. Foi uma mudança extrema, da noite para o dia, em que as empresas jornalísticas derreteram o passado, mandaram-no para as caldeiras e investiram tudo de novo, como ocorreu com os jornais das capitais também. Mas o nosso foco, de Antonietta Rosalina e meu, representando as entidades, era o jornal local.
É que o jornal local "pulveriza", repito. Em seu discurso de posse, em Águas de Lindoia, na presidência da Adjori-SP, e depois na despedida em Serra Negra, ou ainda na posse como presidente do Sindjori-SP, Antonietta foi de uma perseverança extrema, de uma dedicação total, até de uma ousadia, ao afirmar que seria impossível aos governos qualquer controle de tantos e tantos "grandes jornais pequenos", apesar de existirem, também, "grandes jornais grandes". Ela me alegrava nos elogios que me fazia porque eu desejava repetir as explicações sobre a colocação correta dos adjetivos qualificativos. Seu verbo "pulverizar" calou-me, cala-me até hoje, e cala em todos os que fazem jornal local com a independência necessária na defesa do leitor-cidadão.
Foi Antonietta que, por bondade aos meus esforços como jornalista e dono de jornal, me indicou para representar o Brasil na Argentina e, de lá, trazer o Projeto Jornal na Escola. Foi minha primeira viagem internacional, em 1989, sempre no sonho de fazer um jornal local do melhor possível. Era estimular o ensino com uso do jornal em sala de aula, hoje uma realidade para inúmeros jornais, grandes ou pequenos. Ela sentia os ideais do amigo, que não era e não é um concorrente, mas um fiel defensor do veículo impresso que fica perto do cidadão, aquele que é cobrado no dia-a-dia da comunidade, e responde à altura para que a empresa tenha o faturamento necessário para a sobrevivência. É, sim, o que "pulveriza" as ideias e não permite a centralização de interesses. É, sim, o que espalha, pois são muitos e muitos são os jornais que podem aparecer como respiro da democracia. Outros veículos, como rádio e televisão, não; estes são concessão estatal.
Num dos maiores encontros de jornais que realizamos, em Votuporanga, ao discursar, usei uma expressão – ensinada pelo clássico Antonio Vieira – de que "o Evangelho deve ser espalhado na Terra como Deus espalhou as estrelas no céu", para afirmar que os "jornais impressos devem ser espalhados na terra, como as estrelas foram espalhadas no céu", e a amiga e incentivadora Antonietta Rosalina veio me cumprimentar, abraçando-me para dizer, segundo ela, da "beleza da comparação", de que eu tinha sido feliz para que o secretário de Comunicação do Estado, Eurico Andrade (governo Fleury Filho), pudesse ouvir e entender.
O bom amigo Eurico entendeu, sim. Mas eu quis dizer, naquele momento, como digo agora com saudade, que é preciso "pulverizar", sim, Antonietta. 




sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

De saudades e reencontros

 Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara

As rugas sulcavam expressivamente a face de Maria José. Mas o sorriso quase translúcido bailava constantemente no rosto septuagenário, cândido, leve e faceiro, do que restara da doce Mazé. Ela mantinha dos áureos tempos o molejo dos ritmos cariocas e a brejeirice das garotas das calçadas de Ipanema.
Seu olfato ainda trazia o cheiro da brisa marinha. Sua leveza fora ceifada por João, que a roubara da bossa do Rio para montar família em Uberaba.
E o corpo foi perdendo o bronzeado, debruçado na extenuante lida caseira. Passara sua rotina na Rua Aurora, número 20. Solitária, aquecia-se ao sol esmaecido mineiro todas as manhãs, cultivando as lindas rosas de seu jardim. À tarde, alquebrada, na cadeira de balanço, com o xale de fuxico, conversava com as nuvens, personagens de seu passado.
Cismava, por horas, visualizando barcos se afastando no horizonte, a brancura das areias de Ipanema, o show de fogos na passagem de ano em Copacabana, os bares na Avenida Atlântica, os bailes no Clube Tatuí em Ipanema, os barquinhos do Posto 6 e tantas outras imagens que povoavam diuturnamente sua mente senil.
João, que partira há algum tempo, Letícia, a amiga de infância e ainda uma legião de seres se delineavam conforme apertava a saudade ou lhe ditava a carência.
Com a escuridão tomava delicadamente o lampião e se dirigia ao pequeno quarto onde fervorosas orações dissipavam qualquer ranço de melancolia da alegre paisagem que deixara. Nos sonhos, como Penélope, tecia um imenso e intenso imaginário de céu.
Certa noite, seu querido João, perfumado como nos tempos de outrora, surgiu garboso em seus sono, de chapéu panamá e terno de linho bem ajambrado, tomou-lhe novamente aos braços e carinhosamente confessou:
– Não quero mais esse negócio de você longe de mim...
No dia seguinte todas suas rosas brancas despetaladas forravam o chão do jardim e os pedúnculos balouçavam solitários ao sabor da brisa outonal.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Disposição malograda

 Acadêmica Myria Machado Botelho
Cadeira n° 24 - Patrona: Maria Cecília Machado Bonachella

Neste ano que se inicia castigando-nos com escaldante calor, meu propósito era o de escrever amenidades. 
Estamos saturados de noticiários negativos,crimes hediondos e conseqüentes, estampando um cotidiano regado a sangue e desastres, enquanto a corrupção descarada lá de cima, aponta com clareza os motivos de nosso atraso e de tanta violência.
Vivemos sob o signo da insegurança e do medo. Não é possível dormir “em berço esplêndido”, ignorar ou deixar de indignar-se com uma situação que já beira o caos,  cujo fulcro principal está no(des) governo  cínico e desarrazoado que, há mais de uma década tomou de assalto nosso país. E caminha a passos largos para instituir aqui uma forma oportunista de governar pilhando o Estado, em nome de uma ideologia em que os meios justificam os fins. Pouco ou quase nada recebemos de retorno com os tributos escorchantes que pagamos como ovelhinhas a caminho do matadouro, enganados e tripudiados com ações de “bolsa –família”, “Minha casa, Minha vida”, “Mais Médicos”, programas remendões, eleitoreiros e marqueteiros, que não  resolvem  problemas mais profundos e necessários, enquanto governantes canalhas se locupletam, numa vida de gastos ostensivos, banqueteando-se com cardápios milionários
As calamidades se sobrepõem e avultam. apontando  estados pobres e miseráveis, sem qualquer infra-estrutura, morrendo vitimados pelas catástrofes endêmicas, ou pelos corredores de pronto-socorros e hospitais, carentes de medicamentos, de leitos e de cuidados básicos,isto sem falar nas escolas e na educação deficitária, com índices estratosféricos de analfabetismo. Um povo analfabeto e desinformado é a massa de manobra ideal para governos totalitários. 
Em 2013, nossas deficiências vieram à tona. O tumor foi lancetado com a condenação dos mensaleiros após oito anos, evidenciando nesta demora a urgência de uma reforma judiciária.A sociedade que, em junho acordou com protestos gerais, de norte a sul, infelizmente, recolheu -se  com a fúria fascista e obscura dos black  blocs, que ainda não sabemos por quem foram ou estão sendo instigados.
Abrimos 2014 com os horrores do Maranhão e de Pedrinhas,revelando as condições infernais de nossas penitenciárias, verdadeiros covis do desespero e da morte, enquanto dona Dilma e o “ex” se fecham em copas, impedindo uma intervenção no Estado governado pelos Sarney há 50 anos, aliados intocáveis nas próximas eleições.
 Também em janeiro nossa comandante anuncia em Cuba mais um financiamento do Brasil, via BNDES, para o Porto de Mariel , em sua primeira etapa, que ela , com orgulho inaugurou ao lado de Raul Castro. Dos US$957 milhões orçados para a construção,US$802 milhões  saíram daqui, dos contribuintes brasileiros. Sem comentários, pois os atos  falam por si mesmos.
      As palavras são duras, e como seria maravilhoso poder dizer o contrário e apegar-se a um fio de esperança para encorajar uma geração desencantada de jovens  que ,em desabafos desesperados estão a dizer que o caminho agora, após adquirirem os meios necessários  é o dos aeroportos, via outras terras e outros mares, onde possam viver e trabalhar com  segurança,decência e dignidade.
A pesar de tudo, não podemos desanimar; os meios sociais já reagem e o sofrimento, a constatação de que assim não podemos continuar, talvez nos ensinem o caminho certo das transformações com a fé e a esperança necessários no momento em que as tempestades nos parecem tão sombrias.



domingo, 2 de fevereiro de 2014

DOCE, DOCE POESIA

Lino Vitti Cadeira n° 37 - Patrono: Sebastião Ferraz                                       

Comentam por aí, de boca em boca,
Num acento brutal de covardia,
Que eu tenho uma alma sonhadora e louca
Porque sonha e enlouquece na poesia.

E como se não fosse ainda pouca
A dor dessa agulhada aguda e fria,
Às vezes, quando passo, atrás espouca
A gargalhada atroz de uma ironia.

Não me zango, porém. Pelo contrário,
Perdôo, como um Cristo meigo e triste
Escalando um intérmino Calvário.

É que eles não compreendem, pobrezinhos,
Quanta delícia na poesia existe
Feita embora de cruzes e de espinhos.

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz