Rio Piracicaba

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Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

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sábado, 18 de dezembro de 2010

Prudente de Morais

Colaboração do Acadêmico João Umberto Nassif
Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros

Biografia de Prudente de Moraes

Prudente José de Moraes Barros(1) nasceu em Itu em 4 de outubro de 1841 e faleceu em Piracicaba no dia 3 de dezembro de 1902, filho de José Marcelino de Barros e Catarina Maria de Moraes. Órfão de pai aos dois anos, inicialmente frequentou o Colégio Ituano. Aos treze anos ingressou na escola do mestre Manoel Estanislau Delgado. Com o apoio da sua mãe passa estudar na capital da Província, matricula-se no Colégio de João Carlos Fonseca. Aos dezoito anos Prudente ingressa na Academia de Direito, cursando paralelamente um curso de filosofia. Teve uma vida acadêmica bastante participativa juntamente com colegas como Campos Sales, Teófilo Otoni, Rangel Pestana, Francisco Quirino dos Santos, Paulo Eiró, Bernardino de Campos.
Sua mãe contraiu casamento em segundas núpcias com Caetano José Gomes Carneiro, viúvo de Florisbela Gomes Carneiro. A família adquiriu uma propriedade agrícola em Constituição. Aos vinte e três anos, Prudente recebe seu diploma de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, montando sua banca de advogado na Rua Boa Morte. Sua competência o projeta para a vida política. No dia 28 de maio de 1866 Prudente casa-se com Benvinda da Silva Gordo, em Santos; são seus sogros Antonio José da Silva Gordo e Ana Brandina de Barros e Silva. Em 1870 passa a residir na casa situada à Rua Santo Antonio, esquina com a Rua Treze de Maio, onde hoje é o Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes. Em 1864, ainda solteiro, já aparece como mesário da Mesa da Assem
1 A grafia do sobrenome de Prudente aparece nas duas formas: “Moraes” e “Morais”. Optamos Moraes por ser esta a grafia adotada pelo Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes.
bleia Paroquial. Para o quadriênio de 1865 a 1869 foram eleitos 13 vereadores em Constituição, sendo Prudente eleito vereador com a maior votação e escolhido como Presidente da Câmara. Houve recurso de um ex-vereador contra a eleição de Prudente de Moraes, alegando-se o pouco tempo que ele residia na cidade, fato contestado pelo fato de ele estar ausente em função dos seus estudos, mas sua família aqui residia, e ele no período de férias escolares permanecia em Constituição. Nos pequenos detalhes é que se percebe o caráter e a competência de Prudente. Pareceres originais de sua autoria estão guardados no arquivo da Câmara Municipal, nos quais, além de competência e capacidade de síntese, mostra a sua característica de pessoa econômica: pareceres ou projetos de leis eram escritos em simples tiras de papel. Em uma tira de papel lê-se a indicação: “Indico que a Câmara mande abrir sarjetas calçadas na Rua Quitanda (Atual XV de Novembro), no quarteirão entre as ruas Alferes José Caetano e do Rosário, Sessão de 7 de janeiro de 1888. Prudente de Moraes”. Foi aprovada. Em maio de 1887, Prudente de Moraes apresentou, em parceria com Dr. Paulo Pinto, projeto de lei para regulamentar o funcionamento do mercado nesta cidade. O mesmo continha 32 artigos, um trabalho perfeito e completo. Seu irmão, Dr. Manoel de Moraes Barros, advogado da câmara, pediu exoneração do cargo, alegando não precisar a edilidade de seus préstimos, por ser Dr. Prudente um homem letrado. As reuniões da câmara eram feitas no inicio de cada quadrimestre, seguindo-se reuniões diárias, até o esgotamento das matérias. Como vereador Prudente produziu muito à cidade, participou na elaboração de importantes matérias que regularam a vida da comunidade, sempre com suas ca¬racterísticas pessoais, equilibrado, técnico, justo e sobretudo econômico, tratando com zelo o patrimônio público. Prudente de Morais integrava a campanha abolicionista e também a republicana. Eleito deputado pelo terceiro distrito, ao lado de Antonio Francisco de Araujo Cintra, Jorge de Miranda e Antonio Carlos de Arruda Botelho, ganhou invejável popularidade por defender os interesses do interior da província. Desiludido por não concordar com atitudes de representantes do governo imperial, deixa a Assembleia Paulista e retorna a Piracicaba. Em Itu é fundado o Partido Republicano Paulista, ao qual Prudente de Moraes se filia, deixando o Partido Liberal. Pelo novo partido volta à Assembleia Paulista, defendendo a ideia de substituir a monarquia pela república. Pouco antes da proclamação da república Prudente de Moraes recebe em sua casa telegrama solicitando sua ida urgente para São Paulo. Em 16 de novembro de 1889, juntamente com Souza Mursa e Rangel Pestana, passa a fazer parte do Governo Provisório do Estado. A 3 de dezembro é designado para Governador de São Paulo. Dois telegramas históricos:
“Ordem do Governo Provisório
Presidente da Câmara Municipal
Piracicaba
Foi hoje empossado o Governo provisório do Estado de São Paulo, composto dos Srs. Prudente de Moraes, Rangel Pestana e Coronel Mursa. Já entraram em palácio e estão dirigindo o expediente. Faça público, perfeita ordem e paz.
Agência Cidade 16-11-89”
“Palácio do Governo
Do Estado de São Paulo, 14 de dezembro de 1889.
Comunico-vos, para vosso conhecimento e devidos efei¬tos que, nesta data, tomei posse e assumi o exercício do cargo de Governador deste Estado, para o qual fui nomeado pelo governo Federal, por decreto de 3 do corrente mês.
Saúde e Fraternidade
Prudente José de Moraes Barros
“Aos cidadãos Presidente e Vereadores da Câmara Municipal de Piracicaba”
Ao deixar o governo, Prudente de Moraes elegeu-se Senador da República, presidindo a constituinte (1890-1891). Disputou numa eleição indireta, e perdeu a presidência da república para o Marechal Deodoro da Fonseca, eleito por 129 votos. Presidiu o Senado até o fim do mandato. Em 15 de novembro de 1894 assumiu como Presidente da República, eleito por voto direto, para suceder ao Marechal Floriano Vieira Peixoto. Recebeu 276.583 votos, teve como vice-presidente o médico Manuel Vitorino Pereira.
Além de ser o primeiro presidente civil da república, Prudente de Moraes foi a escolha mais acertada para administrar um país com graves conflitos internos. A passagem do cargo para Prudente de Moraes não foi aceita com muita facilidade por alguns setores. Ao chegar à estação de trem no Rio de Janeiro não encontrou qualquer comissão para recebê-lo. Teve que seguir de carro alugado até a residência oficial. No Palácio do Itamaraty, que era a sede do poder presidencial, sequer encontrou seu antecessor, o Marechal Floriano Peixoto. O que viu foi um cenário de guerra: garrafas quebradas, móveis destruídos e até estofamentos rasgados a golpes de baioneta. Dedicou todos os seus esforços à pacificação das facções, que tinham em seus extremos os defensores do governo forte de Floriano e os partidários da monarquia. Teve que se esforçar muito contra as medidas antiinflacionárias do governo e a queda do preço do café no mercado mundial. Prudente de Moraes ficou conhecido como o Pacificador. No Rio Grande do Sul encerrou a Revolução Federalista através de um tratado de paz e no sertão baiano teve que combater uma revolta liderada por Antônio Conselheiro, conhecida como Canudos, em 1897. Externamente, o presidente Prudente de Moraes precisou interferir em um incidente diplomático que envolvia o Brasil e a Inglaterra em 1896. Sem nenhum motivo, a Inglaterra invadiu e ocupou a Ilha de Trindade, mas felizmente o presidente resolveu a questão de forma favorável ao Brasil. No âmbito pessoal, Prudente de Moraes sofreu um atentado(2) no dia 5 de novembro de 1897, no qual seu Ministro da Guerra, Marechal Carlos Machado Bittencourt, foi ferido em seu lugar e acabou falecendo. Apesar de todas as dificuldades, traçou e realizou uma inteligente política econômica, negociou com os banqueiros ingleses a consolidação da dívida externa, operação financeira que ficou conhecida como funding loan (fundo de empréstimo), com seus ministros da Fazenda, Rodrigues Alves e Bernardino de Campos, base da política executada por Joaquim Murtinho no governo de Manuel Ferraz de Campos Salles. Foi capaz de firmar definitivamente a República e reatar as relações diplomáticas com Portugal. Isso fez com que Prudente de Moraes desfrutasse de grande popularidade no fim do seu mandato.
2 “Finda a Campanha de Canudos em 1897, o marechal Bitencourt voltou ao Rio de Janeiro, capital da República à época. A 5 de novembro do mesmo ano regressavam as forças que haviam lutado no sertão baiano. A tropa desembarcou do navio Espírito Santo e foi recepcionada pelo presidente da República, Prudente de Morais. Durante as honras militares, saiu das fileiras do 10º Regimento de Infantaria o anspeçada (na ocasião, uma graduação entre soldado e cabo) Marcelino Bispo de Melo, 19 anos, que sacou de um punhal e arremeteu-se contra o presidente. Bitencourt correu a salvar o chefe do Executivo e o fez com o ônus da própria vida”.

Após deixar o cargo foi sucedido por Campos Sales e retornou para Piracicaba, onde continuou exercendo trabalhos de advocacia durante alguns anos, até adoecer por conta de uma tuberculose e falecer no dia 3 de dezembro de 1902. Imediatamente após a sua morte a população saiu às ruas de Piracicaba, a chuva grossa que cobria a cidade misturava-se às lagrimas dos que pranteavam a morte de um homem justo e fiel a seus princípios, um verdadeiro estadista. http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=6179

Referências:
ARRUDA, Nélio Ferraz. Biografia de Prudente de Moraes, Serviços Gráficos Degaspari Ltda, s.d.
VITTI, Guilherme, O vereador que se tornou presidente, Serviços Gráficos Degaspari Ltda, s.d.
BIBLIOTECA NACIONAL, Revista História, pagina 84, ano 5, número 58, 2010, Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional
CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO EXÉRCITO, Marechal Bitencourt.

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Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz