Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras 2018/2021

Presidente– Vitor Pires Vencovsky
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeira Secretária – Ivana Maria França de Negri
Segunda Secretária – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Primeiro Tesoureiro – Edson Rontani Junior
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal
Gustavo Jacques Dias Alvim
Alexandre Neder
Walter Naime

Editor e Jornalista Responsável
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Conselho editorial

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

O homem cúbico

Carlos Moraes Júnior. Cadeira no 18


Eis que se fez a versão zoomórfica do homem cúbico, ordenado em colunas iguais, frias e prosaicas. Edifícios aleatórios que formam um verdadeiro caudal de prisões individuais, gaiolas personalizadas, nas quais se quedam, impiedosamente, os prisioneiros da mesmice do cotidiano. Uma prisão regular, entremeada de laivos de liberdade vigiada, pelos olhos famélicos da violência, pelos sussurros soturnos dos dizeres misteriosos, que sempre seguem o prisioneiro falsamente liberto, em horas estudadas, legalmente estruturadas para que seu penar seja longinquamente suportável.
E tudo, para que, depois do anoitecer, ele se sinta aliviado e seguro, novamente, dentro de sua gaiola de ferro e vidro. Gaiolas que encerram seres tão diversos, sentimentos tão desconexos e comportamentos estranhos e mesmerizados. Gaiolas de prazer, que levam seus ocupantes às torrentes apaixonadas e mecânicas do sexo, da televisão, da pipoca e do chocolate. Prazeres ocultos no fast-food, na pizza e no catchup! Gaiolas de ilusão, que levam milhares e se debaterem dentro dos carros ensangüentados, nas praias emporcalhadas e no interior de outras gaiolas luminescentes, coloridas e perfumadas. Gaiolas das baladas ou gaiolas das loucas madrugadas, das estonteantes noitadas regadas à uísque, ecxtasy, mulheres seminuas e risos falsos da alegria reprimida. São gaiolas de loucura, que levam a planetas desconhecidos e inóspitos, numa viagem sem volta que convida ao grito e à taquicardia!
Gaiolas do saber, nas quais, enclausurados e atentos, os pequenos autômatos repetem as palavras e conceitos, que devem servir para diminuir o desgaste e o pavor impostos pelo meio, e mais, para tentar definir, interpretar e inventar resposta para o vazio gerado pelo cotidiano. Gaiolas de escravidão, com turnos severos e iguais de oito horas, revezadas entre dias e noites sempre intermináveis. Trabalho intenso que não leva a lugar nenhum, não traz prazer e nem riqueza. Somente a certeza de que um autômato nasceu para ser desta forma e morrerá ouvindo as mesma surradas e idiossincrásicas verdades, herdadas de outros iguais, que repetiram, sem questionar, o mesmo modus vivendi.
Gaiolas de castas, amontoadas como coisa inservível, penduradas acima das gaiolas onde sorriem os ricos cada vez mais ricos. Gaiolas da maioria cor de quase noite, massacrada pelo ódio social, acossada por mazelas de toda sorte, a provar que não existe lugar neste mundo para aqueles que pertencem à casta dos pobres, a não ser, quem sabe, num trabalho insalubre e desumano, com carimbo de escravidão, que levará ao desespero e à certeza de continuar cada vez mais miserável.
Gaiolas de incerteza, de dúvidas sem respostas. Cubículos de dois metros quadrados onde dormem, fedem e agonizam centenas de maltrapilhos, chaga que todos querem esquecer, estatística resultante de outra estatística maior, egocêntrica e insolúvel. Gaiolas de solidão, de falta de humanidade. Gestos de repulsa, de neurose e de estertor. Gestos que levam a comportamentos inusitados, que fazem, de vez em quando, um autômato com um parafuso a menos, talvez, resolver experimentar a distância até o chão. A falta de lógica para tal ato tresloucado, faz dele o próprio sentido da existência, na busca da morte para encontrar a vida. A parecença desse vôo será porventura a fuga da ave cativa de sua gaiola, na esperança de experimentar, ilusoriamente, em outro plano, a tão sonhada liberdade.

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Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2-André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11-Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35-Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz
Lino Vitti - Acadêmico Honorário (in memoriam)