Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Leitura, televisão e Democracia*

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado

Recordo que, em princípios dos anos 70 do século passado, o Papa Paulo VI se referiu ao ambiente cultural já então prevalente no mundo inteiro, designando-o como “a civilização da imagem”. Nas últimas quatro décadas, esse fenômeno então apontado pelo Papa se intensificou sobremaneira: cada vez mais as imagens, os ícones, os símbolos gráficos ocupam espaços da nossa atenção, os quais antes ocupados pelas palavras, pelas frases, pelos pensamentos, pelas abstrações puras.
O predomínio cada vez mais dominador da televisão sobre o rádio e, ainda mais, sobre o jornal, é bem indicativo desse fenômeno, que se faz notar em todos, absolutamente todos, os campos da atividade humana.
O hábito da leitura, cada vez mais vai se tornando minoritário, praticado por um número decrescente de pessoas. Para que ler jornais, se o noticiário já nos é entregue pronto, embalado, até “mastigadinho” pelos noticiários televisivos diários? E, sobretudo, para que ler livros, que são caros, dão trabalho, tomam tempo e, no final das contas, “rendem” a quem os lê três ou quatro informações ou pensamentos que podem ser obtidos, sem custo nem trabalho, mediante a assimilação passiva de algumas poucas frases que a mídia televisiva nos oferece diariamente?
Por que ler livros científicos, se é possível assistir na tela, aprazivelmente, a programações de canais especializados na divulgação científica? Por que ler tratados filosóficos difíceis de entender e digerir, quando se tem ao alcance imediato inúmeros programas do tipo “você decide”, nos quais não há necessidade de raciocínios ou argumentos demonstrativos, bastando, como fórmula mágica invariavelmente aplicável, o célebre “achismo” para fundamentar qualquer afirmação?
O fato é que há uma diferença enorme entre a cultura adquirida pela leitura e a “cultura” (embora politicamente incorretas, pus de propósito essas aspas...) assimilada passivamente pela televisão.  Essa é a grande realidade.
Um bem conhecido educador piracicabano de nossos dias, Dr. Samuel Pfromm Netto, professor de Psicologia Educacional da USP, é um homem que conhece profundamente a televisão brasileira (pois trabalhou muito na TV Cultura) e é, ao mesmo tempo, profundamente crítico da má influência que a TV pode produzir sobre a formação das novas gerações.
Quando eu trabalhava em jornal, recordo que certa ocasião tive ocasião de entrevistá-lo e ele me explicou, em pormenores, o funcionamento da psique humana diante de informações novas. O espírito humano, ensinavam os escolásticos medievais (e, antes deles, os gregos antigos) procede normalmente em três etapas: ver, julgar, agir.
Inicialmente, vê-se. Ver, aí, tem significado amplo, incluindo não só aquilo de que se toma conhecimento pela visão ocular, mas tudo o que chega ao nosso conhecimento pela via de qualquer um dos sentidos.
Em segundo lugar, julga-se. Ou seja, diante de algum estímulo externo, procede-se a um julgamento: isso é bom ou mau? é certo ou errado? é belo ou feio? está de acordo com o que eu já sabia ou é algo novo? Se for novo, como incorporar ao conjunto dos conhecimentos anteriores? Essa incorporação é harmônica ou é conflituosa? Se for conflituosa, julga-se, em face do dado novo, o que já estava assentado.
Depois desse esforço crítico e analítico, vem a terceira etapa: age-se. Agir, no caso, não é só fazer alguma coisa, mas é exercer formalmente a vontade, mesmo que esse exercício não se traduza numa ação externa.
Esse é o procedimento normal do nosso espírito diante de todos os dados novos que apreendemos pelos sentidos. É assim que exercemos nossa racionalidade, nossa liberdade individual. Esse exercício, aliás, é indissociável dos direitos humanos mais elementares que cada indivíduo possa dispor livremente de si mesmo, ao longo de todo esse processo racional-volitivo. E é, também, indissociável da noção de Democracia, tal como geralmente se entende esse nebuloso conceito: só se admite a soberania popular se se partir do pressuposto de que cada elemento do povo, individualmente, exerce seu senso crítico e o traduz externamente pelo exercício constante da cidadania e pelo exercício periódico do voto.
Pois bem, como explicou o professor Pfromm Netto, o grande problema é que a televisão, pela rapidez com que comunica aos assistentes suas mensagens, visuais e auditivas, não permite que o espírito humano desenrole com normalidade o seu processo crítico e volitivo. De fato, cada segundo da programação é supervalorizado e aproveitado ao extremo. Sucedem-se em rapidez vertiginosa estímulos dos mais desencontrados: uma cena de violência espantosa, em seguida uma paisagem deslumbrante, depois uma cena de sexo, depois um comercial, depois uma cena enternecedora, depois outra violência etc. etc. E tudo de modo a produzir, no assistente, um suceder de impressões contraditórias que não têm tempo de serem criticadas e julgadas livre e racionalmente.
Isso produz um apassivamento acentuado do público, que acaba perdendo o hábito de refletir e criticar. E, depois de perder o hábito, o exercício da crítica torna-se penoso, torna-se algo que incomoda e se prefere evitar. É mais cômodo repetir, impensadamente, ideias prontas, que nos chegam à maneira de slogans publicitários...
Esse o grande drama da educação moderna, esse o grande drama da Democracia moderna. Repousa esta última, mentirosamente, sobre o mito de um povo teoricamente soberano, mas que na realidade não pensa e é habilmente conduzido por impulsos cientificamente projetados a partir de imensas máquinas de propaganda.
É claro que há exceções. Sempre há as minorias pensantes... mas que podem fazer elas diante de maiorias acarneiradas e disciplinadas?

* texto publicado no jornal "A TRIBUNA PIRACICABANA"

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Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
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Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
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Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
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Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz