Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
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segunda-feira, 23 de julho de 2012

A dupla face da Igreja Católica

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado

O caso do bispo argentino fotografado há poucas semanas em circunstâncias escandalosas, impróprias a sua condição, ocupou páginas inteiras de alguns jornais, que aproveitaram a ocasião para criticar a Igreja Católica pela manutenção do celibato eclesiástico. Seu imediato pedido de renúncia, obviamente determinado pelo Vaticano, não mereceu o mesmo estardalhaço publicitário.
Criticar a Igreja é moda, em muitos ambientes. O preconceito anticatólico é o único preconceito admitido e até estimulado no mundo acadêmico, segundo afirma Thomas E. Woods Jr., professor norte-americano, na abertura do seu notável livro “Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental” (Editora Quadrante, São Paulo, 2008).
É óbvio que, infelizmente, inúmeros eclesiásticos dos vários níveis, até os mais elevados, não cumprem, como deveriam, suas obrigações. Há muita coisa na sua conduta que deveria ser diferente, para que os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo fossem seguidos. Esse é o lado humano, frágil, doente, da Igreja Católica. É a face terrível da instituição. Por mais que sejamos católicos, não podemos fechar os olhos diante dessa realidade.
Mas também não devemos jamais devemos esquecer o outro lado: a Igreja é de instituição divina e, enquanto tal, por cima das misérias humanas tem uma outra face, pura, santa, imaculada. E mesmo nas piores horas, mesmo nos momentos de crise mais intensa, como o atual, essa face se manifesta magnificamente.
Ainda recentemente recebi, por e-mail, um espetáculo de Power Point lindíssimo, sobre tratamento de aids no mundo inteiro. A única instituição internacional que desenvolve em todo o mundo um trabalho sério, eficiente e dignificante para ajudar os aidéticos é a Igreja Católica. Inúmeros estabelecimentos católicos funcionam em todo o globo  (e especialmente na África, continente mais atingido pela epidemia) para auxiliar, material e espiritualmente, os aidéticos. São estabelecimentos discretos, humildes, que não chamam a atenção sobre si, mas atuam eficazmente.
Existem milhares e milhares de ONGs coletando dinheiro e fazendo demagogia a propósito da aids, e aproveitando para criticar a Igreja porque combate, por razões morais, o uso da camisinha, mas na prática, quem trabalha mesmo, em favor dos aidéticos, é a Igreja...
Esse “outro lado” da questão, a justiça manda não omitir.
De fato,  a Igreja tem um lado divino e um lado humano. O lado divino é, insisto, puro, santo, imaculado. Sem ele seria impossível uma instituição tão contrária a todos os valores que o mundo habitualmente preza, cultua e até idolatra, sobreviver durante 2 mil anos. Como escreveu um autor francês do século XIX, “l´Eglise est une enclume qui a usé bien de marteaux” (a Igreja é uma bigorna que já gastou muitos martelos). Eles bateram, bateram, bateram, gastaram-se... e a Igreja continua de pé. Voltaire previa o fim da Igreja para o final do século XVIII... Como estava enganado!
Mas há também o lado humano, no qual há miséria, há podridão, há crimes. Não podemos fechar os olhos para essa realidade, como também não podemos esquecer o lado divino.
Creio que o que exprime bem essa dicotomia, essa aparente contradição entre o divino e o humano na instituição da Igreja Católica, é o episódio ocorrido com o historiador alemão Ludwig von Pastor (1854-1928). Ele era protestante e, certa ocasião, desafiou publicamente a Igreja Católica a abrir os seus arquivos secretos. Tinha certeza, afirmava, de que eles jamais seriam eles abertos, para não serem revelados horrores tremendos...
Na ocasião, acabava de ser eleito Papa Leão XIII, que mandou dizer a Pastor que os arquivos do Vaticano estavam inteiramente abertos para ele. No início, Pastor não acreditou, mas viajou para Roma e ali encontrou, realmente, todas as facilidades em seu trabalho de pesquisa. Nada lhe foi negado, nada lhe foi escondido. Ele passou anos trabalhando e produziu uma obra monumental, em 40 volumes, com a história dos Papas desde a Renascença até o final do século XVIII. Nessa obra, registrou todos os horrores (e foram realmente horrores, é inegável) de Papas renascentistas.
A certa altura da sua pesquisa, solicitou e obteve uma audiência com Leão XIII. Apresentou-se ao Papa, agradeceu as facilidades que obtivera na pesquisa e, para grande surpresa de Leão XIII, declarou que desejava tornar-se católico. O Papa, muito espantado, respondeu:
- Mas, Professor, antes de conhecer por dentro os horrores praticados por antecessores meus, o Sr. era contra a Igreja Católica, e agora, que conhece tudo documentadamente, quer ser católico? Não estou compreendendo sua atitude.
A resposta de Ludwig von Pastor foi muito interessante:
- Santidade, eu me convenci de que a Igreja Católica é realmente uma instituição divina. Se nem Papas conseguiram destruí-la, é porque é divina mesmo!

Armando Alexandre dos Santos escreve aos sábados na TRIBUNA PIRACICABANA

2 comentários:

Claudinei Pollesel disse...

li pela Tribuna e agora releio aqui com prazer, admiração e respeito.... belo texto! verdadeiro texto! parabens! valeu o dia!

Claudinei Pollesel disse...

li pela Tribuna e agora releio aqui com prazer, admiração e respeito.... belo texto! verdadeiro texto! parabens! valeu o dia!

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz