Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


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sábado, 14 de julho de 2012

Cultura e Academias Piracicabanas: raízes



 Samuel Pfromm Netto
                                                                  
Em 1988 Piracicaba pranteou o passamento de quatro notáveis intelectuais que marcaram substantivamente a história da cidade com seus escritos, empenhos e ações. Faleceram nesse ano Salvador de Toledo Piza Júnior, autêntico gigante da cultura, doutor honoris causa da Universidade de Berlim, escritor, professor e pesquisador emérito da ESALQ/USP; Benedicto Evangelista Costa, o professor Costinha, formado pela ESALQ e pela Sud e docente desta última por longo tempo, pintor e musicista dos mais talentosos; Affonso José Fioravante, igualmente formado pela Sud e pela Cristóvão Colombo, bacharel em direito no Rio de Janeiro, educador notável que exerceu altos cargos administrativos, com uma folha riquíssima de serviços relevantes prestados no Piracicabano e na área de ensino em geral. O quarto desaparecido, no início de dezembro, foi personagem das mais fulgurantes (e controversas) da inteligência noivacolinense na segunda metade do século passado: João Chiarini. Talento polimorfo, foi livreiro, escritor, jornalista, advogado, professor, autoridade das mais respeitadas entre os estudiosos do nosso folclore, político, agitador popular... A cidade deve-lhe uma biografia detalhada, bem fundamentada e inteligente, que analise tudo quanto este intelectual de sete instrumentos fez ao seu tempo e cujo acervo de milhares de livros, periódicos, folhetos e documentos foi confiado ao Centro Cultural Miss Martha Watts em 2006.
Loquaz, inquieto, controverso e corajoso, partícipe ativo em uma infinidade de movimentos e ações de caráter cultural desde meados do século vinte, Chiarini brilhava como poucos nas rodas da inteligência piracicabana, notadamente entre a gente moça, desde os anos 40. Incomodava muita gente pela franqueza e vasta cultura e gozava de merecida popularidade tanto em Pira como no país e no exterior. Seu largo círculo de amigos e correspondentes (com os quais trocava cartas facilmente identificáveis pelos envelopes com letras coloridas de imprensa, espécie de marca registrada de JC), cabe-lhe com inteira justiça o título de talento fulgurante. Tinha uma memória incrível para fatos, datas, pessoas, lugares, acontecimentos. Uma enciclopédia viva.
A João Chiarini devem os piracicabanos a sua primeira e autêntica Academia: a Academia Piracicabana de Letras, de que foi fundador e presidente vitalício até seu falecimento. Criou igualmente o Centro de Folclore de Piracicaba (não sei se sobrevive), com um prestígio que cruzou oceanos e o torna conhecido e reconhecido como inconteste autoridade nesse domínio, até então marcado por improvisações, palpites sem fundamento e superficialidade. Há um não mais acabar de nomes que com ele privaram e corresponderam: Jorge Amado, o cineasta Alberto Cavalcanti, os Camargo Guarnieri, Sérgio Milliet, os Andrade (Mário, Oswald), Mário Neme e tantos, tantos outros.
De todos os galardões que enfeitam a biografia de Chiarini, certamente a mais notável são a idealização e a efetiva fundação da nossa primeira Academia de Letras, com essa denominação oficial, há quatro dezenas de anos. Foi a Academia sui generis porque, ao contrário das demais, que geralmente têm um quadro de titulares limitado de quarenta integrantes, a de Chiarini tinha um número ilimitado (!) de acadêmicos e admitia pessoas vivas como patronos. Virtude para uns, defeito para outros, essa característica singular, a Academia era invenção e obra de João Chiarini, que se desdobrava na presidência para garantir o funcionamento da entidade. Após estas quatro dezenas de anos, está na hora de exumar (que espero não tenha sido perdida) toda a documentação referente à Academia e contar em pormenores a sua história.
O pioneirismo de Chiarini em 1972 – há quarenta anos! –, na verdade, deu prosseguimento a uma história mais ou menos obscura de um bom punhado de iniciativas no âmbito cultural da Piracicaba de antanho. Iniciativas como a criação da Sociedade Propagadora da Instrução no século dezenove e o surgimento da Universidade Popular de Piracicaba em 25 de agosto de 1910. No precioso livrinho que imprimiu na Bélgica em 1910, M. S. Ferraz aponta a Universidade Popular como “instituição respeitável e utilíssima”, que desenvolvia um programa ambicioso de palestras e cursos sobre literatura e ciências, ensino de idiomas e saraus lítero-musicais de que participavam os mais expressivos nomes da vida cultural e artística da cidade (“Piracicaba e sua Escola Agrícola”, 1912). Em 1925 surgiu a Sociedade de Cultura Artística, liderada por Fabiano Lozano e sob a presidência de Antônio dos Santos Veiga. Outros tempos... Em 1939 nasceu a Biblioteca Pública Municipal, que passou a agasalhar iniciativas, reuniões e eventos que marcaram o passado cultural piracicabano. Quando a sua sede passou a ser a área superior do Teatro Santo Estêvão, ali fundamos, com o apoio de Leandro Guerrini e a participação de um grupo de saudosos amigos e entusiastas, o Clube Piracicabano de Cinema, responsável por projeções de filmes, conferências, debates, cursos e outros eventos de caráter cultural, entre os quais palestras verdadeiramente inesquecíveis de Sérgio Milliet, Dulce Salles Cunha, Carlos Ortiz, Almeida Salles e muitos outros.
No início dos anos cinquenta, um grupo de moços unidos no entusiasmo por temas de literatura, arte e cultura em geral reunia-se na redação do “Jornal de Piracicaba”, à rua Moraes Barros, dando origem à página dominical “Literatura e Arte” no Jornal de Piracicaba, que coordenei juntamente com Oswaldo de Andrade.
Das iniciativas e realizações na Piracicaba dos anos sessenta, sob o patrocínio do Departamento de Cultura (com C maiúsculo) do município, fez parte o inesquecível Simpósio de Estudos Piracicabanos, realizado em novembro de 1967, com sessões sobre artes e literatura, folclore, lenda, história e genealogia, educação e ensino, geografia e geologia de Piracicaba, medicina e assistência social..., sendo criado nessa ocasião o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, sob a liderança de Archimedes Dutra, Jair de Toledo Veiga e Flávio Moraes Toledo Piza. Tempos saudosos...
Clubes, associações, instituições e atividades como as que são aqui mencionadas refletem inegavelmente, ao longo de mais de um século, o espírito Acadêmico-Cultural (com A e C maiúsculos!) que, num sentido lato, caracteriza as autênticas Academias, já que esta designação, nestes últimos tempos, passou a identificar entidades para práticas esportivas, escolas de samba e de capoeira e até academias de secos e molhados.
Bem haja, pois, a Academia Piracicabana de Letras que, nestes começos de novo milênio, recupera o sentido original da denominação e retoma em Piracicaba uma tradição caríssima e venerável cujas raízes estão solidamente fincadas no solo fecundo do Jardim de Academos, o solo da cultura clássica dos tempos de Platão e Aristóteles.

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Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz