Rio Piracicaba

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Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

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Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Quem nunca?...*

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

     Quem nunca tomou uma atitude da qual veio a se arrepender amargamente, depois?
     Mais tarde, com os ânimos serenados, olhamos para trás e não sentimos nenhum orgulho do que fizemos, por mais justificável seja o tipo de impulso que nos tenha movido.
     Ainda que nos policiemos 24 horas por dia, pautando-nos pelas linhas sempre recomendáveis da ética, do decoro, da prudência, da modéstia, dos princípios, às vezes derrapamos feio e cometemos algum gesto impensado, fruto de alguma situação que nos pareceu difícil de enfrentar.
     Acontece com todos nós, pelo menos uma vez na vida. E o que fazer, diante de um fato desta natureza? Pedir desculpas, em primeiro lugar. Não ter vergonha de pedir perdão, ao perceber que se foi além do que seria considerada a conduta correta.
     Às vezes, nos deparamos com a aflição. Em seu grau máximo. Algo próximo do desespero. E nos desequilibramos. O solo que nos pareceu sempre tão seguro e confiável começa a tremer sob nossos pés e já não somos mais aquela fortaleza esperada.
     Fraquejamos. E a queda é fatal. Contudo, passada o que seria a “vergonha” de um momento que tentamos esquecer a todo custo, resta-nos a certeza de mais um aprendizado, a bela lição da humildade, da pequenez e da nossa eterna vulnerabilidade.
     E, de certo modo, agradeçamos por isso. Por sermos vulneráveis. Louvemos essa vulnerabilidade que faz de nós seres humanos sensíveis, de carne e osso, com capacidade para enxergar nossos defeitos e falhas, nossa grandeza e nossa miséria.
     Devemos ser gratos por reconhecer e identificar nossa fraqueza, nossa necessidade constante de redenção, de salvação. Aí reside a luta interior de cada um, a definição determinada da vontade, da inteligência, do amor-próprio a serviço de si mesmo.
     Quantas vezes procuramos pela nossa auto-estima e ela não está para conversa. Difícil. Insustentável. Olhamos à nossa volta e nos vemos sozinhos. Não se trata de uma solidão premeditada, mas de contarmos tão somente conosco mesmo, numa corrida insana à paz de espírito.
     Calma. Mas se chorar faz bem, chore-se. Talvez seja verdade que “chorar libera a tensão”. E lágrimas foram feitas para serem derramadas, em alguns momentos de nossa vida. Choramos de alegria com o nascimento de uma criança; choramos de emoção, de encantamento; choramos de amargura e de tristeza; choramos no final de um filme; choramos a dolorosa partida de um ente querido.
     Então, volto ao ponto alto deste tema. Quem nunca cometeu algo que, depois, o fez chorar? E são estas as lágrimas abençoadas e redentoras. O pranto consolador da nossa alma. O lenço bendito que nos enxuga ensopado de dor, mas também de alívio, por reconhecermos que somos capazes de nos arrepender, de admitir nossa vulnerabilidade.
     Não digamos: é tarde!... Não. Nunca é tarde para um pedido de perdão. Nunca será tardio olhar nos olhos de alguém e pedir desculpas. Nunca será errado portar-se com dignidade e corrigir-se.
     Ainda que o outro nos vire as costas ou não aceite o nosso pedido de desculpas, nossa consciência estará em paz.
E quando somos nós a conceder o perdão, que seja dado ampla e generosamente.
     Somos sujeitos e objetos ao mesmo tempo, de toda situação, de todos os momentos, nos mais diferentes ambientes por onde circulamos. Daí a nossa facilidade para fraquejar. Uns mais, outros menos. Não se exija de ninguém o rigor da perfeição, da postura plástica e estudada, ou das palavras que parecem poemas.
     Palavras têm de possuir essência, conteúdo; gestos têm de fazer sentido. Gente tem de ter alma. Gente erra e acerta. E uma atitude de perdão é a mais nobre de todas. Quem nunca teve um pedido de perdão a fazer? Quem nunca esteve na posição de perdoar?
     Proponho esta reflexão para uma semana cheia de bons pensamentos, de boas ideias, de atitudes benfazejas que iluminem e salvem. De escuridão, o mundo está cheio. Alguns a chamam de “treva”.
     Saiamos em busca deste espetáculo maior, que é a vida em si mesma e sua solicitude. Sua nascente e sua finitude. Suas originalidades e seus plágios. Tenhamos em mente a possibilidade da partida repentina e nos amemos uns aos outros, num abraço universal que, por ora, parece-nos tão inviável e impossível. Contudo, lutemos. É digno lutar.

       *Texto publicado no Jornal de Piracicaba

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Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
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Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
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Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
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Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
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Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
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Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
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Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz