Rio Piracicaba

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Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Retalhos...*

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

 Dizem que não mostro a idade. Mas se mostrasse, que mal haveria? Temos a idade que temos, não importa se parece ou não. Enfim. Lá pelos 18 anos, olhei à frente e pensei: vou tirar de letra, vai ser canja. Não foi. Deus sabe os acidentes de percurso que enfrentei, as 11 intervenções cirúrgicas a que me submeti, sendo nove com anestesia geral. Valei-me, meu anjo da guarda!
     O medo me impediu de fazer algumas coisas. Não saltei de paraquedas, não fiz mergulho, tirolesa, alpinismo, jumping, rapel, nada. Vivo no chão. Minha vidinha é térrea como minha casa. Contudo, amo a beira-mar. E amo a solidão do boi no campo. Quando é que a vida começa a se completar? Quando é que saímos do nosso casulo ancestral?
             Ah, eu era menina, e no galho mais alto da mangueira eu governava o mundo. Ninguém elaborava leis mais belas e mais justas dos que as minhas. Comendo manga verde com sal, eu tinha um reino lá embaixo e meus vassalos eram as pombas do viveiro do meu irmão, os besourinhos e as borboletas. Parece que, antigamente, havia mais borboletas do que agora. Era fácil e simples reinar do alto da mangueira. As verdades eram absolutas, Deus fizera o mundo perfeito. Se ameaçava chuva, dava tempo de descer correndo da árvore.  Só que a vida lá no chão era em preto e branco.
O mundo está de cabeça para baixo ou é impressão minha? A superficialidade tem lugar garantido nos melhores lugares. Vivemos a pior crise de valores de todos os tempos. A mediocridade rasa está em alta. Reputam-se criativas e espirituosas coisas absurdas. Julga-se inteligente o que não tem nexo. Um paradoxo.
Sob este céu pré-outonal, vejo uma energia pairando no ar, uma força vibrando em ondulações,  uma luz pulsando etérea. Não sei o que é. Penso nos elétrons, prótons e nêutrons. Quero pegar na molécula, no átomo, na célula viva e invisível que compõe o cenário em movimento. “Uma árvore respira”, afirmou Giordano Bruno no ano de 1600. E não escapou da fogueira.
            Lembra do Paulo Francis? Se você for muito jovem, talvez não se recorde. Era uma figura. Não apareceu ninguém para ocupar o seu lugar na imprensa ou destilar igual veneno. Paulo Francis na televisão enchia a tela. Caio Blinder, Nelson Motta, Lucas Mendes e Paulo Francis, quatro jornalistas de primeiro time, discutiam e celebravam os 25 anos da chegada do homem à Lua. Lucas tentava explicar a Francis o avanço tecnológico que a conquista espacial proporcionou ao mundo. “O velcro, o relógio digital, essa caneta que se escreve em qualquer ângulo”. Francis e sua acidez: “E é preciso gastar bilhões de dólares para inventar uma caneta?”. Então, Lucas Mendes não suportou e quis rebater. Mas Francis o interrompeu, e finalizou, com sua retórica polêmica: “A corrida espacial é uma bobagem. Não há vida em outro lugar a não ser na Terra. Quer saber de uma coisa? O Universo é uma bosta”. Esse era Paulo Francis.       
Ah, eu queria ser inteligente, daquela inteligência matemática, de saber quanto é 22 vezes 29 sem pegar na calculadora. Acho lindo quem sabe fazer conta de cabeça. Eu perguntava ao meu marido: quanto é 219.758 menos 16.389? E ele respondia sem piscar. Queria ter esta inteligência das pessoas que dizem: eu fiz toda a parte elétrica da minha casa. Ou: eu instalei e montei tudo isso, só com a ajuda do manual. E que raça é essa dos invasores, esse pessoal que consegue entrar nos computadores da Casa Branca, do Vaticano? Como é saber elaborar e modificar software e hardware de computadores? Eu fico aqui, no tecladinho prosaico da vida, e acho tudo o máximo. Caramba, quanta coisa que eu não sei. 
Estou encantada. Folha de graviola cura câncer. A papaya é altamente desintoxicante. A banana tem propriedades milagrosas. E a linhaça? Também já andei consumindo. O magnésio, tomado em jejum de manhã, amargo que nem fel é o elixir da longa vida. Levanta defunto. Que tal um xarope caseiro de mel com canela? Cura de asma a insônia. E o abacaxi? Ele quebra a proteína da carne, melhora a digestão. O chá da casca de nozes pecan é outra maravilha. A lista dos benefícios não tem fim.  Experimente um dente de alho amassadinho no prato. Cura de tudo. E as propriedades da azeitona? Você sabe o que uma azeitona é capaz de fazer no seu organismo? O limão é tudo de bom! Comer berinjela regularmente ajuda a baixar o colesterol. A cura pela comida é legal. Mas desenvolvi uma teoria alimentar que é batata: como quando tenho fome. Pronto.       
Não há nada de novo debaixo do sol. A não ser uma febre adquirida na contínua infecção da vida. A não ser um corpo menos ágil e um olhar mais frágil. A não ser um canto menor e um dó maior. A não ser um acaso que não vem ao caso. A não ser uma divisória no quarto da memória. A não ser uma particularidade a esta altura da idade. Fim de poema? Até terça que vem!

* Texto publicado no Jornal de Piracicaba

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Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz