Rio Piracicaba

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Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

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terça-feira, 5 de março de 2013

Sobre a eleição do próximo Papa

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


Escrevo o presente artigo na noite de 28 de fevereiro, poucos minutos depois de a Igreja Católica ter entrado em vacância de Sé Apostólica, devido à renúncia do Papa Bento XVI, que foi anunciada no dia 11 do corrente mês, mas somente hoje, às 20 horas (horário de Roma), se tornou efetiva.
Nos últimos 17 dias, os meios de comunicação social divulgaram fartíssima quantidade de notícias e comentários sobre essa inusual e inesperada renúncia de um pontífice romano. Com raríssimas exceções, na sua imensa maioria as matérias divulgadas primaram pelo sensacionalismo e demonstraram, por parte dos seus redatores, monumental ignorância sobre teologia, sobre Direito Canônico, sobre usos e costumes da Igreja, sobre o modus operandi interno do Vaticano. O primarismo, a falta de respeito e até mesmo de elegância foram as notas dominantes do noticiário.
Ignorando completamente o fato de ser a Igreja uma instituição absolutamente sui generis - cuja sobrevivência ao longo de dois milênios pontilhados por crises e períodos persecutórios somente é explicável por quem tome em consideração o elemento sobrenatural e divino que a anima - os comentaristas em geral se estenderam largamente sobre os aspectos humanos da instituição. A eleição de um papa vem sendo, o mais das vezes, apresentada à maneira de uma eleição republicana, com candidatos, partidos, promessas de favorecimento, compra de votos etc. etc. Pouco faltou para que se falasse em mensalões...
Dir-se-ia que tudo aquilo que caracteriza a política moderna, com suas baixarias, vilezas e torpezas, se projetou para o Colégio Cardinalício, como se a eleição de um papa em nada diferisse da eleição de um presidente de república.
No entanto, o sistema de eleição de um papa é o que há de mais diferente do processo de eleição de um presidente de república. Na eleição do presidente, o voto é quantitativo, não qualitativo: votam todos, sábios e ignorantes, em pé de igualdade, ficando todos, obviamente, sujeitos a pressões, influências, visões distorcidas da realidade, simpatias e antipatias mais ou menos apaixonadas, irracionais e subjetivistas.
Por outro lado, o posto de presidente é desejado pelos concorrentes, que precisamente por isso se candidatam. E esse desejo nem sempre é movido por intenções das mais puras e nobres. Tudo isso são fatores que viciam o resultado do processo eleitoral republicano.
Na eleição do papa esses fatores desfavoráveis são muitíssimo reduzidos. Com efeito, seria impossível, em termos humanos, conceber teoricamente um eleitorado mais seleto e menos sujeito a paixões baixas do que o de um papa.
De fato, dentre os católicos, só uma pequena elite é chamada para o estado sacerdotal, e chamada por vocação divina: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi", disse Nosso Senhor aos Apóstolos (Jo. 15,16), em palavras que bem se aplicam a todos os sacerdotes.
Dentre essa elite que é o clero, uma pequeníssima parcela é chamada à plenitude do sacerdócio, ou seja, ao episcopado. Note-se: "é chamada". Não se trata de candidatura, de eleição, de disputa por um posto vantajoso, mas é o papa que designa os bispos.
Dentre os bispos, só uma pequeníssima minoria atinge o cardinalato. E o atinge, igualmente, sem eleições e candidaturas, mas por designação pessoal do papa, que faz na terra as vezes de Nosso Senhor (daí ser chamado o Vigário de Jesus Cristo, de vicarius, palavra latina que significa substituto).
Os cardeais com direito de voto no conclave, pouco mais de cem em toda a terra, são presumivelmente, do ponto de vista humano - não estamos falando ainda do aspecto sobrenatural - o que se poderia reunir de mais seleto e categorizado para bem conhecer os problemas da Igreja e indicar, entre eles mesmos, aquele que mais parece indicado para suceder a São Pedro.
Todos eles foram selecionados dentre os melhores, todos eles foram designados para os postos sucessivamente mais elevados da carreira eclesiástica por determinação superior, todos eles desempenharam funções de alta responsabilidade na Igreja.
Reunidos em conclave, para a eleição do papa, os cardeais ficam encerrados em dependências do Vaticano, sem qualquer comunicação com o mundo exterior, devendo também manter segredo das tratativas e confabulações que internamente façam entre si para a designação do novo pontífice.
Cada cardeal é moralmente obrigado a sufragar o nome que, em consciência, considera mais indicado para o cargo, e com o fim de mais significar essa gravíssima obrigação de consciência, os votos que cada um formula são, segundo o costume tradicional, depositados num cálice que serve para o santo sacrifício da Missa.
Tudo isso, evidentemente, para reduzir ao mínimo o fator humano e falível. Tal fator existe, sem dúvida, mas é naturalmente reduzido ao mínimo. Esse não é, porém, o aspecto principal. Há ainda o lado sobrenatural, de si mais elevado e importante.
A Igreja é de instituição divina, e é assistida de modo especialíssimo pelo Divino Espírito Santo. Jesus Cristo disse aos Apóstolos: "Estarei convosco até a consumação dos séculos"  (Mt. 28,20), o que indicava, sem a menor dúvida, uma promessa de assistência - e mais do que isso, de presença - de ordem absolutamente superior.
O mesmo Senhor declarou formalmente a São Pedro: "Tu es Pedro, e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela"  (Mt. 16,18) - o que contém claramente uma promessa divina de imortalidade e indestrutibilidade da Santa Igreja.
Por todas essas razões, o processo eleitoral de um papa é atípico, e não pode nem de longe ser comparado ao das eleições normalmente realizadas nas modernas repúblicas.
Rezemos para que o Divino Espírito Santo ilumine os membros do Sacro Colégio e para que tenhamos, na sucessão de Bento XVI, um Papa adequado às necessidades prementes da Igreja Católica, que a faça emergir da crise terrível na qual, há décadas, se vê mergulhada.


Armando Alexandre dos Santos é historiador, jornalista e diretor da Revista da Academia Piracicabana de Letras.

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Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
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Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
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Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz