Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Ataque do Demo

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

          Sofri um ataque do demo. Foi. Deste mesmo que você está pensando. Do capeta. Vade retro! Três dias e três noites sem dormir e sem comer. Tomar banho, tomei. Bem que ouvi um rumor de patas a minha volta, mas julguei fosse o tropel dos cavalos do Apocalipse. Não era. Era o tinhoso em pessoa me atacando pelos flancos. De frente, ele não tem coragem. Covarde das trevas.
     Acredite ou não, sofri o ataque. Por um breve descuido do meu Anjo. Deu brecha, o “encardido” entra. Por onde menos se espera. Pérfido, ardiloso, sorrateiro. E faz um estrago geral. Desgraçado! Aparece agora, e espeto teu traseiro com a ponta da minha espada afiada no zelo apostólico! Vem, que te expulso com um cabo de vassoura e meu terço bento, vindo do santuário de Fátima.
      Como aconteceu? Ah, foi só começar aquele primeiro parágrafo: “Madre Tereza de Calcutá sentia a escuridão, o frio e o vazio dentro de si....” – e ele atacou. Ele é a treva, o coisa-ruim que faz insinuações, feito a serpente seduzindo Eva: “Olha lá, sua tonta”. Sua tonta... Quem é tonta?  
Valei-me Nossa Senhora das Graças! São Miguel Arcanjo, príncipe da milícia celeste, defendei-me! Meu santo padre Pio de Pietrelcina! Santa Brígida da Suécia, minha protetora e padroeira das viúvas! 
     Bastou invocar o nome de São João da Cruz no texto, para o cão raivoso uivar das profundezas abissais, lá da sua quentura eterna. Disse, me desafiando: “Não vai publicar, não vai.” Respondi: “Pois vamos ver”. Ah, seu devorador de almas! Ainda há Quem vença esta batalha. Existe Alguém acima de ti. 
     Sim, a fera me atacou. Foi ele. Aquele que ruge à nossa volta como um leão. Foi esta criatura tenebrosa que espreita nossas portas, camas e mesas, passa por todos os vãos, sobe no telhado, espia lá de cima, conhece o que fazemos e o que amamos. Por Deus, como não adivinhei de imediato? Caí que nem pata em suas artimanhas. 
     Ah, que eu tenho bem guardado meu vidrinho de água benta, o sal exorcizado, a vela de sete dias, o escapulário marrom, o óleo de São Rafael e a água da fonte de Lourdes. No pescoço, a medalha de São Bento, que só tiro para fazer cirurgia. Mas vem cá, seu miserável duma figa! Vem, se tu és homem, que eu sou uma mulher destemida. É isto que te incomoda? Que um considerável contingente de bonitas e cultas se esforce para imitar as virgens sábias da parábola, e mantenham bem providas de azeite as suas lâmpadas? 
    Vem, que te arrebento as fuças, seu traste imprestável. Estou pronta para te enfrentar com minhas santas armas. Há um exército de anjos acampando em torno da minha casa e não perdes por esperar. Corre daqui, seu sacripanta! Ou faço espumar o teu rabo. Some, ou meto uma bala de prata na tua testa. Vou ficar de tocaia, montar campana e, ao menor sinal de teu rastilho, empunho meu pequenino crucifixo do Senhor no Calvário, bento por frei Haroldo. 
    Lutei, lutei. Santa Tereza d´Avila lutava com o demônio e o santo padre Pio também se esgotava. Consta que a cela do padre amanhecia toda revirada, a cama fora de lugar, os objetos atirados no chão. De noite, no convento, os frades ouviam o barulho de cadeira voando, arremessada contra a parede. “Escuta lá, é Pio lutando”. 
     Ah, combate de glória! Conheci uma mísera parte da árdua peleja, eu que nem santa sou. Sim, o lençol revirado, a noite duríssima. Mas o que é isso, afinal? É minha alma em luta, meu espírito intrépido no combate. Minha Bíblia sempre aberta nos Salmos, sobre a cômoda. Meu terço embaixo do travesseiro. Minha lâmpada cheia de azeite. Meu equilíbrio precário buscando sustentação, mas para cair é um sopro. E o tinhoso soprou, soprou... 
    Só que minha corda não era tão bamba assim. E maior minha fé, meu amor pelas coisas que amo. Imensurável a minha estima pelas pessoas. Todas. Sem exceção de nenhuma. Consegui resistir, seu velhaco traiçoeiro. Aparece, que te espanto com reza brava. Brava de tão boa. Como é que, aí nas Gerais, os mineiros fazem uma reza bem forte? Mostrem para nós onde mora o cálix bento e a hóstia consagrada.  
Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

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Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz