Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

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Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Minha mãe e eu

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

     Minha mãe e eu temos um montão de histórias. É preciso pensar um pouco antes de contar. Já são 24 anos da sua partida e parece que foi ontem.
     Fomos uma bela dupla - minha mãe e eu. Ela se chamava Josefina e eu a provocava, querendo saber por que minha avó lhe dera um nome tão feio. Ela ria e ficava brava ao mesmo tempo. “Eu gosto do meu nome, oras”. Eu respondia rindo: “Mas eu não, dona Josefina!”.
     Ela contava que no grupo escolar era vítima da brincadeira “Josefina da perna fina”. Contudo, minha mãe tinha pernas normais e bonitas. Só Deus sabe o que aquela mulher andou e trabalhou, o bem que ela praticou na vida, as procissões, as rezas, as visitas aos parentes e doentes, o que fez neste mundo de Deus com aquelas pernas santas e laboriosas.
     Ah, mãe querida! Como na linda valsinha, se a gente pudesse começar tudo, tudo de novo! Se pudéssemos ter a chance de voltar a ser criança no seu colo tão doce. Que saudades do seu perfume suave, uma colônia que não sei onde ela comprava. Lembro-me do seu potinho de “rouge”, que hoje é o nosso “blush”. Ela gostava de um batom discretíssimo e usava um esmalte de um tom rosa esmaecido, chamado “Rosa Rei”.
Ela sabia de tudo, sabia falar e calar. Tudo na hora certa. Advertia sempre: “Em boca fechada não entra mosquito”. Minha mãe completou apenas o 4º ano primário, mas saiu da escola com um diploma preciosíssimo: a sabedoria da vida. Quanta lucidez e prudência. Não dava um passo em falso. Conhecia todos os territórios, os próprios e os que a cercavam.
     E quando ela começava a contar do seu tempo de moça na roça, morando no sítio? A gente ficava horas ouvindo na cozinha, com um bule de café e bolo de fubá quentinho. Como foi que ela conheceu meu pai, o noivado, o começo da vida de casados, os filhos pequenos.
Ah, meu Senhor da glória, eu coloquei a foto clássica do casamento dos meus pais, em branco e preto, aquela da “Foto Lacorte”, num quadro de chorar de lindo, na parede acima da cristaleira. Fiz o mesmo com a foto do casamento dos meus sogros. Estão os dois pares ali, eternizados, cheios de esperança e alegria. Afinal, haviam acabado de dar o “sim” um para o outro. E para Deus.
     Minha mãe gostava de rezar. De rezar o terço de joelhos, junto com meu pai, os dois de cabeça baixa, cheios de respeito, diante das imagens do Imaculado Coração de Maria e do Sagrado Coração de Jesus.
     Logo após o seu funeral, num estado de vigília, meio dormindo, meio acordada, de repente, subi. Subi altíssimo. Vi-me numa altura fantástica e olhava para baixo. Tudo era de um verde-escuro estranho. Eu via o rio da minha cidade, o mato das margens, carros passando lá embaixo nas ruas. Foi assustador. Eu não tinha corpo, mas eu “existia” com minha mente apenas, meu espírito. A lembrança daquela subida (seria a chamada “viagem astral”?) ainda mexe comigo.
     Josefina, minha mãe! Eternamente, Josefina! Mulher, moça, menina. Nada de perna fina. Minha mãe, tão grande e tão pequenina! A bênção, minha mãe Josefina.

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Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
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Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
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Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
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