Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

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Diretoria da Academia Piracicabana de Letras 2018/2021

Presidente– Vitor Pires Vencovsky
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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Imbuzeiro, a árvore sagrada do sertão

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado


De tempos em tempos, geralmente nos dois primeiros meses do ano, encontra-se à venda em São Paulo o imbu, uma fruta deliciosa proveniente do chamado Polígono das Secas, vasta região que começa no Norte de Minas Gerais, atravessa uma larga faixa da Bahia e se estende pelos Estados do Nordeste.
Conheci o imbu em 1999, quando participei de expedições de estudos, nas ruínas de Canudos. É uma frutinha verde, carnuda, com sabor acidulado e ao mesmo tempo adocicado, extremamente agradável ao paladar. Comi a fruta ao natural e, também, transformada num sorvete maravilhoso.
O imbuzeiro é uma árvore singular, que consegue o prodígio de se manter verde mesmo em períodos de seca, quando toda a vegetação em volta seca por inteiro. Suas raízes são profundas, enterram-se muitos metros abaixo do nível do solo, sorvendo, avidamente, a escassa umidade que o interior da terra consegue ocultar aos raios devoradores do insaciável Sol. Ano a ano, como em um passe de mágica, floresce e, no mês de janeiro, entrega à luz esfuziante do astro-rei centenas de saborosos frutos, que fazem as delícias dos que os saboreiam. É então a hora das tachadas de imbuzada, quando, em leite de cabra e com bastante rapadura, as mulheres cozinham os imbus e todos os sertanejos se deliciam com aquele pitéu dos deuses...
Nas épocas de seca braba, que na região por vezes se prolonga por quatro, cinco ou seis anos, o imbuzeiro beneficia a população. Suas raízes, desenterradas, possuem uma espécie de tubérculos, as “batatas de imbu”, que conservam água e podem ser sorvidas por lábios sequiosos. Depois, secas e raladas, fornecem farinha que não é muito nutritiva, mas ajuda a disfarçar a fome nas horas de aperto, Acredita-se que tenha, também, propriedades medicinais. Euclides da Cunha chamou o imbuzeiro, da espécie Spondias tuberosa, de “árvore sagrada do sertão”.
De fato, ele assume naquelas regiões um papel que simboliza a própria Providência Divina. É a árvore benfazeja que ampara os pobres e alivia seus sofrimentos.
O imbuzeiro, na sua dura luta para sobreviver em clima hostil, também é símbolo do próprio sertanejo, que é antes de tudo um forte, como escreveu o mesmo Euclides da Cunha. O sertanejo luta diariamente para sobreviver, é obrigado a extrair seu sustento pelos modos mais incríveis, é-lhe difícil e até heroico o que para outros nada custa. Mas, assim como o imbuzeiro, sabe alegrar-se com o pouco que tem e é capaz de festejar, com verdadeira alegria de alma, qualquer pequeno agrado que, inesperadamente, lhe proporcione a mãe-natureza.

Quem vê o imbuzeiro revestido de vitalidade, quando florido ou carregado de frutos, não pode imaginar quanto esforço lhe custou aquela produção. Precisou, como um camelo que atravessa desertos, conservar dentro de si, nos seus tubérculos, as reservas de umidade que lhe garantiram a sobrevivência. E se alegra por poder dispor dessas reservas, quando muitos outros seres vivos perecem à míngua de água. Assim também, quem vê o sertanejo conversando, rindo e cantando ao som de uma velha viola, esfuziante de júbilo porque caíram algumas gotas de água do céu, não pode ter ideia de quanto lutou para poder adquirir o direito de, vez por outra, iluminar o rosto com um sorriso.

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Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2-André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11-Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
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31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35-Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
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38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
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Lino Vitti - Acadêmico Honorário (in memoriam)