Academia Piracicabana de Letras
Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)
Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)
Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)
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segunda-feira, 22 de junho de 2026
quinta-feira, 11 de junho de 2026
Renovação
Sou realidade pensante
feita de conflitos e lutas
em constante recomeço.
Preciso tanto
que a paz desça sobre mim
pela luz de uma estrela
e lave meu espírito
com as águas de inefável fonte.
Depois
enxuga-me com o manto do silêncio
oh! Iluminada lua
e pede aos astros que fechem os olhos
enquanto acendo um incenso
e espero o amanhecer
completamente nua!
Vaidade
Muitas vezes dormimos os
sonhos em cama de Cronos,
Que impiedoso,
abre seu pequeno frasco e joga dias e
noites em quintais de terra.
Ávidos, deitamos a lamber os pedaços ao chão
com nossas línguas inchadas.
Entretanto, envaidecidos ... sorrimos,
com torrões nos dentes.
Vaidade... é tudo vaidade, diz o pregador.
O que fazer
Carmelina T. Piza
Ela grita, corre em direção a alta montanha.
Quer sentir o som do vento, o barulho da natureza, o zoar das nuvens nas
palmas das mãos marcando as linhas da vida sonora.
Sim.
Ela conseguiu acampar no alto da mais alta montanha.
Os sons chegam até ela com a força da fagulha em sua própria confiança da
existência.
Ela pergunta: o que fazer com tudo isso?
“Colocar esse sonho dentro de uma sacola de palha trançada.
Enche-la de panos, véus e tules coloridos e transformá-los em personagens
das histórias.
O azul do céu e do mar, o verde das matas e dos sapos que se transformam
em príncipes, o vermelho do fogo, do coração e do sangue das mulheres do Barba
Azul.
Surge o calor com o amarelo do sol e do ouro”.
Ela vai ao encontro de tantas outras tonalidades na realidade simbólica
das histórias.
Ela descobre o olhar poético ao encontro com a criança presente.
Ela consegue desvendar as cortinas dos devaneios da própria infância.
Ela é: “A Contadora de História”.
CarmLina
terça-feira, 9 de junho de 2026
E a Cidinha se foi...
Ela
era de pequena estatura, muito magrinha e ágil. Tinha um sobrenome alemão
pomposo e difícil de pronunciar. E passou a vida soletrando para explicar como
se escrevia: Maria Apparecida Wolghmuth.
Herdou
o sobrenome do pai, que nos anos 40, era dono de uma famosa loja de chapéus,
que ficava no coração da rua Governador. Sua mãe faleceu de tuberculose quando
Cidinha tinha apenas três anos, e foi criada e mimada pelas tias paternas, que
a vestiam como uma boneca, segundo contava.
O
pai se foi, as tias chegaram a idades longevas e ela retribuiu cuidando delas
até o final das vidas. Uma delas deixou-lhe uma modesta pensão, e ela vivia
dessa mesada.
Seguiu sozinha,
não se casou e nem teve filhos. Mas contrastando com sua estatura pequena,
tinha um coração gigante. Não podia ver um gatinho abandonado que o trazia para
casa. E tinha cães também. Em suas andanças pela cidade, batia pernas como
ninguém, ia trazendo sem medir consequências. Nem contava pra ninguém quantos
animais possuía, e quando perguntavam, dizia apenas: “perdi a conta”.
Frequentava a
igreja, pois era católica fervorosa, devota de Maria e tinha como santinho
predileto, São Francisco de Assis.
Muito querida por
todos, dedicou a longa vida a cuidar de animais abandonados. Poucas pessoas
tinham acesso à sua casa. Eu era uma delas porque fui voluntária da Sociedade
de Proteção aos Animais e a ajudava com ração, levava jornais, e via os gatos
reinando na casa, sobre a cama, nas cadeiras, na cozinha, no pequeno quintal, havia
gatinhos em todo lugar. Certa vez contei quarenta gatos e cinco cachorros que
ficavam na garagem.
Ela dizia que seu
pai era vizinho do meu avô e muito amigos. Ambos moravam na rua Governador e
compraram jazigos no cemitério da Saudade bem próximos, logo na entrada.
Brincavam que eram vizinhos em vida e seriam vizinhos no cemitério também. E me
falou que foi ao casamento da minha mãe. Curiosa, procurei no álbum de fotos e
vi uma Cidinha quase criança, com uns catorze anos, a mesma carinha, ao lado da
mesa de doces, com um punhado deles nas mãos. Levei uma cópia para ela que
ficou muito feliz, pois tinha poucas fotos da infância.
Além de gatos, Cidinha colecionava imagens de
santos. Tinha uma imagem de Nossa Senhora da Rosa Mística que veio da Europa, lindíssima,
tamanho gigante, não sei como a conseguiu, e muitas outras menores, e vários
santinhos, oratórios, terços. Essa era sua casa, abrigo de gatos e pequeno
museu. Eu mesma, na volta das minhas viagens, trazia imagens de santos e
gatinhos. Ficou tão feliz quando eu trouxe de Assis, Itália, uma imagem do seu
santinho preferido e protetor dos animais.
Ela sempre me
dizia que quando morresse, queria ir para o céu dos animais.
Suas forças foram
diminuindo, a idade e as dores chegando, e ela teve o bom senso de não adotar
mais animais. Os que tinha, ficaram idosos e se foram, um a um. E ela chorou e
sofreu por cada gatinho e cãozinho que partiu. Ultimamente, já não saía de
casa. Pedia comida pelo telefone fixo para entrega. A idade passando, já não
conseguia limpar a casa e teve uma vizinha/anjo que a ajudou muito, até que por
fim, levou-a para morar numa Casa de Repouso, onde ficou poucos anos, até
falecer na semana passada, aos 90.
E eu a imagino
feliz, cercada por seus amorzinhos, no céu que sempre sonhou...
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Um Lar para a Palavra
Elisabete Bortolin
Piracicaba, terra de história e canção,
Clama a Letra por um novo endereço.
A Academia, em cinquenta e quatro anos de paixão,
Busca o abrigo que lhe faz o mereço.
A "Casa para a Palavra", eis o nome,
Para o livro, a memória, o escritor que some,
E o novo talento que precisa brotar.
Não é só de festa que a cultura vive,
Precisa de alicerce, de teto e de chão
Um ponto de encontro, um farol que motive,
Onde a leitura floresça no coração.
A Palavra pede Cuidado
Lídia Sendin
São só palavras ao vento
Jogadas sem rumo certo.
Vão pra longe ou ficam
perto,
Se perdem no firmamento
Sem rumo e sem contexto,
Em silencioso lamento.
Ah! Se tivessem um lugar
Pra serem bem acolhidas!
Jamais seriam perdidas,
Nem estariam a vagar
Em busca desenfreada
Do aconchego de um lar.
Cada acervo bem guardado,
Da prosa ou da poesia,
Ao povo pertenceria
Para ser manipulado.
E tantos olhos sedentos
Nas mãos teriam um legado.
quarta-feira, 27 de maio de 2026
EQUÍVOCO
Shirley Brunelli Crestana
Debruço-me na sonolência da janela
e invejo as estrelas que se banham
na lagoa escura do firmamento.
Enquanto bordo pedaços de tempo
espeta-me a pele a saudade do teu olhar.
Tenho um bisturi sempre à mão
para extirpar as emoções indesejadas
e engana-se quem pensa
que tenho empatia com a dor.
Sou feita de alma
também de matéria
e podem até dizer
que tenho a cabeça oca
mas
sei muito bem como entornar
a taça de vinho em tua boca...
quinta-feira, 14 de maio de 2026
Um Presente para a Academia de Letras de Piracicaba
Leda Coletti
Há muitos com esperança:
Ser sócio da Academia
de Letras,. forte aliança
Com culturas e poesia.
O tempo passou depressa
Seu acervo aumentou,
Há necessidade expressa
De guardar o que criou.
Urgente é ter uma sede,
Onde o sócio sempre pode
Sentir que ninguém o impede
De escrever a própria ode.
Quem sabe haverá alguém
Que entenderá nossa causa,
E a nós se unirá também
Em tempo breve, sem pausa.
Se houver algum cidadão
Pronto para o acolhimento
A essa motivação,
Eterno agradecimento.
segunda-feira, 11 de maio de 2026
OUTONO
Antônio Carlos Fusatto
Tarde
fria!
Escurece
o firmamento;
lufadas
intermitentes
trazem
nuvens em pranto,
saciando
sede da terra,
e,
tenras plantas germinando.
Desfila o tempo!...
Da jovem árvore florida,
Bailada por colibris,
farfalham as folhas liradas,
açoitadas pelo vento;
as flores chovem ao solo
salpicando chão flóreo.
Quando,
tão bela florada acabar,
não
sei quem mais sentirá:
Eu
ou,... colibris!
quinta-feira, 30 de abril de 2026
A ponte do Mirante
Aracy Duarte Ferrari
Em tempos idos, para atravessar o Rio Piracicaba, as pessoas pisavam sobre as rochas gnaisses, que eram lisas e cobertas de musgo, tendo como apoio algumas nesgas de tora. Era um momento aventureiro, desafiante, mas cauteloso, porque qualquer deslize acabava num banho. Aqueles que não conseguiam atravessar aplaudiam os aventureiros e procuravam alternativas para chegar à outra margem do rio.
Depois
de muitos anos com o acentuado crescimento da cidade, surgiu a necessidade da
construção da passarela a ser utilizada pelos pedestres, carroças, carros de
boi e até automóvel. Até que um antigo morador da tradicional Família Germano,
com investimentos próprios, assumiu a responsabilidade da construção de uma
passarela maior e mais segura.
Os moradores e o rio que continuavam a sua trajetória e batia nas rochas gnaisses, recobertas de musgos aplaudiam o novo empreendimento.
Passados anos, a passarela foi reconstruída nos moles da moderna engenharia e arquitetura e recebeu o nome de “Ponte dos Irmãos Rebouças”. Depois, na primeira década do século XXI, foram construídas outras três pontes, pois o desenvolvimento crescente de Piracicaba necessitava.
Até a data atual, os piracicabanos agradecem à Família Germano.
Galeria Acadêmica
2- Maria Madalena t Tricanico de Carvalho Silveira- Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Marcelo Batuíra da Cunha Losso Pedroso - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
8-Christina Aparecida Negro Silva - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11- Antonio Filogênio de Paula Junior-Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz de Arruda Pinto
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
16-Lídia Varela Sendin - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Shirley Brunelli Crestana- Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Marcelo Pereira da Silva - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Carmelina de Toledo Piza - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
35- Elisabete Jurema Bortolin - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
37-Valdiza Maria Capranico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz













