(desconheço a autoria da foto, se alguém souber, favor informar para dar os devidos créditos)
Ivana Maria França de Negri
Há alguns dias houve
a comemoração dos 100 anos da Igreja Nossa Senhora da Assunção. E uma onda
nostálgica invadiu meu coração ao relembrar velhos tempos ...
Fecho os olhos e
transporto-me ao final dos anos sessenta. Era a época áurea da minissaia, e nós,
alunas do Colégio Nossa Senhora da Assunção, seguíamos os ditames da moda
enrolando o cós da saia azul marinho pregueada, até que ficasse um palmo mais
ou menos acima do joelho.
Quando a Madre
Superiora ou alguma outra Irmã se aproximava, desenrolávamos o cós rapidamente,
para que o comprimento da saia descesse novamente à altura do joelho. Hoje,
fico imaginando que as freiras sabiam de tudo, mas fingiam não ver, a fim de
não ficar chamando a atenção das alunas a todo momento.
Era obrigatório o uso da gravata
e de meias brancas três quartos, daquelas que vão até o joelho. Quantas de nós
não esquecíamos algumas vezes a gravata e levávamos aquela bronca...
Nesse colégio
aprendemos as mais belas lições de vida, de amor e de religiosidade. As
sementes do conhecimento que foram plantadas e orvalhadas pelo amor à Senhora
do Assunção, brotaram generosas.
Era o auge da
Jovem Guarda, e reinava na música dos adolescentes, o rei Roberto Carlos. Tempo
dos Beatles, da cuba-libre, das brincadeiras dançantes, dos bailes de
debutantes e das idas semanais aos cines Politeama e Palácio.
Com que orgulho
cantávamos o hino do colégio! Éramos as “Meninas do Assunção!”.
Recordo-me
especialmente das aulas de geografia do Professor Lineu Cardoso, e do
inesquecível saquinho de tômbolas, onde eram sorteadas as “vítimas” da temida
chamada oral!
Tínhamos aulas de
francês com a Irmã Ismênia, que sempre eram iniciadas com a Ave Maria recitada
em francês, e nas aulas de inglês da Irmã Elizabete, eram rezávamos em língua inglesa.
As frondosas
mangueiras, eram nosso refúgio. Lá, conversávamos sobre nossos sonhos
adolescentes, e fazíamos confidências sobre as descobertas do amor. Os recreios
eram doces, assim como a visita obrigatória à gruta. A capela era o local
sagrado, onde íamos silentes orar e pedir graças à Maria.
O passado
intangível é uma dimensão mágica que visitamos quando estamos em estado de
torpor, entre a vigília e o sono, e volta nítido e real, trazendo personagens
que marcaram nossa vida. Uns já passaram para a outra vida, e outros,
misteriosamente “desapareceram” de nosso convívio.
Em meio às
recordações, vultos familiares saltam do passado e adquirem vida: A Madre Superiora
Maria Hortência, Irmã Cesta, Irmã Paulina, Irmã Inocência, Irmã Geralda, Irmã
Luísa Maria, Irmã Maria Nastasie, Irmã Maria da Penha, Irmã São Francisco de
Assis, Irmã Anésia, que mais tarde mudou o nome para Irmã Margarida. Por onde
andarão? Certamente já estão naquele céu que descreviam para nós com tanta fé.
Gerações vão se
sucedendo, mas o vulto imponente, e a cúpula majestosa da Igreja no alto da
“Boa Morte”, são avistados de longe. Torre inspirada, pelo seu construtor
Miguelzinho Dutra, nos contornos da
Igreja de Santa Maria Del Fiore de Florença.
Meus três filhos
também passaram por seus bancos acolhedores. E por isso, meu vínculo com o
colégio continuou por muitos anos. E quando as Irmãs de São José deixaram o estabelecimento
aos cuidados dos Padres Salesianos, eles tiveram o cuidado e a delicadeza de
manter o antigo nome. As velhas mangueiras deram lugar às modernas quadras
esportivas, e o laboratório de ciências, onde a Irmã Anésia fazia experiências
mirabolantes, deu lugar às salas de informática.
Muitas reformas foram feitas para acompanhar o progresso e a
informatização do ensino. Mas... a magia continua, na memória das centenas de
alunos que por lá passaram.
E duas das minhas netas
também estudaram nesse colégio. Foram três gerações. Um ciclo se fecha, outro
se inicia, na eterna roda da vida.
E duas das minhas netas
também estudaram nesse colégio. Foram três gerações. Um ciclo se fecha, outro
se inicia, na eterna roda da vida.



























