Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

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Seguidores

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

José Mathias Gragion

Aracy Duarte ferrari
Cadeira nº 16





PATRONO JOSÉ MATHIAS BRAGION

José Maria Bragion que também assinara J.Maria Bragion, Nascido em Piracicaba , SP em 1926,foi professor,contador,escritor,poeta,articulista,contista e cronista. Casou-se em 1956 com Maria Dalva Pretti Bragion,professora e tiveram seis filhos. Faleceu em 1994.
Passou sua infância nas cidades de Rio claro e Bauru, retornando na adolescência para sua terra natal, onde iniciou seu envolvimento literário.
Fez seus estudos em Piracicaba na escola de comércio Cristovão Colombo curso de contabilidade. E na escola Martha Watts, formou-se no curso de magistério em 1953, cursou administração escolar em Tietê, SP, anos 1960-1961. Em Campinas na PUC, ingressou com brilhantismo no curso de Direito,1964, Mas não freqüentou porque percebeu sua aptidão para letras. Desde cedo iniciou seus escritos ( palavra usada por ele) escrevendo poesias,artigos,crônicas, contos.
Em 1953 lecionou nos municípios de Osvaldo Cruz,Ameliópolis,Igaratá e Jundiaí. Removeu-se para Piracicaba exercendo sua profissão no então grupo escolar Barão do Rio Branco de 1962 à 1984, ano de sua aposentadoria.
Dedicou-se com profissionalismo em seu trabalho didático-pedagógico (professor) e envolvimento com a literatura com a qual se identificava. Ocupou a cadeira numero 80 da Academia Piracicabana de Letras. Publicou o livro “Revoadas” em 1993, de versos, quadras, sonetos e poesias.
Seus grandes incentivadores foram os familiares e amigos. O poeta de espírito nobre, alegre, honesto e dedicado a família.
Recebeu homenagens do centro professorado Paulista, CPP Secretaria do Estado de Educação e Póstuma do prof. Sylvio Arzolla

Extraído do livro “REVOADAS”... J MATHIAS BRAGION

“... Trato de poesias,por mim escritas há algumas décadas,outras ultimamente que ora dão formação ao presente exemplar, devido a persistente exigência de diletos amigos e, quiçá, de um número de simpáticos e generosos leitores... Em se tratando de idéias e pensamentos cujos objetivos são o de alcançar um agradável espairecimento, o que aconteceu com o autor, ao escrever, espera-se, agora, resulte o mesmo a quem o lê.
Os efeitos das substâncias materiais assimiladas por uma pessoa, podem ser fracos, fortes ou indiferentes, o que nos induz a um paralelo no universo das expressões, mormente quando a composição abrange a variedade,de temas, como a diversificação da forma no processo poético. Assim tudo depende em parte do estado amímico de cada pessoa.
O que se torna indispensável, parece-nos, a quem verseja, é que haja a existência da essência da poesia, porque esta exala sempre os aflúvios do amor “...
Entre muitos outros trabalhos, não publicador estão Soneto,- Poesia, o Lobo e o Mar, -Pseudo¬-Fábula-O Passarinho Impossível, a Cobaia e o Sapo, Conto- a Gaita do Zé Pretinho Coisas do magistério ( - Um Menino chamado Braz ), Crônicas- Crônica de Natal, - Os Apelidos, - A Capa de Noé,- um bom papo, -notas Românticas;-Feliz Ano Novo,.
Enriquecendo a Biografia: 1-2-3




CONFISSÃO

Às vezes no verão dos meus desejos,
Mas, vês, meu coração, bom, sempiterno,
Liberto-me a voar virando a chama
Em ser-te fiel, assim,sofre o castigo
Azul de um fogo fátuo que se inflama,
De todas tentações do mundo hodierno.
Levando a solidão os meus lampejos.
Se penso em mais te amar, se não te vejo,
E, ponho-me a cismar...se há um mal moderno,
Confesso-me fiel, pois quem me ama,
Não devo ser modal, mas sempre antigo,
Exalta, Sem parar, o que proclama,
Porque, sem teu calor, sou gelo eterno.
Decerto, um grande Amor, em doido beijo.

(Tribuna Piracicabana, 25/10/1991)

SONETO

À cúpula celeste estrelada
E sôbre a claridade,consagrada
Aumenta-me a saudade feiticeira
Do palor,virtude altaneira,

Que sonho ver à noite minha amada
Sorri o nosso amor,estrela enamorada!
Que é da minha alma companheira.
No céu das emoções, tão adorada,

Estrela sedução!..que, na jornada
Sorri-me sua graça, tão faceira
Da vida,me ilumina a vida inteira

Que vejo-lhe mais vida,comparada
Sendo,por minha alma idolatrada.
À vida de uma estrela verdadeira.

José Mathias 18/06/1950



REVOADA

Antes que o sol apareça,
Vou soltando uns pobres versos,
Trazendo uma inovação,

Para os espaços disperços,
Antes que o bem aconteça,

Sobrevoando a emoção,
Varrendo uma inquietação,
Onde há sonhos diversos,
Antes que tudo se meça;

No crepúsculo ou clarão,
Pela escala da aflição,

matutino, sem reversos.
Antes que tudo esmoreça,
Voando longe do chão,
Entre os caos da solidão,

Os sentimentos só são,
Antes que aluz se renasça,

Lembrando cantos e ninhos,
Sob os vitrais da afeição,

Meus queridos passarinhos,
No templo,que sofre e passa,

Tão filhos do coração.
Da vida, em boa intenção,


O GATO
(Contos Liceiros)
José Mathias Bragion

Faz anos, e muitos anos... a luz elétrica não iluminava as cidades. E, consequentemente, à luz das lamparinas, as noites pareciam mais tristes, mais escuras e impressionantes.
Na baixada do Bairro da conserva extendiam-se as várzeas, os pântanos e uma geração de cobras esverdeadas, destacando-se, mais além, na pastagem, a ostentação de duas figueiras seculares, monumentos tenebrosos da escravidão, na qual, segundo os antigos, foram amarrados, açoitados e liquidados muitos escravos.
As olarias se agitavam no trabalho, porque a época era propícia, abrindo picadas ao progresso. Euzébio morava rente a uma olaria e nela trabalhava como alimentador da boca de um forno, até alta madrugada, às vezes só.
A intensa atividade do trabalho entre os oleiros e o bom relacionamento criavam durante o dia uma atmosfera despreocupada e alegre, o mesmo não ocorrendo à noite, quando o manto da escuridão envolvia aquele local, o silêncio dominava a todos e a imaginação fazia ver e ouvir coisas impossíveis.
Apesar disso, ainda, compreendia-se certos trabalhadores gostavam de conservar seus temores exagerar e desenvolver o gosto por coisas fantasiosas.
Afora as poucas casas rodeando de rancho, à distância de uns duzentos metros erguiam-se dois casarões quase tétricos de ruínas como dois fantasmas alvacentos, relíquias do passado, mas apesar disso habitados. Nas noites de luar suas sombras deitavam-se a longos metros e dos negros porões sempre alguém contava ter notado a fluição de um vulto branco, talvez como presença da alma de algum escravo.
Certa madrugada frigidíssima e de palor inenarrável , Euzébio, de bexiga cheia, necessitou saiar do rancho para o relento, e enquanto admirava a claridade,aquele banho de beleza que o firmamento costuma dar com seu “champoo” de prata à natureza inteira,e ele,se dava a prática fisiológica, ergueu o olhar para um dos casarões, notando que na cumeeira de um deles principiava a caminhar tranquilo e suave um extraordinário gato branco. Notou-lhe a alvíssima pureza do pelo e o diplomático porte, de rara espécie, talvez um persa azul...
Ia sem pressa caminhando aquela altura do telhado, mais quase ao chegar ao fim, desapareceu.
Euzébio, instintivamente, como no rápido pestanejar, baixara os olhos para a relva, mas ao reerguer o olhar focalizando o outro casarão a coisa de uns noventa metros distante, por pouco não desmaia de pavor. O chapéu de palha, como que se por um fenômeno estranho, por si se erguesse, foi o que sentira.Principiava a temer. É que o gato começava, transmudando-se numa fração de segundo, de um prédio a outro, sem ter voado pelo espaço, sem que ele, Euzébio,de olhos grudados no animal, o tivesse visto voar. Começava serenamente andar noutra cumeeira.
O medo e o sigilo do fato perdurou no silêncio de Euzébio por vários meses.
Rememorando o evento Euzébio mais se apavorava,porque recordava-se que o gato dera um terrível miado no primeiro prédio, repetindo o de igual no modo segundo.
Um dia Nhá Catarina que era uma velha pré cozinheira de um dos prédios, ao ouvir a história deu enormes risadas.
- Então...Euzébio zangou-se: “ a senhora pensa que eu não vi um gato? Que eu estou de brincando? Que não vi um gato aparecer e desaparecer?..
Ela riu de novo e acrescentou:
- O senhor não viu um gato sombração coisa alguma.
- Então me chama de mentiroso!...
- Não senhor! O senhor viu dois gatos de carne e ossos. São gêmeos! Os gatos do Doutor João raramente aparecem, mas em noite de luar gatos vão atrás de gatas, isso até axum sabe, menos o senhor!...
Depois disso de alma sossegada, Euzébio proseava sobre qualquer assunto, exceto gatos a assombrações.
José Maria Bragion, em suas produções deixou fluir sua formação de professor- educador-literato.

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Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz