Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras 2018/2021

Presidente– Vitor Pires Vencovsky
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeira Secretária – Ivana Maria França de Negri
Segunda Secretária – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Primeiro Tesoureiro – Edson Rontani Junior
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal
Gustavo Jacques Dias Alvim
Alexandre Neder
Walter Naime

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Evaldo Vicente
Antonio Carlos Fusatto
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto



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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

DE OSTENSÍLIO A TECNOFÓSSIL VIVO *

 Carla Ceres Oliveira Capeleti
Cadeira n° 17 - Patrona: Virgínia Prata Gregolin 
A tecnologia envelhece mais rápido do que nós ganhamos dinheiro para substituir nossos ostensílios (utensílios de ostentação) eletrônicos por modelos último tipo. Produtos de ostentação pública, como celulares, ficam no topo da cadeia de renovações periódicas. Alguém ainda sai carregando um celular antigo, tipo tijolão? As TVs, como ostensílios domésticos, nos quais vemos o mundo e sonhamos ser vistos por ele, também são trocadas com frequência. Passam por achatamentos, esticamentos e fazem jus a uma infinidade de novos painéis e suportes decorativos para mostrar pras visitas.
No meio dessa gastança, alguns aparelhos permanecem essencialmente inalterados e sobrevivem desde períodos tecnológicos muito antigos. São tecnofósseis vivos. Claro que, em termos de tecnoconsumismo, a expressão “muito antigo” significa uns dez anos.
Antes visto como um ostensílio de primeira necessidade, o videocassete chegou à categoria de tecnofóssil vivo, ao sobreviver ao meteoro publicitário que anunciou a chegada do DVD. “Vídeo” ou “VCR”, para os íntimos, ele segue pacificamente ruminando suas fitas ao lado de novas tecnologias e deixou saudade nos que o trocaram por seu lerdo concorrente.
Nos primórdios da videolatria, a sofisticação e o preço do aparelho intimidavam os seres humanos adultos. As crianças, no entanto, aprendiam logo a abrir e fechar o compartimento da fita, que se erguia como um elevador, na parte superior do equipamento. Bastava os pais saírem, para os meninos colocarem seus carrinhos de brinquedo dentro do vídeo. O barulho das engrenagens emperrando precedia o grito e o chororô de “Pai, o videocassete engoliu meu carrinho!” E tocava levar o vídeo pro conserto!
Cães e gatos tampouco se intimidavam com a importância do VCR. Sem cerimônia, roíam o fio de seu controle remoto. Sim, o controle remoto era com fio. Acho até que só evoluiu para sem fio, por causa dos animais de estimação famintos. Por falar em fome... Quando a entrada da fita passou a ser feita por uma abertura frontal, o aparelho ganhou uma aparência mais amistosa para as crianças menores. Aos olhos delas, aquela grande boca retangular precisava ser alimentada com balas, chocolates e poderia (por que não?) aceitar chupetas.
Quando encontravam bolachinhas entre as engrenagens, as formigas se alegravam, mas seria injusto culpar as crianças pelo fato de alguns vídeos se tornarem verdadeiros formigueiros. O aparelho atrai formigas porque é quentinho e tem uma graxa doce, de cheiro apetitoso. Enquanto passeiam entre os componentes eletrônicos, as formigas são inofensivas, mas, quando morrem, liberam um ácido que danifica o aparelho. Pro conserto, outra vez!
Como um monstro mitológico, o VCR foi ganhando cabeças ao longo de sua evolução. Começou com uma de áudio e duas de vídeo. Terminou com sete, entre áudio, vídeo e apagamento. A cabeça, ou cabeçote, era o componente mais caro e frágil ao alcance do usuário metido a técnico. Quando a cabeça ficava suja, era comum haver quem se aventurasse a abrir o aparelho para limpá-la como se fazia com os cabeçotes dos velhos gravadores de fita K7, ou seja, usando álcool e um cotonete. Resultado? As fibras do algodão se enroscavam no cabeçote e o quebravam. Depois de desembolsar um bom dinheiro, os proprietários aprendiam como limpar direito ou deixavam a missão com os profissionais.
Por sorte, esses profissionais não se extinguiram. Foram apenas obrigados a evoluir, o que garante aos tecnofósseis atuais e futuros uma vida saudável enquanto existirem peças de reposição.

* Crônica classificada em primeiro lugar no Mapa Cultural Paulista - fase Regional

Um comentário:

Carla Ceres disse...

Obrigada pela força, Ivana! Beijos!

Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2-André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11-Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35-Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz
Lino Vitti - Acadêmico Honorário (in memoriam)