Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

PIRACICABA - MINHA TERRA

Lino Vitti Cadeira n° 37 - Patrono: Sebastião Ferraz



O RIO

Convocando do norte arroios corredeiros,
chamando para si ribeirões e ribeiros,
numa orgia sem par,
Piracicaba - o rio - adentra as nossas plagas;
cobrindo com amor em meio a suas vagas
os peixes a brilhar.
Vem de longe, sereno, amansando a paisagem,
entre colinas vem refletindo à passagem
roças, campos, painéis, cidades a sorrir.
É um rio social, decerto, o que nos banha,
tem pintado, mandi, curimbatá, piranha,
tem dourado e pacu para o povo servir.
Extensos canaviais, frondosas capoeiras,
Capinzais em tropel descendo as ribanceiras,
Pescadores aos mil...
Rio Piracicaba, outrora fértil, rico,
Hoje exangue, a morrer, contigo triste fico,
Humilhado e servil.
Quantas bocas, meu Deus, rio, dessedentaste,
Quantas terras em flor, meu amigo, regaste,
Quanto céu refletiste e nuvens a passar!
Quantas aves talvez às tuas margens lindas
Afofaram seu ninho em criações infindas,
Levando o teu frescor em cada pobre lar!
Rio Piracicaba a retratar o azul,
Correndo sem cessar em demanda do Sul
Onde o espera o Tietê.
Quem outrora te viu transbordante de vida
Ao contemplar-te, agora, água desmilingüida
De certo não o crê.
E, súbito, na marcha, a corcova de pedra
em cujos socavões a casculada medra,
precípite se atira aos trancos e aos cachões.
Ecoa em derredor a paisagem da terra
não se sabe se é a pedra ou se a água que berra,
guaiando em convulsão, remoinhando em bulcões.

A catadupa é bela, a catadupa encanta,
a espumarada ferve e a pedraria canta,
num coro universal.
As árvores estão com cara de assustadas,
as folhas, a tremer, batem descompassadas
qual fora um vendaval.
Trepida a ponte, acima, ao baque da cascata
e as guardas em roldões às vezes desacata,
desembestando em fúria os firmes pedestais.
É a força da corrente a nos fazer surpresas,
é o choque colossal das águas indefesas,
contra as pedras, quiçá, como eternas rivais.
O arvoredo adjacente estranha a catapulta
do salto que devora as águas e as sepulta
no seio do poção.
Por isso as vê amansar abaixo calmamente
tal e qual como ocorre às vezes com a gente
e com o coração.
E o rio, logo abaixo, ainda meio tonto,
mas um tanto feliz, parece, entrega o ponto
e deita em mansidão qual gigante a dormir.
Recebe-o com carinho a barranca do Porto
mais calmo e mais tranqüilo assim como um rei morto
após deixar atrás as pedras a mugir.
E lá vai, sonhador, murmurando uma prece
até que em curva além ele desaparece
resmungando quiçá.
Deixando para trás sua Piracicaba
que num gesto lhe diz: saudades desta taba,
um dia voltarás.
Mas é um sonho, Senhor, um sonho de poeta,
é força de expressão da pena de um esteta
quando pincela um rio assim forte e leal,
pois ontem era um rio, um rio de verdade,
sua excelsa figura hoje virou saudade,
é sombra a agonizar, pira sem pedestal.
Todos querem saber de sugar-lhe as entranhas
e com enganos vis, com tétricas patranhas
a fonte assassinar, o belo conspurcar.
E o rio vai morrendo, aos poucos vai morrendo,
agonia de dor, doloroso “crescendo”...
Onde estão os heróis para o rio salvar?!

Era a água cristalina, era límpida e isenta,
o lábio do mortal nela se dessedenta
bebendo-lhe o cristal, de bruços, sem temor.
Que delícia, que gosto e que grande prazer!
Tudo porém findou e é ousadia beber
dessa fonte que foi uma fonte de amor.
Quantas vezes regou as paragens agrícolas
onde mora o caboclo em líricas edículas
- força oculta do brio altivo do porvir!
Quantas vezes também beijado de luar
carregaste no seio em ânsias a remar
o barco de um casal em vias de fugir!
Quantas vezes à beira escondida das margens,
depois de atravessar mainéis e largas vargens
encontraste, à barranca, o calmo pescador!
Davas-lhe o lambari, a piava e o lindo bagre,
para ele, rio meu, tu eras o milagre,
a ceia, o mata fome, o prato salvador!
Como te invejo, rio, a rebrilhar em poças,
refletindo o arvoredo, as pastagens, as choças,
as nuvens lá de cima em fantástico andar!
Recolhes, muita vez, em teu seio tranqüilo
o exuberante azul como se fora um Nilo
dado por Deus a nós que aqui temos o lar.
Foi abaixo do salto, onde a dengosa onda
se espreguiça na areia e em curvas se arredonda
que o Povoador chegou e disse: é mesmo aqui...
Apoitou a barcaça e ouviu bem perto o salto,
viu as margens a prumo em direção ao alto...
Chasqueava numa fronde alegre bem-te-vi.
Passos lestos subiu ao pico da colina...
Verdejava à distância a mais bela campina
cercada pelo muro azul da serra além.
Era fértil a terra; e beijando-lhe as fraldas
o rio; multidão de copas-esmeraldas
se alastrava sem fim qual infinito bem.
Foi o rio o caminho a trazê-lo a esta plaga,
a este “porto-feliz” depois de longa saga
enfrentando a torrente e todo o meio hostil.
Capitão-Povoador que no rio encontraste
o destino de um povo a cuja vida ataste
o progresso, a aventura, a coragem viril.

E a cidade espraiou cumprindo a própria sina,
galgando, sem cessar, a encosta da colina
até que, da Colina, a Noiva ela ficou.
O salto lhe emprestou um véu branco e espumante
uma aliança de sol esplendida e brilhante
e a noiva - a gente diz – co’o salto se casou.
Foi à beira do rio, ao lado da cascata,
que esta Piracicaba, em sonhos, já desata
a vontade de ser metrópole também.
É o que o seu Fundador lhe desejou outrora:
Vai, vai, Piracicaba, altiva, vida em fora,
sê modelo de amor, de glórias e de Bem.
Cumpriu-se o seu desejo; a cidade deslancha
cresce, cresce, imitando o rolar da avalancha
de metrópole imensa imitando o porvir.
Que grandeza me tens, minha Piracicaba,
quando te vejo vir dos primórdios da taba
para os arranha-céus que vejo ora subir!
A Vila cresce, a Paulicéia também cresce,
Piracicamirim que jamais esmorece,
Cidade Alta a que o nome a grandeza já diz;
Paulista, Agronomia, Areião e Jupiá...
É sem conta o rosário de bairros que já
deixam Piracicaba orgulhosa e feliz!
Bairros chiques, Jardins, gente granfina,
Bem demonstram o quanto a Noiva da Colina
Investiu no trabalho e os filhos concitou.
Outros, melhor, eu sei, cantaram tua glória,
Cantaram com valor a tua bela história,
Diante deles eu calo e digo nada sou.
Vamos deixar porém a urbe gloriosa e grande
e ir à zona rural que além verde se expande,
exuberante e rica, esplendente e louçã.
A fauna aqui prospera a vida aqui transborda,
o roceiro e o trator, mal a manhã acorda,
metem-se a trabalhar com gáudio e com afã.
De manhãzinha o sol as colinas redoura
e, com o ouro da luz, a cabeleira loura
da cabrocha que vai ao campo a seu dever.
E bandos infantis de uniforme e sacola
em gritos, a correr, demandam sua escola
- aves em revoada em busca do saber.

Farfalham canaviais extensos (que verdume!),
entre as folhas a brisa ensaia almo queixume,
enquanto vai a enxada arrasando o capim.
Às vezes, negro e feio, a perseguir o “tico”,
- esse pai carinhoso e bom que não é rico -
se ouve o agudo esgüelar do malvado chupim.
Se a cana está madura o fogo alto esbraveja
destruindo sem dó o canavial, que arqueja,
semeando cinza e fumo em doida confusão.
As máquinas (que força!) empilham negras canas,
roncando os caminhões sob cargas insanas
levam para uma usina a imensa lotação.
Rio Piracicaba ( foto Ivana )

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Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
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Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz