Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras 2018/2021

Presidente– Vitor Pires Vencovsky
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Ivana Maria França de Negri
Segundo Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Primeiro Tesoureiro – Edson Rontani Junior
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal
Gustavo Jacques Dias Alvim
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Editor e Jornalista Responsável
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sábado, 28 de janeiro de 2012

Vampiras e feiticeiras

 Carla Ceres Oliveira Capeleti
Cadeira n° 17 - Patrona: Virgínia Prata Gregolin 
Dizem que o século XIX foi a época áurea do vampiro literário. Para a tristeza das donzelas heterossexuais de mil oitocentos e água benta, essa informação não procede. Embora o romance Drácula, de Bram Stoker, tenha sido publicado em 1897, os personagens mais marcantes da época vitoriana foram as vampiras.
A partir de Drácula, a literatura e o cinema do século XX foram invadidos por vampiros cavalheiros, cada vez mais charmosos e emocionalmente complexos. As vampiras tornaram-se coadjuvantes, aparecendo como noivas vaporosas e/ou terríveis guarda-costas, no harém de um vampiro alfa.
Uns cem anos depois de Stoker, os vampiros rejuvenesceram. Enquanto alguns ganharam visual e conflitos semelhantes aos das atuais gangues de rua, outros chegaram ao século XXI, adolescentes e brilhando ao sol. Sejamos honestos, embora vampiros faiscantes ainda não sejam tradicionais, a presença de adolescentes faz sentido. Onde um vampiro encontraria uma donzela romântica se não fosse entre algumas garotas americanas, para as quais a virgindade voltou a ser uma virtude em si mesma? Como a sociedade politicamente correta reagiria à cena de um vampiro adulto seduzindo uma jovenzinha? Melhor fazer um vampiro também jovem, pelo menos na aparência.
Os vampiros mitológicos nasceram em várias culturas diferentes, espalhadas pelo mundo todo, muito séculos antes dos vampiros literários. Simplificando, o vampiro é um cadáver que suga o sangue dos vivos e pode transformá-los em novos vampiros. Por absurda que pareça hoje em dia, a existência de uma criatura assim fazia muito sentido quando foi imaginada. Os mortos apresentam uma palidez cuja causa, imaginava-se, era a falta de sangue no corpo. Se perder sangue é perder vida, obter sangue é continuar vivendo.
O instinto de sobrevivência nos diz que estar morto não é nada bom. Portanto os mortos, certamente, fariam o possível para continuar entre nós (visitando nossos sonhos e delírios febris) ou para levar-nos com eles. Prova disso era que, quando alguém morria e não se tomavam as medidas necessárias para manter esse alguém bem morto e quietinho, outras mortes ocorriam entre seus familiares, amigos e vizinhos. Em resumo, a crença em vampiros se relaciona com epidemias.
Dependendo da cultura à qual pertenciam, os vampiros e vampiras mitológicos eram vistos como entidades malignas ou divindades vingadoras, que puniam os homens por seus erros. Sob o domínio do cristianismo, passaram todos à categoria dos demônios pagãos, subordinados ao diabo judaico-cristão que podia ser combatido com cruzes, crucifixos, água benta, hóstia consagrada e preces.
Os vampiros literários do século XIX originam-se da fusão entre o vampiro da mitologia eslava e as crenças cristãs. O predomínio das vampiras está profundamente ligado aos quatro séculos de Inquisição, que terminaram apenas em meados do século XVIII, e tornaram as mulheres a personificação do mal.
Embora a Inquisição tenha torturado e condenado à morte milhares de homens, cerca de 85% de suas vítimas foram mulheres. As estimativas apontam desde cem mil até milhões de feiticeiras eliminadas. Um dos livros mais terríveis já escritos, “O Martelo das Feiticeiras”, ensinava como obter confissões e explicava que a mulher “é mais carnal que o homem, como fica claro pelas inúmeras abominações carnais que pratica.” E continuava: “Deve-se notar que houve um defeito na fabricação da primeira mulher, pois ela foi formada por uma costela de peito de homem, que é torta. Devido a esse defeito, ela é um animal imperfeito que engana sempre.”
Não é brincadeira. Esse livro foi o manual de instruções dos inquisidores. De acordo com ele, as feiticeiras adquiriam seus poderes após copularem com o demônio. Não adiantava os maridos permanecerem acordados, vigiando as esposas adormecidas. O demônio é invisível e a cópula ocorre sem ninguém ver. Se o marido não viu, é prova de que realmente aconteceu.
Feiticeiras e vampiros literários têm muito em comum: são sedutores, controlam animais noturnos, podem tornar-se invisíveis, temem objetos sagrados para o cristianismo. A Inquisição terminou e deixou mulheres submissas a maridos e espartilhos que mal lhes permitiam respirar. O feminino estava domesticado, porém até as donzelas mais pálidas e recatadas continuavam sendo mulheres, ou seja, malignas. Bastava que o mal se aproximasse e as seduzisse para voltarem a pecar. Saem de cena as feiticeiras do mundo real; surgem os vampiros e, principalmente, as vampiras na literatura.
A primeira vampira literária aparece em 1797, no poema “A Noiva de Corinto”, de Goethe. É uma jovem que morreu virgem, mas voltou como vampira para seduzir um rapaz. Em 1816, o poema inacabado “Christabel”, de Coleridge, é publicado e traz a primeira vampira implicitamente lésbica, Geraldine, que seduz a inocente donzela Christabel. A partir daí, lésbicas ou não, as vampiras reinam em contos e romances. Aos homens, cabe resistir a seu fascínio, transpassá-las com estacas e salvar donzelas.
Atualmente, duzentos e cinquenta anos depois de Inquisição, as donzelas literárias vão à forra e tratam de seduzir os vampiros.

Um comentário:

Carla Ceres disse...

Valeu, Ivana! Adorei a feiticeira com seu felino de estimação. Longa vida aos gatos (e gatas)! :) Beijos!

Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2-André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11-Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35-Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz
Lino Vitti - Acadêmico Honorário (in memoriam)